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Música|31 de agosto de 2016

Veneza: La La Land é aplaudido de pé na abertura do festival

Filme de abertura do 73ª Festival Internacional de Cinema de Veneza, “La La Land” foi aplaudido de pé pela crítica internacional, durante sua exibição para a imprensa. Escrito e dirigido por Damien Chazelle, de “Whiplash – Em Busca da Perfeição” (2014), o longa é uma homenagem aos musicais clássicos, com cenas de cantoria, coreografia e até de sapateado.

“Mais do que qualquer outro gênero, o musical nos permite ir da realidade à fantasia, e explorar diferentes emoções entre um extremo e outro”, disse Chazelle, durante a entrevista coletiva, explicando sua opção pelo gênero. “Sempre fui cinéfilo, e a música tem ocupado uma grande parte da minha vida. Meu primeiro filme (‘Guy and Madeline on a Park Bench’, trabalho de conclusão de curso em Harvard) também era um musical. Tudo o que eu faço, mesmo as coisas não relacionadas diretamente com música, acabam tendo um sentimento musical”.

Assim como em “Whiplash”, a trama de “La La Land” traz novamente um jovem jazzista em busca de reconhecimento por sua música, mas encontrando apenas obstáculos. Ryan Gosling (“A Grande Aposta”) interpreta um pianista que deseja fazer melhor uso de seu talento e formação clássica, mas só consegue dinheiro com shows de música comercial. Ele acaba se apaixonando pela personagem de Emma Stone (“O Espetacular Homem-Aranha”), que vive situação similar. Ela é uma aspirante a atriz que trabalha como garçonete num café dos estúdios Warner enquanto faz testes para conseguir algum papel.

Apesar da situação derrotista em que ambos se encontram, eles permanecem otimistas e sonhadores, e esse tom positivo do filme é um frescor num tempo marcado pelo pessimismo e atitudes cínicas.

“O filme não tem nada de cínico”, assumiu Emma Stone, única integrante do elenco presente no encontro com a imprensa. “É sobre ter sonhos e esperanças e ir à luta para realizá-los. Os jovens de hoje são céticos demais. Tudo o que espero com esse filme é que os [jovens] que assistirem mantenham seus sonhos e trabalhem duro”, arrematou.

“Hoje em dia, mais do que nunca, precisamos de romance e esperança”, emendou Chazelle, ressaltando que encara o cinema como uma “linguagem dos sonhos”. E nos seus sonhos, todos cantam e dançam. “A música sempre me inspirou muito. No filme, mesmo nas partes sem canções, eu queria que também elas soassem musicais, como que em um grande contínuo em que a música nunca parasse”, explicou.

Além das referências aos musicais clássicos da MGM, também é evidente a influência das cores vibrantes e da melancolia do francês “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964), de Jacques Demy. E Chazelle é o primeiro a confirmar a relação. “Nunca havia visto um filme como o de Demy, que emulava o estilo de musical da Metro Goldwyn Mayer que eu queria tomar emprestado, mas que lidava com os fatos da vida de forma mais realista”, ele comparou, durante a entrevista coletiva em Veneza. “Há algo de muito belo e poético sobre ‘Os Guarda-Chuvas do Amor. Muitas coisas podem acontecer depois de um ‘e viveram felizes para sempre’”, argumentou o jovem diretor de 31 anos.

Para o diretor do Festival, Alberto Barbera, se “Whiplash” foi a revelação de um novo diretor, “La La Land” é a confirmação definitiva de Chazelle como um dos grandes cineastas americanos do século 21. E seus elogios foram ecoados até por um “rival”, o diretor artístico do Festival de Karlovy Vary, Karel Och, que disse, para a revista Variety, que o filme “faz o coração bater mais forte e te deixa sorrindo, o que pouquíssimos filmes de festival são capazes de fazer hoje dia”.

As primeiras críticas não pouparam exaltação, com palavras como “impressionante”, “brilhante” e “pura poesia”. E muitos críticos lembraram que os três últimos filmes que conquistaram algumas das estatuetas mais importantes do Oscar tiveram première mundial em Veneza: “Gravidade” (2013), “Birdman” (2014) e “Spotlight” (2015). Estaria “La La Land” destinado a ser o quarto?

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Cris Thomas

Chris Thomas é uma eterna estudante de cinema com algumas pós-graduações e radicada em Paris há uma década.

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