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    Estreias | Mussum e Taylor Swift são os destaques da programação de cinema

    2 de novembro de 2023 /

    A cinebiografia de Mussum é o maior lançamento desta quinta (2/11) nos cinemas, chegando em mais de 750 salas, mas a programação também destaca o filme da turnê de Taylor Swift, que já quebrou o recorde de maior bilheteria de um documentário em todos os tempos, e um novo terror – com a expectativa de dar continuidade ao sucesso do gênero no país. Confira abaixo também o que entra em circuito limitado, além de todos os detalhes e os trailers de cada título.   MUSSUM, O FILMIS   Vencedora do Festival de Gramado deste ano, a cinebiografia retrata a vida de Antônio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994), o eterno Mussum. A narrativa é segmentada em três fases da vida do humorista: infância, onde é vivido por Thawan Lucas (“Pixinguinha, Um Homem Carinhoso”), juventude, por Yuri Marçal (“Barba, Cabelo e Bigode”), e a fase de sucesso, por Aílton Graça (“Galeria do Futuro”). Dirigido por Sílvio Guindane (“Segunda Chamada”), com roteiro de Paulo Cursino (“De Pernas pro Ar”), a obra recria vários momentos importantes da vida de Antônio Carlos, desde o momento em que virou Mussum, batizado por Grande Otelo, até a origem de sua marca registrada, as palavras terminadas em “is”, por recomendação de Chico Anysio na “Escolinha do Professor Raimundo”, sem esquecer de sua carreira musical nos Originais do Samba e sua entrada em “Os Trapalhões”. Com o objetivo de exibir um panorama geral, o “filmis” coleciona citações a ícones – além dos citados, Elza Soares e Cartola, entre outros – , e aborda só por alto a relação de Mussum com os Trapalhões, sem aprofundar controvérsias com Renato Aragão ou citar a separação do grupo nos 1980. Mesmo assim, a trama encontra um ponto emocional mais aprofundado na relação do humorista com sua mãe, vivida em fases distintas por Cacau Protásio (“Vai que Cola”) e Neuza Borges (ambas de “Juntos e Enrolados”). Ao contrário de muitas cinebiografias, “Mussum, O Filmis” opta por uma abordagem mais leve e cômica, em vez de focar no drama e na melancolia que muitas vezes acompanham as histórias de vida dos artistas. Por conta disso, evita abordar aspectos mais sombrios da trajetória do comediante, como seu envolvimento com o álcool, resultando mais numa homenagem do que num retrato multidimensional. Vale pela recriação detalhista dos anos 1970 e 1980, pelo desempenho premiado do elenco e pela contagiante sensação de nostalgia que desperta, de uma época que sempre parece muito melhor na ficção.   TAYLOR SWIFT – THE ERAS TOUR   O documentário mais bem-sucedido de todos os tempos (com US$ 200 milhões arrecadados em 10 dias no mercado internacional) é a materialização cinematográfica da aclamada turnê de Taylor Swift, capturada em três performances no SoFi Stadium de Los Angeles. Não se trata apenas de um registro comum de um show, mas sim de um passeio monumental através das diferentes fases da carreira da artista, embaladas em uma atmosfera eufórica que apenas os grandes espetáculos podem criar. Mesmo menor que os shows, o filme tem quase três horas de duração e oferece uma apresentação vigorosa de mais de três dezenas de canções que marcaram a trajetória da cantora, desde o início até o ápice de sua popularidade. A estrutura do espetáculo é meticulosamente delineada, com segmentos que correspondem aos nove álbuns de Swift, desde “Fearless” (2008) até “Midnights” (2022), cada um com uma identidade visual distinta . A magia da performance ao vivo é recriada com um senso de imersão que faz com que os espectadores, tanto no estádio quanto no cinema, sintam-se parte da experiência. A interação de Swift com o público, as coreografias, e a elaborada produção visual são aspectos que ressaltam o caráter celebrativo do show. O detalhismo com que a câmera capta os momentos – desde os mais grandiosos até os mais sutis – permite uma apreciação profunda do talento e da energia de Swift e de toda a equipe envolvida, inclusive os dançarinos e músicos de apoio. Apesar do filme omitir algumas músicas do setlist original, a essência da apresentação permanece intacta, proporcionando aos fãs uma jornada emocional e nostálgica através das “eras” de Taylor Swift. A direção é de Sam Wrench, conhecido por ter comandado filmes de concertos para outras artistas notáveis como Billie Eilish, Lizzo e Brandi Carlile. Com “Taylor Swift: The Eras Tour”, ele oferece um vislumbre do verdadeiro fenômeno cultural que é Taylor Swift, reafirmando sua posição como uma das vozes mais populares de sua geração.   DINHEIRO FÁCIL   A comédia conta a história real sobre como nerds manipularam o mercado de ações e ficaram ricos. O longa é dirigido por Craig Gillespie, conhecido pelo seu trabalho em “Eu, Tonya” (2017) e “Cruella” (2021), e mostra os absurdos por trás do esquema que causou um boom nas ações de uma empresa varejista. A trama acompanha Keith Gill (Paul Dano, de “Batman”), que dá início a polêmica história ao investir suas economias nas ações em queda da GameStop em 2021. Logo em seguida, o personagem compartilha sobre o investimento nas redes sociais e as postagens começam a viralizar. Conforme a popularidade aumenta, sua vida e a de todos que o seguem começam a ser afetadas. O que começa com uma dica de investimento se transforma em um gigantesco movimento onde todos enriquecem – até que os bilionários decidem revidar. A narrativa humorística explora as falhas do capitalismo, apresentando uma versão da clássica batalha entre Davi e Golias na era digital. Com um elenco estelar, incluindo Seth Rogen (“Pam e Tommy”) como o grande investidor que enfrenta problemas financeiros com a iniciativa dos nerds, e personagens carismáticos como o irmão desleixado de Gill, interpretado por Pete Davidson (“Morte, Morte, Morte”), a produção consegue entrelaçar humor e comentário social. A trama é bem servida com personagens secundários, como a enfermeira vivida por America Ferrera (“Superstore”) e o caixa da GameStop interpretado por Anthony Ramos (“Transformers: O Despertar das Feras”), que trazem profundidade e humanidade à história, ressaltando o impacto coletivo do esquema de investimento. Para completar, referências culturais contemporâneas, como memes e danças do TikTok, enriquecem a narrativa. Por conta dessa estrutura e abordagem, “Dinheiro Fácil” tem sido comparado a “A Grande Aposta” (2015), outro filme que também desvenda o universo financeiro com humor, crítica e memes. Ambas as obras exploram a engenhosidade e a audácia de indivíduos incomuns no enfrentamento de gigantes financeiros, embora com tons e perspectivas distintas. Enquanto “A Grande Aposta” dissecou a crise financeira de 2008 com uma abordagem mais séria, “Dumb Money” adota uma postura mais leve ao retratar os eventos recentes da saga GameStop. Mas isso também torna o filme de Gillespie o “primo pobre” da obra de Adam McKay, vencedora do Oscar de Melhor Roteiro.   NÃO ABRA!   O filme de estreia do indiano Bishal Dutta chama atenção por ser um terror diferente, centrada numa adolescente índio-americana, que precisa se reconectar com suas raízes culturais para sobreviver, após se distanciar delas no ambiente predominantemente caucasiano de uma high school dos EUA. A trama ganha corpo quando uma amiga de infância de Samidha (Megan Suri) apresenta comportamento estranho relacionado a um pote de vidro que carrega, culminando em uma série de eventos sobrenaturais. O que há dentro do pote alimenta a trama, que os trailers já mostraram ser uma entidade demoníaca conhecida como Pishacha. De acordo com a mitologia hindu, este demônio se alimenta de energia negativa e carne humana. E é liberado após o pote ser quebrado. Dutta explora a temática da assimilação cultural e identidade numa narrativa que combina experiência de imigrante com terror sobrenatural. A mensagem é “não esqueça de onde você veio”, indicando que aqueles que se afastam de sua cultura nativa podem atrair ou até merecer tormentos de seus espíritos mitológicos antigos. Mesmo com restrições orçamentárias evidentes, a obra consegue criar cenas inventivas e momentos de tensão, especialmente enquanto Pishacha é mais sugerido do que revelado. E mesmo ao cair nos clichês, não abandona sua premissa provocativa sobre a complexidade da identidade cultural e a necessidade de aceitação, que fazem de “Não Abra!” um filme que vai além do gênero de horror, tocando em questões socioculturais.   AFIRE   O novo filme do cineasta alemão Christian Petzold (“Fênix”) acompanha Leon (Thomas Schubert), um jovem escritor que viaja com seu amigo Felix (Langston Uibel) para uma casa no campo com o intuito de finalizar seu segundo livro. Ao chegarem, encontram Nadja (Paula Beer) já hospedada no local. Enquanto Felix se deixa seduzir pelo espírito descompromissado do verão, Leon se afunda em ansiedade e amargura, o que é exacerbado pela presença da mulher, que desperta uma mistura de fascinação e irritação nele. A trama se aprofunda na figura de Leon, que, ao contrário de seu amigo, não consegue se desvencilhar de suas inseguranças e do anseio por validação, tornando-se uma figura comicamente trágica. A narrativa não poupa críticas ao ego inflado e à cegueira emocional, que falha em perceber as dinâmicas sociais ao seu redor devido à sua obsessão autoreferente. O filme também explora a relação muitas vezes tensa entre escritores e o mundo ao seu redor, representada pela indiferença de Leon às tensões palpáveis entre os personagens e a ameaça iminente de um incêndio florestal nas proximidades, símbolo de uma crise climática que se avizinha. O cenário de “Afire” flutua entre a comédia sutil e o drama, com momentos de comicidade leve contrapostos por uma atmosfera de desconforto e ameaça latente. Venceu o Urso de Prata/Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim deste ano, ressaltando-se na filmografia premiada do diretor, que já vinha vencido o Prêmio da Crítica no festival com “Undine”. “Afire” é seu terceiro filme consecutivo com Paula Beer, após “Em Trânsito” (2018) e “Undine” (2020).   O ÚLTIMO DIA DE YITZHAK RABIN   A obra do renomado cineasta israelense Amos Gitai (“Uma Noite em Haifa”) mergulha nos eventos que cercaram o assassinato do Primeiro Ministro Yitzhak Rabin, ocorrido em 4 de novembro de 1995, após um grande comício pela paz em Tel Aviv. Yigal Amir, um estudante de direito extremista, foi o autor do crime que chocou a nação. Gitai combina documentário (entrevistas autênticas e imagens de arquivo) com drama (reencenações). Para criar um retrato detalhado não apenas do dia em questão, mas também do ambiente político e social fervilhante que o precedeu, foram entrevistados o ex-presidente Shimon Peres e a viúva de Rabin, Leah. Seus depoimentos são intercalados com cenas reencenadas dos dias anteriores ao assassinato, a investigação governamental subsequente e as reuniões e rituais que envolveram personagens radicais da época. A narrativa segue um rumo investigativo, com foco em uma comissão de inquérito de três membros, presidida pelo Presidente do Supremo Tribunal, Meir Shamgar, que foi montada para investigar as especificidades do assassinato. Entre as cenas mais marcantes, destaca-se a recriação de um grupo de judeus pronunciando uma maldição, conhecida como Pulsa Dinura, com a intenção de acabar com a vida de Rabin. O filme também destaca os depoimentos do guarda-costas de Rabin e do motorista que demorou entre oito a nove minutos para percorrer o terço de milha do local do tiroteio até o hospital mais próximo. A interpretação de Yogev Yefet como o assassino Yigal Amir, um extremista messiânico, é outro ponto que chama a atenção, proporcionando um olhar sobre a mentalidade de Amir e sua justificativa para o ato cometido. Gitai também explora a polarização da política israelense, mostrando como a retórica radical era contra a disposição pacifista de Rabin, que tentou acabar com os conflitos e negociar com os palestinos. Vale a pena refletir como essa retórica levou ao acirramento cada vez maior contra os palestinos, alimentando as fileiras do Hamas e agora insufla a destruição completa da Faixa de Gaza. O filme foi reconhecido com o Prêmio da Rede de Filmes de Direitos Humanos no Festival de Veneza, ressaltando sua relevância, impacto e suas ramificações profundas.   NEFARIOUS   Apesar de ser apresentado como terror, “Nefarious” é só um panfleto horroroso de propaganda política. O enredo centra-se em Edward, um assassino condenado interpretado por Sean Patrick Flanery, que,...

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