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Filme|10 de maio de 2017

CEO da Netflix responde às redes de cinema e ao Festival de Cannes: “Vejam na Netflix”

A decisão do Festival de Cannes de barrar filmes da Netflix a partir de 2018 ganhou uma resposta de Reed Hastings, fundador e CEO do serviço de streaming. Ele fez um breve comentário, em tom desafiador, na sua página no Facebook: “O establishment fechando o cerco contra nós. Vejam ‘Okja’ na Netflix em 28 de junho, filme incrível que as redes de cinema querem impedir que participe da competição do Festival de de Cannes”, disse.

O festival deste ano, que começa na semana que vem, terá dois filmes da Netflix em sua mostra competitiva pela primeira vez, mas esta inclusão causou revolta entre os exibidores de cinema da França, já que esses filmes só estarão disponíveis em streaming para assinantes.

Ao anunciar a mostra competitiva deste ano, o diretor do festival, Thierry Fremaux, chegou a sugerir que a Netflix providenciaria algum tipo de lançamento cinematográfico dos dois filmes na competição, “Okja”, de Bong Joon-Ho, e “The Meyerowitz Stories”, de Noah Baumbach. Mas nesta quarta (10/5) os organizadores do festival disseram que tal acordo não foi feito e que, embora os dois filmes tenham recebido permissão de continuar na competição deste ano, no futuro nenhum filme será aceito sem uma garantia de distribuição nos cinemas franceses.

“O Festival de Cannes está ciente da ansiedade despertada pela ausência de lançamento desses filmes nos cinemas franceses”, justificaram os responsáveis pelo evento, em comunicado, no qual tentam afirmar que a situação era “invisível” até virar polêmica. “O festival tem o prazer de acolher um novo operador que decidiu investir no cinema, mas quer reiterar seu apoio ao modo tradicional de exibição na França e no mundo. Consequentemente, após consultar os membros do seu conselho, o Festival de Cannes decidiu adaptar suas regras a esta situação, invisível até agora: qualquer filme que pretenda competir em Cannes terá que se comprometer a ser distribuído nos cinemas franceses. Esta nova medida será aplicada a partir da edição de 2018”, conclui o texto.

A decisão de Cannes está sendo comemorada pelo setor de distribuição de filmes tradicional.

Na França, um filme só pode ser exibido em um serviço de streaming 36 meses após sua saída dos cinemas. “Estamos certos de que os amantes franceses de cinema não vão querer ver esses filmes três anos depois do resto do mundo”, chegou a dizer a Netflix em um comunicado, quando tentava negociar a exibição dos filmes nos cinemas franceses. Mas não houve acordo com os exibidores.

Aliás, nem agora nem nunca. A Netflix chegou a tentar exibir seus filmes no cinema, quando entrou nesse mercado. O plano original da empresa para “Beasts of No Nation” em 2015 era exibir a produção em alguns cinemas selecionados dos Estados Unidos, mas as redes de exibidores boicotaram a distribuição, proibindo que seu circuito fosse utilizado e o filme só entrou em 31 salas independentes. Por conta disso, o serviço de streaming passou a lançar seus filmes diretamente na plataforma.

A questão tem desdobramentos interessantes, desde a discussão do que é cinema – as salas ou o filme – e até mesmo o que é filme – afinal, o processo de filmagem tradicional há muito foi abandonado pela gravação digital, e hoje os “filmes” chegam em todas as telas em arquivos de mídia.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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