Plataforma Quibi chega no Brasil de surpresa
A plataforma Quibi ganhou lançamento-surpresa no Brasil. Sem nenhum alarde, zero marketing e nenhuma informação adicional, o serviço de streaming para celulares começou a funcionar em território nacional na segunda-feira (6/4), simultaneamente a sua inauguração nos EUA. A chegada do serviço também se dá sem nenhum esforço dos responsáveis para adaptar o conteúdo ao Brasil. Não há legendas nem dublagem em português. As legendas só estão disponíveis em inglês e em espanhol. A falta de empenho para lançar o serviço no país contrasta com o investimento milionário feito para tornar o negócio conhecido na América do Norte. De fato, é apenas graças a isso que o público brasileiro pode ter alguma noção do que se trata. Em resumo, Quibi aspira ser uma Netflix de celular. Seu conteúdo é feito para dispositivos móveis e já está disponível nas lojas digitais de aplicativos. O nome da plataforma vem da junção das primeiras sílabas das palavras “quick” (ligeiro) e “bites” (pedaços), que o marketing da companhia buscou tratar como sinônimo de conteúdo rápido nos comerciais americanos de seu lançamento. O conceito do novo serviço é apresentar programas de até 10 minutos, tendo como público-alvo todos que têm um celular e que consomem vídeos curtos em transportes públicos ou durante pausas no expediente para tomar um café e ir ao banheiro. A proposta é claramente o oposto da que gerou o fenômeno comportamental por trás do sucesso da Netflix: as maratonas que, ao vararem noites, mudaram os hábitos de consumo de séries. Mas o YouTube faz sucesso com vídeos curtos. O que diferencia o Quibi da profusão de conteúdo gratuito do portal de vídeos do Google é que seus programas tem produção profissional. Para isso, foram investidos US$ 1,75 bilhão em projetos de estúdios como Sony Pictures, Disney e Warner Bros. O negócio é encabeçado por Jeffrey Katzenberg, ex-presidente da Disney e fundador da Dreamworks Animation, que, graças às suas conexões na indústria de entretenimento, construiu um portfólio impressionante de produções para lançar sua plataforma. Há projetos de Steven Spielberg, Sam Raimi, Guillermo del Toro, Jennifer Lopez, Reese Witherspoon e muitos outros pesos-pesados de Hollywood. Isto tem custo. No Brasil, a assinatura é R$ 32,90, bastante caro quando se compara com a concorrência “convencional” e especialmente diante do preço cobrado nos EUA (US$ 5 com anúncios e US$ 8 sem comerciais). Mas o serviço resolveu oferecer três meses de acesso gratuito para quem tiver curiosidade. Uma das inovações do Quibi em relação ao YouTube e o TikTok é a tecnologia que permite assistir aos vídeos tanto na vertical quanto na horizontal, num formato adaptável sua tela. O serviço também oferece a opção de adicionar programas numa lista pessoal, baixar para assistir offline e encontrar fichas de informações sobre o elenco e a produção. A tecnologia inovadora, por sinal, motivou processo nos EUA. A empresa Eko entrou na justiça por suposto roubo de propriedade intelectual, alegando que fez uma demonstração de sua tecnologia para vários empregados da Quibi, inclusive Katzenberg, e de repente a plataforma anunciou ter sua própria solução, desenvolvida internamente, que era exatamente igual a dela. Apesar do processo, a Eko não conseguiu impedir o lançamento da Quibi, que era seu objetivo inicial. Mesmo em sua estreia, a Quibi oferece um catálogo gigante, iniciando com cerca de 50 produções, de um total planejado de 175 títulos em seu primeiro ano. Há de tudo um pouco, de reality shows a “filmes em capítulos” (séries que tem duração de um filme, só que dividido em fatias de 10 minutos). Novos episódios são disponibilizados todos os dias, e novos programas vão estrear às segundas-feiras. Algumas das melhores séries do Quibi, como “Survive”, estrelada por Sophie Turner, e “Most Dangerous Game”, com Liam Hemsworth, funcionariam melhor na TV, onde sua tensão poderia ganhar dimensões mais adequadas. Mas, infelizmente, o serviço não oferece opção de retransmitir seu conteúdo para o computador ou televisão, como outros aplicativos de streaming. E, por isso mesmo, acaba se tornando uma experiência individual. O que não é exatamente a melhor opção para um período de quarentena como o atual. De fato, o isolamento social não parece combinar com esse tipo de serviço, considerando que a maioria da população está em suas casas, assistindo filmes e maratonando séries em família – Ted Sarandos, chefe de conteúdo da Netflix, já confirmou publicamente que seu negócio está atingindo recordes históricos de audiência. Também vale lembrar que o Snapchat – quem lembra do Snapchat? – tentou oferecer esse mesmo tipo de serviço em 2018. Chamadas de Snapchat Originals, as produções de episódios curtos foram descontinuadas por falta de público. Claro que o Quibi pode aperfeiçoar seu formato, oferecer acesso à transmissão na TV ou se concentrar em produções não seriadas, como o revival de “Punk’d”, um programa de pegadinhas da antiga MTV, e a novidade “Chrissy’s Court”, um reality que transforma a modelo Chrissy Teigen em juíza de disputas irrelevantes. Auto-contidos, os episódios desse tipo de atração não dependem de continuidade e podem ser consumidos sem compromisso, o que parece mais adequado à proposta do serviço. Afinal, Quibe tem verba maior que o Snapchat para dar certo. Veja abaixo um comercial do conteúdo já disponível na nova plataforma.
Plataforma Quibi estreia em meio à quarentena do coronavírus
A plataforma Quibi vai estrear na segunda-feira (6/4) nos EUA – e aparentemente também no Brasil – num cenário completamente diferente do que previam seus idealizadores. Criada para ser uma alternativa “de bolso” da Netflix, a Quibi investiu quase US$ 1,8 bilhão e atraiu pesos-pesados de Hollywood, de Steven Spielberg a Jennifer López, com sua estratégia de programas de curta duração, para se tornar o primeiro serviço de streaming especializado em conteúdo exclusivo para celular. O nome Quibi vem da junção das primeiras sílabas das palavras “quick” (ligeiro) e “bites” (pedaços), que o marketing da companhia tentava transformar em sinônimo de conteúdo rápido nos comerciais do lançamento. O conceito do novo serviço é apresentar programas de até 10 minutos, tendo como público-alvo todos que têm um celular e que consomem vídeos curtos em transportes públicos ou durante pausas no expediente para tomar um café e ir ao banheiro. A proposta é claramente o oposto da que gerou o fenômeno comportamental por trás do sucesso da Netflix: as maratonas que, ao vararem noites, mudaram os hábitos de consumo de séries. Entretanto, a inauguração do serviço vai se dar num período em que a maioria da população americana está em suas casas, assistindo filmes e maratonando séries na televisão. Ted Sarandos, chefe de conteúdo da Netflix, já confirmou publicamente que seu serviço está atingindo recordes históricos de audiência. Neste contexto, como fica o projeto de séries com episódios de 10 minutos? É o que o mercado, e especialmente os investidores do Quibi, querem saber. “Honestamente, não sabemos o que esperar”, confidenciou, de forma sincera, a CEO Meg Whitman (ex-CEO da eBay e da Hewlett Packard) ao MarketWatch, em entrevista por telefone na quinta passada (2/4). Dada a circunstância atual, ela disse: “As pessoas ainda têm seus momentos intermediários para se divertir, seja depois da escola em casa ou do Zoom”, ponderou, antes de concluir: “Teremos que esperar e ver”. Whitman foi a primeira contratada de Jeffrey Katzenberg, ex-Disney e fundador da DreamWorks Animation, quando o projeto da Quibi começou a sair do papel. Katzenberg é o verdadeiro responsável pela iniciativa e, graças às suas conexões na indústria de entretenimento, construiu um portfólio impressionante de produções para lançar sua plataforma. Atraídas pelo célebre executivo de Hollywood e pelos milhões de dólares prometidos, estrelas do cinema e da televisão prepararam várias séries e programas de variedades para a Quibi, desde um reboot da série clássica “O Fugitivo” até um reality de sobrevivência de Zac Efron, que ganhou manchetes após o ator ser hospitalizado. Mas a imprensa já reparou que muitas séries prometidas, algumas ligadas a franquias clássicas, têm na verdade a duração de um filme convencional e passam a impressão de ser longa-metragens fatiados em episódios. De fato, o serviço apresenta essas produções como filmes em capítulos, o que não soa como o atrativo imaginado pelos produtores. Por outro lado, antologias, como a produção de terror “50 States of Fear”, do cineasta Sam Raimi, tendem a funcionar melhor nesse formato por conta de suas histórias curtas completas. Não bastasse o desafio de emplacar uma nova forma de consumo de conteúdo, a Quibi ainda enfrenta uma batalha jurídica para ser lançada e permanecer no ar. O motivo é uma disputa de patentes tecnológicas. Todo o conteúdo da plataforma é produzido em formato vertical e horizontal, mudando automaticamente de um para o outro, conforme a preferência do espectador. A tecnologia e o conceito por trás dessa inovação, pensada no consumo em celular, teria sido desenvolvido por outra empresa, que foi à justiça americana tentar impedir o lançamento da plataforma, alegando roubo de propriedade intelectual. Em seu processo, a empresa Eko denuncia que fez uma demonstração de sua tecnologia para vários empregados da Quibi para fechar negócio, inclusive Katzenberg, e de repente a plataforma anunciou ter sua própria solução, desenvolvida internamente, que era exatamente igual à apresentada. O caso segue na justiça americana. Por tudo isso, a proposta revolucionária da Quibi chega ao mercado como uma grande incógnita. Para evitar o desapontamento e virar a possível maior vítima comercial do coronavírus, a empresa resolveu oferecer testes gratuitos de 90 dias para seus primeiros assinantes, o que supera ofertas semelhantes da Netflix e da Amazon. Após os primeiros três meses, a assinatura do serviço custará entre US$ 5 e US$ 8 mensais, dependendo da opção preferida – com ou sem anúncios. Veja abaixo o comercial americano do serviço.
China reabriu mais de 500 cinemas no fim de semana
Os cinemas da China voltaram a funcionar no último fim de semana, com a reabertura de 507 estabelecimentos cinematográficos, segundo informações locais. O número representa apenas 4,5% do parque exibidor chinês, mas a expectativa é que mais salas sejam abertas no próximo fim de semana, conforme a crise sanitária demonstra ter sido controlada no país. A retomada acontece no momento em que o resto do mundo decreta o fechamento de suas salas. Nesta segunda (23/3), a Austrália se tornou o último grande mercado a fechar seus cinemas. A reabertura chinesa vai acontecer de forma gradual, com a exibição de antigos sucessos locais, como “Terra à Deriva” e “Upa – Meu Monstro Favorito”, e blockbusters estrangeiros como os títulos da franquia “Harry Potter”. O perfil da Warner no Weibo, rede social popular na China, chegou a anunciar que o primeiro capítulo da saga criada por J.K. Rowling voltaria às telas chinesas para sinalizar que a crise acabou. Ou, como disse o estúdio, que “a magia está voltando!”. Para compensar o período de fechamento, os exibidores estão ficando com 100% da receita das bilheterias em sua reabertura, em vez de devolver parte dela aos estúdios e distribuidoras. Num segundo momento, os cinemas chineses ainda terão estreias dos filmes estrangeiros que ficaram inéditos no país durante a crise, como “1917”, “Ford vs. Ferrari”, “Dolittle”, “Jojo Rabbit”, “Sonic: O Filme” e “Bad Boys Para Sempre”. Mas não há planos para lançar exclusivamente no território chinês os filmes que foram adiadas em outros países, como “Mulan”, “Viúva Negra”, “Um Lugar Silencioso 2” e “Espiral: O Legado de Jogos Mortais”. Houve apenas 39 novos casos de covid-19 no domingo, informou a Comissão Nacional de Saúde da China. E cada um foi importado para o continente (em vez de ter sido transmitido entre moradores país). O número total de casos confirmados na China chegou a 81.093, com 3.270 mortes.
Dois Irmãos lidera bilheterias com exibições em drive-ins nos EUA
Com a maioria dos cinemas fechados em todo o mundo, as bilheterias deveriam retornar com valores zerados ou próximos do zero no último fim de semana. Mas não foi isso que aconteceu. De forma surpreendente, os cinemas drive-ins passaram a liderar a arrecadação dos filmes na América do Norte. Mania dos anos 1950, os drive-ins chegaram a ser considerados extintos no século 21. Mas os exemplares remanescentes se tornaram os cinemas mais viáveis para enfrentar a crise sanitária mundial, graças ao fato de seus frequentadores não precisarem sair de seus carros para apreciar aos filmes. Embora restem poucos cines drive-ins em atividade, eles são responsáveis pela principal fatia da bilheteria do fim de semana nos EUA, junto da arrecadação de alguns pequenos cinemas do interior dos EUA. Entretanto, como são poucos locais abertos, a lista de filmes em exibição se resume a apenas quatro títulos. A animação “Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”, da Pixar, foi o filme mais visto desse circuito alternativo, rendendo US$ 71 mil em 135 locais espalhados pelos EUA. Em 2º lugar, ficou o terror “O Homem Invisível”, com US$ 64 mil, seguido por “Bloodshot”, com US$ 52 mil, e “O Chamado da Floresta”, com US$ 46,5 mil. Entre os 30 locais que mais arrecadaram, 25 são drive-ins. Com o fechamento das salas das grandes redes, os estúdios começaram a lançar os filmes que estavam em cartaz diretamente na internet. Três dos quatro filmes ainda exibidos pelos drive-ins estão na lista programada para distribuição digital. “O Homem-Invisível” chegou ao VOD na semana passada nos EUA – mas não no Brasil – , “Bloodshot” estará disponível na terça (24/3) e “Dois Irmãos” na próxima semana. Enquanto isso, a China começou a abrir gradualmente seus cinemas. 507 estabelecimentos cinematográficos foram liberados no fim de semana e há a expectativa de mais telas no próximo, com a retomada dos lançamentos no país.
Sonic, Dois Irmãos e outras estreias recentes têm lançamento online antecipado
Os grandes estúdios de Hollywood estão antecipando todos os seus últimos lançamentos cinematográficos em tempo recorde para locação e/ou venda online. Sucessos infantis como “Sonic: O Filme”, da Sony, e “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”, da Disney, já serão disponibilizados nos próximos dias – respectivamente, em 31 de março e 3 de abril. A estratégia segue a iniciativa da Universal, que nesta sexta-feira (20/3) lançou “O Homem-Invisível”, “A Caçada” e “Emma” para locação nos EUA em serviços como iTunes, Google Play e YouTube Films. Estes títulos, porém, ainda não chegaram ao Brasil. Outros filmes que estavam em cartaz nos EUA quando os cinemas fecharam como precaução contra a pandemia de coronavírus, e chegarão em VOD a partir do próximo fim de semana incluem “Enquanto Estivermos Juntos”, “The Way Back”, “Magnatas do Crime”, “Aves de Rapina” e “Bloodshot”. Os três primeiros não tiveram estreia nacional. A medida derruba a janela tradicional de estreias. Geralmente, filmes demoram até 90 dias entre seu lançamento nos cinemas e a chegada para locação digital. Mas o fechamento dos cinemas precipitou o adiantamento das ofertas. O parque exibidor observa com preocupação, pois não tem como argumentar contra a iniciativa. Entretanto, dependendo dos resultados, a diminuição da janela pode se firmar e virar um tendência irreversível no mercado, após a superação da crise de saúde e da reabertura dos cinemas.
China anuncia planos para a reabertura dos cinemas no país
Enquanto as redes exibidoras anunciam o fechamento dos cinemas no Brasil como precaução diante da crise de saúde, a China já começa a superar a pandemia de coronavírus e anuncia a reabertura de suas salas. O país conseguiu “zerar” a transmissão local da doença na quarta (18/3). Segundo o Deadline, o plano é reabrir os estabelecimentos aos poucos, inicialmente trazendo antigos blockbusters locais para as telas. Títulos que fizeram sucesso na China nos últimos anos, como “Terra à Deriva” e “Upa – Meu Monstro Favorito”, vão voltar aos cinemas. Também há planos para trazer grandes sucessos estrangeiros do passado para os cinemas, incluindo a franquia “Harry Potter”. O perfil da Warner no Weibo, rede social popular na China, confirmou que o primeiro capítulo da saga criada por J.K. Rowling vai voltar às telas chinesas para sinalizar que a crise acabou. Ou, como disse o estúdio, que “a magia está voltando!”. Para compensar o período de fechamento, os exibidores ficarão com 100% da receita das bilheterias em sua reabertura, em vez de devolver parte dela aos estúdios e distribuidoras. Num segundo momento, os cinemas chineses terão estreias dos filmes estrangeiros que ficaram inéditos no país durante a crise, como “1917”, “Ford vs. Ferrari”, “Dolittle”, “Jojo Rabbit”, “Sonic: O Filme” e “Bad Boys Para Sempre”. Mas não há planos para lançar exclusivamente no território chinês os filmes foram adiadas em outros países, como “Mulan”, “Viúva Negra”, “Um Lugar Silencioso 2” e “Espiral: O Legado de Jogos Mortais”.
Warner adianta lançamento de Aves de Rapina para locação digital
Após a Universal decidir ignorar a janela cinematográfica para disponibilizar filmes em cartaz para locação digital, a Warner e a STX anunciaram que também estão adiantando os lançamentos em VOD de seus títulos mais recentes, como “Aves de Rapina” e “Magnatas do Crime”. Ambos serão lançados na próxima terça (24/3) nas lojas de locação virtual, como iTunes, Google Play e YouTube Films. Por enquanto, a decisão se restringe ao mercado norte-americano, mas como o fechamento dos cinemas tem sido uma opção mundial para tentar conter a pandemia de coronavírus, a mesma iniciativa deve ser estendida para o resto do mundo. “Magnatas do Crime”, por exemplo, é inédito no Brasil. Chegaria aos cinemas nacionais em 23 de abril, pela Paris Filmes, que suspendeu todas as suas estreias. Outros estúdios devem seguir a tendência.
Mercado internacional já soma bilheteria menor que os EUA
Com cinemas fechados em boa parte do mundo, da China à França, as bilheterias internacionais já estão rendendo menos que o mercado norte-americano, que acaba de bater seu recorde negativo neste século. Ao todo, os cinco filmes de maior público fora dos EUA e Canadá somaram apenas US$ 30,7 milhões nos últimos três dias, uma queda de 85% em relação ao mesmo fim de semana do ano passado. Maior sucesso do fim de semana no mercado internacional, “Bloodshot”, o filme de super-herói de Vin Diesel, rendeu somente US$ 13 milhões, superando no exterior a “Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”. A animação da Disney/Pixar, que liderou o ranking no fim de semana passado, fez apenas US$ 6,8 milhões em 47 mercados. Ao menos, conseguiu ultrapassar US$ 100 milhões no mundo, o que ainda é pouco para seu orçamento milionário – custou entre US$ 100 e 200 milhões. Em 3º lugar, “Sonic: O Filme”, superou US$ 300 milhões em todo o mundo, mas teve uma queda de 76% em sua arrecadação internacional, em relação ao fim de semana passado. Primeira nação afetada pela crise de saúde, a China também foi primeira a decretar o fechamento dos cinemas. Com várias decisões igualmente radicais, como quarentenas de cidades inteiras, o país começa a reverter a tendência de infecção do coronavírus. Graças à queda crescente de números de casos chineses, também se criou expectativa para uma reabertura dos cinemas locais. Estipula-se que a data para a normalização aconteça durante o feriado de 1 de maio. A Coreia do Sul, que igualmente tomou medidas radicais, deve voltar a abrir os cinemas logo em seguida, senão na mesma data. Assim, estima-se que o mercado asiático volte à normalidade no final deste semestre. A situação ocidental, porém, têm complicadores. Os Estados Unidos ainda estão enfrentando o princípio da epidemia e têm um longo caminho até a sua superação. Além disso, seu sistema de saúde é privado e descentralizado, o que dificulta o atendimento de sua população. Mas o pior que poderia acontecer acabou acontecendo no Brasil. Terraplanistas brasileiros, que não acreditam na Ciência, fizeram manifestação política neste domingo (15/3), que multiplicou geometricamente a possibilidade de propagação do coronavírus no país. Os estádios de futebol já estavam fechados e até teatros e cinemas no Rio, mas os atos recentes podem levar a medidas mais drásticas, como a restrição da circulação da população brasileira, como já acontece na Itália e na Espanha. Enquanto governos ordeiros resistem e caóticos insistem em ignorar o perigo, não é possível prever quando a pandemia vai realmente acabar. Enquanto isso, os estúdios seguem adiando estreias e tirando filmes da programação, além de paralisar as filmagens de novas produções.
Bilheterias dos EUA têm pior arrecadação do século
Com cinemas fechados em muitas cidades e algumas redes exibidoras operando com capacidade limitada, a precaução contra a pandemia de coronavírus resultou na pior bilheteria de fim de semana deste século na América do Norte. A contagem oficial será finalizada na segunda-feira, mas a receita deve girar em torno de US$ 55,3 milhões, segundo a Comscore. Ou menos. A última vez que os cinemas norte-americanos registraram receita menor foi num fim de semana de setembro de 2000 (US$ 54,5 milhões), ainda no século 20. Até os dois fins de semana após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 renderam mais – US$ 66,3 milhões e US$ 59,7 milhões, respectivamente. Diante deste quadro, o filme que mais vendeu ingressos, a animação “Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”, da Disney/Pixar, rendeu apenas US$ 10,5 milhões, 73% menos que a arrecadação da semana passada. Trata-se da queda mais acentuada da história da Pixar. O recorde negativo pertencia a “O Bom Dinossauro”, que caiu 59% em sua segunda semana de exibição, em 2015. Em 10 dias, “Dois Irmãos” somou US$ 60,2 milhões na América do Norte e cruzou a marca dos US$ 100 milhões em todo o mundo. Mas, como custou entre US$ 100 e 200 milhões, deve dar prejuízo. Não é o único lançamento que preocupa seu estúdio. As três estreias da semana tiveram desempenho abaixo do esperado, com uma queda acentuada entre a arrecadação de sexta a domingo. Entre os estreantes, a produção religiosa “Enquanto Estivermos Juntos” teve o melhor desempenho, com US$ 9,5 milhões. O que vem a comprovar que, em tempos apocalípticos, a fé ainda atrai multidões, mesmo contra a recomendação de médicos e da crítica especializada. Considerado ruim, com apenas 43% de aprovação dos críticos em geral e míseros 13% entre os profissionais da imprensa norte-americana, o filme chega em 2 de abril no Brasil. A produção de super-herói de Vin Diesel, “Bloodshot”, abriu em 3º lugar com US$ 9,3 milhões. Antes mesmo da crise de saúde, analistas não consideravam que a produção faria sucesso. A crítica achou um lixão, com somente 31% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mas o público parece ter gostado, dando nota A no Cinemascore, na pesquisa após as sessões. Orçado em US$ 45 milhões, deveria se pagar em tempos normais. A última estreia, o polêmico thriller “A Caçada”, rendeu apenas US$ 5,3 milhões e ficou com o 5º lugar, atrás de “O Homem Invisível”. Os 53% de aprovação da crítica refletem como sua trama é divisiva. No filme, ativistas pobres da direita racista são caçados por esquerdistas endinheirados e politicamente corretos por esporte. O público americano odiou com um C+ no CinemaScore. A previsão de lançamento no Brasil é apenas para maio, se os cinemas ainda estiverem abertos até lá. Confira abaixo mais detalhes dos rendimentos dos 10 filmes mais vistos no fim de semana no mercado norte-americano – e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica Fim de semana: US$ 10,5M Total EUA e Canadá: US$ 60,2M Total Mundo: US$ 101,6M 2. Enquanto Estivermos Juntos Fim de semana: US$ 9,5M Total EUA e Canadá: US$ 9,5M Total Mundo: US$ 9,5M 3. Bloodshot Fim de semana: US$ 9,3M Total EUA e Canadá: US$ 10,5M Total Mundo: US$ 25,6M 4. O Homem-Invisível Fim de semana: US$ 6M Total EUA e Canadá: US$ 64,4M Total Mundo: US$ 122,7M 5. A Caçada Fim de semana: US$ 5,3M Total EUA e Canadá: US$ 5,7M Total Mundo: US$ 6,4M 6. Sonic: O Filme Fim de semana: US$ 2,5M Total EUA e Canadá: US$ 145,8M Total Mundo: US$ 306,5M 7. The Way Back Fim de semana: US$ 2,4M Total EUA e Canadá: US$ 13,4M Total Mundo: US$ 14,3M 8. O Chamado da Floresta Fim de semana: US$ 2,2M Total EUA e Canadá: US$ 62,1M Total Mundo: US$ 107,3M 9. Emma Fim de semana: US$ 1,3M Total EUA e Canadá: US$ 10M Total Mundo: US$ 25,1M 10. Bad Boys para Sempre Fim de semana: US$ 1,1M Total EUA e Canadá: US$ 204,2M Total Mundo: US$ 417,8M
Coronavírus deve custar ao menos US$ 20 bilhões para Hollywood
A pandemia de coronavírus pode dar um prejuízo sem precedentes para Hollywood. Em estimativa calculada pelo site da revista The Hollywood Reporter, o cancelamento de diversas estreias e o fechamento das salas de cinema ao redor do mundo pode custar cerca de US$ 20 bilhões (ou seja, quase R$ 100 bilhões) para a indústria cinematográfica americana. Segundo os cálculos da publicação, as bilheterias do mundo inteiro já deixaram de arrecadar US$ 7 bilhões com o fechamento dos cinemas. Se esta situação permanecer igual ou piorar pelos meses de abril e maio, o lucro perdido chegaria a mais US$ 10 bilhões. Como os cancelamentos também implicam em despesas extras de marketing, o custo de P&A (propaganda e divulgação) ainda é multiplicado por dois. Isto acontece porque os anúncios são comprados com antecedência, o que significa que o dinheiro investido no marketing de títulos como “Mulan”, “Os Novos Mutantes”, “Velozes e Furiosos 9” e outros tantos que tiveram suas produções adiadas foi perdido. Do mesmo modo, quando esses filmes receberem sinal verde para voltar aos cinemas, os gastos precisarão ser dobrados para convencer o público a prestigiá-los. Só o adiamento de “007: Sem Tempo para Morrer”, que foi de abril para novembro, custará US$ 50 milhões em despesas extras de P&A para a MGM e a Universal. E vale lembrar que filmes como o novo “007”, “Mulan” e “Velozes e Furiosos 9” veicularam anúncios no Super Bowl, o espaço mais caro da TV americana, que teriam custado cerca de US$ 15 milhões.
Dois Irmãos tem uma das piores estreias de animação da Pixar nos EUA
A nova animação da Disney/Pixar, “Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”, estreou em 1º lugar nas bilheterias dos EUA e Canadá com arrecadação de US$ 40 milhões. O valor correspondeu à expectativa do mercado, que já calculava que o novo lançamento do estúdio não repetiria fenômenos anteriores por não fazer parte de uma franquia. Mesmo assim, foi uma das piores estreias para uma animação da Pixar na América do Norte, com desempenho similar ao de “O Bom Dinossauro”, que abriu com US$ 39,2 milhões em 2015 e deu prejuízo. Para preocupar não apenas a Disney, mas todos os grandes estúdios de Hollywood, o faturamento internacional foi bem pior. O surto mundial de coronavírus impactou a arrecadação do lançamento, que rendeu apenas US$ 28 milhões em 47 mercados (incluindo US$ 1,1 milhão no Brasil). Todos os cinemas da China estão fechados, assim como boa parte do parque exibidor da Coreia do Sul, Japão e Itália. Ao todo, “Dois Irmãos” teve uma estreia global de US$ 68 milhões. A produção recebeu uma nota A- no CinemaScore, pesquisa de opinião feita junto ao público americano, e conquistou 86% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes, o que pode ajudar a animação a se manter entre os filmes mais vistos nas próximas semanas. Líder da semana passada, “O Homem Invisível” caiu para o 2º lugar, somando mais US$ 15,1 milhões na sua conta para superar os US$ 50 milhões na América do Norte e se aproximar dos US$ 100 milhões em todo o mundo. Orçado em apenas US$ 7 milhões, o terror da Universal é um sucesso bastante visível e extremamente lucrativo. A outra grande estreia da semana na América do Norte ficou com o 3º lugar. Ainda sem título em português, “The Way Back”, que traz Ben Affleck lutando contra o alcoolismo, num paralelo com sua vida real, rendeu US$ 8,5 milhões em 2,7 mil cinemas. Muito abaixo das projeções. Mas os críticos se impressionaram o suficiente para dar ao drama 87% de aprovação no Rotten Tomatoes. A estreia no Brasil vai acontecer apenas em 24 de abril. Outros números relevantes do ranking são a aproximação de “Sonic: O Filme” da marca dos US$ 300 milhões mundiais, o avanço de “O Chamado da Floresta” para os US$ 100 milhões mundiais – ainda longe de cobrir seu orçamento de US$ 135 milhões – , a chegada lenta de “Aves de Rapina” na vizinhança dos US$ 200 milhões globais e o sucesso incontestável de “Bad Boys para Sempre”, que superou os US$ 200 milhões tanto nas bilheterias domésticas quanto no mercado internacional para atingir mais de US$ 400 milhões de arrecadação total. Confira abaixo mais detalhes dos rendimentos dos 10 filmes mais vistos no fim de semana no mercado norte-americano – e clique em seus títulos para ler mais sobre cada produção. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica Fim de semana: US$ 40M Total EUA e Canadá: US$ 40M Total Mundo: US$ 68M 2. O Homem-Invisível Fim de semana: US$ 15,1M Total EUA e Canadá: US$ 52,6M Total Mundo: US$ 98,2M 3. The Way Back Fim de semana: US$ 8,5M Total EUA e Canadá: US$ 8,5M Total Mundo: US$ 9,1M 4. Sonic: O Filme Fim de semana: US$ 8M Total EUA e Canadá: US$ 140,8M Total Mundo: US$ 295,6M 5. O Chamado da Floresta Fim de semana: US$ 7M Total EUA e Canadá: US$ 57,4M Total Mundo: US$ 99,5M 6. Emma Fim de semana: US$ 5M Total EUA e Canadá: US$ 6,8M Total Mundo: US$ 20,8M 7. Bad Boys para Sempre Fim de semana: US$ 3M Total EUA e Canadá: US$ 202M Total Mundo: US$ 415M 8. Aves de Rapina Fim de semana: US$ 2,1M Total EUA e Canadá: US$ 82,5M Total Mundo: US$ 195,7M 9. Impractical Jokers: The Movie Fim de semana: US$ 1,8M Total EUA e Canadá: US$ 9,6M Total Mundo: US$ 9,6M 10. My Hero Academy: Heroes Rising Fim de semana: US$ 1,5M Total EUA e Canadá: US$ 12,7M Total Mundo: US$ 27,8M
O Homem Invisível não tira Sonic: O filme do topo das bilheterias do Brasil
Ao contrário do que aconteceu nos EUA, a estreia do terror “O Homem Invisível” não conseguiu tirar “Sonic: O filme” do topo das bilheterias brasileiras. O filme infantil foi o mais visto no Brasil de quinta (27/2) a domingo (1/3) passados, com público de 376 mil pessoas e R$ 6,1 milhões em ingressos vendidos. Em três semanas em cartaz, a adaptação do videogame já arrecadou R$ 36,9 milhões no mercado nacional. “O Homem Invisível” teve o segundo maior público do fim de semana. Foram 197 mil espectadores e R$ 3,6 milhões em bilheteria para a reimaginação do monstro clássico da Universal no país. O título que completa o Top 3 é “Dolittle”. Grande fracasso mundial de público e crítica, a produção infantil conseguiu atrair 170 mil espectadores e faturar R$ 3 milhões em seu segundo fim de semana em cartaz. Nas demais posições, destaca-se “Parasita”, que se mantém no ranking há 16 semanas e recebeu novo impulso comercial após vencer o Oscar 2020. Atualmente em 6º lugar, vendeu 70 mil ingressos no fim de semana, com uma arrecadação R$ 1,5 milhão. Desde a estreia, o filme sul-coreano já acumula R$ 17 milhões em bilheteria e público de 893 mil pessoas, um ótimo desempenho para uma produção asiática no Brasil. Também com participação longeva no ranking, “Minha Mãe é Uma Peça 3” completou 9 semanas em cartaz, ampliando sua arrecadação para R$ 180 milhões e atingindo quase 11,5 milhões de espectadores. O filme bateu o recorde de bilheteria do cinema brasileiro em janeiro e continua a ampliá-lo. Além disso, tornou-se nesse fim de semana o segundo filme nacional mais visto de todos os tempos, superando “Os Dez Mandamentos”. Saiba mais sobre os recordes de “Minha Mãe é Uma Peça 3” aqui. E veja abaixo o Top 10 dos filmes mais vistos no Brasil no fim de semana passado, segundo apuração da consultoria Comscore. #Top10 #bilheteria #filmes Final Semana 27/02-01/03:1. Sonic – O Filme2. O Homem Invisível3. Dolittle4. Maria e João – O Conto das Bruxas5. Aves de Rapina6. Parasita7. A Hora da Sua Morte8. Minha Mãe é Uma Peça 39. 191710. Luta por Justiça — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) March 2, 2020
Minha Mãe É um Peça 3 supera Os Dez Mandamentos e vira 2º filme brasileiro mais visto de todos os tempos
“Minha Mãe É uma Peça 3” continua lotando os cinemas e no fim de semana passado atingiu 11,4 milhões de espectadores, superando os 11,3 milhões de ingressos vendidos de “Os Dez Mandamentos” (2016) para se tornar o segundo filme brasileiro mais visto de todos os tempos. A comédia de Paulo Gustavo só vendeu menos ingressos que “Nada a Perder” (2018), cinebiografia do bispo Edir Macedo, que comercializou 12,1 milhões de tickets, mas tem seu público questionado, por conta da estratégia da Igreja Universal de comprar as sessões sem preencher todos os assentos dos cinemas com espectadores. Lançado em 26 de dezembro, o terceiro filme da Dona Hermínia já tem um faturamento de R$ 180 milhões, que representa a maior bilheteria do cinema brasileiro em todos os tempos – recorde superado em janeiro passado, cerca de 45 milhões atrás. O valor se tornou, inclusive, maior que a soma da arrecadação conjunta dos dois primeiros filmes da franquia. A franquia “Minha Mãe É Uma Peça” é baseada na peça homônima, criada e estrelada por Paulo Gustavo como Dona Hermínia. Os dois primeiros filmes, lançados em 2013 e 2016, atingiram juntos o público de 13 milhões de espectadores e uma arrecadação total de R$ 173,7 milhões. O imenso sucesso e alcance de “Minha Mãe É Uma Peça 3” também coloca em cheque a definição do presidente Jair Bolsonaro sobre filmes que só agradam “uma minoria”, já que se trata de uma produção assumidamente LGBTQIA+. Sua trama é estrelada por um homem vestido de mulher (que na vida real é casado com outro homem), tem como tema um casamento homossexual e gira em torno de uma família que lida com a sexualidade de forma natural e bem-humorada.











