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Filme|16 de novembro de 2015

Goosebumps transforma best-sellers em comédia de Jack Black

Baseado nos best-sellers de terror juvenil de R.L. Stine, que também viraram série para crianças e adolescentes, o filme “Goosebumps: Monstros e Arrepios” não é nada além de um veículo de Jack Black – estratégia também utilizada pelo ator em “As Viagens de Gulliver” (2010), que não por acaso é do mesmo diretor, Rob Letterman. Sinto muito, fãs da franquia, mas é isso.

Se intencional ou não, a combinação de fantasia, humor e aventura parece partir da cópia da cópia da cópia da cópia da fórmula de “Jumanji” (1995), com elementos pinçados de uma dúzia de similares, de “Gremlins” (1984) à “As Crônicas de Spiderwick” (2008), e com um início que remete a “Super 8” (2011).

Assim como o menino do filme de J.J. Abrams, que perdeu a mãe, Zach (Dylan Minnette, de “Os Suspeitos”) perdeu o pai. Mas com uma vantagem, porque ele se sente ótimo consigo mesmo; não está de luto e consegue manter uma relação muito feliz com a mãe, apesar da perda recente. Só faz biquinho quando vê uma foto ou um vídeo do pai. E ele vai do início ao fim do filme sem passar por nenhuma grande mudança. O que lhe interessa é beijar a garota no final. Então, o que levou os roteiristas Darren Lemke, Scott Alexander e Larry Karaszewski a citarem que o garoto perdeu o pai? Simples: apesar de começar com Zach, o filme revela seu verdadeiro protagonista um pouco depois. Jack Black é quem estrela a produção e o arco que importa é o de seu personagem, um escritor recluso, que vive se mudando de cidade na companhia da filha (Odeya Rush, de “O Doador de Memórias”).

A trama tem início pra valer após cerca de 30 minutos de filme, quando Zach e seu colega (vivido por Ryan Lee, justamente de “Super 8”), que tem a missão de ser o alívio cômico, abrem um livro na casa do escritor e de lá sai o abominável homem das neves (!). Aos poucos, vários monstros carregados de CGI escapam de outros livros. A explicação? Black é o próprio R.L. Stine, prisioneiro de sua imaginação. Nada mágico, nenhuma maldição. Suas criações simplesmente se tornam reais. Ok, fãs de “Goosebumps”, vocês engolem essa?

Há um problema básico de concepção no filme, que jamais define seu público. Em primeiro lugar, considere o elenco juvenil. Para eles (e o espectador com a mesma idade), “Goosebumps” já é um filme bobo demais. Imagine, então, para os adultos. Para as crianças mais novas, talvez seja um pouco assustador ver o lobisomem rosnando e babando com o focinho colado na tela. Ou seja, não é também para os pequeninos. Restam os fãs de Jack Black e talvez os leitores nostálgicos da obra de Stine.

Mas até como comédia o roteiro consegue falhar. Difícil digerir que Scott Alexander e Larry Karaszewski escreveram “Ed Wood” (1994) e “O Povo Contra Larry Flynt” (1994).

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Otávio Almeida

Otávio Almeida é formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo, mas sempre torcerá pelo Flamengo. É fã de Star Wars, Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Blade Runner, Martin Scorsese, Indiana Jones, Frank Capra, Billy Wilder, John Ford, Clint Eastwood, O Senhor dos Anéis, Woody Allen, George Lucas, Lawrence da Arábia, Quentin Tarantino, Rocco e Seus Irmãos, James Cameron e Chinatown. Além de editor do Hollywoodiano, escreve sobre cinema como colaborador da revista Preview.

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