Monte Hellman (1929–2021)
O diretor Monte Hellman, que dirigiu os clássicos cultuados “O Tiro Certo” (The Shooting) e “Corrida Sem Fim” (Two-Lane Blacktop), morreu na terça-feira, uma semana após sofrer uma queda em casa, aos 91 anos. Chamado de o cineasta americano mais talentoso de sua geração pela influente revista francesa Cahiers du Cinema, Monte Himmelbaum (seu nome verdadeiro) começou sua carreira nos anos 1950, abrindo uma companhia de teatro em Los Angeles. Ninguém menos que Roger Corman, o rei dos filmes B, foi um de seus investidores e eles se juntaram na primeira montagem de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, na cidade. Quando foi expulso de seu espaço depois de um ano, Hellman foi encorajado pelo produtor a entrar no cinema e assim fez sua estreia em 1959, dirigindo o terror barato “A Besta da Caverna Assombrada” com produção de Corman. Ele também foi um dos envolvidos nas filmagens de “Sombras do Terror”, que aconteceu apenas para aproveitar dois dias de estúdio agendado com cenários góticos, numa sobra do cronograma da produção de “O Corvo”, em 1963. Após Corman filmar dois dias de cenas de Boris Karloff subindo e descendo escadas, andando por corredores e abrindo portas num castelo, vários diretores foram convocados para completar a produção com cenas ao ar livre, entre eles Hellman e Francis Ford Coppola. Foi nessa produção inusitada que Hellman conheceu Jack Nicholson, astro do filme – trajado no uniforme napoleônico de Marlon Brando, contrabandeado de “Désirée, o Amor de Napoleão” (1954). Os dois se tornaram parceiros em várias produções. Hellman e Nicholson rodaram dois filmes consecutivos nas Filipinas para Corman em 1964, “Flight to Fury” e “Guerrilheiros do Pacífico”. O diretor filmou o segundo enquanto editava o primeiro, e antes de terminar o ano ainda completou “Cordilheira”, o que dá ideia do ritmo insano das produções de Corman. Depois de mostrar serviço, Hellman procurou o produtor para financiar um faroeste escrito por uma amiga de Jack Nicholson, a estreante Carole Eastman (que depois escreveria outro clássico, “Cada um Vive como Quer”). O produtor topou, desde que o mesmo orçamento rendesse dois westerns. O resultado foi “O Tiro Certo”, escrito por Eastman, e “A Vingança de um Pistoleiro”, com história concebida rapidamente por Nicholson. Os dois filmes marcaram época pelo uso das paisagens desertas e empoeiradas em Kanab, Utah, e levaram apenas três semanas para serem concluídos em 1966. “O Tiro Certo” também inaugurou a parceria do diretor com outro astro, Warren Oates (1928–1982), que Hellman passou a considerar seu alter ego no cinema. Na trama, o personagem de Oates era contratado para guiar uma mulher misteriosa (Millie Perkins) pelo deserto opressivamente quente, cuja agenda de vingança acaba incluindo um terceiro viajante, um pistoleiro habilidoso retratado por Nicholson. Já “A Vingança de um Pistoleiro” trazia Nicholson e mais dois cowboys em fuga, sendo caçados por vigilantes. “Achávamos que estávamos fazendo ‘Duelo ao Sol’”, Hellman disse uma vez ao LA Weekly sobre as filmagens, citando um western clássico dos anos 1940. Mas embora os dois longas tenham sido exibidos no Festival Cannes em 1966, nenhum recebeu distribuição nos cinemas dos Estados Unidos, porque a companhia europeia que os adquiriu no festival faliu. Eles só chegaram aos EUA na TV, onde estrearam dois anos depois. Por isso, a crítica cinematográfica demorou a descobri-los, o que só aconteceu na era do VHS, quando se tornaram cultuadíssimos e considerados pioneiros do western subversivo que revolucionou o gênero nos anos 1960. A decepção com o destino dos longas fez Hellman levar cinco anos para voltar a dirigir. Nesse meio tempo, trabalhou como editor em cult movies como “Os Anjos Selvagens” (1966) para Corman e “Os Monkees Estão de Volta” (Head, 1968) para Bob Rafelson. Mas quando decidiu que era hora de voltar ao cinema, trouxe ao mundo sua obra mais cultuada, “Corrida Sem Fim”, em 1971. O filme trazia o cantor James Taylor e o baterista dos Beach Boys, Dennis Wilson, como dois hot-rodders, que ganhavam a vida vencendo corridas de arrancada com seu Chevy One-Fifty de 1955 incrementado. Eles acabam desafiados pelo personagem de Warren Oates, proprietário de um novo Pontiac GTO, numa corrida pelas estradas do Arizona a Washington. As sessões de imprensa do longa chamaram atenção pelos aplausos, as primeiras críticas rasgaram elogios e o então chefe da Universal Pictures, Ned Tanen, chegou a dizer que “Corrida Sem Fim” era o melhor filme ao qual ele já tinha se associado. Infelizmente, seu chefe, Lew Wasserman, não compartilhou do mesmo entusiasmo. Ao contrário, achou que o filme era “subversivo”, segundo contava Hellman, e proibiu que o estúdio gastasse publicidade para promovê-lo, resultando num fracasso comercial. Hellman fez mais dois longas com Warren Oates, “Galo de Briga” (1974) e “A Volta do Pistoleiro” (1978), este último um spaghetti western rodado na Espanha. E passou muitos anos envolvido em projetos – mais de 50, segundo uma contagem – que acabaram nunca sendo realizados. Ele ainda trabalhou como editor de “Elite de Assassinos” (1975) para Sam Peckinpah e diretor de segunda unidade nas cenas de ação de “Agonia e Glória” (1980), de Samuel Fuller, e “RoboCop” (1987), de Paul Verhoeven. Além disso, como produtor executivo, ajudou a financiar “Cães de Aluguel” (1992), primeiro filme dirigido por Quentin Tarantino, enquanto pensava que poderia dirigir o roteiro do colega, que vislumbrava como um potencial clássico. Após seus últimos longas fracassarem – a aventura “Iguana: A Fera do Mar” (1988) e o terror “Noite do Silêncio” (1989), lançado direto em vídeo – o diretor só foi ressurgir mais de duas décadas depois, com “Caminho para o Nada” (2010), produzido por sua filha. Exibido no Festival de Veneza, o filme foi recebido com curiosidade, mas sua maior repercussão foi trazer de volta a lembrança de Monte Hellman para os cinéfilos de todo o mundo.
Felix Silla (1937–2021)
O ator Felix Silla, que interpretou o Primo Coisa na série “A Família Addams” e o robô Twiki de “Buck Rogers”, morreu na sexta (16/4) aos 84 anos, após lutar contra um câncer no pâncreas. O falecimento foi anunciado por seu amigo de longa data Gil Gerard, o Buck Rogers da série exibida entre 1979 e 1981. “Vou sentir muita falta dele, especialmente do quanto nos divertíamos em convenções, quando ele me mandava me f…”, escreveu Gerard. Com menos de 1,2 m de altura e pesando 30 quilos, Silla estreou na TV num episódio de 1963 de “Bonanza”. Mas seu primeiro papel de destaque só veio dois anos depois, ainda que ninguém pudesse vê-lo. Ele fez grande sucesso ao aparecer como o Primo Coisa (Cousin Itt), no 20º capítulo de “A Família Addams” em 1965, escondido atrás de uma cabeleira imensa, que levava um tratador a confundi-lo com um animal exótico e tentar colocá-lo numa jaula. Silla repetiu o papel em 17 episódios da série. Em uma entrevista ao jornal Los Angeles Times em 2014, ele contou que a peruca usada para interpretar o personagem era feita inteiramente de cabelo humano: “Era quente e pesada. Como vestir um tijolo”. Na 2ª temporada, a produção trocou a peruca original por outra feita de cabelos sintéticos, porque muita gente fumava durante as gravações. “Todo mundo no set fumava. Eles só jogavam as bitucas no chão e pisavam nelas. Os produtores tinham medo de que eu pisasse em uma ainda acesa e pegasse fogo. Eles me deram cabelo sintético, que retarda as chamas”, explicou. O personagem foi ideia de um produtor e nunca fez parte dos desenhos de Charles Addams em que a série era baseada. Entretanto, desde a aparição de Silla passou a integrar a franquia sempre que ela ganhou uma nova adaptação. Ele também apareceu nas séries “Os Monkees”, “A Garota da U.N.C.L.E.”, “A Feiticeira”, “A Flauta Encantada” e até no piloto original de “Jornada nas Estrelas” (Star Trek), antes de entrar nas produções de Glen A. Larson, que em 1978 o escalou como o cylon Lucifer em 10 episódios de “Battlestar Galactica”, e no ano seguinte o colocou sob a “armadura” do robô Twiki, o parceiro do protagonista de “Buck Rogers”. Silla trabalhou ao lado de Gil Gerard, intérprete do herói espacial, em todos os episódios das duas temporadas de “Buck Rogers”, exibida até 1981. Depois disso, ainda foi um ewok em “Star Wars: O Retorno do Jedi” (1983), uma criatura sobrenatural do terrir “A Casa do Espanto” (1985) e Dink, uma paródia dos jawas de “Star Wars”, na comédia “S.O.S.: Tem um Louco Solto no Espaço” (1987), além de vestir a fantasia de um pinguim em “Batman: O Retorno” (1992). Aposentado nos anos 1990, ele voltou a atuar em “CHARACTERz” (2016), uma comédia que, de certa forma, homenageava sua carreira, ao acompanhar profissionais que ganhavam dinheiro para se fantasiar e divertir crianças num parque de diversões.
Mari Törőcsik (1935–2021)
Mari Törőcsik, uma das atrizes mais célebres da Hungria, vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes e estrela de dois filmes indicados ao Oscar, morreu na sexta-feira (16/4) em Budapeste após uma longa enfermidade. Ela tinha 85 anos. Törőcsik se destacou logo na estreia, “Carrossel do Amor” (1956), aos 20 anos de idade, como uma camponesa que se apaixona por um menino camponês contra a vontade de seu pai. O filme de Zoltán Fábri teve première no Festival de Cannes e chamou atenção da crítica francesa para o talento da jovem. Então jornalista, o futuro diretor François Truffaut chegou a escrever em sua crítica do filme: “sem que a artista de 20 anos soubesse, ela era a maior estrela do festival”. Três anos depois, ela foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Karlovy Vary, o mais importante do Leste Europeu, por “Kölyök” (1959), de Mihály Szemes e Miklós Markos, tornando-se rapidamente uma das atrizes mais requisitadas de sua geração. Ela trabalhou com os principais mestres do cinema húngaro, como Miklós Jancsó, Márta Mészáros, István Gaál, István Szabó, Gyula Maár, Károly Makk e o próprio Zoltán Fábri, em várias ocasiões. Uma de suas muitas parcerias com Fábri, “Esta Rua é Nossa” (1968), disputou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, assim como uma de suas colaborações com Makk, “Cat’s Play” (1974),igualmente indicado ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA Em 1971, ela recebeu uma Menção Especial do Júri do Festival de Cannes por seu desempenho em “O Amor” (1971), outro drama de Makk, e no ano seguinte voltou a conquistar o prêmio de interpretação em Karlovy Vary, por “Holt Vidék” (1972), de Gaál. Mas foi somente em 1976, 20 anos após debutar na Croisette, que ela conquistou o prestigioso troféu de Melhor Atriz de Cannes pelo desempenho como uma atriz de teatro envelhecida em “A Locsei Fehèr Asszony”, de Gyula Maár. A parceria com Maár ainda lhe rendeu o troféu de Melhor Atriz no Festival de Taormina no ano seguinte, por “Teketória” (1977). Ao longo do último meio século, foram mais de 100 papéis cinematográficos, a grande maioria no cinema húngaro, mas ela também contracenou com astros de Hollywood, em filmes como “Muito Mais que um Crime” (1989), de Costa-Gavras, filmado nos EUA com Jessica Lange, “Corações Covardes” (1990), coprodução italiana estrelada por Keith Carradine, Miranda Richardson e Kristin Scott Thomas, e o premiado sucesso internacional de István Szabó, “Sunshine – O Despertar de um Século” (1999), protagonizado por Ralph Fiennes. Seu último trabalho foi lançado no ano passado, “Psycho 60”, um curta experimental dedicado a recriar a cena do chuveiro de “Psicose” com 60 atrizes diferentes, uma para cada take, nos 60 anos de lançamento do clássico de Alfred Hitchcock.
Helen McCrory (1968-2021)
A atriz britânica Helen McCrory, estrela da série “Peaky Blinders”, morreu nesta sexta (16/4) aos 52 anos. A notícia foi compartilhada por seu marido, o ator Damian Lewis (de “Homeland” e “Billions”), citando que ela travou “uma longa batalha contra o câncer”. “Ela morreu como viveu: destemidamente. Por Deus, nós a amamos e sabemos quão sortudos fomos de tê-la em nossas vidas. Ela brilhou tão intensamente. Vá adiante, pequena, em direção ao ar. Obrigado”, escreveu Lewis ao anunciar sua morte no Twitter. Filha de um diplomata e estrela premiada dos palcos britânicos, McCrory estrelou nas telas em 1994, como figurante de “Entrevista com o Vampiro”, e veio se destacar pela primeira vez na TV em 2000, no papel-título de uma minissérie adaptada do célebre romance russo “Anna Karenina”, de Lev Tolstoy. A partir daí, sua carreira deslanchou, com participações em “O Conde de Monte Cristo” (2002), “A Rainha” (2006, vivendo Cherie Blair, mulher do ex-primeiro ministro Tony Blair) e “A Invenção de Hugo Cabret” (2011), entre muitos outros filmes e séries. McCrory chegou a contracenar com o marido da vida real na série “Life”, antes de viver Narcisa Malfoy, mãe de Draco (Tom Felton), irmã de Belatriz Lestrange (Helena Bonham Carter) e uma das Comensais da Morte da franquia “Harry Potter”. As participações em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” (2009) e nas duas partes de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” (2010 e 11) a tornaram conhecida mundialmente. Mas ela também apareceu no mais bem-sucedido filme de James Bond, “007 – Operação Skyfall” (2012), como uma burocrata que pegava no pé de M (Judi Dench), antes de voltar à TV, onde continuou a destacar – primeiro como a bruxa Madame Kali na série “Penny Dreadful” e depois, marcando época, como a Tia Polly de “Peaky Blinders”. Como Polly Gray, ela dominou o drama histórico sobre uma família de criminosos que enriqueceu durante as duas grandes guerras, tornando-se um dos focos da trama, muitas vezes em disputa com o sobrinho e líder da gangue, Tommy Shelby (Cillian Murphy). Lançada em 2013, “Peaky Blinders” se tornou um dos maiores e mais premiados sucessos da rede BBC, vencendo o BAFTA (o Oscar e o Emmy britânicos) de Melhor Série. A atração criada por Steven Knight tinha começado a gravar sua 6ª e última temporada em janeiro e a esta altura não há notícias sobre o tamanho da participação de McCrory. “Helen foi uma das grandes atrizes de sua geração. Ela era tão poderosa e controlada e isso é tão triste”, escreveu Knight, ao se pronunciar sobre a morte da atriz nas redes sociais. “Ela era uma atriz maravilhosa e uma amiga muito querida. Os fãs de ‘Harry Potter’ vão sentir muito a sua falta”, acrescentou Tom Felton, que foi seu filho no cinema.
Lee Aaker (1943–2021)
O ator Lee Aaker, que ficou conhecido como a estrela mirim de “As Aventuras de Rin-Tin-Tin”, morreu aos 77 anos. A notícia é ainda triste pela forma como aconteceu. Segundo postagem do ex-ator infantil e ativista Paul Petersen, Aaker “faleceu no Arizona em 1º de abril, sozinho e não reclamado, listado como ‘indigente’”. Aaker tinha 11 anos quando “As Aventuras de Rin-Tin-Tin” estreou em 1954 na rede americana ABC. Na série original de faroeste, ele interpretava Rusty, um menino órfão resgatado de um ataque indígena, que era criado no Forte Apache. O “cabo” honorário Rusty era o protagonista da série, ao lado do tenente Ripley “Rip” Masters (James E. Brown) e, é claro, o cachorro Rin Tin Tin, interpretado por vários pastores alemães. A série foi um fenômeno de audiência que ultrapassou as cinco temporadas produzidas até 1959, sendo repetida à exaustão nos anos seguintes, num ciclo encerrado apenas na década de 1990. Sua produção teve enorme impacto no público infantil, que sonhava em viver as aventuras do menino no Velho Oeste, o que transformou o brinquedo “Forte Apache” num dos mais populares entre as crianças por pelo menos três décadas – era vendido no Brasil pela Estrela. Lee Aaker já atuava antes de “Rin-Tin-Tin”. Aos 8 anos, fez figurações em clássicos do cinema como “O Maior Espetáculo da Terra” (1952) e “Matar ou Morrer” (1952), e teve seu primeiro papel de coadjuvante ao lado da lendária Barbara Stanwyck no thriller noir “Vida Contra Vida” (1953), do diretor John Sturges. No mesmo ano, ele coestrelou cinco outros filmes, incluindo “Caminhos Ásperos” (Hondo), ao lado de John Wayne. Mas foi “Rin-Tin-Tin” que o transformou em astro. Entretanto, ficou tão identificado como o cabo Rusty que teve dificuldades em seguir carreira como adolescente e adulto. No início dos anos 1960, Aaker ainda apareceu em episódios de “The Donna Reed Show”, “Rota 66” e “Abertura Disneylândia”, mas os papéis acabaram rapidamente. Seus últimos trabalhos foram em 1963, pequenas participações na comédia musical “Adeus, Amor”, com Ann-Margret, e num episódio de “The Lucy Show”, sitcom de Lucille Ball. Ele tinha 20 anos. Ao sair das telas, Aaker entrou na Força Aérea dos EUA, e Paul Petersen indicou nas redes sociais que estava lutando para dar-lhe um enterro adequado, que o ator teria direito por seu tempo de serviço militar. Relembre abaixo a abertura da série clássica “As Aventuras de Rin-Tin-Tin”.
Joseph Siravo (1955-2021)
O ator Joseph Siravo, que interpretou Giovanni Francis “Johnny” Soprano na série premiada “Família Soprano” da HBO, morreu nesta segunda (12/4) aos 64 anos, após uma longa batalha contra o câncer de cólon. A notícia foi confirmada pela filha do ator, Allegra Okarmus, em seu perfil privado no Instagram. “Eu estava ao seu lado quando meu querido pai faleceu nesta manhã, pacificamente”, ela escreveu. Embora seja mais conhecido pelo público mundial por sua performance como o pai implacável de Tony Soprano, Siravo teve uma carreira teatral impressionante, fazendo parte da primeira turnê nacional de “Jersey Boys”, como Angelo “Gyp” DeCarlo em mais de 2 mil apresentações do musical vencedor do Tony e do Grammy. Ele também interpretou o mafioso John Gotti em “Obcecado pela Máfia” (2015) e teve papel recorrente em “American Crime Story: O Povo Contra O.J. Simpson” (2016). Seus trabalhos mais recentes foram os filmes “O Relatório” e “Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe”, ambos lançados em 2019, além de um arco na 1ª temporada de “For Life”, exibida no ano passado.
James Hampton (1936–2021)
O ator James Hampton, conhecido por seus papéis nas comédias “O Garoto do Futuro” e “Golpe Baixo”, pelo qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, morreu na quarta-feira (7/4), aos 84 anos, devido a complicações do mal de Parkinson. Hampton teve uma carreira que durou meio século antes de se aposentar no Texas. Ele estreou na TV em 1963, com um papel recorrente na popular série de western “Gunsmoke”. Foi lá que conheceu e se tornou amigo de Burt Reynolds, então coadjuvante da atração. Os dois trabalharam juntos em “Amor Feito de Ódio” (1973), “Golpe Baixo” (1974), “W.W. e Dixie” (1975) e “Crime e Paixão” (1975). Anos depois, Hampton ainda escreveu e dirigiu vários episódios da sitcom estrelada por Reynolds na rede CBS, “Evening Shade” (1990–1994). A aparência amável tornou Hampton um coadjuvante por excelência, com participação em filmes como “Quando é Preciso Ser Homem” (1970), “Síndrome da China” (1979), “Hangar 18” (1980), “Condorman, o Homem-Pássaro” (1981), “O Garoto do Futuro” (1985) e “Um Som Diferente” (1990). Ele também foi o prefeito de Miami em “Loucademia de Polícia 5: Missão Miami Beach” (1988). Sua participação em “O Garoto do Futuro”, como o pai do protagonista (vivido por Michael J. Fox em 1985), acabou se tornando seu papel mais conhecido, graças à sua escalação na sequência de 1987 (como tio do novo “teen wolf”, Jason Bateman) e até como dublador da série animada, que durou duas temporadas, entre 1986 e 1987. Na TV, também interpretou o hilário corneteiro surdo Hannibal Dobbs em “F Troop” (1965-1967), comédia passada num “Forte Apache” remoto do Velho Oeste, além de ter aparecido de forma recorrente em “The Doris Day Show” (1968–1973) e estrelado “Maggie”, sitcom que teve apenas oito episódios exibidos no final de 1981. Bom amigo de Johnny Carson, Hampton ainda se tornou um convidado regular no “The Tonight Show”, com mais de 30 participações. Também trabalhou nos bastidores da indústria televisiva, escrevendo telefilmes e dirigindo vários episódios de séries de comédias dos anos 1990, como “Grace Under Fire”, “Irmã ao Quadrado” (Sister Sister), “Gênio do Barulho” (Smart Guy) e “The Tony Danza Show”. Sua autobiografia “What? And Give Up Show Business?” foi publicado no início deste ano e recebeu críticas positivas.
Paul Ritter (1966 – 2021)
O ator britânico Paul Ritter, que estrelou “Chernobyl” e a sitcom “Friday Night Dinner”, morreu em sua casa nesta terça (6/4) de tumor cerebral aos 54 anos. Os créditos de Ritter também incluem vários filmes, entre eles blockbusters como “007 – Quantum of Solace” e “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, além de séries recentes como “Belgravia” e “Cold Feet”. Ele ainda se destacou em muitas peças de teatro, sendo indicado ao Tony (o Oscar teatral) em 2009 pela produção de “The Norman Conquests”. Na premiada minissérie “Chernobyl”, ele se destacou como Anatoly Diatlov, o odiado engenheiro cabeça-dura responsável pelo acidente nuclear que contaminou parte da Europa nos anos 1980. Mas seu papel mais lembrado é o do patriarca da família Goodman, que toda sexta-feira se reunia com a mulher e os filhos para um jantar engraçadíssimo em “Friday Night Dinner”, rotina que durou seis temporadas, exibidas de forma intermitente entre 2011 e 2020, e que ganhará uma retrospectiva em seu aniversário de dez anos no canal pago britânico Channel 4. O criador de “Friday Night Dinner”, Robert Popper, tuitou: “Devastado com esta notícia terrivelmente triste. Paul era um ser humano adorável e maravilhoso. Gentil, engraçado, super-atencioso e o melhor ator com quem já trabalhei”.
Gloria Henry (1923 – 2021)
A atriz Gloria Henry, que foi pin-up nos anos 1940 e se tornou uma mãe televisiva famosa nos anos 1960, morreu em 3 de abril. A notícia foi confirmada por seu filho, numa homenagem postada no fim de semana nas redes sociais. Ela tinha 98 anos. Nascida Gloria Eileen McEniry em New Orleans, Louisiana, ela se mudou para Los Angeles no final da adolescência e trabalhou em programas de rádio, comerciais e atuou em grupos de teatro. Ela assinou com a Columbia Pictures e fez sua estreia no cinema em 1947, no drama “Sport of Kings”, emendando vários papéis seguidos, enquanto o estúdio explorava sua beleza em fotos de maiô e shorts para promover as produções. Em cinco anos de contrato, apareceu em nada menos que 25 filmes – entre eles, os westerns “Almas Indomáveis” (1948) e “Cavaleiros do Céu” (1949), ambos com o cowboy Gene Autry, e “O Diabo Feito Mulher” (1952), com Marlene Dietrich, além da comédia “Minha Adorável Secretária” (1949) com Lucille Ball. Ao fim do contrato em 1952, estrelou a série “The Files of Jeffrey Jones” e seguiu na televisão, aparecendo em episódios de várias produções, como “The Abbott and Costello Show”, “Papai Sabe Tudo”, “Casal do Barulho” e “Perry Mason”. Em 1959, Gloria assumiu seu papel mais popular, como a mãe do arteiro Dennis na série “O Pimentinha”, baseada nos quadrinhos homônimos (Dennis the Menace, nos EUA) de Hank Ketcham. Ela viveu a sofredora Alice Mitchell ao lado de Herbert Anderson, intérprete de seu marido, e Jay North, o Pimentinha, por quatro temporadas e 146 episódios, até o cancelamento da atração em 1963. Graças à inúmeras reprises, que atravessaram décadas em canais pagos como Nickelodeon e TV Land, a série ultrapassou sua época, tornando-se conhecida e celebrada até hoje. As reprises no bloco Nick Jr., por sinal, são creditadas como responsáveis por convencer os executivos da Warner a produzir um filme com os personagens em 1993. Mas mesmo com roteiro do mestre John Hughes, “Dennis, o Pimentinha” (1993) não conseguiu ser tão popular quanto a atração televisiva. Após o final da série clássica, a atriz deu uma sumida e só foi reaparecer nos anos 1980, quando as reprises começaram na Nickelodeon, participando de episódios de atrações como “Newhart”, “Dallas”, “Carga Dupla” (Simon & Simon) e “Tal Pai, Tal Filho” (Doogie Howser, MD). Depois de novo hiato, ela fez em sua despedida na série “Parks and Recreation” em 2012.
Biff McGuire (1926 – 2021)
O ator William “Biff” McGuire, que participou de clássicos como “Serpico” (1973) e “Crown, o Magnífico” (1968), morreu neste domingo (4/4) aos 94 anos de idade. A causa da morte não foi informado. Apesar dos papéis em filmes importantes, McGuire priorizou a carreira teatral, que se estendeu por sete décadas. Ele esteve presente na montagem original do clássico da Broadway “No Sul do Pacífico”, em 1949, quando convenceu Oscar Hammerstein a mudar uma linha da canção que interpretou, “There Is Nothing Like a Dame”. Mas só foi indicado ao Tony, o prêmio maior dos palcos americanos, quase meio século mais tarde. E duas vezes: por “The Young Man from Atlanta” (1997) e “Morning’s at Seven” (2002). McGuire estreou na televisão em 1950 por causa do teatro, no “Chevrolet Tele-Theatre”, programa de peças filmadas, e desde então apareceu numa vastidão de episódios semanais, incluindo “Gunsmoke”, “Os Defensores”, “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Havaí 5-0”, “Kojak”, “Justiça em Dobro” (Starsky & Hutch), “Barnaby Jones”, “Tudo em Família”, “Lei & Ordem”, “Plantão Médico” (ER) e “Frasier”. Já a trajetória cinematográfica se concentrou entre os anos 1950 e 1970, com papéis em “Cidade do Vício” (1955), “Cinco Homens a Desejavam” (1963), “Crown, o Magnífico” (1968), “Por Que Tem de Ser Assim?” (1968), “Serpico” (1973) e “A Batalha de Midway” (1976). Após décadas distante do cinema, ele fez uma última aparição como protagonista em “American Seagull” (2013), uma adaptação da peça “A Gaivota”, de Anton Chekhov.
Amy Johnston (1954 – 2021)
A atriz Amy Johnston, que interpretou Cindy Lou, a namorada do roqueiro Buddy Holly no cinema, em “A História de Buddy Holly” (1978), morreu em 17 de março, em sua casa em West Fork, Arkansas, após uma longa batalha contra o câncer. Ela tinha 66 anos. Johnston fez sua estreia nas telas em 1977 em um episódio de duas partes da série “Welcome Back, Kotter”, como interesse romântico do personagem de John Travolta. Sua personagem em “A História de Buddy Holly” foi criada especialmente para o filme, que tomou muitas liberdades para narrar a vida do famoso roqueiro dos anos 1950. Na trama, Cindy Lou tenta convencer Holly de abandonar a música para ir para a faculdade. O filme fez muito sucesso e até rendeu indicação ao Oscar para Gary Busey, intérprete de Buddy Holly. Graças à repercussão, a atriz foi escalada como protagonista de sua primeira série, “Brothers and Sisters”, uma comédia universitária exibida pela rede NBC em 1979, inspirada no filme “Clube dos Cafajestes” (1978). Entretanto, a atração durou apenas 12 episódios. Johnston também apareceu nos filmes “Rooster: Spurs of Death!” (1976), “Jennifer” (1977) e em episódios de “As Panteras”, “Cagney & Lacey” e “O Homem que Veio do Céu”, antes de abandonar as telas e passar a dar aulas de teatro em uma faculdade perto de sua casa em Arkansas.
João Acaiabe (1944 – 2021)
O ator João Acaiabe, que viveu o Tio Barnabé do “Sítio do Picapau Amarelo” e o Chefe Chico em “Chiquititas”, morreu na noite de quarta-feira (31/3) em São Paulo, aos 76 anos, vítima da covid-19. A família informou que o artista testou positivo no dia 15 de março. Na data, a capital paulista começava a vacinar os idosos da sua faixa etária, e, na véspera o ator chegou a comemorar a iminência da imunização nas redes sociais. O quadro de saúde piorou e ele foi internado no Hospital Sancta Maggiore, na Mooca, no dia 21. No ano passado, o ator informou em entrevista que havia sido diagnosticado com insuficiência renal e estava na fila por um transplante de rim. De acordo com parentes, ele foi intubado na manhã desta quarta-feira (31) e faleceu após sofrer duas paradas cardíacas. Uma das filhas do Acaiabe, Thays, homenageou o pai nas redes sociais: “Guardarei no coração tudo o que vivemos e a referência que você é para a nossa família! Gratidão, meu pai. Que os espíritos de luz te recebam em Aruanda até que a gente se encontre novamente, porque almas gêmeas nunca se separam!”, escreveu. A atriz Giovanna Grigio, que contracenou com João Acaiabe na novela “Chiquititas”, destacou sua generosidade. “A gente passou texto várias vezes juntos e foi amor à primeira cena. Ter você como professor e amigo, escutar suas histórias e aprender com você com certeza foram dos maiores privilégios da minha vida! Eu já te amava antes e vou te amar pra sempre. Obrigada por tudo!”, compartilhou nas redes sociais. João Acaiabe iniciou sua carreira artística trabalhando como locutor de rádio ainda na adolescência. Estudou teatro na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD) e, a partir dos anos 1970, trabalhou com o dramaturgo Plínio Marcos em peças como “Barrela” e “Jesus Homem”. Sua estreia nas telas foi com a novela pop “Cinderela 77”, protagonizada pelos cantores Ronnie Von e Vanusa, na rede Tupi em 1977. Ele emendou no mesmo ano uma participação em “O Profeta”, um dos maiores sucessos do canal, e duas pornochanchadas: “A Tenda dos Prazeres” (também conhecido como “Ouro Sangrento”) e “Elas São do Baralho”. A carreira deu uma reviravolta quando foi para a TV Cultura, entre 1978 e 1983, conquistando destaque no programa infantil “Bambalalão”, onde contava histórias para as crianças da plateia. Foi o começo de sua trajetória com o público infantil. Sua filmografia se ampliou com produções de grande qualidade a partir de “Eles Não Usam Black-tie” (1981), de Leon Hirszman, que venceu o Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza. A partir daí vieram “A Próxima Vítima” (1983), de João Batista de Andrade, “Chico Rei” (1985), de Walter Lima Jr., “A Viagem” (1992), de Fernando E. Solanas, “Boleiros: Era Uma Vez o Futebol…” (1998), de Ugo Giorgetti, “Cronicamente Inviável” (2000), de Sergio Bianchi, “Casa de Areia” (2005), de Andrucha Waddington, etc. Ele atuou em mais de 20 longas. Mas foi um curta-metragem que lhe trouxe maior reconhecimento. “O Dia em que Dorival Encarou a Guarda” (1986), dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart, lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Gramado. Paralelamente, Acaibe chegou à Rede Globo, atuando na minissérie “Tenda dos Milagres”, de Aguinaldo Silva, em 1985. Seu papel mais duradouro foi na emissora. Entre 2001 e 2006, ele deu vida ao Tio Barnabé, no “Sítio do Picapau Amarelo”. A experiência foi seguido por outro personagem infantil muito lembrado. Entre 2013 e 2015, atuou como Chefe Chico, no remake de “Chiquititas”, no SBT. Seus últimos trabalhos foram na novela da Globo “Segundo Sol” (2018), como o pai de santo Didico, e no filme “M-8: Quando a Morte Socorre a Vida” (2019), de Jeferson De, recém-disponibilizado na Netflix.
Craig muMs Grant (1968 – 2021)
O ator Craig muMs Grant, que interpretou Arnold “Poeta” Jackson no premiado drama “Oz”, da HBO, morreu na quarta-feira (24/3) aos 52 anos, de causa não revelada. No momento de sua morte, Grant estava na Carolina do Norte por conta de seu papel recorrente na série “Hightown”, cuja 2ª temporada está atualmente sendo gravada em Wilmington para o canal pago Starz. Ele era esperado em Atlanta na segunda-feira, onde deveria encerrar outro arco recorrente na série “All the Queen’s Men”, da BET. O ator chegou a completar sua participação no novo filme de Steven Soderbergh, “No Sudden Move” (ainda sem previsão de estreia), sua terceira parceria com o cineasta, após aparecer em “Terapia de Risco” (2013) e num episódio da série “The Knick” (em 2014). Grant também possuía uma ótima relação com o cineasta Spike Lee, que o lançou no cinema no ano de 2000 no filme “A Hora do Show”. Mais recentemente, ele integrou o elenco recorrente da série “Ela Quer Tudo” (2017-2019), criada por Spike Lee para a Netflix, e fez uma pequena participação em “Infiltrado na Klan” (2018). Nascido e criado na cidade de Nova York, Grant começou sua carreira como parte da equipe Nuyorican Poetry Slam, um grupo de poetas inspirados pelo hip-hop que chamou atenção com recitais aclamados pela crítica. A arte da poesia slam rendeu um documentário, “SlamNation” (1998), e uma série, “Def Poetry” (2002-2007), dos quais ele participou. Esta experiência acabou batizando de “poeta” seu primeiro grande personagem dramático. Arnold “Poeta” Jackson foi um dos protagonistas de “Oz”, drama carcerário com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, que foi exibido entre 1997 e 2003 na HBO. Na trama, Grant dava vida a um viciado em heroína, preso por assalto à mão armada e tentativa de homicídio, que apareceu em todas as seis temporadas da produção. Ele também integrou o elenco do drama indie “Gente Comum” (2004), de Jim McKay, do terror “Água Negra” (2005), dirigido pelo brasileiro Walter Salles, de “Entrevista” (2007), escrito, dirigido e estrelado por Steve Buscemi, do filme vencedor do Oscar “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (2014), de Alejandro G. Iñárritu, e do elogiadíssimo thriller “Bom Comportamento” (2017), dos irmãos Benny e Josh Safdie.












