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    Robert Downey Jr. revela documentário emocionante sobre seu pai

    14 de novembro de 2022 /

    A Netflix divulgou o trailer do documentário “Sr.”, que retrata a vida do cineasta Robert Downey, pai do ator Robert Downey Jr. O vídeo destaca trechos emocionantes da convivência entre pai e filho, e traz o intérprete do Homem de Ferro como condutor da narrativa. Foi dele a ideia de realizar o filme, registrando os últimos meses de vida de seu pai em conversas sobre suas realizações, família e lutas. Segundo a sinopse, o longa “é um retrato amorosamente irreverente da vida e carreira do cineasta independente Robert Downey que rapidamente se transforma em uma meditação sobre arte, mortalidade e disfunção geracional de cura”. O filme tem direção de Chris Smith, produtor de “A Máfia dos Tigres” e diretor de “Fyre Festival: Fiasco no Caribe”, e chega na Netflix em 2 de dezembro. O cineasta Robert Downey morreu em julho de 2021. Ele tinha 85 anos e sofria do Mal de Parkinson há pelo menos 5 anos. O diretor ficou conhecido nos anos 1960 por ser um dos cineastas mais identificados com o movimento contracultural dos EUA, que explorava em suas obras. Essa fase rendeu pelo menos um filme cultuadíssimo, “Putney Swope”, de 1969, que contrastou o movimento dos direitos civis com a indústria da publicidade. Seu filho famoso atuou em vários de seus filmes. De fato, o futuro Homem de Ferro estreou como ator na comédia “Pound” (1970), atuando para seu pai com cinco anos de idade. Robert Downey também foi ator e participou de filmes como “Boogie Nights” (1997) e “Magnolia” (1999), ambos de Paul Thomas Anderson. Sua última aparição nas telas foi como convidado do humorístico “Saturday Night Live” em 2015. Como suas obras foram realmente independentes, nunca receberam muita atenção do mercado e jamais saíram do circuito dos iniciados – seus principais títulos são inéditos no Brasil e em vários países do mundo. Por conta disso, sua ousadia acabou esquecida. Mais que isso, é até desconhecida entre as novas gerações, que se referem a ele apenas como o pai de Robert Downey Jr.

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    Robert Downey (1936–2021)

    7 de julho de 2021 /

    O cineasta Robert Downey, pai do ator Robert Downey Jr, morreu enquanto dormia na manhã desta quarta (7/7) em sua casa em Nova York. O diretor tinha 85 anos e sofria do Mal de Parkinson há pelo menos 5 anos. O intérprete do Homem de Ferro escreveu sobre seu pai no Instagram: “Na noite passada, meu pai passou em paz enquanto dormia após anos suportando a devastação do Parkinson… ele era um verdadeiro cineasta independente”. Downey ficou conhecido nos anos 1960 por ser um dos cineastas mais identificados com o movimento contracultural dos EUA, responsável por pelo menos um filme cultuadíssimo, “Putney Swope”, de 1969, além de ter se tornado um autor importante da história do cinema independente americano. Curiosamente, Robert Downey também era Jr. Seu nome verdadeiro era Robert John Elias Jr. Ele era filho da modelo conhecida apenas como Elizabeth (McLoughlin) e Robert Elias, que trabalhava na gestão de hotéis e restaurantes. Mas ao se tornar maior de idade adotou o sobrenome de seu padrasto, James Downey. Seus primeiros filmes foram iniciativas rodadas praticamente sem orçamento, filmes realmente independentes, que mesmo em condições mínimas se destacaram por situações cômicas e absurdas, e redefiniram o cinema underground. O curta “Balls Bluff” (1961), o média “Babo 73” (1964) e os longas “Chafed Elbows” (1966) e “No More Excuses” (1968) impactaram muitos jovens cineastas da época, entre eles Martin Scorsese, que teve a iniciativa de restaurar todas essas obras por sua Film Foundation. “No More Excuses” tornou-se influentíssimo por trazer Downey encarnando situações fictícias e malucas, registradas nas ruas de Nova York, no Yankee Stadium e num vagão de metrô lotado, em meio a reações de pessoas reais. Neste filme, ele foi Borat 40 anos antes de Sacha Baron Cohen. Não foi à toa que foi definido como “anarquicamente caprichoso e contracultural com C maiúsculo” pelo Village Voice, a publicação mais alternativa de Nova York na época. A repercussão o deixou famoso o suficiente para conseguir seu primeiro orçamento e contrato de distribuição, permitindo que o filme seguinte tivesse maior alcance. Em 1969, “Putney Swope” expôs seu estilo a um público mais amplo, que ficou chocado – alguns diriam horrorizado. O filme era uma sátira devastadora da Madison Avenue, o centro publicitário dos EUA, e mostrava o que acontecia quando um ativista afro-americano recebia carta branca para fazer o que quisesse numa agência de publicidade. A ousadia do filme foi revolucionária. “Putney Swope” entrou na lista dos 10 melhores filmes do ano da New York Magazine, mas também foi execrado pela imprensa conservadora. Com o passar dos anos, sua reputação só aumentou, tornando-o um dos filmes mais cultuados da história do cinema americano. Downey entrou nos anos 1970 com novas provocações, como “Pound”, em que atores fingiam ser cachorros esperando para serem adotados – entre eles, o estreante Robert Downey Jr. de cinco anos de idade – , e “Greaser’s Palace” (1972), uma encenação ultrajante da vida de Cristo no contexto de um faroeste espaguete. Desta vez, foi a revista Time que colocou o filme em sua lista dos dez melhores do ano. Apesar da repercussão, os lançamentos não davam dinheiro, o que levou o diretor para o teatro e polêmicas diferentes. Downey dirigiu a peça “Sticks and Bones” de David Rabe, que a rede CBS decidiu exibir ao vivo em seu projeto de teleteatro em 1973. O tema anti-guerra da montagem enfrentou grande resistência do mercado e boicote dos anunciantes, fazendo com que a transmissão da peça se tornasse a única do projeto sem interrupções comerciais. Ele também antecipou “Seinfeld” ao fazer o primeiro filme sobre nada, “Moment to Moment” de 1975. Downey disse ao Village Voice que “foi difícil arrecadar dinheiro para um filme que não tinha realmente um enredo. Lembro-me de dizer a um cara uma vez, ‘Há uma cena em que teremos 18 caras jogando beisebol a cavalo’, que está lá. Ele olhou para mim como se pensasse: ‘Você enlouqueceu?’. Jack Nicholson colocou dinheiro para a produção, Hal Ashby e Norman Lear, esses meus amigos daquela época. É o filme favorito dos meus filhos dentre todos que fiz.” A partir dos anos 1980, Downey acreditou que seu humor besteirol finalmente poderia ser entendido pelo mercado, o que resultou em tentativas de produções mais comerciais. “Rebeldes da Academia” não escondia o desejo de replicar o sucesso de “Clube dos Cafajestes” (1978), mas com situações muito mais suaves do que as do filme de John Belushi. Ele também dirigiu as comédias “America” (1986) e “Rented Lips” (1988), mas só conseguiu atrair a atenção com “Os loucos Casais da Califórnia”, já em 1990 e graças a um elenco que incluía seu filho Robert Downey Jr. e o jovem amigo dele Ralph Macchio (o “Karatê Kid”), ao lado de Allan Arbus e o Monty Python Eric Idle. O filme juntava os quatro em despedidas emocionantes de seus cachorros superprotegidos, todos poodles, que saíam de férias em uma van. Seus últimos filmes foram mais sérios. “Hugo Pool” foi inspirado pela morte de sua segunda esposa, Laura, que faleceu de ALS em 1994. O longa, que estreou mundialmente no Festival de Sundance em 1997, promovia a conscientização sobre ALS. E ele encerrou a carreira com o documentário “Rittenhouse Square”, sobre o principal centro cultural e social da Filadélfia, lançado em 2005. Robert Downey também foi ator e participou de filmes como “Boogie Nights” (1997) e “Magnolia” (1999), ambos de Paul Thomas Anderson. Sua última aparição nas telas foi como convidado do humorístico “Saturday Night Live” em 2015. Como suas obras foram realmente independentes, nunca receberam muita atenção do mercado e jamais saíram do circuito dos iniciados – seus principais títulos são inéditos no Brasil e em vários países do mundo. Por conta disso, sua ousadia acabou esquecida. É até desconhecida entre as novas gerações, que se referiam a ele apenas como o pai de Robert Downey Jr. Veja abaixo o trailer ultrajante de “Putney Swope” (“Você não pode comer um ar condicionado”!).

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