Crítica: Quando as Luzes se Apagam explora clichês de terror sem conseguir assustar

Quando o nome do produtor aparece com mais destaque que o do diretor num filme de terror, é sinal que estão vendendo gato por lebre. Nem M. Night Shyamalan conseguiu a proeza de emprestar prestígio ao esquecível, embora não exatamente ruim, “Demônio” (2010). Em “Quando as Luzes se Apagam”, o nome alardeado é do maior cineasta do horror contemporâneo, James Wan, criador das franquias “Jogos Mortais” (2004), “Sobrenatural” (2010) e “Inovação do Mal” (2013). E se Wan interferiu no filme como produtor, não ajudou muito.

“Quando as Luzes se Apagam” é daqueles projetos feitos sem maior reflexão. Inspirado no curta-metragem “Lights Out” (2013), um ótimo exercício de tensão e medo, que chegou a viralizar na internet, o longa estica a ideia original, tentando criar uma história para sua criatura, que habita as trevas e só aparece na escuridão.

A premissa funciona em curta e poderia ter rendido um filme bem interessante, como outra obra que lida com a escuridão de maneira genial e assustadora, “Os Outros” (2011), de Alejandro Amenábar.

Na trama, o garotinho Martin (Gabriel Bateman, de “Annabelle”) vive às voltas com o comportamento estranho da mãe, Sophie (Maria Bello, de “A 5ª Onda”), que passa por um período de luto e depressão depois da morte do marido. O pior de tudo é que ela sempre conversa com alguém invisível em seu quarto. Seria Diana, uma moça estranha que ela conheceu na juventude.

Mas quem protagoniza mesmo a história é Rebecca, vivida por Teresa Palmer (“Meu Namorado É um Zumbi”). Ela é a jovem filha adulta de Sophie e até já saiu de casa por causa do comportamento da mãe. O garotinho a procura para pedir ajuda, e assim ela resolve passar uma noite na casa assombrada pelo fantasma de Diana.

A trama parece um tanto esquemática e falta ao diretor David F. Sandberg, em sua estreia em longa, a mesma capacidade de assustar que ele demonstrou em seu curta-metragem.

Com um andamento preguiçoso, “Quando as Luzes se Apagam” tem um ou outro momento interessante e inventivo, como o uso de uma luz negra para perceber a presença de Diana, em um dos ápices do filme. Mas, no geral, é aquele tipo de terror tão cheio de clichês que pouco assusta, mais um exemplar medíocre do que vem sendo produzido atualmente no gênero, e completamente diferente do que se espera de um lançamento com o nome de James Wan em seu cartaz.

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