Remake de Xena vai assumir lesbianismo da personagem

O remake de “Xena: A Princesa Guerreira” vai explicitar aquilo que os fãs sempre desconfiaram, mas que ainda não podia ser mostrado numa série juvenil durante os anos 1990. A relação entre Xena (vivida originalmente por Lucy Lawless) e Gabrielle (Renée O’Connor) será assumida como romance lésbico na nova versão. Ao menos, esta é a intenção do roteirista Javier Grillo-Marxuach, que está escrevendo o piloto do remake para a rede NBC.

Ao comentar posts no Tumblr, em que fãs reclamaram da morte de uma personagem lésbica adorada na série “The 100”, num episódio que ele escreveu, Grillo-Marxuach deixou claro que a opção foi dos produtores e que em “Xena” não faria o mesmo. “Sou uma pessoa muito diferente com uma visão de mundo muito diferente de meus chefes em ‘The 100’ — e meu trabalho em ‘The 100’ era usar minhas habilidades para dar vida à visão deles. ‘Xena’ vai ser um programa muito diferente feito por outros motivos. Não há por que refazer ‘Xena’ sem explorar um relacionamento que só podia ser mostrado de forma implícita durante os anos 1990”, escreveu o roteirista.

Aviso de spoiler: O texto de Grillo-Marxuach faz referência a Lexa e Clarke, personagens femininas da distopia “The 100”, que têm um relacionamento homoafetivo. No começo de março, o episódio “Thirteen” (o sétimo da 3ª temporada) mostrou a morte de Lexa, comandante dos Terra-Firmes, assassinada logo após uma cena de sexo entre as duas.

Jason Rothenberg, showrunner da série, explicou ao site “TV Line” que a personagem foi eliminada por vários motivos, entre eles a dificuldade de conciliar a agenda da atriz Alycia Debnam Carey, que durante o ano passado se tornou protagonista da série “Fear the Walking Dead”. Os fãs, porém, não aceitaram bem a perda de uma das personagens mais populares do programa, tanto que o roteirista Grillo-Marxuach precisou se explicar – abrindo, assim, o baú de segredos de “Xena”.

A notícia da produção do reboot coincide com a tendência de resgate de atrações clássicas atualmente em voga na TV americana. Depois de uma minissérie que trouxe de volta os personagens de “24 Horas” em 2014, seguiram-se os retornos de “Heroes” e “Arquivo X”, e há vários outros projetos nostálgicos atualmente em desenvolvimento.

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna

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