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  • Filme

    Mike Henry (1936 – 2021)

    7 de fevereiro de 2021 /

    O ator e jogador de futebol americano Mike Henry, que estrelou três filmes de Tarzan e a franquia “Agarra-me se Puderes”, faleceu aos 84 anos em Burbank, Califórnia, de encefalopatia traumática crônica e doença de Parkinson. A morte aconteceu em 8 de janeiro, mas só recentemente se tornou pública. Henry jogou futebol pela University of Southern California (USC) e entrou na liga profissional em 1958. Ao se mudar para Los Angeles em 1962 para jogar no time local, Los Angeles Rams, chamou atenção de um produtor da AIP (American International Pictures) que procurava um intérprete atlético para viver o novo Tarzan do cinema. Ele soltou o grito das selvas em três filmes: “Tarzan e o Vale do Ouro” (1966), “Tarzan e o Grande Rio” (1967) e “Tarzan e o Menino da Selva” (1968). O “Grande Rio” do título do segundo longa era o Amazonas. O ator veio ao Rio de Janeiro para as filmagens e acabou virando piada nacional ao se assustar com uma vaca solta na Quinta da Boa Vista. Sua carreira como Rei da Selva terminou após ele ser mordido no rosto por um chimpanzé durante o terceiro filme, mas não sem antes originar um grande fã-clube gay, entusiasmadíssimo com sua sunga minúscula e poses acidentais de grandes protuberâncias. Apesar da experiência não materializar exatamente o sucesso que imaginava, Henry seguiu firme no cinema, atuando ao lado de John Wayne em dois filmes de machos, “Os Boinas Verdes” (1968) e “Rio Lobo” (1970). Ele também participou da cultuada sci-fi “No Mundo de 2020” (1973), com Charlton Heston, e iniciou uma bem-sucedida parceria com o astro Burt Reynolds em “Golpe Baixo” (1974). O ponto alto desta parceria foi o papel de Junior, o filho do xerife Buford T. Justice (Jackie Gleason) em “Agarra-me se Puderes” (1977). Henry tentou ajudar Gleason a agarrar Reynolds em mais duas sequências da comédia de ação, “Desta Vez te Agarro” (1980) e “Agora Você Não Escapa” (1983). Mas sua carreira não foi muito além disso, encerrada com uma figuração no filme seguinte, a comédia “Que Sorte Danada!” (1987).

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  • Série

    Simpsons, Família da Pesada, Big Mouth e Central Park trocam dubladores brancos de personagens negros

    27 de junho de 2020 /

    Várias produtoras e canais de séries animadas americanas anunciaram que não utilizarão mais atores brancos para dublar personagens negros ou de outras etnias. A decisão foi resultado de uma súbita conscientização causada pelo questionamento do racismo estrutural, que virou pauta urgente, após o assassinato de George Floyd por policiais brancos e o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) tomar as ruas dos EUA. As atrizes Kristen Bell e Jenny Slate foram quem chamaram atenção para o problema, denunciando a si mesmas, na quarta passada (24/6), como mulheres brancas que estavam dando vozes para personagens mestiças (meninas negras, filhas de mães brancas). “Este é um momento para reconhecer nossos atos de cumplicidade”, postou Kristen Bell nas redes sociais. Aqui está um dos meus. Interpretar a personagem Molly em ‘Central Park’ mostra uma falta de consciência do meu privilégio generalizado. A escalação de um personagem mestiça com uma atriz branca prejudica a especificidade da raça mista e da experiência dos negros americanos”, apontou. “Estava errado e nós, da equipe do ‘Central Park’, estamos comprometidos em fazer a coisa certa”, continuou Bell. “Fico feliz em renunciar a esse papel e passá-lo a alguém que possa dar uma interpretação muito mais precisa e me comprometerei a aprender, crescer e fazer minha parte por maior igualdade e inclusão”. Em uma declaração conjunta, a equipe do programa da plataforma Apple TV+ tentou justificar a escolha da atriz, que esteve no elenco da série “desde quase o primeiro dia de desenvolvimento do programa – antes mesmo de haver uma personagem para ela interpretar – e desde então ela apresentou uma performance engraçada, sincera e bonita”. “Mas, após reflexão, Kristen, junto com toda a equipe criativa, reconhece que a escalação da personagem Molly é uma oportunidade de obter uma representação correta – escalar uma atriz negra ou de raça mista e dar a Molly uma voz que ressoe com todas as nuances e experiências da personagem como a desenhamos”, continuam. Kristen Bell, porém, continuará a ser parte da série, dublando uma nova personagem que será introduzida na 2ª temporada, enquanto a interpretação de Molly passará para outra atriz. Já Jenny Slate perdeu o emprego, após decidir parar de interpretar Missy em “Big Mouth”, da Netflix. “No começo do programa, eu raciocinei comigo mesma que era admissível que eu interpretasse Missy porque a mãe dela é judia e branca — assim como eu”, afirmou a atriz em sua conta no Instagram. “Mas Missy também é negra, e personagens negros em programas animados devem ser interpretados por pessoas negras”, acrescentou. As decisões das duas atrizes criaram um efeito cascata. Na sexta (26/6), o ator Mike Henry, também branco, anunciou que deixaria de dublar o personagem negro Cleveland Brown na popular série animada “Uma Família da Pesada” (Family Guy), da rede Fox. “Foi uma honra interpretar Cleveland por 20 anos. Eu amo esse personagem, mas pessoas de cor (não brancas) devem interpretar os personagens de cor. É por isso que estou deixando o papel”, escreveu ele no Twitter. Além do personagem aparecer em “Uma Família da Pesada”, ele também estrelou sua própria série, “The Cleveland Show”, por quatro anos, exibida entre 2009 e 2013. A iniciativa de Henry, por sua vez, repercutiu em outra série da Fox, que se viu forçada a repensar sua atitude pouco responsável em relação à escalação de seus papéis. “Os Simpsons”, que já tinha um problema histórico com Apu, finalmente deu o braço a torcer, anunciando também na sexta que não escalaria mais atores brancos para interpretar personagens de minorias étnicas. “A partir de agora ‘Os Simpsons’ não terão mais atores brancos representando personagens que não são brancos”, informou uma nota sucinta da Fox. O anúncio, na verdade, é bem tardio. Em janeiro, o ator branco Hank Azaria já tinha dito que não dublaria mais o comerciante indiano Apu, após a representação racista do personagem ter ganhado até documentário – “O Problema com Apu”, dirigido por Hari Kondabolu em 2017, que criticou a forma como as produções americanas tratam as pessoas do sul da Ásia. Azaria tinha ficado incomodado com a forma escolhida pelos produtores de “Os Simpsons” para lidar com o questionamento racial. O tema virou piada, num episódio exibido em 2018 que criticou a forma como situações “inofensivas no passado” tinham virado “politicamente incorretas”. O fato é que, neste caso, “Os Simpsons” não previram o futuro e quase foram atropelados pela História. A mudança tardia de atitude agora deve afetar também o personagem do Dr. Hibbert, médico negro interpretado pelo ator branco Harry Shearer. Assim como Azaria (voz de Moe e do Comic Book Guy), Shearer dubla vários personagens e deve permanecer na série como o Sr. Burns, Ned Flanders e o diretor Skinner.

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