Flávio Migliaccio (1934 – 2020)
O ator Flávio Migliaccio, visto recentemente na novela “Órfãos da Terra”, foi encontrado morto na manhã desta segunda (4/5) em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, aos 85 anos. Junto com o corpo, o caseiro do sítio encontrou uma carta escrita pelo ator. A notícia foi confirmada pelo 35º BPM de Rio Bonito, delegacia que ainda investiga a causa da morte. Flávio nasceu no Brás, em São Paulo, em 15 de outubro de 1934, e teve uma longa carreira. Sua estreia como ator aconteceu no teatro, ainda nos anos 1950, ao lado da irmã, Dirce Migliaccio (1933-2009). Os dois participaram de diversas montagens do Teatro de Arena. Décadas depois, Dirce acabou virando a Emília, do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, e também uma das irmãs Cajazeira, de “O Bem Amado”. Do teatro, Flávio foi para as telas. E embora sua carreira televisiva tenha sido notável, seus filmes foram ainda mais impressionantes. A lista incluiu clássicos absolutos como “O Grande Momento” (1958), de Roberto Santos, precursor do Cinema Novo, a antologia “Cinco vezes Favela” (1962), no segmento de Marcos Farias, “Fábula” (1965), de Arne Sucksdorff, “A Hora e Vez de Augusto Matraga” (1965), trabalhando novamente com Santos, “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), de Domingos de Oliveira, “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, “Arrastão” (1967), do francês Antoine d’Ormesson, “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, “O Homem Nu” (1968), outra parceria com Roberto Santos, “Pra Frente, Brasil” (1982), de Roberto Farias, só para citar alguns, inscrevendo seu nome na história do Cinema Novo e da comédia contemporânea brasileira. Ele também foi cineasta. Escreveu e dirigiu nada menos que sete comédias, de “Os Mendigos” (1963) até uma produção dos Trapalhões, “Os Trapalhões na Terra dos Monstros” (1989). Paralelamente, deu início à carreira televisiva na antiga rede Tupi, encontrando grande sucesso em 1972 com o papel de Xerife, na novela “O Primeiro Amor”. O personagem se tornou tão popular que ganhou derivado, “Shazan, Xerife e Cia”, série infantil que Flávio estrelou com Paulo José (o Shazan). A atração marcou época. O ator se tornou muito popular com as crianças dos anos 1970, tanto pelo Xerife quanto pelo Tio Maneco, papel que ele criou e desempenhou no cinema e na TV. O primeiro filme, “Aventuras com Tio Maneco” (1971), virou fenômeno internacional, vendido para mais de 30 países. Sua criação ainda apareceu em “O Caçador de Fantasma” (1975) e “Maneco, o Super Tio” (1978), antes de ganhar série, “As Aventuras do Tio Maneco”, exibida pela TVE entre 1981 e 1985. A estreia na rede Globo aconteceu com a novela de comédia “Corrida do Ouro”, em 1974. E vieram dezenas mais, como “O Casarão” (1976), “O Astro” (1977), “Pai Herói” (1979), “Chega Mais” (1980), “O Salvador da Pátria” (1989), “Rainha da sucata” (1990), “A Próxima Vítima” (1994), “Torre de Babel” (1998), “Vila Madalena” (1999), “Senhora do Destino” (2004), “América” (2005), “Caminho das Índias” (2007), “Passione” (2010), “Êta! Mundo Bom” (2017) e a recente “Órfãos da Terra”, exibida no ano passado, em que viveu o imigrante Mamede. Ele também fez muitas séries, com destaque para “Tapas & Beijos” (2011–2015), ao lado de Andréa Beltrão e Fernanda Torres. E se manteve ligado ao universo infantil por toda a carreira, aparecendo nos filmes “Menino Maluquinho 2: A Aventura” (1998), de Fernando Meirelles, e “Os Porralokinhas” (2007), de Lui Farias. A lista enorme de interpretações de Flávio Migliaccio ainda inclui dois dos melhores filmes sobre futebol já feitos no Brasil, “Boleiros: Era Uma Vez o Futebol…” (1998) e a continuação “Boleiros 2: Vencedores e Vencidos” (2006), ambos com direção de Ugo Giorgetti. Em 2014, ele foi homenageado no Festival de Gramado com um Troféu Oscarito honorário pelas realizações de sua carreira. Seus últimos trabalhos foram a minissérie “Hebe”, da Globoplay, e o filme “Jovens Polacas”, de Alex Levy-Heller, lançado em fevereiro passado.
Kito Junqueira (1948 – 2019)
O ator Kito Junqueira morreu nesta sexta (23/8) aos 71 anos em Curitiba, após sofrer um infarto de madrugada. Nascido em 15 de maio de 1948, em São Paulo, Heráclito Gomes Pizano adotou o nome artístico Kito Junqueira em seus diversos trabalhos no teatro, cinema e TV. A carreira artística começou em 1973 na extinta TV Tupi, na qual participou das novelas “As Divinas & Maravilhosas”, “Vila do Arco”, “Tchan, a Grande Sacada” e “Como Salvar Meu Casamento”, todas na década de 1970. Ele também teve trabalhos na Globo (“Espelho Mágico” em 1978, “Vereda Tropical” em 1984 e “Por Amor” em 1997), na extinta Manchete (“Tudo ou Nada” em 1986 e “Pantanal” em 1990), SBT (“Jogo do Amor”, em 1985), Bandeirantes (“Cavalo Amarelo” em 1980, “Os Adolescentes” em 1981 e “Ninho da Serpente” em 1982) e Record (“Vidas Opostas” em 2007 e “Chamas da Vida” em 2008). Ele também atuou no filme “Eternamente Pagu” (1987), teve participações em programas como “Você Decide” e “Carga Pesada” (ambas na Globo), além de ter integrado os elencos centrais da minissérie “Chapadão do Bugre” (na Bandeirantes) e da série “A Lei e o Crime”, seu último trabalho nas telas, em 2009 (na Record). Fora das telas, Junqueira ainda estrelou diversas peças de teatro e se destacou na peça “Bent”, na qual recebeu prêmios da APCA, Moliére e Mambembe por sua atuação e produção. O ator também teve atuação política, sendo eleito deputado estadual em São Paulo pelo PV em 1994. Ele acabou mudando de partido, filiando-se ao PP, pelo qual concorreu ao cargo de deputado federal pelo Paraná nas Eleições de 2018, mas desta vez sem conseguir ser eleito.
Márcia Real (1929 – 2019)
A atriz Márcia Real faleceu na madrugada desta sexta-feira (15/3), em um hospital em Ibiúna, interior do estado de São Paulo, aos 90 anos de idade. De acordo com sua filha Márcia Regina, a atriz, que se destacou em novelas entre os anos 1960 e 1980, sofria há mais de uma década de Alzheimer. Eunice Alves (seu nome verdadeiro) nasceu em São Paulo, em 6 de janeiro de 1929. E estreou no teatro ainda adolescente, após um encontro casual com Bibi Ferreira na rua. Da conversa veio o convite para a peça “Minhas Queridas Esposas”, que a lançou na profissão de atriz no final dos anos 1940. Ela estreou no cinema logo em seguida, aos 20 anos, no musical “Carnaval no Fogo” (1949), uma chanchada da produtora Atlântida dirigida por Watson Macedo. Fez também os dramas “Liana, a Pecadora” (1951), de Antonio Tibiriçá, e “O Sobrado” (1956), de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes, antes de se destacar na TV. Os papéis televisivos surgiram a partir de teleteatros da rede Tupi, como o “TV de Vanguarda”, “TV de Comédia” e “Grande Teatro Tupi”, que a tornaram um dos nomes mais prestigiados da emissora, entre o final dos 1950 e início de 1960, levando-a a apresentar o programa de variedades “Clube dos Artistas”. Com a popularização das telenovelas, ela migrou para o novo gênero, estrelando “Corações em Conflito”, na TV Excelsior, em 1964. Acabou participando das principais produções do canal, como “Vidas Cruzadas”, “A Grande Viagem”, “Redenção”, “Sangue do Meu Sangue” e outras. Após a extinção da Excelsior, migrou para a Record em 1970, onde estrelou “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Os Deuses Estão Mortos”, “O Leopardo”, etc. E ainda esteve na fase final da Tupi, em “Aritana” e “Gaivotas”, entre 1978 e 1979. A crise que se abateu sobre a televisão nos anos 1970, com o fechamento de canais, reconduziu a atriz de volta ao cinema durante o auge da pornochanchada. Após participar do clássico “O Rei da Noite” (1975), de Hector Babenco, emendou três longas apelativos de Jean Garret, “A Ilha do Desejo” (1975), “Amadas e Violentadas” (1975) e “Possuídas pelo Pecado” (1976). Ela também fez diversas peças. Márcia Real só retornou à TV no final dos anos 1980, desta vez na Globo. Os papéis que marcaram essa fase eram sempre de mulheres ricas, finas e espirituosas, como Walkíria em “Bebê a Bordo”, Áurea em “Mico Preto”, Sálvia em “De Corpo e Alma” e Isadora em “Quatro por Quatro”, exibidas entre 1988 e 1995. Pelo timing para o humor televisivo, tornou-se uma das atrizes que mais marcaram as novelas de Carlos Lombardi. Mas ela ficou menos de uma década na Globo. Depois de “Quatro por Quatro” foi fazer minisséries e a novela “Canoa do Bagre” (1997) na Record, entrou na série de comédia “Ô… Coitado!” (1999-2000) e fez participação especial em “O Direito de Nascer” (2001) no SBT, encerrando sua filmografia no ano seguinte com a série “SPA TV Fantasia” (2002) na rede Brasil e o filme “Avassaladoras” (2002), de Mara Mourão.
Maria Isabel de Lizandra (1946 – 2019)
Morreu na noite de quinta-feira (15/3), em São Paulo, a atriz Maria Isabel de Lizandra, que fez muito sucesso em novelas das décadas de 1960 e 1970. Ela tinha 72 anos e tinha dado entrada no Hospital das Clínicas pela manhã, com pneumonia. Maria Isabel Reclusa Antunes Maciel nasceu em São Paulo em 1946, e estreou na TV Tupi aos 18 anos, na novela “Se o Mar Contasse” (1964), de Ivani Ribeiro. Em seguida passou a estrelar novelas da TV Excelsior, sempre em personagens de destaque, como Raquel em “As Minas de Prata”, Eulália Terra em “O Tempo e o Vento”, Ruth em “O Terceiro Pecado”, e Rosália em “A Muralha”, entre 1966 e 1969. Com o fim da TV Excelsior, em 1970, voltou à Tupi, onde se tornou uma das principais estrelas da emissora, emendando 10 novelas em 10 anos, com personagens ainda lembradas pelos fãs mais velhos, como Malu de “Mulheres de Areia” (1973-1974), Catarina Batista de “O Machão” (1974-1975) – nestas duas, formando par romântico com Antônio Fagundes -, Lúcia de “Xeque-Mate” (1976) e Isabel de “Éramos Seis” (1977) – filha de Dona Lola (Nicette Bruno). Durante sua fase mais popular, tornou-se também estrela cinematográfica. Levou quase uma década entre a estreia em “Vereda da Salvação” (1964), de Anselmo Duarte, ao segundo filme, “O Supermanso” (1974), de Ary Fernandes, mas emendou lançamentos consecutivos no auge do gênero que ficou conhecido como pornochanchada – “As Mulheres Sempre Querem Mais” (1974), “A Noite da Fêmeas” (1976) e “Belas e Corrompidas” (1977). Ela não fez mais filmes após se casar com Ênio Gonçalves, seu par romântico na novela “Xeque Mate” (1976), com quem teve duas filhas. Mas continuou a fazer sucesso em novelas, chegando à Globo em 1983, onde atuou nas minisséries “Moinhos de Vento” (1983) e “Tenda dos Milagres” (1986) e nas novelas “Champagne” (1983) e “Vale Tudo” (1988), recentemente reprisada no Canal Viva, em que interpretou Marisa, a amiga de Raquel (Regina Duarte) de Foz do Iguaçu. Ainda participou de novelas na Bandeirantes, na Record e na Manchete, onde integrou o elenco de “Dono Beja”. Até encerrar a carreira na minissérie “Labirinto”, da Globo, em 1998. A atriz também atuou em peças como “Quarto de Empregada” e “Freud, Além da Alma”, e foi professora de Teatro e História do Teatro em universidades de São Paulo, mas já estava aposentada.
Bibi Ferreira (1922 – 2019)
A atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira, conhecida como primeira-dama do teatro brasileiro, morreu nesta quarta (13/2) aos 96 anos, após sofrer uma parada cardíaca. Com uma vasta e imensurável carreira nos palcos, Bibi se destacou em montagens históricas do teatro nacional. Mas essa dedicação fez com tivesse poucas participações no cinema e na TV, o que lhe deu menos popularidade que merecia. Abigail Izquierdo Ferreira nasceu em 1º de junho de 1922 no Rio de Janeiro, e com 20 dias de idade fez sua estreia no teatro. Filha do também famoso ator Procópio Ferreira e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, ela subiu aos palcos pela primeira vez em 21 de junho de 1922, ainda bebê, substituindo uma boneca que havia desaparecido horas antes da sessão da peça “Manhãs de Sol”. Enquanto crescia, Bibi sentou no colo de Carmem Miranda, aprendeu a cantar com Noel Rosa e estudou teatro em Londres em 1942. Sua carreira premiadíssima destaca grandes sucessos musicais, como “Gota d’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, “Minha Querida Dama” (versão brasileira do clássico “My Fair Lady”, que fez com Paulo Autran), “O Homem da La Mancha”, “Alô Dolly” e “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”. Este último foi o que mais marcou sua carreira. Iniciado em 1983, o espetáculo levou Bibi a percorrer vários países e chegou a virar vídeo em 2004, “Bibi Canta Piaf”. Após mais de duas décadas na pele da diva francesa, a diva brasileira foi reconhecida com a Comenda do Ordem e das Letras da República Francesa, o prêmio máximo da cultura na França. Bibi também foi diretora de shows, óperas e peças de teatro, tendo dirigido cantoras tão diferentes quanto Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Roberta Miranda, entre outras. O cinema foi um entusiasmo da juventude, estreando nas telas aos 14 anos, em “Cidade-Mulher” (1936), do grande mestre Humberto Mauro. Depois, foi dirigida pelo inglês Derek N. Twist em “O Fim do Rio” (1947), contracenando com atores britânicos, pelo tcheco Leo Marten em “Almas Adversas” (1952) e pelo argentino Carlos Hugo Christensen em “Leonora dos Sete Mares” (1955). E nunca mais fez outro filme. Em vez disso, preferiu participar dos primeiros teleteatros brasileiros, que eram basicamente teatro filmado: encenações feitas ao vivo, numa época em que ainda não existia o videotape. Foram várias aparições no programa “Grande Teatro Tupi”, entre 1952 e 1956. Em 1960, ela participou da inauguração da TV Excelsior como apresentadora do jornalístico “Brasil 60”, um dos primeiros a combinar reportagens gravadas com apresentação ao vivo, além do programa de variedades “Bibi Sempre aos Domingos”. Também comandou o programa musical “Bibi ao Vivo” na Tupi, em 1968. E foi a comentarista oficial da transmissão do Oscar 1972 no mesmo canal. Mas, curiosamente, jamais fez em novelas. E só apareceu em duas produções da Globo: “O Homem Que Veio do Céu” (1978), episódio da série de antologia “Caso Especial”, em 1978, e a minissérie “Marquesa de Santos”, no papel de Dona Carlota Joaquina, em 1984. Ao completar 50 anos de carreira na década de 1990, ela celebrou sua trajetória artística com o espetáculo “Bibi in Concert”. E, em 2013, levou este espetáculo para Nova York, apresentando-se na Broadway, com direito a dueto com Liza Minelli e críticas rasgadas do jornal New York Post, que a comparou com Ella Fitzgerald. Bibi anunciou sua aposentadoria dos palcos em setembro passado, após 77 anos de carreira, interrompendo planos que desenvolvia para um musical dedicado ao cancioneiro de Dorival Caymmi. Na época, já enfrentava uma série de problemas de saúde e chegou a ser internada com quadro de desidratação. “Nunca pensei em parar, essa palavra nunca fez parte do meu vocabulário, mas entender a vida é ser inteligente. Fui muito feliz com minha carreira. Me orgulho muito de tudo que fiz. Obrigada a todos que de alguma forma estiveram comigo, a todos que me assistiram, a todos que me acompanharam por anos e anos. Muito obrigada”, disse ela em comunicado.
Etty Fraser (1931 – 2018)
A atriz Etty Fraser morreu na segunda-feira (31/1), aos 87 anos, em São Paulo. Internada desde sábado no hospital Hospital São Luiz, ela sofreu uma insuficiência cardíaca. Uma das fundadoras do Teatro Oficina, ao lado de Zé Celso, Etty era reconhecida por grandes atuações no palco, mas também marcou época na TV e no cinema. Nascida no Rio de Janeiro em 1931, Etty Fraser estudou teatro na Inglaterra e chegou a ser professora antes de se dedicar ao teatro. A atriz foi casada com o ator Chico Martins, morto em 2003. Na televisão, ela se destacou com papéis em diversas novelas, entre elas a pioneira “Beto Rockfeller” (1968) na Tupi, que foi responsável pela substituição dos folhetins de época pelas tramas contemporâneas e bem-humoradas, além de “Sassaricando” (1987) e “Torre de Babel” (1998) na Globo. No cinema, participou de filmes clássicos, como “São Paulo S.A.” (1965) e “O Homem do Pau-Brasil” (1982), e venceu o prêmio de Melhor Atriz do Cine PE por “Durval Discos”, longa-metragem de Anna Muylaert de 2002.
Henrique Martins (1933 – 2018)
Morreu o ator e diretor Henrique Martins, que estava internado no hospital Samaritano, em São Paulo, após cair em casa e quebrar duas costelas. Ele faleceu neste domingo (26/8), aos 84 anos, por falência múltipla de órgãos. Nascido em Berlim, na Alemanha, com o nome de Heinz Schlesinger, ele tinha três anos de idade quando se mudou com a família para o Brasil. A longa carreira de mais de seis décadas de Martins é um recorte da história da TV brasileira, com passagens pelos canais Excelsior, Tupi, Globo, Band, Manchete, Record e SBT, e participações que se estendem de novelas clássicas a sucessos contemporâneos, como “O Sheik de Agadir” (1966), “A Sombra de Rebeca” (1967), “O Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Pão Pão, Beijo Beijo” (1983), “Ribeirão do Tempo” (2010) e o remake de “Carrossel” (2012). O ator estreou na TV no elenco de “Os Anjos Não Tem Cor”, novela exibida pela Tupi em 1953. Chegou a participar de um seriado de aventura aos moldes do Zorro, chamado “Falcão Negro” (1954), que ganhou até revista em quadrinhos. E, em 1964, foi para trás das câmeras, dirigindo sua primeira novela, “Quem Casa com Maria?” (1964). Martins permaneceu na Tupi até 1966, quando se transferiu para a Globo para exercer função dupla, na frente e atrás das câmeras, em “O Sheik de Agadir”, um dos primeiros fenômenos de audiência do canal. Ele dirigiu outras novelas famosas, como “O Direito de Nascer” (1964), “Anastácia, A Mulher Sem Destino” (1967), “Rosa-dos-Ventos” (1973), “A Barba Azul” (1974), “Um Sol Maior” (1977), “Roda de Fogo” (1978), “Os Imigrantes” (1982), “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (1990), “Éramos Seis” (1994), “Fascinação” (1998), “Pequena Travessa” (2002), “Os Ricos Também Choram” (2005) e “Amigas e Rivais” (2007). A dedicação à TV resultou numa filmografia curta, de apenas quatro trabalhos no cinema, todos como ator: “O Sobrado” (1956), de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes, futuros profissionais da Globo, a comédia “Casei-me com um Xavante”, de Alfredo Palácios (1957), o drama criminal “A Lei do Cão” (1967), de Jece Valadão, e a pornochanchada “Império das Taras” (1980), de José Adalto Cardoso. Seus últimos trabalhos foram como diretor da novela “Revelação”, exibida pelo SBT em 2008, e como ator em “Carrossel”, sucesso do mesmo canal, no papel do Sr. Lourenço em 2012, um viúvo de bom coração.
Oswaldo Loureiro (1932 – 2018)
O ator e diretor Oswaldo Loureiro morreu neste sábado (3/2), em São Paulo, aos 85 anos. Ele participou de quase 150 peças, estrelou um punhado de clássicos do cinema e atuou em dezenas de novelas da Globo. O ator sofria de Alzheimer e estava afastado da carreira artística desde 2011. Oswaldo Loureiro Filho nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1932. Filho de artistas — a mãe era cantora lírica, o pai ator e as irmãs, bailarinas do Theatro Municipal —, ele iniciou a carreira artística ainda criança, aos 12 anos, quando atuou em filmes como “O Brasileiro João de Souza”, “É Proibido Sonhar” e “Romance Proibido”, todos realizados em 1944. Ele seguiu carreira teatral ao estrear na peça “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, em 1955. E em 1958 recebeu o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, de Ator Revelação por “A Fábula do Brooklin”, de Irwin Shaw. A partir dos anos 1960, atuou em montagens de grande repercussão, como “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, e “Édipo Rei”, de Sófocles, com direção bem-sucedida de Flávio Rangel. Além disso, deslanchou no cinema numa coleção de clássicos, como o thriller conspiratório “O 5º Poder” (1962), de Alberto Pieralisi, a comédia “Sonhando com Milhões” (1963), com Dercy Golçalves, “Engraçadinha Depois dos Trinta” (1966), adaptação de Nelson Rodrigues dirigida por J.B. Tanko, o thriller criminal “Mineirinho Vivo ou Morto” (1967), com Jesse Valadão e Leila Dinis, “O Homem Nu” (1968), adaptação do famoso conto de Fernando Sabino com direção de Roberto Santos, e até a comédia italiana “Uma Rosa para Todos” (1967), estrelada por Claudia Cardinale. Na mesma época, estreou na TV. Após atuar no fenômeno de audiência “O Direito de Nascer” (1964), da TV Tupi, Loureiro foi integrar uma das primeiras turmas de atores da TV Globo, no elenco das novelas “Sangue e Areia” (1968), “Véu de Noiva” (1969) e “Acorrentados” (1969), sucessos iniciais de Janete Clair. Também participou da divertida “Corrida do Ouro” (1974), e do histórico “O Casarão” (1976), primeira novela de estrutura não linear da Globo, ambas escritas por Lauro César Muniz. A guinada do cinema para a pornochanchada nos anos 1970 não interessou Loreiro, que só fez quatro filmes na década, entre eles “Os Herdeiros” (1970), de Cacá Diegues, e “As Confissões de Frei Abóbora” (1971), de Braz Chediak. Ele preferiu dedicar sua energia aos palcos, atingindo o ápice da carreira teatral com os clássicos “Gota D’água” (1975), de Chico Buarque e Paulo Pontes, “Papa Higuirte”, de Vianinha, e “Dois Perdidos numa Noite Suja” (1977), de Plínio Marcos. Loureiro voltou com tudo ao cinema em 1981, em adaptações de dois famosos textos teatrais de Nelson Rodrigues: “O Beijo no Asfalto” (1981), dirigido por Bruno Barreto, e “Bonitinha Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende” (1981), de Braz Chediak. Seguiu com o sucesso “Bar Esperança” (1983), de Hugo Carvana, e diversificou, com um filme dos Trapalhões, “Atrapalhando a Suate” (1983), o drama “Parahyba Mulher Macho (1983), de Tizuka Yamasaki, um adaptação musical de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, “Para Viver Um Grande Amor” (1984), a aventura juvenil “Rádio Pirata” (1987), de Lael Rodriguez, a cinebiografia de sua amiga “Leila Diniz” (1987) e a comédia “Sonho de Verão” (1990). A agenda cinematográfica cheia coincidiu com alguns de seus melhores papéis na TV, em novelas como “Guerra dos Sexos” (1983), “Vereda Tropical” (1984) e “Cambalacho” (1986), as três de Sílvio de Abreu, o fenômeno “Roque Santeiro” (1985) e “Mandala” (1987), ambas de Dias Gomes, além da divertidíssima “Que Rei Sou Eu?” (1989), de Cassiano Gabus Mendes, na qual viveu o inesquecível conselheiro pilantra Gaston Marny, do Reino de Avillan. Fez também muitas séries, entre elas “Tenda dos Milagres” (1986), “Incidente em Antares” (1994) e “A Grande Família” (em 2001), além de dirigir “O Bem-Amado” (1980-1985) e o humorístico “Os Trapalhões” (1982-1988). Nos anos 1990, estabeleceu-se como uma figura habitual das novelas das 19h. Ele apareceu em diversas produções consecutivas do horário na Globo até o final da carreira – “Quatro por Quatro” (1994), “Cara & Coroa” (1995), “Salsa e Merengue” (1996), sequência interrompida por um pulo na extinta TV Manchete e retomada com “Uga-Uga” (2000), “As Filhas da Mãe” (2001), “Kubanacan” (2003), “Começar de Novo” (2004) e “A Lua Me Disse” (2005), seu último trabalho. Além de atuar e dirigir peças, Oswaldo também dirigiu óperas, shows musicais e de humor, e foi presidente do Sindicato dos Artistas, num momento de luta pelo reconhecimento da profissão e pela liberdade de expressão, nos anos 1980.
Aracy Cardoso (1937 – 2017)
Morreu a atriz Aracy Cardoso, que participou de várias novelas na TV Globo. Ela estava internada há um mês no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, tratando de vários problemas no coração e nos rins, e faleceu nesta terça-feira (26/12), aos 80 anos. Nascida no Rio em 17 de junho de 1937, filha de uma cantora de ópera, Aracy seguiu a carreira artística desde cedo, primeiro nos palcos, depois no cinema, com o drama “Fatalidade” (1953) e várias chanchadas – “Sai de Baixo” (1956), “Depois do Carnaval” (1959), etc. Mas foi se destacar mesmo na televisão. A atriz interpretou as principais “mocinhas” das novelas dos anos 1960 da TV Excelsior, como “Os Quatro Filhos” (1965), “A Indomável” (1965) e “Sublime Amor” (1967), antes de estrear na Globo com “Anastácia, a Mulher sem Destino”, em 1967. Após uma breve passagem pela Tupi na década seguinte, voltou à Globo para se destacar em novelas que marcaram as décadas de 1970 e 1980, entre elas “Fogo sobre Terra” (1974), “Vejo a Lua no Céu” (1976), “O Pulo do Gato” (1978), “Água Viva” (1980), “Final Feliz” (1982), “Selva de Pedra” (1986) e “Mandala” (1987). Foi nesta época que viveu uma de suas personagens mais lembradas, a governanta Zazá, de “A Gata Comeu” (1985). Após três décadas dedicadas à televisão, ela retomou a carreira cinematográfica em “O Homem Nu” (1997), de Hugo Carvana, e fez ainda “Nosso Lar” (2010), de Wagner de Assis. Bastante ativa, acumulou trabalhos em minisséries, séries e novelas nos últimos anos, inclusive na Record, onde integrou “Bela, a Feia” (2009) e “Dona Xepa” (2013). Sua última aparição na TV aconteceu neste ano, numa participação especial em “Sol Nascente”, da Globo. Discreta em relação à sua vida pessoal, Aracy Cardoso foi casada com o diretor e produtor Ibañez Filho, e deixa duas filhas.
Eva Todor (1922 – 2017)
A atriz Eva Todor morreu na manhã deste domingo (10/12) em sua casa de pneumonia, aos 98 anos. Ela sofria de Mal de Parkinson e chegou a ficar dez dias internada em março deste ano. A atriz estava longe da TV desde a novela “Salve Jorge”, exibida em 2012, e sua última aparição pública foi em novembro de 2014, quando recebeu uma homenagem feita por amigos artistas no Teatro Leblon. Com mais de 80 anos de carreira, ela começou a carreira no balé, ainda na infância. Húngara de nascimento, Eva Fódor Nolding chegou a dançar na Ópera Real de Budapeste. Filha de uma estilista e de um comerciante de tecidos, ela já mostrava talento para a vida artística, mas a realidade complicada do período entre guerras na Europa fez sua família vir para o Brasil, em 1929. Ao chegar no país, continuou a se dedicar ao balé, tendo aula com a renomada Maria Olenewa. Em entrevista ao site Memória Globo, Eva contou que seus pais, “como bons húngaros”, achavam que toda criança deveria ter uma educação ligada à arte. Seguiu no balé até ser convidada, ainda adolescente, para fazer teatro de revista no Teatro Recreio. Nessa época, adotou o nome Todor, uma versão aportuguesada de seu sobrenome. “Fiz um sucesso muito grande. Fiquei quatro ou cinco anos. E foi onde conheci meu primeiro marido, que era o diretor da companhia (Luis Iglesias). Eu me casei aos 14 anos. Depois, ele achou que aquilo não tinha futuro e montou uma companhia de comédia para mim. Todo mundo disse que ele era louco, porque eu era uma menina que não tinha experiência nenhuma e, além do mais, falava português pessimamente. Mas, deu certo. E a companhia ficou sendo Eva e seus Artistas, durante muitos anos. Só de Teatro Serrador, fiquei 23 anos”, relatou ela ao Memória Globo. Ela ganhou muitos admiradores por sua beleza e talento. Entre eles, o então presidente Getúlio Vargas, o que facilitou o processo para se naturalizar brasileira nos anos 1940. Dos palcos, pulou para o cinema, em plena era da chanchada. Fez seu primeiro longa-metragem em 1960, “Os Dois Ladrões”, de Carlos Manga, demonstrando sua veia humorística ao lado de Oscarito. A versatilidade lhe rendeu convite para comandar um programa na TV Tupi, chamado “As Aventuras de Eva” (1961), em que explorava sua aptidão para o humor. Sua estreia em novelas aconteceu na década seguinte, em “E Nós, Aonde Vamos?”, última novela da célebre autora cubana Glória Magadan escrita no Brasil, exibida em 1970. Mas foi só na Globo que sua carreira deslanchou, a partir da aparição na novela “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes, um fenômeno de audiência em 1977, no papel de Kiki Blanche, personagem tão marcante que Eva voltou a vivê-lo em 2010 na novela “Ti Ti Ti”. Dali para frente, a televisão se tornou seu foco. Foram dezenas de novelas, como “Te Contei?” (1978), “Coração Alado” (1980), “Sétimo Sentido” (1982), “Partido alto” (1984), “Top Model” (1989), “De Corpo e Alma” (1992), “Suave Veneno” (1989), “O Cravo e a Rosa” (2000), “América” (2005), “Caminho das Índias” (2009) e “Salve Jorge” (2012). E, entre uma e outra, ainda emplacou diversas aparições em séries e minisséries. Dedicada à TV, acabou fazendo poucos filmes. Foram apenas cinco, entre eles “Xuxa Abracadabra” (2003) e “Meu Nome Não É Johnny” (2009). Lucélia Santos, que contracenou com a atriz em “Locomotivas”, lembrou com saudades da atriz em depoimento ao Globo News. “Dona Eva era um ser humano iluminado. Ela se autochamava de ‘estilo Eva’, ninguém podia fazer o que ela fazia, era um jeito engraçado. Ela era contagiante”, definiu.
Maria Estela (1942 – 2017)
Morreu no último dia 6 de julho a atriz Maria Estela, aos 75 anos de idade. A causa da morte ainda é desconhecida, e o fato só veio à tona agora, através da publicação de mensagens de amigos e ex-colegas da atriz. Maria Estela foi uma das mais importantes atrizes de novela dos anos 1970, protagonizando várias produções da Excelsior, Record e Tupi, geralmente no papel de mocinha. Ela começou a carreira em 1965, na TV Excelsior, que, à época, fazia novelas de sucesso. A estreia aconteceu em “O Caminho das Estrelas”, em que o ídolo musical Agnaldo Rayol interpretava um cantor boêmio. Na Excelsior, ela também estrelou “A Pequena Karen”, a primeira adaptação de “O Tempo e o Vento” e uma versão do clássico gótico britânico “O Morro dos Ventos Uivantes”. Transferiu-se para a Record em 1968, durante a época de ouro das novelas da emissora, e participou de “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Os Deuses Estão Mortos”, “Quarenta Anos Depois”, “Sol Amarelo”, “O Leopardo” e “Os Fidalgos da Casa Mourisca”. A mudança para a Tupi veio em 1973, e logo de cara ela fez a primeira versão de “Mulheres de Areia”. A história das gêmeas Ruth e Raquel (vividas por Eva Wilma) marcou época e chegou a ganhar remake da Globo em 1993. Também participou de “Meu Rico Português”, “Um Dia o Amor” e as das últimas novelas na Tupi: “Aritana” e “Roda de Fogo”. Nos anos 1980, entrou em produções da Band e do SBT, como “Os Imigrantes”, “O Campeão” e “Vida Roubada”. E só foi chegar na Globo na década de 1990, participando da minissérie “Boca do Lixo” e das novelas “Meu Bem Meu Mal” e “Despedida de Solteiro”. Em 1994, voltou para o SBT e atuou em “Éramos Seis”, passando a se destacar em tramas de sucesso do canal, a maioria adaptadas de novelas latinas, como “Chiquititas”, “Pícara Sonhadora”, “Esmeralda” e “Marisol”, mas também “Vende-Se Um Véu de Noiva”, de Íris Abravanel. Seu último papel, porém, foi na Globo, registrado em 2010 na novela “Passione”, em participação especial. Desde então, estava afastada das telas.
Chica Lopes (1929 – 2016)
Morreu a atriz Chica Lopes, que trabalhou em diversas novelas da extinta rede Tupi e do SBT. Ela faleceu no dia 10 de setembro, aos 86 anos, mas a notícia só veio à tona na quarta-feira (21/9), após sua colega, a atriz Jussara Freire, anunciar nas redes sociais. “Chica Lopes, nossa querida e amiga de tantas novelas… A amada Durvalina das duas versões de ‘Éramos Seis’ foi chamada para habitar outra constelação no dia 10 de setembro. Fica a homenagem e muito carinho. Muito, muito obrigada, querida Chica”, escreveu Jussara, sem especificar as causas da morte. Nascida em São Carlos, no interior de São Paulo, a atriz começou a carreira no teatro, na década de 1950, e estreou na TV em 1976, na novela “O Julgamento”, da TV Tupi. No mesmo canal, fez “Éramos Seis” (1977), “Roda de Fogo” (1978), e “O Direito de Nascer” (1978). Ela também atuou na novela “Os Imigrantes” (1981) na Bandeirantes e concentrou a maior parte de sua filmografia neste período de muita atividade. Filmografia, por sinal, bastante eclética, que inclui a produção histórica “Tiradentes, O Mártir da Independência” (1977), clássicos eróticos da Boca do Lixo, como “Força Estranha” (1980) e “A Noite das Depravadas” (1981), e até um drama espírita, “O Médium” (1983), dirigido por Paulo Figueiredo, ator-galã da Globo. Mas após essa largada de fôlego, ela sumiu das telas, só voltando em 1994, lembrada pelo SBT durante a escalação do elenco do remake da novela “Éramos Seis”, na qual interpretou o mesmo papel vivido na gravação original dos anos 1970. Foi um sucesso e desde então ela se estabeleceu como presença constante nas novelas do canal, como “Sangue do meu Sangue” (1995), “Os Ossos do Barão” (1997), “Pícara Sonhadora” (2001), “Marisol” (2002) e “Jamais te Esquecerei” (2003). Um detalhe curioso sobre esse retorno é que todas as produções em que atuou a partir de “Éramos Seis” foram remakes. Até seu único trabalho na Record foi outro remake. Na novela “Escrava Isaura” (2004), ela interpretou a escrava Joaquina, amiga e defensora da protagonista. Seu último papel foi ao ar no remake da novela venezuelana “Cristal” há dez anos, novamente no SBT.
Umberto Magnani (1941 – 2016)
Morreu o ator Umberto Magnani, que estava no ar como o padre Romão na novela “Velho Chico”. Ele sofreu um AVC hemorrágico na segunda (25/4), dia de seu aniversário de 75 anos, enquanto gravava a novela, chegou a passar por uma cirurgia e estava em coma, no Hospital Vitória, no Rio, onde faleceu nesta quarta-feira (27/4). “Ele estava em um momento lindo da carreira. Para alguns aconteceu da melhor forma possível. Ele apagou e não sentiu nada. Estava com um personagem lindo, fazendo sucesso”, disse a atriz Isadora Ferrite, com quem Magnani atuava no teatro. Magnani era um dos poucos atores que participavam das duas fases da novela das 21h. Na trama, seu personagem religioso era o grande conselheiro de Santo (Domingos Montagner). Nos próximos capítulos da história, Romão incentivaria o presidente da cooperativa a lutar pela população de Grotas de São Francisco. A assessoria de comunicação da Rede Globo informou na tarde de terça-feira que um novo padre, interpretado por Carlos Vereza, assumirá a paróquia de Grotas do São Francisco na trama. A Record, emissora na qual o ator também está no ar, com a reprise de “Chamas da Vida”, lamentou a morte em nota oficial: “Externamos nossa solidariedade à família, aos amigos e fãs de Umberto Magnani”. Nascido em 1941 em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior paulista, Umberto Magnani começou sua extensa carreira no teatro, após ingressar na Escola de Artes Dramáticas (EAD) em 1965. Em 1968, ele trabalhou com Ruth Escobar e chegou a substituir Antonio Fagundes no Teatro de Arena, na peça “Primeira Feira Paulista de Opinião”, de Lauro César Muniz. Sua estreia em novelas aconteceu na primeira versão de “Mulheres de Areia”, exibida pela TV Tupi em 1973. No cinema, debutou em “Chão Bruto” (1977), dirigido por Dionísio Azevedo e estrelado por Regina Duarte, a quem encontraria várias vezes ao longo da carreira. Ele chegou na Globo em 1982, quando participou de um episódio do programa “Caso Verdade” e apareceu em duas novelas consecutivas, “Sétimo Sentido” (1982) e “Razão de Viver” (1983). Fez ainda pequenos papeis nas minisséries de época “Anarquistas, Graças a Deus” (1982), “Grande Sertão: Veredas” (1985) e “Memórias de um Gigolô” (1986). Mas só foi se destacar em produções da breve TV Manchete, onde coestrelou o seriado “Joana” (1984), como ex-marido da protagonista Regina Duarte, e a minissérie “Rosa dos Rumos” (1990), na qual viveu seu maior vilão televisivo. Paralelamente ao trabalho televisivo, Magnani fez filmes, como os clássicos “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral, e “Kuarup” (1989), de Ruy Guerra, e consagrou-se no teatro, recebendo duas vezes o Troféu Mambembe, por sua atuação nas peças “Lua de Cetim” e “Às Margens do Ipiranga”, e duas o Prêmio Governador do Estado, também por “Às Margens do Ipiranga” e “Nossa Cidade”. Seu último trabalho nos palcos foi a peça “Elza e Fred”, na qual foi protagonista ao lado de Suely Franco. O espetáculo ficou em cartaz entre 2014 e 2015. Além de atuar, Magnani ocupou importantes cargos públicos. De 1977 a 1990, ele foi diretor regional da Fundação Nacional de Artes Cênicas, do Ministério da Cultura, e presidente da Comissão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em 1985. O trabalho institucional acabou lhe tirando de cena, rendendo uma pausa de mais de uma década no cinema, só foi interrompida na vidada do século com “Cronicamente Inviável” (2000), “Cristina Quer Casar” (2003), “Quanto Vale ou É por Quilo?” (2005) e “Os Inquilinos” (2009). Após sair do Ministério da Cultura, ele integrou o elenco de diversas novelas da Globo escritas por Manoel Carlos, como “Felicidade” (1991), “História de Amor” (1996), “Páginas da Vida” (2006) e até a minissérie “Presença de Anita” (2001). Fez também “Alma Gêmea” (2005), de Walcyr Carrasco, e o remake de “Cabocla” (2004), de Benedito Ruy Barbosa, autor de “Velho Chico”. Nos últimos anos, vinha mostrando seu talento na Record, onde atuou nas novelas “Chamas da Vida” (2008), “Ribeirão do Tempo” (2010), “Máscaras” (2012), “Balacobaco” (2012) e a minissérie bíblica “Milagres de Jesus” (2014). Ele ainda participou de duas novelas do SBT, “Éramos Seis” (1994) e “Amigas e Rivais” (2007). Magnini tinha recém-retornado à Globo, justamente para fazer “Velho Chico”, após dez anos longe da emissora.








