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    O Touro Ferdinando é a principal estreia da semana, com lançamento em quase mil salas

    11 de janeiro de 2018 /

    Símbolo do pacifismo, “O Touro Ferdinando” desembarca em 958 salas nesta quinta (11/1), que também oferece violência e guerra a quem for aos cinemas, além de inaugurar a temporada dos “filmes de Oscar” com um candidato a estatuetas e manter a dieta semanal de lançamentos limitados e documentários. Clique nos títulos de cada produção para ver os trailers de toda a programação. O lançamento amplo de “O Touro Ferdinando” no Brasil é um curioso contraponto à estratégia original da Fox, que despejou o filme na pior data de 2017 nos Estados Unidos – junto da estreia de “Star Wars: Os Últimos Jedi”. A animação acabou registrando a estreia mais fraca da carreira do brasileiro Carlos Saldanha na América do Norte. Mas aqui chega em situação oposta, aproveitando o boicote a “Viva – A Vida É uma Festa” para se impor com maior visibilidade no circuito. Como “Rio” e “A Era do Gelo”, dirigidos por Saldanha, a nova produção também é um desenho de bichos falantes. A diferença é que Ferdinando não é uma criação original. A história é inspirada no personagem homônimo criado em 1936 pelo escritor americano Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson, que já rendeu até produção da Disney: um curta clássico que venceu o Oscar de sua categoria em 1939. Graças ao sucesso da versão da Disney, reprisada várias vezes na TV, o touro sensível, que gosta de ficar no campo cheirando flores e não leva jeito para touradas, acabou virando ícone pacifista. Mas nunca tinha ganhado um longa-metragem antes. Para esticar a história original, a animação incluiu diversos bichos coadjuvantes. Mas a premissa permanece. Depois de ser confundido com uma perigosa criatura, Ferdinando, que é um touro grande de tamanho e de coração, é capturado para competir nas touradas. Só que ele não quer tourear e, determinado a voltar para a menininha que é sua dona, lidera uma equipe de bichos desajustados em uma grande fuga. A animação tem sido indicada aos prêmios da temporada, como o Globo de Ouro 2018, Annie Awards e o PGA Awards, e tem 70% de aprovação no Rotten Tomatoes. Para quem prefere pancadaria, “O Estrangeiro” traz Jackie Chan num dos papéis mais sombrios de sua carreira. Longe do tom cômico que marca suas produções faladas em inglês, o filme mostra o ator mais famoso da China com o semblante fechado e desejo de matar, após uma explosão terrorista custar a vida de sua filha. Em busca dos responsáveis pelo atentado, ele pressiona um funcionário do governo britânico, vivido pelo ex-007 Pierce Brosnan, a revelar a identidade dos criminosos. Recusando-se a aceitar sua palavra de que não tem conhecimento da tragédia, Chan o transforma no alvo de sua vingança. Coprodução entre a China e o Reino Unido, o filme tem roteiro de David Marconi (“Duro de Matar 4.0”) e direção de Martin Campbell (“007 – Cassino Royale”), que opta por uma linha de ação mais realista e violenta que os fãs de Chan estão acostumados. Apesar disso, não foge muito da fórmula do gênero, com 62% no Rotten Tomatoes. “O Destino de uma Nação” rendeu o Globo de Ouro 2018 para Gary Oldman. Mas o favoritismo do ator ao Oscar começou a ser questionado após a reação pública à sua vitória – as redes sociais se encheram de protestos pelo passado de agressor do britânico. Vale considerar que, em seu agradecimento pelo prêmio de domingo (7/1), Oldman fez questão de elogiar o trabalho de seus maquiadores. E, de fato, metade da interpretação se deve à transformação física do ator em Winston Churchill, o político que liderou o Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial. O filme acompanha Churchill em 1940, no início de seu mandato como Primeiro Ministro britânico. Diante do avanço do nazismo pela Europa, com Hitler expandindo territórios e colecionando vitórias, ele se vê diante de um dilema: aceitar a pressão de seus colegas por um vergonhoso acordo de paz com a Alemanha ou se jogar numa guerra com a perspectiva de uma derrota iminente. O roteiro foi escrito por Anthony McCarten, responsável por “A Teoria de Tudo” (2014), indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA, e a direção é de Joe Wright, em seu trabalho mais sóbrio após os espetáculos visuais de “Orgulho e Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “Peter Pan” (2015). Entre os lançamentos limitados, os destaques são outros dois dramas baseados em histórias reais. “Lou” também é uma cinebiografia, de Lou Andreas-Salomé, uma das mulheres mais interessantes do século 19, filósofa, poeta, feminista e pioneira da psicanálise. Sua trajetória reforça que a inteligência pode ser um poderoso afrodisíaco, pois ela apaixonou homens como Sigmundo Freud, Friedrich Nietzsche e Rainer Maria Rilke, entre outros. A personagem é interessantíssima, mas o mesmo não pode ser dito do primeiro filme de ficção da alemã Cordula Kablitz-Post, produzido há dois anos e sem repercussão internacional. Em contraste gritante, “O Motorista de Táxi” foi aclamado pela crítica mundial. Tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma coleção impressionante de prêmios no circuito asiático. Apesar de ser o primeiro filme do sul-coreano Jang Hoon a chegar ao Brasil, o ainda jovem cineasta acumula sucessos de bilheteria doméstica, usando elementos de filmes de ação para contar a história política do seu país. Assim como seu longa anterior, “The Frontline” (2011), “O Motorista de Táxi” foi escolhido para representar a Coreia do Sul no Oscar, mas não conseguiu a qualificação. O filme se passa em 1980 e acompanha um taxista comum (Song Kang-ho, de “Expresso do Amanhã”), que ao pegar um passeiro estrangeiro interessado em viajar até outra cidade, acredita ter conseguido a melhor corrida do mês. Entretanto, a viagem se torna a corrida da sua vida, pois o jornalista alemão (Thomas Kretschmann, de “Os Vingadores: A Era de Ultron”) o conduz para o meio de uma guerra civil, na qual estudantes que protestavam contra a ditadura são massacrados pelos militares. As imagens do conflito real, com centenas de mortes, chocaram o mundo, e só foram conseguidas graças ao taxista anônimo. A repercussão do filme acabou revelando a identidade de Kim Sa-bok, transformando-o em herói nacional. Infelizmente, ele morreu de câncer quatro anos após conduzir o jornalista Jürgen Hinzpeter (1937–2016) para o epicentro da crise, mas “O Motorista de Táxi” resgatou sua importância para a divulgação do massacre de Gwangju, cuja denúncia desestabilizou a ditadura e ajudou a transformar a Coreia do Sul numa democracia. Dois documentários completam a programação. O chileno “O Pacto de Adriana” investiga uma tia querida de sua jovem diretora, que trabalhou para a ditadura de Pinochet, e o brasileiro “Sailing Band” era para ser um documentário sobre banda velejadora no Caribe, que implode, mas rende uma viagem. Como curiosidade, o diretor estreante em longas Denis Nielsen é roteirista da série “3%”.

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