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  • Filme

    Nelson Hoineff (1948 – 2019)

    16 de dezembro de 2019 /

    O jornalista, crítico e cineasta Nelson Hoineff morreu neste domingo (15/12), aos 71 anos. A informação foi compartilhada pelas redes sociais do diretor, sem que fosse informada a causa da morte. Como jornalista, ele ficou conhecido pela criação do “Documento Especial”. Exibido pela primeira vez em 2 de agosto de 1989, na Rede Manchete, o programa foi pioneiro no uso da câmera escondida, longos planos sem corte e por retratar pessoas e situações ignoradas pela imprensa. Em 430 episódios, a produção abordou da prostituição à grupos neonazistas. Entre suas maiores audiências, estão uma reportagem sobre a Igreja Pentecostal, feita inteiramente com câmera escondida, e um especial polêmico com o tema “Os Pobres Vão à Praia”, refletindo o preconceito dos cariocas – que é grande sucesso no YouTube até hoje. Outro episódio, “Vidas Secas”, dedicado à fome no Nordeste, rendeu a Hoineff um prêmio no Festival da TV de Monte Carlo, em Mônaco. Ele dirigiu vários episódios do programa, que chegou a ser líder de audiência em seu auge, em 1990. E acabou usando esta experiência para virar cineasta, notabilizando-se por formar uma filmografia de documentários premiados sobre diversas personalidades da cultura brasileira. Seus longas incluem “O Homem Pode Voar” (2006), uma reflexão sobre Santos Dumont, “Alô Alô Teresinha” (2009), que venceu Festival Cine-PE ao retratar o Chacrinha, “Caro Francis” (2010), perfil de Paulo Francis premiado no Festival de Paulínia, “Cauby: Começaria Tudo Outra Vez” (2015), sucesso comercial focado no cantor Cauby Peixoto, e seu longa final, “Eu, Pecador”, sobre o cantor e político Agnaldo Timóteo. Hoineff se especializou em cinema pela NYU (Universidade de Nova York) e em novas tecnologias da televisão pela New School for Social Research, em Nova York. Também foi membro do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual, fundador e por quatro vezes presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, co-fundador da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão, da qual foi vice-presidente por duas gestões, além de ter ajudado a lançar o Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro.

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  • Filme

    Com estreia em mais de mil salas, Ben-Hur tentará o milagre de lotar os cinemas

    18 de agosto de 2016 /

    Apostando contra as previsões pessimistas, a estreia de “Ben-Hur” tem a chance de provar que Jesus Cristo é brasileiro em 1.139 salas de cinema, num dos maiores lançamentos do ano. A produção será a primeira obra de temática religiosa a ocupar a maioria das telas 3D (688) e todo circuito IMAX (12 salas) do país. Isto porque também é um filme de ação, que evoca, inclusive, o sucesso “O Gladiador” (2000) – por sua vez, inspirado no “Ben-Hur” de 1959. Mas enquanto o clássico venceu 11 Oscars e conta com 88% de aprovação no site Rotten Tomatoes, a terceira versão (há ainda um filme mudo de 1925) recebeu pedradas da crítica americana, com apenas 33% de sorrisos amarelos. Vale a curiosidade de conferir a participação de Rodrigo Santoro, que é pequena, mas mais incorporada à trama que nas versões anteriores, nas quais Jesus aparecia apenas como uma silhueta silenciosa. Após fazer sucesso nos EUA e já garantir uma sequência, o terror “Quando as Luzes se Apagam” chega a 269 salas, explorando o medo do escuro. A história, que combina diversos elementos tradicionais do terror – mulher-fantasma de cabelos longos, família amaldiçoada, criatura que vive nas sombras – tem produção de James Wan (“Invocação do Mal”), que cada vez mais se consagra como principal mestre do terror do século 21. Não é fácil para o gênero agradar a crítica, e “Quando as Luzes se Apagam” emplacou 77% de aprovação no Rotten Tomatoes. Nem todo filme mal distribuído apela preferencialmente aos cinéfilos. E o lançamento da animação “Barbie: Aventura nas Estrelas” em 44 salas, exclusiva nos cinemas da rede Cinépolis, serve para demonstrar que o circuito limitado não é sinônimo de “circuito de arte”. O filme mostra Barbie como uma princesa cósmica, que voa pelo universo num skate voador. Sério. Tanto que será lançado direto em DVD em países do Primeiro Mundo. Outra apelação comercial, a comédia “O Funcionário do Mês” traz um verniz de sátira social que pode até enganar o cinéfilo desavisado, interessado em conferir um dos maiores sucessos recentes do cinema italiano. Mas seu sucesso se deve ao humor televisivo do ator Checco Zalone, que além de estrelar o besteirol também assina o roteiro, repleto de situações que, no limite da caricatura, reforçam diversos preconceitos. No filme, ele é um funcionário público que se recusa a largar o emprego estável, quando o governo, querendo diminuir a máquina estatal, o força a assumir os piores trabalhos. Em 19 salas. Três filmes franceses integram a programação. Em 11 salas, a comédia dramática “Esperando Acordada” traz Isabelle Carré (“Românticos Anônimos”) envolvendo-se na vida do homem que, por acidente, deixou em coma. Em duas telas apenas em São Paulo, “Mercuriales” acompanha o cotidiano nonsense de duas recepcionistas do prédio parisiense que dá título à produção. E “Francofonia – Louvre sob Ocupação” mistura documentário e ficção para contar a história do famoso museu durante a ocupação nazista da França. A direção é do mestre russo Aleksander Sokurov (“Fausto”) e seu circuito não foi divulgado. O documentário brasileiro “82 minutos” completa a lista, com distribuição no Rio. Dirigido por Nelson Hoineff (“Cauby: Começaria Tudo Outra Vez”), o filme desvenda os bastidores do carnaval da Portela, desde a escolha do samba-enredo até a apuração das notas dos jurados. O título se refere ao tempo do desfile da Escola de Samba, em que “nada pode dar errado”, conforme completa seu subtítulo.

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