Eu, Tonya recria tragédia real como espetáculo surreal de adrenalina, talento e diversão
Patinadora artística, Tonya Harding disputou por duas vezes os Jogos Olímpicos, foi campeã norte-americana em 1990 e conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial de 1991. Sua carreira, porém, acabou aos 24 anos quando ela foi acusada de participar de uma conspiração que culminou em um ataque à adversária Nancy Kerrigan, que teve o joelho ferido. A vida “real” pode ser muito mais maluca (inventiva ou mesmo criativa) do que a arte, e caso “Eu, Tonya” não fosse inspirado em eventos reais, poderia muito bem ser taxado de inverossímil – ainda que duvide-se que tudo aquilo ali aconteceu… realmente do jeito que é contado. O que se vê em 120 minutos de exibição é uma produção divertidamente e tragicamente acelerada, com grandes méritos para a Edição, indicada ao Oscar, que se utiliza da constante quebra da quarta-parede para colocar o espectador ao lado de Margot Robbie (numa atuação magistral, digna do Oscar a que concorre), como protagonista de uma surreal epopeia esportiva dos tempos modernos. A narrativa flagra uma grande atleta (“caipirona”, segundo juízes, que não queriam uma garota “chucra” representando os Estados Unidos, mesmo que seu talento no rinque de patinação fosse inegável) abusada emocionalmente pela mãe (Allison Janney, também indicada ao Oscar) e fisicamente pelo marido (Sebastian Stan). Irmão torto de “A Grande Jogada” (2017) no quesito “os podres bastidores do esporte em níveis olímpicos” ou “o preço que cobramos dos jovens para nos trazer medalhas de ouro”, o filme do diretor Craig Gillespie (“Horas Decisivas”) é depressivamente realista e cinematograficamente empolgante, uma descarga imensa de adrenalina, violência (doméstica, social, esportiva, familiar e profissional) e dramatização que, ao final, deixa o gosto amargo de uma poça de sangue na boca.
Lady Bird briga com as expectativas e encara o fracasso com ternura
A personagem Christine “Lady Bird” McPherson, vivida pela brilhante Saoirse Ronan, tem uma vontade imensa de sair de sua cidade natal, Sacramento – que é capital da Califórnia, mas para a personagem simboliza o cúmulo da cidade do interior – , e fazer faculdade em Nova York, bem longe dali, apesar de suas notas baixas. Baseada nas memórias da diretora estreante Greta Gerwig, a trama se passa no ano de 2002, o que se reflete num dos momentos mais bonitos e simples do filme, quando a protagonista está no carro com o pai ouvindo a agridoce “Hand in My Pocket”, de Alanis Morrissette, e observa que a cantora compões a música em apenas 10 minutos. Isso diz muito sobre a personagem, de sua vontade de dar um salto às cegas, mesmo sabendo de suas dificuldades em ser tão boa quanto suas colegas de classe, que conseguem tirar melhores notas em Matemática. A formatura está logo ali e ela se sente frustrada com a difícil possibilidade de ingressar em uma universidade do lado leste do país, distante de sua família, como forma de cortar o mais rápido possível o cordão umbilical com a mãe, Marion (Laurie Metcalf), excessivamente preocupada com a filha única. A auto-batizada Lady Bird acha que a mãe, apesar de amá-la muito, não gosta dela, não a aceita como ela é, com suas imperfeições. São coisas como essas que tornam a jovem protagonista tão encantadora, tão apaixonante. E um dos grandes méritos da direção de Greta Gerwig é conseguir deixar o espectador com aquele friozinho na barriga em situações de novidade para a protagonista: a primeira transa, a espera pela correspondência das universidades, a autoafirmação através de novas amizades na escola, a busca de namorados que façam de sua primeira transa algo especial. E nesse sentido nem sempre ela é bem-sucedida. O que não quer dizer que não seja possível se solidarizar e se alegrar com suas pequenas conquistas. Estar com o nome na lista de espera de uma universidade não deixa de ser uma vitória. Ou quase. “Lady Bird” é desses filmes que lidam com o fracasso com muita ternura: há a melhor amiga gordinha que sofre com a solidão e há o pai desempregado (Tracy Letts, sempre ótimo) que sofre com depressão. Há também um outro jovem com um problema complicado que encontrará a compreensão da jovem. O que se projeta nas telas não é simplesmente um filme que conseguiu quase 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes, mas uma obra simples e pequena de cinema independente, com sutilezas e sensibilidades que a tornam especial para uma boa parcela da audiência. O curioso é que Gerwig faz o possível para evitar o melodrama e provocar choro fácil, mas isso não impede que o amor transborde e contamine os sentimentos extremos de Lady Bird em relação a sua cidade e sua mãe. A jovem diretora está cercada por atores ótimos, tanto os veteranos já citados, como dois adolescentes presentes em filmes marcantes do cinema americano recente: Lucas Hedges, que brilhou em “Manchester à Beira-Mar”, e o genial Timothée Chalamet, que nem precisa provar mais nada para ninguém depois do que mostrou em “Me Chame pelo seu Nome”. Sem falar em garotas como Odeia Rush e Beanie Feldstein, prestes a estourar. “Lady Bird”, lançado nos cinemas brasileiros com um apêndice – “A Hora de Voar” – foi indicado a cinco troféus do Oscar 2018: Melhor Filme, Direção, Roteiro Original (ambos de Gerwig), Atriz (Saoirse Ronan) e Atriz Coadjuvante (Laurie Metcalf).
Primeira lista de apresentadores do Oscar 2018 confirma exclusão de Casey Affleck
A divulgação da primeira lista de artistas que entregarão estatuetas do Oscar 2018, que revelou a participação da atriz chilena Daniela Vega, primeira transexual a apresentar a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, também confirmou o “banimento” de Casey Affleck. Vencedor do Oscar de Melhor Ator no ano passado, o ator pediu para ser dispensado da obrigação de anunciar o premiado deste ano, devido à acusações de abuso sexual, e seu nome não foi incluído na lista, que traz os demais atores consagrados no Oscar 2017: Emma Stone (vencedora por “La La Land”), Viola Davis (“Um Limite entre Nós”) e Mahershala Ali (“Moonlight”). Affleck foi premiado por “Manchete à Beira-Mar”, após ser acusado de assédio por duas mulheres com quem trabalhou no documentário “Eu Ainda Estou Aqui” (2010). Na ocasião, a atriz Brie Larson, que entregou o prêmio, fez questão de não aplaudi-lo. “Eu acredito que o que eu fiz no palco falou por si mesmo”, ela afirmou em entrevista para a revista Vanity Fair. Ele foi acusado pela produtora Amanda White e pela diretora de fotografia Magdalena Gorka, que acionaram Affleck judicialmente e o caso foi resolvido em sigilo, com uma indenização financeira. Após vencer o Oscar, o ator deu entrevista ao jornal Boston Globe em que confirmou que todos os envolvidos no caso estavam proibidos por contrato de comentar o assunto. Desde então, o escândalo sexual de Harvey Weinstein veio à tona, repleto de contratos similares, e a tolerância com assediadores diminuiu a zero. No caso de Affleck, havia até uma campanha online para impedir sua participação no Oscar deste ano. Quase 20 mil pessoas assinaram o abaixo-assinado no site Change.org para que ele não fosse convidado a apresentar o prêmio – e o site agora registra que a campanha foi vitoriosa. Segundo o site Deadline, o ator teria ficado com receio e, diante do tom anti-assédio que deverá marcar a cerimônia, preferiu cancelar sua participação a comprometer o resto de sua carreira. A informação foi confirmada por um representante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Os primeiros nomes confirmados para participação da cerimônia de premiação incluem, portanto, três dos quatro atores que venceram os prêmios de interpretação do ano passado, a chilena Daniela Vega e mais os seguintes astros de Hollywood: Chadwick Boseman (“Pantera Negra”), Laura Dern (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), Jennifer Garner (“Clube de Compra Dallas”), Greta Gerwig (diretora de “Lady Bird”), Tiffany Haddish (“Girls Trip”), Tom Holland (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”), Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) e Margot Robbie (“Eu, Tonya”). A 90ª edição do prêmio mais importante do cinema vai acontecer em 4 de março no Teatro Dolby, em Los Angeles, e contará com o humorista Jimmy Kimmel como mestre de cerimônias. Os canais Globo e TNT realizam a transmissão no Brasil.
Daniela Vega é confirmada como primeira apresentadora transexual da história do Oscar
A atriz chilena Daniela Vega, protagonista de “Uma Mulher Fantástica”, foi confirmada como uma das apresentadoras da premiação do Oscar 2018, anunciou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16/2). Vega conquistou o público e a crítica com a interpretação de uma mulher trans que sofre a perda do parceiro em “Uma Mulher Fantástica”, mais recente filme do cineasta chileno Sebastián Lelio. E será a primeira transexual a entregar um prêmio no Oscar. Sua participação histórica é confirmada após a Academia nomear pela primeira vez um cineasta transexual na premiação: Yance Ford concorre na categoria de Melhor Documentário, por “Strong Island”. “Uma Mulher Fantástica” também está competindo na premiação, na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, ao lado de “O Insulto” (Líbano), “Sem Amor” (Rússia), “Corpo e Alma” (Hungria) e “The Square – A Arte da Discórdia” (Suécia).
Estreias: Pantera Negra e filmes do Oscar 2018 ocupam os cinemas
O novo filme de super-heróis da Marvel é o maior lançamento da semana, que também traz aos cinemas nada menos que quatro longas indicados ao Oscar 2018, além de uma estreia nacional em circuito invisível. Clique nos títulos de cada filme para ver seus trailers. “Pantera Negra” estreia neste fim de semana também nos Estados Unidos, onde a expectativa é de quebra de recordes. O filme tem incríveis 97% de aprovação entre a crítica americana, uma avaliação mais positiva que a da maioria dos indicados ao Oscar – “Eu, Tonya”, “Três Anúncios para um Crime” e “Mudbound”, por exemplo, têm 90%, 93% e 96%, respectivamente. Mesmo assim, há grande curiosidade em torno de seu desempenho internacional, já que o primeiro filme de super-herói negro de Hollywood reflete uma política de inclusão e diversidade pautada para e pelo público americano. Longe de seguir padrões pré-estabelecidos, o longa não traz a típica trama de “super-herói negro”, como as séries “Luke Cage” e “Black Lightning” (Raio Negro). Em vez de proteger bairros pobres infestados por crime, T’Challa (Chadwick Boseman) reina numa nação desenvolvida da África, onde há abundância, prosperidade e tecnologia de superprodução sci-fi. O conflito vem do desejo de preservar o segredo de Wakanda do mundo exterior versus duas outras opções bem diferentes: do vilão branco (Andy Serkis, retomando seu personagem de “Capitão América: Guerra Civil”) obstinado em explorar as riquezas naturais do país, como os velhos colonialistas europeus, e do líder dissidente (Michel B. Jordan, de “Creed”), que considera criminoso deixar outras nações africanas passarem fome, enquanto Wakanda poderia liderar todo o continente e mudar o mundo. Em meio a estes dilemas, o cineasta Ryan Coogler (“Creed”) ainda inclui sequências de ação dignas de “007”, coadjuvantes que roubam as cenas (e merecem seus próprios filmes) e conflitos internos tão bem desenvolvidos que muitos já chamam o resultado de “melhor filme da Marvel” – uma definição que parece surgir a cada novo lançamento do estúdio presidido por Kevin Feige. Mais bem-avaliado que “Pantera Negra” neste fim de semana só “Lady Bird – A Hora de Voar”. O filme chegou a bater o recorde de avaliações positivas do site Rotten Tomatoes, com 100% de aprovação com 194 resenhas elogiosas. Mas isto chamou tanta atenção que um blogueiro decidiu postar uma crítica negativa para virar assunto, baixando a nota para 99%. Estreia solo na direção da atriz Greta Gerwig (“Mulheres do Século 20”), o filme é baseado em suas lembranças de juventude, pontuadas por um humor desconsertante, que acompanha Saoirse Ronan (“Brooklyn”) em sua vida de estudante rebelde no Norte da Califórnia, tratada como ovelha negra da família pela própria mãe (Laurie Metcalf, a mãe de Sheldon na série “The Big Bang Theory”), embora se veja como uma joaninha (ladybird) querendo voar para a liberdade. Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Comédia, “Lady Bird” foi indicado a cinco Oscars: Melhor Filme, Atriz (Ronan), Atriz Coadjuvante (Metcalf), Direção e Roteiro (ambos de Gerwig). Mas também foi acusado de plágio pela roteirista Josefina Lopez. Ela afirma que a história, supostamente inspirada pela juventude da diretora Greta Gerwig, é uma cópia de “Mulheres de Verdade Têm Curvas”, filme que ela escreveu em 2002. “Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi” conta outra história com elenco, direção e roteiristas negros. Terceiro longa-metragem da cineasta Dee Rees, após o drama lésbico indie “Pariah” (2011) e a telebiografia “Bessie” (2015), da HBO, a produção foi adquirida pronta pela Netflix por US$ 12,5 milhões em Sundance – a maior aquisição realizada no festival do ano passado. Foi lançada diretamente em streaming nos Estados Unidos, mas desembarca no Brasil – com três meses de atraso – pelo cinema, com direito ao indefectível subtítulo que parece existir para impedir lançamentos de filmes de nomes curtos no Brasil. Desta vez, a grosseria chama ainda mais atenção por conter um erro de português – a falta de acentuação em Mississípi. A trama gira em torno de duas famílias que convivem no sul rural dos Estados Unidos nos anos 1940. Uma delas é branca, racista e recém-chegada, tendo comprado sua fazenda com sonhos de grandeza. A outra é negra, humilde e trabalha naquelas terras há muitas gerações. Quando os filhos jovens das duas famílias retornam traumatizados da 2ª Guerra Mundial, acabam criando laços de amizade, forjados pela experiência compartilhada, o que incomoda ambos os lados. O soldado negro tem mais dificuldade em aceitar a situação de ter lutado pela liberdade dos europeus e voltar a um país segregado. O branco não pode ouvir um estouro de escapamento de carro sem achar que está levando tiros. Para piorar, ainda sente atração pela mulher negligenciada do irmão mais velho. Trata-se de uma adaptação do best-seller homônimo de Hillary Jordan, lançado em 2008 nos Estados Unidos, e sua filmagem ganhou um troféu do Gotham Awards, que abre a temporada de premiações de Hollywood. A consagração foi para o elenco, que inclui a cantora Mary J. Blige, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O filme também disputa o Oscar de Melhor Canção (novamente com Blige), Roteiro Adaptado (Dee Rees) e fez história com sua cinematógrafa, Rachel Morrison, a primeira mulher a disputar o prêmio da Academia na categoria de Direção de Fotografia. Vencedor do Festival de Toronto, do Globo de Ouro 2018 de Melhor Filme Dramático, e indicado a sete Oscars, “Três Anúncios para um Crime” é o terceiro longa virulento do inglês Martin McDonagh, cuja filmografia exalta o humor negro e a violência gratuita. O filme acompanha uma mãe inconformada com a incompetência da polícia após o estupro e assassinato da filha, que manda erguer cartazes cobrando providências e expondo o xerife de sua cidadezinha. O elenco destaca Frances McDormand (que venceu o Oscar há 20 anos por “Fargo”) no papel da mãe obstinada e Sam Rockwell (“Homem de Ferro 2”) como um assistente de xerife racista. Ambos disputam o Oscar, respectivamente de Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante, após venceram as duas categorias no SAG Awards, a premiação do Sindicato dos Atores. Desde então, o personagem de Rockwell virou centro de uma polêmica, em que o contexto do filme passou a ser denunciado por apresentar um racista como o herói da história. “Eu, Tonya” disputa três Oscars, que incluem a primeira indicação de Margot Robbie (“Esquadrão Suicida”) como Melhor Atriz pelo papel-título. Mas seu favoritismo está na categoria de Atriz Coadjuvante, após Allison Janney (série “Mom”) vencer tudo o que disputou na temporada, como o Globo de Ouro, o SAG e o Critics Choice. Ela rouba todas as cenas como uma das mães mais malvadas já vistas no cinema. E o que mais impressiona é que a personagem não é ficção. O longa é cinebiografia da patinadora Tonya Harding, que apesar de ter disputado os Jogos Olímpicos e conquistado a Medalha de Prata no Campeonato Mundial de Patinação de 1991, ficou conhecida como vilã da vida real, ao se envolver num ataque, planejado por seu marido, contra a rival Nancy Kerrigan, durante o treinamento para o Campeonato dos Estados Unidos de 1994. Visando tirar sua principal oponente do caminho para ficar com uma vaga olímpica, Harding conseguiu o oposto: foi banida do esporte por toda a vida. O filme de Craig Gillespie (“Horas Decisivas”) tenta mostrar o que a levou a esse extremo. Por fim, o drama brasileiro “Antes do Fim” chega em apenas quatro salas, com distribuição de seu próprio cineasta, Cristiano Burlan (“Mataram Meu Irmão”). Filmada em preto e branco, a obra parece filme antigo, da época em que discursos se sobrepunham à encenação e a teatralidade era “técnica cinematográfica”, o que, curiosamente, muitos taxavam de “cinema de arte” e não teatro filmado. O elenco assume referências, com as participações de Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet, ela atriz e musa, ele crítico e ensaísta de um Brasil que hoje só existe em mostras de cinema. Para completar, a própria trama é acadêmica: discute o direito ao suicídio e é inspirada por um texto de Bernardet, que defende a morte como um ato de resistência contra o capitalismo farmacêutico. Sério. Foi exibido no Festival de Brasília, onde não foi levado a sério – isto é, saiu sem prêmios.
Equipe de filme sírio indicado ao Oscar 2018 é impedida de viajar aos Estados Unidos
Indicado ao Oscar 2018 de Melhor Documentário, “Últimos Homens em Aleppo” não poderá contar com seu produtor nem com o personagem principal de sua filmagem na cerimônia de premiação. Turistas da Síria têm sua entrada proibida nos Estados Unidos desde o ano passado, devido a uma controvérsia lei de imigração do governo de Donald Trump. Para completar, o governo sírio se recusou a buscar uma solução diplomática para obter visto de viagem a tempo para o produtor Kareem Abeed e o membro fundador da organização humanitária Capacetes Brancos, Mahmoud Al-Hattar, que aparece no filme. A decisão foi considerada um golpe contra a equipe do documentário, que se tornou o primeiro filme produzido pela Síria a ser indicado ao Oscar. “Kareem, meu produtor e colega, não poderá vir para os EUA por causa da proibição de viagem do Trump”, disse o diretor de “Last Men in Aleppo”, Feras Fayyad, ao site The Hollywood Reporter. “Salvo um milagre, ele não estará no Oscar comigo. Somos artistas e só queremos compartilhar nossas histórias e nada mais. É muito triste que ele não tenha a oportunidade de compartilhar a dele”. “Últimos Homens em Aleppo” documenta as missões de busca e salvamento dos Capacetes Brancos, uma organização voluntária que atua em partes da Síria, controladas pelos rebeldes, para proporcionar auxílio médico em meio à sangrenta guerra civil que aniquila a população do país. O grupo foi selecionado para o Prêmio Nobel da Paz 2016, mas atraiu críticas do presidente sírio, Bashar al-Assad e de seus apoiadores, como o governo da Rússia, que chama os Capacetes Brancos de disfarce da Al-Qaeda. Al-Hattar também falou ao THR que está desapontado por não poder usar a plataforma Oscar para condenar “a Rússia, Assad e todos os que representam as autoridades e fornecem armas para reprimir o povo da Síria”. Ele acrescentou: “Queria estar no palco do Oscar para dizer: ‘É hora de acabar com esta guerra e parar aqueles que usam seu poder para nos destruir'”. Anteriormente, o diretor Feras Fayyad já tinha denunciado uma iniciativa de hackers e militantes do governo russo para sabotar as chances de seu filme ganhar o Oscar, por meio da proliferação de notícias falsas que afirmam que os integrantes da produção são terroristas disfarçados.
Todo o Dinheiro do Mundo tem duas morais da história, após lidar com assédio sexual
A carreira de Ridley Scott é uma das mais interessantes dentre os cineastas veteranos em atividade. São quase 30 filmes para cinema, equilibrando-se entre ficções científicas, dramas contemporâneos, fantasias e filmes de época. Muita coisa parece interessar a Scott, seja a lenda de Robin Hood, a travessia do Mar Vermelho por Moisés, a descoberta da América por Cristóvão Colombo, além de histórias de monstros espaciais. Em “Todo o Dinheiro do Mundo”, Scott olha para o mundo real contemporâneo, mas para pessoas diferentes. Pessoas gananciosas, desesperadas e desesperançadas. A trama apresenta o homem mais rico do mundo na década de 1970, o magnata John Paul Getty (Christopher Plummer), uma espécie de Tio Patinhas mais sombrio. Para ele, nada era mais importante do que o seu dinheiro. Tirar de seus trilhões de dólares 17 milhões para pagar o resgate do seu neto, que foi sequestrado em 1973, quando tinha 16 anos de idade, era algo fora de cogitação. E é essa basicamente a história. Enquanto a mãe do garoto, vivida por Michelle Williams, tenta desesperadamente conseguir até mesmo conversar com o velho avarento, ele aciona um empregado (Mark Wahlberg) para tentar descobrir o paradeiro do menino sem que, com isso, precise gastar muito dinheiro. O filme apresenta algumas situações bem absurdas sobre até que ponto vai a doença daquele velho de quase 90 anos. Se o filme de Scott falha em criar uma atmosfera de suspense dentro desse situação de estresse do sequestro do rapaz, do jeito que o filme se encaminha dá até impressão de que o cineasta queria mesmo este tom. De certa maneira, isso tem o seu lado positivo, já que não transforma “Todo o Dinheiro do Mundo” em um thriller banal sobre sequestro e busca, coisa que já se viu tantas vezes no cinema. Scott prefere enfatizar a fábula moral que surge em meio àquela situação absurda. Por mais que possamos pensar que a moral da história é simples até demais, não há problema nenhum em lembrá-la de vez em quando. Lembrar que não se leva dinheiro para a sepultura. O que pode incomodar um pouco nesta narrativa – além da fotografia mais escura que o costume na filmografia do diretor – é a estranheza no modo como costura a trama sem personagens principais. A mais destacada é Michelle Williams, muito bem no papel da mãe desesperada, sem se descabelar ou transformar o filme em uma grande tragédia ou um grande melodrama. Até porque raramente Scott é apegado a sentimentalidades. Entretanto, “Todo o Dinheiro do Mundo” não lida apenas com a questão moral da avareza. Talvez o filme se torne até mais lembrado pela forma como abordou outra questão, fora das telas, envolvendo o escândalo sexual de Kevin Spacey, que forçou Scott a substituí-lo por Plummer, no papel de Getty, em um intervalo de tempo admiravelmente veloz. A tempo, inclusive, de participar da temporada de premiações. No caso do Oscar 2018, apenas Christopher Plummer recebeu a única indicação da obra, de Melhor Ator Coadjuvante. Não deixa de ser uma ironia.
The Post resgata espírito de contestação da Nova Hollywood dos anos 1970
Entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, uma nova geração de cineastas tomou Hollywood de surpresa trazendo frescor para uma indústria que parecia desconectada com a nova geração. Em sua maioria influenciados pelo neorrealismo italiano e pela nouvelle vague francesa, estes diretores imprimiram uma tentativa de autoria em grandes produções e filmes de gênero, gerando clássicos como “O Poderoso Chefão” (1972), “O Exorcista” (1973), “Taxi Driver” (1976) e “A Conversação” (1974). O mais famoso expoente desta “Nova Hollywood” acabou sendo Steven Spielberg que, curiosamente, era o menos devedor aos franceses e italianos, fazendo produções que se inspiravam diretamente em clássicos do próprio cinema produzido nos Estados Unidos. Se na década de 1970 Spielberg poderia parecer um peixe fora d’água entre seus colegas, é interessante perceber como agora eles os referencia em “The Post: A Guerra Secreta”, fazendo um filme com cara dos thrillers políticos da época em que ele já era um diretor estabelecido, mas passava longe deste tipo de produção. Isso porque Spielberg parece compreender o cinema a partir do cinema. Se para contar histórias nos anos 1970 ele se voltava para diretores como John Ford, Alfred Hitchcock e outros tantos da chamada era de ouro de Hollywood, hoje ele remete a seus próprios colegas da época para contar uma história real passada em 1971. É por isso que “The Post” parece ser mais um filme sobre o cinema do período do que um drama realista. Não que isso seja de todo ruim. Acertando no elenco fabuloso, o filme usa Tom Hanks e Meryl Streep para ancorar seu drama político-jornalístico, em torno dos quais orbita um verdadeiro quem-é-quem das séries de TV. A dinâmica entre os atores funciona e o ritmo é bom, apesar de nunca conseguir atingir a mistura de urgência e informação do clássico do gênero “Todos os Homens do Presidente” (1976), para o qual “The Post” funciona como um prólogo (o jornal é o mesmo e os personagens de Hanks e Streep estão nos dois filmes). Contando os bastidores da denúncia que ficou conhecida como os “documentos do Pentágono”, o filme de Spielberg acompanha o vazamento de um relatório confidencial sobre aquilo que todo mundo sabia, mas não tinha como provar: o governo dos Estados Unidos, ao longo de diferentes presidentes e mandatos, tinha conhecimento de que a Guerra do Vietnã era uma empreitada destinada ao fracasso, mas mesmo assim insistiu no conflito, levando à morte de milhares de soldados e civis. Mas “The Post” não é sobre investigação jornalística (muito pelo contrário, já que os documentos literalmente caem nas mãos dos jornalistas), mas sobre escolhas morais. Quando o jornal The New York Times – que deu início às denúncias – é obrigado na justiça a parar de publicar suas matérias, sobra para o Washington Post a oportunidade de dar continuidade a algo que o governo chamava de “traição” e “crime de espionagem”. É aí que Tom Hanks, como o editor Ben Bradlee, e Meryl Streep, como a dona do jornal Kay Graham, brilham em seus dilemas humanos, que passam por medo, culpa e orgulho. “The Post” é sobre o dinheiro impedindo a verdade. Ou melhor, sobre como interesses comerciais se sobrepõem a interesses éticos. Quando se concentra nesta discussão, Spielberg consegue bons momentos de embate de ideias, e a escolha de emular seus colegas transgressores dos anos 1970 cai como uma luva no tema do filme que versa sobre assumir o risco de ser contra o sistema. Mas Spielberg é Spielberg e não resiste a alguns momentos melodramáticos no final, transformando Kay Graham e seu jornal em heróis grandiosos demais, figuras icônicas que não condizem com o realismo – ou estilo realista – que “The Post” parecia desesperadamente querer adotar. Um filme interessante, sobre uma história interessante, mas que pode ganhar interesse ainda maior se visto pelo filtro de uma alegoria metalinguística: Spielberg e George Lucas são comumente considerados os “traidores” da Nova Hollywood e responsáveis indiretos pelo seu fim, ao produzir blockbusters que teriam levado os estúdios a não mais se arriscarem em obras autorais. Um diretor que surgiu em um contexto de rebeldia, mas acabou se tornando um dos grandes representantes do mesmo sistema que sua geração desafiava. Assim como Kay Graham e seu The Washington Post, que veio a se tornar um dos jornais mais conhecidos do mundo. Talvez Spielberg se identifique com a mulher que conseguiu aliar risco com business – não que ele venha se arriscando tanto ultimamente…
Jean-Pierre Jeunet diz que a A Forma da Água plagiou cena de Delicatessen
O cineasta francês Jean-Pierre Jeunet, até hoje lembrado por “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001), acusou Guillermo del Toro de copiar uma cena de “Delicatessen” (1991), seu primeiro filme, em “A Forma da Água”. As cenas tem elementos similares, mas a execução é completamente diferente. Em comum, há um casal sentado, ouvindo uma música antiga numa TV em preto e branco, e fazendo movimentos ao som das canções. Em “A Forma da Água”, Sally Hawkins e Richard Jenkins imitam a coreografia de sapateado num sofá. Em “Delicatessen”, Dominique Pinon e Marie-Laure Dougnac apenas balançam para cima e para baixo, forçando as molas de uma cama. Compare abaixo. Apesar das diferenças, Jeunet garante que foi plagiado. Não só isso, decidiu tomar satisfações. Em entrevista ao jornal Ouest-France, Jeunet disse que conversou com Del Toro sobre o caso: “Falei para ele ‘Você tem muita imaginação, muito talento. Por que roubar as ideias de outros?’. E ele me disse: ‘Devemos tudo a Terry Gilliam’. Então, ele acha que não rouba nada dos outros, porque Terry Gilliam influenciou todos nós. Quando ele dirige uma cena de um casal sentado na beirada de uma cama dançando com os pés, com a música de fundo na TV, é tão copiado de Delicatessen que falei para mim mesmo que ele não tem respeito próprio”. Embora tenha visto uma cama na cena do sofá de “A Forma da Água”, o diretor francês afirmou que não ficou bravo com o mexicano, apenas desapontado. “Guillermo tem talento suficiente para não fazer isso. [Mas] é óbvio que ele tinha ‘Delicatessen’ em mente”. Em janeiro, “A Forma da Água” também foi acusado de plagiar a peça “Let Me Hear Your Whisper”. Neste caso, as semelhanças são brutais. O longa de Guillermo del Toro recebeu 13 indicações ao Oscar 2018 e já está em cartaz no Brasil.
Roteiristas de Doentes de Amor desenvolvem série sobre imigrantes nos Estados Unidos
O casal de roteiristas Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon, indicados ao Oscar 2018 por “Doentes de Amor”, está desenvolvendo uma série de antologia para a Apple. Intitulada “Little America”, a série vai contar histórias da vida real sobre imigrantes nos Estados Unidos, baseado em relatos publicados na revista Epic Magazine. Cada episódio destacará “a vida engraçada, romântica, sincera, inspiradora e inesperada dos imigrantes na América”, segundo a sinopse. Nanjiani e Gordon estão desenvolvendo o projeto junto de Alan Yang, co-criador de “Master of None”, e do produtor Lee Eisenberg, da série “SMILF”. “Doentes de Amor” foi o filme independente de maior bilheteria de 2017 nos Estados Unidos. E, além de disputar o Oscar, Nanjiani também é uma das estrelas da série “Silicon Valley”, que retorna para a sua 5ª temporada no dia 25 de março no canal pago HBO.
Agnès Varda rouba a cena como boneco de papelão na foto anual do Oscar
A tradicional foto oficial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que reúne os indicados ao Oscar e normalmente passa despercebida, virou sensação neste ano. Tudo graças à veterana cineasta belga Agnès Varda. Ausente na cerimônia, a documentarista de 89 anos foi representada por uma reprodução sua em tamanho real e impressa num papelão. Varda se tornou este ano a pessoa mais velha indicada à premiação da Academia em todos os tempos. Ela disputa o Oscar 2018 na categoria de Melhor Documentário, por “Visages, Villages”, que codirigiu e coestrelou com o fotógrafo JR. O filme está em cartaz no Brasil. A foto em tamanho real foi feita justamente por seu parceiro no filme, JR, que levou para o evento da Academia diversas poses diferentes. E isto inspirou uma série de brincadeiras. Veja abaixo.
Cineasta sírio indicado ao Oscar 2018 afirma ser alvo de campanha de difamação da Rússia
O cineasta sírio Feras Fayyad, que concorre ao Oscar 2018 de Melhor Documentário por seu filme “Últimos Homens de Aleppo”, afirma estar sendo alvo de uma campanha de difamação. Ele acusa uma rede de notícias falsas da Rússia de espalhar que ele seria simpatizante do terrorismo. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, ele afirmou que produtores de notícias falsas, adeptos de teorias da conspiração e ativistas “anti-imperialismo”, apoiados pelo governo russo, vem divulgando uma série de artigos com objetivo de depreciar seu trabalho para tirar sua chance de vencer o Oscar. “É como se a Rússia quisesse hackear o Oscar assim como hackearam a eleição americana”, disse o diretor ao jornal, fazendo referência às acusações de que o governo do Kremlin teria influenciado a eleição de Donald Trump em 2016. Em “Últimos Homens em Aleppo”, o diretor acompanha o trabalho dos “Capacetes Brancos” — organização civil e voluntária de defesa e salvamento — que atua em Aleppo, uma das cidades mais atingidas pela guerra civil na Síria. O próprio grupo humanista é alvo de uma campanha russa que os acusa de ter ligações com a Al-Qaeda, de acordo com o Guardian. Grande parte dos artigos vem da agência de notícias Sputnik News, mantida pelo governo russo, que fornece apoio militar ao regime da Síria. Neles, o documentário de Fayyad é descrito como uma “peça de propaganda financiada por governos do ocidente” e um “filme de apologia a Al-Qaeda”. A documentarista Chris Hegedus, que disputou o Oscar de Melhor Documentário em 1994, avalia que a campanha negativa pode realmente afetar as chances do cineasta sírio. “Reportagens falsas e rumores, onde a integridade de um filme é questionada, podem certamente influenciar os membros da Academia e fazê-los questionar a legitimidade da obra”, ela disse ao Guardian. Hegedus descreveu os artigos como “ultrajantes” e disse que eles “nos fazem ver como a Rússia e outros estão se intrometendo em tudo, para além das mídias sociais e das eleições políticas”.
Viva – A Vida É uma Festa domina premiação do Annie Awards, o Oscar da Animação
“Viva – A Vida É uma Festa”, novo longa da Disney-Pixar, que enfrentou boicote de salas exibidoras no Brasil, foi o grande vencedor do Annie Awards 2018, prêmio que é considerado o Oscar da animação. Além de levar o troféu principal de Melhor Animação do ano na cerimônia realizada na noite de sábado (3/2), o filme também venceu outras nove categorias. A produção, que é conhecida como “Coco” no resto do mundo, é a favorita ao Oscar 2018 de Melhor Animação, e também disputa o prêmio da Academia na categoria de Melhor Canção. Outro candidato ao Oscar, “Dear Basketball”, venceu como Melhor Curta. Entre as séries, a principal vencedora da 45ª edição do Annie Awards foi “Ricky and Morty”, como Melhor Série Animada Adulta e Melhor Roteiro de Série Animada. Mas também houve menções repetidas para “Disney Mickey Mouse” e “Samurai Jack”. Confira abaixo a lista completa dos prêmios. Vencedores do Annie Awards 2018 Melhor Animação “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Animação Independente “The Breadwinner” Melhor Animação – Produção Especial “Revolting Rhymes” Melhor Curta de Animação “Dear Basketball” Melhor Série de Animação Infantil “We Bare Bears” Melhor Série de Animação Adulta “Rick and Morty” Melhor Série de Animação Pré-Escolar “The Octonauts” Melhor Música “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Efeitos Especiais em Animação “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Animação de Personagem em TV “Trollhunters” Melhor Animação de Personagem em Cinema “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Animação de Personagem em Produção Live-Action “Planeta dos Macacos: A Guerra” Melhor Animação de Personagem em Video Game “Cuphead” Melhor Design de Personagem em TV “Samurai Jack” Melhor Design de Personagem em Cinema “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Direção em TV Dave Wasson, Eddie Trigeros & Alonso Ramirez-Ramos, por “Disney Mickey Mouse” Melhor Direção em Cinema Lee Unkrich & Adrian Molina, por “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Trilha Sonora em TV Christopher Willis, por “Disney Mickey Mouse” Melhor Trilha Sonora em Cinema Michael Giacchino, por “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Design de Produção em TV “Samurai Jack” Melhor Design de Produção em Cinema “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Storyboard em TV “Disney Mickey Mouse” Melhor Storyboard em Cinema “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Dublagem em TV Tom Kenny, por “Bob Esponja Calça Quadrada” Melhor Dublagem em Cinema Anthony Gonzalez, por “Viva – A Vida é uma Festa” Melhor Roteiro em TV Ryan Ridley & Dan Guterman, por “Rick and Morty” Melhor Roteiro em Cinema Adrian Molina & Matthew Aldrick, por “Viva – A Vida é uma Festa”












