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  • Etc,  Filme

    Laurie Mitchell (1928 – 2018)

    24 de setembro de 2018 /

    Morreu a atriz Laurie Mitchell, que foi rainha do planeta Vênus no clássico “Rebelião dos Planetas” (1958), no qual lutou contra Zsa Zsa Gabor. Ela tinha 90 anos. Ela morreu de causas naturais na quinta-feira (20/9), em uma instituição de saúde em Perris, na Califórnia. A atriz, que nasceu com o nome de Mickey Koren, foi criada em Nova York, mas se mudou com a família para a Califórnia quando era adolescente, o que lhe permitiu estudar atuação com o veterano ator Ben Bard (“O Sétimo Céu”). Loira de corpo escultural, ela se especializou em interpretar mulheres sexy e malvadas. Sua estréia no cinema foi no papel de uma prostituta que acompanha Kirk Douglas no começo de “20.000 Léguas Submarinas” (1954). E ela ainda figurou em dois filmes de presidiárias, “Mulheres Condenadas” (1955) e “As Lobas da Penitenciária” (1956), antes de conseguir seu primeiro destaque. A história de “Rebelião dos Planetas” foi concebida por Ben Hecht, roteirista vencedor do Oscar e responsável pelo clássico “Interlúdio” (1946), de Alfred Hitchcock. A trama se passa no começo da era espacial, em 1985, quando uma nave a caminho de uma estação no espaço perde o controle e acaba em Vênus. Lá, os quatro tripulantes são capturados por mulheres de mini-saias armadas, lideradas por uma rainha que odeia os homens e planeja destruir a Terra. Ela só não prevê a traição de sua cientista Talleah (Zsa Zsa Gabor), que se encanta com os astronautas. O papel da Rainha Yllane deu a Mitchell o status de sex symbol e de figura cultuada, além de convites para participar de convenções de sci-fi por várias décadas. No mesmo ano de 1958, ela apareceu em outras duas ficções científicas de baixo orçamento, “Terríveis Monstros da Lua”, em que voltou a viver uma alienígena sexy, e “Dr. Encolhedor”, consolidando seu status cult. Mas sua filmografia incluiu filmes muito mais famosos, como a comédia clássica “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), na qual interpretou uma integrante da banda feminina de Marilyn Monroe. Ela chegou a dizer que participar desse filme de Billy Wilder tinha sido “a experiência mais emocionante da minha carreira no show business”. Também figurou como showgirl em outra comédia famosa, “Carícias de Luxo” (1962), com Cary Grant e Doris Day, participou do romance “Amor Daquele Jeito” (1963), com Paul Newman, e trabalhou no saloon de “Fúria de Brutos” (1963), com Audie Murphy. Mas os papéis de figurante não lhe abriram novas portas. Com a carreira estagnada no cinema, ela passou a aparecer em inúmeras séries, de “Perry Mason” até “A Família Addams”, coadjuvando por mais de uma década na televisão. Ela quase encerrou a carreira com um papel no cinema, contracenando com o eterno Batman Adam West no suspense “A Garota que Sabia Demais”, em 1969. Mas depois disso ainda fez uma última aparição televisiva, na série “The Bold Ones: The New Doctors”, em 1971. Casada, mãe de família e distante de Hollywood, acabou redescoberta por fãs de seus filmes nos anos 1980, voltando a ser coroada rainha, no circuito das convenções de ficção científica.

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  • Etc,  Filme,  Série

    Zsa Zsa Gabor (1917 – 2016)

    19 de dezembro de 2016 /

    Morreu a atriz Zsa Zsa Gabor, uma das primeiras estrelas a se tornar mais conhecida como celebridade do que por seus papéis. Ela faleceu no domingo (18/12) em sua casa em Los Angeles, aos 99 anos, de uma parada cardíaca, após quase uma década de luta contra diversas doenças. Gabor tinha piorado muito nos últimos dias e seu marido – o nono – convidou seus parentes para que comemorassem com ela seu centenário antecipadamente. A atriz sofreu um infarto e foi levada ao hospital onde os médicos não puderam fazer nada para salvar sua vida. Ela estava com um delicado estado de saúde desde que sofreu um acidente de trânsito em 2002, situação agravada por uma embolia e um derrame em 2005, além de uma fratura de quadril em 2011. A atriz, que ia completar 100 anos em fevereiro, nasceu em 1917 na Hungria e chegou a Hollywood seguindo os passos de sua irmã Eva. Ela começou a carreira com 35 anos, o que não era comum na indústria cinematográfica dos anos 1950. Mas depois de figurar em “O Amor Nasceu em Paris” (1952) conseguiu coadjuvar em mais dois musicais, “Moulin Rouge” (1952), de John Huston, no qual interpretou uma modelo do pintor Toulouse Lautrec, e “Lili” (1953), de Charles Walters. O sucesso destes filmes a levou ironicamente de volta à Europa, rendendo convites para estrelar filmes franceses num grande upgrade em sua carreira: como protagonista. Ela virou a cabeça de um bandido em “O Inimigo Público Nº 1” (1953) e de um toureador em “Luz e Sangue” (1954). Mas o nome nos cartazes franceses não saciaram seu desejo por fama e Zsa Zsa preferiu voltar a coadjuvar em Hollywood, aparecendo em “O Rei do Circo” (1954), ao lado de Jerry Lewis e Dean Martin, e “Destruí Minha Própria Vida”(1956), um drama noir em que disputou com Yvonne de Carlo (a futura Lili Monstro da série “Os Monstros”) quem era a mulher mais fatal. Por esta época, Zsa Zsa começou a aparecer em programas de variedade na TV, arrancando risos do público com seu sotaque, personalidade e carisma marcantes. Daí para fazer rir em sitcoms foi um pulo. Ela foi convidada a participar de um episódio de “The Red Skelton Show” para representar uma “estrela de cinema” e, um ano depois, contratada para interpretar, pela primeira vez, a si mesma num programa de ficção. Não só isso, o título do episódio da série de comédia “The Bob Cummings Show” tinha seu nome: “Vovô encontra Zsa Zsa Gabor”. A exposição fez bem para sua carreira, rendendo-lhe o papel de dona de um clube de strip-tease no clássico “A Marca da Maldade” (1958), de Orson Welles, mas principalmente transformando-a em chamariz de bilheterias de filmes de baixo orçamento. Ela virou a rainha dos filmes B, estrelando produções sensacionalistas como “A Prisioneira do Kremlin” (1957) e principalmente “Rebelião dos Planetas” (1958). Este filme ruim se tornou cultuadíssimo pela trama fetichista, que acompanhava o pouso da primeira espaçonave americana em Vênus, um planeta habitado apenas por mulheres belíssimas e governado por uma rainha despótica (Zsa Zsa). Ela voltou a viver Zsa Zsa Gabor em “Pepe” (1960), comédia estrelada por Cantinflas, e basicamente seguiu sendo um clichê de si mesma, aparecendo também como Zsa Zsa, a “rainha de Vênus”, em “Dois Errados no Espaço” (1962), e Zsa Zsa, a celebridade que sua diamantes, no filme de assalto “Valete de Ouros” (1967). Nos anos 1960, ainda participou de diversas séries de impacto popular, como “Mister Ed”, “A Ilha dos Birutas”, “Bonanza” e até “Batman”, na qual viveu a vilã Minerva. “Famosa por ser famosa”, como chegou a se definir, fazia de tudo para aparecer, investindo na excentricidade. Sua origem estrangeira ajudou a popularizar seu bordão: “querido” com um forte sotaque – porque, como ela dizia, “não lembrava do nome de ninguém”. Mas a personagem Zsa Zsa tinha frases inteiras prontas para o close-up. Sempre com colar de diamantes, ela fazia questão de avisar para quem elogiasse: “Querido, estes são só meus diamantes de trabalho”. Ou: “Nunca odiei um homem o suficiente como para devolver-lhe suas joias”. Suas frases espirituosas eram mais engraçadas e sua vida privada mais cheia de ação que seus filmes e isso a ajudou a permanecer na mídia. Não por acaso, seus romances também tiveram mais astros que suas produções, envolvendo de Frank Sinatra a Howard Hughes. Ela jamais escondeu sua preferência por ricos e famosos. Foram nove maridos ao todo, entre eles Conrad Hilton, dono dos hotéis Hilton, com quem teve sua única filha, Francesca. Hilton nunca acreditou que a menina fosse sua e a deixou fora de sua herança. Graças à voracidade sexual e a ostentação que os tabloides transformaram em lenda, a atriz acabou quebrando barreiras em Hollywood ao continuar vivendo personagens glamourosas com 60 anos de idade – como na comédia “O Que Toda Mulher Tem” (1978). Zsa Zsa transcendeu a idade e qualquer papel para se dedicar a viver Zsa Zsa Gabor em tempo integral a partir dos anos 1980. Interpretou variações dela mesma em séries tão diferentes quanto “O Barco do Amor”, “Knots Landing”, “Pee Wee’s Playhouse”, “Um Maluco no Pedaço” e “Cybill”, além de aparecer em filmes de sucesso como “A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos” (1987), “Corra Que a Polícia Vem Aí 2 1/2” (1991), “A Família Buscapé” (1993) e “A Volta da Família Sol Lá Si Dó” (1996), seu último trabalho, aos 79 anos. Sua vida pessoal continuou rendendo notícias por anos, principalmente por conta de seu último casamento em 1986, com Frederick von Anhalt, 30 anos mais novo, que se apresentava como príncipe alemão, mas que tinha uma ficha corrida de pelo menos 15 problemas judiciais. Ainda assim, ficaram juntos até a morte dela. A atriz manteve o mesmo temperamento e atitude inabalável até o fim. Mas os tempos mudaram enquanto ela permaneceu Zsa Zsa. E, infelizmente, isso acabou levando-a para a cadeia. Detida por dirigir embriagada em alta velocidade, ela esbofeteou o policial que teve a audácia de pará-la em 1989. Afinal, ela era uma estrela, como sua carteira de motorista vencida poderia facilmente comprovar. Ou o simples fato de estar dirigindo um Rolls-Royce – com um porta-bebidas cheio de whisky. Passou três dias presa e prestou 120 horas de trabalho comunitário. Mas adorou a atenção da mídia durante todo o período e pôde até estrelar um novo filme – um documentário sobre o incidente. Em 1992, publicou suas memórias, “Uma Vida Não É Suficiente”, com revelações sobre seus maridos e amantes. Sobre sua preferência por maridos bem-sucedidos, afirmou: “Eu quero um homem que seja bondoso e compreensivo. É demais pedir um milionário?”. Outra: “Um homem apaixonado está incompleto até que esteja casado. Então, está acabado”. No livro, ela também se definiu como uma ótima dona de casa. “Toda vez que me divorcio, eu fico com a casa”.

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