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  • Filme

    Yara mostra Líbano pouco difundido, como paraíso romântico

    19 de janeiro de 2019 /

    “Yara” leva os espectadores a uma região de grande beleza natural, no norte do Líbano: o Vale de Qadisha, uma localidade rural isolada, cercada de belas montanhas e uma paisagem verde exuberante. Circulam por lá as cabras, as galinhas, gente que cozinha, lava roupa, toma sol. Muito pouca gente. Num ambiente tranquilo e de muita paz, tão perto de uma zona conflagrada, vivem a adolescente Yara (Michelle Wehbe) e sua avó, numa rotina em que, a rigor, nada acontece e tudo se repete. No entanto, a entrada em cena de um jovem andarilho, Elias (Elias Freifer), meio perdido naquela região, acaba trazendo uma inesperada amizade e a perspectiva de um amor de verão para Yara e para ele. A narrativa rarefeita de “Yara” se resume a isso, num ritmo bastante lento, contemplativo. Durante uma hora e meia vivemos nesse paraíso de beleza e paz, sorvendo cada instante, percebendo nuances, detalhes. É um tipo de filme, hoje já disseminado, que se contrapõe à tendência não só do cinemão comercial, agitado e enlouquecido, como da vida diária das grandes cidades do mundo, seus conflitos e suas guerras. Um bálsamo para tempos bicudos. É curioso que essa tenha sido a escolha do diretor Abbas Fahdel, nascido no Iraque e vivendo na França desde os 18 anos de idade. Ele atuou como documentarista em função da terrível situação da guerra em seu país, procurando entender o que teria acontecido com seus amigos de infância que lá permaneceram, registrando um Iraque abalado pela violência, pelo pesadelo da ditadura e pelo caos que lá se instalou em “Retour à Babylone” (2002). Outro documentário seu, “Homeland (Iraq Year Zero)”, aborda a invasão norte-americana do país. E sua única ficção anterior, “L’Aube du Monde” (2008), é um drama sobre os múltiplos impactos da Guerra do Golfo, numa área conhecida como Jardim do Éden. Com esse histórico e essa identidade geográfica, chega a ser surpreendente esse conto de amor, emoldurado pela beleza natural, pela juventude, pela inocência e pela sutileza. O diretor foi em busca de uma fábula que traz o reverso da moeda. Um alívio, depois de tanta guerra e destruição. Um filme extremamente delicado e sensível, ambientado num Líbano pacífico. Um filme para relaxar e curtir, sem pressa.

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