Música de Descendentes 2 celebra maldades da Disney em dois clipes
A Disney Music divulgou dois clipes da música “Ways to Be Wicked”, que integra o telefilme “Descendentes 2”. O primeiro destaca imagens da produção do Disney Channel, enquanto o segundo traz os atores cantando a música num carro, ao estilo de “Carpool Karaokê”. A música é um elogio às maldades e registra uma recaída de Jay (Booboo Stewart), Evie (Sofia Carson), Mal (Dove Cameron) e Carlos (Cameron Boyce) no lado negro dos contos de fadas. Dois detalhes chamam atenção. Ao final do clipe oficial, o Príncipe Ben (Mitchell Hope), filho da Bela e da ex-Fera, junta-se a eles num visual de bad boy. Já no Karaokê, o quarteto principal é acrescido de China Anne McClain (série “Programa de Talentos”), que estreia na franquia como Uma, a filha de Úrsula. Além Uma, outros filhos de vilões das fábulas vão participar da nova história: Harry Hook (o novato Thomas Doherty), filho do Capitão Gancho, e Gil (Dylan Playfair, de “Se Eu Tivesse Asas”), filho do Gastão. A franquia se passa num reino idílico, após o príncipe herdeiro oferecer uma chance de redenção para os filhos dos maiores antagonistas dos contos de fadas, que foram presos em uma ilha com todos os vilões, ajudantes, madrastas e meia-irmãs malvadas. No primeiro filme, ao passar a frequentar a escola ao lado dos filhos da Fada Madrinha, Bela Adormecida, Rapunzel e Mulan, os jovens decidem romper com seus pais vilões, abraçando a oportunidade de se tornarem pessoas boas. Novamente escrito por Sara Parriott e Josann McGibbon e dirigido por Kenny Ortega, “Descendentes 2” tem estreia marcada para 21 de julho nos Estados Unidos.
Get Shorty: Série baseada no filme O Nome do Jogo ganha primeiro trailer
O canal americano pago Epix divulgou duas fotos e o primeiro trailer de “Get Shorty”, série que adapta o livro e o filme “O Nome do Jogo”. A prévia revela que não se trata de uma transposição literal da trama, mas uma extrapolação, ao estilo de “Fargo”, produção com a qual parece compartilhar até o humor negro. Na trama, Chris O’Dowd (séries “The IT Crowd” e “Moone Boy”) vive Miles Daly, um matador da máfia que, durante um “trabalho”, acaba eliminando um roteirista de cinema e, com um roteiro inédito respingado de sangue, resolve se aventurar por Hollywood. Seu plano é mudar de vida para proteger sua filha, mas suas táticas são as mesmas de sempre, usando dinheiro sujo e extorsão para produzir seu filme. O papel é similar, mas não igual, ao vivido por John Travolta no filme de 1995 e sua continuação “Be Cool: O Outro Nome do Jogo” (2005). Além de O’Dowd, o elenco também destaca Ray Romano (da sitcom “Everybody Loves Raymond” e visto mais recentemente na série “Vynil”) como um produtor decadente de filmes de baixa qualidade, que se torna parceiro de Miles em sua tentativa de se estabelecer na indústria cinematográfica. Trata-se, por sua vez, de uma versão do personagem vivido por Gene Hackman no cinema. A trama original, claro, é do escritor Elmore Leonard. E “Get Shorty” será a terceira adaptação de um de seus livros a virar série. O autor é o mesmo dos contos que inspiraram “Karen Sisco” e “Justified”. A adaptação está a cargo do roteirista Davey Holmes, que escreveu episódios de “Shameless” e “In Therapy” e a estreia está marcada para 13 de agosto nos EUA. Criado como uma joint venture entre os estúdios Paramount, Lionsgate e MGM, o canal Epix foi neste mês adquirido totalmente pela MGM, que tem planos de usá-lo para desenvolver séries baseadas em sua vasta filmografia de clássicos.
Brasileiro de 13 Reasons Why negocia viver Mancha Solar no filme dos Novos Mutantes
O ator brasileiro Henry Zaga, que integra o elenco da série “13 Reasons Why”, está negociando viver o herói Mancha Solar (Sunspot) no filme dos “Os Novos Mutantes”. Segundo a revista Entertainment Weekly, o anúncio de sua contratação deve acontecer em breve. Henry Zaga é nome artístico de Henrique Gonzaga. O ator brasiliense de 25 anos é filho do ministro Admar Gonzaga, do TSE, e começou a se destacar na TV americana como um dos vilões adolescentes da 5ª temporada de “Teen Wolf”, em 2015. No fenômeno da Netflix “13 Reasons Why”, ele interpreta o namorado de Tony (Christian Navarro). Criado por Chris Claremont, em 1982, Mancha Solar foi o primeiro super-herói brasileiro da Marvel. Alter ego do jovem herdeiro milionário Roberto da Costa, ele tem o poder de canalizar e usar a energia solar. Até o momento, apenas dois atores estão confirmados no elenco da produção: Maisie Williams (a Arya de “Game of Thrones”) como Lupina (Wolfsbane) e Anya Taylor-Joy (“Fragmentado”) como Magia (Magik). Mas boatos também apontam que Rosario Dawson pode se somar a eles. A atriz já faz parte do universo Marvel, interpretando a enfermeira Claire Temple nas séries disponibilizadas pela Netflix. Caso o rumor se confirme, ela seria promovida a médica. O papel a que está sendo relacionada é o da Dra. Cecilia Reyes, uma mutante introduzida numa fase, revista e grupo completamente diferente dos demais integrantes até agora mencionados. A médica porto-riquenha surgiu apenas em 1997 e se tornou integrante dos X-Men. “Os Novos Mutantes” será dirigido por Josh Boone (“A Culpa É das Estrelas”) e tem estreia prevista para abril de 2018.
7ª temporada de Game of Thrones não perderá tempo com personagens secundários
A 7ª temporada de “Game of Thrones” não vai perder muito tempo com personagens secundários. A consequência dos produtores terem matado boa parte de seus protagonistas, ao longo de seis temporadas, será uma concentração maior de cenas entre os principais personagens. “Quando você mata uma dúzia de personagens, as pessoa que sobram necessariamente precisam carregar mais peso dramático”, disse o showrunner Dan Weiss sobre os novos episódios, em entrevista à revista Entertainment Weekly, que além da reportagem divulgou um ensaio fotográfico da série. Finalmente desembarcando em Westeros, Daenerys terá mais cenas que nunca, o que fez Emilia Clarke, sua intérprete, ficar assustada quando leu os roteiros. “Quando li a nova temporada, pensei: ‘Meu Deus, vou precisar decorar muitas falas'”. Kit Harington, intérprete de Jon Snow, resumiu a situação na reportagem: “Todo mundo ficou com um pedaço maior da torta agora”. Ao lado dos dois, Cersei (Lena Headey) e Tyrion (Peter Dinklage) também deverão comandar as atenções, com espaço ainda para Sansa (Sophie Turner), Arya (Maisie Williams), Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), Bran (Isaac Hempstead Wright), Mindinho (Aidan Gillen) e Davos (Liam Cunningham) se destacarem. Além da ausência de personagens importantes, como o vilão Ramsay Bolton (Iwan Rheon) e a rainha Margaery Tyrell (Natalie Dormer), mortos no ano passado, a próxima temporada ainda contará com menos episódios que o costume. Serão apenas sete capítulos, com estreia marcada para 16 de julho na HBO, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Game of Thrones: Família Stark finalmente se reencontra em fotos e capas de revista
A revista americana Entertainment Weekly dedicou sua capa desta semana à 7ª temporada de “Game of Thrones”. Na verdade, cinco capas diferentes, que ilustram o reencontro dos sobreviventes da família Stark, Jon Snow (Kit Harington), Sansa (Sophie Turner), Arya (Maisie Williams) e Bran (Isaac Hempstead Wright), reunidos pela primeira vez desde a temporada inaugural da série. Jon e Sansa já estão juntos, no castelo de Winterfell, desde o final da temporada passada. E o alinhamento da trama indica que os demais devem se juntar a eles nos próximos capítulos. Além das capas e fotos de bastidores do ensaio, a publicação divulgou um vídeo, em que pergunta para o elenco como imagina que a reunião da família Stark irá acontecer. Veja abaixo. Com sete episódios, a 7ª temporada de “Game of Thrones” estreia no dia 16 de julho na HBO.
Cachorro dá à Netflix seu primeiro prêmio no Festival de Cannes
A Netflix ganhou seu primeiro prêmio no Festival de Cannes. Nesta sexta (26/5), os críticos internacionais presentes do evento francês conferiram o troféu alternativo Palm Dog ao cachorro de “The Meyerowitz Stories”, dirigido por Noah Baumbach (“Frances Ha”). O troféu foi conquistado por Einstein pelo papel de Bruno, o poodle do filme produzido pela plataforma de streaming. A palma canina é uma tradição recente de Cannes. Foi criada em 2001 para destacar o melhor trabalho de um cachorro entre os filmes do festival e já premiou cães famosos, como Lucy, de “Wendy & Lucy” (2008), o saudoso Uggie, de “O Artista” (2011), e todo o elenco canino de “White God” (2014). Neste ano, Einstein conquistou o troféu por sua “atuação” como o cão da problemática família formada por Dustin Hoffman e Emma Thompson. Além da Palma Canina, também foram distribuídos um Prêmio do Júri, espécie de 2º lugar, para o pastor alemão Lupo, do filme “Ava”, de Lea Mysius, e o “Dogmanitarian Award”, que homenageia a melhor relação entre homens e cachorros, que foi para Tchi Tchi, uma shitzu de 16 anos que pertence à atriz Leslie Caron. Os dois contracenam na série britânica “The Durrells”.
Anna Faris e Eugenio Derbez vão estrelar remake da comédia Um Salto para a Felicidade
A atriz americana Anna Faris (série “Mom”) e o mexicano Eugenio Derbez (“Não Aceitamos Devoluções”) vão estrelar um remake da comédia “Um Salto para a Felicidade” (Overboard), sucesso de 1987, originalmente estrelada pelo casal Kurt Russel e Goldie Hawn. Segundo o site Deadline, a nova versão vai mudar a situação dos protagonistas. Desta vez, será o personagem masculino, interpretado por Derbez, quem cai de um iate e perde a memória, esquecendo que é um milionário arrogante, enquanto Faris viverá uma mãe solteira e pobre, que resolve aproveitar a situação para dizer que Derbez é seu marido. Não houve justificativa oficial para a mudança, mas é fácil entendê-la. Por mais divertido que seja o original dirigido por Garry Marshall, a ideia de um mulher independente virar dona de casa para fazer comida e cuidar de crianças não cairia tão bem nos dias de hoje. Além de Faris e Derbez, o elenco também contará com Eva Longoria (série “Desperate Housewives”) como a dona de uma pizzaria que emprega Kate. O papel não consta do filme original, mas é descrito de forma similar ao do melhor amigo do personagem de Russel, vivido por Michael G. Hagerty em 1987. O remake será escrito e dirigido por Bob Fisher e Rob Greenberg. O primeiro é roteirista de comédias de sucesso, como “Penetras Bons de Bico” (2005) e “Família do Bagulho” (2013) e fará sua estreia como diretor, enquanto Greenberg criou a série “We Are Men” e dirigiu episódios de várias sitcoms – de “Scrubs” a “How I Met Your Mother”. Ainda não há previsão para a estreia.
Diane Kruger se desespera em fotos e trailer de suspense alemão aplaudido em Cannes
A Pathé divulgou o pôster, cinco fotos e o primeiro trailer do suspense alemão “In the Fade” (Aus dem Nichts), um dos filmes mais aplaudidos do Festival de Cannes 2017. A prévia revela o momento em que a personagem de Diane Kruger (“Bastardos Inglórios”) descobre que o marido e o filho foram vítimas de um atentado de neonazistas. O desespero de sua interpretação é impressionante e arrancou elogios da crítica internacional, durante o festival. Na trama, depois do período de luto e espera por justiça, a protagonista se cansa das desculpas da polícia e decide procurar vingança. Dirigido pelo alemão Fatih Akin (“Soul Kitchen”), que é filho de imigrantes turcos, “In the Fade” ilumina a outra face do terrorismo na Europa, que tem olhos azuis e ataca muçulmanos. A trama foi inspirada por atentados cometidos pelo NSU, um grupo neonazista que já explodiu diversas bombas contra imigrantes desde 1999. A estreia está marcada para 23 de novembro na Alemanha e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
François Ozon leva o thriller erótico ao limite ginecológico no Festival de Cannes
Um dos filmes mais esperados pela crítica francesa no Festival de Cannes, o thriller erótico “L’Amant Double”, novo longa de François Ozon (“Frantz”), dividiu opiniões, chegando a chocar o público normalmente blasé. Arrancando arroubos de “genial” e “lixo”, no mínimo deixou uma impressão forte. Não foi por acaso que a primeira foto divulgada pela produção trazia seus atores nus. Aquela era uma cena tímida do filme, como demonstrou o primeiríssimo take da produção: um close-up ginecológico da protagonista, a corajosa Marine Vacht, que o próprio Ozon lançou em Cannes em 2013, no drama “Jovem e Bela”. Assim como naquele filme, “L’Amant Double” também aborda perturbações da mente feminina. Na trama, Vacht procura um psicólogo para deixar de somatizar suas angústias, que lhe causam dores constantes. As sessões são tão boas que ela se apaixona e planeja se casar com o médico, vivido pelo belga Jérémie Renier, presença constante nos filmes dos irmãos Dardenne. Mas ele esconde a existência de um irmão gêmeo sedutor, também terapeuta. E a descoberta precipita na jovem uma obsessão. Na entrevista coletiva, Ozon disse que se divertiu testando até onde poderia levar o gênero do thriller erótico, que ele já tinha visitado em “A Piscina” (2003). “Eu vinha de uma experiência com uma narrativa mais tradicional (o drama de época ‘Frantz’), então foi natural me voltar para o filme de gênero, o thriller erótico, e brincar com os seus códigos. Sempre procuro não me repetir”, explicou o diretor. Sobre a cena inesquecível que abre o longa, o diretor assumiu que quis mostrar algo diferente e provocador de imediato, uma imagem que não tinha visto com tanto destaque numa tela grande de cinema. “Como menino, eu não fui a clínicas ginecológicas. E ainda sou um menino curioso”, comentou. Na tela, a imagem explícita rapidamente se funde com outro close, do olho lacrimejante da protagonista. O efeito desconcertou o público, rendendo aplausos e gargalhadas nervosas. “É uma forma de estabelecer de cara as intenções do filme, que fala de uma mulher curiosa e cheia de emoções aprisionadas dentro de si”, explicou pacientemente Ozon. “Ao mostrar a genitália e os olhos da personagem, estamos abrindo o jogo desde o início sobre o caminho que estamos seguindo, que é descobrir o que acontece com o corpo e a mente dessa mulher”. E que viagem revela este caminho, repleta de perversões sexuais que o presidente do júri do festival deste ano, Pedro Almodóvar aprovaria – como demonstram filmes como “Kika” (1993) e “A Pele que Habito” (2011). Mas as principais influ~encias são thrillers de Brian De Palma (“Vestida para Matar”) e Peter Cronenberg (“Gêmeos – Mórbida Semelhança”). O próprio Ozon assumiu suas influências. “Eu amo a forma como De Palma desconstrói o thriller e como ele se diverte brincando com os códigos do gênero”, disse Ozon, acrescentando: “Cronenberg também”. “Eu sou um cineasta cinéfilo, então eu acho que não são necessariamente coisas específicas que me influenciam, mas um conjunto de elementos do meu inconsciente”, acrescentou. Mesmo assim, a semelhança com “Gêmeos – Mórbida Semelhança” é a mais óbvia da trama. Ozon confessou que quis rever o filme de Cronenberg para se distanciar dele, antes de começar a filmar. “Eu me vi forçado a rever o filme de Cronenberg. A diferença é que em ‘Gêmeos’, a história é contada do ponto de vista dos irmãos. A minha é contada da perspectiva da vítima deles”, adiantou, quase dando spoiler.
Diane Kruger enfrenta o terrorismo de olhos azuis no Festival de Cannes
“In the Fade”, do alemão Fatih Akin (“Soul Kitchen”), trouxe os problemas do mundo real para o Festival de Cannes. Filme mais abertamente político deste ano, aborda a guinada de intolerância à direita que toma conta da Europa, efeito secundário do terrorismo islâmico, para mostrar que o terror também tem olhos azuis. O filme traz Diane Kruger (de “Bastardos Inglórios”) como a esposa de um ex-traficante de drogas de origem turca e mãe de um menino de 6 anos, que sobrevive a um atentado neonazista no local onde trabalham. Com a morte do marido e filho, ela quer a condenação dos assassinos, seja pela Justiça, seja pelas próprias mãos. A imigração na Alemanha é um tema constante da filmografia de Akin, que é filho de imigrantes turcos, assim como o pop/rock ocidental. Mas este é o filme em que mais claramente se posiciona contra a xenofobia. O terrorismo de “In the Fade” não é praticado por imigrantes aliciados pelo Estado Islâmico, mas por aqueles que são contra esses grupos. “O cinema me dá a possibilidade de dialogar com meus pesadelos”, disse Akin na entrevista coletiva, em que apareceu usando uma camiseta da banda Queens of Stone Age, em homenagem ao guitarrista Josh Homme, que assina a trilha sonora do filme. “Vivemos em um mundo globalizado, e esse mundo tem medo das pessoas. A globalização tem um lado bom e outro ruim”, completou. O cineasta inspirou-se nos atentados cometidos contra estrangeiros que acontecem na Alemanha desde 1999 pelo NSU, um grupo neonazista que já explodiu diversas bombas. Revelou também ter se inspirado em histórias reais de casos em que imigrantes eram mortos e a polícia sempre procurava indícios de que usavam drogas para justificar os crimes como guerra de gangues. É o que acontece em seu filme, quando os policiais apontam que a explosão pode ter sido uma questão muçulmana, curda ou de criminalidade ligada ao tráfico. Mas Katja, a personagem de Kruger, tem certeza de que não é nada disso. Kruger esperava a chance de atuar em um filme de Akin desde que se conheceram há alguns anos em um evento. Mas o protagonista de “In the Fade”, originalmente, seria um homem. “Mas quando você começa a escrever um roteiro, novas camadas vão sendo incorporadas, aí surgiu a história da mãe”, explicou o diretor. “Mas como não queria usar as escolhas previsíveis entre as atrizes alemãs, aí me lembrei da conversa com Diane e a convidei”, explicou Akin. A parceria acabou sendo positiva para a atriz, que teve sua interpretação elogiada pela crítica, mais, inclusive, que o próprio filme. “É um papel que me deu medo”, contou Kruger. “O que mais me interessou é que é sobre um ato terrorista. Hoje ouvimos a cada dia novos números sobre mortos, assim como as histórias daqueles que ficam. E Katja me tocou muito: como é possível se viver diante desse horror?” A atriz disse que se sentiu desafiada pelo filme. “Houve cenas difíceis de gravar, de viver. As cenas de luto, de extremo sofrimento, era algo quase insuportável. Vivi algo terrível. Não trabalhei desde então”, declarou. “É uma personagem muito diferente de mim. Mas disse sim a tudo o que Akin me pedia. Era apenas ele quem poderia fazer esse filme. Infelizmente, acho que esse longa faz parte da nossa atualidade”, concluiu.
Real – O Plano por Trás da História traça o acirramento da divisão do Brasil
Os filmes, por mais que tentem retratar uma época, acabam sendo reflexo da época em que foram realizados. Com “Real – O Plano por Trás da História” não é diferente. É possível perceber que a rixa existente entre esquerdistas e neoliberais que abre o filme é muito mais rancorosa hoje do que era naqueles tempos em que Lula ainda não tinha conseguido vencer uma eleição. É também um filme que acabou chegando em um momento particularmente infeliz para o PSDB, que poderia usá-lo como propaganda política. Se bem que também é possível vê-lo sem esse viés. Até porque, no fim das contas, Fernando Henrique Cardoso não aparece no filme como o criador solitário do Plano Real. Ele apenas, espertamente, juntou uma equipe que transportou uma ideia pré-existente em uma tese acadêmica para a realidade brasileira. Foi um projeto arriscado, mas até hoje se elogia a criação da moeda forte, por mais que isso tenha custado bastante ao povo brasileiro, que sofreu um desemprego gigante, além de taxas de juros absurdas, para manter a estabilidade da moeda. Mas era pior antes, com a hiperinflação. O filme se foca em Gustavo Franco, que aparece na tela como o principal responsável pela existência do Plano Real e quem tentou de tudo para que a moeda persistisse estável, mesmo com uma crise mundial e nacional que pedia que o Brasil cedesse. Não dá para dizer que ele é exatamente um herói. E nisso o filme tem como mérito a boa interpretação de Emílio Orciollo Netto, no papel do egocêntrico e arrogante economista. Ainda assim, não deixa de ser ridículo quando ele grita “Eu não vou desvalorizar a minha moeda!”. De fato, tirando Tato Gabus Mendes como Pedro Malan, todos os demais soam ridículos, seja Norival Rizzo, como FHC, seja Bemvindo Sequeira como o Presidente Itamar Franco. Até Paolla Oliveira, mais uma vez, só serve para enfeitar a tela, com aquela que talvez seja sua interpretação mais constrangedora. Se nas telenovelas já é assim, nos filmes suas limitações se agigantam em tela grande. Enfim, não dava para esperar grande coisa de um filme de Rodrigo Bittencourt, o diretor da tenebrosa comédia “Totalmente Inocentes” (2012). Por outro lado, por mais que os problemas sejam evidentes, principalmente interpretação, escalação de atores e diálogos, trata-se de uma narrativa até bem envolvente, por tratar de um assunto que interessa ao brasileiro médio, especialmente a quem viveu os anos 1990. Além dos bastidores da criação da moeda, “Real – O Plano por Trás da História” também permite traçar o acirramento das polaridades extremas que dividem o Brasil atual, entre esquerdistas, costumeiramente chamados de comunistas (como se isso fosse uma ofensa), e neoliberais (idem). A divisão preenche as entrelinhas do filme, extrapolando numa sequência de discussão entre Franco e um amigo que votou em Lula. A impressão que dá é de que esse cenário apenas se radicalizou, mesmo em meio à podridão generalizada, que mistura todos os lados.
A Vida Após a Vida aborda o fantástico com singeleza
O longa-metragem chinês do cineasta estreante Zhang Hanyi pode ser definido como um filme singelo e, ao mesmo tempo, fantástico. Ou que trata do fantástico com singeleza. Ele nos leva à província chinesa de Shanxi, uma espécie de local abandonado pelos próprios moradores, esquecido, parado no tempo. Obviamente, decadente. Como diz o protagonista: ninguém mais morre aqui, todo mundo vai embora antes. O cenário é desolador, há muitas árvores, mas todas secas de outono e as casas são escombros ou muito precárias. A trama é de grande simplicidade, embora apele ao sobrenatural, como o próprio título do filme, “A Vida Após a Vida”. Ocorre que uma pequena parte dos antigos moradores, que já partiram e morreram, voltam na forma de fantasmas, buscando solucionar questões que deixaram pendentes em suas vidas na Terra, ou, mais precisamente, em Shanxi. É o caso do espírito de Xiuying, morta há mais de dez anos, que toma o corpo de seu filho Leilei (Zhang Li) para reencontrar o marido, Ming Chu (Zhang Mingjun), e resolver uma coisa importante para ela: mover uma árvore plantada quando se casou. Aí vemos o filho falando e se comportando como a mãe, em contraste com o que foi mostrado antes, um garoto agitado e contestador. O jovem Zhang Li se sai muito bem nesse desempenho, tanto quanto Zhang Mingjun, que faz o pai e terá, a todo custo, de resolver a questão do transporte da árvore, o que não se colocará como uma tarefa fácil. Além de conviver com a mulher materializada num adolescente, o que também traz algumas dificuldades interpretativas. Para quem não tem familiaridade com a complexa cultura chinesa, não é simples entender a relação dos seres humanos com as árvores que os conhecem e com quem têm uma história em comum. A relação com a natureza é muito forte e simbólica, especialmente numa pequena localidade rural do interior do país. A transcendência que existe aí também não cabe nos conhecidos parâmetros religiosos ocidentais. A mulher que morreu não reencarna para viver uma nova vida na Terra. Ela toma emprestado o corpo de seu filho para poder resolver um problema e, então, se liberar para viver em paz fora da Terra. Também não sei se se coadunaria com algum preceito budista e há que se reconhecer que tem similitude com os espíritos ou entidades que baixam temporariamente em pessoas vivas. O que é mostrado no filme é que o espírito se apossa da pessoa e continua caminhando pelo campo, observando as árvores, o ambiente, e agindo para alcançar seu objetivo, que é imediato. Não remete a questões morais, nem de largo espectro. É, como disse, singelo. A direção de Zhang Hanyi combina com isso. Ele não usa nenhum efeito especial, nenhuma fantasmagoria, nem passa perto das possessões que chacoalham as pessoas. Tudo permanece absolutamente calmo, tranquilo, até desolado, como é a localidade. A relação do casal, separado pela morte dela, não apresenta nenhuma dramaticidade que ultrapasse a questão em foco, a da árvore. Embora alguns diálogos remetam ao passado comum, à ausência, à saudade e ao tempo percorrido. Mas tudo muito discreto. Uma curiosidade, que recomenda o filme, é que ele é produzido pelo grande diretor Jia Zhang-Ke (“As Montanhas Se Separam”). Evidentemente, não se poderia esperar que, por isso, o filme fosse chegar perto do talento do cineasta produtor. Mas a presença de Zhang-Ke nos créditos abre portas importantes, principalmente nos festivais de cinema pelo mundo. O filme já passou pelos festivais de Berlim e Hong-Kong. Neste último, Zhang Hanyi recebeu um prêmio concedido a cineastas estreantes. Já passou por aqui, no Festival Indie 2016, e agora entra em cartaz no circuito comercial dos cinemas.
Clash confina tensões da Primavera Árabe num camburão
O filme egipcio “Clash” trata das turbulências que têm atingido o país após o que se convencionou chamar de Primavera Árabe e a revolução egípcia de 2011. O diretor Mohamed Diab focaliza momentos que se seguiram à deposição do presidente eleito Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, derrubado pelos militares em 2013 por meio de um golpe, que produziu muitos protestos nas ruas e confrontos que marcaram um país dividido. Para abordar a questão da radicalização política que envolve os dois grupos principais – os militares e a Irmandade Muçulmana – , além da participação de grupos minoritários – como os cristãos e os judeus – e até a atuação da imprensa, a estratégia do cineasta foi agrupá-los num único dia de protestos intensos, pela cidade do Cairo, dentro de um camburão. Presos extraídos dos protestos, os diferentes personagens convivem obrigatoriamente uns com os outros e têm de lidar com suas diferenças e seus ódios recíprocos. Tudo se passa, claustrofobicamente, dentro do camburão, o tempo todo. A rua é vista de lá, os muitos protestos, a repressão policial, os tiroteios, as bombas, tudo está lá, mediado pela velha caminhonete-prisão. Quando a porta do camburão se abre, o horizonte se insinua, mas logo ela se fecha e voltamos à tensa dinâmica desse carro-prisão. A filmagem é muito tensa e intensa. A agitada câmera na mão chega a incomodar, mas isso é intencional, nos põe no olho do furacão. O tempo decorrido é o de um dia de protestos no centro de Cairo, absolutamente revelador do ambiente de confronto, aparentemente intransponível, que tomou conta do Egito. O encontro dos detidos no camburão mostra a face humana, óbvia, que todos têm, encastelados em suas verdades políticas, religiosas, comportamentais. É, pelo menos, uma tentativa de empatia, de se colocar no lugar do outro. Única forma de procurar compreender algo para além das verdades ideológicas estabelecidas por cada grupo. A imprensa, que se arrisca nesse ambiente conturbado, em busca do registro dos fatos, se sai bem, na visão do filme. Não sem registrar suas discordâncias, representadas pelos dois jornalistas trancafiados. O diretor Mohamed Diab já é conhecido do público brasileiro pelo filme ”Cairo 678”, de 2010, que tratava do machismo e do assédio sexual às mulheres da cidade do Cairo, nos ônibus. Um trabalho muito bom. Mas “Clash”, do ponto de vista cinematográfico, é mais criativo na concepção e execução dos planos. Indica, portanto, uma evolução técnica do trabalho desse cineasta, que merece toda a atenção. Se mais não for, por sua capacidade de lidar no cinema com questões pungentes do seu tempo e do seu país.












