PIPOCAMODERNA
Pipoca Moderna
  • Filme
  • Série
  • Reality
  • TV
  • Música
  • Etc
  • Filme
  • Série
  • Reality
  • TV
  • Música
  • Etc

Nenhum widget encontrado na barra lateral Alt!

  • Etc,  Filme,  Série,  TV

    Umberto Magnani (1941 – 2016)

    27 de abril de 2016 /

    Morreu o ator Umberto Magnani, que estava no ar como o padre Romão na novela “Velho Chico”. Ele sofreu um AVC hemorrágico na segunda (25/4), dia de seu aniversário de 75 anos, enquanto gravava a novela, chegou a passar por uma cirurgia e estava em coma, no Hospital Vitória, no Rio, onde faleceu nesta quarta-feira (27/4). “Ele estava em um momento lindo da carreira. Para alguns aconteceu da melhor forma possível. Ele apagou e não sentiu nada. Estava com um personagem lindo, fazendo sucesso”, disse a atriz Isadora Ferrite, com quem Magnani atuava no teatro. Magnani era um dos poucos atores que participavam das duas fases da novela das 21h. Na trama, seu personagem religioso era o grande conselheiro de Santo (Domingos Montagner). Nos próximos capítulos da história, Romão incentivaria o presidente da cooperativa a lutar pela população de Grotas de São Francisco. A assessoria de comunicação da Rede Globo informou na tarde de terça-feira que um novo padre, interpretado por Carlos Vereza, assumirá a paróquia de Grotas do São Francisco na trama. A Record, emissora na qual o ator também está no ar, com a reprise de “Chamas da Vida”, lamentou a morte em nota oficial: “Externamos nossa solidariedade à família, aos amigos e fãs de Umberto Magnani”. Nascido em 1941 em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior paulista, Umberto Magnani começou sua extensa carreira no teatro, após ingressar na Escola de Artes Dramáticas (EAD) em 1965. Em 1968, ele trabalhou com Ruth Escobar e chegou a substituir Antonio Fagundes no Teatro de Arena, na peça “Primeira Feira Paulista de Opinião”, de Lauro César Muniz. Sua estreia em novelas aconteceu na primeira versão de “Mulheres de Areia”, exibida pela TV Tupi em 1973. No cinema, debutou em “Chão Bruto” (1977), dirigido por Dionísio Azevedo e estrelado por Regina Duarte, a quem encontraria várias vezes ao longo da carreira. Ele chegou na Globo em 1982, quando participou de um episódio do programa “Caso Verdade” e apareceu em duas novelas consecutivas, “Sétimo Sentido” (1982) e “Razão de Viver” (1983). Fez ainda pequenos papeis nas minisséries de época “Anarquistas, Graças a Deus” (1982), “Grande Sertão: Veredas” (1985) e “Memórias de um Gigolô” (1986). Mas só foi se destacar em produções da breve TV Manchete, onde coestrelou o seriado “Joana” (1984), como ex-marido da protagonista Regina Duarte, e a minissérie “Rosa dos Rumos” (1990), na qual viveu seu maior vilão televisivo. Paralelamente ao trabalho televisivo, Magnani fez filmes, como os clássicos “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral, e “Kuarup” (1989), de Ruy Guerra, e consagrou-se no teatro, recebendo duas vezes o Troféu Mambembe, por sua atuação nas peças “Lua de Cetim” e “Às Margens do Ipiranga”, e duas o Prêmio Governador do Estado, também por “Às Margens do Ipiranga” e “Nossa Cidade”. Seu último trabalho nos palcos foi a peça “Elza e Fred”, na qual foi protagonista ao lado de Suely Franco. O espetáculo ficou em cartaz entre 2014 e 2015. Além de atuar, Magnani ocupou importantes cargos públicos. De 1977 a 1990, ele foi diretor regional da Fundação Nacional de Artes Cênicas, do Ministério da Cultura, e presidente da Comissão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em 1985. O trabalho institucional acabou lhe tirando de cena, rendendo uma pausa de mais de uma década no cinema, só foi interrompida na vidada do século com “Cronicamente Inviável” (2000), “Cristina Quer Casar” (2003), “Quanto Vale ou É por Quilo?” (2005) e “Os Inquilinos” (2009). Após sair do Ministério da Cultura, ele integrou o elenco de diversas novelas da Globo escritas por Manoel Carlos, como “Felicidade” (1991), “História de Amor” (1996), “Páginas da Vida” (2006) e até a minissérie “Presença de Anita” (2001). Fez também “Alma Gêmea” (2005), de Walcyr Carrasco, e o remake de “Cabocla” (2004), de Benedito Ruy Barbosa, autor de “Velho Chico”. Nos últimos anos, vinha mostrando seu talento na Record, onde atuou nas novelas “Chamas da Vida” (2008), “Ribeirão do Tempo” (2010), “Máscaras” (2012), “Balacobaco” (2012) e a minissérie bíblica “Milagres de Jesus” (2014). Ele ainda participou de duas novelas do SBT, “Éramos Seis” (1994) e “Amigas e Rivais” (2007). Magnini tinha recém-retornado à Globo, justamente para fazer “Velho Chico”, após dez anos longe da emissora.

    Leia mais
  • Etc,  Filme

    Guy Hamilton (1922 – 2016)

    24 de abril de 2016 /

    Morreu o diretor inglês Guy Hamilton, responsável por alguns dos filmes mais famosos de James Bond e grandes clássicos do cinema britânico. Ele faleceu na quarta (20/4), aos 93 anos, num hospital em Palma de Maiorca, na Espanha, onde residia há quatro décadas. Apesar do passaporte britânico, Hamilton nasceu em Paris, em 16 de setembro de 1922, onde seus pais trabalhavam a serviço da Embaixada do Reino Unido. Ele começou a carreira ainda na França, aos 16 anos, como batedor de claquete de um estúdio de cinema de Nice. Mas precisou fugir quando os nazistas avançaram sobre o país. No barco em que rumava para a África formou amizade com outro “britânico parisiense” em busca de asilo, o escritor Somerset Maugham (“O Fio da Navalha”). O encontro o inspirou a se alistar na Marinha britânica e realizar diversas missões de resgate de compatriotas em fuga da França ocupada. Ele próprio se viu enrascado quando seu barco foi afundado por nazistas, e dizia que devia a vida aos heróis da resistência, especialmente à bela francesa de 18 anos Maria-Therese Calvez, inspiradora, em sua memória, de dezenas de Bond girls. Após a guerra, ele se reuniu com sua família em Londres, onde retomou seus planos de trabalhar com cinema. Logo começou a estagiar na London Film Productions, exercendo a função de diretor assistente sem receber créditos, em clássicos como “Seu Próprio Verdugo” (1947), de Anthony Kimmins, e “Anna Karenina” (1948), de Julien Duvivier, antes de ganhar o respeito de Carol Reed, que lhe deu seus primeiros créditos profissionais e se tornou seu mentor. Hamilton assistiu Reed na criação de grandes clássicos do cinema britânico, como “O Ídolo Caído” (1948), o fabuloso “O 3º Homem” (1949), estrelado por Orson Welles, e “O Pária das Ilhas” (1951), em que conheceu sua futura esposa, a atriz franco-argelina Kerima. A parceria deixou nele uma marca profunda. “Carol era basicamente meu pai”, ele observou, em entrevista ao jornal The Telegraph. “Ele me ensinou tudo o que sei. Eu o adorava.” Outra experiência marcante foi trabalhar como assistente de John Huston no clássico “Uma Aventura na África” (1951), produção estrelada por Humphrey Bogart e Katharine Hepburn, realizada entre bebedeiras e surtos de disenteria na savana africana, que serviu para demonstrar ao jovem tudo o que podia dar errado numa filmagem. Os rigores de “Uma Aventura na África” lhe encheram de confiança para iniciar sua carreira como diretor. Hamilton conseguiu convencer o produtor Alexander Korda que podia completar um filme inteiro em três semanas, e seu mentor Carol Reed aconselhou-o a estrear com um thriller de comédia, pois teria o dobro de chances de acertar, fosse na tensão ou na diversão. O resultado foi a adaptação de “O Sineiro” (1952), considerada um das melhores produções baseadas na literatura de mistério de Edgar Wallace. A boa recepção lhe rendeu convites para dirigir mais filmes do gênero. Vieram “Um Ladrão na Noite” (1953) e “Está Lá Fora um Inspetor” (1954). Mas para se firmar como grande diretor, Hamilton foi buscar inspiração em suas aventuras reais de guerra. “Escapando do Inferno” (1955) narrava a fuga de um grupo de prisioneiros de um campo de concentração nazista e foi rodada no castelo de seu título original, “The Colditz Story”. Baseado no livro de memórias de P.R. Reid (interpretado por John Mills no filme), o longa provou-se tão ressonante que sua trama acabou resgatada numa série de TV, duas décadas depois – “Colditz”, que durou três temporadas entre 1972 e 1974. O sucesso continuou com “A Clandestina” (1957), um filme incomum para a época, sobre o poder destrutivo da paixão sexual, envolvendo um capitão de navio (Trevor Howard) e uma jovem clandestina mestiça (a italiana Elsa Martinelli). E persistiu com a comédia “Quase um Criminoso” (1959), em que James Mason finge deserção para a União Soviética para processar os jornais por calúnia e sustentar seu plano de uma vida de luxo nos EUA. Os acertos sucessivos lhe renderam o convite para assumir sua primeira produção a cores, “O Discípulo do Diabo” (1959), drama de época que havia perdido seu diretor em meio a choques com os egos de seus astros, Burt Lancaster, Kirk Douglas e Laurence Olivier. Ainda que o filme tenha representado seu primeiro fracasso comercial, o fato de Hamilton conseguir trabalhar/domar as feras foi tido como um feito, que lhe abriu o mercado internacional – seguiram-se a produção italiana “O Melhor dos Inimigos” (1961), estrelada por David Niven, e a coprodução americana “As Duas Faces da Lei” (1964), com Robert Mitchum. Quando os produtores Albert R. Broccoli e Harry Saltzman adquiriram os direitos de James Bond, Hamilton foi sua primeira opção para estrear o personagem nos cinemas. Mas o cineasta tinha a agenda ocupada, e a oportunidade foi agarrada por Terence Young. Dois anos depois, porém, Hamilton não voltou a recusar o convite, que considerou uma oportunidade de superar seu maior desgosto. Ele estava arrasado após filmar “The Party’s Over”, que foi proibido pelo comitê de censura por conter cenas polêmicas, como uma orgia envolvendo necrofilia. Foram meses de trabalho perdido – o longa só veio à tona muito depois e com inúmeros cortes. Com a censura atravessada na garganta, Hamilton resolveu ousar na franquia de espionagem e acabou realizando aquele que até hoje é o longa mais cultuado de James Bond, “007 Contra Goldfinger” (1964). Para começar, decidiu aumentar a temperatura sexual, apresentando, logo de cara, uma mulher nua coberta de ouro – a morte mais brilhante, literalmente, nas cinco décadas da série. A trama também destacava a Bond girl de nome mais chamativo, Pussy Galore (Honor Blackman), e a melhor ameaça a laser, apontada exatamente entre as pernas de um cativo 007. As tiradas do vilão também marcaram época – “Não, Sr. Bond, eu espero que você morra!”. Sem esquecer da música tema de Shirley Bassey, “Goldfinger”, uma das canções mais famosas do cinema, que Hamilton brigou com os produtores para incluir na abertura – “Eu não sei se vai fazer sucesso, Harry, mas dramaticamente funciona”, ele disse a Saltzman. Foi ainda “007 Contra Goldfinger” que estabeleceu os elementos mais icônicos dos filmes de James Bond, ao apresentar Sean Connery dirigindo seu Aston Martin repleto de armas secretas, seduzindo vilãs até torná-las aliadas, tomando martíni para flertar com o perigo e fumando com charme antes de explodir uma bomba. O longa rendeu o dobro de bilheteria dos dois filmes anteriores de 007. O que colocou Hamilton na mira de um rival, o agente secreto Harry Palmer. O cineasta filmou em seguida “Funeral em Berlim” (1966), o segundo filme da trilogia do espião que usava óculos, vivido por Michael Caine. Ele completou sua década vitoriosa com “A Batalha da Grã-Bretanha” (1969), recriação meticulosa e em escala épica do esforço da RAF (força aérea britânica) para impedir a invasão nazista ao Reino Unido. A produção talvez seja seu trabalho mais elogiado pela crítica, que resiste até hoje como um dos grandes clássicos de guerra. A ambiciosa realização de “A Batalha da Grã-Bretanha” confirmou que Hamilton era o diretor mais indicado para comandar a franquia 007, que começava a dar sinais de decadência, com o desastre representado pela falha de George Lazenby em substituir Connery em 1969. Convencidos disto, os produtores o trouxeram de volta para três filmes consecutivos, de modo a garantir uma transição tranquila entre Sean Connery, que voltou à saga oficial para se despedir pela segunda vez com “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971), e Roger Moore, o novo James Bond a partir de “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973). Para emplacar Moore, Hamilton contou até com a ajuda de um Beatle, Paul McCartney, que compôs “Live and Let Die” como tema da estreia do ator. Mas foi o filme seguinte, “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974), que soube explorar melhor a mudança de intérprete, apresentando um Bond mais divertido, relaxado e simpático. A franquia praticamente renasceu com a adoção de elementos cômicos, que Hamilton já considerava um diferencial em “Goldfinger”, além de se tornar mais extravagante, com carrões, jatos e mulheres sempre lindas. James Bond virou um playboy. Depois de três “007” seguidos, Hamilton voltou à guerra. Foi dirigir Harrison Ford, recém-consagrado pelo sucesso de “Guerra nas Estrelas” (1977), em “O Comando 10 de Navarone” (1978), continuação do clássico “Os Canhões de Navarone” (1961). Mas, acostumado a blockbusters, ele entendeu o sucesso moderado obtido pela produção como hora de mudar de estilo. Quis mudar tudo, diminuir o ritmo, e optou por trocar a ação intensa pelas tramas cerebrais de mistério que lançaram sua carreira. Assim, realizou duas adaptações consecutivas de Agatha Chistie. “A Maldição do Espelho” (1980) registrou a última aparição da personagem Miss Marple no cinema, vivida por Angela Lansbury, enquanto “Assassinato num Dia de Sol” (1982) foi o penúltimo filme com Peter Ustinov no papel do detetive Hercule Poirot. Filmada nas ilhas de Maiorca, esta produção acabou tendo impacto na vida pessoal do cineasta, que, impressionado pela locação, convenceu-se a abandonar sua residência na Inglaterra para passar o resto de sua vida no litoral espanhol com sua esposa. Hamilton já fazia planos de aposentadoria e não filmava há três anos quando foi convencido pela MGM a fazer sua tardia estreia em Hollywood. O projeto era basicamente lançar um 007 americano, baseado num personagem igualmente extraído de uma franquia literária de ação. Só que a crítica não perdoou a tentativa apelativa. Estrelado por Fred Ward como um agente secreto a serviço da Casa Branca, “Remo – Desarmado e Perigoso” (1985) foi considerado um James Bond de quinta categoria. E a produção, que ia inaugurar uma franquia, se tornou o maior fracasso da carreira do diretor. Resignado, ele decidiu encerrar a carreira. Mas nos seus termos, lembrando o conselho precioso de Carol Reed. Se tinha começado com um thriller de comédia, também sairia de cena com chances de motivar meio riso ou meia aflição. E deixou a cortina cair com “De Alto Abaixo” (1989). Deu sua missão por comprida, e gentilmente recusou a proposta da Warner para, novamente, ajudar a lançar uma franquia de ação em Hollywood. Guy Hamilton disse não a “Batman” (1989).

    Leia mais
  • Música

    Prince (1958 – 2014)

    22 de abril de 2016 /

    O cantor, músico e compositor Prince foi encontrado morto em seu estúdio de gravação no Minnesota, nos Estados Unidos, na quinta-feira (21/4), aos 57 anos. Ainda não se sabe a causa da morte, mas na semana passada um problema de saúde do artista, que não foi revelado, obrigou seu avião particular a fazer um pouso de emergência para levá-lo a um hospital no Illinois, quando ele voltava de um show em Atlanta. Além de gravar sucessos que marcaram gerações, Prince desenvolveu uma breve carreira cinematográfica, trabalhando como ator, diretor e compositor de trilhas sonoras. Ele inclusive venceu um Oscar e dois Globos de Ouro. Prince Rogers Nelson nasceu em 7 de junho de 1958 em Minneapolis, e desde cedo demonstrou interesse pela música. Isto o levou a participar ativamente da cena musical da cidade, que acabou crescendo junto de seu sucesso. Ele lançou o primeiro disco aos 19 anos de idade, em 1978. Seu disco seguinte se tornou platina, revelando seus primeiros hits. Mas foram seus três álbuns seguintes, “Dirty Mind” (1980), “Controversy” (1981) e “1999” (1982) que estabeleceram sua persona como um artista genial, excêntrico e multifacetado, capaz de cantar, compor, tocar diversos instrumentos e produzir sucessos, além de originar um novo estilo de funk, influenciado por sintetizadores e batidas da new wave, sem perder de vista a sensualidade do bom e velho rock’n’roll. Seus discos continuaram se tornando cada vez melhores ao longo da década, mas o reconhecimento de seu talento também alimentou sua ambição. Em 1984, ele fez sua estreia no cinema, estrelando “Purple Rain”, um musical escrito e dirigido pelo estreante Albert Magnoli. O diretor só fez mais três filmes medíocres no resto de sua carreira, mas “Purple Rain” é lembrado até hoje. Virou cult. Não porque Prince tenha se revelar um excelente ator, mas pelas músicas que ele compôs para a trilha sonora. O álbum com a trilha fez muito mais sucesso que o filme, vendendo 13 milhões de cópias. Celebrado como um dos melhores trabalhos da carreira do cantor, “Purple Rain” rendeu a canção-síntese de Prince, “When Doves Cry”, com solo de guitarra roqueiro, batida new wave e letra sensual. Foi também a sua primeira música a atingir o 1º lugar da parada de sucessos da Billboard. “When Doves Cry” ainda ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Mas o Oscar foi para o disco inteiro: Melhor Trilha de Canções de 1985, um prêmio da época dos grandes musicais de Hollywood, que já não existe mais. O filme, por sua vez, apresentou ao mundo a cena de Minneapolis, com participações de Morris Day e da banda The Time, projeto paralelo do cantor, além de introduzir sua banda de apoio, The Revolution, e lançar Apollonia 6, uma das muitas estrelas-namoradas de seu laboratório pop. Ao contribuir para o roteiro e o casting sem receber créditos, Prince resolveu que não faria mais filmes com outros cineastas. Ele ensaiou seus primeiros passos como diretor ao assumir o comando de seus próprios videoclipes. O primeiro que assinou por conta própria foi justamente “When Doves Cry”. No ano seguinte, bisou a dose com “Raspberry Beret”, que virou outro sucesso retumbante de sua carreira. O disco “Around the World in a Day” (1985) foi concebido para ser o seu “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), incorporando psicodelia em seu funk sintetizado. E não por acaso. Prince queria ser reconhecido como um artista tão talentoso quanto os Beatles. Seu disco seguinte, “Parade” (1986), fez ainda mais sucesso, graças ao fenômeno popular da música “Kiss”. Mas, como os Beatles, ele resolveu desmanchar a banda. The Revolution, que ficou conhecida pelas instrumentistas gatas de sua formação (a guitarrista Wendy Melvoin e a tecladista Lisa Coleman), deu lugar a uma explosão de megalomania. Prince virou diretor, ator e artista solo. O cantor se lançou como cineasta com “Sob o Luar da Primavera” (1986), filmado em preto e branco e estrelado por ele próprio, como um gigolô que tenta dar um golpe numa herdeira francesa (Kristin Scott Thomas, em sua estreia no cinema). Mas apesar da trilha, que consistia basicamente do disco “Parade”, o filme não repetiu o sucesso de “Purple Rain”. Não bastasse o fiasco de público, Prince ainda virou piada, tornando-se o grande vencedor do troféu Framboesa de Ouro. “Sob o Luar da Primavera” não só foi considerado o Pior Filme do ano, como ainda conquistou as framboesas de Pior Direção, Roteiro e Canção (“Love or Money”). Prince respondeu às críticas negativas com um surto de criatividade, concebendo um disco duplo, “Sign o’ the Times” (1987), e um documentário sobre sua gravação. Alguns críticos o chamaram, na época, de melhor disco da década. E após outro álbum, “Lovesexy” (1988), ele foi convidado a compôr músicas para a trilha do filme mais esperado de 1989: “Batman”, dirigido por Tim Burton. O enorme sucesso do filme rendeu um de seus maiores hits, “Batdance”, e acabou convenceu-o a voltar à ficção cinematográfica. Segundo longa de ficção dirigido pelo cantor, “Graffiti Bridge” (1990) foi concebido como um projeto da banda The Time, mas acabou virando uma sequência de “Purple Rain”, com Prince retomando seu personagem daquele filme, The Kid. A estratégia de lançar um disco com o mesmo título do filme também foi seguida. Assim como a ideia de mostrar Morris Day e The Time como vilões e introduzir uma novo grupo de apoio para o cantor, The New Power Generation. Não deu outra: “Graffiti Bridge” entrou nas listas dos piores filmes do ano, sendo indicado a cinco troféus no Framboesa de Ouro, inclusive Pior Filme, Ator (Prince), Diretor (Prince) e Roteiro (Prince). Por sorte, não venceu nenhum, mas a péssima recepção serviu para o cantor perceber que jamais teria um futuro cinematográfico à altura de sua discografia. Foi o fim da trajetória de Prince como cineasta e o começo da jornada rumo à implosão de sua carreira. Três anos depois, em 1993, ele abandonou sua própria identidade, ao adotar, como novo nome, um símbolo impronunciável, descrito como o “símbolo do amor”. Virou o Artista Antigamente Conhecido como Prince. A mudança fazia parte de uma estratégia calculada, visando livrá-lo de seu contrato com a Warner Music, que ele acreditava estar limitando sua criatividade. Prince não se conformava em ter permissão para lançar apenas um disco por ano. A Warner demonstrou como ele estava equivocado ao lhe dar corda, deixando-o produzir dois discos em 1994. Ambos fracassaram. Mas seu plano de lançar mais discos simultaneamente também visava apressar o final de seu contrato (por discos lançados), o que aconteceu em 1996, com pouca fanfarra, após seu álbum menos popular na gravadora, “Chaos and Desorder”, implodir nas paradas. O Artista Antigamente Conhecido como Prince se tornou um cantor independente com “Emancipation” (1996), um CD triplo com 36 faixas. Não satisfeito, deu sequência à egotrip com “Crystal Ball” (1998), desta vez composto por cinco CDs e 53 faixas. Além do excesso musical, o disco marcou outra faceta extrema do artista: sua obsessão pelo controle completo de sua obra. Querendo eliminar atravessadores, ele concentrou a distribuição em seu site oficial, o que se provou caótico e gerou revolta em fãs que não conseguiram encontrar o disco. Foi um desastre. Em busca dos fãs perdidos em seu desastrado começo independente, ele retomou o nome Prince em 2000. Um ano depois, abraçou a religião, virando Testemunha de Jeová, o que representou um choque para quem cresceu ouvindo suas letras libidinosas. Ao continuar lançando suas músicas novas pela internet, ele também se afastou das rádios e da TV. O que o fez privilegiar o contato direto com o público por meio de shows, situação em que se descobriu, inesperadamente, um artista de antigos sucessos, como se pode constatar pelo lançamento de seu primeiro disco “ao vivo” – triplo, claro – , em 2002. Mas Prince ainda tinha fôlego para novos hits. Sua carreira musical foi reabilitada graças à estratégia ousada de lançamento do disco “Musicology” (2004), distribuído de graça para quem comprasse os ingressos de sua nova turnê. Prince fez milhões como o artista de maior bilheteria de shows daquele ano. E “Musicology” o colocou de volta nas paradas de sucesso. A própria indústria musical se espantou, conferindo-lhe prêmios (dois Grammy). Suas iniciativas pioneiras no uso da internet como plataforma de vendas e divulgação lhe renderam o prêmio Webby de maior inovador da web em 2006. E daí, um mês depois da cerimônia, ele decidiu fechar seu site. Além disso, vetou a exibição de suas clipes na internet, que permanecem proibidos até hoje, comprovando que só Prince entende Prince. 2006 também marcou seu último trabalho cinematográfico: a composição da música “The Song of the Heart” para a animação “Happy Feet – O Pinguim”, de George Miller. Pela composição, ele ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Mesmo mantendo o ritmo de composição e lançamento de discos, Prince se destacou mais, nos últimos anos, sobre o palco, como artista de shows grandiosos, incluindo o concerto do Super Bowl de 2007, a Earth Tour, a 20Ten Tour e a Live Out Loud Tour, entre diversas outras apresentações e participações em festivais. Mas Prince também ficou conhecido por outros feitos menos nobres, ao processar fãs, que postavam gravações piratas de seus shows, e proibir a circulação de vídeos amadores com suas músicas ou apresentações. Ele comprou briga até com a banda Radiohead, sobre o direito dos fãs de registrarem seu cover de “Creep” no YouTube. A banda tentou intervir, mas o artista antigamente adorado não quis deixar quem não comprou ingresso ouvir sua versão. Por conta dessas atitudes, em 2013 a Electronic Frontier Foundation lhe deu um prêmio infame, inspirado numa de suas canções, o Raspberry Beret Lifetime Aggrievement Award, em reconhecimento a seus esforços para processar, perseguir e espezinhar seus próprios fãs, impedindo-os de se manifestarem com suas músicas na internet. Ele também proibiu a série “Glee” de lhe prestar homenagem, em 2011. Madonna, Britney Spears e os Beatles receberam o tributo que ele não quis. Pouco antes de morrer, Prince anunciou que estava escrevendo um livro de memórias, intitulado “The Beautiful Ones”, nome de uma música de “Purple Rain”.

    Leia mais
  • Etc,  Filme,  TV

    Flávio Guarnieri (1959 – 2016)

    8 de abril de 2016 /

    Morreu o ator Flávio Guarnieri, que seguiu os passos do pai, o grande dramaturgo Gianfracesco Guarnieri, no teatro, no cinema e na televisão. Ele faleceu na noite de quinta (7/4), aos 54 anos, em São Paulo. Em nota, a assessoria de imprensa não informou a causa da morte e pediu privacidade à família. Flávio nasceu em Lisboa, em 26 de setembro de 1959, e sob influência do pai começou a atuar nos palcos desde a infância. Com dezenas de peças de teatro no currículo, ele ganhou o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de ator-revelação aos 21 anos de idade, por conta de seu papel na novela “Os Adolescentes” (1981), da Band, na pele de Caíto. A produção marcou época por trazer temas até então considerados tabus para a televisão, como vício em drogas, gravidez adolescente, pedofilia e homossexualidade. O personagem de Flávio era um jovem gay, que enfrentava preconceito. Além dele, o elenco de jovens protagonistas contava com Júlia Lemmertz, Tássia Camargo e André di Biasi, que acabaram tendo maior projeção na TV. Depois da consagração crítica de “Os Adolescentes”, Flávio emplacou mais duas novelas na Band, “Ninho da Serpente” (1982) e “O Campeão” (1982), além da minissérie “O Cometa” (1989), mas a baixa audiência implodiu o projeto de dramaturgia do canal paulista. Ele fez apenas uma novela da Globo, “Transas e Caretas” (1984), por isso não se tornou tão conhecido quanto seu irmão mais novo Paulo, que apareceu em diversas obras populares da emissora carioca. A estreia no cinema foi aos 18 anos, na rara sci-fi distópica “Parada 88 – O Limite de Alerta” (1977), que também foi o primeiro filme de Paulo, então com 15 anos. Participou ainda da pornochanchada “Viúvas Precisam de Consolo” (1979), produção da Boca do Lixo dirigida pelo ator Ewerton de Castro, antes de trabalhar com o pai no clássico “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), adaptação da peça escrita por Gianfrancesco, que girava em torno de uma greve sindical. Seu papel de maior destaque veio em “Janete” (1983), de Chico Botelho, sobre uma prostituta da Boca do Lixo. Com trilha de Arrigo Barnabé, o filme foi premiado no Festival de Gramado, mas seu realismo não agradou ao governo, que na época ainda exercia poder de censura na cultura, obrigando diversos cortes, o que prejudicou seu lançamento. Flávio nunca mais fez outro filme. O ator reclamava da falta de espaço até na TV. Seu último personagem foi Juca Ramos na novela “Amigas e Rivais”, no SBT, em 2008. Mesmo assim, continuava a atuar no palco. Flávio esteve em cartaz recentemente com o irmão Paulo na peça “Irmãos, Irmãos… Negócios à Parte”.

    Leia mais
  • Etc,  Filme

    Chus Lampreave (1930 – 2016)

    5 de abril de 2016 /

    Morreu a atriz espanhola Chus Lampreave, a mais velha das “meninas” do diretor Pedro Almodóvar, cuja presença marcante era facilmente reconhecida pela voz aguda e os óculos de lentes grossas (fundo de garrafa). Ela faleceu na segunda-feira (4/4) aos 85 anos de idade. María Jesús Lampreave nasceu em 11 de dezembro de 1930 em Madri e teve uma carreira extensa no cinema espanhol, iniciada pelo curta-metragem “Se Vende un Tranvía” (1959), roteirizado por Luis García Berlanga, com quem trabalharia em diversos longas. Mas sua estreia em longa-metragem, curiosamente, deu-se pelas mãos de um diretor italiano, o mestre Marco Ferreri (“Crônica do Amor Louco”), que a escalou como figurante em “El Pisito (1959) e coadjuvante em “El Cochecito” (1960). Ela participou de poucos filmes durante o período franquista, como “O Carrasco” (1963), dirigido por Berlanga. Por isso, só foi deslanchar a partir de 1970, quando coadjuvou cinco filmes consecutivos de Jaime de Armiñán – inclusive o clássico “Mi Querida Señorita” (1972) – e a trilogia “Nacional” de Berlanga, inciada por “La Escopeta Nacional (1978) e encerrada em “Nacional III” (1982). A parceria que marcaria sua carreira, porém, só teve início em 1980, quando o então jovem Pedro Almodóvar rodou seu segundo longa, “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão”. O encontro frutificaria em várias outras colaborações, até render um de seus papeis mais lembrados em “Maus Hábitos” (1983). A atriz se consagrou como ladra de cenas ao aparecer, no longa, como a irmã Rata, uma freira atípica, que escrevia livros sensacionalistas sob pseudônimo num convento. Chus Lampreave fez uma dezena de filmes com Almodóvar, tornando-se a atriz mais fiel da carreira do cineasta. Entre as produções que participou estão alguns dos maiores sucessos da carreira do diretor, como “Que Fiz Eu Para Merecer Isto?” (1984), “Matador” (1986), “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988), “A Flor do Meu Segredo” (1995), “Fale com Ela” (2002) e “Volver” (2006). Por este filme, ela foi, inclusive, premiada no Festival de Cannes – junto com as demais atrizes que co-protagonizaram o longa: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Duenas, Blanca Portillo e Yohana Cobo. O último filme que fez para Almodóvar foi “Abraços Partidos” (2009), mas Lampreave continuou requisitada por Fernando Trueba, com quem também trabalhou em diversas obras desde os anos 1980, como “El Año de las Luces” (1986), “Sedução” (1992) e o recente “O Artista e a Modelo” (2012). “Sedução”, por sinal, rendeu-lhe o único Goya (o Oscar espanhol) de sua carreira, como Atriz Coadjuvante. Ela ainda estrelou outras comédias espanholas bem-sucedidas, como “Miss Caribe” (1988), de Fernando Colomo, “Mátame Mucho” (1998), de José Ángel Bohollo, e “À Moda da Casa” (2008), de Nacho G. Velilla. Mas seu maior sucesso foi uma franquia cômica escrita, dirigida e estrelada por Santiago Segura, “Torrente”, da qual participou em cinco longa-metragens entre 1998 e 2014. O capítulo mais recente, “Torrente V: Misión Eurovegas”, foi também seu último trabalho no cinema. “Chus Lampreave foi esse tipo de artista que fazia parte da nossa vida, reconhecida e amada por todos que faziam parte da grande família que é a cultura”, afirmou o ministro da Cultura espanhol, Inigo Mendez de Vigo, ao despedir-se da “menina”.

    Leia mais
  • Etc,  Filme,  Série,  TV

    Tereza Rachel (1935 – 2016)

    4 de abril de 2016 /

    Morreu a atriz Tereza Rachel, que marcou o teatro brasileiro, criou vilãs inesquecíveis de novelas e fez obras importantes do cinema nacional. Ela faleceu no sábado (2/4), aos 82 anos, após um quadro agudo de obstrução intestinal que a deixou quatro meses internada na CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do Hospital São Lucas. Batizada Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra, ela nasceu em 19 de agosto de 1935 na cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, e começou a atuar na década de 1950, já com trabalhos na TV, no cinema e no teatro. A primeira peça foi “Os Elegantes”, de Aurimar Rocha, em 1955. A estreia no cinema aconteceu no ano seguinte, na comédia “Genival É de Morte” (1956), de Aloísio T. de Carvalho, e logo em seguida veio a carreira televisiva, a partir da série “O Jovem Dr. Ricardo” na TV Tupi em 1958. A primeira metade dos anos 1960 viu multiplicar sua presença no cinema. Foram cinco filmes no período de dois anos, entre 1963 e 1965, com destaque para o clássico “Ganga Zumba” (1963), primeiro longa-metragem de Cacá Diegues, sobre escravos fugitivos e a fundação do Quilombo de Palmares, na qual viveu a senhora de uma fazenda. Participou também do drama “Sol sobre a Lama” (1963), do cineasta e crítico de cinema Alex Viany, “Procura-se uma Rosa” (1964), estreia na direção do ator Jesse Valadão, e “Canalha em Crise” (1965), do cinemanovista Miguel Borges, além de “Manaus, Glória de Uma Época” (1963), produção alemã passada na “selva brasileira”. Mas foi no teatro, na segunda metade da década, que obteve maior projeção, ao participar de peças históricas, como a montagem de “Liberdade, Liberdade”, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, com o Grupo Opinião em 1965, um marco do teatro de protesto. Dois anos depois, interpretou Jocasta em “Édipo Rei”, com Paulo Autran, novamente sob direção de Flavio Rangel. Em 1969, integrou o elenco da histórica encenação brasileira de “O Balcão” (1969), de Jean Genet, dirigida pelo argentino Victor Garcia. Sua relação com o teatro foi além do papel desempenhado nos palcos. Determinada a encenar cada vez mais peças de qualidade, assumiu a condição de produtora, trazendo vários textos de vanguarda para serem montados no Brasil pela primeira vez, como “A Mãe” (1971), do polonês Stanislaw Witkiewicz, que ela descobriu ao assistir a uma montagem em Paris. Empolgada, convenceu o diretor francês Claude Régy a vir ao Brasil supervisionar a montagem nacional, e o resultado lhe rendeu o prêmio Molière de melhor atriz. A vontade de manter peças ousadas por mais tempo em cartaz a levou a fundar seu próprio teatro. Aberto provisoriamente em 1971 e inaugurado em 1972, o Teatro Tereza Rachel acabou se tornando um importante polo cultural durante a década. E não apenas para montagens teatrais. Em seu palco, Gal Costa fez o cultuado show “Gal Fatal” (1971), e os cantores Luiz Gonzaga, Clementina de Jesus e Dalva de Oliveira realizaram suas últimas apresentações. O reconhecimento por seus trabalhos também se estenderam ao cinema, rendendo-lhe o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado pelo papel-título de “Amante muito Louca” (1973), comédia sexual que marcou a estreia na direção de Denoy de Oliveira. Ela também estrelou o marcante “Feminino Plural” (1976), de Vera de Figueiredo, obra pioneira do feminismo brasileiro, além de “Revólver de Brinquedo” (1977), de Antônio Calmon, e “A Volta do Filho Pródigo” (1978), do marido Ipojuca Pontes. Entretanto, apesar de sua relevância cultural, o grande público só passou a acompanhar melhor sua carreira quando ela começou a aparecer nas novelas da rede Globo. Sua estreia no canal aconteceu na versão original de “O Rebu” (1974), um marco da teledramaturgia nacional, exibido no “horário adulto” da emissora, às 22 horas. Enquanto as novelas populares da emissora exploravam conflitos geracionais, a trama de “O Rebu” se passava inteiramente ao longo de dois dias, em torno de suspeitos de um assassinato cometido durante uma festa. Ela também participou de “O Grito”, outra novela ousada das 22 horas, que girava em torno dos moradores de um prédio desvalorizado pela construção do Minhocão em São Paulo. Mas foram os papeis mais populares que a consagraram na telinha. Especialmente Clô Hayalla, sua primeira grande vilã, que se materializou na novela das 20 horas “O Astro” (1977). Um dos maiores sucessos da escritora Janete Clair, “O Astro” quebrou recordes de audiência e entronizou Tereza Rachel no imaginário popular como uma perua fútil e vingativa. Ela se tornou uma das mulheres mais odiadas do Brasil ao colocar a mocinha da história, Lili Paranhos (Elizabeth Savalas), na cadeia. Além disso, era infiel (característica de mulheres malvadas da televisão), e seu amante acabou se revelando o culpado pela pergunta que mobilizou o país durante quase um ano: “Quem matou Salomão Hayalla?”, seu marido na trama. Tereza apareceu em outras novelas com menor impacto, como “Marrom-Glacê” (1978), “Baila Comigo” (1981) e “Paraíso” (1982), antes de retornar a fazer maldades em “Louco Amor” (1983), como a ricaça preconceituosa Renata Dumont, que tenta impedir o romance entre sua filha e o filho da cozinheira – e, de lambuja, entre o cunhado e uma manicure. Ainda teve seus dias de mocinha, como a Princesa Isabel na minissérie de época “Abolição” (1988), sobre o fim da escravatura no Brasil, papel que repetiu na continuação, “República” (1989), exibida no ano seguinte. Por ironia, ela não foi nada nobre quando se tornou rainha, roubando, com suas malvadezas, as cenas de “Que Rei Sou Eu?” (1988), uma das mais divertidas novelas já realizadas pela Globo. O texto de Cassiano Gabus Mendes partia dos clichês dos folhetins franceses, com direito à aventura de capa e espada e intrigas da corte de um reino imaginário, para parodiar a situação política do país. Na pele da Rainha Valentine, ela se mostrava uma governante histérica, no estilo da Rainha de Copas de “Alice no País das Maravilhas”. Mas seu despotismo era facilmente manipulado por seus conselheiros reais, que eram quem realmente mandavam no reino de Avillan, a ponto de colocarem um mendigo no trono (Tato Gabus Mendes, o filho do autor), mentindo ser um filho bastardo do falecido rei. Em contraste com essa fase de popularidade, a parceria com o marido Ipojuca Pontes lhe rendeu algumas polêmicas. No segundo filme que estrelou para o cineasta, “Pedro Mico” (1985), ela tinha uma cena de sexo com Pelé. A repercussão negativa da produção – Pelé teve muitas dificuldades nas filmagens e, no final, precisou ser dublado pelo ator Milton Gonçalves – marcou o fim de sua carreira cinematográfica. E não ajudou o fato de, logo depois, Ipojuca virar secretário nacional da Cultura do governo Collor, durante uma fase desastrosa para o cinema brasileiro, com a implosão da Embrafilme, que gerou confronto com a classe artística. O período político tumultuado levou Tereza a se afastar das telas. Ela nunca mais voltou ao cinema e só retomou as novelas em 1995, como Francesca Ferreto, uma das primeiras vítimas de “A Próxima Vítima”. Teve ainda um pequeno papel em “Era Uma Vez…” (1998), mas suas aparições seguintes aconteceram apenas como artista convidada, em capítulos de “Caras e bocas” (2009), “Tititi” (2010) e a recente “Babilônia” (2015), além da série “Alice” (2008), do canal pago HBO, com direção dos cineastas Karim Aïnouz (“Praia do Futuro”) e Sérgio Machado (“Tudo o que Aprendemos Juntos”). Entre 2001 e 2008, o Teatro Tereza Rachel foi alugado para a Igreja Universal do Reino de Deus e deixou de receber produções culturais. Felizmente, o desfecho dessa história teve uma reviravolta. O local acabou tombado pelo município e reabriu como casa de espetáculos em 2012, ainda que sem o nome da atriz – virou Net Rio, mas com uma Sala Tereza Rachel. O nome de Tereza Rachel, porém, não precisa de placa para ser lembrado pela História.

    Leia mais
  • Música

    Gato Barbieri (1932 – 2016)

    3 de abril de 2016 /

    Morreu Gato Barbieri, saxofonista argentino que ficou mundialmente conhecido pela trilha do filme “O Último Tango em Paris” (1972). Ele faleceu no sábado (2/4) aos 83 anos, de pneumonia num hospital em Nova York, depois de recentemente ter sido submetido a uma cirurgia por causa de uma trombose. Leandro “Gato” Barbieri nasceu em Rosário, na Argentina, em 28 de Novembro de 1932, em uma família de músicos, e decidiu virar jazzista depois de ouvir Charlie Parker. Começou tocando clarinete e só aos 18 anos, quando se mudou para Buenos Aires, é que se dedicou ao saxofone. A opção definitiva pelo instrumento aconteceu durante uma excursão com o pianista argentino Lalo Schifrin (criador do tema de “Missão Impossível”) nos anos 1950. Ele se tornou conhecido como “Gato” neste período, devido à forma como saltava de clube em clube em Buenos Aires, acompanhado pelo seu saxofone para tocar com diversos artistas. Seu relação com o cinema começou logo em seguida, compondo trilhas para o cinema argentino. Uma de suas primeiras composições deu ritmo e melodia à adaptação de Julio Cortázar “El Perseguidor” (1965). Na vidada da década, ele desenvolveu uma forte ligação com o Brasil, passando meses no país. O período acabou registrado nos cinemas. Barbieri tocou seu sax em três filmes brasileiros. Juntou-se a Lenny Gordin e Naná Vasconcelos como músico de “Pindorama” (1970), de Arnaldo Jabor, serviu como diretor musical da comédia “Minha Namorada” (1970), de Armando Costa e Zelito Viana, e compôs a trilha sonora de “Na Boca da Noite”, de Walter Lima Jr, em parceria com as feras do jazz Ron Carter e James Spaulding. Após um começo influenciado por John Coltrane e outros saxofonistas do free jazz, Barbieri passou, a partir de então, a fundir a música tradicional sul-americana em seu estilo, do tango ao samba. A guinada coincidiu com a obra que lhe deu maior visibilidade, a trilha sonora de “O Último Tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci. “Foi como um casamento entre o filme e a música”, descreveu Barbieri em uma entrevista de 1997 para a agência de notícias Associated Press. “Bernardo me disse: ‘Eu não quero que a música seja muito Hollywood ou muito europeia, que é mais intelectual. Quero um tom mediano.'” Foi o que levou ao tango e a redescoberta de sua alma argentina. “O tango sempre é uma tragédia”, ele explicou. “A mulher deixa o homem ou o mata. É como uma ópera, mas se chama tango… e é muito sensual.” O álbum derivado do filme rendeu-lhe um prêmio Grammy e impulsionou sua adoção de um estilo mais latino, levando-o a se consagrar como pioneiro do chamado “alma-jazz” ou jazz latino. O ponto alto desta transformação se deu com o sucesso comercial da gravação de “Europa (Earth’s Cry Heaven’s Smile)”, de Carlos Santana, em 1976. Preferindo se concentrar no universo musical, Barbieri acabou deixando de lado o cinema. Seguiram-se poucos trabalhos cinematográficos, como as trilhas de “Poder de Fogo” (1979), de Michael Winner, e “Uma Estranha Paixão” (1983), de Matthew Chapman. Mas a morte de sua esposa Michelle o levou a se retirar até do circuito jazzista durante um longo período. Ele foi reemergir em duas trilhas realizadas para cineastas iranianos nos anos 1990, “Manhattan by Numbers” (1993), de Amir Naderi, e “Seven Servants” (1996), de Daryush Shokof, suas últimas composições para o cinema. Os trabalhos ajudaram a devolver-lhe a energia e preparam terreno para o lançamento de um de seus discos mais populares, “Que Pasa”, que atingiu o 2º lugar da parada de jazz da revista Billboard em 1997. Apesar de afastado das trilhas, ele permaneceu ativo com gravações e shows nos últimos anos. Desde 2013, fazia apresentações regulares no tradicional clube de jazz nova-iorquino Blue Note, que emitiu uma nota lamentando seu falecimento. “Hoje perdemos um ícone, um pioneiro e um querido amigo. A contribuição significativa do Gato para a música e para as artes foram uma inspiração para todos nós.” Com um estilo geralmente definido como “torrencial e quente”, Barbieri era considerado um dos grandes saxofonistas contemporâneos e, para muitos, o segundo maior músico argentino do jazz moderno, atrás apenas de Lalo Schifrin, em cuja orquestra também tocou. Em 2015, Barbieri recebeu um prêmio pela carreira do Grammy Latino, em reconhecimento a seu talento, que cobriu “virtualmente toda a paisagem do jazz”.

    Leia mais
  • Etc,  Filme,  Série

    Patty Duke (1946 – 2016)

    30 de março de 2016 /

    A atriz Patty Duke, que venceu o Oscar e teve uma série com seu nome antes de se tornar adulta, morreu na terça-feira (29/3), após sofrer complicações de uma infecção causada por uma perfuração no intestino. Ela tinha 69 anos. Patty nasceu Anna Marie Duke em Nova York, em 1946, e interpretou diversas nova-iorquinas ao longo de sua trajetória, que iniciou muito cedo. Ela ganhou o pseudônimo Patty ainda criança, aparecendo com este nome em seus primeiros trabalhos de 1954, aos oito anos de idade, quando começou a fazer pequenas participações em filmes, telenovelas e diversos teleteatros. A mudança foi exigência de seus empresários, que achavam “Anne Marie” pouco artístico. Os empresários, o casal John and Ethel Ross, não cuidavam apenas de sua carreira. O pai de Patty era um taxista alcoólatra e sua mãe sofria de depressão. Quando a menina tinha seis anos, a mãe teve um surto e expulsou seu pai de casa. Aos oito, a entregou aos cuidados do casal Ross, que passou a cuidar dela, mas não necessariamente de forma amorosa, transformando-a numa máquina de ganhar dinheiro. Forjaram currículo, mentiram sua idade e, quando ela se provava difícil de lidar, a viciaram em álcool. Tudo isto está em sua autobiografia. A criança tinha um talento evidente, que já se manifestava aos 12 anos, quando passou a se destacar em produções de diferentes gêneros, como o drama “A Deusa” (1958), a sci-fi “Quarta Dimensão” (1959) e a comédia “Feliz Aniversário” (1959). No mesmo período, ela fez sua estreia na Broadway, estrelando a peça “The Miracle Worker”, na qual deu vida a Helen Keller, uma garota cega, surda e muda. A peça fez enorme sucesso e ficou em cartaz por dois anos. O papel de Helen Keller acabou sendo, de forma precoce, o ponto alto de sua carreira. Em 1962, aos 16 anos, ela foi escalada para revivê-lo em “O Milagre de Anne Sullivan”, drama dirigido por Arthur Penn, no qual sua personagem precisava de ajuda constante da incansável professora Anne Sullivan (Anne Bancroft, que também atuou na peça). Por seu desempenho, Patty venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e se tornou, na época, a pessoa mais jovem a conquistar um prêmio da Academia. O Oscar a deixou tão famosa que ela ganhou uma série com seu próprio nome, “The Patty Duke Show”. O título foi escolhido antes que a rede ABC soubesse qual seria trama. A ideia era criar uma atração para a estrelinha ascendente, o que quer que fosse. O fato é que, até então, não existiam programas estrelados por garotas da idade de Patty na televisão. Assim, para decidir sobre o que seria a série, o produtor-roteirista Sidney Sheldon (também criador de “Jeannie É um Gênio”) levou a jovem para passar uma semana com sua família. Na curta convivência, Sheldon reparou que Patty tinha dois lados distintos (mais tarde, ela seria diagnosticada com bipolaridade), o que lhe deu a ideia de criar uma trama sobre duas adolescentes idênticas. Na série, Patty vivia uma nova-iorquina moderna, que passa a conviver com sua prima idêntica (também interpretada pela atriz), vinda da Europa. Embora fossem iguais fisicamente, as duas não podiam ter gostos mais diferentes. E a confusão que suas semelhanças causavam alimentava a maioria das piadas do programa. “The Patty Duke Show” durou três temporadas, entre 1963 e 1966, e marcou época, inaugurando um filão que atualmente responde por boa parte da programação de canais pagos como Nickelodeon, Disney Channel e Freeform (ex-ABC Family): as séries de meninas. Fez tanto sucesso que Patty recebeu indicações ao Emmy, ao Globo de Ouro e também se lançou como cantora. Mas quando completou 18 anos, ela rompeu com os empresários exploradores e quis renegociar seu contrato, fazendo exigências que levaram um impasse e ao fim inesperado da atração, mesmo com boa audiência. Apesar de gravada em preto e branco, “The Patty Duke Show” continuou no ar em reprises ao longo das décadas, chegando a experimentar uma redescoberta em 1988, quando passou a integrar a programação do canal Nickeledeon. As reprises mantiveram a popularidade da produção, a ponto de gerar um telefilme de reencontro, 33 anos após seu cancelamento. Exibido em 1999, o telefilme mostrava as primas casadas, com filhos e até netos. Com o fim de sua série, Patty decidiu priorizar sua carreira cinematográfica. Ela já tinha estrelado seu primeiro filme como protagonista, a comédia adolescente “Uma Lourinha Adorável” (1965), como uma moleca andrógina, dividida entre a vontade de ser um menino, para ter mais liberdade e fazer esportes, e a primeira paixão colegial. Mas seu primeiro longa após “The Patty Duke Show” acabou seguindo na direção oposta, numa escolha arriscada, com o objetivo de mostrá-la adulta. Patty escandalizou ao decidir estrelar “O Vale das Bonecas” (1967). Na adaptação do romance trash de Jacqueline Susann, ela interpretava uma jovem estrela da Broadway que se viciava em drogas, fazia sexo casual, destruía lares e precisava ser internada para reabilitação. O filme era um dramalhão tão grande que virou cult, ao ser considerado um dos piores melodramas já feitos. Para reafirmar que era uma jovem moderna, ela também estrelou “Uma Garota Avançada” (1969), no qual se rebelava contra os planos de casamento de sua família, abandonando o lar para abraçar o estilo de vida boêmio do Greenwich Village, em Nova York. Mas os papéis de adulta não lhe renderam o mesmo sucesso da adolescência. Durante os anos 1970, ela se viu alternando participações em diversas atrações televisivas, como “Galeria do Terror”, “O Sexto Sentido”, “Havaí 5-0”, “Os Novos Centuriões”, “Police Woman” e “São Francisco Urgente”, com filmes B, como o terror “Sob a Sombra da Outra” (1972) e o desastre sci-fi “O Enxame” (1978). Em 1979, ela voltou à trama que a consagrou, estrelando uma versão televisiva de “O Milagre de Anne Sullivan”, desta vez no papel da professora, comprovando como o tempo tinha passado. Patty havia se tornado adulta demais até em sua vida pessoal, passando por três casamentos frustrados e um relacionamento polêmico com Desi Arnaz Jr., filho de Lucille Ball e Desi Arnaz, quando já tinha 24 anos e ele ainda era menor de idade. O escândalo quase destruiu sua carreira quando ela engravidou em 1971, e as revistas de fofoca especulavam que o pai podia ser o ator de 17 anos. Mas ela rapidamente se casou com John Astins (o Gomez da série “Família Addams”), registrando a criança como filho dele. O jovem cresceu para se tornar um hobbit, Sean Astin, astro da trilogia “O Senhor dos Anéis”. Patti ainda teve outro filho com John Astins, mas o casamento terminou em divórcio em 1983. Após esse período tumultuado, a atriz tentou retomar a carreira televisiva, estrelando quatro séries de curta duração. A que foi mais longe teve uma temporada completa de 22 episódios: a sitcom “It Takes Two”, na qual interpretou a mãe de dois futuros astros televisivos, os jovens Anthony Edwards (o Dr. Mark Greene de “Plantão Médico/E.R.”) e Helen Hunt (a Jamie Buchman de “Louco por Você/Mad About You”). As outras séries foram “Hail To The Chief”, em 1985, na qual interpretou a primeira mulher presidente dos EUA (durou 7 episódios), “Karen’s Song”, em 1987, como uma mãe divorciada (a filha era Teri Hatcher, de “Desperate Housewives”) que se envolve com um homem muito mais jovem (em 13 capítulos), e, por fim, o drama “Amazing Grace”, em 1995, como uma ex-alcoóltra que se torna pastora de uma igreja (5 episódios). Entre 1985 e 1988, ela foi eleita presidente do Sindicato dos Atores dos EUA (SAG, na sigla em inglês), chegando a comandar uma greve que conseguiu melhorar salários e condições de trabalho para os dubladores de animações. O período coincidiu com o ressurgimento das comédias adolescentes no cinema americano, o que lhe rendeu seu último papel de destaque no filme “Willy/Milly” (1986), como a mãe de uma moleca que, por meio de mágica, virava hermafrodita – uma versão extrema da ideia de “Uma Lourinha Adorável” (1965). Em 1987, ela publicou sua autobiografia, tornando-se a primeira celebridade a se assumir bipolar (ou maníaca-depressiva, como ainda se chamava a condição na época). A experiência a inspirou a virar ativista por melhores condições de saúde mental nos EUA, defendendo tratamentos de distúrbios de personalidade. Após contar sua história em livro, Patty estrelou “Call Me Anna” (1990), uma telebiografia de sua própria vida, intitulada com seu nome de bastimo. Ela ainda apareceu nas comédias “Por Trás Daquele Beijo” (1992), “Nos Palcos da Vida” (2005) e no filme religioso “A História de Oseias” (2012), estrelado por seu filho Sean Astin, além de diversos telefilmes – entre eles, “Luta Pela Vida” (1987), como mulher de Jerry Lewis. Nos últimos anos, experimentou uma fase de redescoberta, recebendo uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e convites para participar de várias séries, como “Glee” e “Drop Dead Diva”. Ela também se tornou uma das poucas atrizes a aparecer nas duas versões de “Havaí 5-0”, ao estrelar um episódio do remake. A melhor participação, porém, ficou reservada para seu último papel, num episódio de “Liv e Maddie” exibido em 2015 no Disney Channel. Na ocasião, ela interpretou duas personagens idênticas, evocando “The Patty Duke Show”: a avó e a tia-avó gêmeas da protagonista Liv (Dove Cameron). Uma bela homenagem para sua despedida das telas. “Eu te amo, mãe”, resumiu Sean Astins, ao informar aos fãs sobre a morte de Patty. “Que atriz!”, lembrou o apresentador Larry King. “Obrigado, Patty, por tudo que nos deu”, manifestou-se a própria Academia.

    Leia mais
  • Etc,  Série,  TV

    Daniel Lobo (1973 – 2016)

    25 de março de 2016 /

    Morreu o ator Daniel Lobo, que interpretou o menino Pedrinho na série “Sitio do Pica-Pau Amarelo” entre 1985 e 1986. Ele faleceu na quinta-feira (24/3) num hospital em Tubarão, Santa Catarina, de câncer, aos 43 anos de idade. Revelado aos 13, na adaptação da obra infantil de Monteiro Lobato, Daniel foi o terceiro e último ator a interpretar Pedrinho, o protagonista da atração, durante a primeira versão da série clássica, que ficou no ar por uma década, entre 1977 e 1986, na rede Globo. Ele ainda participou da minissérie “Desejo” (1990) e da série “Confissões de Adolescente” (1994), e apareceu em algumas novelas, como “74.5 – Uma Onda no Ar” (1994), “Esperança” (2002) e “Beleza Pura” (2004), mas sua carreira acabou se voltando mais para o teatro, especialmente em Santa Catarina, onde vivia. Seu último trabalho no palco foi como ator e diretor do espetáculo “Nise da Silveira – Guerreira da Paz”, sobre história da psiquiatra alagoana discípula de Carl G.Jung. A peça estava sendo apresentada no Museu de Arte de São Paulo (MASP), mas, após seis semanas, o espetáculo precisou ser interrompido devido ao quadro de saúde de Daniel. “Após seis comoventes semanas de temporada no MASP, com o público crescendo a cada dia e a perspectiva de lá ficarmos por muito tempo, por motivos de saúde sinto-me na missão de interromper a caminhada”, escreveu Daniel em seu perfil no Facebook no dia 12 de março. Ele se despediu agradecendo ao público, deixando no ar os aplausos do fim de seu espetáculo de vida.

    Leia mais
  • Etc,  Filme

    José Carlos Avellar (1936 – 2016)

    18 de março de 2016 /

    Morreu o crítico e curador José Carlos Avellar, que comandou a RioFilme e era responsável pela programação dos cinemas do Instituto Moreira Salles. Ele faleceu na manhã desta sexta-feira (18/3), no Rio de Janeiro, aos 79 anos, por complicações decorrentes da quimioterapia. Avellar estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, onde tratava um linfoma. Nascido no Rio de Janeiro em 1936, Avellar foi um importante pensador do cinema brasileiro. Formado em jornalismo, trabalhou durante duas décadas no Jornal do Brasil, onde se estabeleceu como um dos críticos de cinema mais importantes do país. Ele também fez filmes. Nos anos 1960 e 1970 dirigiu três curtas, além de ter exercido a função de diretor de fotografia, produtor e editor em outros filmes, como os documentários “Ião” (1976), de Geraldo Sarno, e “Triste Trópico” (1974), de Arthur Omar. Seu principal legado aconteceu entre 1995 e 2000, quando foi diretor da RioFilme, responsável pelo lançamento de dezenas de longas no período, que ficou conhecido como Retomada do cinema brasileiro. Também participou de júris oficiais e de crítica de festivais internacionais como Veneza e Cannes, e foi, por muitos anos, o representante brasileiro da crítica no Festival de Berlim. Avellar lançou seis livros de ensaios sobre cinema, entre eles “O Chão da Palavra: Cinema e Literatura no Brasil” (2007), no qual analisa clássicos nacionais adaptados de livros, e “O Cinema Dilacerado” (1986). Em dezembro de 2006, foi condecorado pelo governo francês com a láurea de Chevalier des Arts et Lettres. Desde 2008, Avellar era responsável pela programação dos cinemas do Instituto Moreira Salles, que se despediu do curador com uma nota que reverencia sua capacidade. “Avellar era capaz de rememorar cenas específicas, descrevendo em detalhes um singelo plano, de um filme assistido décadas atrás. Seus artigos e ensaios exibiam um vasto conhecimento da produção mundial e da história do cinema”, diz o comunicado.

    Leia mais
  • Etc,  Filme

    Nancy Reagan (1921 – 2016)

    7 de março de 2016 /

    A ex-Primeira-Dama dos Estados Unidos, Nancy Reagan, morreu na manhã de domingo (6/3), aos 94 anos, em sua casa em Los Angeles, de insuficiência cardíaca. Nancy foi casada por 52 anos com Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989, falecido em 2004. Com ingredientes hollywoodianos, o casamento dos dois chegou a ser descrito como a maior história romântica da presidência americana. Nascida Nancy Davis em Nova York, em 6 de Julho de 1921, de um pai vendedor de automóveis e uma mãe atriz, ela chegou a Hollywood aos 28 anos, onde logo se destacou como atriz de cinema. Foram, ao todo, 11 filmes ao longo de 9 anos de carreira, iniciada pelo melodrama “O Ideal de uma Vida” (1949) e encerrada por “Crash Landing” (1958), que antecipou o gênero de desastre de “Aeroporto” (1970). Na maioria deles, desempenhou papéis de coadjuvante, mas também teve protagonismo, destacando-se especialmente no drama religioso “A Voz que Vão Ouvir” (1950), do mestre William A. Wellman (“Nasce uma Estrela”), em que viveu uma grávida numa trama milagrosa, na qual Deus decide se comunicar com a humanidade pelo rádio. Entre as produções de maior status em sua carreira, destacam-se ainda os melodramas “Mundos Opostos” (1949), de Mervyn LeRoy (“Quo Vadis”), e “Veneração” (1951), de Fletcher Markle (“A Incrível Jornada”). No primeiro, contracenou com alguns dos maiores talentos de Hollywood – Barbara Stanwyck, James Mason, Van Heflin, Ava Gardner e Cyd Charisse. No segundo, ajudou Ray Milland a superar a morte trágica de sua família. Nancy também participou de um par de filmes B bastante cultuados, vivendo a terapeuta de uma criança que testemunhou um crime no filme noir “O Segredo da Boneca” (1950) e a esposa-assistente de um cientista louco, que planeja preservar um cérebro vivo no terror “Experiência Diabólica” (1953). Nesse meio tempo, ela conheceu e se casou com Ronald Reagan, um ator em ascensão, divorciado da famosa atriz Jane Wyman. O casamento aconteceu em 1952 e, cinco anos depois, rendeu a única parceria cinematográfica do casal: “Demônios Submarinos” (1957), de Nathan Juran (“Os Primeiros Homens na Lua”). Na trama, ele vive o comandante de um submarino encarregado de mapear minas no oceano pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial, e ela é a enfermeira com quem tem um relacionamento romântico. Foi seu penúltimo filme, pois Hollywood, nos anos 1950, não tinha o hábito de contratar atrizes com mais de 35 anos. Mas Nancy continuou atuando até 1962 na televisão, encerrando a carreira de atriz aos 41 anos com uma participação na série “Caravana” – embora, eventualmente, continuasse a aparecer como si mesma em séries e programas de entretenimento pelo resto de sua vida. De todo modo, ela logo começou a exercer o posto de Primeira-Dama, durante a eleição do seu marido como governador da Califórnia, em 1967. E se provou mais bem-sucedida no novo papel do que havia sido no cinema. Nancy se tornou a principal parceira política e assessora de Reagan, o que a fez entrar para a História como uma das Primeiras-Damas mais influentes dos EUA, ao lado de nomes como Eleanor Roosevelt e Hillary Clinton. No governo federal, deixou sua principal marca na campanha de combate às drogas que liderou nos anos 1980, lançando o bordão “Just say No” (Apenas diga não). Mas também se destacou em outras áreas da saúde pública, ao abordar francamente os problemas que enfrentou ao lado do marido. Em 1987, Nancy foi diagnosticada com câncer de mama e submetida a uma mastectomia, o que a inspirou a discutir abertamente o assunto para encorajar outras mulheres a realizar exames de mamografia todos os anos. Em 1994, foi a vez de Reagan receber o diagnóstico de Alzheimer, o que a transformou em ativista pela cura da doença. Seu engajamento causou, inclusive, uma saia justa política dentro do partido de seu marido. Quando o então Presidente George W. Bush travou o financiamento público de projetos que usassem células embrionárias, Nancy surpreendeu a opinião pública ao criticá-lo duramente em 2001. Michelle e Barack Obama destacaram que Nancy Reagan transformou o papel de primeira-dama durante os oito anos que passou na Casa Branca (1981-1989), antes de converter-se “na voz de milhões de famílias que sofreram a exaustiva e dolorosa realidade dol Alzheimer”. Recentemente, ela foi homenageada como personagem de cinema, aparecendo no filme “O Mordomo da Casa Branca” (2013), interpretada por Jane Fonda.

    Leia mais
  • Etc,  Filme

    Tony Dyson (1947 – 2016)

    4 de março de 2016 /

    Morreu o professor Tony Dyson, que construiu o robô R2-D2 da saga “Star Wars”. Ele foi encontrado morto, aos 68 anos, em sua casa na ilha de Gozo, no Mar Mediterrâneo, após um vizinho chamar a polícia, preocupado que a porta de sua casa estava aberta. Uma autópsia está sendo realizada, mas as suspeitas são de morte por causas naturais. Dyson foi contratado pela pioneira equipe de efeitos visuais de George Lucas, que viraria a empresa Industrial Light & Magic, para criar o robozinho do primeiro filme da saga espacial, “Guerra nas Estrelas”, lançado em 1977. Além de trabalhar com o designer Ralph McQuarrie no projeto, ele foi o responsável por construir oito robôs R2-D2 para a trilogia original – dois ocos, que serviram como “fantoches” manipulados pelo ator Kenny Baker, cinco controlados por controle remoto e um descartável, para ser destruído nos pântanos de Dagobah, em “O Império Contra-Ataca” (1980). Após o sucesso de sua criação, Dyson também trabalhou na supervisão de efeitos de “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), “Saturno 3” (1980), “Superman II” (1980), “Viagens Alucinantes” (1980) e “O Dragão e o Feiticeiro” (1981). Mas ele não criava apenas a ilusão de funcionalidade em obras de ficção. Dyson também desenhou e construiu robôs que realmente funcionavam para algumas das maiores empresas eletrônicas do mundo, como Sony, Philips e Toshiba. Mesmo assim, afirmava que trabalhar em “Star Wars” foi “um dos períodos mais emocionantes” da sua vida. Tinha tanto orgulho de R2-D2 que criou um clube de robótica no Reino Unido, dedicado a ensinar aos fãs como construir seus próprios robôs futuristas. A LucasFilm sempre teve uma relação litigiosa com esse passatempo, proibindo o inventor de criar cópias fieis do personagem. Felizmente, a Disney mudou o modo de encarar esse relacionamento, ao selecionar dois designers de seu clube para construir o novo R2-D2 de “Star Wars: O Despertar da Força” (2015), o que permitiu a perpetuação do legado de Dyson na franquia.

    Leia mais
  • Etc,  Filme

    George Kennedy (1924 – 2016)

    1 de março de 2016 /

    Morreu George Kennedy, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em “Rebeldia Indomável” (1967), que fez quase 100 filmes em seis décadas de carreira e era um dos últimos “durões” clássicos de Hollywood. Ele faleceu no domingo (28/2) em sua casa em Boise, Idaho, aos 91 anos. Segundo o neto do ator, o velho astro havia caído em depressão e ficado debilitado após a morte de sua mulher, Joan McCarthy, em setembro. Nascido em Nova York em 1924, George Kennedy passou a se interessar pelas artes quando se tornou oficial de rádio e televisão das Forças Armadas, durante combates da 2ª Guerra Mundial sob o comando do general George S. Patton – a quem personificou no filme “O Alvo de Quatro Estrelas”, de 1978. Seu primeiro papel foi justamente como sargento do exército na série de comédia “The Phil Silvers Show”, passada num campo militar – apareceu como figurante em 14 episódios, entre 1956 e 1959 – , antes de filmar seu primeiro longa, numa ponta sem créditos de “Spartacus” (1960), e se especializar em viver cowboys durões de filmes e séries. Durante os anos 1960, ele alternou tiroteios televisivos em “Colt .45”, “Cheyenne”, “Laramie”, “Maverick”, “Bat Masterson”, “Couro Cru”, “Paladino do Oeste” (em oito episódios), “Bonanza”, “Daniel Boone”, “Laredo”, “Big Valley”, “Gunsmoke” (sete episódios) e “O Homem de Virgínia” com westerns de tela grande, como “Uma Razão para Viver” (1961), “Sua Última Façanha” (1962), “Shenandoah” (1965) e “Os Filhos de Katie Elder” (1965), trabalhando com grandes diretores e astros do gênero (Kirk Douglas, James Stewart e John Wayne). Desdobrando-se entre malvados e heróis, acabou colecionando clássicos em todos os gêneros, como o homem de mão de gancho que aterroriza Audrey Hepburn em “Charada” (1963), uma vítima das machadadas da psicopata Diane Baker em “Almas Mortas” (1964), um sobrevivente da queda no deserto do avião de “O Vôo do Fênix” (1965) e principalmente como um dos anti-heróis de “Os Doze Condenados” (1967). O filme de Robert Aldrich virou a matriz de um subgênero do cinema de ação que resiste até hoje, como demonstra o vindouro filme de super-heróis “Esquadrão Suicida”. A trama original reunia um grupo de militares americanos, condenados por crimes brutais, que seriam perdoados se tivessem sucesso numa missão suicida contra os nazistas. O elenco, com Lee Marvin, Ernest Borgnine, Charles Bronson, Jim Brown, Telly Savalas, Clint Walker, Donald Sutherland, Robert Ryan e até John Cassavetes, marcou época, assim como o sucesso da produção, que consolidou Kennedy como um dos grandes durões de Hollywood. Logo em seguida, ele coestrelou “Rebeldia Indomável”, como companheiro de prisão do “indomável” Paul Newman. O papel, que lhe rendeu o Oscar, completou sua transição para o estrelato. Mas, curiosamente, nem isso lhe deu protagonismo na indústria. Kennedy continuou percebido como coadjuvante, embora superasse astros mais famosos na quantidade de personagens moralmente ambíguos e complexos em sua filmografia. As ofertas se multiplicaram após seu Oscar, tornando-o um dos atores de maior evidência do final da década de 1960. Ele fez nada menos que 11 filmes em três anos, conseguindo se destacar ao perseguir Tony Curtis num dos primeiros suspenses sobre psicopatas, “O Homem Que Odiava as Mulheres” (1968), além de marcar presença na aventura “Febre de Cobiça” (1968), no drama “O Homem que Se Condenou” (1970), na comédia “O Mais Bandido dos Bandidos” (1970), no tenso thriller racial “O Xerife da Cidade Explosiva” (1970) e em três bons westerns, como o xerife de “O Preço de um Covarde” (1968), o fora-da-lei bonzinho de “Basta, Eu Sou a Lei” (1969) e o líder de “A Revolta dos Sete Homens” (1969), continuação do clássico “Sete Homens e um Destino” (1960). Com tanta disposição, não demorou para outro sucesso reforçar seu status de coadjuvante de luxo. Como o responsável pela manutenção da pista de “Aeroporto” (1970), enquanto uma avião sequestrado tentava um pouso de emergência em meio a uma nevasca, Kennedy virou o herói da maior bilheteria já conquistada pela Universal Pictures até então. “Aeroporto” rendeu mais três sequências, todas coestreladas pelo ator, intérprete do único personagem fixo da franquia. De quebra, o filme ainda inaugurou o subgênero das produções de desastre, uma das principais manias de Hollywood nos anos 1970. Ele continuou em alta durante os anos 1970, nem sempre com êxito, como na versão musical de “Horizonte Perdido” (1973), saindo-se melhor ao lado de outros durões célebres, como John Wayne, que reencontrou em “Cahill, Xerife do Oeste” (1973), e Clint Eastwood, em “O Último Golpe” (1974) e “Escalado para Morrer” (1975). Até participou de outro disaster movie famoso, “Terremoto” (1975), junto de Charlton Heston. E finalmente conquistou o protagonismo almejado em “Vingador Implacável” (1975), filme ao estilo de “Desejo de Matar” (1974), como um justiceiro que vingava o assassinato de sua família. Mas conforme as continuações de “Aeroporto” perdiam interesse, sua carreira começou a minguar. Seus últimos filmes de prestígio vieram em 1978: “Morte no Nilo”, adaptação do mistério homônimo de Agatha Christie, e “O Alvo de Quatro Estrelas”, em que voltou a encontrar John Cassavetes numa missão da 2ª Guerra Mundial. “Aeroporto 79 – O Concorde” (1979) encerrou a boa fase com um desastre autêntico de crítica e bilheteria. Tão ruim que o subgênero inteiro entrou em colapso e sumiu de cartaz. Apesar de seu sucesso pregresso lhe permitir brincar com sua persona na comédia “Um Romance Moderno” (1981), em que interpretou a si mesmo, a década de 1980 foi terrível para o ator, graças a aparições em bombas como “Bolero – Uma Aventura em Êxtase” (1984), ao lado de Bo Derek, e “Comando Delta” (1986), com Chuck Norris e Lee Marvin. Até que, de uma hora para outra, Kennedy se viu reduzido a coadjuvar em terrores baratos, como “O Navio Assassino” (1980), “Pouco Antes do Amanhecer” (1981), “O Demônio do Espaço” (1988) e “Creepshow 2: Show de Horrores” (1987), homenagem de Stephen King aos quadrinhos de horror, roteirizado pelo mestre George R. Romero (“A Noite dos Mortes-Vivos”). Não por acaso, ele acabou voltando para a televisão, aparecendo em 74 episódios das três últimas temporadas da série “Dallas”, entre 1988 e 1991. No papel de Carter McKay, derradeiro rival de J.R. (Larry Hagman) no negócio petrolífero, ainda participou de dois telefilmes que continuaram a trama, “Dallas: O Retorno de J.R.” (1996) e “Dallas: Guerra dos Ewings” (1998). Ele também deve à TV o resgate de sua carreira cinematográfica. Quando a série de comédia “Police Squad” (1982) ganhou seu primeiro filme em 1988, Kennedy assumiu o personagem vivido por Alan North na televisão. A atração fora criada pelos irmãos David e Jerry Zucker e por Jim Abrahams, responsáveis por “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu” (1980), comédia que inaugurou a mania das paródias cinematográficas, tirando sarro justamente da franquia “Aeroporto”. Mas a série não obteve o menor sucesso, cancelada após seis episódios. Abrahams e os Zuckers não se conformaram e conseguiram convencer o estúdio Paramount de que valia a pena lançar um filme com a mesma premissa. Afinal, após seis anos e apenas seis episódios, o público nem perceberia que se tratava de uma adaptação televisiva. Seria como se fosse outra paródia cinematográfica, desta vez de filmes policiais. Dito e feito, “Corra que a Polícia Vem Aí” (1988) virou um enorme sucesso, ganhando mais duas continuações em 1991 e 1994. De quebra, rendeu aos veteranos Leslie Nielsen e George Kennedy uma nova carreira, como comediantes. Famoso por filmes violentos, o ator passou até a fazer produções infantis, dublando personagens na animação “Gatos Não Sabem Dançar” (1997) e na fantasia “Pequenos Guerreiros” (1998), como um dos soldados diminutos do título. Nos últimos anos, ainda trabalhou com o diretor brasileiro Bruno Barreto, figurando na comédia “Voando Alto” (2003), apareceu no drama “Estrela Solitária” (2005), do alemão Wim Wenders, na comédia “Bastidores de um Casamento” (2011), de Sam Levinson, e no thriller “O Apostador” (2014), de Rupert Wyatt, seu último trabalho, no qual atuou de cadeira de rodas, como um homem muito doente. Kennedy publicou seu livro de memórias em 2011, em que tratou não apenas da carreira cinematográfica, mas de problemas pessoais, como a prisão de sua filha por drogas, o que o levou a adotar e criar a própria neta. Além dela, ele adotou mais três crianças com sua quarta e última esposa, cuja morte representou um baque insuperável. Após enfrentar inúmeros nazistas, travar incontáveis duelos, salvar aviões e matar de rir, ele encarou com menos vontade sua derradeira luta. Mas permanecerá no inconsciente coletivo como um dos maiores durões do cinema, que enfrentava qualquer adversidade com um sorriso amplo, brilhante e inconquistável. Tão icônico que se tornou muito maior que seus papeis de coadjuvante.

    Leia mais
 Mais Pipoca
Mais Pipoca 
@Pipoca Moderna 2025
Privacidade | Cookies | Facebook | X | Bluesky | Flipboard | Anuncie