Björk revela ter sofrido assédio sexual de “diretor dinamarquês” durante filmagens



A cantora Björk publicou um texto em seu Facebook, na tarde deste domingo (15/10), em que revela ter sido vítima de assédio sexual de um diretor dinamarquês. No texto, ela se diz inspirada pela onda de denúncias atuais – contra Harvey Weinstein
, mas não nomeia o responsável pelo ataque. Apesar disso, Björk só trabalhou com um diretor dinamarquês em sua pequena carreira como atriz: Lars von Trier, em “Dançando no Escuro”, de 2001.

“Me senti inspirada pelas mulheres de todo a parte, que estão falando sobre suas experiências online. Isso me fez sentir vontade de contar minha experiência com um diretor dinamarquês”, escreveu Björk. “Venho de um país onde a diferença entre os sexos é a menor do mundo, apesar de ainda existir. E vinha de uma posição estabelecida no mundo da música com uma independência muito merecida. Mas ficou extremamente claro para mim quando entrei na carreira de atriz que a humilhação e o assédio sexual eram a norma, diante de uma equipe de dezenas que permitiu e encorajou o diretor. Tive ciência que era um consenso universal que um diretor poderia tocar e assediar suas atrizes à vontade, porque a instituição do cinema permitia”, ela desabafou.

“Quando repeli o diretor, ele ficou deprimido e me puniu, criando uma ilusão para toda a equipe ao me rotular como ‘a difícil’. Por conta da minha força, da minha incrível equipe e porque eu não tinha grandes ambições no meio da atuação, eu deixei essa profissão de lado e me recuperei desse episódio com o passar dos anos. Mas eu temo que outras atrizes, trabalhando com este mesmo homem, não tenham conseguido. O diretor estava totalmente ciente desse jogo e tenho certeza que o filme que ele fez posteriormente foi baseado em sua experiência comigo, porque fui a primeira que não se deixou assediar por ele”.



Björk foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes pelo papel, mas nunca mais protagonizou nenhum filme. Já Lars von Trier filmou em seguida Nicole Kidman em “Dogville” (2003) e a atriz não quis retornar para a sequência, “Manderlay” (2005). Em compensação, Charlotte Gainsbourg estrelou os últimos três longas do diretor, “Anticristo” (2009), “Melancolia” (2011) e “Ninfomaníaca” (2013), este dividido em duas partes. Ela também venceu o troféu de Melhor Atriz em Cannes (por “Anticristo”), assim como Kirsten Dunst, sua colega em “Melancolia”.


Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.



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