Dia Brasil leva sertanejo, pagode e até rock ao Rock in Rio
Programação eclética tem Chitãozinho e Xororó, Zeca Pagodinho, Capitão Inicial, Ney Matogrosso, Ivete Sangalo, Xande de Pilares, Autoramas e muito mais
Justiça ordena remoção da paródia de “Cálice” que ataca Alexandre de Moraes
A determinação é resultado de um processo aberto por Chico Buarque e Gilberto Gil contra o apresentador Tiago Pavinatto pelo uso indevido da música
Ney Matogrosso revela que doença o fez mudar de cor
Cantor detalha virose e afirma estar recuperado para próximas apresentações
Morre Sérgio Cabral, jornalista e compositor, aos 87 anos
O pai do ex-governador Sérgio Cabral, fundador do Pasquim e autor de livros e sambas clássicos faleceu após três meses em UTI
Gilberto Gil planeja despedida dos palcos com turnê mundial em 2025
Aos 82 anos, cantor baiano planeja encerrar trajetória de shows com última turnê pelo Brasil, EUA e Europa
Milton Nascimento lança nova música com participação de Paul Simon
Faixa faz parte do novo álbum do cantor, com lançamento previsto para agosto, e traz o artista americano cantando em português
Revista americana coloca “Clube da Esquina” no Top 10 dos melhores discos da História
A Paste elegeu os 100 melhores álbuns já lançados e também destacou "Acabou Chorare", dos Novos Baianos
Rock in Rio oficializa Dia Brasil com sertanejo, pagode, MPB e até… rock
Estão confirmados Chitãozinho e Xororó, Luan Santana, Simone Mendes, Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Zeca Pagodinho, Alcione e outros
Filho de Gal Costa deixa casa da cantora em meio à contestação da herança
Gabriel Costa contesta o direito de Wilma Petrillo à herança da artista após completar 18 anos
Documentário sobre “Clube da Esquina” ganha trailer
A Lira Filmes divulgou o trailer de “Nada Será como Antes”, documentário sobre a criação do “Clube da Esquina”, considerado o melhor disco brasileiro de todos os tempos. A produção explica o contexto da criação do álbum com imagens inéditas de arquivo, apresenta shows da época e conversa com os músicos envolvidos na gravação, com destaque para Milton Nascimento e Lô Borges, acrescentando histórias e curiosidades da concepção do disco que revolucionou a MPB da época. O melhor disco brasileiro O álbum duplo lançado em 1972, fruto da colaboração entre Milton Nascimento, Lô Borges e uma coletânea de músicos talentosos de Minas Gerais, acabou se tornando um dos discos mais influentes da música brasileira, mesclando elementos do folk, rock, jazz e música latina com a rica tradição da MPB (Música Popular Brasileira). A gênese da produção foram encontros musicais informais que aconteciam no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, onde artistas como Beto Guedes, Toninho Horta e os irmãos Márcio e Lô Borges se reuniam para compartilhar ideias e criar músicas. Esses encontros deram origem ao “Clube da Esquina”, nome que posteriormente foi adotado para o álbum, uma viagem poética e sonora que refletia sobre amizade, amor, saudade e questões sociais. Faixas como “Tudo Que Você Podia Ser”, “O Trem Azul”, “Cravo e Canela” e “Nuvem Cigana” são apenas alguns exemplos da diversidade musical e da riqueza lírica encontradas no disco, eleito em 2022 como o melhor álbum brasileiro pelo podcast Discoteca Básica, que ouviu a opinião de 162 especialistas — jornalistas, youtubers, podcasters, músicos, lojistas e produtores. O documentário escrito e dirigido por Ana Rieper (“Vou Rifar meu Coração”) já foi exibido no Festival do Rio e da Mostra de São Paulo, e tem estreia comercial marcada para o dia 29 de fevereiro nos cinemas.
Carlos Lyra, ícone da bossa nova, morre aos 90 Anos
Carlos Lyra, um dos principais nomes da bossa nova, faleceu na madrugada deste sábado (16/12), aos 90 anos. O compositor estava internado desde quinta-feira (14/12) no Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, devido a um quadro de febre que se agravou com uma infecção. Conhecido por clássicos atemporais, Lyra deixou um legado inestimável no cenário musical brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro em 1933, ele começou sua jornada musical ainda na infância, desenvolvendo-se ao longo dos anos como um talentoso compositor e violonista. Foi um dos fundadores da Academia de Violão, um importante berço musical da bossa nova, e teve participações marcantes no desenvolvimento do gênero. Além de suas próprias canções, Lyra colaborou com grandes nomes como Vinicius de Moraes, João Gilberto e Tom Jobim, que o considerava o “maior melodista do Brasil”. Origens da bossa nova A Academia de Violão foi um marco na cena musical do Rio de Janeiro, localizada em um quarto-e-sala em Copacabana. Apesar do espaço modesto, cedido por um amigo de Lyra, a academia foi essencial no nascimento das primeiras canções da bossa nova e se tornou um celeiro de talentos da bossa nova, frequentado por artistas como Marcos Valle, Edu Lobo, Nara Leão e Wanda Sá. Curiosamente, a academia encerrou suas atividades após um incidente envolvendo um preservativo usado encontrado no sofá. O público começou a reconhecer o talento de Lyra com a canção “Menino”, interpretada por Sylvia Telles em 1956. Em 1957, Lyra participou do primeiro show da bossa nova na Sociedade Hebraica – que usou pela primeira vez a expressão bossa nova. Em 1959, João Gilberto incluiu canções de Lyra em seu histórico LP “Chega de Saudade”, como “Maria Ninguém”, “Lobo Bobo” e “Saudades Dez um Samba”. Lyra priorizou a composição, marcando presença significativa nos três primeiros discos de João Gilberto. Outra grande parceria do artista foi com Vinicius de Moraes, iniciada na década de 1960. Juntos, eles criaram mais de 20 canções, muitas das quais se tornaram ícones da bossa nova e da música popular brasileira. Entre essas obras, destaca-se a trilha sonora do musical “Pobre Menina Rica” (1962) e como canções como “Você e Eu”, “Coisa mais Linda” e “Minha Namorada”. Essas músicas não apenas definiram o som e o espírito da bossa nova, mas também se mantêm atuais, sendo constantemente regravadas e reinterpretadas por novos artistas. Não por acaso, Vinicius referia-se a Lyra como parte da “Santíssima Trindade” da bossa nova, ao lado de Baden Powell e Tom Jobim. Engajamento político e artístico Além de sua contribuição musical, Lyra também foi ativamente envolvido no cenário político e cultural. Em 1961, foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), onde apresentou jovens compositores da Zona Sul do Rio, como Nara Leão. Ele também compôs o “Samba da Legalidade” durante a Campanha da Legalidade – para impedir um golpe e garantir a posse o Presidente João Goulart. Em 1962, musicou “Couro de Gato”, curta-metragem premiado de Joaquim Pedro de Andrade que foi incluído como segmento do filme histórico “Cinco Vezes Favela”, além de ter feito a trilha de “Gimba”, dirigido por Flávio Rangel. No mesmo ano, ainda participou do histórico Festival de Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova York, que colocou a bossa nova no cenário internacional. Com o golpe militar de 1964, o cenário político do Brasil sofreu uma transformação dramática, afetando profundamente artistas e intelectuais. Lyra, conhecido por suas posições políticas firmes, sentiu diretamente o impacto dessas mudanças e, diante do ambiente repressivo instaurado pelo regime militar, decidiu deixar o país. Durante seu exílio, viveu e trabalhou nos Estados Unidos e no México, continuando a produzir música e a expressar suas ideias através da arte, em contato com artistas americanos como Stan Getz. Sua volta ao Brasil ocorreu em 1971, um momento ainda marcado por intensa repressão política. A volta ao Brasil Lyra voltou casado com a modelo americana Kate Lyra, com quem desenvolveu composições em inglês como “I See Me Passing By”, “Nothing Night” e “It’s so Obvious” (versão de “Cara Bonita”). Mas Kate acabou se tornando conhecida no Brasil por outro motivo, graças a sua participação em humorísticos como “A Praça da Alegria” e “Viva o Gordo”, em que desempenhava o papel de uma americana ingênua – ela marcou época com o bordão “brasileiro é tão bonzinho”. Os dois tiveram uma filha, Kay Lyra, que também virou cantora. Em sua volta, o compositor se aproximou da TV, contribuindo para a trilha sonora da novela “O Cafona” (1971) com as canções “Tudo que Eu Sou Eu Dei” e “Gente do Morro”, esta última uma colaboração original com Vinicius de Moraes para a peça “Eles Não Usam Black-Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri. Em 1973, Lyra assinou com a gravadora Continental e lançou o álbum homônimo “Carlos Lyra”. Mas seu disco seguinte, “Herói do Medo” (1974) foi censurado na íntegra e só liberado e lançado em 1975. Indignado, Lyra voltou a se mudar para os EUA, onde viveu por dois anos, participando da “terapia do grito primal” de Arthur Janov e estudando astrologia na Sideral School of Astrology. Ele retornou ao Brasil em 1976, lançando pela Editora Codecri, do jornal “O Pasquim”, o livro “O Seu Verdadeiro Signo”. Ele participou ativamente do Congresso da UNE realizado em Salvador em 1979, regendo um coro de cinco mil estudantes na canção “Hino da UNE”, de sua autoria e de Vinicius de Moraes. E seguiu nos anos 1980 trabalhando em diversos projetos culturais, como “Vidigal”, peça teatral de Millôr Fernandes, “As Primícias”, de Dias Gomes, e “O Dragão e a Fada”, peça infantil premiada no México, além de fazer colaborações com o cantor espanhol Julio Iglesias. Big in Japan Sua carreira internacional explodiu com shows no Japão e participações em festivais de jazz, levando-o a turnês no exterior que ocuparam boa parte de sua agenda nos anos 1980 e 1990. Ele chegou a lançar um disco exclusivo no Japão, “Bossa Lyra”, em 1993. Depois de compor a trilha do filme “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil” (1997), voltou para o Japão para uma série de shows, vivendo uma ponte aérea internacional entre apresentações em Tóquio e no Rio. Em 2001, seu disco “Saravá” foi premiado pela revista japonesa Record Collectors como o melhor relançamento do ano. Um dos marcos dos anos 2000 foi sua colaboração com o letrista Aldir Blanc. Juntos, compuseram 19 músicas para o musical “Era no Tempo do Rei”, baseado no livro de Ruy Castro. Esse projeto, realizado entre 2009 e 2010, demonstrou a versatilidade de Lyra e sua habilidade em adaptar-se a diferentes contextos e estilos musicais. Ao longo da carreira, Lyra participou de vários shows comemorativos, dos 25 anos, dos 50 anos e dos 60 anos da bossa nova, além de ter sido entrevistado para diversos documentários sobre o tema. Mas nunca pensou em se aposentar. No ano passado, quando completou 90 anos, lançou do álbum “Afeto”, uma compilação de suas músicas interpretadas por diversos artistas, demonstrando o amplo reconhecimento e respeito que Lyra conquistou no mundo da música.
Guitarrista Lanny Gordin, o “Hendrix brasileiro”, morre aos 72 anos
O guitarrista Lanny Gordin, que marcou época na era da Tropicália, morreu nesta terça (28/11) aos 72 anos, após um mês de internação devido a uma pneumonia no Hospital Ignácio Proença de Gouveia, em São Paulo. Nascido Alexander Gordin em Xangai, filho de um russo e de uma polonesa, e criado entre Israel e Brasil, ele deixou um legado inigualável na música brasileira. Desde jovem, Lanny demonstrava um talento incomum. Aos 16 anos, ele já se destacava na casa noturna Stardust, na Praça Roosevelt, em São Paulo. Com um estilo inovador e audacioso, que o fazia ser comparado a Jimi Hendrix, foi logo convidado a integrar a Jovem Guarda, gravando com Eduardo Araújo a música “Nem Sim, Nem Não” em 1968. No ano seguinte, formou o grupo Brazilian Octopus, ao lado de Hermeto Pascoal e Olmir Stocker. O grupo lançou um LP que se tornou cultuado por sua fusão inovadora de jazz, rock, bossa nova e música clássica, evidenciando a versatilidade e o experimentalismo que acompanhariam a carreira de Gordin. Lanny Gordin rapidamente atraiu a atenção dos artistas da Tropicália, participando em álbuns icônicos como “Gal Costa” (1969), “Gal” (1969), “LeGal” (1970) e “Fatal – A Todo Vapor” (1971), “Caetano Veloso” (o álbum branco de 1969), “Gilberto Gil” (1969) e “Expresso 2222” (1972). Sua habilidade em mesclar estilos e inovar na guitarra foi fundamental para a sonoridade dessas obras, incorporando elementos do rock psicodélico em canções que se tornaram clássicos da música brasileira. Sua contribuição marcou faixas como “Divino, Maravilhoso”, “Baby”, “Não Identificado”, ajudando a moldar o som da Tropicália. Ele também foi peça-chave no álbum de estreia de Jards Macalé, no primeiro disco solo de Rita Lee, “Build Up” (1970), e em “Carlos, Erasmo” (1971), de Erasmo Carlos, além de ter trabalhado com Tim Maia, Elis Regina e muitos outros. Durante o auge da carreira, Lanny foi para Londres, onde descobriu o LSD. O uso contínuo da droga fez um estrago irreversível. Diagnosticado com esquizofrenia, ele acabou internado numa clínica psiquiátrica, com tratamento a base de eletrochoques, e se afastou dos palcos. O retorno à música foi tímido, participando nos anos 1980 da Banda Performática do pintor José Roberto Aguilar, de trabalhos do cantores Itamar Assumpção e Vange Leonel, além do disco “Aos Vivos” (1995) do cantor Chico César. Seu primeiro disco solo só saiu em 2001, o auto-intitulado “Lanny Gordin”, que foi seguido por “Projeto Alfa” (2004), ambos da gravadora independente Baratos Afins, e os aclamado álbuns “Duos” (2005) e “Lanny Duos” (2007), que contou com a participação de várias estrelas da música brasileira. Esses trabalhos reafirmaram sua posição como um dos maiores guitarristas do Brasil. Nos últimos anos, ele enfrentou desafios de saúde significativos, incluindo a síndrome de Guillain-Barré e uma inflamação nas articulações da coluna, mas continuou tocando sua guitarra, registrando sua história no documentário “Inaudito”, lançado em 2020.
Cantora Cyva, do Quarteto em Cy, morre aos 85 anos
A cantora Cyva Ribeiro de Sá Leite, integrante do pioneiro grupo vocal feminino Quarteto em Cy, morreu no domingo (22/10) aos 85 anos. A cantora estava internada há um mês no Hospital Casa Rio Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, e não resistiu a um quadro de septicemia. Formado em 1964 por Cyva e suas irmãs Cynara, Cybele e Cylene, o Quarteto em Cy foi o mais antigo e principal quarteto vocal feminino do Brasil. A estreia oficial ocorreu em 30 de junho de 1964, com um show no lendário Beco das Garrafas, um circuito musical de boates em Copacabana, Rio de Janeiro. No mesmo ano, o grupo lançou seu primeiro LP, “Quarteto em Cy”, e no ano seguinte participou do álbum “Afro-sambas com Vinícius de Moraes e Baden Powell”, um marco da discografia brasileira. Em 1966, Cylene foi substituída por Regina Werneck, quando o Quarteto viajou para os Estados Unidos e, rebatizado como Girls From Bahia, gravou discos, fez shows e participou de programas da TV americana. Seu repertório incluía versões de músicas americanas para o português e canções de Tom Jobim com letras vertidas para o inglês Dois anos depois, Cynara e Cybele deixaram o grupo, e, juntando-se a Chico Buarque e Tom Jobim, encararam uma das maiores vaias da história dos festivais da canção, ao defenderem na final “Sabiá”, que concorria com a engajada “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, a favorita do público universitário. Vaiada do começo ao fim, “Sabiá” foi considerada a vencedora do Festival da Música Brasileira de 1968. Depois disso, elas lançaram dois álbuns, mas sem o mesmo sucesso do grupo com as outras irmãs. Cynara voltou a se juntar com Cyva em 1972, quando o quarteto foi retomado com nova formação, incluindo Sônia Ferreira e Dorinha Tapajós. A partir desse novo núcleo, vieram álbuns notáveis como “Antologia do Samba Canção” (1975), “Resistindo ao Vivo” (1977), e “Querelas do Brasil” (1978), onde continuaram a explorar e a homenagear a riqueza musical brasileira através de diferentes colaborações. Nessa época, o grupo começou também uma longa parceria de trabalhos com sua contraparte masculina, o grupo vocal MPB4. Foram três álbuns colaborativos só nos 1970, com direito a participação no Fantástico, numa amizade musical que se estendeu por décadas. Em 1980, Cybele se juntou novamente às irmãs, substituindo Dorinha, e esta formação se manteve ativa até a morte dela, em 2014. Com a perda da irmã, Cyva e Cynara passaram a formar o grupo com Sônia e Corina. As duas irmãs remanescentes continuaram à frente do Quarteto em Cy até recentemente, chegando a assinar os textos do resgate histórico da caixa “Quarteto em Cy – Anos 60 / 70 ao Vivo”, lançada em 2018 com três CDs, contendo registros inéditos de três shows gravados entre 1965 e 1975. Foi o último lançamento do grupo, que ainda seguiu em shows com Joyce Moreno e MPB4. Cynara morreu em 11 de abril deste ano. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Cyva esteve presente em todos os lançamentos do grupo, mais de 30 discos tanto no Brasil quanto no exterior, acompanhando a evolução da música brasileira – da bossa nova à transformação do samba na chamada MPB. Sua importância e legado são sem paralelos. Além de sua contribuição ao Quarteto em Cy, ela também era formada em Letras pela FFCH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas) da Universidade Federal da Bahia.












