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  • Filme

    Depois da Tempestade reflete de forma sensível a dissolução de uma família

    26 de novembro de 2016 /

    O foco na família continua o forte do cinema de Hirokazu Koreeda. Ainda que seja bem menos sombrio do que “Ninguém Pode Saber” (2004) e “O Que Eu Mais Desejo” (2011), “Depois da Tempestade” (2016) é desses filmes que parecem manter uma nuvem negra sobre seu protagonista Ryota, um escritor fracassado, que agora faz bicos trabalhando como detetive particular e que tem muita dificuldade para pagar a pensão do filho, fruto de um casamento que chegou ao fim. Ele ainda sente muita falta da esposa, demora para virar a página, sem falar que é muito doloroso para ele ter que ficar longe do garoto. O personagem é problemático, chega até mesmo a tentar roubar a própria mãe, entre outras coisas, mas percebemos que se tratam de atos desesperados. Podemos vê-lo como um sujeito que demorou a crescer e por isso acaba perdendo tudo o que havia conquistado, mas também podemos mais solidários com ele, especialmente quando há uma triste identificação com muitos aspectos de sua personalidade e de sua vida. Uma das curiosidades de “Depois da Tempestade” é o modo como Koreeda filma as ruas, quase sempre vazias. Aquilo passa uma sensação de um universo quase morto, como se não houvesse escapatória para o protagonista a não ser tentar se reconciliar com a esposa, que, no entanto, está bastante ciente de que seu casamento acabou e tem um posicionamento bem prático diante da vida. Para ela, não dá para conviver com um homem tão irresponsável. E assim vai até o terço final do filme, quando a narrativa encaminha os personagens para a casa da avó (Kirin Kiki, a velhinha de “Sabor da Vida”). Aliás, impressionante como a atriz, que já havia aparecido em outros filmes do diretor, funciona como a personificação da mãe/avó amorosa. E de como esse aspecto, bem como o ritual de fazer refeições e de comer, é tão próximo dos valores japoneses. A parte final do filme é a mais rica em significação e em sentimento, com a chegada de Ryota e do filho na casa da avó, enquanto esperam um tufão que deve causar alguns estragos na cidade. O aconchego da casa da avó, seus olhos amorosos e tristes pelo insucesso do filho, a tentativa de aproximação com a nora, tudo isso é explorado com muita delicadeza. Evitando o melodrama carregado, Koreeda prefere um drama agridoce, sutil, que aproxima o espectador daquela família e transmite sua tristeza, até concluir de forma conformista, diante da situação final. Que, aliás, não chega a ser uma solução pessimista, mas realista.

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