Demi Lovato é abandonada no altar por astro de Grey’s Anatomy em novo clipe
A cantora Demi Lovato divulgou o clipe de “Tell Me You Love Me”, faixa-título de seu sexto álbum, lançado em outubro. O disco é repleto de músicas lentas e reflete a calmaria depressiva que se instala após o fim de namoros e problemas pessoais. No vídeo, Demi encena um romance com o ator Jesse Williams (o Dr. Jackson Avery da série “Grey’s Anatomy”), desde o pedido de casamento até a caminhada ao altar, onde é abandonada, após ele perceber que a união não vai dar certo. O caminho até o final infeliz é pavimentado por brigas, discussões, desconfianças e pedidos de desculpas. Muitos pedidos de desculpas, que assumem tom confessional, injetando influência gospel na melodia de balada pop. “Eu tentei fazer o meu próprio ‘Stripped'”, disse ela, citando o disco da Christina Aguilera de 2002. “Estou solteira, tenho 25 anos, vivendo sozinha, quis escrever sobre isso”, explicou. A direção é de Mark Pellington, que já tinha deixado Demi sozinha no vídeo de “Skyscraper”, há seis anos, mas é mais conhecido por seu trabalho como cineasta. Neste ano, ele assinou a comédia indie “A Última Palavra”, que juntou a veterana Shirley MacLaine com Amanda Seyfried. Seu próximo filme é o drama “Nostalgia”, estrelado por Jon Hamm e Bruce Dern, que estreia em fevereiro nos Estados Unidos.
Produção do filme do Queen é interrompida em meio a sumiço do diretor
A Fox suspendeu as filmagens de “Bohemian Rhapsody”, o filme sobre a banda Queen, devido a um problema envolvendo o diretor Bryan Singer (“X-Men”). Em comunicado oficial, o estúdio informa apenas que o diretor ficou inesperadamente indisponível. “A Twentieth Century Fox interrompeu temporariamente a produção em ‘Bohemian Rhapsody’ devido à indisponibilidade inesperada de Bryan Singer”, diz a nota veiculada na sexta-feira (1/12). Um representante do diretor completou a informação, alegando que o desaparecimento do diretor era devido a “uma questão de saúde pessoal de Bryan e sua família. Bryan espera voltar a trabalhar no filme logo após os feriados de fim de ano”. O site Deadline apurou que a produção vem enfrentando problemas há algum tempo. A interrupção atual não seria a primeira. Segundo fontes ouvidas pelo site, o filme teve outras pausas, porque o diretor tem desaparecido. Já o Hollywood Reporter afirma que ele não aparece no set desde o feriadão do Dia de Ação de Graças. O estúdio não confirmou oficialmente em que ponto estão as filmagens, mas há boatos de discussões com os integrantes da banda, que são produtores da cinebiografia, a respeito da contratação de um substituto para terminar o longa. Fontes informaram ao Deadline que a Fox prefere aguardar, porque faltariam apenas cerca de duas semanas para completar a fotografia principal. Se outra pessoa fosse trazida, precisaria terminar as filmagens e supervisionar a pós-produção. “Bohemian Rhapsody” traz Rami Malek (série “Mr. Robot”) como o cantor Freddie Mercury, Gwilym Lee (série “Midsomer Murders”) como Brian May, Joe Mazzello (minissérie “The Pacific”) no papel do baterista Roger Taylor e Ben Hardy (o Anjo de “X-Men: Apocalipse”) vivendo o baixista John Deacon. Além deles, também participam Aidan Gillen (série “Game of Thrones”) como John Reid, empresário da banda durante seu auge, entre 1975 e 1978, Tom Hollander (“Missão: Impossível – Nação Secreta”) como Jim Beach, o empresário que assumiu em 1978, Lucy Boynton (“Sing Street”) como Mary Austin, namorada de Freddie Mercury antes dele sair do armário, e Aaron McCusker (Jamie na versão britânica de “Shameless”) como Jim Hutton, namorado do cantor nos últimos anos de sua vida. O roteiro foi escrito por Justin Haythe ( “A Cura” e “O Cavaleiro Solitário”) e a previsão de estreia é para o Natal de 2018 nos Estados Unidos.
Vídeo de Arquivo X aborda o cliffhanger da temporada passada
A rede Fox divulgou um vídeo de bastidores de “Arquivo X”, que traz os protagonistas e o criador da série abordando o cliffhanger do final da temporada anterior, que mostrava Mulder (David Duchovny) contaminado por um vírus mortal e Scully (Gillian Anderson) observando luzes no espaço. “Estas são as grandes questões que precisam ser respondidas, e acho que temos uma solução dramática realmente interessante”, diz o produtor Chris Carter, revelando que a trama vai continuar a partir desses eventos. Além disso, a 11ª temporada terá mais aliens, disco voadores, conspirações e visões apocalípticas, com o retorno do Canceroso (William B. Davis), a busca pelo filho desaparecido de Mulder e Scully, a desconfiança em relação a Skinner (Mitch Pileggi), o ressurgimento do agente Doggett (Robert Patrick) e até uma mensagem perdida de um dos Pistoleiros Solitários (Richard Langly). A principal novidade será a participação de Barbara Hershey (“Sobrenatural”), que viverá a vilã Erika Price, descrita como uma “figura poderosa que representa uma organização misteriosa”. A atriz terá papel recorrente na série. Produzida como sempre por Chris Carter, a 11ª temporada estreia em 3 de janeiro nos Estados Unidos e uma semana depois no Brasil, pelo canal pago Fox.
Johnny Galecki confirma participação no revival da série clássica Roseanne
O ator Johnny Galecki confirmou, via Instagram, que vai participar do revival da série “Roseanne”, retomando seu papel como David Healy. No post, publicado na sexta-feira (1/12), ele definiu seu retorno ao personagem dos anos 1990 como “talvez a experiência mais surreal da minha vida”, além de agradecer sua série atual por lhe permitir fazer a viagem no tempo. Veja abaixo. O tamanho da participação de Galecki não foi informada, mas não deve ser muito longa, já que atualmente ele estrela a série “The Big Bang Theory”. Por conta disso, havia dúvidas a respeito de sua aparição no revival, que terá apenas nove episódios. Não por acaso, ele foi o último nome do elenco clássico confirmado, o que evitará malabarismos dos produtores, já que David se casou com Darlene, a famosa personagem vivida por Sara Gilbert, com quem tem dois filhos. Por sinal, Sara Gilbert é coprodutora do revival, ao lado de Roseanne Barr, protagonista e criadora da série original. Exibida na rede ABC entre 1988 e 1997, “Roseanne” foi um sucesso imenso de público e crítica, e grande influência nas sitcoms que a sucederam. Vencedora de três Globos de Ouro e quatro Emmys, a série acompanhava a família Conner e os problemas de seu cotidiano de classe trabalhadora: casamento, filhos, dinheiro etc. Enquanto as famílias televisivas anteriores eram todas certinhas, os episódios de “Roseanne” refletiam a realidade vivida pela audiência, como dificuldades para pagar contas e criar os filhos. A produção também foi responsável por popularizar o astro John Goodman (visto mais recentemente em “Kong: A Ilha da Caveira”), que literalmente precisará ressuscitar seu personagem para participar do revival. Fãs da série devem lembrar que seu personagem, Dan, havia morrido de ataque cardíaco. Mas já em 2009, num post no Facebook, Roseanne Barr (que além de protagonista é também criadora da série) admitiu que imaginava que Dan havia fingido a sua morte. Os intérpretes das crianças originais eram Sara Gilbert, Alicia Goranson e Michael Fishman, que hoje são adultos com seus próprios problemas financeiros e familiares para lidar. Além deles, quem também volta é Laurie Metcalf, irmã de Roseanne na trama. As novas crianças são justamente os filhos de David (Galecki) e Darlene (Gilbert), mas apenas Harris, que será interpretada por Emma Kenney (série “Shameless”), foi vista na série clássica. Ela nasceu na 9ª e última temporada. Já seu irmãozinho Mark, personagem do estreante Ames McNamara, foi concebido “fora do ar”. Ele é um menino pequeno, que foi batizado em homenagem ao irmão de David, originalmente interpretado pelo falecido Glenn Quinn (1970–2002). “Roseanne” vai se juntar a “Twin Peaks”, “Arquivo X”, “Fuller House”, “Prison Break”, “Heroes”, “Gilmore Girls” e “Will & Grace” na lista das séries que sacudiram a poeira dos arquivos para voltar ao ar. A exibição vai acontecer na midseason, no começo de 2018 nos Estados Unidos, em data ainda não divulgada. 21 YEARS LATER…! Apart from being born, possibly the most surreal experience of my life. Deep thanks to my Big Bang Theory family for knowing the importance of visiting one’s roots and loaning me out for a quick minute. Much ❤️. Uma publicação compartilhada por Johnny Galecki (@sanctionedjohnnygalecki) em Dez 1, 2017 às 4:48 PST
Filme de Tarantino sobre Charles Manson vai estrear no aniversário dos 50 anos da morte de Sharon Tate
A Sony marcou a data de estreia do próximo filme de Quentin Tarantino, o primeiro que irá distribuir. E não é uma data qualquer. O longa-metragem, que se passará em 1969 e terá como pano de fundo os assassinatos cometidos pelos seguidores de Charles Manson, será lançado em 9 de agosto de 2019. O dia marca os 50 anos da morte brutal da atriz Sharon Tate, mulher do diretor Roman Polanski, que foi assassinada de forma sádica pela “Família” de Manson em seu oitavo mês de gravidez. Charles Manson ficou preso de 1971 a novembro de 2017, quando morreu de causas naturais, aos 83 anos de idade. Seus cúmplices continuam até hoje na cadeia, com raras exceções. Conhecido apenas como “IX”, já que será o nono filme dirigido por Tarantino e ainda não ganhou título oficial, o longa terá produção de Tarantino e David Heyman, produtor da franquia “Harry Potter” e “Animais Fantásticos”. Pela primeira vez, o diretor não trabalhará com o produtor Harvey Weinstein, com quem rompeu após as inúmeras acusações de assédio e abuso sexual. O orçamento não será barato, já que o cineasta quer dirigir um elenco classe A. A lista inclui Leonardo DiCaprio, com quem ele já trabalhou em “Django Livre” (2012), e Brad Pitt, protagonista de “Bastardos Inglórios” (2009), mas não pára nisso: Tom Cruise também estaria sendo considerado. Para completar, Jennifer Lawrence e Margot Robbie são as favoritas para os papéis femininos. Não existem maiores informações sobre que papéis este elenco dos sonhos desempenharia, embora fontes afirmem que Margot Robbie viveria Sharon Tate. Segundo o site Deadline, não há tantos personagens principais na trama, o que significa que, se todos concordassem, Tarantino teria que deixar alguém de fora.
Sabrina, Aprendiz de Feiticeira vai virar série de terror na Netflix
A Netflix encomendou a série “Chilling Adventures of Sabrina”, uma versão de terror de “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira”. O projeto estava em desenvolvimento na rede CW, mas a Netflix fez uma proposta que a WBTV (Warner Bros Television) não conseguiu resistir, dispensando a produção de piloto e contratando duas temporadas para começar. Cada temporada terá 10 episódios, três a menos que teria na TV aberta. O responsável pelo projeto é Roberto Aguirre-Sacasa, criador de “Riverdale” e editor da Archie Comics, que novamente trabalhará com o produtor Greg Berlanti e o diretor Lee Toland Krieger, que dirigiu o piloto aprovado de “Riverdale”. Originalmente, Sabrina faria parte do mesmo universo de “Riverdale”, mas com a mudança para a Netflix, não está claro se as duas séries ainda terão ligação. De todo modo, a Netflix também exibe “Riverdale” no mercado internacional. A Sabrina da nova atração será bem diferente daquela vista nos desenhos animados dos anos 1960 e na série dos anos 1990 estrelada por Melissa Joan Hart. A produção trocará o tom de comédia adolescente, geralmente associada à personagem, por uma estética de terror, algo que Roberto Aguirre-Sacasa já introduziu em algumas publicações bem-sucedidas da Archie Comics – como “Afterlife with Archie” e, justamente, “Chilling Adventures of Sabrina”. O novo projeto reimagina a origem e as aventuras de Sabrina como uma história de horror, ocultismo e, claro, feitiçaria. Na trama, a protagonista luta para reconciliar sua natureza dupla – meio bruxa, meio mortal – e contra as forças do mal que ameaçam sua família e o mundo em que os seres humanos habitam. A série deve estrear em 2018.
Titans: Brenton Thwaites é Robin na primeira foto da série dos Novos Titãs
A Warner divulgou a primeira foto da série “Titans”, baseada nos quadrinhos dos Novos Titãs. Ela traz o ator australiano Brenton Thwaites (de “Deuses do Egito” e “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”) vestido como Robin. Thwaites será o segundo ator a viver o Menino Prodígio numa série, após Burt Ward nos anos 1960, mas outros três atores já interpretaram Robin no cinema – os dois primeiros ainda na década de 1940. O último tinha sido Chris O’Donnell, nos filmes “Batman Eternamente” (1995) e “Batman & Robin” (1997). A imagem desfaz uma dúvida em relação à produção, que em seu release chamava o personagem central apenas de Dick Grayson, sem identificar se ele apareceria como o Robin original e fundador da primeira versão dos Titãs nas publicações da DC Comics, ou como sua segunda identidade, Asa Noturna, adotada durante a época dos Novos Titãs. Com 28 anos, Thwaites é um pouco velho para viver o Robin de 13 anos (ou 16 anos, na revisão dos reboots) que formou a Turma Titã clássica. E para complicar de vez a cronologia, a atriz Lindsey Gort (intérprete da jovem Samantha Jones em “The Carrie Diaries”) entrou na série no papel da detetive de polícia Amy Rohrbach, a parceira de Grayson num arco da revista solo do Asa Noturna. Segundo o a sinopse da produção, a história gira em torno de Dick Grayson, que sai da sombra de Batman para se tornar o líder de um grupo destemido de novos heróis, incluindo Estelar (Anna Diop, da série “24: Legacy”), Ravena (Teagan Croft, da novela “Home and Away”), Mutano (Ryan Potter, da série “Supah Ninjas”, do Nickelodeon), Rapina (Alan Ritchson, da série “Blood Drive”) e Columba (Minka Kelly, da série “Friday Night Lights”). A “Turma Titã” original foi criada pelo roteirista Bob Haney em 1964, quando ele juntou Robin, Kid Flash e Aqualad, os parceiros adolescentes (então com 13 anos) de Batman, Flash e Aquaman, numa mesma aventura. Foi um sucesso e eles voltaram a se reunir mais duas vezes antes de decidirem formar um grupo de heróis adolescentes para combater o crime, adotando o nome “Turma Titã” (Teen Titans, no original). Os Titãs clássicos também incluíram Ricardito e a Moça-Maravilha, que com o tempo viraram Arsenal e Troia, além de Lilith e outros menos famosos. Robin também mudou sua identidade para Asa Noturna nos anos 1980, quando a própria Turma Titã virou os Novos Titãs, numa fase em que a equipe trazia Ciborgue, Ravena, Estelar e Mutano. Mas as mudanças não acabaram ali. Quando novos membros deram origens a outras formações – e à Justiça Jovem – , a equipe original voltou a se reunir sob o nome simplificado de Titãs, o mesmo escolhido para a série. “Titans” está sendo desenvolvida por Akiva Goldsman, após escrever o pior de todos os “Transformers” e transformar “A Torre Negra” num fiasco, em parceria com o produtor Greg Berlanti, responsável pelas séries de super-heróis da DC Comics na rede CW, e Geoff Johns, diretor da DC Entertainment e cocriador de “The Flash”. A produção será a segunda tentativa de transformar os heróis juvenis da DC Comics em série. O canal pago TNT chegou a encomendar um piloto, mas acabou rejeitando o projeto no ano passado. O roteirista, por sinal, era o mesmo Akiva Goldsman. Desta vez, a produção está sendo concebida para inaugurar a “Netflix” da DC Comics, um serviço de streaming só com produções dos quadrinhos da editora da Liga da Justiça. Ainda não há previsão para a estreia da série ou do lançamento do serviço de streaming.
Assassinato no Expresso do Oriente é mistério luxuoso, melhor que o livro
“Assassinato no Expresso do Oriente” é a segunda versão cinematográfica do livro de 1934 de Agatha Christie, que já tinha sido filmado em 1974 por Sidney Lumet. A incumbência de dirigir a nova adaptação coube ao britânico Kenneth Branagh, que também interpreta o famoso detetive Hercule Poirot, o protagonista da história. Essa nova versão é uma produção caprichadíssima, sofisticada, que contou com muitos recursos e um elenco de grandes atores e atrizes. Kenneth Branagh dirige e contracena com Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Judi Dench, Johnny Depp, Derek Jacobi, Willem Dafoe, Daisy Ridley e tantos outros menos famosos. Afinal, são treze personagens que se encontram num trem, que acaba ficando parado por conta de uma nevasca que o descarrilha. Aí ocorre um assassinato e todos são considerados suspeitos. E todos têm, também, um segredo. Para quem gosta de histórias de mistério, acompanhar uma trama, desvendar quem é o culpado, se divertir com os maneirismos de um detetive genial, porém, excêntrico, uma boa pedida. A genialidade do detetive Poirot, na verdade, passa dos limites. Qualquer pequeno indício que ninguém notaria torna-se uma pista valiosa. E, também, parece surgir do nada, magicamente. Assim, as pistas se acumulam de modo a esticar o mistério e deixar tudo suspenso no ar. Por outro lado, com tantos personagens, a trama tende a se dispersar e até a aborrecer. Branagh foi econômico na caracterização dos personagens e, ao contar com intérpretes famosos, pôde minimizar a confusão que poderia haver entre um personagem e outro. Com atores e atrizes tão conhecidos, torna-se mais fácil identificá-los. Um elenco dessa qualidade também acaba produzindo desempenhos que se destacam e dão um charme especial a um enredo, que nem é assim tão brilhante. Ressalte-se, porém, o talento do cineasta/ator. O filme é bonito, com panorâmicas espetaculares, caracterização de época muito competente, cenários e locações nostálgicos. Ele transporta o espectador à época dos trens românticos, que enchiam de fumaça os ares mas tinham a sofisticação das casas nobres. O personagens, com aparência e vestuários exuberantes, incluindo um bigode exageradíssimo do detetive, contribuem para compor o quadro de um tempo que tentava se reencontrar após a chacina da 1ª Guerra Mundial, enfrentava a crise econômica mundial, mas não resistiria à arrasadora 2ª Guerra Mundial. Não que Agatha Christie focasse a discussão por aí, a questão toda se resume a entretenimento. Mas os preconceitos já estavam lá, nas colocações racistas ou pejorativas que envolviam os personagens e situações. O que Kenneth Branagh destaca muito bem. Enfim, um belo filme para preencher uma tarde ou noite com diversão, beleza, suspense e humor. E o recomeço de uma franquia, já que a cena final anuncia Poirot sendo chamado para ir ao Egito, desvendar uma morte no Nilo, referência a outro livro de Agatha Christie, que já teve a produção confirmada pela Fox, novamente estrelada e dirigida por Kenneth Branagh.
Não Devore Meu Coração lida com amor e ódio de forma irregular
O novo filme de Felipe Bragança parece ser cheio de boas intenções. A narrativa se divide em capítulos, com letras grandes e de destaque e títulos chamativos. A trilha sonora meio anos 1980, com uso de sintetizadores, também contribui para algo elegante e retrô (está na moda, não é?). Mas “Não Devore Meu Coração” é uma obra irregular, que se apoia no talento de Cauã Raymond (“Alemão”), muito bem nas cenas com a família, o que só aumenta o contraste com o trabalho menos naturalista de interpretação dos atores jovens e pouco experientes do elenco. O resultado é uma obra torta, tanto do ponto de vista da atuação quanto em sua condução narrativa, que não consegue transmitir o sentimento que parece querer passar, seja o amor imenso do pequeno Joca (Eduardo Macedo) pela indiazinha paraguaia da fronteira (Adeli Gonzales), seja a relação de Fernando, o personagem de Cauã, com o ambiente hostil que o cerca. Este ambiente hostil, que evoca séculos de desavenças, desde a Guerra do Paraguai, traz como cenário principal uma guerra local entre gangues de motoqueiros: de um lado, um grupo de brasileiros do Mato Grosso do Sul com pinta de fascistas; do outro, um grupo de paraguaios-guaranis, que têm visto todos os dias corpos desovados no rio Apa, o rio que separa o Brasil do Paraguai. Bragança parece querer dar à trama um ar de fábula, a exemplo do que havia feito com “A Alegria” (2010), ainda mais estranho e menos palatável. Essa história de amor e ódio tem os seus momentos. Há algo de “Acossado” (1960) no momento em que o garotinho, inebriado pelo amor que sente pela jovem índia, conta algo sobre o irmão. Essa é uma das melhores cenas do filme. Mas é uma pena que ela pareça deslocada em uma obra que parece optar pelo distanciamento das emoções. Apesar de “Não Devore Meu Coração” ter sido exibido em festivais internacionais, a carreira de Bragança como cineasta até agora não emplacou, pelo menos não dentro de um circuito mais amplo. Mas ele busca um tom diferente, e isso não deixa de ser uma qualidade.
Maria – Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos celebra uma brasileira notável
O documentário “Maria – Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos” trata da figura forte, marcante, da escultora Maria Martins (1894-1973), também chamada de embaixatriz, de sua vida e de sua arte. Trabalho importante, uma vez que a grandeza da arte dessa mulher ainda é desconhecida do grande público. Em parte, por seu caráter polêmico, inovador, avançado para seu tempo. Mas também porque ela, na condição de esposa do embaixador Carlos Martins Pereira e Souza, cumpria suas funções no ambiente diplomático com discrição. Suas obras exalavam uma sexualidade feminina ativa e arrojada. Sua vida também comportou uma forte ligação amorosa com Marcel Duchamp, a quem influenciou e por quem foi influenciada, artisticamente. O filme tem o mérito de revelar Maria Martins nesses seus dois lados aparentemente inconciliáveis, mas que ela parece ter integrado bem. Avançar nas manifestações do feminismo, tanto na arte quanto em experiências de vida, não a levaram a romper barreiras institucionais. Cidadã do mundo, até por conta de deslocamentos diplomáticos do marido, conquistou espaço artístico de grande relevo, em cidades como Washington, Nova York, Paris, e projetou sua obra mundo afora. É significativa a referência à influência dos trópicos, origem que ela afirma e solidifica no seu trabalho nas artes plásticas e nas suas manifestações e atitudes públicas. O documentário acerta em cheio, ao mostrar a obra de Maria Martins, dando-lhe o merecido destaque. Agrega, também, em entrevistas, comentários críticos e material de arquivo, informações relevantes. Isso é o que mais importa, as formas que ela criou têm um impacto muito grande. É irrefutável a grandeza do seu trabalho. Sua vida, seus desejos, suas escolhas, também são uma parte importante da história que o filme aborda, dando a conhecer uma mulher brasileira notável do século 20.
Seu Jorge será o guerrilheiro Marighella no primeiro filme dirigido por Wagner Moura
O filme que marcará a estreia na direção do ator Wagner Moura (série “Narcos”) será estrelado por Seu Jorge (“E Aí… Comeu?”). O cantor e ator encarnará Carlos Marighella na produção, que acompanhará a trajetória do guerrilheiro baiano na luta armada contra a ditadura militar, entre 1964 e 1969, quando foi morto por policiais numa emboscada em São Paulo. O rapper Mano Brown chegou a ser cotado para o papel, mas a agenda de shows da banda Racionais MC’s acabou entrando em conflito com o cronograma das filmagens. Seria a estreia do rapper como ator, após compor a trilha de um documentário sobre Marighella, realizado em 2012 pela sobrinha do guerrilheiro, Isa Grinspum Ferraz. Wagner Moura já tinha trabalhado anteriormente com Seu Jorge, quando ambos contracenaram em “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro” (2010). O elenco do filme, intitulado “Marighella”, destaca ainda Adriana Esteves (“Mundo Cão”) e Bruno Gagliasso (“Isolados”), entre outros. A produção foi autorizada a captar R$ 10 milhões via leis de incentivo, apurou 60% do valor até o momento, mas já começa a ser rodada neste fim de semana, adaptando o livro “Marighella: O Guerrilheiro Que Incendiou O Mundo”, do jornalista Mário Magalhães. Em entrevista ao jornal O Globo, Moura citou Che Guevara, falou de golpe e disse que seu filme tomará partido da esquerda brasileira. “Meu filme não será imparcial, será um filme sobre quem está resistindo”, resumiu.
Brasil é o único país do mundo em que a nova animação da Pixar não vai se chamar Coco
Os tradutores brasileiros de títulos de cinema são os mais criativos do mundo. Se fosse preciso mais uma prova disso, a renomeação do nova animação da Pixar tornou-se um caso histórico. Afinal, o Brasil é o único país do mundo em que “Coco” terá título diferente do original. A obra que necessita de apenas uma palavra para ser divulgada no resto do planeta, aqui virou “Viva – A Vida É uma Festa”, um título de seis palavras e um hífen, que exemplifica o esforço enorme dos profissionais do setor para demonstrar serviço. De acordo com um artigo publicado na versão em espanhol do site BuzzFeed, o motivo de o título nacional ser diferente estaria ligado à semelhança da palavra “Coco” com “cocô”. Claro que ninguém faz esta confusão quando vai à feira comprar cocos, mas o Brasil é aquele país estranho em que os filmes são lançados com o subtítulo “O Filme” para o público não se confundir e achar que vai ler um livro no cinema. Procurada pelo jornal O Globo, a Disney disse que “prefere não comentar a escolha de título dos filmes”. Mas se deve comentar, sim, porque as traduções criativas vem irritando bastante o público brasileiro, a ponto de petições online terem sido criadas para pedir correções nos nomes de alguns lançamentos, sem sucesso. Entre os casos mais recentes, estão “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, que mudou totalmente o subtítulo de “Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales”, e “Jurassic World: O Reino Está Ameaçado”, que incluiu um verbo no original “Jurassic World: Fallen Kingdom”. Mas há exemplos que vão além do ridículo para se tornarem patéticos, como “The Avengers: Os Vingadores”. Curiosamente, três dos exemplos citados são do estúdio que prefere não comentar. “Coco” estreia como “Viva – A Vida É uma Festa” apenas em janeiro. E, por sinal, o Brasil será um dos últimos países do mundo a receber o lançamento, que hoje já é sucesso mundial.
Roteirista de A Múmia acusa produtor mais bem-sucedido do hip-hop de estupro
Um dos produtores mais influentes do mundo do hip-hop americano, Russell Simmons, foi acusado de estupro pela roteirista Jenny Lumet (“O Casamento de Rachel”, “A Múmia”), filha do famoso cineasta Sidney Lumet. Ela assinou uma coluna na revista The Hollywood Reporter em que afirma, com muitos detalhes, ter sido estuprada por Simmons em 1991, aos 24 anos. É a segunda denúncia de abuso sexual contra o produtor. No começo do mês, ele negou a denúncia da modelo Claussen Khalighi, que alegava também ter sido atacada em 1991, quando tinha 17 anos. Diante da repercussão negativa, com vários cancelamentos de negócios, Simmons anunciou na quinta-feira (30/11) sua aposentadoria. Simmons é, disparado, o empresário mais bem-sucedido do hip-hop. O que começou com festas de bairro em Nova York no final dos anos 1970 explodiu após ele assumir o gerenciamento da carreira de seu irmão Joseph Simmons, mais conhecido como o Run da banda Run-DMC. O estouro da gravação de “Walk This Way”, primeiro rap exibido na MTV em 1986, foi o empurrão que faltava para dar visibilidade a seu primeiro grande investimento, uma gravadora chamada Def Jam Recordings, que revolucionou o nascente gênero musical ao revelar Beastie Boys, LL Cool J e Public Enemy na década de 1980. Mas não ficou nisso. Nos anos seguintes, a gravadora ainda revelaria Kanye West, Jay-Z e Rihanna. Ele também criou as grifes de moda Phat Farm e Tantris. E virou produtor de cinema em 1985, ao lançar “Krush Groove”, um musical de hip-hop estrelado por Run-DMC, Fat Boys, New Edition, Kurtis Blow, Sheila E e os Beastie Boys. O filme seguinte, “Tougher Than Leather” (1988), só com o Run-DMC, inaugurou sua produtora cinematográfica, Def Pictures. Jenny Lumet iniciou a carreira como atriz neste filme. O produtor encontrou ainda mais sucesso ao se voltar às comédias, como o longa “O Professor Aloprado” (1996) e o programa humorístico “Def Comedy Jam”, exibido pela HBO desde 1992. O sucesso da atração televisiva deu origem a diversos especiais de humor e stand-up no canal pago americano. Após a nova denúncia, a HBO emitiu um comunicado anunciando que tiraria o nome de Simmons dos programas e que não faria mais projetos com ele. O empresário negou as acusações, mas explicou que acredita que as recentes revelações de casos de abuso e assédio sexual por parte de celebridades masculinas o fizeram refletir. “Embora jamais tenha sido violento, frequentemente não mostrei consideração e sensibilidade em muitas de minhas relações ao longo dos anos, e me desculpo sinceramente”, ele disse, em comunicado. “As vozes dos que não têm voz, os que foram feridos ou degradados, merecem ser escutadas. Quando os cenários do poder abrem caminho a uma nova geração, não desejo ser uma distração, assim me retiro dos negócios que criei”, completou. A inclusão de Simmons nos escândalos sexuais que abalam a indústria do entretenimento também deve cancelar a produção de um filme sobre história da gravadora Def Jam, que estava em desenvolvimento na Fox. Inspirado no livro “Life and Def: Sex Drugs Money + God”, biografia de Simmons escrita por Nelson George (consultor da série “The Get Down”), o filme tinha roteiro de Kenya Barris, criador da série “Black-ish”.












