Documentário conta história da primeira transexual das Forças Armadas brasileiras
Os cinemas de São Paulo recebem nesta quinta (19/11) o documentário “Maria Luiza”, antes de ser exibido no resto do país. O filme do diretor Marcelo Díaz conta a história primeira militar reconhecida como transexual pelas Forças Armadas brasileiras. Nascida em Ceres, Goiás, como José Carlos, ela prestou o serviço militar, entrou para Força Aérea Brasileira e lá permaneceu por 22 anos. Também casou-se e teve uma filha. Até revelar seu desejo pela mudança de gênero, quando passou por psicólogos, médicos e, dois anos depois, em 2000, viu-se obrigada a se aposentar por invalidez. Só que Maria Luiza não aceitou. Militar boa de briga, acionou o Ministério Público em busca de seus diretos. Levou sete anos, mas ela conseguiu o que até então era inédito no país: uma nova identidade militar como Cabo Maria Luiza. Hoje com 59 anos, ela só não conseguiu realizar um desejo: vestir a farda feminina. O filme investiga as motivações para impedi-la de vestir o sonhado uniforme e a sua trajetória de afirmação como mulher trans, militar e católica. Veja o trailer e o pôster do documentário abaixo (e saiba mais sobre as estreias da semana aqui).
Filmes de streaming são os principais lançamentos de cinema no Brasil
As principais estreias de cinema desta quinta (19/11) no Brasil são filmes que tiveram apenas lançamentos digitais nos EUA. Já é o segundo fim de semana que o circuito apela para produções que o mercado americano reservou para o streaming. Isto ocorre porque, à exceção dos títulos da Universal (peculiaridade de um acordo com as redes exibidoras americanas), os grandes estúdios tiraram todos os seus filmes do calendário ou forçaram lançamentos simultâneos com plataformas online nos EUA, como reação à pandemia de covid-19. Vislumbrando o momento frágil do parque exibidor, os títulos mais atraentes foram para a internet. Mas como muitas das plataformas americanas ainda não foram inauguradas no Brasil, estes lançamentos ainda encontram espaço nas telas grandes daqui. Lançado na plataforma HBO Max, por enquanto inoperante no país, “A Convenção das Bruxas” é uma adaptação do clássico infantil “As Bruxas”, de Roald Dahl (autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”), sobre um garoto que descobre que bruxas são reais e planejam transformar as crianças em ratos, começando por ele próprio. Esta história já rendeu um filme bem-sucedido, dirigido por Nicolas Roeg e protagonizado por Anjelica Houston em 1990. A nova versão tem direção de Robert Zemeckis (“De Volta ao Futuro”) e traz Anne Hathaway (“Interestelar”) no papel de bruxa principal – que ao ser retratada como deficiente acabou rendendo polêmica paraolímpica. Por sua vez, “Destruição Final – O Último Refúgio” entra em cartaz um mês antes de sua estreia para locação digital nos EUA. O filme de catástrofe apocalíptica estrelado por Gerard Butler (“Invasão a Casa Branca”) e Morena Baccarin (“Deadpool”) acompanha a correria de uma família para chegar a um abrigo militar supostamente seguro quando um cometa adentra a atmosfera, ameaçando extinguir toda a vida no planeta. Escrito por Chris Sparling, especialista em terrores baratos (“Enterrado Vivo”, “Armadilha”, “Por um Corredor Escuro”), o filme marca um reencontro de Butler com o ex-dublê Ric Roman Waugh, que recentemente o dirigiu em “Invasão ao Serviço Secreto”. O terceiro título de streaming dos cinemas é uma produção brasileira, “Cidade Pássaro”, de Matias Mariani, que ganhou lançamento internacional na Netflix em julho passado. Exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim deste ano, trata-se de uma das produções nacionais mais elogiadas de 2020, que desembarca nas telas brasileiras após atingir 100% de aprovação no Rotten Tomatoes – embora com apenas 10 críticas somadas. O drama conta a história um imigrante nigeriano que viaja à São Paulo em busca de seu irmão, o primogênito de uma família da etnia Igbo, e descobre que ele mentiu sobre sua vida no Brasil. O protagonista OC Ukeje é um ator de destaque em Nollywood, a indústria cinematográfica da Nigéria, com papéis em mais de 30 filmes, enquanto Chukwudi Iwuji já se projetou em produções americanas, aparecendo em “Designated Survivor” e na premiada minissérie “Olhos que Condenam” (When They See Us). De última hora, a Netflix ainda anunciou “Mank” como um dos lançamentos da semana, em circuito limitado. Dirigido por David Fincher (“Garota Exemplar”) e estrelado por Gary Oldman (vencedor do Oscar por “O Destino de uma Nação”), o filme conta a história de Herman J. Mankiewicz, roteirista do clássico “Cidadão Kane”, com várias histórias dos bastidores lendários da produção do longa de Orson Welles. Cotado para o Oscar, o filme chega à Netflix em 4 de dezembro. A programação também destaca um filme que, parece mentira, sempre foi pensado para o cinema, “O Caso Collini”, drama jurídico alemão que acompanha o primeiro caso de um advogado iniciante, que, ao defender um acusado de homicídio, acaba desvendando um dos maiores escândalos judiciais do país. Prato cheio para quem gosta de dramas de tribunais, o filme tem 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. A lista tem ainda um filme gospel com o astro de “Riverdale” KJ Apa e um documentário sobre a primeira militar transexual brasileira. Além disso, o drama brasileiro “Casa de Antiguidades”, exibido no Festival de Cannes, terá uma sessão especial exclusiva de uma semana no Petra Belas Artes, em São Paulo. A estreia comercial do longa só vai acontecer em 2022. E o Festival Varilux de Cinema Francês retorna com sessões presenciais. Confira abaixo os trailers das estreias deste fim de semana. Convenção das Bruxas | EUA | 2020 Destruição Final – O Último Refúgio | EUA | 2020 Cidade Pássaro | Brasil | 2019 Mank | EUA | 2020 O Caso Collini | Alemanha | 2019 Enquanto Estivermos Juntos | EUA | 2020 Maria Luiza | Brasil | 2019 Casa de Antiguidades | Brasil | 2020 Festival Varilux | França | 2020
Vanessa Kirby brilha em trailer da Netflix rumo ao Oscar de Melhor Atriz
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de “Pieces of a Woman”, filme que já rendeu o troféu de Melhor Atriz para a inglesa Vanessa Kirby (a princesa Margaret de “The Crown”) no Festival de Veneza deste ano. A prévia é uma mostra de seu desempenho impactante, como uma mãe que precisa lidar com a perda do filho num parto que dá errado em sua casa. A plataforma adquiriu o filme logo após o anúncio da conquista em Veneza e antes da estreia do drama na América do Norte, que aconteceu poucos dias depois, durante o Festival de Toronto, com o objetivo de fazer campanha intensiva para Kirby levar o Oscar. O trailer também surge uma segunda aposta na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para a veterana Ellen Burnstyn (“Interestelar”), que interpreta a mãe da protagonista. Curiosamente, os tradutores que barbarizam com títulos surreais nos lançamentos da plataforma no Brasil não foram convocados para trabalhar em “Pieces of a Woman”, que está sendo divulgado para os assinantes com a denominação original em inglês (a tradução literal seria “pedaços de uma mulher”). Na trama, após perder o filho no parto, a personagem de Kirby inicia uma odisseia de um ano de luto, que atinge seu marido (Shia LaBeouf, de “Ninfomaníaca”), sua mãe (Ellen Burstyn) e sua parteira (Molly Parker, de “Perdidos no Espaço”). Ela é uma executiva muito rígida, casada com um operário da construção civil de passado volátil, e os dois encontraram o amor apesar da diferença de classes e esperavam ansiosamente seu primeiro filho. Mas complicações com a parteira interrompem o planejado parto em casa, jogando o casal num drama devastador. O filme inclui entre seus fãs o cineasta Martin Scorsese, que se tornou produtor do longa após sua finalização, justamente para facilitar as negociações de sua distribuição internacional. O diretor de “O Irlandês” teria sido peça-chave para o acordo com a empresa de streaming. “Pieces of Woman” tem roteiro de Kata Wéber e direção de Kornél Mundruczó, dois cineastas húngaros que repetem as parcerias de “Deus Branco” (White God, 2014) e “Lua de Júpiter” (2017). O filme marca a estreia do casal em inglês e reflete a jornada de superação da perda do filho deles na vida real, enquanto as cenas de julgamento que finalizam a história foram inspiradas por um caso real de 2010, que levou uma parteira aos tribunais da Hungria. A estreia está marcada para 7 de janeiro “só na Netflix”.
Documentário do show de Emicida no Theatro Municipal ganha trailer
A Netflix divulgou o trailer do documentário “AmarElo – É Tudo Pra Ontem”, dedicado ao show do rapper Emicida no Theatro Municipal, de São Paulo, no ano passado. Além das cenas das gravações do espetáculo, que destacam a participação de Pabblo Bittar e Majur na apresentação ao vivo de “AmarElo”, a prévia também destaca os bastidores da produção e conta com cenas narradas por Emicida sobre o movimento negro e a importância de fazer o show num palco que é marco da cultura brasileira. O filme tem direção de Fred Ouro Preto (sobrinho de Dinho, do Capital Inicial), que assinou vários clipes de Emicida, e sua proposta pretende estabelecer um elo entre o show e dois momentos importantes da história e da cultura passados dentro e fora do Municipal: a Semana de Arte Moderna de 1922 e a fundação do Movimento Negro Unificado (MNU) em 1978. “São quatro décadas que separam a nossa ascensão ao palco do Theatro Municipal do encontro das pessoas do MNU naquelas escadarias. Então, subir ali e gritar ‘obrigado, MNU’ pro mundo é para que eles saibam que é da luta deles que nasce um sonhador como o Emicida”, diz o rapper, no comunicado do projeto. Com 90 minutos, o documentário tem lançamento marcado para o dia 8 de dezembro. Além disso, a Netflix e a produtora Laboratório Fantasma (criada por Emicida e seu irmão Fióti), tem um segundo projeto em desenvolvimento, que será lançado em 2021.
Nova versão de O Poderoso Chefão III ganha trailer para lançamento digital e nos cinemas
A Paramount divulgou o trailer legendado da nova versão de “O Poderoso Chefão III”. Rebatizado de “O Poderoso Chefão – Desfecho: A Morte de Michael Corleone”, o filme foi reeditado pelo diretor Francis Ford Coppola com abertura e desfecho diferentes. “Para esta versão, criei um novo começo e fim, e reorganizei algumas cenas, tomadas e entradas de música. Com essas mudanças, e com o visual e o som restaurados, acho que chegamos a uma conclusão mais apropriada para a saga”, disse Coppola, em um comunicado sobre o projeto. Curiosamente, porém, a edição do diretor acabou menor que a versão projetada em tela grande em 1990. Nem o diretor nem o estúdio contaram o que foi cortado do filme original, que completa 30 anos em 2020. O fato é que, mesmo com cenas a mais, a nova edição será cinco minutos mais curta, com 2 horas e 37 minutos de duração. Coppola ficou seis meses trabalhando na edição, que contou com a revisão dos negativos originais, guardados em mais de 300 caixas. Segundo o diretor, ele realizou basicamente uma “restauração quadro a quadro”. Como os dois filmes anteriores, “O Poderoso Chefão: Parte III” foi um sucesso de bilheteria e foi indicado a sete prêmios da Academia. Porém, ao contrário dos outros, não ganhou nenhum. A crítica também o considerou o mais fraco dos três. Na verdade, ponderou que nem estaria à altura dos outros dois. A revista New Yorker o chamou de humilhação pública, enquanto o jornal Washington Post o classificou como um “fracasso de proporções dolorosas”. Durante anos, o longa também assombrou Sofia Coppola, filha do diretor, escalada no filme para viver Mary Corleone, filha do protagonista (Al Pacino). Ela foi arrasada pela crítica e praticamente desistiu da carreira de atriz, mas se reinventou anos depois como uma cineasta premiada. A nova versão do filme terá lançamento limitado nos cinemas brasileiros em 3 de dezembro e chegará em PVOD para locação digital cinco dias depois.
Filme “live action” de Tom e Jerry ganha seu primeiro trailer divertido
A Warner divulgou o pôster e o trailer dublado do primeiro filme live-action de “Tom e Jerry”. A versão, na verdade, é um híbrido, em que os protagonistas continuam animados e do jeito que os fãs gostam, apesar de contracenarem com atores de carne e osso. Além disso, o gato e o rato não são os únicos desenhos. Todos os animais que aparecem na prévia seguem este padrão. O resultado é bem diferente dos filmes live-action do “Scooby Doo”, para citar outra animação clássica que ganhou adaptação da Warner, em que cachorro da Hanna-Barbera ganhava visual realista criado por computação gráfica. Desta vez, os personagens quase não mudaram, preservando a aparência de seus antigos desenhos bidimensionais. Embora a combinação de cartum e atores pareça retrô, a opção não aliena os fãs dos personagens originais. Além disso, essa combinação evoca o excelente “Uma Cilada para Roger Rabbit” (1988) e, claro, “Looney Tunes: De Volta à Ação” (2003), inclusive na forma como o filme incorpora a física surreal dos desenhos, como portas que mudam de lugar e quedas quilométricas que não matam. Tudo isso se torna ainda mais divertido diante da reação humana ao caos – e ainda há uma referência a Batman para os fãs de filmes de super-heróis! Na trama, Tom e Jerry decidem se separar amigavelmente após décadas de brigas. Mas quando o rato apronta na despedida e resolve se mudar para um hotel de luxo de Nova York, o gato tem prazer em renovar sua rixa ao ser contratado para exterminá-lo. O elenco humano destaca Chloë Grace Moretz (“Suspiria”) como a funcionária do hotel encarregada de se livrar do rato, e que acredita que Tom é a solução para seus problemas – aparentemente, ela nunca viu o desenho! Os demais coadjuvantes são interpretados por Michael Peña (“Homem-Formiga”), Ken Jeong (“Se Beber, Não Case”), Colin Jost (“Saturday Night Live”) e Rob Delaney (“Catastrophe”). A produção da Warner será o segundo longa dos personagens, criados pelos animadores William Hanna e Joseph Barbera para o estúdio MGM em 1940. Mas o anterior, uma animação tradicional lançada em 1992, não esteve à altura dos melhores curtas da dupla, que venceram sete Oscars entre 1943 a 1953. O novo filme tem roteiro de Kevin Costello (da comédia “As Aventuras de Brigsby Bear”) e direção de Tim Story, responsável por dois “Quarteto Fantástico” e por lançar a franquia “Uma Turma do Barulho”. A estreia está marcada para 4 março no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA. Veja abaixo o trailer brasileiro, com dublagem em português, e o americano, com as vozes originais.
Liga da Justiça: Nova versão do filme de super-heróis ganha trailer épico
A HBO Max divulgou a segunda versão do trailer do “Snyder Cut” de “Liga da Justiça”, a edição do filme refeita pelo diretor Zack Snyder. A prévia assume o nome “Zack Snyder’s Justice League” e apresenta muitas cenas e até mesmo personagens não vistos no cinema, como Iris West, interpretada por Kiersey Clemons (“A Dama e o Vagabundo”), e o supervilão Darkseid. Tudo ao som de “Hallellujah”, de Leonard Cohen, celebrando a produção como um milagre – materializado pela força de vontade dos fãs. O clima é épico do começo ao fim. Mas também chama atenção pelo formato da janela do vídeo, que lembra as antigas televisões de tubo. O detalhe é que a imagem não é mais curta que o padrão widescreen atual. Na verdade, ela é mais alta, como uma tela IMAX, e traz elementos no campo superior que foram cortados na exibição original nos cinemas. A opção por resgatar este formato, pensado durante o planejamento inicial do longa, é curiosa porque, embora o nome HBO Max seja parecido, o filme não vai passar em IMAX – a menos que a Warner tenha planejado e não avisado. Vista na internet, como as atrações da HBO Max, a imagem quadrada acaba parecendo o oposto do planejado: um videozinho do Instagram. Para completar o impacto do meio em que será lançado, o filme vai até deixar de ser filme. Será disponibilizado como uma minissérie de quatro episódios, somando cerca de 4 horas de duração. De qualquer forma, será um produção bem maior e muito diferente da “Liga da Justiça” exibida nos cinemas em 2017. Para quem não lembra, a Warner aproveitou uma crise pessoal de Snyder, que perdeu uma filha, para afastá-lo da produção após as filmagens originais, chamando Joss Whedon (“Os Vingadores”) para refilmar boa parte do longa. Seria uma forma de impedir uma catástrofe, na visão dos responsáveis pelo estúdio na época, que não gostaram da linha sombria adotada pelo cineasta. O resultado híbrido, parte Snyder e parte Whedon, não agradou nem à crítica nem ao público, disparando a curiosidade sobre a versão original. Por muito tempo, a Warner afirmou que não existia nenhum “Snyder Cut”, pois o diretor não chegou a terminar seu trabalho, mas Snyder vinha sugerindo que tinha, sim, uma versão bastante diferente do filme exibido nos cinemas. Os fãs, que sonhavam um dia ver isso, conseguiram manter os pedidos pela versão do diretor entre os tópicos mais comentados do Twitter por meses a fio, e esse esforço acabou tendo um efeito inesperado. Desde então, a Warner foi comprada pela AT&T, sua diretoria trocada e o streaming transformado em prioridade na empresa. E a inauguração da HBO Max fez a nova diretoria da Warner não só topar como desembolsar mais dinheiro para trabalhos de pós-produção e até refilmagens do longa, que, ao contrário do que o próprio diretor dava a entender, encontrava-se longe de ser uma versão finalizada. Além de efeitos visuais e a finalização técnica, com som, trilha e edição, o relançamento ainda contou com a volta do elenco original ao estúdio. Por enquanto, porém, a nova versão do filme dos super-heróis da DC Comics ainda não tem data confirmada de lançamento, além do fato de ser esperada para 2021.
Filme improvisado de Steven Soderbergh com Meryl Streep ganha trailer
A HBO Max divulgou o pôster e o trailer de “Let Them All Talk”, novo filme de Steven Soderbergh, que é estrelado por Meryl Streep (“Adoráveis Mulheres”). Na trama, ela vive um escritora com bloqueio criativo, que sua editora (Gemma Chan, de “Capitã Marvel”) reúne com amigas de longa data, interpretadas por Dianne Wiest (“A Mula”) e Candice Bergen (“Do Jeito que Elas Querem”), e o sobrinho, vivido por Lucas Hedges (“Boy Erased”), para uma viagem num transatlântico, esperando que as conversas ajudem a sua criatividade. Com essa premissa, Soderbergh colocou o elenco a bordo de um barco e rodou o filme inteiro em apenas duas semanas e com uma equipe reduzida. Ele próprio manipulou a câmera, filmando a história em sequência porque também não usou roteiro, apenas contornos básicos da história, para que o elenco improvisasse os diálogos. “Sensação de filme improvisado? Bem, sim, é, porque é ”, disse Streep para a revista Entertainment Weekly. O filme é inspirado em um conto da autora Deborah Eisenberg, que também marcou presença no set e recebe crédito de roteirista. A estreia está programada para 10 de dezembro no serviço de streaming da Warner, ainda não disponível no Brasil.
Os 7 de Chicago demonstra que a intolerância do passado ainda é muito atual
Aaron Sorkin adora tribunais. Dentre as obras roteirizadas por ele, são comuns tramas passadas de tribunais (como em “Questão de Honra” e “A Grande Jogada”) ou em meio a discussões jurídicas (“A Rede Social” e a série “The Newsroom”). O motivo é simples: a ambientação serve ao objetivo de Sorkin de destilar seus diálogos ácidos, rítmicos, inteligentes e musicalmente compostos. E nesse sentido, “Os 7 de Chicago”, seu trabalho mais recente, mantém a tradição de narrativas desenvolvidas diante de um juiz, mas com uma diferença essencial. O filme narra a história real do julgamento de sete pessoas acusadas de conspiração pelo governo americano. Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), Jerry Rubin (Jeremy Strong), David Dellinger (John Carroll Lynch), Tom Hayden (Eddie Redmayne), Rennie Davis (Alex Sharp), John Froines (Danny Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins) estavam entre as milhares de pessoas envolvidas em protestos contraculturais e contra a Guerra do Vietnã ocorridos em Chicago, durante a Convenção Nacional Democrata em 1968. Os protestos culminaram em um conflito violento com a polícia e, como resultado, os sete foram presos, juntamente com Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II), ativista político e co-fundador dos Panteras Negras, e usados como bodes expiatórios com o intuito de frear qualquer manifestação do tipo em território americano. Os interesses escusos do governo são expostos ao jovem promotor Richard Schultz (Joseph Gordon-Levitt) que aceita, a contragosto, a tarefa de tentar condená-los. Estabelecendo uma aproximação com a contemporaneidade, Sorkin mostra a década de 1960 – e mais especificamente, o ano de 1968 – como um período de constantes conflitos e pouco entendimento. Era uma época divisiva, na qual gerações distintas eram incapazes de estabelecer qualquer tipo de diálogo. Os principais articuladores do protesto, vindos do movimento estudantil e da cultura hippie, eram vistos como um oposto perigoso à cultura conservadora, aqui representada pela figura do juiz do caso (interpretado por Frank Langella), que distorce a lei para atender aos seus próprios preconceitos. Porém, a divisão também acontecia dentro das lideranças. E o diretor/roteirista é hábil ao estabelecer essas diferenças logo de início. Ao apresentar os personagens, Sorkin nos mostra as visões de mundo e o que cada um deles espera daquele protesto. São visões complementares, porém distintas. E nisso se destacam as atuações de Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne. Os dois atores encaram seus personagens como figuras inteligentes, mas opostas. Enquanto Hoffman usa a percepção negativa que as pessoas têm sobre ele a seu favor, Hayden é muito mais pragmático e politizado. Um deseja uma revolução sóciocultural, e o outro uma revolução política. Mais do que o julgamento si, o principal conflito de “Os 7 de Chicago” se dá no confronto entre esses dois. E para priorizar esse conflito, Sorkin manipula a temporalidade do filme, abusando de flashbacks e de uma narrativa fora de ordem. Amplamente utilizados ao longo da sua carreira, esses recursos são um pouco confusos em alguns momentos, mas funcionam ao apresentarem as informações ao público na mesma ordem que elas são introduzidas no tribunal. Além disso, diretor adota um estilo frenético, criando tensão ao misturar imagens reais dos protestos com aquelas captadas em tom igualmente realista. Mas a grande diferença deste filme em relação às demais obras do autor é o tom dos diálogos. Aqui, é visível como o roteirista diminuiu um pouco o seu ritmo, apostando muito mais na compreensão da sua mensagem do que na sonoridade das suas palavras. Os diálogos são mais lentos, pausados e, nem por isso, menos significativos. Embora seja menos objetivo do que Spike Lee (“Destacamento Blood” e “Infiltrado na Klan”) em sua abordagem, Sorkin tem o mesmo alvo: olhar para a década de 1960 como tentativa de compreender o presente. Em particular, os abusos racistas sofridos pelo único réu negro do caso, Bobby Seale, aproximam claramente os protestos de antes e os mais recentes – contra abusos similares que levaram aos assassinatos de George Floyd, Breonna Taylor e outros, fomentando o movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam). Ao incluir neste quadro o abismo de visões de mundo que cercaram a recente eleição presidencial americana, fica bem demonstrado que o passado apresentado na tela ainda é muito atual.
Estreias online: Top 10 da semana é festival de filmes premiados
Pronto para um festival de cinema em casa? Mais da metade do Top 10 das estreias online da semana destaca obras premiadas e com aprovação superior a 90% no site Rotten Tomatoes – que tira sua média das principais críticas publicadas em inglês (nos EUA, Canadá, Reino Unido e eventualmente Austrália). É praticamente um esboço de lista de melhores do ano, com muitos títulos inéditos nos cinemas brasileiros, num leque de opções melhor que a seleção disponibilizada neste mesmo período nas salas de exibição. Para dar noção, até a diversão leve e natalina da Netflix é bem cotada. Confira abaixo os destaques da programação, acompanhados por seus respectivos trailers. Nunca Raramente Às Vezes Sempre | EUA | 2020 Premiado nos festivais de Sundance e Berlim, e com impressionantes 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, o terceiro longa escrito e dirigido por Eliza Hittman (após “Parece Amor” e “Ratos de Praia”) é um dos principais destaques do cinema indie americano em 2020 e um dos filmes mais elogiados do ano. Traz Sidney Flanigan, recém-indicada ao prêmio de Revelação no Gotham Awards, como uma garota grávida que parte do interior da Pennsylvania para a cidade de Nova York em busca de auxílio médico para interromper sua gravidez não planejada, contando nessa jornada com apoio apenas de sua prima igualmente adolescente, vivida por Talia Ryder. As duas atrizes principais são estreantes, assim como a cantora Sharon Van Etten, que debuta no cinema. E todas arrebatam com suas performances, partindo os corações do público no processo. Emocionante. Disponível na Apple TV/iTunes O Candidato | Espanha | 2018 Vencedor de sete prêmios Goya (o Oscar espanhol), incluindo Melhor Roteiro, Direção e Ator, o filme de Rodrigo Sorogoyen é um retrato da corrupção política tão conhecida dos eleitores ibero-americanos. Antonio de La Torre (o José Mujica de “Uma noite de 12 anos”) vive um político que banca seu estilo de vida luxuoso com negócios ilícitos e ameaça destruir seu partido quando um jornal denuncia seus crimes. A crítica social é trabalhada em ritmo de thriller político, com um suspense que prende a atenção e justifica os 92% de aprovação entre a crítica norte-americana reunida no Rotten Tomatoes. Disponível na Apple TV/iTunes e Vivo Play Rainha de Copas | Dinamarca | 2019 A jovem cineasta May el-Toukhy dominou as premiações do cinema dinamarquês (o Bodil e o Robert Awards) com seu terceiro filme, também premiado pelo público no Festival de Sundance, que deu muito o que falar por seu tema polêmico. “Rainha de Copas” registra um relacionamento tabu entre uma mulher mais velha e seu enteado adolescente. O drama acaba pendendo para o suspense, ao retratar a protagonista como uma narcisista capaz de tudo para conseguir o que quer, sem pretender abrir mão de nada por isso. Tem 97% de aprovação no Rotten Tomatoes. Disponível na Apple TV/iTunes, Google Play, MUBI, NOW, Vivo Play e YouTube Filmes A Camareira | México | 2018 Indicação mexicana ao Oscar de Filme Internacional deste ano, o drama da estreante Lila Avilés concentra-se na vida penosa e frustrante de Eve, uma jovem mãe solteira que trabalha como camareira num hotel de luxo, sem tempo para nada, nem mesmo para seu bebê, cuidado por outra pessoa. Invisível para muitos, ela trava uma luta diária diante da impessoalidade de uma rotina que nada mais é do que uma forma de prisão. Sua maior ambição é cuidar do andar das suites de luxo. Seu sonho é ficar com o vestido vermelho esquecido por uma hóspede. Mas, gradualmente, o descontentamento implícito de Eve com seu status começa a se manifestar de várias maneiras. Chamado de “perfeito” e “obra-prima” pela imprensa internacional, que lhe rendeu 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, “A Camareira” é um filme de “clima”, em que a carga dramática se concentra no olhar da protagonista, vivida com empenho por Gabriela Cartol (“Eu Sonho em Outro Idioma”). Disponível na Vivo Play Rosa e Momo | Itália | 2020 A lendária atriz Sophia Loren não filmava desde o musical “Nine” (2009) e um telefilme de 2010 (“La Mia Casa è Piena di Specchi”), baseado numa obra de sua irmã. Perguntada se tinha se aposentado, a estrela dos clássicos “Duas Mulheres” (1960), “Ontem, Hoje e Amanhã” (1963) e “Um Dia Muito Especial” (1977) disse que apenas não tinha papéis que a fizessem querer interpretar. Pois aos 86 anos ela encontrou um motivo para voltar a atuar. Sua personagem, a Rosa do título em português, é uma sobrevivente do Holocausto que mantém uma creche em sua casa e encara o desafio de acolher Momo (Ibrahima Gueye), um menino de rua que a assaltou. Tudo o que o menino conhece é o mundo do crime até encontrar o afeto da mulher sofrida e ver a chance de pertencer a um lar pouco convencional. O filme é baseado no best-seller do escritor francês Romain Gary (1914–1980), autor de muitos romances adaptados pelo cinema – e a própria história de “Rosa e Momo” já tinha sido filmada anteriormente, em 1977, com o título brasileiro de “Madame Rosa, A Vida à Sua Frente”, trazendo outra grande atriz no papel principal: Simone Signoret (“As Diabólicas”). A nova versão foi adaptada pelo cineasta Edoardo Ponti (“Desejo de Liberdade”) e encantou a crítica, com 92% no Rotten Tomatoes. Disponível na Netflix Filhos da Dinamarca | Dinamarca | 2019 O thriller dramático aborda o efeito da propaganda de ódio contínua, mostrando diferentes perspectivas e pontos de vista de grupos radicais, numa escalada de violência que só alimenta mais violência. De um lado, terroristas muçulmanos promovem atentados na Europa. Do outro, movimentos neofascistas se fortalecem com discurso racista e anti-imigrantista, até o confronto inevitável. Com um roteiro forte e uma direção impactante, o filme de estreia do cineasta Ulaa Salim venceu o Bodil (o Oscar dinamarquês) e vários outros prêmios em festivais internacionais. Disponível na NOW Uma Invenção de Natal | EUA | 2020 Fantasia musical de Natal, o filme escrito e dirigido por David E. Talbert (que já fez “Um Natal Quase Perfeito”) conta com canções originais de John Legend para acompanhar a história de um lendário fabricante de brinquedos (Forest Whitaker, de “Pantera Negra”), cujas invenções fabulosas recebem muita admiração, até que seu antigo aprendiz, vivido por Keegan-Michael Key (“Meu Nome é Dolemite”), rouba sua criação mais valiosa. Pressionado a inventar algo revolucionário antes de falir, ele é salvo por sua neta, que descobre um brinquedo antigo e abandonado que é pura magia. O elenco ainda inclui Phylicia Rashad (“Creed”), Hugh Bonneville (“Downton Abbey”), Anika Noni Rose (“The Good Wife”), a menina estreante Madalen Mills e Ricky Martin, que dubla um boneco falante. Apesar de açucarado como bolo de Natal, o filme agrada sem enjoar, como demonstram seus 100% de aprovação. Disponível na Netflix A Febre | Brasil | 2019 Exibido pela primeira vez há 15 meses, no Festival Internacional de Locarno, na Suíça, quando Regis Myrupu conquistou o prêmio de Melhor Ator, “A Febre” é o longa de estreia da jovem cineasta Maya Da-Rin e também foi premiado nos festivais de Biarritz (França), IndieLisboa (Portugal), Lima (Peru), Chicago (EUA), Punta del Este (Uruguai), Pingyao (China), Rio e Brasília. Alinhado à tendência do realismo mágico sul-americano, o filme acompanha Justino (Myrupu), um indígena do povo Desana que trabalha como vigia em um porto de cargas e vive na periferia de Manaus. Muito branco para sua tribo, muito índio para os brancos, desde a morte da sua esposa Justino só tem a companhia da filha Vanessa, que está de partida para estudar Medicina em Brasília. Com a expectativa de ficar sozinho, ele é tomado por uma febre forte e passa a acreditar que uma criatura misteriosa segue seus passos. Durante o dia, ele luta para se manter acordado no trabalho. Esta dramatização das pressões da vida urbana também foi lançada nos cinemas. Disponível na Now e Vivo Play Baixo Centro | Brasil | 2018 Vencedor da Mostra de Tiradentes 2018, o filme de Ewerton Belico e Samuel Marotta segue a linha experimental que costuma ser celebrada no festival mineiro, levantando questões sobre violência, sociedade e vida urbana, mas sem reflexões profundas, por meio do encontro e separação de um casal. Disponível na Apple TV/iTunes, Google Play, NOW, Vivo Play e YouTube Filmes Carlinhos e Carlão | Brasil | 2020 A melhor das comédias do pacote nacional de novembro da Amazon tem pouca sutileza, mas diverte ao mostrar Luis Lobianco como Carlão, um machista homofóbico que se transforma ao entrar num armário novo, virando Carlinhos. Seu problema é que, de dia, ele volta a virar Carlão e precisa lidar com as situações causadas por Carlinhos. O primeiro filme protagonizado pelo humorista do “Vai que Cola” e projetos do Porta dos Fundos tem seus exageros, mas o experiente diretor Pedro Amorim (“Mato sem Cachorro”, “Divórcio”) ajuda a transformar esse “O Médico e o Monstro” LGBTQIA+ numa história necessária para os machões deste “país de maricas”. Disponível na Amazon Além destes títulos, dois destaques da semana passada, “Banana Splits” e “O Mistério de Silver Lake”, foram disponibilizados em mais plataformas (saiba mais sobre os dois filmes aqui).
Estreias online: The Crown e As Five encabeçam semana de séries imperdíveis
Entre a melhor temporada de “The Crown” e o lançamento de “As Five”, a programação de séries está excepcionalmente caprichada nesta semana, com opções de qualidade para vários gostos. Mas esta qualidade também demanda paciência. Quatro dos títulos da lista estreiam apenas no domingo (15/11). Além disso, metade da lista são produções da Starz Play, Globoplay e HBO Go que chegam a conta-gotas como na TV convencional, no ritmo de um episódio por semana. Confira abaixo mais detalhes do ótimo Top 10 em streaming deste fim de semana. The Crown | Reino Unido | 4ª Temporada A série sobre a família real britânica chega aos anos 1980 de forma impactante, destacando a soberba de Margaret Thatcher, que acredita salvar o Reino Unido enquanto quebra sua economia, e a frustração da princesa Diana ao perceber que seu conto de fadas não termina com um “viveram felizes para sempre”, mas sim com crises de bulimia. Passada entre a ascensão da Primeira Ministra, que chegou ao poder em 1979, e a tragédia da Princesa do Povo, que encanta o país, mas não a monarquia britânica, os novos episódios destacam as estreias de Gillian Anderson (“Arquivo X”) como Thatcher e Emma Corrin (“Pennyworth”) no papel de Diana, e voltam a reunir pela última vez Olivia Colman (“A Favorita”) como a rainha Elizabeth IIª, Helena Bonham Carter (“Oito Mulheres e um Segredo”) no papel da Princesa Margaret, Tobias Menzies (“Outlander”) como o príncipe Philip, Josh O’Connor (“Emma.”) como o príncipe Charles e Emerald Fennell (“Call the Midwife”) na pele de Camilla Parker-Bowles – antes de uma terceira e última troca completa de elenco, para encerrar a série nos próximos dois anos de produção. Disponível em 15/11 na Netflix As Five | Brasil | 1ª Temporada Drama juvenil derivado de “Malhação: Viva a Diferença”, a série retoma os personagens da mais bem-sucedida da novelinha da Globo, premiada com o Emmy Kids Internacional. Concebido pelo cineasta Cao Hamburger (de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” e “Xingu”), o spin-off é bem mais adulto e mostra o que aconteceu com as “Five”, as cinco protagonistas da história original, após cada uma seguir um rumo diferente no final da trama exibida entre entre 2017 e 2018 – e recentemente reprisada na rede Globo. Algumas mudaram de cidade, outras se casaram e até o bebê que as juntou cresceu. Tina (Ana Hikari) é uma das poucas que continua morando em São Paulo e virou uma produtora musical ao lado do namorado. Quando a notícia da morte de sua mãe chega nas amigas, ela recebe apoio das quatro para superar o momento difícil. Mas logo vai ficar claro que cada uma delas também atravessa uma crise particular. Felizmente, com o reencontro, as amigas vão relembrar da juventude em que eram inseparáveis e, a partir daí, uma vai tentar ajudar a outra. Além de Ana Hikari, o elenco voltará a trazer Daphne Bozaski, Gabriela Medvedovski, Manoela Aliperti e Heslaine Vieira. Disponível na Globoplay, um episódio por semana Gangs of London | Reino Unido | 1ª Temporada Gareth Evans, o cineasta por trás do fenômeno indonésio “The Raid – Operação Invasão” (2011), marco do cinema de ação do século 21, concebeu “Gangs of London” como um videogame, que chegou a ser lançado sem muito alarde em 2006 pela Sony. Só que a série leva a premissa do jogo a um nível mais brutal, mostrando a luta de várias gangues pelo controle do submundo da capital inglesa. A produção causou furor no Reino Unido pelas cenas violentas, a começar pelo assassinato do chefão criminal mais poderoso de Londres. Quando seu filho e herdeiro deixa os negócios de lado para dar prioridade à vingança, tentando descobrir quem orquestrou o crime, uma variedade multicultural de gangues armadas até os dentes se movimenta para tirar proveito do vácuo repentino no submundo inglês. O papel principal é desempenhado por Joe Cole, que ficou conhecido como John Shelby em “Peaky Blinders”, o que rende algumas comparações entre as duas produções. Ambas são centradas em gângsteres britânicos de diferentes culturas e etnias, embora “Peaky Blinders” seja uma série de época e “Gangs of London” se passe nos dias atuais. O elenco ainda destaca Michelle Fairley e David Bradley (que foram inimigos mortais em “Game of Thrones”) e, além do galês Gareth Evans, os 10 episódios da 1ª temporada são dirigidos por mais dois cineastas: o inglês Corin Hardy (“A Freira”) e o francês Xavier Gens (“(A) Fronteira”), ambos especialistas em terrores sangrentos. Disponível em 15/11 na Starzplay, um episódio por semana Alex Rider | Reino Unido | 1ª Temporada Baseada nos famosos best-sellers do espião juvenil criado por Anthony Horowitz, a série traz o britânico Otto Farrant (das minisséries “Guerra e Paz” e “The White Queen”) como Alex Rider, substituindo Alex Pettyfer (“Magic Mike”), que viveu o agente secreto juvenil na única vez que o personagem foi levado ao cinema (em “Alex Rider Contra o Tempo”). O personagem é um adolescente de Londres que, sem saber, é treinado desde a infância para fazer parte do perigoso mundo da espionagem. Desenvolvida pelo roteirista Guy Burt (de “Os Borgias” e “Beowulf: Return to the Shieldlands”), a adaptação leva a premissa a sério e trata a trama como um thriller de ação, o que resulta bem melhor que o filme de 2006. Aprovada com 86% de críticas positivas no Rotten Tomatoes, a atração já foi renovada para sua 2ª temporada. Disponível na Amazon The Liberator | EUA | 1 Temporada A minissérie animada, adulta e realista dá vida ao aclamado livro de não-ficção de Alex Kershaw sobre a 2ª Guerra Mundial, em que Bradley James (o Arthur da série “Merlin”) vive Felix Sparks, um oficial do Exército dos EUA, que na vida real liderou um dos primeiros batalhões aliados a desembarcar na Itália e marchar em direção à Alemanha. A marcha durou mais de 500 dias, em meio a tiroteios traiçoeiros e explosões, até a liberação do campo de concentração de Dachau, e a minissérie de quatro episódios recria a árdua missão com auxílio de rotoscópio, que transforma a performance dos intérpretes de carne e osso em desenho. Trata-se da mesma técnica visual aplicada em “O Homem Duplo” (2006), de Richard Linklater, e na recente série “Undone”, da Amazon. A adaptação é assinada pelo veterano roteirista Jeb Stuart (“Duro de Matar”) e dirigida pelo aclamado artista de efeitos visuais Grzegorz Jonkajtys (da equipe de “Star Wars: O Despertar da Força” e “Vingadores: Guerra Infinita”). Disponível na Netflix Os Favoritos de Midas | Espanha | 1 Temporada O clássico literário “Os Mascotes de Midas” (1901), de Jack London, é trazido para os dias atuais pelo cineasta espanhol Mateo Gil (“As Leis da Termodinâmica”), numa minissérie de suspense sombrio. Na trama, um grupo misterioso passa a matar pessoas desconhecidas e aleatórias para forçar o sentimento de culpa num empresário que é chantageado a pagar US$ 50 milhões em troca da vida dos inocentes. Nem ele nem a polícia tem a menor ideia de quem está por trás desse golpe macabro, mas as mortes se acumulam sem parar. Primeira série criada por Gil após se consagrar como roteirista de filmes cultuados de Alejandro Amenabar – “Morte ao Vivo” (Tesis, 1996), “Preso na Escuridão” (Abre los Ojos, 1997) e “Mar Adentro” (2004) – , a produção é estrelada por Luis Tosar (“Cela 211”, “Enquanto Você Dorme”), três vezes vencedor do Goya (o Oscar espanhol), e também destaca Guillermo Toledo (“Crime Ferpeito”), Marta Belmonte (“Gente que Vai e Volta”), Marta Milans (“White Lines”) e Bea Segura (“O 3º andar – Terror na Rua Malasaña”). Disponível na Netflix Dignidad | Alemanha, Chile | 1 Temporada A série conta a história real da colônia Dignidad, um acampamento alemão comando por um médico nazista, que existiu no Chile durante o governo do ditador Pinochet. As atrocidades cometidas no local já renderam um filme, “Colônia” (2015), estrelado por Emma Watson. A minissérie oferece uma perspectiva diferente, contando a história em dois tempos, durante o auge dos abusos em 1976 e a investigação dos crimes em 1997, quando o líder da colônia, Paul Schäfer, se tornou foragido, acusado de torturar e matar pessoas enviadas ao local pela ditadura e abusar de pelo menos 200 crianças. Criada por Andreas Gutzeit (do vindouro remake televisivo de “Sissi, a Imperatriz”), a produção destaca Götz Otto (“Deu a Louca nos Nazis”) como Schäfer, além de Antonia Zegers (“Uma Mulher Fantástica”) e Marcel Rodriguez (“7 Days Berlin”) como líderes da investigação. Disponível na Amazon Dash & Lily | EUA | 1ª Temporada Comédia romântica juvenil protagonizada por Austin Abrams (“A Química que Há Entre Nós”) e Midori Francis (“Bons Meninos”), a atração é baseada no best-seller “O Caderninho de Desafios de Dash & Lily”, de Rachel Cohn e David Levithan, que também escreveram o livro que virou o filme “Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música” (2008). Na trama, os protagonistas do título não se conhecem, mas conversam por meio de um caderno deixado em uma biblioteca, onde propõem desafios um ao outro, todos baseados em temas natalinos – ele com propostas cínicas, ela com uma visão sonhadora. A adaptação está a cargo de Lauren Moon (editora de textos de “Atypical”), tem direção da dupla Brad Silberling (do clássico “Desventuras em Série”) e Fred Savage (o eterno Kevin de “Dias Incríveis”, que há 21 anos é diretor de séries) e produção do cantor Nick Jonas. Não por acaso, a reta final da série inclui um show dos Jonas Brothers. Disponível na Netflix Industry | Reino Unido | 1ª Temporada Focada nos bastidores do mercado financeiro, a série acompanha uma nova geração em busca de sucesso no mundo dos grandes negócios, que sofre pressão e depressão pelo mau desempenho e receio de desemprego. A personagem central é uma jovem afro-americana idealista (Myha’la Herrold), que acredita que será julgada apenas por seus méritos e capacidade de atingir bons resultados, mas, ao disputar espaço em um dos maiores estabelecimentos financeiros com a elite jovem de Londres, descobre uma cultura de sexo, drogas e conflitos de ego. Criada pelos roteiristas Mickey Down e Konrad Kay (“Hoff the Record”), com produção e direção de Lena Dunham (criadora de “Girls”), “Industry” é gravada no Reino Unido e conta com atores pouco conhecidos, entre eles Myha’la Herrold (“Modern Love”), Marisa Abela (“Cobra”), Harry Lawtey (“Carta ao Rei”), Priyanga Burford (“Avenue 5”), David Jonsson (“Deep State”), Nabhaan Rizwan (“1917”) e Conor MacNeill (“A Batalha das Correntes”). Disponível na HBO Go, um episódio por semana Seduced: Inside the NXIVM Cult | EUA | 1ª Temporada Série documental sobre a jornada real e angustiante de India Oxenberg – filha de uma atriz de Hollywood e descendente da realeza europeia – que foi seduzida pela seita de escravas sexuais NXIVM, onde passou sete anos. Mais de 17 mil pessoas, incluindo India, se inscreveram no “Programa Executivo de Sucesso” da NXIVM, uma fachada para a seita e um campo de caça para o seu líder, o guru Keith Raniere. As mulheres que entravam no DOS, círculo mais privado do suposto grupo de autoajuda, acabavam numa sociedade secreta de escravos, virando vítimas de tráfico sexual e marcadas com ferro de cauterização. Ao contrário da série “The Vow”, da HBO, “Seduced” não perde tempo em preâmbulos, focando a sedução, doutrinação e escravidão de India, a luta de sua mãe para resgatá-la e, finalmente, sua fuga. A produção é assinada pelas cineastas Cecilia Peck e Inbal Lessner, que também fizeram “Brave Miss World”, documentário indicado ao Emmy. Disponível em 15/11 na Starzplay, um episódio por semana
David Fincher revela contrato de exclusividade com a Netflix
Durante a divulgação de seu novo filme “Mank”, que chega na Netflix em três semanas, o diretor David Fincher revelou que assinou um contrato de exclusividade com a plataforma de streaming para os próximos quatro anos. Sem divulgar detalhes de futuros lançamentos, o cineasta disse que os próximos projetos dependerão do desempenho de “Mank” “Dependendo da recepção, ou eu vou vê-los timidamente para perguntar o que posso fazer para me redimir, ou tomar a atitude arrogante de fazer mais filmes em preto e branco”, brincou o diretor, em entrevista à revista francesa Première. “Não, eu estou aqui para entregar conteúdo, não importa o que seja. Provavelmente atrair um público da minha pequena esfera de influência”. Fincher tem uma parceria antiga com a Netflix, tendo dirigido e produzido a primeira série premiada da plataforma, “House of Cards”. Ele também desenvolveu “Mindhunter” e produz “Love, Death & Robots”. Mas “Mank” é seu primeiro longa-metragem na plataforma. “Mank” é a cinebiografia do roteirista Herman J. Mankiewicz e aborda os bastidores das filmagens de “Cidadão Kane”, lançado em 1941. O personagem-título é vivido por Gary Oldman, vencedor do Oscar por “O Destino de uma Nação” (2017), e o elenco grandioso ainda inclui Tom Burke (“Strike”) como Orson Welles, Charles Dance (“Game of Thrones”) no papel do magnata William Randolph Hearst, Arliss Howard (“True Blood”) como o produtor Louis B. Mayer (o segundo M da MGM), Lily Collins (“Simplesmente Acontece”) como a secretária Rita Alexander, Amanda Seyfried (“Mamma Mia!”) como a atriz Marion Davis, Tuppence Middleton (“Sense8”) como Sara Mankiewicz, a jovem esposa (com 21 anos na época de “Cidadão Kane”) de Mank, além de Toby Leonard Moore (“Billions”) e Ferdinand Kinsley (“Vitória: A Vida de uma Rainha”) como os famosos produtores David O. Selznick e Irving Thalberg, respectivamente. As histórias sobre os bastidores de “Cidadão Kane” são lendárias, porque o filme de Orson Welles era baseada na figura real do magnata da imprensa William Randolph Hearst, um verdadeiro tirano, que tentou de tudo para impedir o lançamento do filme e não parou até sabotar a carreira do diretor, publicando calúnias e espalhando rumores de que ele era comunista, ao mesmo tempo em que manteve Hollywood acuada com ataques contra o excesso de imigrantes (judeus) que empregava. O filme é um projeto pessoal de Fincher. O roteiro foi escrito por seu pai, o jornalista Jack Fincher, que faleceu em 2002. Foi para fazer justiça ao projeto original que o diretor fechou com a Netflix, porque nenhum estúdio tradicional aceitou bancar as filmagens caras do longa com uma fotografia em preto e branco. Por outro lado, a Netflix já tinha investido em “Roma”, drama em preto e branco – e ainda por cima falado em espanhol – de Alfonso Cuarón, que acabou se provando um sucesso no streaming e ainda ganhou três Oscars. A estreia está marcada para 4 de dezembro.
A Garota Invisível: Filme estrelado por Sophia Valverde ganha trailer
A Santa Rita Filmes divulgou o pôster e o trailer de “A Garota Invisível”, primeiro filme protagonizado por Sophia Valverde, a Poliana de “As Aventuras de Poliana”. Ela já tinha aparecido antes no cinema, como coadjuvante de “Como Nossos Pais” (2017), mas sua estreia como protagonista vai acontecer apenas em locação digital. A prévia, inclusive, revela várias cenas que refletem o isolamento social causado pela pandemia de coronavírus, com gravações à distância, utilizando ligações de celular e computador como conexões. Com poucas externas, é uma produção bem barata. O vídeo também é cheio de cenas já vistas em diversos filmes, apresentando uma história típica de comédias de adolescentes de Hollywood, de “A Garota de Rosa Schocking” (1986) a “Para Todos os Garotos que Já Amei” (2018). Na trama, Sophia vive a “garota invisível”, que não é a filha do Homem Invisível, apenas uma garota que ninguém nota na escola, exceto seu melhor amigo – que ela tampouco repara como ele gostaria. Um dia, vaza na internet um vídeo em que ela se declara para o garoto mais popular do colégio. Mas em vez de passar vergonha, ela se dá bem. O garoto a convida para sair, deixando a ex-namorada dele furiosa e o melhor amigo dela enciumado. O filme é dirigido por Maurício Eça (dos filmes “Carrossel”) e também inclui outros teens do SBT, como Matheus Ueta (“Carrossel”), Mharessa Fernanda (“Cúmplices de um Resgate”), Bia Jordão (“Cúmplices de um Resgate”) e Kaik Pereira (“Chiquititas”), além de Bianca Paiva (“Escola de Gênios”) e os mais novatos Clarinha Jordão e Guilherme Brumatti, intérprete do galã. “A Garota Invisível” vai estrear em 22 de dezembro nas plataformas iTunes/Apple TV, Google Play, Now, Sky Play, Vivo Play e YouTube Filmes. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por S A N T A R I T A Filmes (@santaritafilmes)












