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  • Etc

    Escritora que causou prisão de inocente por 16 anos pede desculpas

    1 de dezembro de 2021 /

    A escritora americana Alice Sebold pediu desculpas nesta quarta (1/12) por causar a condenação injusta de um homem inocente por estupro. Preso e condenado pelo crime, Anthony Broadwater passou 16 anos na prisão e, mesmo depois de cumprir a pena, teve dificuldades de seguir a vida, já que passou a integrar uma lista de agressores sexuais. Ele tinha 20 anos quando foi acusado por Sebold e inocentado na semana passada, aos 61 anos, após uma revisão do caso. Em seu livro de memórias, “Sorte. Um Caso de Estupro”, Sebold descreveu como foi estuprada em 1981, aos 17 anos, no campus de sua universidade, e como encontrou o culpado caminhando na rua dias depois. O homem que ela acusou era Broadwater, completamente diferente do retrato falado feito a partir de sua própria descrição do agressor, e um homem que ela não conseguiu identificar num reconhecimento de suspeitos, ao lado de outros homens pretos. “Lamento, acima de tudo, pelo fato de que a vida que você poderia ter tido foi injustamente roubada de você, e eu sei que nenhuma desculpa pode mudar o que aconteceu com você e nunca mudará”, disse Sebold em seu pedido de desculpas. Por intermédio de seus advogados, Broadwater disse que está “aliviado por ela ter pedido desculpas”. Broadwater foi inocentado graças ao sucesso do livro em que Sebold descreveu o caso. Com título inspirado numa frase que o policial que atendeu ao seu chamado lhe disse – “Você tem sorte de ter sido estuprada, e não estuprada e morta” – , “Sorte” foi publicado em 1999 e vendeu mais de 1 milhão de cópias, lançando a carreira de Sebold como autora. Depois disso, ela escreveu o romance “Uma Vida Interrompida”, ficção espírita sobre outro caso de estupro, desta vez seguido de morte, que foi transformado no filme “Um Olhar do Paraíso” (2009) pelo diretor Peter Jackson. Os direitos de “Sorte” também foram adquiridos para uma adaptação cinematográfica. O negócio foi fechado em 2019, mas as filmagens demoram a começar porque um dos produtores executivos, Timothy Muccianate, viu “discrepâncias” entre as descrições da violação na obra e os registros do julgamento na segunda parte do livro, e decidiu contratar um detetive particular para apurar o que realmente aconteceu. O detetive encontrou provas e pediu análises forenses mais modernas do que as da época do julgamento de 40 anos atrás, e suas descobertas fizeram as autoridades determinarem que havia “falhas sérias” na apuração realizada nos anos 1980, que traziam dúvidas sobre se o verdadeiro criminoso tinha sido condenado. A moção para anular a condenação foi feita pelo promotor público do condado de Onondaga, William J. Fitzpatrick, que observou que as identificações de testemunhas de estranhos, especialmente aquelas que cruzam as linhas raciais, muitas vezes não são confiáveis. Alice Sebold é branca e o Anthony Broadwater é negro. Diante desta reviravolta, a atriz Victoria Pedretti (“Você”, “A Maldição da Mansão Bly”), que interpretaria a versão de Sebold na adaptação de “Sorte”, desistiu da produção, que logo em seguida perdeu seu financiamento e foi cancelada. A editora americana Simon & Shuster que publica “Sorte” também anunciou na terça-feira (30/11) que iria parar de distribuir o livro enquanto trabalhava com Sebold para “considerar como o trabalho poderia ser revisado”. O livro já foi retirado de alguns sites de vendas dos EUA – mas não da Amazon. A Ediouro, que publica o livro no Brasil, ainda não se pronunciou sobre o caso.

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  • Filme

    Victoria Pedretti larga filme de escritora que deixou inocente preso por 16 anos

    28 de novembro de 2021 /

    A atriz Victoria Pedretti (“Você”, “A Maldição da Mansão Bly”) desistiu de estrelar a adaptação de “Sorte – Um Caso de Estupro” (Lucky), após o homem acusado de violência sexual pela obra ser inocentado na semana passada, depois de passar 16 anos preso. Ele foi identificado casualmente pela escritora Alice Sebold, com quem cruzou na rua, e com base nessa identificação e provas circunstanciais foi condenado à prisão. O filme também perdeu seu financiamento e não deverá mais sair do papel. O livro foi escrito em 1999, lançado no Brasil em 2003, e relata o estupro que Alice Sebold sofreu aos 17 anos, em maio de 1981, quando foi atacada dentro do campus da universidade Syracuse, em que estudava. No texto, ela conta ter visto um homem negro se aproximando dela e narra o ocorrido. O título do livro faz referência a uma frase que o policial que atendeu ao seu chamado lhe disse: “Você tem sorte de ter sido estuprada, e não estuprada e morta”. Autora também do livro que virou “Um Olhar do Paraíso” (2009), de Peter Jackson, focado num caso fictício de estupro e morte de adolescente, Sebold negociou a adaptação de “Sorte” em 2019, mas as filmagens demoram a começar porque um dos produtores executivos, Timothy Muccianate, viu “discrepâncias” entre as descrições da violação na obra e os registros do julgamento na segunda parte do livro, e decidiu contratar um detetive particular para apurar o que realmente aconteceu. O detetive encontrou provas e pediu análises forenses mais modernas do que as da época do julgamento de 40 anos atrás, e suas descobertas fizeram as autoridades determinarem que havia “falhas sérias” na apuração de 1982, que traziam dúvidas sobre se o verdadeiro criminoso tinha sido condenado. Ao analisar novamente o caso, os promotores pediram ao juiz da Suprema Corte Estadual para exonerar Anthony J. Broadwater, o homem condenado pelo estupro de Sebold — que ficou 16 anos na prisão — , pois ele era inocente. Na última segunda-feira (22/11), Broadwater foi formalmente inocentado, teve todas as condenações anuladas – de estupro em primeiro grau e cinco acusações relacionadas – e não será mais classificado como agressor sexual. Broadwater nunca assumiu a culpa pelo estupro de Sebold. No fatídico dia, a futura escritora descreveu as características de seu agressor para a polícia, mas o retrato falado não se parecia com o do homem condenado pelo crime. Mesmo assim, ele foi preso cinco meses depois, porque Sebold passou por ele na rua e contatou a polícia, dizendo ter visto seu agressor. O detalhe é que, na hora de identificar o agressor entre outros homens pretos, Sebold voltou a apontar uma pessoa diferente. Isto deveria encerrar a acusação, mas os promotores originais do caso justificaram o erro dizendo que Broadwater e o homem identificado erroneamente haviam tentado enganar e confundir Sebold propositalmente. A condenação de Broadwater (chamado de Gregory Madison no livro) se baseou nesta identificação problemática e em análises de um fio de cabelo encontrada na cena do crime, uma tecnologia que nunca foi considerada acurada e se tornou obsoleta. “Junte um pouco de ciência fajuta com uma investigação falha e temos a receita perfeita para uma condenação errada”, disse à imprensa o advogado de Broadwater, David Hammond. A moção para anular a condenação foi feita pelo promotor público do condado de Onondaga, William J. Fitzpatrick, que observou que as identificações de testemunhas de estranhos, especialmente aquelas que cruzam as linhas raciais, muitas vezes não são confiáveis. Alice Sebold é branca e o Anthony J. Broadwater é negro. “Sorte – Um Caso de Estupro” é cheio de situações racistas, que seriam justificadas pelo choque causado pelo estupro. Em algumas passagens, a escritora assume ver todos os negros como prováveis estupradores. E tudo indica que foi isso que aconteceu com um homem inocente. O livro vendeu mais de 1 milhão de cópias, deu início à carreira da escritora. Três anos depois, ela publicou “Uma Vida Interrompida” (The Lovely Bones), que vendeu 10 milhões de cópias e virou o filme de Peter Jackson indicado ao Oscar. A adaptação de “Sorte” seria escrita e dirigida por Karen Moncreiff (“13 Reasons Why”), mas após o escândalo, a saída da atriz principal e a perda de financiamento, o trabalho de desenvolvimento resultou em tempo perdido. Só que a trama pode ter desdobramentos, com ações judiciais por perdas e danos dos produtores do filme, que devem ter pago adiantado pelos direitos do livro, e do próprio Anthony Broadwater, ao descobrir que Sebold ganhou dinheiro com sua prisão. Em comunicado divulgado por seus assessores, a escritora afirmou que não iria se pronunciar sobre o caso.

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