Bolsonaro volta a manifestar vontade de acabar com a Ancine
O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que vai extinguir a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Desde a semana passada, ele vem fazendo críticas e afirmando que planeja acabar com o órgão se não pudesse impor um “filtro” na aprovação de projetos de cinema e TV. Depois de atacar reiteradamente “Bruna Surfistinha”, que assumiu não ter visto, Bolsonaro encontrou nesta quinta (25/7) novo motivo para criticar a agência: a aprovação de verbas para um documentário sobre sua eleição. “Recentemente tomei conhecimento sobre a liberação para captação de R$ 530 mil via Ancine para produção de um filme sobre minha campanha nas eleições. Por coerência sugeri que voltassem atrás nessa questão. Não concordamos com o uso de dinheiro público também para estes fins”, ele escreveu no Twitter. E em seguida acrescentou: “Outrossim, estamos trabalhando para viabilizar uma reformulação ou extinção da Ancine”. Bolsonaro reforçou a crítica em outra rede social, durante uma transmissão ao vivo no Facebook. “Depois desse anúncio de fazer um filme sobre a minha pessoa, a Ancine ganhou mais um FO positivo, Fato Observado positivo. Vamos buscar a extinção da Ancine. Não tem nada que o poder público tenha que se meter em fazer filme. Que tenha uma empresa privada, sem problema nenhum. Mas o Estado vai deixar de patrocinar isso daí”, disse. Ele também repetiu um comentário pejorativo sobre a produção cinematográfica nacional, dizendo que não iria “citar nomes de filmes produzidos pela Ancine”, porque havia crianças assistindo sua live pelo Facebook. Criancinhas podem ler os títulos aqui. Os filmes brasileiros lançados desde que Bolsonaro virou presidente são, descontando documentários: “Temporada”, “Boi de Lágrimas”, “Eu Sou Mais Eu”, “O Galã”, “Tito e os Pássaros”, “A Pedra da Serpente”, “Minha Fama de Mau”, “Homem Livre”, “Sai de Baixo – O Filme”, “Cinderela Pop”, “Tá Rindo de Quê?”, “Diários de Classe”, “O Último Trago”, “Albatroz”, “Mal Nosso”, “Sobre Rodas”, “Alaska”, “Chorar de Rir”, “Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral”, “Jorginho Guinle – $ó se Vive uma Vez”, “Bio – Construindo uma Vida”, “De Pernas pro Ar 3”, “Horácio”, “Organismo”, “Borrasca”, “A Sombra do Pai”, “B.O.”, “Mormaço”, “A Quarta Parede”, “45 Dias sem Você”, “Kardec”, “Inferninho”, “Histórias Estranhas”, “Dias Vazios”, “Beatriz”, “Deslembro”, “Blitz”, “Divino Amor”, “O Olho e a Faca”, “Turma da Mônica – Laços” e, nesta semana, “A Serpente”. O filme sobre a eleição do presidente, por sua vez, chama-se “Nem Tudo se Desfaz” e seria realizado por José Teófilo, diretor de “O Jardim das Aflições”, sobre o guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho. A produção teve autorização da agência para captar R$ 530 mil, conforme publicação no Diário Oficial da União, em 31 de maio. “Não queremos filmes de políticos com dinheiro público. O poder público não deve se meter a fazer filme. O Estado vai deixar de patrocinar”, disse Bolsonaro. Aproveitando o assunto, ele voltou a criticar a liberação de recursos federais para a elaboração do filme “Bruna Surfistinha” e disse que buscará a “extinção da Ancine”. “Não tem filme nem com a Bruna Surfistinha nem com Jair Bolsonaro”, afirmou. Atualmente, a principal fonte do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), sob controle da Ancine, é a arrecadação do Condecine e da Fistel, taxas pagas pelas próprias empresas que atuam no segmento. Ou seja, não se trata de recursos oriundos de orçamento federal. Esse dinheiro não é do governo, ele é arrecadado junto ao setor privado com uma destinação específica para o audiovisual. O governo não pode realocá-lo em outro lugar. É preciso explicar didaticamente, porque o presidente e seus seguidores nas redes sociais demonstram não entender como o financiamento funciona. De todo modo, a ameaça de extinção da Ancine integra um projeto anti-cultural bem articulado, que começou com a extinção do Ministério da Cultura e seguiu com a proibição de patrocínio de estatais a eventos culturais, imposição de limites mais restritos aos tetos de projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet), a exclusão de representantes do mercado e da sociedade civil do CSN (Conselho Superior de Cinema), a mudança do CSC para a pasta da Casa Civil, o fim de apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros, e outras iniciativas similares. Bolsonaro também não assinou o decreto da Cota de Tela, que estipula um determinado número de dias obrigatórios para que os cinemas exibam filmes brasileiros, que deveria ter sido publicado em janeiro, não escolheu os nomes do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que decide como alocar os recursos arrecadados pelas taxas do mercado, e não nomeou um dos nomes que preencheria uma vaga aberta na diretoria da Ancine desde a renúncia de Mariana Ribas no começo do ano.
Diretor de O Jardim das Aflições prepara documentário sobre Bolsonaro
O cineasta Josias Teófilo, diretor de “O Jardim das Aflições”, sobre o guru da direita brasileira Olavo de Carvalho, prepara um novo documentário, desta vez sobre o discípulo mais bem-sucedido do Homem de Virgínia. Intitulado “Nem Tudo se Desfaz”, o filme é descrito como um “documentário ensaístico sobre os desdobramentos políticos das Jornadas de Junho de 2013 que culminaram na eleição de Jair Bolsonaro”. A produção foi autorizada a captar R$ 530 mil para sua produção, pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), via Lei do Audiovisual (Fomento Indireto). Josias Teófilo deu mais detalhes sobre o projeto nas redes sociais. “O meu filme, ‘Nem Tudo se Desfaz’, não é sobre Bolsonaro, mas sobre as causas da eleição de Bolsonaro, que, na narrativa do filme, remontam a 2013. E nunca ouvi falar que a Lei do Audiovisual seja exclusiva para esquerdistas”, escreveu. “Observe que para fazer um filme sobre a eleição de Bolsonaro, como eu estou fazendo, não é preciso fazer nenhum julgamento de valor sobre o próprio Bolsonaro. Só que a esquerda não vai aceitar jamais que se mostre no cinema o movimento popular que levou à queda de Dilma, por exemplo”, complementou. O comentário reflete ao fato de que políticos ligados ao PT e ao PSOL já se manifestaram em protestos. Na verdade, “Nem Tudo se Desfaz” oferece, no mínimo, o outro lado da moeda, na contínua guerra cultural de narrativas, que virou a produção de documentários no Brasil. Após os “filmes do golpe”, chega a vez do “filme do mito”.
Vazamento de diálogos privados de Sergio Moro vai virar filme
O depoimento de Glenn Greenwald no Senado Federal, que aconteceu na quinta-feira (11/7), foi acompanhado por cinegrafistas estrangeiros com equipamentos cinematográficos, que registraram imagens da audiência pública. Uma produtora confirmou à imprensa brasileira que estava trabalhando em uma produção independente iniciada havia pouco tempo. Ao fim da reunião, o próprio Glenn confirmou a informação ao blog Entre Quatro Poderes. “Sim. Estamos trabalhando nisso. Por enquanto, estamos só registrando algumas imagens e depois veremos como aproveitá-las.” O longa seguiria o modelo de “Democracia em Vertigem”, documentário impressionista de Petra Costa, que reflete a narrativa petista da história recente do Brasil. Por sinal, Greenwald foi um dos nomes que a diretora agradeceu nos créditos de seu documentário. A nova obra seria focada na divulgação dos diálogos privados entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol, capturados do aplicativo Telegram, e faria uma crítica à Operação Lava Jato. Será a segunda vez que uma reportagem de Greenwald vira filme. Seu trabalho na divulgação do programa secreto americano de vigilância da internet virou “Cidadãoquatro” (2014), vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2015. Na ocasião, o vazamento de informações tinha nome e sobrenome: Edward Snowden, ex-agente da NSA que denunciou e entregou material sigiloso para as reportagens. Desta vez, porém, a fonte de Greenwald é misteriosa e apenas se especula sua verdadeira motivação. Neste sentido, o filme poderia revelar muito, caso não se configure em material partidário. O tema parece sob medida para a cineasta americana Laura Poitras, diretora de “Cidadãoquatro” e também de “Risk” (2016), que igualmente aborda vazamentos de informações sigilosas, via WikiLeaks.
José de Abreu é condenado por difamação em ação do hospital Albert Einstein
O ator José de Abreu foi condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais ao hospital Albert Einstein. Em janeiro, ele fez uma postagem no Twitter acusando a instituição de ter apoiado o atentado contra o então candidato e hoje presidente Jair Bolsonaro. “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o fascista matador e corruptor Bibi [Netanyahu, primeiro-ministro de Israel]”, escreveu o ator. “A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*”, finalizou. O tuíte foi postado no dia da posse de Bolsonaro como presidente e apagado minutos depois. Na ocasião, o hospital soltou uma nota afirmando que a acusação era “grave, insultuosa e infundada”. E dizia ainda que ia tomar medidas judiciais contra o ator para “zelar por seu compromisso com a sociedade brasileira”. No processo, o ator foi acusado de difamação, ofensa e antissemitismo e, segundo informações do UOL, chamado de “alguém carente de discernimento, um deficiente mental, para usar a terminologia da lei civil”. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Abreu prometeu recorrer da sentença “até o Supremo Tribunal Federal”, em nome da liberdade de expressão. “A ideia da sentença é provocar uma auto-censura? Onde fica e quem decide o limite da minha liberdade?”, disse. Ele afirma que é judeu e não pode ser acusado de antissemitismo. Diz também que sua mensagem ficou no ar por um curto espaço de tempo. “Provamos que o escândalo que os advogados do hospital fizeram deram muito mais audiência que o meu post, que logo apaguei”, afirma.
Democracia em Vertigem reflete impasses do cinema militante no Brasil
Lamento profundamente discordar da grande onda de encantamento e comoção em torno de “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, mas gostaria de propor uma reflexão sobre porque esse filme me pareceu tão insatisfatório. Gostaria de começar lançando uma pergunta: a quem esse filme se destina? Petra tem como objetivo promover uma análise panorâmica sobre as transformações políticas de nosso país. Como um país que guiava em direção à democracia, enfrentou, em tão pouco tempo, uma descontinuidade abrupta, a ponto de a diretora considerar que a democracia foi na verdade “um sonho efêmero”? A base dessa pergunta já revela os pressupostos políticos da realizadora. A questão não é propriamente “de que lado ela (ou o filme) está” mas quais os métodos utilizados pelo filme para dar forma ao seu discurso. E o que o desenvolvimento desse discurso provoca como reflexão sobre o curso de nosso país. Pois bem: a partir dessa ambição panorâmica a nível macro, Petra adiciona um elemento típico de sua filmografia – uma análise pessoal, como uma espécie de documentário em primeira pessoa. Contemplar a presença da morte, do fracasso ou da culpa já estava presente no seu anterior “Elena” (2012). O desafio de “Democracia” é então articular o drama familiar individual em primeira pessoa com a observação macro dos rumos políticos do país. Na dimensão individual, Petra lança alguns elementos. O principal deles é a sua própria voz-over, que se afasta das imponentes “vozes-de-deus” em tom “branco” e preenche a camada sonora com um perfil humano comum. O segundo é a reflexão sobre o choque de perspectivas entre seus pais, antigos militantes de esquerda (sua mãe chegou a ser presa no mesmo local de Dilma), e a tradição de seus avós, ricos empresários da Andrade Gutierrez, uma das empresas denunciadas na Lava Jato. Petra então é herdeira direta desses dois grupos opostos que fracassaram – os militantes de esquerda e a elite empresarial brasileira. No entanto, os impasses dessa filiação não são aprofundados de fato pela realizadora. “Democracia em Vertigem” não é uma reflexão sobre a posição de classe da realizadora ou sobre o fracasso de uma geração, aos moldes de filmes que trabalham as fissuras da linguagem documental, aprofundando e complexificando suas cicatrizes, como “Os Dias com Ele” (2012), de Maria Clara Escobar, um duro acerto de contas da própria realizadora com seu pai, ou mesmo “Santiago” (2007) e “No Intenso Agora” (2017), de João Moreira Salles. A inclusão do elemento familiar ou íntimo acaba servindo na verdade como mero entremeio para a principal função do filme: a construção de uma narrativa sobre as transformações do regime político brasileiro, ou ainda, a perda de legitimação do Partido dos Trabalhadores e a ruptura da tradição democrática. A forma como Petra constrói essa narrativa macropolítica articula as imagens de arquivo com a própria narração de Petra, que, por boa parte do filme, meramente ilustra e costura o que as imagens em si não conseguem propor. Assim, a voz-over, mais do que investir no documentário em primeira pessoa, funciona como alicerce para a corroboração da construção de uma narrativa (um discurso) sobre o país. É ela quem no fundo apresenta o que é o filme. A forma didática e linear, com relações de causa-e-efeito forçadas, sem grandes sutilezas, desvela uma narrativa sem grandes novidades em relação ao discurso hegemônico da esquerda. São raros os momentos em que o filme procura inserir camadas de cinza ou questionamentos sobre algumas contradições e paradoxos internos do PT. São raros os momentos em que o filme reflete sobre a própria produção dessas imagens, sobre suas lacunas ou fissuras. Um deles, notável exceção, ocorre durante a posse de Dilma, quando Lula, Dilma e Marisa descem a rampa do Planalto, com a companhia de Temer. Nesse momento, o filme promove uma leitura dessa imagem como um certo prenúncio do impeachment, visto o nítido isolamento de Temer em relação aos outros três corpos. Em outro deles, Dilma confidencia a Lula, no momento imediatamente após a confirmação do resultado da sua primeira eleição como presidente: “você que inventou essa”. Nesses momentos, parece que o filme escapa de sua vocação apriorística e se abre para as dobras e os paradoxos das imagens. São momentos em que o filme se liberta da necessidade de corroborar um discurso e mergulha em simplesmente olhar para as imagens e tentar entender o que elas dizem, suas camadas e hiatos. Sinto falta no filme de Petra que ela realmente olhe para as imagens, antes de manuseá-las como função no interior da narrativa. Ou seja, as imagens parecem que estão aprisionadas diante do discurso prévio da realizadora. Petra lida com essas imagens sem deixá-las respirar ou falar por si mesmas, mas as mostra apenas se servem como testemunha ou elemento de acusação, ou ainda como mera peça de uma grande tapeçaria, como se realizasse uma narrativa típica do cinema clássico, mas com imagens que não lhe pertencem. O que sobrevive do filme de Petra não é sua narrativa de costura forçada, em grande máquina industrial, simulando um look semicaseiro, mas os pequenos momentos em que as imagens, sorrateiras e traiçoeiras, se libertam do arremedo totalizante da realizadora e se deixam revelar em suas bordas e lacunas. Mas aqui volto a pergunta inicial: a quem o filme se destina? Pela exposição minuciosa dos grandes temas já exaustivamente apresentados pela grande imprensa, como um grande resumo jornalístico, sem apresentar grandes novidades ou reflexões mais aprofundadas, me parece que o filme se destina primordialmente para um público que não tem muita intimidade com o desenrolar dos fatos, especialmente para o público estrangeiro. Ainda mais pelo fato de o filme ser produzido e distribuído mundialmente pela Netflix, a suspeita se reforça. Alguns poderiam estranhar o fato de uma empresa internacional – que se movimenta para aprovar a regulação do VOD no país, ainda em suspenso, favoravelmente a seus interesses comerciais, inclusive articulando sua inclusão no Conselho Superior de Cinema – produzir um filme com um discurso claramente oposto ao governo no poder. Mas “Democracia em Vertigem” é o outro lado de “O Mecanismo” – série de José Padilha que causou polêmica ao tratar, por meio da ficção, os acontecimentos da Lava Jato de forma um tanto caricata e irresponsável, como um mero thriller policial. É o avesso que confirma a regra, já que, no fundo, o que a empresa busca, para além de sua inclinação ideológica, é a realização de produtos que gerem dinheiro. E o valor, no mundo do capitalismo cognitivo, está diretamente relacionado com o quanto de buzz o filme consegue movimentar nas mídias, nas redes sociais, de uma classe média pronta para consumir esses produtos. Ou seja, a ideologia do capital é o próprio capital. Pois se a democracia está em vertigem, em crise ou em risco, “Democracia em Vertigem” nunca se põe verdadeiramente em risco, nunca provoca de fato o espectador para as contradições de seu momento histórico ou para o papel e a função das imagens. Meramente ilustrativo sobre um discurso firmemente sustentado a priori, descrito pela narração em over, “Democracia” arrola um conjunto de tautologias, repetindo para o público de esquerda os mantras já fartamente conhecidos por ele. Concluo então pensando como pode ser o cinema político. No mundo de grandes dualismos em que vivemos, a política no cinema não deve ser dissociada da questão da liberdade. O fracasso de “Democracia em Vertigem” é que o projeto tautológico da realizadora raramente estimula que o espectador veja o mundo com seus próprios olhos. Guiando-o pelas mãos a partir de uma identificação com a própria posição da realizadora, o público (de esquerda) de “Democracia em Vertigem” passeia pela narrativa confortavelmente, como se estivesse descorporificado, com se flanasse pelas belas imagens de Brasília a bordo de um dos drones que sobrevoam a paisagem. Há aqueles que criticam a posição de Petra analisando as contradições de seu “lugar de fala”, que exacerba sua leitura classista dos acontecimentos – ou seja, a diretora, mesmo filha de militantes, permanece seguramente ancorada no seu lugar de privilégio. Mas nem recorro a esse ponto. Para além da falta de coerência entre a articulação entre o íntimo e o coletivo, destinada aos brasileiros e estrangeiros da “esquerda do Netflix”, o grande problema de “Democracia” está na superficialidade de sua visão de país. Problema que também perpassa, ou atravessa, um elemento crucial, tipicamente cinematográfico: sua falta de ousadia, sua incapacidade de sonhar, sua atrofia em imaginar aquilo que as imagens e os discursos prontos não respondem de supetão. No fundo, a tautologia de “Democracia em Vertigem”, ao construir uma narrativa fechada dos vilões que surrupiaram o poder, reflete a falta de um projeto político-estético para o cinema de esquerda do país de hoje – ou ainda, os impasses de certo cinema militante hoje no país. Por isso, o que me espanta não é propriamente o filme realizado por Petra mas especialmente a recepção – rápida e instantânea – que o filme atingiu num certo público – em especial cineastas e artistas de esquerda. Uma adesão instantânea que bloqueia os paradoxos do discurso apresentado pelo filme. Uma reação que me parece refletir um certo “desespero”, como se esse filme fosse uma âncora, bússola ou mapa, para mostrar à sociedade que é preciso acreditar nessa narrativa para que possamos sobreviver à loucura ou à tormenta. Mais interessante que o filme tem sido acompanhar a recepção de “Democracia em Vertigem”. A comoção em torno do filme acaba evidenciando a profunda falta de perspectivas e a crise de pensamento da hegemonia da esquerda brasileira. Se quisermos virar o jogo, precisamos de narrativas melhores.
In-Edit protesta contra decreto de liberação de armas em vídeo oficial do festival
O vídeo que divulga o In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical que começa na quarta (12/6) em São Paulo, traz um mensagem embutida contra o Projeto de Decreto n° 9785, de 2019, que facilita a venda de armas de fogo para a população brasileira. A peça traz imagens de quatro músicos que perderam suas vidas após receberem tiros: Sabotage, MC Daleste, Speedfreaks e Evaldo Rosa. Eles aparecem em meio de imagens de munição, com os rostos formados por uma montagem de balas. Sabotage foi morto por quatro tiros, em São Paulo, em janeiro de 2003, aos 29 anos, após provocar uma revolução no rap nacional com seu primeiro álbum solo, “Rap é Compromisso”, além de ter atuado nos filmes “Carandiru” e “O Invasor”. MC Daleste foi morto durante uma apresentação, em Paulínia, em 2013, aos 20 anos. Um dos precursores do funk paulista, ajudou a popularizar o gênero com canções como “Angra dos Reis”, “Água na Boca” e “Mina de Vermelho”. Speedfreaks foi encontrado em um valão, com marcas de tiros, em Niterói, em 2010, aos 36 anos. Considerado um dos pioneiros do hip-hop no Rio de Janeiro, gravou com Black Alien, Planet Hemp, Fernanda Abreu e Marcelo D2, entre outros, e teve canções remixadas por artistas como Afrika Bambaataa e Fat Boy Slim. Evaldo Rosa teve o carro alvejado por mais de 200 tiros, dados por militares do Exército, em frente ao quartel de Guadalupe, no Rio de Janeiro, quando passeava com sua família em abril passado, aos 51 anos. Era cavaquinista no grupo de pagode Remelexo da Cor. Todos eles deixaram um vazio enorme em suas famílias e no mundo artístico. Com esta ação, o In-Edit Brasil pretende convidar a sociedade a refletir melhor sobre o decreto e também se posicionar em pesquisa do Portal e-Cidadania do Senado Federal – este é o link para para dar sua opinião. Veja o vídeo abaixo.
O Mecanismo: José Padilha revê papel de Moro e diz preparar “algo sobre Bolsonaro”
“O Mecanismo” ainda não foi renovada para a 3ª temporada. Mas seu mentor e produtor, o cineasta José Padilha, já sabe o que os próximos capítulos da série devem contar. Ele pretende incluir o conteúdo da reportagem do site The Intercept, que revelou conversas vazadas do aplicativo Telegram entre o ex-juiz Sergio Moro e os integrantes da Lava-Jato. Em entrevista à BBC News Brasil, Padilha disse que “cometeu um erro de julgamento” sobre Moro, que inspira o personagem do juiz Paulo Rigo (vivido por Otto Jr) em “O Mecanismo”. O cineasta afirmou não ter dúvidas de que o juiz “cometeu um monte de erros”, já que a atitude de Moro de “ajudar a acusação” é “claramente estúpida” porque “juízes devem ser neutros” e porque “as evidências eram muito claras”. Para ele, a operação Lava Jato se revelou “um embate entre um juiz e alguns procuradores justiceiros e uma quadrilha de políticos corruptos”. Isto já estava começando a aparecer na série da Netflix, segundo o diretor. “‘O Mecanismo’ mostra, não via mensagens de celular, mas via reuniões entre os membros da Lava Jato, que Moro, a PF [Polícia Federal] e os procuradores tinham uma relação muito íntima e que debatiam, sim, a melhor maneira de encaminhar as acusações contra os réus. Isto está explícito na 1ª e na 2ª temporadas. A diferença é que, nas nossas cenas, a iniciativa nunca era de Moro. Era sempre dos procuradores. Agora, parece que Moro tomou a iniciativa de ‘ajudar’ a acusação… Uma atitude antiética e claramente estúpida. Primeiro, porque juízes precisam ser neutros. Segundo, porque as evidências eram muito claras. Ao se arvorar para além das suas funções, Moro pode terminar ‘soltando’ políticos que, claramente, depenaram o país em conluio com grandes bancos e construtoras.” Ele acrescenta que os roteiristas tiveram “o cuidado de não centrar a série na figura de Moro”, mas, mesmo assim, ele mudaria a forma como ele foi retratado, caso soubesse das mensagens. “O herói do ‘Mecanismo’ é Marco Ruffo [policial interpretado por Selton Mello]… Conte as cenas de Moro ou o tempo de Moro na tela… Não é muito grande. E o Moro que retratamos está longe de ser perfeito. Porém, não resta dúvida: Moro cometeu um monte de erros que mudariam a forma com que mostramos ele, sim. Aliás, não apenas a nossa forma de retratá-lo. Imagino que a forma de toda a mídia.” Entretanto, Padilha garante que o escândalo do vazamento da troca de mensagens entre Moro e promotores não mudou sua visão de Lula, do PT e dos políticos do PMDB que estavam no poder. “Não fiz um erro de julgamento a respeito de Lula, de [Michel] Temer, de [Sergio] Cabral e de [Eduardo] Cunha. Os fatos apurados pela Lava Jato demonstram a desonestidade destes políticos corruptos”. Ele ainda destacou: “Considero o ex-presidente Lula um picareta. Qualquer pessoa razoável não consegue fingir que Lula é honesto”. E citou as palestras pagas por empreiteiras que renderam milhões ao ex-presidente, mas nenhum vídeo, foto ou menção em redes sociais de quem supostamente as presenciou. Questionado se ainda esperava por mais reviravoltas na Lava Jato, Padilha confirmou que teme o pior. “Sobretudo no que tange ao Judiciário. Olho para o STF [Supremo Tribunal Federal] com grande suspeição. Gilmar Mendes questionou as mensagens de Moro. Será que ele nos franqueia acesso às suas mensagens? Ao teor de suas conversas com Aécio [Neves] e demais ‘conhecidos’ que andou soltando?”, questionou. Diante de uma pergunta sobre que outros fatos recentes do Brasil dariam uma boa série ou filme, Padilha citou a ascensão do clã Bolsonaro ao poder. “A chegada de políticos ligados à PM [Polícia Militar] e às milícias do Rio à Presidência da República….”, descreveu. Mas não seria um “Tropa de Elite 3”, já que o segundo filme introduziu o tema das milícias. Seria algo diferente. “Pode esperar algo sobre Bolsonaro sim”, adiantou.
Wagner Moura diz que corre risco de vida no Brasil
O ator Wagner Moura (“Narcos”), afirmou que está com medo de viver no Brasil. “Pela primeira vez na minha vida, eu sinto que estou correndo risco”, disse ele ao jornal australiano Daily Telegraph. “Sempre que vou para o Rio de Janeiro ou para São Paulo, preciso tomar muito cuidado. É de partir o coração”, desabafou o ator, referindo-se à ameaças derivadas da polarização política do país. Moura está na Austrália para participar do júri do Festival de Sydney, que começou na quarta-feira (5/6) e segue até o próximo domingo (16). Além disso, o festival vai apresentar, fora da disputa, sua estreia como diretor e roteirista de cinema: “Marighella”, sobre a vida do escritor e guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), que continua inédito no Brasil. Na época da exibição do filme no Festival de Berlim, em fevereiro, o longa recebeu críticas do presidente Jair Bolsonaro e foi alvo de trolls da internet, que o atacaram em sites de cinema americanos, embora o filme não tivesse sido exibido nos Estados Unidos e ainda não possua lançamento previsto no Brasil. “Eu estava preparado para que o filme dividisse a população e para as críticas, mas não esperava que a distribuidora não tivesse coragem de lançá-lo”, comentou Moura ao jornal australiano. Os comentários do ator contrastam com declaração que ele deu em janeiro, durante entrevista ao programa “Cinejornal”, do Canal Brasil, em que repercutiu a decisão do ex-deputado Jean Wyllys de deixar o país após receber ameaças de morte. “Na minha frente ninguém nunca fez nada e eu não sei como reagiria se o fizessem. Mas eu não tenho medo não”, falou na ocasião, sobre supostas ameaças que estaria recebendo por “Marighella”. Apesar de sua preocupação, Moura ressaltou que isso não vai impedi-lo de voltar ao pais. Entretanto, sua agenda atual só contempla produções americanas, todas rodadas no exterior: a minissérie “Sergio”, da Netflix, sobre o diplomata brasileiro Sergio Moreira Mello, e os filmes “Wasp Network”, do francês Olivier Assayas, e “Sweet Vengeance”, de Brian De Palma.
Trailer do documentário Democracia em Vertigem reflete a queda do petismo
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Democracia em Vertigem”, um dos muitos documentários gravados durante o processo de Impeachment de Dilma Rousseff. O diferencial é que a diretora Petra Costa se coloca na trama como narradora, assumindo o parcialismo da narrativa, ao mesmo tempo em que amplia a abordagem para além do Impeachment, mostrando a prisão de Lula e a ascensão de Bolsonaro. A prévia tem ótimas imagens, que confirmam o talento da ainda jovem Petra Costa como uma das melhores documentaristas brasileiras. Mas isso não significa que a verdade pessoal da narradora possa ser confundida com a verdade de uma apuração isenta. Documentários tendem a ser parciais, já que não seguem regras jornalísticas, e podem ser manipuladores quando adotam uma abordagem impressionista. A forma como Lula surge no vídeo, quase um santo milagreiro, e a forma como Petra narra a ascensão do petismo passam longe da isenção. A família da documentarista é muito ligada ao ex-presidente preso. Petra é herdeira da Andrade Gutierrez, uma das empresas enredadas na Lava-Jato, que teria pago despesas da eleição de Dilma. Um médico afirma que a família pagou uma cirurgia plástica para Lurian, filha de Lula, que morou com Marília Andrade, mãe de Petra, em Paris. Lurian diz que trabalhou como babysitter no período, possivelmente da própria cineasta, que era uma criança na época. Além disso, a mãe da cineasta também comprou um sítio ao lado do de Lula, em Atibaia. Frequentavam-se. A diretora pode ter explorado essa familiaridade para conseguir acesso exclusivo (uma das frases do pôster destaca o “acesso sem igual”), como nos registros das últimas horas de ‘Lula livre”. Uma das cenas do vídeo mostra Lula por volta deste momento, num carro, bem perto da câmera, dizendo que queria ter feito mais. O tom de mártir, sugerido pela montagem, contrasta com reportagens que revelaram o arrependimento de importantes petistas em não ter feito “mais” para aparelhar a máquina estatal, de modo a manter o partido no poder. Aparelhamento que acabou rendendo corrupção, a Lava-Jato, polarizou o país e culminou na eleição de Bolsonaro. A prévia de “Democracia em Vertigem” exalta uma parte importante da história recente do Brasil. E demonstra contar muito bem, de forma extremamente profissional e artística. Mas o próprio filme serve de exemplo para os motivos que levaram à queda do petismo – a narrativa mitológica, imbuída numa missão de salvação nacional, em tom de seita. É de extremo bom senso redobrar a atenção diante de narrativas que confundem democracia com um projeto de poder. Democracia não pertence a um partido – isto costuma ser outra coisa. Não acaba quando o rival vence uma eleição. Ao contrário, consiste em aceitar a alternância de poder, mesmo que o adversário seja… Bolsonaro. De fato, a falta de autocrítica do partido de Lula e a visão acrítica de seus seguidores, bem representada no trailer de “Democracia em Vertigem”, acabou sendo o maior responsável pela vitória da extrema direita ultraconservadora, eleita com o voto anti-petista. Vale lembrar que a empresa da família da documentarista fez a autocrítica que os petistas se recusam a formalizar: “Reconhecemos que erros graves foram cometidos nos últimos anos e, ao contrário de negá-los, estamos assumindo-os publicamente”, disse um anúncio da Andrade Gutierrez, publicado após firmar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, ao ser pega na operação Lava-Jato. O pôster diz que o filme já está disponível. O trailer revela que a estreia está marcada para 19 de junho em streaming. Até nisso, há duas “verdades” distintas.
José de Abreu é processado pelo Hospital Albert Einstein em ação que o chama de “deficiente mental”
O Hospital Albert Einstein, localizado em São Paulo, entrou com uma ação de indenização por danos morais contra José de Abreu por conta de uma postagem feita em uma rede social no início deste ano, em que o ator acusa a instituição de ter apoiado o atentado contra Jair Bolsonaro. Na ocasião, o hospital soltou uma nota afirmando que a acusação era “grave, insultuosa e infundada”. E dizia ainda que ia tomar medidas judiciais contra o ator para “zelar por seu compromisso com a sociedade brasileira”. No dia da posse do presidente Jair Bolsonaro, o ator publicou o seguinte texto no Twitter: “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o fascista matador e corruptor Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*.” Ele é acusado de difamação, ofensa e antissemitismo. O hospital solicita indenização no valor de R$ 100 mil para desestimular que outras pessoas repitam atitudes e postagens como a do ator. Segundo informações do jornalista Ricardo Feltrin, do UOL, a ação movida pelo hospital afirma que “o réu seria alguém carente de discernimento, um deficiente mental, para usar a terminologia da lei civil”.
José de Abreu será processado por acusar hospital de cumplicidade no atentado contra Bolsonaro
O Hospital Albert Einstein, de São Paulo, informou que vai processar José de Abreu por conta de um tuíte em que o ator acusa a instituição de ter apoiado o atentado contra Jair Bolsonaro. Em nota, o hospital afirma que a acusação é “grave, insultuosa e infundada”. E diz ainda que vai tomar medidas judiciais contra José de Abreu para “zelar por seu compromisso com a sociedade brasileira”. No dia da posse do presidente Jair Bolsonaro, o ator publicou o seguinte texto no Twitter: “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o fascista matador e corruptor Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*.” Desde então, a conta de Abreu na rede social foi deletada, mas é possível encontrar cópias do tuíte polêmico na internet. Veja abaixo. E repare que o texto de teor delirante-conspiratório recebeu mais de 3 mil “likes”.
HBO Brasil censura íntegra do programa de John Oliver que critica “terrível” Jair Bolsonaro
Vencedor do Emmy de Melhor Talk Show do ano, o programa “Last Week Tonight with John Oliver”, da HBO, teve um de seus episódios recentes censurado no Brasil. O programa tinha como tema as eleições presidenciais brasileiras, e trouxe Oliver gozando da campanha do PT e, principalmente, fazendo críticas duras ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, a quem chamou de “ser humano terrível”. Exibido em 7 de outubro nos Estados Unidos, o episódio simplesmente não foi ao ar no Brasil. Ele deveria ter sido transmitido em 8 de outubro, no dia seguinte ao primeiro turno das eleições brasileiras. No entanto, na ocasião, a HBO reprisou o episódio 24 da 5ª temporada. Na semana seguinte, o canal exibiu o episódio 26, como se o 25 não existisse. A HBO Brasil também não deu alternativas para o público assistir ao capítulo pela plataforma HBO Go. Após o episódio 24, o catálogo do serviço oferece diretamente o episódio 26, pulando a edição dedicada às eleições brasileiras. A censura foi na TV e também online. Procurada pela reportagem do jornal O Globo, a HBO Brasil não se manifestou sobre o motivo. Em junho, o Supremo Tribunal Eleitoral (STF) derrubou a regra que impedia sátiras a políticos em período eleitoral. Ou seja, não havia restrições legais para a exibição do conteúdo pela HBO Brasil. Anteriormente, apenas a China, que não é uma democracia, proibiu a exibição de um episódio de “Last Week Tonight”. Fez mais que isso: tirou a HBO do ar para impedir uma piada de John Oliver, que lembrava como o presidente chinês Xi Jingpin não gostava de ser comparado ao Ursinho Pooh. Já o Brasil ainda é uma democracia, pelo menos até o resultado final das eleições. Mesmo assim, houve censura, como na época da ditadura, momento de repressão intensa que Bolsonaro sugere representar. Apesar de barrado no Brasil, a íntegra do segmento dedicado ao país, com 16 minutos de duração, pode ser encontrada na página oficial do programa no YouTube. Por conta disso, “fãs” resolveram legendar uma versão de 11 minutos do vídeo, sem a longa introdução sobre como o mundo via o Brasil há 80 anos. Ambas as versões podem ser vistas abaixo. No programa, além de chamar Bolsonaro de “terrível”, Oliver mostra uma compilação de declarações constrangedoras do deputado, lembrando acusações de homofobia, misoginia, racismo e comportamento antidemocrático. “A melhor coisa que você pode dizer sobre Bolsonaro é que ele não foi denunciado por um escândalo de corrupção, ainda. Infelizmente essa é, literalmente, a única coisa boa que você pode dizer sobre ele, pois ele é um ser humano terrível”. É tão pesado que Oliver termina o programa fazendo uma conclamação aos brasileiros para não votarem em Bolsonaro, dizendo que ainda havia esperanças, graças à campanha #EleNão. Oliver também brincou com a popularidade de Lula, falando que seria prático eleger um presidente que já está preso por corrupção. E chama a campanha petista, que tenta colar a imagem de Fernando Haddad a Lula, de “um insulto à inteligência das pessoas”. O apresentador inglês ainda se mostrou fascinado pela fauna de candidatos brasileiros a cargos legislativos, inclusive os super-heróis, como o “Homem-Aranha do Amapá” e “Geraldo Wolverine”. Ao final, ele conclui que qualquer candidato é melhor do que Bolsonaro. “Brasileiros, sei que vocês estão desiludidos com todos os políticos e que nenhum dos candidatos os inspiram, mas, por favor, qualquer um deles é melhor que o Bolsonaro”, inclusive o “Lula diet” (em referência a Haddad), ele cita, além do Homem-Aranha. “Bolsonaro não reflete o que vocês são de melhor, Brasil”, encerrou. Confira abaixo.
Vencedor do Festival de Brasília não entra na disputa do Oscar para protestar contra “governo ilegítimo”
Uma ausência chamou atenção na lista dos filmes inscritos para representar o Brasil na busca por uma indicação na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2019. Vencedor do Festival de Brasília, “Arábia” não apareceu entre os 22 títulos divulgados pelo Ministério da Cultura. A decisão partiu dos próprios diretores do longa, que não quiseram inscrevê-lo. João Dumans e Affonso Uchoa divulgaram um comunicado conjunto em que justificam a ausência por motivação política. “Não nos inscrevemos porque o Oscar não representa o tipo de cinema no qual acreditamos. Preferimos também não fazer parte de um processo conduzido por um governo ilegítimo e por um Ministério da Cultura que recentemente politizou o processo de indicação dos filmes brasileiros para disputarem o Oscar, além de atuar sistematicamente pra sufocar o cinema independente brasileiro. As novas políticas de incentivo do ministério e do FSA (Fundo Setorial Audiovisual) vão dificultar justamente que filmes como o nosso sejam produzidos.” A recente politização citada faz referência à polêmica envolvendo a escolha de “Pequeno Segredo”, de David Schurmann, sobre “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, no Oscar 2017. Desde então, a escolha dos representes do país deixou de estar a cargo da Secretaria do Audiovisual para ser definida por uma comissão selecionada pela Academia Brasileira de Cinema, entidade formada por profissionais da indústria cinematográfica nacional. 22 filmes foram inscritos para representar o país no Oscar 2019, entre eles os vencedores dos festivais do Rio (“As Boas Maneiras”) e Gramado (“Ferrugem”), que também possuem premiadas carreiras internacionais, assim como “Benzinho”, que levou os prêmios do público e da crítica em Gramado, além de ter vencido o festival espanhol de Málaga. Os únicos quatro filmes que o Brasil já emplacou na disputa do Oscar foram “O Pagador de Promessas” (1962), “O Quatrilho” (1995), “O que É Isso, Companheiro?” (1997) e “Central do Brasil” (1998). Nos últimos anos da premiação, o Oscar tem destacado em geral filmes autorais e independentes. “Moonlight”, vencedor do ano passado, foi feito por US$ 4 milhões.











