Retrospectiva | As 10 melhores animações de 2023
Super-heróis, animais falantes, animes, stop-motion e animação computadorizada marcam a seleção das melhores animações lançadas entre 1 de janeiro e 31 de dezembro no Brasil. A maioria passou pelos cinemas e as que não passaram foram lançamentos da Netflix. Confira os destaques do ano. HOMEM-ARANHA: ATRAVÉS DO ARANHAVERSO Com duração de 2 horas e 20 minutos, a nova adaptação dos quadrinhos da Sony/Marvel é a animação mais longa já produzida em Hollywood. É também uma das mais bonitas já feitas, graças ao visual extremamente colorido – inspirado tanto nos quadrinhos quanto na pop art. Continuação de “Homem-Aranha no Aranhaverso”, a produção traz uma nova aventura de Miles Morales (voz original de Shameik Moore) e Gwen-Aranha (Hailee Steinfeld). Convidado por Gwen a conhecer o centro do Aranhaverso, onde todos os Homens-Aranhas de diferentes realidades convivem, Miles também reencontra o Peter Parker (Jake Johnson) do primeiro filme, que agora tem uma filha, e descobre o que todos, menos ele, têm em comum: uma tragédia em suas histórias de origem. Ao perceber que a tragédia em sua família está prestes a acontecer, Miles decide impedi-la, o que o coloca contra o Homem-Aranha 2099, dublado por Oscar Isaac (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”), para quem uma mudança na linha do tempo poderia acabar com o Aranhaverso. Inconformado, Miles prefere fazer seu próprio destino, originando o conflito da trama, que ainda inclui um vilão capaz de viajar pelo multiverso. Mas o que mais chama atenção no longa é que cada personagem tem seu próprio estilo visual, muitos deles contrastantes, que ainda assim combinam maravilhosamente bem com a narrativa. A direção é do trio formado por Kemp Powers (roteirista e co-diretor de “Soul”), o português Joaquim dos Santos (“Avatar: A Lenda de Korra”) e Justin K. Thompson (especialista em backgrounds que trabalhou em “Star Wars: Clone Wars”). Eles substituem o trio original vencedor do Oscar de Melhor Animação, formado por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman. Já o roteiro ficou a cargo dos produtores do primeiro longa, Phil Lord e Chris Miller, junto com David Callaham (“Mulher-Maravilha 1984”). MARCEL, A CONCHA DE SAPATOS A belíssima comédia infantil, que combina animação em stop-motion com atores reais, é baseada numa série de curtas virais do documentarista Dean Fleischer-Camp (“Fraud”) e da atriz-dubladora Jenny Slate (“Volta Pra Mim”), que acumularam mais de 50 milhões de visualizações no YouTube desde sua estreia em 2010, além de ter estimulado o lançamento de dois livros infantis best-sellers. A trama acompanha Marcel (dublado por Slate), um adorável caracol de uma polegada de altura que leva uma existência pacata com sua avó Connie (voz de Isabella Rossellini, de “Joy”) e seu fiapo de estimação. Antes parte de uma extensa comunidade de caracóis, eles agora vivem sozinhos como únicos sobreviventes de uma misteriosa tragédia. Mas quando um documentarista os descobre entre a desordem de seu Airbnb, o curta-metragem que ele publica online rende milhões de fãs apaixonados por Marcel, bem como perigos sem precedentes e uma nova esperança de encontrar sua família de caracóis há muito perdida. O elenco da produção também inclui Rosa Salazar (“Alita: Anjo de Batalha”), Thomas Mann (“Kong: A Ilha da Caveira”), a telejornalista Lesley Stahl e o próprio Dean Fleischer-Camp como o documentarista da trama. Dirigido por Camp, que também assina o roteiro com Slate, o filme foi indicado ao Oscar 2023, venceu 37 prêmios internacionais (incluindo o Annie, o Oscar da animação) e tem nada menos que 98% de aprovação no portal de críticas Rotten Tomatoes. NIMONA A animação segue uma garota aventureira que cria caos por onde passa, graças a sua capacidade de mudar de forma e se transformar em qualquer bicho. Determinada a se tornar uma das vilãs mais famosas do reino que habita, ela busca parceria com um criminoso acusado de matar a Rainha. O detalhe é que o cavaleiro Ballister Boldheart jura que é inocente e do bem, mas nem seu grande amor acredita. A única pessoa disposta a ajudá-lo a encontrar o verdadeiro culpado é a garota radical. O elenco de vozes destaca Chloë Grace Moretz (“Carrie, A Estranha”) no papel-título e Riz Ahmed (“O Som do Silêncio”) como Ballister. Baseada em ilustrações que foram febre no Tumblr, “Nimona” foi criada como um webcomic pelo ilustrador ND Stevenson em 2012 e transformado logo depois num best-seller, lançado pela editora HarperCollins em 2015. Inicialmente, a graphic novel seria transformada em filme pela 20th Century Fox Animation (atual 20th Century Animation), mas o projeto foi cancelado quando a Disney adquiriu o estúdio em 2019. A Netflix aproveitou a oportunidade e trouxe a adaptação para seu streaming com os diretores Nick Bruno e Troy Quane, que trabalharam juntos em “Um Espião Animal” (2019). SUZUME O novo anime de Makoto Shinkai, diretor de algumas das produções recentes mais famosas do gênero, como “Your Name” (2016) e “O Tempo com Você” (2019), segue a adolescente Suzume, que encontra uma porta mágica em meio a ruínas em sua pequena cidade no Japão. Ao tentar passar por ela, Suzume percebe que outros portais semelhantes por todo o país também se abrem, causando destruição ao seu redor. É quando ela decide desfazer seu erro e partir para fechar todas as portas, buscando desvendar o mistério por trás delas. Shinkai apontou que a trama é uma metáfora. “Precisamos pensar em como fechar as muitas portas que deixamos abertas em nossas vidas”, mencionou. E em seu belo filme nada realmente é casual, mesmo os eventos que parecem aleatórios, inclusive gatos falantes. Tudo é uma pista para uma interpretação artística dos momentos mais dolorosos da vida, com referências claras à tragédia radioativa de Fukushima. Muita gente se identificou com a mensagem, porque o filme se tornou um grande blockbuster – não só no Japão, mas também na China e na Coreia do Sul. THE FIRST SLAM DUNK Adaptação cinematográfica do popular mangá “Slam Dunk”, o anime foi escrito e dirigido pelo próprio criador dos quadrinhos, Takehiko Inoue. A trama se concentra na equipe de basquete do Ensino Médio Shohoku, que compete pelo campeonato nacional. Ao contrário da tradição dos dramas de esportes, que guardam o grande jogo para o final, a trama inteira do desenho se desenrola ao longo de um único jogo, intercalado com flashbacks que oferecem uma visão mais profunda da vida dos jogadores, com destaque para o armador Ryota e o ala-pivô egocêntrico Hanamichi. A representação do basquete é um dos pontos altos do filme, capturando a fisicalidade explosiva do esporte através de uma combinação de imagens geradas por computador e animação tradicional desenhada à mão. A ação é fluida e realista, com movimentos dos jogadores que lembram a realidade do esporte, desde a captura de passes até a realização de enterradas. A trilha sonora complementa a ação, imitando perfeitamente o som de uma bola ao sair das pontas dos dedos de um jogador até gerar um estrondo sísmico a cada enterrada. Apesar de ser uma adaptação de um mangá que abrange 31 volumes, e que rendeu uma série com 101 episódios nos anos 1990, “O Primeiro Slam Dunk” consegue condensar a essência da história no filme de duas horas, encontrando uma forma inovadora de fornecer uma compreensão mais profunda de seus personagens, ao mesmo tempo em que serve uma série implacável de jogadas e reviravoltas capazes de fazer os fãs de esportes pularem nas poltronas. AS TARTARUGAS NINJA: CAOS MUTANTE A nova animação das “Tartarugas Ninja” é mais divertida que todas as outras adaptações, mostrando os protagonistas como adolescentes atrapalhados com suas habilidades ninja. A produção também é muito mais bonita, ressaltando um visual estilizado que lembra rabiscos de quadrinhos, a cargo dos diretores Jeff Rowe e Kyler Spears (da também bela “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas”). Diferente das versões anteriores que seguiram uma abordagem mais séria, “Caos Mutante” opta por seguir o estilo anárquico e punk underground dos quadrinhos originais de Kevin Eastman e Peter Laird. Com roteiro de Seth Rogen e Evan Goldberg (responsáveis por “The Boys”), o desenho encontra as tartarugas que lutam contra o crime nas sombras – e nos esgotos – decididas a conquistar os corações dos nova-iorquinos e serem aceitos como adolescentes normais – ou super-heróis. Com a ajuda da repórter estudantil April O’Neil, eles armam um plano para virarem heróis ao desbaratar um misterioso sindicato do crime, mas em vez disso se veem lutando contra um exército de mutantes. Além dos conflitos físicos, a trama também explora questões de aceitação e pertencimento, com um toque humorístico baseado na impulsividade adolescente dos personagens. Quem optar por assistir legendado, vai ouvir um elenco de dubladores famosos. A produção destaca ninguém menos que o astro chinês Jackie Chan (“O Reino Proibido”) como voz do mestre das artes marciais Splinter, o rato que ensina as tartarugas mutantes a se tornarem ninjas, Ayo Edebiri (“O Urso”) como April O’Neil, Paul Rudd (o Homem-Formiga) como Mondo Gecko, John Cena (o Pacificador) como Rocksteady, Seth Rogen (“Vizinhos”) como Bebop, Rose Byrne (“Vizinhos”) como Leatherhead, Giancarlo Esposito (“Better Call Saul”) como Baxter Stockman, Natasia Demetriou (“What We Do in the Shadows”) como Wingnut, Hannibal Burres (“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”) como Genghis Frog, Maya Rudolph (“Desencantada”) como Cynthia Utrom e os rappers Post Malone (“Infiltrado”) e Ice Cube (“Policial em Apuros”) como Ray Fillet e Superfly. Já os interpretes do quarteto quelônio são os jovens Micah Abbey (“Cousins for Life”), Shamon Brown Jr. (“The Chi”), Nicolas Cantu (“The Walking Dead: World Beyond”) e Brady Noon (“Virando o Jogo dos Campeões”), respectivamente como as vozes de Donatello, Michelangelo, Leonardo e Raphael. ELEMENTOS A nova animação da Pixar se passa numa cidade onde os elementos do fogo, água, terra e ar vivem juntos em harmonia. Apesar disso, a família de Ember sempre ensinou à jovem que os elementos não se misturam. Até que um encontro fortuito faz com que a garota quente embarque numa jornada de descobertas com um jovem aguado, buscando entender até que ponto água e fogo podem se aproximar. O cineasta Peter Sohn (“O Bom Dinossauro”) diz ter buscado inspiração na sua infância como filho de imigrante coreano em Nova York, quando conviveu com muitas pessoas de culturas diferentes. Com a técnica de animação e o visual apurado que são marcas do estúdio, a produção se diferencia das demais animações da Pixar por ser uma história romântica. GATO DE BOTAS 2: O ÚLTIMO PEDIDO Um dos maiores sucessos do começo do ano, a animação indicada ao Oscar 2022 traz o gato de capa, espada e botas, introduzido na franquia “Shrek”, precisando defender sua última vida após ter perdido oito delas. Ele é aconselhado a se aposentar ao receber o diagnóstico de que sua próxima morte será definitiva, mas, antes que possa considerar o assunto, seu paradeiro é descoberto pelos ursos de Cachinhos Dourados e o Lobo Mau, que buscam um acerto de contas. Isso o envia em uma aventura para encontrar o místico “Último Desejo” na esperança de restaurar suas oito vidas perdidas. Por coincidência, a trama reflete um susto que o intérprete do gato teve na vida real. Antonio Banderas (“Dor e Gloria”) sofreu um taque cardíaco em 2017, que o levou às pressas para o hospital, onde passou por uma cirurgia para implantar três stents em suas artérias coronárias. O encontro com a própria mortalidade mudou sua perspectiva sobre a vida, como também acontece com o personagem no filme. Além da volta de Banderas como a voz oficial do personagem-título, a produção também conta com o retorno de Salma Hayek como Kitty Pata-Mansa e introduz uma série de novos personagens, com destaque para o cachorro Perro, dublado por Harvey Guillén (“What We Do In the Shadows”), a Cachinhos Dourados de Florence Pugh (“Viúva Negra”) e o Lobo Mau com a voz de Wagner Moura (“Narcos”) – curiosamente, apenas na versão em inglês. O roteiro é de Paul Fisher e a direção é assinada por Joel Crawford e Januel Mercado, todos de “Os Croods: Uma Nova Era” (2020). LEO...
Retrospectiva | Os 15 melhores terrores de 2023
2023 foi um ano pavoroso, com muitos terrores impactantes. A seleção dos destaques reúne lançamentos do circuito cinematográfico, VOD e plataformas de streaming, disponibilizados entre 1 de janeiro e 31 de dezembro no Brasil. O listão vem cheio de demônios, serial killers, bruxas, alienígenas, freiras diabólicas e até uma boneca assassina, mas também comédias que satirizam as convenções do gênero – os filmes de “terrir”. Não tenha medo de conferir quais foram os melhores abaixo. FALE COMIGO Com a fama de melhor terror dos últimos anos, o longa de estreia dos irmãos gêmeos Danny e Michael Philippou apresenta uma trama de possessão diferente de tudo que já foi feito. O filme acompanha um grupo de jovens na Austrália, que descobrem uma mão embalsamada que supostamente pertenceu a um médium ou satanista. Essa mão torna-se o objeto central de um jogo perigoso e viciante, que permite aos jogadores comunicar-se com os mortos. Ao segurar a mão e pronunciar as palavras “fale comigo”, o jogador pode ver o que parece ser um fantasma. Ao adicionar “eu te deixo entrar”, o espírito assume o controle do corpo do jogador até que alguém retire o objeto de suas mãos. Existem regras adicionais, como um tempo limite, para impedir que a possessão se torne definitiva. A protagonista é Mia (Sophie Wilde, de “Eden”), uma adolescente introvertida que perdeu a mãe e se vê atraída por essa experiência sobrenatural, inicialmente tratada como uma atração de festa. Sua obsessão em contatar a mãe logo a faz descobrir como a brincadeira pode ser mortal, quando as regras são quebradas. A trama também aborda temas como a cultura da internet, onde a possessão demoníaca se torna uma tendência viral, e a busca por escapismo através de rituais perigosos. O filme foi um sucesso instantâneo no Festival de Sundance deste ano, quando caiu nas graças dos críticos e desencadeou uma guerra por seus direitos de distribuição – vencida pelo estúdio indie especializado A24. Com impressionantes 95% de aprovação da crítica, registrada no site Rotten Tomatoes, a obra chama atenção pelos efeitos assustadores e a habilidade dos diretores em equilibrar humor e terror. M3GAN A nova franquia do terror acompanha uma cientista especialista em robótica (Allison Williams, de “Corra!”), que dá um protótipo de boneca robô realista para sua sobrinha (Violet McGraw, de “Doutor Sono”), para confortá-la no luto pela morte de seus pais. Só que a boneca ultrapassa expectativas e se apega. Basta alguém ameaçar a criança para que M3gan saia em sua caçada. Para completar, o robô humanoide também começa a desobedecer comandos quando deixa de ser tratada como alguém da família. Realizado por apenas US$ 12 milhões, o terror tecnológico impressionou nas bilheterias internacionais, faturando US$ 180 milhões em todo o mundo. Também agradou a critica, com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes. Vale apontar que os elogios destacam a superioridade da produção da Universal no subgênero dos terrores com “brinquedos assassinos”, como Chucky e Annabelle, elegendo “M3GAN” como a criatura definitiva dos dias atuais, por ecoar até a era das dancinhas de TikTok – detalhe: um dos produtores, James Wan (“Invocação do Mal”), é o criador de Annabelle. Wan também escreveu o roteiro com Akela Cooper (“Maligno”). Já a direção é do neozelandês Gerard Johnstone (“Housebound”). E a sequência já foi confirmada. PEARL O diretor Ti West volta a se juntar com a atriz Mia Goth nesse prólogo de “X – A Marca da Morte”. A trama acompanha a juventude da psicopata idosa do longa anterior, que vê seus sonhos de virar estrela de cinema sufocados pela vida reclusa na fazenda da família. Esse ressentimento dá início à sua saga sangrenta. A própria Mia Goth assina a história, em parceria com o diretor. Vale apontar que a atriz tinha vivido tanto a protagonista Maxine quanto Pearl em “X”. Mas estava irreconhecível no papel da serial killer, debaixo de muitas camadas de maquiagem prostética para parecer uma mulher de mais de 90 anos. Até Martin Scorsese elogiou esse prólogo, que teve uma première mundial bastante aplaudida no Festival de Veneza e atingiu 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. A história vai continuar em “MaXXXine”, o fim da trilogia, atualmente em produção. PISCINA INFINITA O novo horror de Brandon Cronenberg (“Possessor”), filho do mestre David Cronenberg (“Crimes of the Future”), passa-se num resort tropical de luxo, onde James, um escritor com bloqueio criativo (Alexander Skarsgård, de “Succession”), e sua esposa rica (Cleopatra Coleman, de “Dopesick”) tiram férias ao estilo “The White Lotus”. No entanto, a suposta tranquilidade do paraíso rapidamente desmorona quando eles são convidados por outro casal, que inclui uma fã sedutora do escritor, Gabi (Mia Goth, de “Pearl”), para explorar o lado mais sombrio do país tropical. Enquanto Skarsgård apresenta uma performance cativante ao revelar instintos ferais e masoquistas, é Goth quem mantém o público na ponta dos pés com sua energia arrebatadora, alternando entre sutileza e histeria de maneira espetacular. Um acidente de carro resultante de uma noite de bebedeira coloca o protagonista em um dilema de vida ou morte, levando a trama a um rumo bizarro, com a revelação de um sistema de justiça peculiar que permite aos turistas ricos testemunhar e experimentar a sua própria morte por meio de clones. Cronenberg, seguindo os passos de seu pai, constrói uma trama que vai além do simples terror, com uma narrativa marcada pela paranoia e a sátira da elite, inspirado nos clássicos surrealistas do mestre Luis Buñuel. A visão distorcida de luxo, orgias e hedonismo, bem como o conflito entre a riqueza e a pobreza, são capturados de forma habilidosa e visceral, dando ao filme um toque de humor negro. A despeito do clima pesado e das situações perturbadoras, a narrativa é frequentemente permeada por momentos de comédia e mudanças súbitas de tom. Embora o filme seja instigante e assustador em sua maneira macabra e provocativa, também oferece uma profundidade de caracterização raramente encontrada em filmes de horror mais convencionais. A MORTE DO DEMÔNIO – A ASCENSÃO O resgate da franquia dos anos 1980 surpreende ao se mostrar um dos melhores filmes de toda a saga. Visceral e sangrento, o longa mostra a assustadora possessão demoníaca de uma mulher, que tenta matar a irmã e os próprios filhos. A trama gira em torno de duas irmãs distantes, vividas por Alyssa Sutherland (“Vikings”) e Lily Sullivan (“Mental”), que decidem reatar após longo afastamento, apenas para ter sua reunião atrapalhada por uma possessão que coloca a vida de seus entes queridos em risco. Além de novos personagens, o filme também inova em relação à premissa original. Em vez de se passar numa cabana no meio da floresta, desta vez os ataques demoníacos acontecem num apartamento comum. Rodado na Nova Zelândia, o terrorzão é o segundo longa do diretor irlandês Lee Cronin, selecionado pessoalmente por Sam Raimi, produtor e criador da franquia, após sua estreia com o horror indie “The Hole in the Ground” – premiado em 2019 no Fant, festival de cinema fantástico de Bilbao, na Espanha. O resultado atingiu 96% de aprovação no Rotten Tomatoes. FERIADO SANGRENTO Eli Roth, o diretor de “Cabana do Inferno” (2002) e “O Albergue” (2005), retorna ao terror, após um longo período distante, com uma produção que segue o modelo clássico dos slashers, incluindo um psicopata mascarado e uma data comemorativa. A trama se desenrola em Plymouth, Massachusetts, e começa com uma cena caótica de liquidação de Black Friday que termina em tragédia. Um ano após o evento, um assassino misterioso começa a matar aqueles que estiveram envolvidos no incidente, vestindo uma fantasia de peregrino e uma máscara representando John Carver, o primeiro governador da colônia de Plymouth. Roth, conhecido por seu estilo gráfico e gore, cria uma narrativa que flerta com uma sátira ao consumismo e à obsessão das redes sociais, embora esses temas sirvam mais como dispositivos de enredo do que elementos profundamente explorados. O filme, no entanto, acaba se concentrando mais no padrão de fuga, perseguição e captura, típico do slasher, além de outros elementos do subgênero, como violência gráfica e mortes chocantes. Mesmo assim, apresenta algumas reviravoltas interessantes, ao brincar com a antecipação do público. Vale lembrar que o longa tem uma origem curiosa, introduzido como um trailer falso no projeto “Grindhouse” de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez em 2007. A ideia de “Grindhouse” era fazer uma homenagem às salas de cinema baratas dos EUA que exibiam terrores de baixo orçamento e baixa qualidade. Tarantino e Rodrigues realizaram dois filmes, “À Prova de Morte” e “Planeta Terror”, respectivamente, com o intuito de que fossem exibidos numa sessão dupla, à moda das exibições desses cinemas. E para complementar a experiências, eles convidaram amigos para desenvolverem trailers de filmes inexistentes que poderiam habitar esse universo trash. Vários desses trailers acabaram virando filmes reais, como “Machete” (2010) e “Hobo with a Shotgun” (2011). “Feriado Sangrento” é o terceiro da lista. O roteiro foi coescrito por Eli Roth e Jeff Rendell, que também foi responsável pela ideia do falso trailer. Já o elenco é diversificado, combinando astros consagrados como Patrick Dempsey (“Grey’s Anatomy”), Gina Gershon (“Riverdale”), Rick Hoffman (“Suits”), Milo Manheim (“Zombies”) e Nell Verlaque (“Big Shot”) com influenciadores como a estrela do TikTok Addison Rae (“Ela é Demais”) e diversas celebridades digitais americanas. PÂNICO VI O mais recente filme da franquia de terror chega ao streaming com novas referências meta e mortes ainda mais sangrentas, entregando tudo o que os fãs esperam. Como de praxe, os sobreviventes do filme anterior são perseguidos por um novo psicopata com a máscara de Ghosface. Só que este assassino se mostra muito mais violento e ousado, atacando em plena cidade de Nova York (ou um set canadense disfarçado como a metrópole). Os sobreviventes são Jenna Ortega (“Wandinha”), Melissa Barrera (“Vida”), Jasmin Savoy Brown (“Yellowjackets”), Mason Gooding (“Com Amor, Victor”), além da veterana da franquia Courteney Cox (vista em todos os filmes) e até Hayden Panettiere (“Nashville”), que retorna após aparecer em “Pânico 4”, agora como agente do FBI. O elenco também foi reforçado com as adições de Samara Weaving (“Casamento Sangrento”), Dermot Mulroney (“Sobrenatural: A Origem”), Tony Revolori (“Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”), Liana Liberato (“Banana Split”), Henry Czerny (“Casamento Sangrento”), Josh Segarra (“Arrow”) e Devyn Nekoda (“Os Tênis Encantados”). E qualquer um deles pode ser o assassino por trás da máscara. Parte da diversão é descobrir a verdadeira identidade do psicopata. O roteiro é de Guy Busick (“Casamento Sangrento”) e James Vanderbilt (“Mistério no Mediterrâneo”), e a direção é novamente de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillertt (também de “Casamento Sangrento”), que assumiram o comando da franquia no longa anterior, após a morte do diretor Wes Craven. DEZESSEIS FACADAS A comédia de horror estrelada por Kiernan Shipka (“O Mundo Sombrio de Sabrina”) tem viagem no tempo e psicopata mascarado, numa espécie de mashup de “De Volta para o Futuro” com “Sexta-Feira 13”. O filme acompanha o retorno de um infame serial killer, batizado de “Sweet Sixteen Killer”, que volta na noite de Halloween, 35 anos após o chocante assassinato de três adolescentes, para reivindicar uma quarta vítima. A personagem de Shipka é Jamie, uma jovem de 17 anos que ignora avisos de sua mãe superprotetora (Julie Bowen, de “Modern Family”) e se depara com o maníaco mascarado. Em fuga por sua vida, ela acidentalmente viaja no tempo para 1987, ano dos assassinatos originais. Forçada a navegar pela cultura desconhecida e extravagante dos anos 1980, Jamie se une à versão adolescente de sua mãe (Olivia Holt, de “Manto e Adaga”) para derrotar o assassino de uma vez por todas, tentando evitar ficar presa no passado para sempre. Dirigido por Nahnatchka Khan (“Young Rock”), o terrir tem roteiro de David Matalon (“Até o Fim”), Sasha Perl-Raver (“Let’s Get Merried”) e Jen D’Angelo (“Abracadabra 2”). THE BLACKENING Como qualquer fã de terror sabe, a última garota – final girl, geralmente branca – sobrevive à carnificina do serial killer, enquanto qualquer pessoa negra vive apenas cerca de 30 minutos na tela,...
Retrospectiva | Os 15 melhores filmes brasileiros de 2023
O cinema brasileiro sofreu com a falta de regulamentação de cotas em 2023. A maioria dos lançamentos ficou só uma semana em cartaz e até as maiores bilheterias viram o número de salas desabar após a estreia. Mas se alguns dos melhores filmes foram pouco vistos, não faltaram produções de qualidade, premiadas em festivais nacionais e internacionais. O listão destaca thrillers de ação, dramas politizados, documentários e cinebiografias. PEDÁGIO Com apenas dois longas, a brasileira Carolina Markowicz já é uma diretora reconhecida no circuito internacional. Seu primeiro longa-metragem, “Carvão”, foi selecionado para festivais renomados como Toronto e San Sebastián, estabelecendo sua reputação como uma cineasta inovadora e corajosa, e “Pedágio” repetiu a dose, inclusive com direito a prêmio, o Tribute Award, no Festival de Toronto como talento emergente. A obra emerge como um poderoso drama repleto de angústia e embate familiar, centrado em Suellen, uma cobradora de pedágio na estrada de Cubatão, que busca fazer dinheiro para financiar a participação de seu filho, Tiquinho, em uma controversa terapia de “cura gay”. O elenco, liderado por Maeve Jinkings (“Os Outros”), traz uma performance notável, capturando a essência de uma mãe dilacerada pelo conflito entre o amor pelo filho e as pressões sociais. O novato Kauan Alvarenga (que trabalhou no curta “O Órfão”, da diretora), por outro lado, dá vida a Tiquinho com uma mistura de vulnerabilidade e força, representando a juventude LGBTQIAP+ que luta por aceitação e amor em uma sociedade hostil, dominada por dogmas religiosos. “Pedágio” se destaca também por sua abordagem técnica, com cenários que refletem a solidão dos personagens e uma trilha sonora que aprimora a experiência emocional do filme. O elenco ainda inclui Thomás Aquino (também de “Os Outros”), Aline Marta Maia (“Carvão”) e Isac Graça (da série portuguesa “Três Mulheres”). O SEQUESTRO DO VOO 375 O filme de ação dirigido por Marcus Baldini (“Bruna Surfistinha”) é baseado em um caso real ocorrido no Brasil durante a década de 1980, marcada por instabilidades econômicas e políticas. A trama gira em torno de Nonato (interpretado por Jorge Paz), um homem humilde do Maranhão frustrado com a falta de oportunidades e decepcionado com as promessas políticas não cumpridas. Em um ato de desespero, Nonato decide sequestrar um avião e jogá-lo contra o Palácio do Planalto, em Brasília, com o objetivo de assassinar o presidente José Sarney. O filme retrata a jornada de Nonato, sua determinação em cumprir a ameaça nos céus e o embate com o comandante Murilo (vivido por Danilo Grangheia), que se destaca na trama por suas habilidades de pilotagem e ações heroicas para salvar os passageiros. As cenas se desenrolam principalmente dentro do espaço claustrofóbico do antigo avião da VASP, mantendo a tensão durante toda a narrativa. A cinematografia e a direção habilmente capturam a emoção e o desespero dos personagens, alternando entre as expressões de Nonato, o comandante Murilo e os passageiros ansiosos. Apesar de alguns momentos em que os efeitos especiais evidenciam se tratar de uma produção brasileira (isto é, sem orçamento hollywoodiano), o filme mantém o espectador engajado com a história e a ação. A abordagem de Baldini faz mais que resgatar um dos momentos mais dramáticos da aviação brasileira, que, apesar de sua magnitude, permaneceu relativamente desconhecido do grande público. A obra também oferece uma narrativa profunda e humana por meio da interação entre os personagens principais, Nonato e Murilo, mostrando o potencial do cinema brasileiro para produzir obras dramáticas com suspense de alta qualidade. NOITES ALIENÍGENAS O grande vencedor do Festival de Gramado de 2022 traz um tema bastante atual: o impacto das facções criminosas na Amazônia, ameaçando a vida local. A trama se passa na periferia de Rio Branco, Acre, onde as vidas de três jovens amigos de infância se entrelaçam e, por fim, encontram-se em uma tragédia comum, em uma sociedade em transformação e impactada de forma violenta com a chegada do crime organizado na região. O longa de estreia de Sérgio de Carvalho (da série “O Olhar que Vem de Dentro”) venceu seis Kikitos em Gramado, incluindo Melhor Filme e três troféus de atuação, divididos entre Gabriel Knoxx (Melhor Ator), Chico Diaz (Melhor Ator Coadjuvante) e Joana Gatis (Melhor Atriz Coadjuvante), além de uma Menção Honrosa para Adanilo Reis (“Segunda Chamada”). MEDUSA O premiado filme de Anita Rocha da Silveira (“Mate-Me por Favor”) venceu o Festival de Rio e conquistou troféus em festivais internacionais importantes como San Sebastián, Sitges e Raindance. Num paralelo com a punição de Medusa pela deusa Atena, por não ser mais pura, a trama acompanha a jovem Mariana (Mari Oliveira, também de “Mate-Me por Favor”) numa cidade onde deve se esforçar ao máximo para manter a aparência de que é uma mulher perfeita. Para não cair em tentação, ela e suas amigas tentam controlar tudo e todas à sua volta. Num clima dominado pelo conservadorismo, a gangue de meninas “cristãs” assume para si a tarefa de punir as devassas, que fazem sexo fora do casamento, levando terror às ruas. O registro em tom de fábula neon do neoconservadorismo brasileiro conta com grande elenco global, incluindo Lara Tremouroux (“Rota 66: A Polícia que Mata”), Joana Medeiros (“Tropa de Elite”), Felipe Frazão (“Todxs Nós”), Bruna Linzmeyer (“O Grande Circo Místico”), Thiago Fragoso (“Travessia”) e João Oliveira (“Malhação”). TIA VIRGINIA O segundo longa de Fabio Meira (“As Duas Irenes”) venceu oito troféus no Festival de Gramado de 2023, incluindo o prêmio da Crítica e o de Melhor Atriz para Vera Holtz, que interpreta a personagem-título. A Tia Virgínia é uma senhora que, por não seguir os caminhos tradicionais de casamento e maternidade, assumiu o cuidado da mãe enferma. Sua rotina pacata é interrompida na véspera de Natal pela chegada de suas irmãs Vanda e Valquíria, interpretadas respectivamente por Arlete Salles e Louise Cardoso, além de familiares (Antônio Pitanga e outros), que se reúnem para festejar, mas desencadeiam uma série de conflitos e ressentimentos. Toda a história se desenrola num único dia, marcado pelos confrontos, tanto físicos quanto verbais, que destacam a disfuncionalidade da família e a maneira como essas relações moldaram a personagem principal. A casa, cheia de objetos e decorações que remetem a um passado que já não existe, simboliza o estado mental de Virgínia, que se recusa a aceitar o declínio de sua mãe e a realidade de sua situação. Para complicar, a casa e os pertences da matriarca são pontos de interesse para as irmãs, embora Virginia acredite que tenha mais direito por ter aberto mão da liberdade e de sonhos não realizados. A direção de arte premiada de Ana Mara Abreu confere à casa uma presença quase anímica, enriquecendo o cenário onde os dramas familiares se desenrolam. O roteiro premiado de Fabio Meira aborda de maneira sensível e crítica uma realidade comum na sociedade: o papel culturalmente imposto às mulheres como cuidadoras primárias no âmbito familiar, muitas vezes em detrimento de suas próprias vidas e aspirações. Virgínia reflete a figura de inúmeras mulheres que assumem a responsabilidade pelo cuidado de parentes enfermos ou idosos, um papel que frequentemente é esperado delas devido a normas de gênero enraizadas. Este aspecto do filme ressoa profundamente, evidenciando não só a dedicação e sacrifício da protagonista, mas também a complexidade e o peso emocional que acompanham essa escolha muitas vezes imposta, não escolhida. O filme também dá a Vera Holtz o melhor papel de sua carreira. Reconhecida por sua versatilidade e profundidade emocional em papéis anteriores, a atriz encarna a personagem-título com uma entrega que transita entre a força e a delicadeza, marcada por nuances que evidenciam não apenas o peso da responsabilidade que carrega como cuidadora, mas também suas camadas mais íntimas de frustração, amor e resiliência. NOSSO SONHO Maior bilheteria nacional do ano, o filme biográfico narra a história de Claudinho e Buchecha, interpretados pelos atores Lucas Penteado (“BBB 21”) e Juan Paiva (“Um Lugar ao Sol”). A produção conta como uma amizade de infância se tornou icônica, apresentando os desafios pessoais de Claudinho (Penteado) e Buchecha (Paiva), dos bastidores da fama às dificuldades enfrentadas rumo ao sucesso, antes do final trágico da dupla, com a morte de Claudinho num acidente de trânsito em 2001. A história é contada sob visão de Buchecha, que insistiu para que Claudinho aceitasse formar uma dupla. O destino dos artistas começa a ser traçado quando sua primeira música toca numa rádio local e eles assinam contrato nos anos 1990. A história dirigida por Eduardo Albergaria (“Happy Hour”) ainda é marcada por hits que marcaram época, como “Só Love”, “Coisa de Cinema” e a homônima “Nosso Sonho”, que embalam a trama. O elenco também conta com Tatiana Tiburcio (“Terra e Paixão”), Nando Cunha (“Os Suburbanos”), Clara Moneke (“Vai na Fé”), Antônio Pitanga (“Amor Perfeito”) e Isabela Garcia (“Anos Dourados”) entre outros. Há algumas simplificações narrativas, mas “Bohemian Rhapsody” cometeu os mesmos pecados. “Nosso Sonho” ainda compartilha os mesmos acertos do filme sobre Freddie Mercury, ao enfatizar a emoção de seus personagens, que de forma catártica também emociona o público. PROPRIEDADE Suspense em um contexto de tensão social, o filme brasileiro acompanha Teresa (interpretada por Malu Galli, de “Desalma”), cuja vida se transforma após um assalto traumático. Buscando tranquilidade, seu marido a leva para a fazenda da família em um carro blindado. Lá, eles enfrentam uma revolta dos trabalhadores, que reagem à perda iminente de seus empregos. A situação se agrava quando Teresa fica isolada dentro do veículo blindado, enquanto os trabalhadores protestam contra a decisão de transformar a fazenda em um resort. O início do filme, marcado por uma cena violenta gravada em vídeo de celular, estabelece o tom e aprofunda o trauma de Teresa. Este evento define seu caráter e suas ações subsequentes. O diretor Daniel Bandeira (“Amigos de Risco”) explora a dinâmica entre a proprietária e os trabalhadores da fazenda, destacando a crescente desesperança e a espiral de violência. Os trabalhadores, embora retratados em sua maioria como um grupo enfurecido, também têm seus momentos de dor e aspirações por um futuro melhor. A produção é eficaz como um thriller de sobrevivência, criando cenas de tensão e desconforto, especialmente em torno do carro blindado, que se torna tanto um refúgio quanto uma prisão para Teresa. Mas também é um filme de gênero que desafia o espectador a contemplar as nuances da luta de classes e suas implicações em uma sociedade fragmentada. CASA VAZIA O drama gaúcho oferece uma visão diferente dos pampas, ao acompanhar a vida de Raúl, um peão desempregado e pai de família que vive em uma casa isolada na imensidão solitária dos campos do Rio Grande do Sul. Assolado pela pobreza e a falta de trabalho, ele se junta a outros peões para roubar gado durante a escuridão. Mas uma noite, ao retornar da atividade criminosa, encontra sua casa vazia: sua mulher e filhos desapareceram. Com uma narrativa marcada por silêncios e uma sensação de isolamento, o filme oferece uma reflexão sobre a incomunicabilidade masculina e a impossibilidade de exteriorizar sentimentos e afetos – com Raúl constantemente olhando de forma melancólica para o nada. A trama também aborda a questão latifundiária, mostrando Raúl vivendo os dois lados da disputa. Estudo de personagem, a obra mostra a relação do peão com o ambiente ao seu redor, sendo engolido pelas vastas terras gaúchas. E para apresentar o universo regional de maneira muito autêntica, o ator principal, Hugo Nogueira, é um morador da região, escolhido pelo diretor Giovani Borba (“Banca Forte”) para fazer sua estreia como ator. Nogueira acabou premiado no Festival de Gramado, assim como o roteiro e a fotografia do longa. MUSSUM, O FILMIS Vencedora do Festival de Gramado de 2023, a cinebiografia retrata a vida de Antônio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994), o eterno Mussum. A narrativa é segmentada em três fases da vida do humorista: infância, onde é vivido por Thawan Lucas (“Pixinguinha, Um Homem Carinhoso”), juventude, por Yuri Marçal (“Barba, Cabelo e Bigode”), e a fase de sucesso, por Aílton Graça (“Galeria do Futuro”). Dirigido por Sílvio...
Retrospectiva | Os 50 melhores filmes internacionais de 2023
Os blockbusters, os lançamentos em streaming e o circuito de arte se encontram na retrospectiva dos melhores filmes live-actions internacionais do ano. A relação de destaques abrange os títulos lançados no Brasil entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2023, por isso há filmes exibidos e premiados no exterior em 2022. Por outro lado, muitos títulos da temporada do Oscar 2024, que só chegam no país a partir de janeiro de 2024, não foram considerados. Este é o balanço do que de melhor passou pelas telas do país no ano: OPPENHEIMER O blockbuster de Christopher Nolan (“Tenet”) é uma obra monumental sobre a vida de Julius Robert Oppenheimer, físico conhecido por sua participação na criação da bomba atômica durante a 2ª Guerra Mundial. Desafiando categorização, a produção é ao mesmo tempo um drama, um filme de guerra, um thriller e até mesmo um terror. E abre de forma ambivalente, em 1954 com um interrogatório destinado a desacreditar Oppenheimer, que, apesar de ser chamado de “o pai da bomba atômica”, tornou-se um oponente da arma por medo de uma reação em cadeia que poderia causar a destruição do mundo. A história é contada a partir do ponto de vista de Oppenheimer, com flashbacks de seus estudos pré-guerra na Europa, seus encontros com grandes mentes da época, as mulheres que amou e a invenção que precipitou a humanidade na era atômica. Apesar de repleto de diálogos, o longa nunca se perde em conceitos científicos complexos. Em vez disso, Nolan apresenta essas sequências como cenas de ação cativantes, com a música de Ludwig Göransson (que também trabalhou em “Tenet” com o diretor) criando uma atmosfera pesada e envolvente. Mesmo com um impressionante elenco de apoio, que inclui Matt Damon (“Jason Bourne”), Robert Downey Jr. (“Vingadores: Ultimato”) e Emily Blunt (“Um Lugar Silencioso”), o filme é carregado por Cillian Murphy (“Peaky Blinders”), intérprete do personagem-título, que facilita a transformação da narrativa épica, exaustiva e fascinante de Nolan numa reflexão sobre a origem do mundo moderno. OS BANSHEES DE INISHERIN Um dos filmes mais premiados do ano, a dramédia reúne os atores Colin Farrell e Brendan Gleeson com o diretor Martin McDonagh, que trabalharam juntos no ótimo “Na Mira do Chefe” (2008). Com diálogos rápidos e desnorteantes, o longa se passa em 1923, quando um sujeito mais velho (Gleeson) subitamente para de conversar com o seu antigo amigo (Farrell) na ilha irlandesa fictícia de Inisherin, sem lhe oferecer uma explicação para isso. A decisão acaba gerando irritação e consequências para ambos. O que começa com uma pequena desavença vai crescendo e se transforma praticamente em uma guerra, numa metáfora da polarização do mundo atual. Aplaudida por 14 minutos no Festival de Veneza, a produção conquistou os troféus de Melhor Roteiro (para McDonagh) e Melhor Ator (para Farrell) no evento cinematográfico italiano, os primeiros prêmios de um total que não para de crescer – foram cerca de 150 vitórias. Indicado em nove categorias do Oscar 2023, o longa atingiu média de 97% de críticas positivas no Rotten Tomatoes. CONTRATEMPOS A atriz francesa Laure Calamy (“Dix pour Cent”) venceu o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Veneza pelo desempenho como a protagonista Julie, uma mãe solteira com dois filhos pequenos para criar. Quando finalmente consegue uma entrevista para um emprego, com chances de sair do aperto financeiro, ela se depara com uma greve nacional de trânsito. O cineasta Eric Gravel (“Crash Test Aglaé”) também foi premiado em Veneza pela direção, que transforma a aflição dramática de quem busca apenas melhorar de vida numa correria digna de thriller tenso. MONSTER Aclamado com 98% de aprovação no site Rotten Tomatoes e vencedor do troféu de Melhor Roteiro no último Festival de Cannes, o novo drama do mestre japonês Hirokazu Kore-eda (“Assuntos de Família”) se desenrola em três partes distintas, iniciando com um incêndio em um prédio que serve como um marco temporal e simbólico para a trama. A primeira seção acompanha a vida de Saori (Sakura Ando), mãe solteira, e seu filho Minato (Soya Kurokawa). Eles compartilham um lar amoroso, porém caótico, revelando uma relação delicada onde Saori ainda sofre pela morte do marido e Minato exibe comportamentos preocupantes. As ações de Minato, incluindo uma confissão sobre o professor Michitoshi (Eita Nagayama), desencadeiam uma cadeia de mal-entendidos e conflitos com a escola. À medida que a história retorna ao incêndio, a perspectiva se altera para Michitoshi, oferecendo uma visão alternativa dos eventos e questionando as noções de culpa e intenção. O filme se torna ainda mais complexo com o terceiro foco em Yori (Hinata Hiiragi), colega de Minato, cuja realidade oscila entre ser um agressor, vítima ou uma figura mais enigmática. Ao longo do filme, observa-se que Minato luta para compreender e expressar seus sentimentos, que parecem estar relacionados à sua sexualidade emergente. A maneira como Kore-eda aborda este aspecto é característica de seu estilo: com empatia e uma perspectiva humana profunda, sem recorrer a estereótipos ou dramatização excessiva – o que lhe valeu a Palma Queer no Festival de Cannes. O sentido do título é multifacetado e simbólico, refletindo os vários mal-entendidos, julgamentos precipitados e percepções distorcidas que os personagens têm uns dos outros. Cada personagem, em algum momento, pode ser visto como um “monstro” aos olhos dos outros. Entretanto, não são necessariamente figuras aterrorizantes ou malévolas, mas pessoas comuns envolvidas em situações complicadas ou mal compreendidas. A história desafia o espectador a refletir sobre como julgamentos apressados podem levar a perceber os outros de maneira distorcida, oferecendo-se como uma lição de empatia. O ritmo meticuloso, seu tom sensível e a trilha sonora de Ryuichi Sakamoto (vencedor do Oscar por “O Último Imperador”), que faleceu em março, antes da première da produção, ampliam a experiência cinematográfica, construindo um ambiente que complementa a montanha-russa emocional retratada. O resultado é uma das melhores obras de um diretor conhecido por só fazer filmes bons. FOLHAS DE OUTONO O 20º longa-metragem do premiado diretor Aki Kaurismäki (“O Porto”) venceu o Prêmio do Júri do último Festival Cannes. Sua narrativa compassiva e despojada acompanha dois indivíduos solitários da classe trabalhadora em Helsinque: Holappa (Jussi Vatanen), um frequentador assíduo de um bar de karaokê, e Ansa (Alma Pöysti), uma funcionária de supermercado que vive sozinha. O cenário outonal pinta Helsinque com tons de cinza e uma atmosfera melancólica, onde os personagens navegam por suas existências marginais. Ela é demitida por pegar um bagel vencido no trabalho e ele enfrenta uma batalha constante com o alcoolismo. Apesar de viverem vidas desencorajadoras, uma noite no bar de karaokê muda o curso de suas trajetórias, quando eles se encontram e vislumbram a possibilidade de um amanhã melhor. Mas, ao contrário das típicas comédias românticas americanas, não há um florescer imediato de romance. Em vez disso, Kaurismäki opta por explorar a gradual descoberta de uma centelha que pode despertar suas almas. Com uma duração concisa de 81 minutos, o filme contém momentos de humor característico de Kaurismäki, como a cena em que Ansa e Holappa assistem “Os Mortos Não Morrem” de Jim Jarmusch, oferecendo uma visão singular sobre a vida cotidiana, a resiliência humana e a busca por conexão – os principais temas da filmografia do mestre finlandês. GODZILLA MINUS ONE Celebrando o 70º aniversário do icônico kaiju japonês, o estúdio Toho lançou sua abordagem mais sombria e introspectiva do monstro gigante, resgatando o Godzilla assustador e poderoso dos primeiros lançamentos. A produção japonesa se destaca pelas sequências de ação bem coreografadas e efeitos visuais impressionantes, apesar de seu orçamento relativamente modesto. Além disso, sua trama também revive os elementos que inspiraram o surgimento da franquia, como a obliteração de Hiroshima e Nagazaki por bombas atômicas no fim da 2ª Guerra Mundial. O caos criado por Godzilla era originalmente uma metáfora para a devastação da guerra e as armas nucleares. Não por acaso, a trama é ambientada em 1946 e segue Koichi Shikishima (interpretado por Ryunosuke Kamiki), um piloto kamikaze desonrado. Após falhar em sua missão suicida, Koichi enfrenta o monstro icônico, que ameaça destruir Ginza e Tóquio. O filme explora a culpa do sobrevivente e sua busca por redenção, enquanto tenta reunir um grupo para combater a criatura. A ação combina cenas emocionantes de ação com melodrama patriótico, capturando com eficácia o sofrimento e a resiliência dos personagens em meio à devastação pós-guerra. A história é intensificada por essa carga emocional, tornando cada confronto com o kaiju não apenas um espetáculo visual, mas também um momento de catarse coletiva. Com isso, a obra não se limita a ser um simples filme de monstro, mas se torna uma exploração da psique japonesa no pós-guerra, uma celebração da resistência humana e da capacidade de superar adversidades inimagináveis. O cineasta Takashi Yamazaki é considerado um gênio dos efeitos visuais, tendo trabalho no game “Onimusha 3” (2003), na adaptação live-action do anime cult “Patrulha Estelar” (2010) e no filme anterior do monstro, “Shin Godzilla” (2016). Como diretor, ele é mais conhecido por assinar animações, como “Friends: Aventura na Ilha dos Monstros” (2011), “Lupin III: O Primeiro” (2019) e os dois “Stand by Me Doraemon” (2014 e 2020). BLACKBERRY A comédia baseada em fatos reais aborda a ascensão e queda da BlackBerry, a empresa canadense de tecnologia que revolucionou o mercado de smartphones no início dos anos 2000. O enredo foca nos co-fundadores Mike Lazaridis, interpretado por Jay Baruchel (“Fubar”), e Doug Fregin, interpretado pelo diretor e co-roteirista do filme, Matt Johnson (“Nirvanna the Band the Show”). A dupla, inicialmente focada em pagers e modems, vê sua inovação ganhar forma e mercado com a entrada de Jim Balsillie, interpretado por Glenn Howerton (“It’s Always Sunny in Philadelphia”), um investidor que traz uma abordagem empresarial agressiva à empresa. O filme explora a dinâmica entre esses três personagens principais, cada um com sua própria visão e abordagem para o negócio. Lazaridis é o visionário tímido, Fregin o extrovertido peculiar e Balsillie o alfa agressivo e focado. Essa mistura de personalidades inicialmente impulsiona o sucesso da BlackBerry, mas também semeia as sementes de sua eventual queda, especialmente diante do lançamento do iPhone pela Apple em 2007, um evento que a equipe da BlackBerry subestima. Baseado num livro de não ficção, o longa captura de forma debochada o rápido crescimento e declínio da empresa, que em seu auge chegou a ocupar cerca de 45% do mercado de telefonia móvel nos Estados Unidos. A narrativa se desenrola em um estilo de falso documentário, que adiciona comédia à situações reais – exibidas praticamente como surreais. Ou seja, seu tom está mais para “A Grande Aposta” (2015) do que para “A Rede Social” (2010). E agradou em cheio a crítica americana, que rasgou elogios e deu uma aprovação de 98% no Rotten Tomatoes. A SOCIEDADE DA NEVE O drama de sobrevivência do cineasta espanhol J.A. Bayona é uma recriação dramática do desastre aéreo envolvendo o voo 571 da Força Aérea Uruguaia em 1972. Este evento, que se tornou conhecido como “Milagre dos Andes” e “Sobreviventes dos Andes”, envolveu a queda de um avião na cordilheira chilena, transportando uma equipe uruguaia de rúgbi, com seus amigos e familiares. Baseada no livro de 2009 do jornalista uruguaio Pablo Vierci, a produção oferece uma narrativa autêntica, destacando a resiliência humana e a realidade angustiante do canibalismo enfrentado pelos sobreviventes. O elenco, composto por atores latino-americanos relativamente desconhecidos, adiciona realismo à história, capturando as dificuldades da situação extrema vivida pelos personagens. A produção contou com filmagens em locações reais, nas próprias montanhas dos Andes e na Serra Nevada, na Espanha. A história é principalmente narrada por Numa Turcatti (Enzo Vogrincic), um estudante de direito, que originalmente optou por não participar da viagem. A narrativa alterna entre os eventos anteriores ao acidente, destacando o espírito jovial da equipe de rúgbi de Old Christians, e os momentos após a queda, com cenas intensas do acidente e dos esforços para sobrevivência em condições extremas. A representação do acidente é marcada por realismo e tensão, seguida pela luta...
Retrospectiva | As 10 melhores séries de animação adulta de 2023
Animes de sci-fi, fantasia e terror, dramas de super-heróis, supervilãs de comédia, romance roqueiro e jornada de sobrevivência no espaço marcam os melhores lançamentos de animação adulta em 2023. As séries abaixo superam muitos filmes live-action e comprovam que desenho não é só para crianças. Confira a lista dos destaques do ano. PLUTO | NETFLIX O novo anime da Netflix é uma adaptação do aclamado mangá de Naoki Urasawa, que foi publicado entre 2003 e 2007, totalizando 8 volumes. Este trabalho foi uma homenagem a Osamu Tezuka, lançado no ano que marcou o 40º aniversário da primeira série animada de TV do Japão – o clássico de Tezuka, “Astro Boy” (Tetsuwan Atom). Urasawa reimaginou os personagens de “Astro Boy” em um cenário mais sombrio e contemporâneo, dando a eles profundidade e complexidade adultas, em uma narrativa que explora temas de identidade, consciência e coexistência entre humanos e robôs. A história é inspirada no arco “O Robô Mais Forte do Mundo”, criado por Tezuka em 1964, e gira em torno de Gesicht, um detetive robótico da Europol, que investiga uma série de assassinatos misteriosos de robôs e humanos. Esses crimes têm sempre as mesmas características, sugerindo o padrão de um robô, o que desafia a paz estabelecida entre humanos e máquinas há quase uma década. Um dos personagens icônicos que surge para ajudar Gesicht em sua investigação é justamente Atom (o nome japonês de Astro Boy), um robô com capacidades sobre-humanas, mas aparência e personalidade infantil. A adaptação vem mais de uma década após o fim da publicação do mangá, graças a uma colaboração entre os estúdios M2 e GENCO, com apoio do filho de Tezuka e com supervisão criativa do próprio Urasawa. A direção é de Toshio Kawaguchi em seu primeiro trabalho na função, após ser o animador de várias obras famosas, como os clássicos “Porco Rosso” (1992), “Neon Genesis Evangelion” (1995) e “Ghost in the Shell 2” (2004), além das mais recentes “O Conto da Princesa Kaguya” (2013) e “Mary e a Flor da Feiticeira” (2017). Originalmente uma homenagem, o resultado supera a inspiração original e se revela uma verdadeira obra-prima. SCOTT PILGRIM: A SÉRIE | NETFLIX A animação é inspirada nos quadrinhos de Bryan Lee O’Malley e no filme cult de Edgar Wright. Com estilo anime fofinho, seus episódios narram o romance entre o personagem-título e Ramona Flowers, a garota de seus sonhos. Entretanto, quando o crush está prestes a virar date, a situação vira uma luta interminável. É que, para namorar Ramona, Scott precisará enfrentar sete ex-namorados dela. Quem leu os quadrinhos ou viu o filme de 2010 conhece bem essa história. Só que o desenho não é a recriação completa do que já foi visto. A versão animada entrou na onda do multiverso para mostrar o que aconteceria se Scott fosse derrotado logo na primeira luta. A partir daí, começa uma história totalmente inédita, centrada em Ramona. O detalhe mais interessante da produção é que os atores que participaram da adaptação cinematográfica, “Scott Pilgrim contra o Mundo”, voltam a dar voz aos seus personagens no anime. O elenco grandioso traz Michael Cera (“Arrested Development”) como a voz do personagem-título e Mary Elizabeth Winstead (“Aves de Rapina”) como Ramona, sem esquecer de Kieran Culkin (“Succession”), Chris Evans (“Vingadores: Ultimato”), Anna Kendrick (“A Escolha Perfeita”), Brie Larson (“Capitã Marvel”), Alison Pill (“The Newsroom”), Aubrey Plaza (“The White Lotus”), Brandon Routh (“Legends of Tomorrow”), Jason Schwartzman (“Fargo”), Satya Bhabha (“Sense8”), Johnny Simmons (“The Late Bloomer”), Mark Webber (“Sala Verde”), Mae Whitman (“Intimidade Forçada”) e Ellen Wong (“GLOW”). Até o diretor Edgar Wright retorna como produtor do desenho, juntando-se ao autor dos quadrinhos originais nos bastidores da produção. A adaptação é assinada pelo roteirista BenDavid Grabinski (“A Felicidade é de Matar”), a direção é de Abel Gongora (“Star Wars: Visions”) e a animação está a cargo do estúdio japonês Science SARU (“Devilman: Crybaby”). FRIEREN E A JORNADA AO ALÉM | CRUNCHYROLL Um dos animes mais elogiados de 2023, a produção começa onde normalmente as aventuras terminam, ao final de uma jornada heroica de um grupo responsável por destruir o Rei Demônio e todo o mal que ameaçava seu mundo. Eles se despedem sob uma chuva de meteoritos e Frieren, uma elfa praticamente imortal, promete voltar em 50 anos para que possam apreciar juntos novamente o fenômeno – que só acontece a cada meio século. Para ela, o tempo não passa e os dez anos de aventura que viveu com os antigos companheiros foram apenas um piscar de olhos em sua existência. Entretanto, ao reencontrar os velhos heróis, percebe que a jornada ao lado deles a humanizou, deixando-a com remorsos por não ter se dedicado a conhecer melhor os antigos companheiros humanos de batalha, a quem passou a admirar. Isto a faz tentar homenageá-los conforme morrem de velhice. O primeiro a falecer é Himmel, o maior herói do grupo e aquele a quem ela se sentia mais próxima. Mas o segundo, o padre Heiter, a faz passar vários anos a seu lado, ao enganá-la com um pedido irrecusável de traduzir um grimório com feitiços, ao mesmo tempo em que a convence a treinar na arte da magia uma menina órfã, que ele adotou. Prestes a morrer e com a menina já adolescente, Heiter demonstra que a jovem Fern tinha se tornado uma ótima discípula e poderia acompanhá-la dali em diante. A contragosto, a elfa introspectiva aceita a companhia, que aos poucos começa a fazê-la reparar como o tempo é importante para os humanos e não deve ser desperdiçado. As duas partem para encontrar o terceiro herói, um anão guerreiro chamado Eisen, que também indica seu discípulo, o jovem medroso Stark para acompanhá-las. A partir daí, os três embarcam rumo ao Norte, refazendo os passos da jornada heroica original, que durou uma década. Pelo caminho, encontram diversas estátuas de Himmel, velhos que se lembram da lenda dos heróis e antigas ameaças, mas também novos aliados – entre eles um jovem padre que aceita acompanhá-los. O objetivo de Frieren é viajar mais uma vez ao castelo do Rei Demônio, onde descansam as almas de todos os heróis, para assim reencontrar Himmel e lhe dizer tudo o que nunca disse. A série emocionante, que equilibra drama, desenvolvimento de personagens, magia e lutas contra monstros e demônios, também inclui diversos flashbacks para a aventura original de Frieren, Himmel, Heiter e Eisen. A trama é baseada num mangá do escritor Kanehito Yamada e do artista Tsukasa Abe, lançado em 2020 e até hoje publicado no Japão. A adaptação é de Tomohiro Suzuki (“One Punch Man”) e a direção de Keiichirō Saitō (“Sonny Boy”). Com episódios semanais, disponibilizados desde setembro, a atração segue até março de 2024. PLANETA DOS ABUTRES | HBO MAX A série sci-fi animada transporta o espectador para o planeta Vesta, onde sobreviventes de um desastre espacial encontram-se em um ambiente alienígena hostil. Os episódios narram uma jornada de sobrevivência humana em meio a esse mundo exótico e perigoso, habitado por uma variedade de criaturas e recursos naturais estranhos, desde máscaras respiratórias orgânicas até sacos bioluminescentes utilizados como tochas, que desafiam a linha entre o que é considerado fauna e flora, e representam um desafio aos astronautas, determinados a escapar de suas armadilhas. A ambientação e os detalhes biológicos de Vesta são pontos de destaque, com a arte caprichada e precisa criando um ambiente surreal, por vezes belo e por vezes brutal, repleto de predadores horripilantes e ecossistemas vívidos que desafiam a compreensão humana. A produção é extremamente visual e o apuro em sua concepção evoca a arte visionária do quadrinista francês Jean Giraud (1938-2012), mais conhecido como Moebius, em vez das influências tradicionais dos animes japoneses. Com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, a aventura espacial criada pelos novatos Joseph Bennett e Charles Huettner, a partir de um curta original, é considerada uma das melhores sci-fis do ano. O SAMURAI DE OLHOS AZUIS | NETFLIX O anime americano narra a história de Mizu, uma samurai de olhos azuis em uma missão de vingança durante o período Edo no Japão, um momento histórico marcado pelo isolacionismo do país. Ao enfrentar o preconceito por ser mestiça, Mizu (voz de Maya Erskine, de “Obi-Wan Kenobi”) assume a identidade de um samurai masculino, ocultando não apenas sua identidade de gênero, mas também a cor única de seus olhos com o uso de óculos coloridos. Sua jornada é motivada pela busca de vingança contra os quatro homens brancos que estavam no Japão no momento de seu nascimento, um dos quais ela acredita ser seu pai. Criada pelo casal Michael Green (roteirista de “Logan”) e Amber Noizumi, a atração apresenta um elenco de vozes primoroso, que inclui Kenneth Branagh (“A Noite das Bruxas”) como Abijah Fowler, um comerciante irlandês inescrupuloso, e Masi Oka (“Heroes”) como Ringo, um jovem samurai aspirante que se torna um aliado de Mizu. Enquanto avança em sua jornada, ela encontra outros personagens que desafiam as normas sociais, incluindo a princesa Akemi (Brenda Song, de “Dollface”) e o samurai Taigen (Darren Barnet, de “Eu Nunca…”), que tem sua lealdade testada quando cruza caminhos com Mizu. O estilo de animação é notável, misturando a tradicional arte japonesa com técnicas modernas de animação 3D, que proporcionam sequências de ação altamente estilizadas e uma representação visualmente rica do Japão feudal. A direção é de Jane Wu, que estreia na função após longa carreira na animação – inclusive no vencedor do Oscar “Homem-Aranha no Aranhaverso”. WHAT IF…? | DISNEY+ A série animada em que o Vigia (voz de Jeffrey Wright) explora o multiverso retorna com novas versões alternativas dos heróis dos quadrinhos em sua 2ª temporada. As histórias exploram o que aconteceria se… Nebulosa se juntasse à Tropa Nova, Peter Quill atacasse os heróis mais poderosos da Terra, Hela encontrasse os Dez Anéis, os Vingadores se reunissem em 1602 e outras possibilidades, com direito até a uma trama natalina, focada em Happy Hogan. Um dos atrativos da produção criada por AC Bradley é o envolvimento dos atores do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Alguns dos principais personagens são dublados por seus intérpretes dos filmes live-action, como Karen Gillan (Nebulosa), Chris Hemsworth (Thor), Hayley Atwell (Peggy Carter), Cate Blanchett (Hela), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff), Kat Dennings (Darcy Lewis) e Jon Favreau (Happy Hogan). Mas alguns protagonistas tiveram suas vozes substituídas, como Viúva Negra (Lake Bell), Capitão América (Josh Keaton) e, claro, Pantera Negra (Atandwa Kani). São ao todo 9 capítulos, que foram disponibilizados diariamente até o dia 30 de dezembro. E em breve chegam mais, porque “What If…?” já se encontra renovada para seu terceiro ano de produção e ainda ganhará a companhia de uma série derivada, “Marvel Zombies” – ainda sem previsão de lançamento. HARLEY QUINN 4 | HBO MAX Mais insana, violenta e engraçada, a primeira série animada adulta da DC chega à sua 4ª temporada com Arlequina em uma nova jornada de autoconhecimento e heroísmo. Após salvar Gotham City de uma infestação de zumbis na temporada anterior, Harley finalmente se une à Bat-Família, composta por Batgirl, Asa Noturna e Robin. No entanto, a transição de vilã para heroína não é fácil, especialmente quando a regra número um da equipe é não matar, um instinto que Harley luta para conter. Enquanto isso, Hera Venenosa, namorada de Harley/Arlequina, assume o cargo de CEO da Legião do Mal, oferecido por Lex Luthor, e agora as duas se veem em lados opostos da divisão entre heróis e vilões, tentando manter suas vidas pessoais e profissionais separadas. A série continua a dar destaque ao romance entre as duas, caprichando nos momentos de carinho e apoio mútuo, enquanto elas tentam equilibrar suas novas carreiras e o relacionamento. A série é uma criação de Justin Halpern, Patrick Schumacker e Dean Lorey, produtores da subestimada comédia da DC “Powerless”, que foram substituídos por Sarah Peters (que já era produtora-roteirista da atração) como showrunner e produtora executiva nos novos episódios. Não houve explicações para a troca, mas a 3ª temporada criou polêmica com...
Retrospectiva | As 10 melhores séries brasileiras de 2023
As séries brasileiras tiveram muitos tiros e violência em 2023, numa disputa entre crimes de ficção e investigações policiais reais. Mas também houve destaque para série teen, drama feminista, melodrama épico, biografia, o mundo do funk e outros – ou melhor, literalmente “Os Outros”. Confira a seguir as 10 melhores séries brasileiras do ano. CANGAÇO NOVO | AMAZON PRIME VIDEO Com direção ágil e personagens marcantes, a produção superou expectativas ao trazer muitas cenas de ação, com assaltos a banco, tiroteios e perseguição da polícia – há, inclusive, encenação do cerco de uma cidade ao estilo das recentes ações criminosas que batizam a série. O episódios acompanham Ubaldo, um bancário infeliz de São Paulo sem lembranças da infância, que descobre ser filho de um perigoso criminoso. Com a morte do pai, ele ganha uma herança e duas irmãs no sertão: Dilvânia, líder de bandidos que idolatram seu pai famoso, e Dinorah, única mulher em uma gangue de ladrões de banco. No sertão, ele passa a ser cultuado pela forte semelhança com o pai e é chamado a cumprir seu destino como o mítico “cangaceiro” e líder supremo da gangue. Empolgado, decide comandar criminosos, assassinos e a literalmente explodir pequenas cidades enquanto tenta manter seus valores morais sob controle. Os protagonistas são vividos por Allan Souza Lima (“A Menina que Matou os Pais”), Alice Carvalho (“Segunda Chamada”), Thainá Duarte (“Aruanas”), e o elenco ainda conta com Hermila Guedes (“Segunda Chamada”), Ricardo Blat (“Magnífica 70”), Marcélia Cartaxo (“Pacarrete”), Ênio Cavalcante (“Fim de Semana no Paraíso Selvagem”), Adélio Lima (“Carro Rei”), Joálisson Cunha (“Verdades Secretas”), Pedro Lamin (“Eu Não Peço Desculpas”), Nivaldo Nascimento (“Propriedade”), Pedro Wagner (“Serial Kelly”), Rodrigo García (“Sujeito Oculto”) e Luiz Carlos Vasconcelos (“Aruanas”). Já a produção e direção é da dupla Fábio Mendonça (“Vale dos Esquecidos”) e Aly Muritiba (“Deserto Particular”). OS OUTROS | GLOBOPLAY O drama aborda de forma contundente a escalada do ódio e intolerância entre vizinhos de um condomínio. Protagonizada por Adriana Esteves (“Medida Provisória”), Thomás Aquino (“Bacurau”), Maeve Jinkings (“Aquarius”), Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”), Eduardo Sterblitch (“Os Parças”) e Drica Moraes (“Sob Pressão”), a série apresenta a história de duas famílias que entram em conflito após uma briga entre seus filhos adolescentes, enquanto explora a proximidade do mal entre “pessoas de bem”. A história escrita por Lucas Paraizo, responsável também pelos roteiros de “Sob Pressão”, gira em torno de Cibele (Adriana Esteves), uma mãe superprotetora, e Amâncio (Thomas Aquino), um pai zeloso, cujo filho Marcinho (Antonio Haddad) é espancado por Rogério (Paulo Mendes), o filho de outro morador do condomínio, Wando (Milhem Cortaz). O enredo evolui de maneira surpreendentemente realista, transformando o espectador em um morador do condomínio Barra Diamond, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, conforme as tensões se intensificam entre as duas famílias. A construção dessas tensões é tão crua e imersiva que a série se torna um espelho da sociedade, obrigando o espectador a se questionar como agiria nas mesmas situações. Por trás das portas do condomínio, há ainda vários outros dramas se desenrolando, incluindo situações com a síndica Dona Lúcia (Drica Moraes), o porteiro Elvis (Rodrigo Garcia) e o vizinho Sérgio (Eduardo Sterblitch), um ex-policial com ligações sinistras. Essas histórias se cruzam a medida que o conflito central se desenrola e toma proporções absurdas, alimentando uma crescente sensação de tragédia iminente. Além de super envolvente, a série também é um convite à reflexão. FIM | GLOBOPLAY Adaptação do livro homônimo da atriz e escritora Fernanda Torres, o drama acompanha as vidas de um grupo de amigos ao longo de quatro décadas, desde a juventude até a velhice. O grupo vivencia diversos momentos marcantes ao longo dessas décadas, incluindo festas, casamentos e separações, que são apresentados em fases distintas de suas vidas, proporcionando uma visão abrangente de suas trajetórias pessoais e das mudanças ocorridas ao longo dos anos. Mas a história inicia com a morte de Ciro, interpretado por Fábio Assunção (“Desalma”), o mais admirado do grupo, que encontra seu fim sozinho em uma cama de hospital. Fernanda escreveu “Fim” durante seu tempo livre enquanto trabalhava na série “Tapas e Beijos” (2011-2015). A mudança de cinco homens no livro para cinco casais na série é uma das transformações que expandem a trama, tornando a narrativa mais rica e diversificada. Além de autora do texto original, ela é criadora da série, assina o roteiro e faz uma participação especial na trama. A direção é de Andrucha Waddington, marido de Fernanda, e Daniela Thomas, colaboradora de longa data da atriz – desde a filmagem de “Terra Estrangeira”, em 1994. O clima familiar se completa com a participação de Joaquim Waddington, filho de Torres e Waddington, que interpreta o filho de Marjorie Estiano e Fábio Assunção. Vale apontar ainda que Marjorie já trabalhou com o diretor em “Sob Pressão” e Fábio integrava o elenco de “Tapas e Beijos” ao lado de Fernanda. O elenco também conta com Emilio Dantas (“Vai na Fé”), Bruno Mazzeo (“Escolinha do Professor Raimundo”), Laila Garin (“Deserto Particular”), Thelmo Fernandes (“Todo Dia a Mesma Noite”), Débora Falabella (“Depois a Louca Sou Eu”), David Júnior (“Bom Sucesso”) e Heloisa Jorge (“How To Be a Carioca”). SINTONIA 4 | NETFLIX Produção de Kondzilla, diretor de clipes de funk e dono do canal do YouTube mais visto do Brasil, a série escrita por Guilherme Quintella (também roteirista de “Insânia”) é a série brasileira de maior audiência da Netflix. Com cenas fortes de violência e tráfico de drogas, retrata a dura realidade da vida em uma comunidade marginalizada. Ao mesmo tempo, aborda temas como amizade, lealdade, família e religião, explorando as contradições e conflitos que surgem quando esses valores entram em choque. A trama acompanha três amigos que cresceram juntos na mesma favela, influenciados pelo fascínio do funk, do tráfico de drogas e da igreja. Cada um deles transformou suas experiências em caminhos muito divergentes, mas nunca distantes demais. A 4ª temporada começa no ponto tenso em que o terceiro ano foi interrompido, com o traficante Nando (Christian Malheiros) e os amigos em meio a um fogo cruzado entre policiais e criminosos. No tiroteio que se segue, o funkeiro Doni (Jottapêe) e o próprio Nando são baleados, para desesperado de Rita (Bruna Mascarenhas). Embora tenham sobrevivido, todos sofreram consequências. No caso de Nando, sua esposa é presa pela polícia. Já Doni tem a saúde e a carreira abaladas. Mas nem Rita escapa ilesa, sofrendo forte abalo psicológico, que muda sua visão da vida. RIO CONNECTION | GLOBOPLAY Ambientada nos anos 1970, a série explora uma intricada rede de tráfico internacional estabelecida no Brasil, como uma rota estratégica para os Estados Unidos. A obra é dirigida por Mauro Lima (“Meu Nome Não É Johnny”), destacando-se por sua alta qualidade de produção e um elenco que combina talentos estrangeiros e brasileiros. A trama se aprofunda na vida de três criminosos europeus – Tommaso Buscetta (Valerio Morigi), Fernand Legros (Raphael Kahn) e Lucien Sarti (Aksel Ustun), com a presença marcante da atriz Marina Ruy Barbosa no papel de Ana Barbosa, uma cantora de boate que navega entre o glamour e os perigos associados a esse submundo de crime. Inspirada em eventos reais, a trama desenrola-se em torno do plano do famoso mafioso Tommaso Buscetta e seus comparsas para usar o Rio como base do tráfico e mergulha nos detalhes da operação criminosa, ao mesmo tempo em que explora a complexidade dos personagens, evitando retratá-los como criminosos unidimensionais e oferecendo uma visão mais humana e empática de suas vidas, apesar de suas ações sombrias. Coprodução internacional com a Sony, apesar de brasileira a série é falada em inglês. Conta com oito episódios e também inclui no elenco Nicolas Prattes, Gustavo Pace e Alexandre David, interpretando policiais brasileiros, além de Maria Casadevall, Carla Salle, Felipe Rocha e Rômulo Arantes Neto. DNA DO CRIME | NETFLIX Série brasileira mais cara da Netflix, o thriller criminal se destaca por integrar ação intensa com uma investigação detalhada. A trama é baseada em uma história real que ocorreu na América do Sul entre 2013 e 2020, e começa com um assalto bem planejado em Ciudad del Este, no Paraguai. Mais de 50 assaltantes fortemente armados usam explosivos para entrar e fugir com US$ 44 milhões da sede de uma empresa de private equity. À medida que as investigações se desdobram, com o envolvimento de agentes federais brasileiros sediados em Foz do Iguaçu, a história se aprofunda em uma complexa rede de crimes que cruza fronteiras. Os protagonistas são os agentes Benicio, interpretado por Romulo Braga (“O Rio do Desejo”), e Suellen, interpretada por Maeve Jinkings (“Os Outros”), ambos apoiados por seu chefe Rossi, vivido por Pedro Caetano (“O Escolhido”). Eles enfrentam o líder dos assaltantes, Sem Alma, interpretado por Thomas Aquino (também de “Os Outros”), num momento em que a polícia brasileira começa a usar amostras de DNA para encontrar criminosos. A descoberta de uma pista liga o roubo a outros crimes recentes e leva à revelação de um esquema ainda maior, misturando criminosos do Paraguai e do Brasil. Embora “DNA do Crime” não inove na narrativa das séries criminais, entrega ação intensa, com cenas de perseguição de carros e tiroteios reminiscentes do estilo visual de Denis Villeneuve em “Sicario”. Há também uma obsessão compartilhada com cidades de fronteira e a atmosfera especial que envolve as operações ilegais que ocorrem nesses lugares. A direção é dos cineastas Pedro Morelli (do filme “Zoom” e da série “Irmandade”) e Heitor Dhalia (do filme “Tungstênio” e da série “Arcanjo Renegado”), este último também listado como um dos criadores, ao lado do também cineasta Aly Muritiba (“Cangaço Novo”) e dos roteiristas Bernardo Barcellos (“Quero Ter 1 Milhão de Amigos”) e Leonardo Levis (“Irmandade”). BETINHO: NO FIO DA NAVALHA | GLOBOPLAY A minissérie retrata a luta do sociólogo e ativista Herbert de Souza, o Betinho, contra a fome e a miséria no Brasil. Numa militância permanente de uma existência inteira, Betinho superou uma doença crônica, a hemofilia, enfrentou tuberculose e foi contaminado com o HIV, mas sua obsessão pela vida o impulsionou a fundar o Ibase, responsável por estatísticas importantes na luta social, e o Ação da Cidadania, ONG dedicada ao combate a fome, que mudaram o Brasil. Sua trajetória exemplar foi inspiração para muitas iniciativas sociais, como o AfroReggae, fundado por José Júnior, criador da série, e chamou tanta atenção que acabou cantado por Elis Regina – ele é o “irmão do Henfil” na letra de “O Bêbedo e a Equilibrista”, que na época da canção estava exilado e impedido de voltar ao Brasil pela ditadura militar. Suas lutas se materializam na tela com interpretação de Júlio Andrade (“Sob Pressão”), acompanhado por Humberto Carrão (“Rota 66: A Polícia que Mata”) e Ravel Andrade (“Reality Z”), que é irmão de Julio na vida real, nos papéis dos irmãos de Betinho, o cartunista Henfil e o violonista Chico Mário. A mãe dos três é vivida por Marieta Severo (“A Grande Família”) na maturidade e Silvia Buarque (“Reza a Lenda”) na juventude, e o elenco ainda destaca Andréia Horta (“Elis”) no papel de Nádia Rebouças, publicitária que trabalhou com Betinho na ONG Ação da Cidadania e cunhou o slogan “quem tem fome tem pressa”. Desenvolvido pela AfroReggae Audiovisual e dirigida por André Felipe Binder (“Filhas de Eva”), a série cobre a história do Brasil dos anos 1960 aos 2000, utilizando cenas documentais para ilustrar momentos impactantes, como a repressão do golpe de 1964, a campanha pelas Diretas Já e a mobilização pelo impeachment de Collor. O detalhe é que a recriação de época é tão bem feita que pode causar confusão entre imagens factuais e encenação, como a cena em que acontece a decantada “volta do irmão do Henfil” – é Júlio Andrade e não o verdadeiro Betinho quem dá a entrevista de seu retorno do exílio. Com experiências em retratar figuras históricas, o ator, que já viveu Gonzaguinha e Paulo Coelho no cinema, incorpora Betinho de forma impressionante. A HISTÓRIA...
Retrospectiva | As 50 melhores séries internacionais de 2023
Com muita quantidade e qualidade, as séries lançadas em 2023 não cabem numa lista pequena de melhores do ano sem que se cometa grandes injustiças. A variedade também foi ampla, gerando futuros clássicos de todos os gêneros – e não apenas dos tradicionais dramas e comédia. A relação segue – mais ou menos – uma ordem de preferência e contempla apenas lançamentos disponíveis no Brasil. Confira a seguir a maratona de retrospectiva. SUCCESSION 4 | HBO MAX A temporada final atingiu 100% de aprovação da crítica, recebendo elogios rasgados, conforme define a sucessão prevista no título. Criada por Jesse Armstrong (“Fresh Meat”) e com produção do cineasta Adam McKay (“Não Olhe para Cima”), a produção acompanha as disputas de uma família pelo controle de um poderoso conglomerado de mídia – supostamente inspirada pelos herdeiros da Fox. O elenco destaca Brian Cox (“Churchill”) no papel do chefe da família Roy, um magnata que resolve reconsiderar os planos de aposentadoria diante da ganância dos filhos, que são vividos por Jeremy Strong (“Detroit em Rebelião”), Sarah Snook (“O Predestinado”), Kieran Culkin (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”) e Alan Ruck (do clássico “Curtindo a Vida Adoidado”). De forma inesperada, o final antecipou a morte do patriarca, combinando luto com a luta pelo poder corporativo, com direito a muitas decepções. “Succession” foi um fenômeno desde sua estreia, quando impressionou o público, a crítica e ganhou o Emmy de Melhor Roteiro (vencido por Armstrong). Ao todo, a série conquistou 13 Emmys (e um total de 102 prêmios diversos), incluindo dois troféus de Melhor Série de Drama por suas 2ª e 3ª temporadas. Por conta disso, foi considerado um sucessor legítimo dos programas de prestígio da HBO, após a conclusão dos multipremiados “Game of Thrones” e “Veep”. Com seu fim, também acaba uma era no canal pago americano. RESERVATION DOGS 3 | STAR+ A série acompanha a história de adolescentes indígenas na região rural de Oklahoma, com planos para escapar da reserva após a morte de um querido amigo e conhecer a Califórnia. Na temporada final, o grupo retorna para casa depois de finalmente chegar à Califórnia, mas precisa lidar com as consequências de deixar a reserva. Aclamada pela crítica, “Reservation Dogs” foi notável por ser a primeira série a apresentar uma equipe totalmente indígena de escritores, diretores e elenco. A série foi criação do cineasta neozelandês Taika Waititi, diretor de “Thor: Amor e Trovão”, que é descendente da tribo maori, e de Sterlin Harjo, diretor-roteirista do premiado filme indie “Mekko” (2015), que tem sangue seminole e creek, e mora na região abordada pela trama. Harjo também dirige episódios e é coprodutor da atração com Waititi. Foram eles que decidiram que a 3ª temporada seria a última, por considerarem “o final perfeito para a série”. O URSO 2 | STAR+ A volta da atração premiada bateu recorde de audiência nos EUA, estabelecendo a maior estreia de uma série da FX na plataforma Hulu. Sucesso entre o público, a 2ª temporada ainda registrou uma aprovação de 99% no Rotten Tomatoes, site agregador de críticas. A comédia dramática, indicada a 13 Emmys e vencedora do troféu de Melhor Série Nova de 2022 no Spirit Awards (o Oscar independente), acompanha um premiado chef jovem de cozinha (Jeremy Allen White, de “Shameless”), que troca a cena gastronômica de Nova York pela lanchonete decadente da família em Chicago, após herdar o negócio com a morte repentina e chocante de seu irmão. A mudança é radical e completa. Superqualificado para o lugar, ele precisa superar o luto e vencer as resistências dos funcionários para fazer mudanças, já que quase todas suas tentativas para melhorar o local geram protestos e transformam a cozinha num inferno, com panelas gigantes fervendo sem parar, canos explodindo e luzes queimando nos piores momentos. A 2ª temporada começa em meio a reformas físicas e de cardápio, além da busca por novos funcionários, enquanto os planos não saem como planejado e os atritos da equipe seguem rendendo faíscas. Criada por Christopher Storer (produtor-diretor de “Ramy”), a produção também inclui em seu elenco Ebon Moss-Bachrach (“O Justiceiro”), Ayo Edebiri (“Dickinson”), Lionel Boyce (“Hap and Leonard”), Liza Colón-Zayas (“Em Terapia”), Edwin Lee Gibson (“Fargo”), Corey Hendrix (“The Chi”) e Abby Elliott (“Doze É Demais”). TRETA | NETFLIX A comédia de humor ácido gira em torno de uma discussão no trânsito, que toma proporções gigantescas e leva os protagonistas a reavaliarem suas vidas inteiras. Em sua volta às séries, após sua inesquecível saída de “The Walking Dead” em 2016, Steven Yeun vive um empreiteiro que inicia um bate-boca com a empreendedora Amy Lau (Ali Wong, de “Meu Eterno Talvez”) num estacionamento. Mas o que parece um problema corriqueiro cresce de proporção conforme eles aproveitam o incidente para descarregar todas as suas frustrações, sem pensar nas consequências dos seus atos. Criada por Lee Sung-Jin (roteirista de “Duas Garotas em Apuros”), a série caiu nas graças dos críticos por seu absurdo crescente de maldades e performances diabólicas dos protagonistas, atingindo 98% de aprovação no agregador de críticas Rotten Tomatoes. A produção é do estúdio indie A24 e conta com a direção de Jake Schreier (“Vingança Sabor Cereja”) e Hikari (“37 Segundos”). THE LAST OF US | HBO MAX Uma das séries mais caras já feitas pela HBO, a adaptação do game premiado da Naughty Dog estreou com 97% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e superou a meta “impossível” de ser melhor que o próprio jogo. Ajudou muito o fato de Neil Druckmann, criador do game original, participar dos bastidores da adaptação. A série de estilo “zumbi” se passa num futuro pós-apocalíptico, depois que um fungo mortal destruiu quase toda a civilização, afetando o cérebro dos infectados, que aos poucos se tornam monstros. A trama segue o contrabandista Joel (o astro de “The Mandalorian”, Pedro Pascal), contratado para levar Ellie (Bella Ramsey, de “Game of Thrones), uma adolescente de 14 anos que se mostra resistente à infecção, de uma zona de quarentena para uma organização que trabalha para encontrar a cura da pandemia. Mas o que começa como um pequeno trabalho logo se torna uma jornada brutal e de partir o coração, conforme os dois atravessam os Estados Unidos e passam a depender cada vez mais um do outro para sobreviver. Para a adaptação, o produtor-roteirista Craig Mazin (“Chernobyl”) se juntou ao criador do game e alinhou um trio de cineastas consagrados em festivais internacionais, que assinam a direção dos episódios: o russo Kantemir Balagov (premiado no Festival de Cannes de 2019 por “Uma Mulher Alta”), a bósnia Jasmila Žbanić (de “Quo Vadis, Aida?”, drama vencedor do Spirit Award de Melhor Filme Internacional) e o iraniano Ali Abbasi (Melhor Direção da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2018 pelo perturbador “Border”, também conhecido como “Gräns”). SILO | APPLE TV+ A sci-fi estrelada pela sueca Rebecca Ferguson (“Missão: Impossível – Efeito Fallout”) é baseada na trilogia distópica “Wool”, do escritor Hugh Howey, que se passa em um futuro arruinado e tóxico, e acompanha uma comunidade abrigada em um gigantesco silo subterrâneo com centenas de metros de profundidade. Lá, homens e mulheres vivem em uma sociedade cheia de regulamentos que eles acreditam ter o objetivo de protegê-los do inóspito mundo exterior. Ferguson interpreta Juliette, uma engenheira independente e trabalhadora do Silo que começa a questionar a situação e a ideia de que a superfície se encontra devastada, e acaba ganhando poder para investigar os que tentam manter o segredo do lugar. A adaptação do livro (lançado no Brasil com o título de “Silo”) estava em desenvolvimento desde 2012. Um ano após seu lançamento, a 20th Century Fox adquiriu os direitos da obra para realizar um filme, que deveria ser dirigido ou produzido por Ridley Scott (“Perdido em Marte”). Entretanto, o projeto nunca saiu do papel e o canal pago americano AMC entrou em cena para desenvolver uma série baseada na obra, antes de mudar de ideia e virar apenas produtor da adaptação, numa negociação com a Apple. A atração foi desenvolvida pelo roteirista-produtor Graham Yost (criador de “Justified”) e conta com direção do cineasta norueguês Morten Tyldum (“Passageiros”), responsável pelo visual cinematográfico dos episódios. O elenco grandioso também conta com David Oyelowo (“Mundo em Caos”), Iain Glen (“Game of Thrones”), Tim Robbins (“O Preço da Verdade”), Ferdinand Kingsley (“Sandman”), Shane McRae (“Alasca: Em Busca da Notícia”), Rick Gomez (“Justify”), Henry Garrett (“The Son”), Rashida Jones (“Angie Tribeca”) e o rapper Common (“Eu Nunca…”). JUSTIFIED: CIDADE PRIMITIVA | STAR+ O revival da série “Justified”, vencedora de dois Emmys e finalizada há oito anos, coloca o protagonista Rayland Givens num cenário novo. Em vez dos confins do Kentucky, o delegado cowboy interpretado por Timothy Olyphant ressurge em meio às ruas lotadas de Detroit. Além disso, é acompanhado por uma filha crescida, que se torna assediada pelo assassino que ele busca prender. A minissérie é uma adaptação do romance “City Primeval: High Noon in Detroit”, do escritor Elmore Leonard (1925–2013). Outra história de Leonard, “Fire in the Hole”, serviu como fonte para “Justified”, que durou seis temporadas, entre 2010 e 2015. Mas vale notar que a presença de Raylan Givens é uma grande licença criativa em relação à trama original de Leonard, que foi publicado em 1980 – cerca de 13 anos antes da criação literária do protagonista de “Justified”. O livro “City Primeval” gira em torno de Raymond Cruz, um detetive de homicídios de Detroit, que tenta prender o assassino de um juiz, apelidado de Oklahoma Wildman. Mas a produção televisiva trocou o protagonista, resgatando o delegado federal do Kentucky. No contexto da franquia televisiva, a atração reflete o desfecho da série original. Tendo deixado o interior de Kentucky oito anos atrás, Raylan agora vive em Miami, um anacronismo ambulante que equilibra sua vida como delegado federal e pai de uma menina de 14 anos. Seu cabelo está mais grisalho e seu chapéu está mais sujo, mas isso não parece tê-lo deixado menos rápido no gatilho. Até que um encontro casual em uma estrada desolada da Flórida acaba levando-o para Detroit, onde cruza o caminho de Clement Mansell, também conhecido como Oklahoma Wildman, um criminoso violento e sociopata que já escorregou pelos dedos da polícia de Detroit antes. O papel do vilão é desempenhado por Boyd Holbrook (“Logan”). A adaptação está a cargo de Michael Dinner e Dave Andron, que trabalharam em “Justified”, com produção de Graham Yost, criador da série original. Dinner também dirige os episódios. STAR TREK: STRANGE NEW WORLDS 2 | PARAMOUNT+ A série que serve de prólogo para a franquia “Star Trek” retorna com novas aventuras espaciais e muitas curiosidades, como o primeiro encontro entre as versões jovens do Capitão Kirk e Uhura, o relacionamento romântico entre Spock e a enfermeira Chapel, e o crossover mais inusitado da franquia, com a série animada “Star Trek: Lower Decks” – via versões live-action dos personagens da animação, interpretados por seus dubladores originais. A atração acompanha as viagens espacias do Capitão Pike (Anson Mount), ao lado de Spock (Ethan Peck) e da Número 1 (Rebecca Romijn) a bordo da nave Enterprise. E se originou como um spin-off, após o trio ter grande destaque na 2ª temporada de “Star Trek: Discovery”. Só que os personagens são muito mais antigos que qualquer série da franquia. Eles protagonizavam o piloto original de 1964, que foi reprovado e quase impediu o surgimento do fenômeno “Star Trek” – ou “Jornada nas Estrelas” no Brasil. Apenas Spock foi mantido quando a série foi reformulada, com Pike substituído pelo Capitão Kirk num novo piloto, finalmente aprovado em 1966. Apesar do descarte, os espectadores puderam ver uma prévia da tripulação original num episódio de flashback de duas partes que marcou época em 1966, com cenas recicladas do piloto rejeitado. Até que, em 2019, os produtores de “Star Trek: Discovery” resolveram resgatar aqueles personagens, levando os trekkers à loucura. Em pouco tempo, uma campanha tomou as redes sociais pedindo uma nova série focado nas aventuras perdidas da...
Melhores do Ano | Público da Globo premia a série “Os Outros” e a novela “Vai na Fé”
A Globo exibiu neste domingo (17/12) a edição anual de sua premiação de Melhores do Ano. A premiação, que além de novelas e séries também inclui humor, jornalismo e música, é focada na programação da emissora – e do Globoplay – transmitida em 2023. Os resultados foram escolhidos em votação do público e divulgados durante o “Domingão com Huck”. A relação consagrou a série “Os Outros” com três troféus, a atração mais premiada da tarde, e elegeu “Vai na Fé” como melhor novela, mas também abriu espaço para atores de “Terra e Paixão” e “Todas as Flores”. Confira abaixo todos os vencedores, incluindo o melhor jornalista, o melhor humorista e a música do ano. NOVELA Vai na Fé ATRIZ DE NOVELA Letícia Colin – Todas as Flores ATOR DE NOVELA Emílio Dantas – Vai na Fé ATRIZ COADJUVANTE Tatá Werneck – Terra e Paixão ATOR COADJUVANTE Nicolas Prattes – Todas as Flores REVELAÇÃO DO ANO Amaury Lorenzo – Terra e Paixão SÉRIE Os Outros ATRIZ DE SÉRIE Adriana Esteves – Os Outros ATOR DE SÉRIE Eduardo Sterblitch – Os Outros JORNALISMO César Tralli HUMOR Paulo Vieira MÚSICA DO ANO Erro Gostoso – Simone Mendes
Barbie quebra recorde de indicações do Critics Choice Awards
O Critics Choice Awards anunciou nesta quarta (13/12) a lista de filmes indicados à sua premiação de 2024. A relação destaca “Barbie”, que quebrou o recorde do evento ao receber 18 indicações, superando com folga os antigos campeões de nomeação, “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” e “A Forma da Água”, ambos com 14. O feito é fácil de ser entendido, considerando que a comédia de Greta Gerwig emplacou nada menos que cinco músicas na disputa de Melhor Canção Original. Após “Barbie”, os filmes mais destacados foram “Oppenheimer” e “Pobres Criaturas”, que receberam 13 indicações cada, seguidos por “Assassinos da Lua das Flores” com 12. Alternativa ao Globo de Ouro, o Critics Choice é uma premiação dos críticos dos EUA, enquanto seu rival dourado é resultado de votação de críticos estrangeiros nos EUA. Vale lembrar que a relação de séries que concorrem ao prêmio foi divulgada na semana passada – e liderada por “The Morning Show”. A cerimônia de entrega dos troféus será realizada em 14 de janeiro, com apresentação da comediante Chelsea Handler. Ainda não há previsão de transmissão no Brasil. MELHOR FILME American Fiction Barbie A Cor Púrpura Os Rejeitados Assassinos da Lua das Flores Maestro Oppenheimer Vidas Passadas Pobres Criaturas Saltburn MELHOR ATOR Bradley Cooper – Maestro Leonardo DiCaprio – Assassinos da Lua das Flores Colman Domingo – Rustin Paul Giamatti – Os Rejeitados Cillian Murphy – Oppenheimer Jeffrey Wright – American Fiction MELHOR ATRIZ Lily Gladstone – Assassinos da Lua das Flores Sandra Hüller – Anatomia de uma Queda Greta Lee – Vidas Passadas Carey Mulligan – Maestro Margot Robbie – Barbie Emma Stone – Pobres Criaturas MELHOR ATOR COADJUVANTE Sterling K. Brown – American Fiction Robert De Niro – Assassinos da Lua das Flores Robert Downey Jr. – Oppenheimer Ryan Gosling – Barbie Charles Melton – Segredos de um Escândalo Mark Ruffalo – Pobres Criaturas MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Emily Blunt – Oppenheimer Danielle Brooks – A Cor Púrpura America Ferrera – Barbie Jodie Foster – Nyad Julianne Moore – Segredos de um Escândalo Da’Vine Joy Randolph – Os Rejeitados MELHOR JOVEM ATOR/ATRIZ Abby Ryder Fortson – Crescendo Juntas Ariana Greenblatt – Barbie Calah Lane – Wonka Milo Machado Graner – A Anatomia da Queda Dominic Sessa – Os Rejeitados Madeleine Yuna Voyles – Resistência MELHOR ELENCO Air: A História Por Trás do Logo Barbie A Cor Púrpura Os Rejeitados Assassinos da Lua das Flores Oppenheimer MELHOR DIREÇÃO Bradley Cooper – Maestro Greta Gerwig – Barbie Yorgos Lanthimos – Pobres Criaturas Christopher Nolan – Oppenheimer Alexander Payne – Os Rejeitados Martin Scorsese – Assassinos da Lua das Flores MELHOR ROTEIRO ORIGINAL Samy Burch – Segredos de um Escândalo Alex Convery – Air: A História Por Trás do Logo Bradley Cooper & Josh Singer – Maestro Greta Gerwig & Noah Baumbach – Barbie David Hemingson – Os Rejeitados Celine Song – Vidas Passadas MELHOR ROTEIRO ADAPTADO Kelly Fremon Craig – Crescendo Juntas Andrew Haigh – Todos Nós Desconhecidos Cord Jefferson – American Fiction Tony McNamara – Pobres Criaturas Christopher Nolan – Oppenheimer Eric Roth and Martin Scorsese – Assassinos da Lua das Flores MELHOR FOTOGRAFIA Mathew Libatique – Maestro Rodrigo Prieto – Barbie Rodrigo Prieto – Assassinos da Lua das Flores Robbie Ryan – Pobres Criaturas Linus Sandgren – Saltburn Hoyte van Hoytema – Oppenheimer MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO Suzie Davies e Charlotte Dirickx – Saltburn Ruth De Jong e Clair Kaufman – Oppenheimer Jack Fisk e Adam Willis – Killers of the Flower Moon Sarah Greenwood e Katie Spencer – Barbie James Price e Shona Heath – Szusza Mihalek – Poor Things Adam Stockhausen e Kris Moran – Asteroid City MELHOR EDIÇÃO William Goldenberg – Air: A História Por Trás do Logo Nick Houy – Barbie Jennifer Lame – Oppenheimer Yorgos Mavropsaridis – Pobres Criaturas Thelma Schoonmaker – Assassinos da Lua das Flores Michelle Tesoro – Maestro MELHOR FIGURINO Jacqueline Durran – Barbie Lindy Hemming – Wonka Francine Jamison-Tanchuck – A Cor Púrpura Holly Waddington – Pobres Criaturas Jacqueline West – Assassinos da Lua das Flores Janty Yates – David Crossman – Napoleão MELHOR CABELO E MAQUIAGEM Barbie A Cor Púrpura Maestro Oppenheimer Pobres Criaturas Priscilla MELHORES EFEITOS VISUAIS Resistência Guardiões da Galáxia Vol. 3 Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte Um Oppenheimer Pobres Criaturas Homem-Aranha: Através do Aranhaverso MELHOR COMÉDIA American Fiction Barbie Bottoms Os Rejeitados Que Horas eu te Pego? Pobres Criaturas MELHOR ANIMAÇÃO O Menino e a Garça Elementos Nimona Homem-Aranha: Através do Aranhaverso As Tartarugas Ninja: Caos Mutante Wish MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA Anatomia de Uma Queda Godzilla Minus One Dias Perfeitos A Sociedade da Neve O Sabor da Vida Zona de Interesse MELHOR CANÇÃO “Dance the Night” – Barbie “I’m Just Ken” – Barbie “Peaches” – The Super Mario Bros. Movie “Road to Freedom” – Rustin “This Wish” – Wish “What Was I Made For” – Barbie “Dance the Night” – Barbie “I’m Just Ken” – Barbie “Peaches” – The Super Mario Bros. Movie “Road to Freedom” – Rustin “This Wish” – Wish
“Barbie” lidera indicações do Globo de Ouro 2024
A Associação dos Críticos Estrangeiros de Hollywood (HFPA) anunciou nesta segunda (11/12) os indicados ao Globo de Ouro 2024. A lista destaca o filme “Barbie”, de Greta Gerwig, com nove indicações, incluindo Melhor Filme de Comédia, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Atriz (Margot Robbie), Melhor Ator (Ryan Gosling) e mais três nomeações na categoria de Melhor Canção Original. Em seguida vem “Oppenheimer”, de Christopher Nolan, com oito indicações, como Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Ator (Cillian Murphy) e Melhor Atriz Coadjuvante (Emily Blunt). Ou seja, “Barbenheimer” vive em nova disputa de cinema. O filme “Assassinos da lua das flores”, de Martin Scorsese, também se destacou com sete indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Atriz (Lily Gladstone), Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Robert DeNiro) e Melhor Trilha Sonora. Ao mesmo tempo, diversas apostas da temporada, que esperavam reconhecimento, foram ignoradas, incluindo as superproduções “Ferrari” e “Napoleão”. Já entre as séries, a liderança ficou com “Succession”, da HBO, nomeada nove vezes, seguida por “O Urso” e “Only Murders in the Building”, da Hulu/Star+, com cinco indicações cada. A série mais lembrada da Netflix foi “The Crown”, com quatro indicações. Além disso, Meryl Streep aumentou seu recorde no prêmio. Com a indicação de Melhor Atriz Coadjuvante por seu participação em “Only Murders in the Building”, ela chegou a 33 nomeações. A edição de 2024 incluiu duas novas categorias: Conquista Cinematográfica e de Bilheteria, que irá definir o melhor blockbuster do ano, e Melhor Performance de Comédia Stand-Up, dedicada a especiais de humor com mais de 30 minutos. A premiação do Globo de Ouro 2024 está marcada para o dia 7 de janeiro, e por enquanto não possui previsão de exibição no Brasil. A transmissão nos EUA vai acontecer na rede CBS, depois de anos de parceria com a NBC. Confira a seguir a lista completa dos indicados. CINEMA Melhor Filme — Drama “Oppenheimer” “Assassinos da Lua das Flores” “Maestro” “Vidas Passadas” “Zona de Interesse” “Anatomia de uma Queda” Melhor Filme — Comédia ou Musical “Barbie” “Pobres Criaturas” “American Fiction” “Os Rejeitados” “Segredos de um Escândalo” “Air: A História por Trás do Logo” Melhor Direção Bradley Cooper, “Maestro” Greta Gerwig, “Barbie” Yorgos Lanthimos, “Pobres Criaturas” Christopher Nolan, “Oppenheimer” Martin Scorsese, “Assassinos da Lua das Flores” Celine Song, “Vidas Passadas” Melhor Roteiro “Barbie”, Greta Gerwig, Noah Baumbach “Pobres Criaturas”, Tony McNamara “Oppenheimer”, Christopher Nolan “Assassinos da Lua das Flores”, Eric Roth e Martin Scorsese “Vidas Passadas”, Celine Song “Anatomia de uma Queda”, Justine Triet e Arthur Harari Melhor Ator — Drama Bradley Cooper, “Maestro” Leonardo DiCaprio, “Assassinos da Lua das Flores” Colman Domingo, “Rustin” Barry Keoghan, “Saltburn” Cillian Murphy, “Oppenheimer” Andrew Scott, “All of Us Strangers” Melhor Atriz — Drama Lily Gladstone, “Assassinos da Lua das Flores” Carey Mulligan, “Maestro” Sandra Hüller, “Anatomia de uma Queda” Annette Bening, “Nyad” Greta Lee, “Vidas Passadas” Cailee Spaeny, “Priscilla” Melhor Atriz — Comédia ou Musical Fantasia Barrino, “A Cor Púrpura” Jennifer Lawrence, “No Hard Feelings” Natalie Portman, “Segredos de um Escândalo” Alma Pöysti, “Folhas de Outono” Margot Robbie, “Barbie” Emma Stone, “Pobres Criaturas” Melhor Ator — Comédia ou Musical Nicolas Cage, “Dream Scenario” Timothée Chalamet, “Wonka” Matt Damon, “Air: A História por Trás do Logo” Paul Giamatti, “Os Rejeitados” Joaquin Phoenix, “Beau Tem Medo” Jeffrey Wright, “American Fiction” Melhor Ator Coadjuvante Willem Dafoe — “Pobres Criaturas” Robert DeNiro — “Assassinos da Lua das Flores” Robert Downey Jr. — “Oppenheimer” Ryan Gosling — “Barbie” Charles Melton — “Segredos de um Escândalo” Mark Ruffalo — “Pobres Criaturas” Melhor Atriz Coadjuvante Emily Blunt, “Oppenheimer” Danielle Brooks, “A Cor Púrpura” Jodie Foster, “Nyad” Julianne Moore, “Segredos de um Escândalo” Rosamund Pike, “Saltburn” Da’Vine Joy Randolph, “Os Rejeitados” Melhor Trilha Sonora Jerskin Fendrix, “Pobres Criaturas” Ludwig Göransson, “Oppenheimer” Joe Hisaishi, “The Boy and the Heron” Mica Levi, “Zona de Interesse” Daniel Pemberton, “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso” Robbie Robertson, “Assassinos da Lua das Flores” Melhor Canção Original “Addicted to Romance” (Bruce Springsteen), “She Came to Me” “Dance the Night” (Mark Ronson, Andrew Watt, Dua Lipa e Caroline Ailin), “Barbie” “I’m Just Ken” (Mark Ronson and Andrew Wyatt), “Barbie” “Peaches” (Jack Black, Aaron Horvath, Michael Jelenic, Eric Osmond e John Spiker), “Super Mario Bros. — O Filme” “Road to Freedom” (Lenny Kravitz), “Rustin” “What Was I Made For?” (Billie Eilish O’Connell e Finneas O’Connell), “Barbie” Melhor Filme em Língua Estrangeira “Anatomia de uma Queda” “Folhas de Outono” “Io Capitano” “Vidas Passadas” “A Sociedade da Neve” “Zona de Interesse” Conquista Cinematográfica e de Bilheteria “Barbie” “Guardiões da Galáxia Vol. 3” “John Wick4: Baba Yaga” “Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1” “Oppenheimer” “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso” “Super Mario Bros. — O Filme” “Taylor Swift: The Eras Tour” TV Melhor Série – Drama “1923” “The Crown” “A Diplomata” “The Last of Us” “The Morning Show” “Succession” Melhor Série – Comédia “O Urso” “Ted Lasso” “Abbott Elementary” “Jury Duty” “Only Murders in the Building” “Barry” Melhor Minissérie, Antologia ou Filme para TV “Treta” “Uma Questão de Química” “Daisy Jones & the Six” “Toda Luz Que Não Podemos Ver” “Companheiros de Viagem” “Fargo” Melhor Ator – Drama Brian Cox, “Succession” Kieran Culkin, “Succession” Gary Oldman “Slow Horses” Pedro Pascal, “The Lastof Us” Jeremy Strong, “Succession” Dominic West “The Crown” Melhor Atriz – Drama Helen Mirren, “1932” Bella Ramsay, “The Last of Us” Keri Russell, “A Diplomata” Sarah Snook, “Succession” Imelda Staunton, “The Crown” Emma Stone, “The Curse” Melhor Atriz – Comédia ou Musical Ayo Edebiri, “O Urso” Natasha Lyonne, “Poker Face” Quinta Brunson, “Abbott Elementary” Rachel Brosnahan, “Maravilhosa Sra. Maisel” Selena Gomez, “Only Murders in the Building” Elle Fanning, “The Great” Melhor Ator – Comédia ou Musical Bill Hader, “Barry” Steve Martin, “Only Murders in the Building” Jason Segel, “Falando a Real” Martin Short, “Only Murders in the Building” Jason Sudeikis, “Ted Lasso” Jeremy Allen White, “O Urso” Melhor Ator Coadjuvante Billy Crudup — “The Morning Show” Matthew Macfadyen — “Succession” James Marsden — “Jury Duty” Ebon Moss-Bachrach — “O Urso” Alan Ruck — “Succession” Alexander Skarsgård — “Succession” Melhor Atriz Coadjuvante Elizabeth Debicki, “The Crown” Abby Elliott, “O Urso” Christina Ricci, “Yellowjackets” J. Smith-Cameron, “Succession” Meryl Streep, “Only Murders in the Building” Melhor Ator Coadjuvante Riley Keough — “Daisy Jones & the Six” Brie Larson — “Uma Questão de Química” Elizabeth Olsen — “Love and Death” Juno Temple — “Fargo” Rachel Weisz — “Gêmeas: Mórbida Semelhança” Ali Wong — “Uma Questão de Química” Melhor Performance de Comédia Stand-Up Ricky Gervais, “Ricky Gervais: Armageddon” Trevor Noah, “Trevor Noah: Where Was I” Chris Rock, “Chris Rock: Selective Outrage” Amy Schumer, “Amy Schumer: Emergency Contact” Sarah Silverman
American Film Institute elege os 10 melhores filmes de 2023
A tradicional lista de fim de ano do American Film Institute (AFI) foi divulgada nesta quinta (7/12), elegendo os 10 melhores filmes de 2024. A relação inclui blockbusters como “Barbie” e “Oppenheimer”, além de “Assassinos da Lua das Flores”, de Martin Scorsese, e vários filmes que tem despontado neste começo de temporada de premiações, como “American Fiction”, vencedor do Festival de Toronto, “Pobres Criaturas”, vencedor do Festival de Sundance, e “Vidas Passadas”, vencedor do Gotham Awards. Como sempre, a relação foi divulgada por ordem alfabética e sem determinar preferência. Mas vale considerar que a lista do AFI é considerada um termômetro para o Oscar. Tradicionalmente, os filmes indicados se destacam também na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Na lista do ano passado, sete filmes da relação do AFI foram indicados para a disputa de Melhor Filme no Oscar. Os outros três que travaram disputa pelo troféu da Academia eram filmes internacionais, não contemplados pela relação do Instituto Americano. Confira abaixo o Top 10 do AFI em 2023. “American Fiction”, de Cord Jefferson “Assassinos da Lua das Flores”, de Martin Scorsese “Barbie”, de Greta Gerwig “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso”, de Joaquim Dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson “Maestro”, de Bradley Cooper “Oppenheimer”, de Christopher Nolan “Os Rejeitados”, de Alexander Payne “Pobres criaturas”, de Yorgos Lanthimos “Segredos de um Escândalo”, de Todd Haynes “Vidas Passadas”, de Celine Song
Rotten Tomatoes elege “Top Gun: Maverick” como melhor filme de 2022
Um dos títulos de maior bilheteria de 2022, “Top Gun: Maverick”, foi eleito o melhor filme do ano passado pelo Rotten Tomatoes. O filme obteve 96% de avaliações positivas dos críticos certificados pelo site em 464 avaliações e 99% de aprovação na medição da audiência. Mas para defini-lo como o melhor do ano, o agregador levou em conta apenas as críticas especializadas, os textos dos chamados críticos “top” (da grande imprensa), que em 82 resenhas deram ao longa 99% de aprovação. Outros filmes que se destacaram na lista foram “O Acontecimento” (99% de aprovação geral), “Marcel the Shell With Shoes On” (99%), “Till” (98%), “Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft” (98%), “Pinóquio por Guillermo del Toro” (97%) e “Os Banshees de Inisherin” (97%). A consagração do filme estrelado por Tom Cruise e dirigido por Joseph Kosinski vem na esteira de seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme do ano. A sequência do clássico “Top Gun: Ases Indomáveis” (1986) também obteve um raro A+ no CinemaScore, pesquisa feito com o público na saída dos cinemas dos EUA. “Top Gun: Maverick” está atualmente disponível na Paramount+ em locadoras digitais (plataformas de VOD).
Retrospectiva: Os 50 melhores clipes indies de 2022
Os clipes da safra indie de 2022 ajudaram a chamar atenção para muitos artistas novos, inclusive alguns que só vão lançar álbuns em 2023. Eles não possuem a estrutura das grandes gravadoras para investir em efeitos e coreografias, mas há algumas produções à altura da produção pop comercial. E até os vídeos tradicionais de banda tocando em estúdio/garagem apresentam apuro visual. A seleção abaixo teve a preocupação de incluir artistas representativos do ano, cobrindo diversos subgêneros, do revival grunge à darkwave dançante, juntando queridinhos da crítica, como Wet Leg e Caroline Polachek, com artistas favoritos em seus nichos e futuros astros que ainda serão muito falados. A relação não segue ordem de preferência, mas de afinidade sonora para render um bom playlist e facilitar exibição contínua numa Smart TV – para colocar na TV, busque Transmitir na aba de configurações do Chrome ou Mais Ferramentas/Transmitir etc no Edge. Para apreciar melhor a audição, sem interrupção de anúncios, também é indicada a versão Premium do YouTube.











