O Processo: Filme do Impeachment de Dilma vence festival de documentários de Madri
“O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que retrata o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, venceu o principal troféu do Festival Documenta Madri, na Espanha, como Melhor Documentário Internacional. O júri justificou o prêmio “pela energia e tensão com que revela a teia de interesses que subjaz a uma situação de ressonâncias globais para as quais é dado um tratamento deliberadamente simples”. O filme já tinha levado o Prêmio Silvestre e o Prêmio do Público de Melhor Filme no Festival Indie Lisboa, em Portugal, e vencido o Festival Internacional de Documentários Visions du Reel em Nyon, na Suíça. Antes disso, tinha sido escolhido pelo público como o terceiro melhor documentário da mostra Panorama, durante o Festival de Berlim.
Rede ABC renova cinco séries de comédia
A rede ABC anunciou a renovação de cinco séries de comédia sobre famílias modernas: “Black-ish”, “Fresh Off the Boat”, “Speechless”, “American Housewife” e “Splitting Up Together”. Elas se juntam a “Modern Family”, que chegará à sua 10ª e possivelmente última temporada no canal. O quarteto renovado tem famílias de várias configurações, inclusive de pais separados, caso de “Splitting Up Together”, a caçula da turma. Lançada em março deste ano, a série marca a volta de Jenna Fischer aos sitcoms, após marcar época como a recepcionista Pam, de “The Office”. Na trama, ela e o marido (Oliver Hudson, de “Rules of Engagement”) resolvem se separar, mas sem se separar de verdade, já que também decidem continuar a morar juntos, para acomodar suas finanças e a criação dos filhos. Após seis episódios, a atração desenvolvida por Emily Kapnek (criadora de “Suburgatory”) foi aprovada com uma média de 4,4 milhões de telespectadores e 1,3 ponto na demo (a faixa demográfica de adultos entre 18 e 49 anos, mais relevante para os anunciantes). Cada ponto equivale a 1,3 milhão de adultos na medição da consultoria Nielsen. Já “Speechless” e “American Housewife” vão chegar aos seus terceiros anos, após desempenhos similares – respectivamente: 4,3 milhões e 1,1 ponto, e 4,5 milhões e 1,2 ponto. Criada por Scott Silveri (criador de “Joey”, “Perfect Couples” e “Go On”), “Speachless” tem o diferencial de lidar com a família de um adolescente cadeirante. A atração é estrelada por Minnie Driver (“Dou-lhes Um Ano”) como Maya, uma mãe apaixonada por seu marido e os três filhos pré-adolescentes, um deles com necessidades especiais. O elenco também inclui Cedric Yarbrough (“Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor”) como o cuidador do menino, cuja presença na trama evoca imediatamente o filme francês “Intocáveis” (2011). “American Housewife” é uma criação de Sarah Dunn (roteirista da clássica “Spin City”) e gira em torno da mãe vivida por Katy Mixon (série “Mike & Molly”). Sua personagem é Katie, que também é mãe de três crianças complicadas e sofre com seu temperamento forte, enquanto tenta criar sua família normal de classe média em uma cidade rica, repleta de esposas perfeitas e filhos ideais. Única série sobre família asiática na TV americana – e a primeira com protagonistas asiáticos da TV aberta desde 1994 – , “Fresh off the Boat” vai chegar a sua 5ª temporada com a menor audiência da turma – 3,8 milhões de telespectadores e 1 ponto na demo. Criada por Nahnatchka Khan (série “Apartment 23”), a trama é inspirada no livro de memórias do chef Eddie Huang e investe no tom nostálgico, ao estilo de “Todo Mundo Odeia o Cris”, “Os Goldbergs” e “Anos Incríveis”. Passada nos anos 1990, conta como a família taiwanesa do menino Eddie se adapta ao choque cultural de morar em Orlando, na Flórida. O elenco é encabeçado por Randall Park (que estará em “Homem Formiga e a Vespa”) e Constance Wu (que estará em “Podres de Ricos”), e a produção conta com o cineasta Jake Kasdan (do fenômeno “Jumanji: Bem-Vindo à Selva”). “Black-ish” também chega na 5ª temporada, mas em meio a muitas tensões nos bastidores. Seu criador, Kenya Barris (autor dos roteiros de “Viagem das Garotas” e do novo “Shaft”), estaria ensaiando trocar a TV pelo streaming, após ter se desentendido publicamente com o canal. No mês passado, a ABC vetou a exibição de um episódio politicamente temático do “Black-ish”, citando “diferenças criativas” com Barris. “Dadas as nossas diferenças criativas, nem ABC nem eu estávamos felizes com a direção do episódio e concordamos em não colocá-lo no ar”, Barris disse na época. Além disso, a rede não tem apostado em novas criações do roteirista, tendo recusado “Libby e Malcolm”, série política que seria estrelada por Felicity Huffman e Courtney B. Vance, “Unit Zero”, que mostraria Toni Collette na CIA, além de uma comédia com Alec Baldwin, que implodiu após o ator desistir do projeto. Assistida por 4,2 milhões de telespectadores ao vivo, com 1,1 ponto na demo, “Black-ish” já foi mais popular, mas, em compensação, rende frutos para o ABC Studios, como o spin-off “Grown-ish”, exibido no canal pago Freeform – do mesmo conglomerado. A série tem seis indicações ao Emmy e Tracee Ellis Ross venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz, por sua performance como a mãe sofredora da família Johnson.
Limpa de séries: Quantico, Designated Survivor, Taken e The Brave são canceladas
As redes americanas ABC e NBC promoveram uma limpa em suas séries de ação. Cada canal cancelou um par de séries do gênero. Os cortes mais sentidos aconteceram na ABC, responsável por tirar do ar duas atrações anteriormente badaladas, que se perderam pelo caminho ao passar por reinvenções. Mais longeva das séries, “Quantico” vai acabar em sua 3ª temporada. A decisão foi tomada após a exibição de apenas três episódios do atual arco narrativo, que confirmaram o desgaste, com 2,2 milhões de telespectadores e 0,5 ponto na demo (a faixa demográfica de adultos entre 18 e 49 anos, mais relevante para os anunciantes). Cada ponto equivale a 1,3 milhão de adultos na medição da consultoria Nielsen. Vale lembrar que “Quantico” teve 4,3 milhões de telespectadores e 1,24 pontos na temporada inaugural. Contribuíram para esta queda três anos com elencos e missões diferentes, sem falar que a trama já não tinha nada a ver com o título da produção – o centro de treinamento de agentes do FBI de Quantico só apareceu nos primeiros episódios. O fim de “Designated Survivor” acontece com a conclusão da 2ª temporada, após atingir seu pior público: 3,2 milhões na quarta-passada (9/5). A série, que traz Keifer Sutherland (“24 Horas”) como presidente dos EUA, caiu de 5,8 milhões de telespectadores em seu primeiro ano para uma média 3,9 milhões e 0,72 ponto. Os produtores tentaram reverter a tendência com mudanças no elenco – entraram Kim Raver (também de “24 Horas”) e até Michael J. Fox (o eterno Marty McFly de “De Volta ao Futuro”). Mas não teve jeito. A trama criada por David Guggenheim, roteirista do filme de ação “Protegendo o Inimigo” (2011), despede-se do público na próxima quarta (16/5). Na NBC, os cortes causaram menos abalo por atingirem “Taken”, que nunca decolou, e a estreante “Valor”. Inspirada na franquia “Busca Frenética”, “Taken” era uma espécie de prólogo dos filmes estrelados por Liam Neeson, mas com muita liberdade criativa. Apesar de acompanhar a juventude do agente Bryan Mills, a trama era ambientada nos dias atuais e não nos anos 1970, como seria o caso se a idade do ator original fosse levada em conta. A atração já era considerada virtualmente cancelada, ao voltar irreconhecível após intervenção do canal, que reagiu à aprovação de apenas 32% de seu primeiro ano no site Rotten Tomatoes. Ela só chegou na 2ª temporada devido ao interesse internacional. Por se basear numa franquia conhecida, atraiu interesse de muitos mercados estrangeiros, tornando-se lucrativa para o estúdio NBCUniversal, parceiro da EuropaCorp (estúdio do filme) na produção. Mas o público do canal não aprovou as mudanças a rodo. Diante de uma sintonia de 2,7 milhões ao vivo e 0,4 ponto na demo, a NBC optou por tirar a série do ar após a exibição de 11 episódios de sua 2ª temporada. Os capítulos que restam serão despejados nos sábados, dia em que não há outras séries no ar, durante o verão americano. Já o cancelamento de “The Brave” reflete a saturação do gênero das séries de ação militar na atual safra da TV aberta dos Estados Unidos. Após o sucesso de “Six” na TV paga, as redes americanas lançaram nada menos que três atrações similares, centradas em missões perigosas realizadas por equipes de elite das forças armadas do país. “The Brave” é a segunda cancelada, após “Valor” na rede CW. Em compensação, “SEAL Team” foi renovada na rede CBS. Criada por Dean Georgaris (roteirista de “Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida”), “The Brave” destacava em seu elenco Mike Vogel (série “Under the Dome”) e Anne Heche (série “Aftermath”), e tinha o maior público entre todas as séries canceladas desta leva: 4,6 milhões ao vivo e 0,9 ponto. O último episódio foi exibido em janeiro. No Brasil, “Quantico” e “The Brave” são exibidas pelo canal pago AXN, “Designated Survivor” pela Netflix e “Taken” pela Amazon Prime.
Ascensão de Donald Trump vai virar filme
A ascensão de Donald Trump, de empresário a apresentador de reality show e finalmente a presidente dos Estados Unidos, vai virar filme. Intitulado “The Apprentice”, mesmo nome do programa que o tornou popular – “O Aprendiz”, no Brasil – o longa terá roteiro de Gabriel Sherman, jornalista da revista Vanity Fair. “Como jornalista, informei sobre Donald Trump durante mais de 15 anos”, disse Sherman no comunicado sobre o projeto. “Há muito tempo me fascinaram suas origens como jovem empresário no mundo selvagem da Nova York dos anos 1970 e 1980. Esse período formativo deixa claras muitas coisas sobre o homem que hoje ocupa o Salão Oval”, acrescentou. O filme será produzido por Amy Baer através de sua empresa de cinema, Gidden Media, responsável por “Última Viagem a Vegas” (2013) e a vindoura cinebiografia “Mary Shelley”, sobre a criadora de Frankenstein. Ainda não há diretor definido nem previsão de estreia para o longa-metragem. Este será o primeiro roteiro de Sherman, que recentemente licenciou seu livro “The Loudest Voice in the Room”, sobre o falecido fundador da Fox News, Roger Ailes, para adaptação numa série do canal pago Showtime.
Natalie Portman cria polêmica internacional ao se recusar a receber prêmio em Israel
A atriz Natalie Portman (“Aniquilação”) causou polêmica internacional ao se recusar a viajar a Israel para receber um prêmio de US$ 1 milhão. Criado em 2014, o Prêmio Gênesis homenageia pessoas notáveis ”que inspiram os outros através de sua dedicação à comunidade judaica e aos valores judaicos” e este ano seria entregue à atriz, que nasceu em Jerusalém. A atriz foi anunciada como homenageada em novembro pela organização. Mas não irá participar do evento, marcado para junho. Em um comunicado publicado em seu site, a fundação lamentou a decisão. “Eventos recentes em Israel foram extremamente perturbadores para ela, e ela não se sente à vontade para participar de qualquer evento público em Israel”, diz o texto. “A Sra. Portman é uma atriz altamente talentosa, uma ativista social comprometida e um ser humano maravilhoso. Os funcionários da Fundação gostaram de conhecê-la nos últimos seis meses, admiram sua humanidade e respeitam seu direito de discordar publicamente das políticas do governo de Israel”, elogiam os responsáveis pela premiação. “No entanto, estamos muito tristes por ela ter decidido não participar da cerimônia do Prêmio Gênesis em Jerusalém por razões políticas. Tememos que a decisão de Portman faça com que nossa iniciativa filantrópica seja politizada, algo pelo qual trabalhamos duramente nos últimos cinco anos para evitar”. Israel foi alvo de críticas internacionais nas últimas semanas por ter usado táticas letais durante confrontos com palestinos na fronteira com Gaza, nos quais 31 palestinos morreram e centenas ficaram feridos, entre eles o cinegrafista Yasser Murtaja, do premiado documentário “Human Flow”, assassinado por militares israelenses enquanto vestia um colete escrito “imprensa”. O governo de Israel diz que a ação foi uma defesa de sua fronteira. Após o anúncio do cancelamento da homenagem, um deputado do parlamento de Israel defendeu que a atriz seja privada de sua cidadania israelense, por conta de sua postura. “Portman não tem problemas em explorar suas raízes judias para promover sua carreira ou em expressar seu orgulho por fugir do serviço [militar]. E há pessoas respeitadas que acham que ela merece a honraria, chamada de ‘Prêmio Nobel Judaico’. Mas o título é ‘O Fim’: O ministro [Aryeh] Deri [Interior]deveria tirar sua cidadania israelense”, declarou Oren Hazan, do partido governista Likud, em seu Twitter, pedindo também um boicote aos filmes da artista. Diante da polêmica, ela resolveu se manifestar. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (20/4), a atriz deixou claro que seu protesto não é contra a comunidade judaica, da qual ela se orgulha de pertencer, e sim contra o atual governo do primeiro ministro Benjamin Netanyahu. “Minha decisão de não comparecer à cerimônia do Prêmio Gênesis foi descaracterizada por outros. Deixe-me falar por mim mesma. Decidi não comparecer porque não queria aparecer endossando Benjamin Netanyahu, que fará um discurso na cerimônia. Da mesma forma, eu não faço parte do movimento BDS e não o endosso” escreveu ela, referindo-se ao grupo que prega boicote e sanções contra Israel pelo tratamento dado aos palestinos e à Cisjordânia. “Como muitos israelenses e judeus ao redor do mundo, posso ser crítica da liderança em Israel sem querer boicotar toda a nação. Eu valorizo meus amigos e familiares israelenses, a comida israelense, os livros, a arte, o cinema e a dança. Israel foi criado exatamente há 70 anos como um refúgio para refugiados do Holocausto. Mas os maus tratos contra aqueles que sofrem com as atrocidades de hoje simplesmente não estão de acordo com meus valores judaicos. Porque eu me importo com Israel, eu devo protestar contra a violência, a corrupção, a desigualdade e o abuso de poder”, acrescentou.
O Mecanismo já é uma das séries mais assistidas da Netflix no Brasil
Na reunião com acionistas em que foram apresentados seus resultados fiscais para o primeiro trimestre de 2018, a Netflix trouxe várias notícias. Além da comemoração de uma receita bruta de US$ 3,6 bilhões, um crescimento de 43% na comparação com o mesmo período de 2017, com um aumento em mais de 7 milhões de assinantes em todo o mundo, o relatório revelou o resultado da controvérsia em torno da série “O Mecanismo”. Segundo o texto para o mercado financeiro, a produção do cineasta José Padilha “está no caminho para se tornar uma das séries originais da Netflix mais vistas no Brasil”. Ou seja, trata-se de um sucesso do tamanho de um “Stranger Things” ou “Demolidor” no país. Esse sucesso pode ter contado com apoio de políticos e simpatizantes do PT, que fizeram muita divulgação espontânea da série. Até o ex-presidente Lula promoveu a produção, ao discursar contra a Netflix. O timing desse barulho, dias antes da prisão do político, pode ter contribuído para o interesse do público. A popularidade da série também comprova que a campanha de protesto visando o cancelamento de assinaturas da Netflix não deu em nada. Os protestos foram motivados por uma suposta agenda política da série. Apesar de denunciar corrupção de todos os partidos, a trama doeu mais no PT devido a inclusão da frase “estancar a sangria”, dita na vida real pelo senador Romero Jucá (do MDB), mas colocada na boca do personagem que simboliza Lula na produção. Isto seria a prova incontestável da má intenção da produção segundo quem protesta – entre eles, Lula, que teve Jucá como ministro, e a ex-Presidente Dilma Rousseff, de quem Jucá foi líder no Congresso. “Vagamente inspirada” nos acontecimentos da Operação Lava Jato, a 1ª temporada da trama tem apenas oito episódios e sua continuação ainda não foi confirmada.
Teaser do documentário do Impeachment de Dilma Rousseff assume narrativa petista
Em 1987, a Folha de S. Paulo levou às TVs um comercial em que exaltava as realizações de um político anônimo, responsável por salvar a economia e restaurar o país à glória. Ao final, o vídeo revelava tratar-se de Adolf Hitler e o texto que encerrava a peça dizia: “É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”. O primeiro teaser de “O Processo”, documentário sobre o Impeachment de Dilma Rousseff, vai nesse linha, sem a menor sutileza, escolhendo a dedo discursos de políticos da extrema direita – com direito a citação ao golpe militar de 1964 – para embasar uma montagem narrativa alinhada à versão petista da História. Qual seja, que houve um golpe político no país contra um projeto democrático, e não um acerto de contas entre facções de uma quadrilha que convivia perfeitamente bem, até a polícia federal iniciar a Operação Lava-Jato. Não por acaso, políticos petistas foram simpáticos à ideia de transformar em filme sua batalha contra a deposição da presidente eleita, oferecendo acesso sem precedentes à cineasta Maria Augusta Ramos, que registrou 450 horas de material no Senado, inclusive sessões da Comissão do Impeachment e a reuniões privadas entre os senadores que atuavam como defesa da presidente, como Lindbergh Farias e Gleisi Hoffman, também investigados pela Justiça. A prévia não mostra uma vírgula sobre corrupção – o Impeachment “técnico” se deu sobre a maior fraude fiscal já realizada por um presidente brasileiro. Apenas estereotipa a luta entre esquerda e direita, nós contra eles, enfatizada pela cena de abertura, em que manifestantes adversários são contidos e separados por grades diante dos jardins do Congresso nacional. É uma tomada simbólica que sintetiza conhecidos discursos maniqueístas. Já exibido no Festival de Berlim, “O Processo” terá sua première nacional neste domingo (15/4) no festival É Tudo Verdade, em São Paulo, e tem estreia comercial marcada para o dia 15 de maio. O interessante é até o nome do evento em que acontecerá a première lembra a velha propaganda da agência W/Brasil, vencedora do Leão de Ouro no Festival de Cannes.
Imagens do Estado Novo 1937-1945 é aula de História sobre a ditadura de Getúlio Vargas
Reavaliar o período da ditadura getulista do Estado Novo, partindo de imagens, do período compreendido entre 1937 e 1945, é um desafio que Eduardo Escorel encarou com sucesso, em seu documentário, concluído em 2016. “Imagens do Estado Novo 1937-1945” recolheu uma infinidade de material, entre eles, filmes, tanto oficiais quanto particulares, que registram esse período histórico conturbado do Brasil, quase todo ocorrendo em meio à 2ª Guerra Mundial. O problema é que os filmes disponíveis são os do cinejornais (brasileiros e estrangeiros), documentários oficiais, registros de eventos, festas e outras solenidades que, evidentemente, faziam propaganda, escondendo todas as mazelas, excluindo todas as notícias negativas. E, na época, o tom era muito laudatório e havia forte censura do chamado DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda, de inspiração nazifascista. Os vídeos pessoais ou familiares permitem observar comportamentos, roupas, ruas, transportes, a cara e o jeito das cidades, especialmente do Rio, capital do país, e das pessoas comuns. E, por outro lado, como se comportavam as multidões que acompanhavam e aplaudiam Getúlio Vargas pelas ruas, nos grandes eventos. Tudo isso, por si só, já tem uma importância história admirável e é apresentado em longos 227 minutos. Inclui, também, trechos de filmes, como “O Grande Ditador”, de Chaplin, filmagens relativas à guerra mundial e a suas negociações, além de filmes sobre os pracinhas brasileiros. Percebe-se a vastidão da aula de história que isso comporta. Eduardo Escorel escreveu a narrativa dessa história, que é ilustrada pelas imagens, mas vai além dela, faz a crítica histórica e política, revelando o outro lado das imagens e o que não está nelas. Muitas vezes, o texto se descola das imagens, não tem ilustração possível ou está tratando do macro, enquanto a imagem mostra o micro. Ou o oficial e o oficioso, o que não aparece, nem pode aparecer. O documentário faz esse trabalho ao longo de todo o tempo, não há entrevistas, comentários, análises feitas por historiadores, políticos ou especialistas. Há uma narração constante, articulada, que toma posição, mas dentro dos limites do bom jornalismo, que dá preponderância total aos fatos. Inclui, ainda, registros em diário, que o próprio Getúlio Vargas fez durante grande parte desse período. O ditador que ficou também conhecido como o “pai dos pobres” realizou um governo ambíguo, de clara inspiração fascista, nacionalista, mas gerando aqui o chamado trabalhismo, que criou e ampliou direitos, como os da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que duraram todo esse tempo, até serem alvejados pela reforma trabalhista do governo atual, de Michel Temer, o mais impopular da história do país. Getúlio Vargas, ao contrário, era extremamente popular, seus discursos alcançavam o povo e incomodavam segmentos da elite. Depois de flertar com os regimes nazista e fascista, de Hitler e Mussolini, a opção pelos Estados Unidos colocou o Brasil no lado certo do conflito mundial e trouxe vantagens pragmáticas. As circunstâncias que envolveram as negociações da guerra foram benéficas para a industrialização do país. Só que democracia e liberdade não combinavam com o regime do Estado Novo, que não resistiu à própria vitória na guerra. Enfim, contradições monumentais e circunstanciais, semelhantes àquelas que o documentário “Imagens do Estado Novo 1937-1945” teve de lidar para extrair dos filmes oficiais a sua sombra, em busca de uma narrativa crítica, capaz de informar e produzir reflexão. A longa duração do filme recomenda sua fruição em duas ou mais partes, para melhor aproveitamento do trabalho que é apresentado, denso e fortemente informativo. É possível assisti-lo integralmente, ou em duas partes, no cinema e há a promessa de exibição na TV, em canais como o Curta! e TV Cultura. Esse filme foi lançado no festival “É Tudo Verdade”, de 2016. A nova edição desse festival internacional de documentários, a 23ª., de 2018, está atualmente em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Intérprete do vilão de O Mecanismo apoia Lula e acha prisão “um absurdo”
O ator Enrique Diaz, que interpreta um doleiro inspirado em Alberto Youssef na série “O Mecanismo”, da Netflix, disse que não concorda com a abordagem dada pelo diretor José Padilha a alguns trechos da série. “Para mim é complexo falar, porque sou totalmente de esquerda e humanista. É muito delicado”, afirmou o ator, em entrevista ao portal UOL, sobre as decisões polêmicas da série, como atribuir ao personagem inspirado em Lula a frase “estancar a sangria”, dita por seu ex-ministro Romero Jucá em 2016, numa alusão à manobras para barrar a Operação Lava-Jato. Definindo-se como esquerdista, ele se assume apoiador de Lula e diz que a prisão do ex-presidente por corrupção, após julgamento em duas instâncias, foi um absurdo. “Acho a prisão do Lula um absurdo. A gente tem que lutar para mudar isso porque está vindo uma coisa horrível em cima do país. Acho que a série não ajuda nesse sentido, mas aí é um discurso do Padilha. E não sou eu, não assino por aquilo”, disse o ator ao UOL. Questionado porque, então, fez a série do cineasta José Padilha, Enrique Diaz citou a qualidade do elenco e da produção, e que diferencia o lado pessoal do profissional. As declarações foram feitas durante o lançamento da nova novela (que a Globo chama de supersérie) “Onde Nascem os Fortes” nesta semana, em Lajedo do Pai Mateus, no Sertão da Paraíba. Segunda série brasileira da Netflix, após a sci-fi “3%”, “O Mecanismo” se tornou o programa mais falado do país em 2018, graças aos protestos de militantes petistas. O próprio Lula ameaçou processar a Netflix por causa da série, antes de ser preso, alimentando ainda mais a curiosidade do público. Caso a série seja renovada, ela deve mostrar a prisão de Lula.
O Doutrinador: Filme do super-herói brasileiro que combate a corrupção ganha primeiro teaser
A Downtown Filmes divulgou o primeiro teaser de “O Doutrinador”, filme de super-herói brasileiro. A prévia mostra o vigilante mascarado entre protestos, repressão policial e caçando políticos e empresários corruptos, que carregam malas de dinheiro. Este teaser será exibidos nos cinemas antes do filme “Vingadores: Guerra Infinita”, no final de abril. Vivido pelo ator Kiko Pissolato (“Os Dez Mandamentos”), o Doutrinador é inspirado nos quadrinhos do Batman de Frank Miller e já rendeu duas graphic novels. Originalmente concebido em 2008, os quadrinhos originais ficaram na gaveta de Luciano Costa até 2013, quando ele resolveu publicar as primeiras páginas em seu Facebook. Três meses depois, explodiram as manifestações de protesto no país e o Doutrinador virou cult, ao encarnar, ainda que de forma extrema, a indignação com o panorama político e a revolta contra “tudo o que está aí”. A adaptação tem tudo para ser polêmica, já que o personagem divide opiniões. Há quem o considere fascista e outros que o enxerguem como manifestação da anarquia. Agente da polícia federal, Miguel virou justiceiro por não aguentar mais tanta impunidade. Revoltado com o sistema e com sede de vingança por uma tragédia pessoal, ele não mede esforços para eliminar políticos, donos de empreiteiras, dirigentes do futebol e até líderes religiosos, matando corruptos de todos os matizes. Com roteiro a cargo do ator Gabriel Wainer (visto na novela “Passione”), reescrito por mais cinco nomes, e direção de Gustavo Bonafé (do vindouro “Legalize Já!”, cinebiografia da banda Planet Hemp) e Fabio Mendonça (“A Noite da Virada”), o filme ainda inclui no elenco Eduardo Moscovis, Marília Gabriela, Helena Ranaldi, Tainá Medina, Carlos Betão, Samuel de Assis e Tuca Andrada, entre outros. A estreia está prevista para setembro, em plena campanha presidencial, mas a história vai continuar numa série em 2019, que será exibida no canal pago Space.
José Padilha quer filmar história da pior obra da corrupção brasileira: a usina de Belo Monte
Depois de causar polêmica com a série “O Mecanismo” pela Netflix, José Padilha já planeja abordar outra história controversa do Brasil recente: a construção da usina de Belo Monte. “Eu me interesso em falar sobre o que aconteceu em Belo Monte. Eu me interesso porque é uma mistura de corrupção com um profundo descaso ambiental e antropológico. É um crime que tem muitas dimensões. Eu me interesso e estou estudando para fazer talvez um filme”, disse o cineasta durante entrevista ao programa “Conversa com Bial”, exibido na noite de segunda-feira (9/4) na rede Globo. Conhecido por falar abertamente sobre política, Padilha disse que o Brasil “é um país maravilhoso”, mas com “uma história atribulada”. “O Brasil tem um monte de gente boa, um monte de gente talentosa. Não são os recursos naturais porque, o que tem lá no Japão? O japonês! E dá certo, não é? Então são as pessoas. E o Brasil tem as pessoas. O problema é que o Brasil tem uma história atribulada. Saiu de uma ditadura para uma democracia que se instaurou um pouco como farsa. A democracia no Brasil, se você compra a minha tese e a do ‘Mecanismo’, é um método de desapropriação. Você unge o desapropriador pelo voto popular, mas ele foi eleito com dinheiro de caixa 2, desviado do seu bolso e roubado de você”. E essa corrupção incrustada na política, argumenta o cineasta, tem consequências perigosas. “Uma pessoa honesta vai pensar 100 vezes antes de entrar na política, porque ela não vai se dispor a fazer o que precisa ser feito para se eleger. Cargo público no Brasil é quase certidão de corrupção. Tem alguns políticos… por exemplo Marcelo Freixo é um político honesto, eu conheço. Tem políticos honestos, mas eles são a minoria”. Na entrevista, Padilha também afirmou que é difícil fazer cinema no Brasil e alfinetou os “jornalistas de direita” que criticam cineastas por usar recursos públicos – como os provenientes da Lei do Audiovisual – para suas obras. “Tem essa ideia no Brasil de que o cineasta ‘mama nas tetas do governo’. É um pedaço dessa cegueira ideológica que a gente tem no Brasil. Os jornalistas de direita adoram falar mal dos cineastas que são formadores de opinião, normalmente de esquerda. Então eles vão lá e falam ‘você está recebendo dinheiro de Lei Rounaet, Lei do Audiovisual, e isso é uma moleza. Não é uma moleza” “É difícil fazer cinema, é apertadíssimo o orçamento”, completou. “Ninguém ganha dinheiro e, para terminar, o incentivo no Brasil é muito menor que nos outros países. É menor do que o incentivo nos Estados Unidos. ‘Robocop’ tinha um orçamento de US$ 120 milhões, e US$ 35 milhões eram de incentivo. A direita brasileira não sabe o que está falando, é só pra espezinhar”.
Projetos de séries sobre o escândalo sexual do presidente Bill Clinton são cancelados nos EUA
Dois projetos de séries envolvendo o escândalo sexual do ex-presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinsky foram arquivados nos Estados Unidos: a minissérie “The Breach”, no canal History, e a adaptação do caso na série de antologia “American Crime Story”, do canal FX. “The Breach” deveria ser a primeira parte de uma nova série de antologia, “The Commanders” que dramatizaria “momentos cruciais da história dos EUA, que definiram o legado dos homens que serviram como presidentes dos Estados Unidos – do primeiro, George Washington, ao 42º, Bill Clinton”, segundo comunicado. As outras séries limitadas, sobre presidentes americanos como Ronald Reagan, Franklin Delano Roosevelt, Theodore Roosevelt e Thomas Jefferson, continuam em desenvolvimento. O capítulo de Clinton tinha sido anunciado como um thriller político focado no escândalo criado em torno da revelação de que o presidente estava tendo um caso com Monica Lewinsky, estagiária da Casa Branca. A produção seria baseada no livro “The Breach: Inside the Impeachment and Trial of William Jefferson Clinton” em que Peter Baker, jornalista do jornal Washington Post, afirma que o presidente quase renunciou no ápice do escândalo. Já a versão de “American Crime Story” estava sendo planejada para o quarto ano da atração, que acaba de encerrar sua 2ª temporada. A Fox 21 Television Studios e a FX Productions, parceiras do produtor Ryan Murphy no projeto, compraram os direitos de adaptação do livro “A Vast Conspiracy: The Real Sex Scandal That Nearly Brought Down a President”, de Jeffrey Toobin, mesmo autor do livro “The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson”, que inspirou a bem-sucedida 1ª temporada da série. Segundo o site The Hollywood Reporter, Murphy já estava trabalhando em ritmo acelerado na pré-produção, buscando atrizes para interpretar Monica Lewinsky e sua colega Linda Tripp, responsável por gravar secretamente as conversas da ex-estagiária com Bill Clinton. Mas, de repente, mudou de ideia, e informou a decisão em primeira mão a Monica Lewinsky, que encontrou em uma festa de Hollywood. “Eu disse para ela: ‘Ninguém deveria contar a sua história a não ser você, e é nojento se o fizerem. Se você quiser produzir comigo, eu adoraria, mas você deve ser a produtora e ganhar todo o dinheiro”, revelou o criador de “Glee” e “American Horror Story”, em entrevista ao THR. A 3ª temporada de “American Crime Story” vai girar em torno da tragédia do furacão Katrina e, no momento, não há mais nenhum tema definido para o quarto ano da atração.
Netflix volta a enfrentar campanha de boicote e cancelamento devido a uma série
“O Mecanismo” não é a única série da Netflix que causa polarização. A plataforma está enfrentado fortes protestos no Oriente Médio por conta de uma produção israelense. “Fauda” é uma atração de suspense produzida em Israel e ambientada na Cisjordânia, que acompanha um agente secreto israelense que sai da aposentadoria para caçar um militante palestino. A série possui diálogos tanto em hebraico quanto em árabe e foi transmitida pela primeira vez na TV israelense em 2015. Ela chegou na Netflix em dezembro de 2016 e, como fez sucesso, ganhou apoio do serviço de streaming para produzir uma 2ª temporada, prevista para maio. Assim como aconteceu com “O Mecanismo”, árabes e palestinos iniciaram uma campanha de boicote ao serviço de streaming. O movimento BDS (abreviatura de Boicote, Desinvestimentos e Sanções), fundado em 2005 para promover um boicote cultural global contra Israel, pressiona a Netflix a “cancelar ‘Fauda'”, dizendo que a série “glorifica os crimes de guerra do Exército de Israel contra o povo palestino”. Diante dessa pressão política, mais de 50 executivos de Hollywood se juntaram para expressar apoio à Netflix. Em uma carta endereçada ao chefe de conteúdo da plataforma, Ted Sarandos, executivos de gravadoras, estúdios de cinema, executivos de games e agentes de talentos de Hollywood chamaram a ação do BDS de uma “flagrante tentativa de censura artística”. Entre os signatários estão a chefe-executiva da Universal Music Publishing Group, Jody Gerson, o presidente da Geffen Records, Neil Jacobson, e Steve Schnur, executivo da desenvolvedora de games Electronic Arts.












