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  • Etc,  Filme

    Max von Sydow (1929 – 2020)

    9 de março de 2020 /

    O lendário ator sueco Max von Sydow, que estrelou clássicos como “O Sétimo Selo” (1957) e “O Exorcista” (1973), e participou até de “Game of Thrones”, morreu nesta segunda-feira (9/3) aos 90 anos. Sydow começou a carreira em dois filmes de Alf Sjöberg, “Apenas Mãe” (1949) e “Senhorita Júlia” (1951), ambos premiados em festivais internacionais – respectivamente, Veneza e Cannes. Mas só foi se tornar mundialmente conhecido graças à parceria seguinte, com o cineasta Ingmar Bergman, que se iniciou com “O Sétimo Selo” – também consagrado em Cannes – , onde jogou xadrez com a morte, numa das cenas mais famosas da história do cinema. Bergman o dirigiu em mais uma dezena de filmes premiados, entre eles os espetáculos cinematográficos de “Morangos Silvestres” (1957), que venceu o Festival de Berlim, “O Rosto” (1958), “No Limiar da Vida” (1958), “A Fonte da Donzela” (1960) e “Através de um Espelho” (1961). Sua primeira aparição em Hollywood foi simplesmente como Jesus Cristo, em “A Maior História de Todos os Tempos” (1965). Mas foi o papel do Padre Merrin, no clássico do terror “O Exorcista”, que marcou sua trajetória americana – com direito à reprise na continuação “O Exorcista II: O Herege” (1977). A voz grave e aparência séria logo convenceram Hollywood a lhe caracterizar como vilão ameaçador. O que começou numa pequena cena de “Três Dias do Condor” (1975) tomou grandes proporções em “Flash Gordon” (1980), onde viveu o Imperador Ming, e “007 – Nunca Mais Outra Vez” (1983), como o supervilão Blofeld na última aventura do James Bond vivido por Sean Connery. Ele chegou até a enfrentar Pelé num jogo de futebol, como um oficial nazista em “Fuga Para a Vitória” (1981). No começo da era dos blockbusters, ainda participou das superproduções “Conan, o Bárbaro” (1982) e “Duna” (1984), que ajudaram a consolidar seu nome em Hollywood. Mas, ironicamente, acabou indicado pela primeira vez ao Oscar num filme estrangeiro, “Pelle, o Conquistador” (1987), interpretando um imigrante sueco em busca de uma vida mais digna na Dinamarca. Sua filmografia inclui mais de 100 filmes com alguns dos maiores diretores do cinema mundial. A lista é digna de cinemateca: Ingmar Bergman, William Friedkin, John Huston, Laslo Benedek, Woody Allen, Penny Marshall, David Lynch, Bertrand Tavernier, Win Wenders, Bille August, Andrey Konchalovskiy, Lars von Trier, Dario Argento, Steven Spielberg, Ridley Scott, Martin Scorsese, J.J. Abrams, etc. Sem nunca diminuir o ritmo, ele entrou no século 21 com a sci-fi “Minority Report: A Nova Lei” (2002), de Spielberg, e na última década ainda fez “Robin Hood” (2010), de Scott, “Ilha do Medo” (2010), de Scorsese, e até “Star Wars: O Despertar da Força” (2015), de Abrams. Nesta reta final, ainda foi indicado ao Oscar pela segunda vez em 2012, pelo drama “Tão Forte e Tão Perto”, de Stephen Daldry, e ao Emmy em 2016, por seu participação na série “Game of Thrones”, como o misterioso Corvo de Três Olhos, mentor de Bran (Isaac Hamspead Wright). Seus últimos trabalhos foram o thriller marítimo “Kursk – A Última Missão” (2018) e o ainda inédito “Echoes of the Past”, drama de guerra do grego Nicholas Dimitropoulos, que terá lançamento póstumo. O ator foi casado duas vezes: com a colega de profissão Christina Olin (de 1951 a 1979), com quem teve dois filhos, e com a documentarista Catherine Brelet (de 1997 até sua morte), tendo adotado também os dois filhos dela, vindos de um relacionamento anterior.

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  • Etc,  Filme

    Bibi Andersson (1935 – 2019)

    15 de abril de 2019 /

    A aclamada atriz sueca Bibi Andersson, que estrelou mais de uma dúzia de filmes de Ingmar Bergman, morreu aos 83 anos. A diretora Christina Olofson, amiga de longa data de Andersson, confirmou sua morte na mídia sueca no domingo (14/4). Andersson começou a atuar na adolescência e teve uma vasta carreira no cinema, na televisão e no palco, mas se tornou mundialmente conhecida por seu trabalho com Bergman. Ele a descobriu como atriz de comerciais, enquanto dirigia um anúncio para sabão em 1951 e a lançou no mesmo ano em “Senhoria Julia”. Ela acabou participando em 14 dos filmes do diretor, entre as décadas de 1950 e metade dos anos 1970. Inicialmente, Bergman escalou a atriz para papéis que transformavam sua beleza numa representação da inocência e da pureza. Chamava atenção como o sol parecia brilhar quando ela aparecia em cena, como a gentil esposa e mãe de “O Sétimo Selo” (1957). E como parecia sair de um conto de fada em “Morangos Silvestres” (1957), colhendo frutas na floresta. Bergman, no entanto, viu mais na atriz que uma loira deslumbrante. No mesmo filme, ele também a escalou como uma caroneira de língua afiada, fumando cachimbo e com um corte de cabelo curto. Andersson ganhou reconhecimento internacional logo em seguida com “No Limiar da Vida” (1958), que rendeu prêmios para suas quatro atrizes no Festival de Cannes – além de consagrar Bergman com o troféu de Melhor Diretor. Isso a tornou cortejada para diversos trabalhos com diferentes cineastas. Foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Berlim por “A Amante Sueca” (1962), de Vilgot Sjöman. E logo Hollywood bateu à sua porta. Ela apareceu ao lado de James Garner e Sidney Poitier no western violento “Duelo em Diablo Canyon” (1966), como uma mulher sequestrada por Apaches que, uma vez resgatada, quer retornar para os índios. Também foi dirigida por John Huston em “Carta ao Kremlin” (1970), interpretou a esposa de Steve McQueen em “Um Inimigo do Povo” (1978), contracenou com Paul Newman na sci-fi “O Quinteto” (1979), dirigida por Robert Altman, embarcou no desastre “Aeroporto 79: O Concorde” (1979) e participou de “Entre a Vida e a Morte (1983), suspense do infame James Toback. Fez, ainda, vários filmes na Itália – a comédia “Você é a Favor ou Contra o Divórcio?” (1966), o giallo “O Sádico de Alma Negra” (1969), o drama “Entre Duas Paixões” (1970), etc. Tudo isso entre suas participações nos projetos de Bergman, filmes como “A Paixão de Ana” (1969) e a minissérie “Cenas de um Casamento” (1973), dividindo o protagonismo com Liv Ullman. A dupla Andersson e Ullman se cristalizou em “Quando Duas Mulheres Pecam” (mais conhecido pelo título original “Persona”), em 1966. A intensa atuação das duas atrizes, respectivamente enfermeira e paciente psiquiátrica, entrou para a história do cinema. E rendeu a Andersson seu primeiro de quatro prêmios Guldbagge (o equivalente sueco ao Oscar). Mas logo Bergman faria sua escolha por Ullman, a quem dedicou o posto de musa em seus filmes seguintes. A carreira de Andersson também incluiu três décadas de trabalho com o Royal Dramatic Theatre de Estocolmo, estrelando clássicos de Shakespeare, Molière e Chekhov, e duas aparições na Broadway nos anos 1970. Ela ainda trabalhou como diretora de teatro na Suécia, à frente de várias peças. E, durante a guerra civil na Iugoslávia, trabalhou com ONGs para levar o teatro e outras formas de cultura à região atingida pela guerra. Andersson fez poucos filmes depois do fim de sua parceria com Bergman nos anos 1970. Além dos americanos já citados, os destaques incluem o clássico sueco “A Festa de Babette” (1987) e o épico medieval “Arn: O Cavaleiro Templário” (2008), produção mais cara do cinema da Suécia, que lhe rendeu seu quarto Guldbagge. Sua última aparição no cinema foi na continuação deste filme, lançada em 2008.

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