Izabella Camargo vence Rede Globo em processo sobre burnout
A jornalista Izabella Camargo venceu a Rede Globo em um processo na Justiça e terá direito a receber R$ 500 mil. A empresa entrou com uma ação contra ela para não pagar a indenização por demissão por causa de uma entrevista, na qual a comunicadora disse que rede tinha responsabilidade por ela ter desenvolvido síndrome de burnout. A decisão não cabe mais recurso. Na sentença proferida pelo ministro relator do caso, Luiz José Dezena da Silva, do Tribunal Superior do Trabalho, o meritíssimo reverteu as decisões de primeira e segunda instâncias, que deram vitória à Globo, e foram julgadas pela 24ª Vara de São Paulo e mantidas pelo Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Na ação, a Globo acusou Izabella Camargo de descumprir cláusulas de um acordo que elas fizeram na ocasião da sua demissão da companhia, em 2019. Em uma cláusula, Izabella Camargo era proibida de afirmar em entrevistas que a Globo tinha responsabilidade ou era culpada por ela ter desenvolvido o problema de saúde. Porém, em entrevista ao programa “Pânico”, da rádio Jovem Pan, a jornalista relatou a experiência na empresa na qual trabalhou de 2012 até 2019. E afirmou que a emissora teve parcela de culpa em seu diagnóstico médico. “Eu tive dois gatilhos para acontecer isso. O primeiro momento foi uma puxada de tapete. Uma pessoa que disse ‘no meu jornal, ela não volta’”, citou sem dar detalhes, em novembro de 2019. “O outro foi um comentário bizarro de um dos chefes dizendo que meu trabalho era ‘Ctrl + C e Ctrl + V’. Eu faço tudo de improviso e eu copio e colo? É isso que achavam que era meu trabalho?”, disse ela. A jornalista foi dispensada da emissora após voltar de uma licença justamente por síndrome de burnout. A principal causa da doença, segundo informações do Ministério da Saúde, é justamente o excesso de trabalho. Na ação, os advogados que fizeram a defesa da jornalista afirmaram que ela não poderia ser impedida de participar de atrações jornalísticas, de dar sua opinião ou se expressar sofre fatos da sua vida. Na sentença, o juiz concordou e viu censura por parte da Globo no acordo. “Isso equivaleria a estabelecer que a reclamante não pode, em qualquer tempo, mencionar sua experiência pessoal ao ser demitida, mesmo sem fazer qualquer menção expressa ao nome de sua antiga empregadora e aos procedimentos por ela adotados para o processo de desligamento, o que não pode se sustentar”, disse ele. Uma vez que o TST é a última instância da Justiça Trabalhista, o caso não cabe mais recurso. O dinheiro da indenização seria referente à segunda parcela de um acordo que Izabella fez com a Globo ao deixar a empresa em 2019. O valor estava retido na Justiça a pedido da Globo, que alegava que a jornalista teria quebrado uma das cláusulas do acerto ao dar uma entrevista ao programa “Pânico”.
Jovem Pan faz homenagem de Dia das Mulheres com foto de jornalista demitida
A Jovem Pan enviou na quarta-feira (8/3) uma homenagem de Dia das Mulheres através de um comunicado interno. No entanto, o grupo não se atentou aos detalhes e utilizou a imagem de Kallyna Sabino, jornalista que tinha sido demitida no dia anterior (7/3). Não bastando a bola fora, a JP encaminhou a mensagem para todos os funcionários, sem distinção de gêneros. “Toda mulher fica linda vestida de felicidade”, dizia o comunicado, que rendeu um clima tenso na redação. Além da jornalista Kallyna Sabino, o grupo demitiu a apresentadora Claudia Barthel e a comentarista Camila Abdelmalack. E olha o detalhe: elas teriam sido substituídas por dois ex-funcionários homens da CNN Brasil. Vale lembrar que o grupo Jovem Pan passa por uma reformulação interna após perda de patrocinadores e diversas acusações de apoio ao vandalismo em Brasília. Novas demissões podem ser aguardadas para moderar o “tom crítico” da emissora. A Jovem Pano é de uma sensibilidade exemplar: parabenizou as mulheres pelo Dia Internacional com uma foto da jornalista Kallyna Sabino, demitida um dia antes. Ela preencheu o comunicado distribuído às funcionárias da emissora. — Jose Malia (@jrmalia45) March 9, 2023 Poxa, #JovemKlan o Tutinha e seu pai quase quebraram a Record TV e agora demitiram mulheres como a Claudia Barthel, Kallyna Sabino pra contratar macho em pleno dia 8 de março, suas almas sebosas? — Luis Delcides Rodrigues da Silva (@luis_delcides) March 9, 2023
Jovem Pan processa Sleeping Giants após perda de patrocinadores
A Jovem Pan está movendo um processo contra o perfil Sleeping Giants após registrar perdas significativas de patrocinadores. Segundo o site The Intercept, o grupo tomou um prejuízo de mais de R$ 800 mil por conta da campanha de desmonetização. Conforme informações da ação, o grupo compilou e-mails internos dos executivos, mostrando a insatisfação com a perda de receitas. Vale lembrar que pelo menos 45 companhias sinalizaram a retirada de suas propagandas. Numa das mensagens, uma supervisora de mídia que atende a conta da Toyota Brasil pede a suspensão imediata dos anúncios já contratados para a veiculação na emissora. A parceria custava R$ 109.113,28, em valores líquidos. A profissional explica que é uma norma interna, que proíbe a exposição da fabricante a “qualquer veículo que esteja relacionado a escândalos, sejam eles de ordem políticas, discriminação, entre outros”. Posteriormente, a montadora chinesa Caoa Chery também rompeu o contrato publicitário com a Jovem Pan, mas não esclareceu suas razões. Lá se foram mais R$ 728.634,00 para longe dos cofres do grupo. Ao todo, a Jovem Pan deixou de registrar R$ 837.747,28 em um único mês, somente com a perda dos dois contratos. “Vejam o tamanho do dano”, lamentou um diretor jurídico do grupo aos advogados. Por essas razões, a empresa, que diz ser vítima de perseguição, pede a remoção do conteúdo da campanha do Sleeping Giants, bem como exige uma multa diária de R$ 20 mil caso o movimento descumpra a decisão judicial. A Jovem Pan também solicitou que a Justiça proíba que o perfil faça novas postagens que possam afastar “antigos, atuais e futuros patrocinadores”. Até o momento, os pedidos não foram julgados. No mês passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido similar do grupo, que exigia a retirada da campanha “Desmonetiza Jovem Pan” do ar. Na ação, os advogados apontaram a perda de prestígio e o risco a saúde financeira da empresa. No entanto, o juizado apontou que não havia sido verificado abusos no exercício da livre manifestação de pensamento por parte do Sleeping Giants. O TJ-SP também alegou que os elementos probatórios juntados ao processo não eram suficientes para a tomada de uma medida judicial.
Janja processa Jovem Pan e comentarista que a chamou de maconheira
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, entrou com um processo contra a Jovem Pan e a comentarista Pietra Bertolazzi. Distribuído na segunda-feira (23/1), o processo corre na 1ª Vara Cível do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e busca uma indenização de R$ 50 mil em danos morais por Bertolazzi dizer no ar que Janja fuma maconha. O comentário foi feito em setembro do ano passado, durante a campanha para as eleições. Na ocasião, Brotolazzi, que se define como antifeminista, comparou Janja com a então primeira-dama Michelle Bolsonaro, a quem se referiu como uma mulher “elegante, educada, que fala de Deus” e que, por isso, representa uma “ameaça para a esquerda”. “Enquanto você tem a Janja abraçando Pabllo Vittar, fumando maconha, fazendo sei lá o que, você tem uma mulher impecável representando a direita, seus valores, a bondade, a beleza”, ela disparou na tela da Jovem Pan News. Não ficou nisso. Bertolazzi ainda afirmou que Janja fazia “farofa” em eventos com o marido e chamou apoiadores de Lula de “um monte de artista maconhista”. “Todos abraçando a Janja, porque é este tipo de valor que ela demonstra, muito ao contrário da Michelle Bolsonaro”, acrescentou a comentarista. O juiz Cassio Pereira Brisola deu o prazo de 15 dias para que a comentarista e a emissora apresentem suas defesas. Caso esse prazo não seja respeitado, os fatos apresentados por Janja serão presumidos como verdadeiros. Além da indenização, o processo busca fazer com que a Jovem Pan e Bertolazzi se retratem publicamente e publiquem em suas redes sociais a sentença, que seja retirado o vídeo publicado nas plataformas da emissora e que, além da indenização, paguem as custas processuais e despesas com advogados de 20% sobre o valor atualizado da causa. Jovem Pan sobre evento do Lula ontem: "Janja abraçando a Pablo Vittar e fumando maconha; fazendo farofa; bando de maconhistas". @JanjaLula cabe um processo na JP e nessa "jornalista". pic.twitter.com/zDvw1JY1fS — Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) September 27, 2022
Jovem Pan demite Rodrigo Constantino, Paulo Figueiredo e Zoe Martinez
Os comentaristas Rodrigo Constantino, Paulo Figueiredo e Zoe Martinez foram demitidos nesta segunda-feira (16/1) da Jovem Pan News. Os três já estavam afastados de suas funções desde a semana passada, após o Ministério Público Federal abrir uma investigação sobre o canal de notícias. A investigação na Justiça de São Paulo apura a conduta do grupo Jovem Pan após veiculação de notícias falsas, apoio aos ataques antidemocráticos e comentários abusivos feitos pelos profissionais. O objetivo é saber se a Jovem Pan, “de fato”, inflamou os ânimos dos vândalos bolsonaristas que participaram da destruição dos prédios do Congresso, STF e Planalto na Praça dos Três Poderes. Durante a cobertura do ato terrorista, a emissora escalou Paulo Figueiredo para comentar os ataques, e após ter defendido uma “guerra civil no Brasil” em outra oportunidade, ele disse que era “compreensível a revolta popular”, e mesmo criticando a destruição causada pelos bolsonaristas, buscou retratar os agressores como supostas vítimas do sistema. “A revolta é legítima”, ele afirmou sobre a barbárie terrorista. Zoe Martinez, por sua vez, defendeu que as Forças Armadas destruíssem os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em participação na emissora no dia 21 de dezembro, enquanto Constantino insistiu na tese de que as eleições foram forjadas por um “um malabarismo do Supremo”, ideia difundida a partir de 14 de novembro e reiterada várias vezes desde então. Ele também foi um dos difusores da versão de que o país virou uma ditadura do STF. Os três demitidos eram alguns dos bolsonaristas mais visíveis da emissora. Mas, segundo informações do Tudo Rádio, a lista de dispensados pela Jovem Pan ainda inclui Marco Antonio Costa, Fernão Lara Mesquita e o Coronel Gerson Gomes. Os desligamentos foram feitos com a intenção de renovar o quadro de apresentadores e comentaristas do canal, que deve anunciar novidades novos contratados nos próximos dias. Logo após a depredação, o empresário o Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, renunciou ao cargo de presidente do grupo Jovem Pan, e é a nova diretoria que assina as demissões, numa tentativa de aliviar a barra da emissora, que corre risco de sair do ar. Apesar de abrir mão da chefia, Tutinha segue como o acionista majoritário.
Sleeping Giants mira operadoras que transmitem a Jovem Pan
O movimento Sleeping Giants Brasil resolveu mirar nas operadoras de TV por assinatura que transmitem o canal da Jovem Pan News. O objetivo é estender o combate à desinformação e aos discursos de ódio propagados pela emissora, responsabilizando também as empresas que permitem a exibição do canal. Segundo o diretor jurídico Humberto Ribeiro, as empresas Claro TV, Vivo TV, Sky e DGO serão acionadas de forma extrajudicial. O Sleeping Giants Brasil pretende entender a razão para a exibição do canal, antes de lançar uma campanha de desmonetização dessas empresas. “[Queremos] questionar a razão de, durante a pandemia da covid-19, incorporarem em seu portfólio de canais um veículo de comunicação que sabidamente difundia desinformação sobre a vacinação, tratamentos sem eficácia comprovada, uso de máscaras e distanciamento social”, disse. A notificação também tem o intuito de entender se a programação da Jovem Pan News está de acordo com as diretrizes das operadoras televisivas. A direção do Sleeping Giants considera que as empresas também são responsáveis pelos conteúdos, mesmo que de forma indireta. “Queremos saber se condiz com as boas práticas de governança dessas empresas a manutenção da disponibilidade dos conteúdos da TV Jovem Pan News aos seus consumidores”, declarou o advogado. “Mesmo diante das reiteradas e graves denúncias de que o veículo difunde desinformação sobre a rigidez do processo eleitoral, o papel de instituições de Estado, como as Forças Armadas, além de ataques ao STF e ao TSE”, completou. Até o momento, nenhuma das empresas citadas se posicionaram ou emitiram notas de repúdio aos atos terroristas do último domingo (8/1). Desde que começou sua campanha de desmonetização da Jovem Pan News em 21 de dezembro, o Sleeping Giants Brasil já convenceu 24 empresas a pararem de anunciar no canal.
Jovem Pan se pronuncia após sofrer ataque hacker
A conta do YouTube da Jovem Pan News sofreu um ataque hacker na madrugada passada. A ação mudou o nome do canal para Tesla Event e fez algumas alterações de conteúdo, que já foram revertidas. A empresa se pronunciou sobre o ocorrido por meio de um comunicado publicado na quarta-feira (11/1) nas redes sociais. Na nota, a emissora lamentou o episódio e destacou que acionou as autoridades para a apuração do crime. “A Jovem Pan sofreu uma invasão em seus canais no YouTube no final da noite desta terça-feira, 10 de janeiro; ainda estão sendo apuradas pela equipe de tecnologia da emissora e pela equipe de segurança do YouTube as condições que levaram ao ataque e a extensão dos danos”, diz a nota. “No instante em que a vulnerabilidade foi identificada, a emissora notificou a plataforma e adotou as medidas necessárias, entre elas a comunicação do ocorrido para as autoridades”, segue o texto. A Jovem Pan apontou que criminosos tentaram abalar a credibilidade da emissora e ainda demonstrou solidariedade a outras empresas que passaram por ataques similares recentemente. “Lamentamos que a Jovem Pan, e outras emissoras em episódios recentes, sejam alvos de criminosos que tentam desestabilizar a credibilidade de veículos de imprensa”, concluiu o texto. O ataque ainda está sendo investigado pela equipe de tecnologia da empresa de comunicação e pela equipe de segurança da plataforma de vídeos do Google. A Jovem Pan sofreu uma invasão em seus canais no YouTube no final da noite desta terça-feira, 10 de janeiro; ainda estão sendo apuradas pela equipe de tecnologia da emissora e pela equipe de segurança do YouTube as condições que levaram ao ataque e a extensão dos danos pic.twitter.com/OgStOq82F5 — Jovem Pan News (@JovemPanNews) January 11, 2023 Lamentamos que a Jovem Pan, e outras emissoras em episódios recentes, sejam alvos de criminosos que tentam desestabilizar a credibilidade de veículos de imprensa — Jovem Pan News (@JovemPanNews) January 11, 2023
Jovem Pan afasta Constantino, Paulo Figueiredo e Zoe Martinez
A Jovem Pan decidiu afastar alguns de seus comentaristas mais radicais: Rodrigo Constantino, Paulo Figueiredo e Zoe Martinez. Eles são considerados defensores das manifestações antidemocráticas e teriam apoiado o ato golpista, ocorrido em Brasília no último domingo (8/1). A decisão aconteceu após o Ministério Público Federal de São Paulo abrir investigação contra o canal por apoio aos atos golpistas. “O foco da investigação será a veiculação de notícias falsas e comentários abusivos pela emissora, sobretudo contra os Poderes constituídos e a organização dos processos democráticos do país”, disse o MPF-SP em comunicado. A emissora escalou o extremista Paulo Figueiredo para sua cobertura dos atos terroristas. É o mesmo comentarista que defendeu, recentemente, uma guerra civil no país. Em sua primeira manifestação ao entrar no ar durante o ataque de domingo (8/1), Figueiredo disse que era “compreensível a revolta popular”, e mesmo criticando a destruição causada pelos bolsonaristas, buscou retratar os agressores como supostas vítimas do sistema. “A revolta é legítima”, ele afirmou sobre a barbárie terrorista. Zoe Martinez, por sua vez, defendeu que as Forças Armadas destruíssem os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em participação na emissora no dia 21 de dezembro, enquanto Constantino insistiu na tese de que as eleições foram forjadas por um “um malabarismo do Supremo”, ideia difundida a partir de 14 de novembro e reiterada várias vezes desde então. Além deles, os jornalistas da emissora não pronunciaram, desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, as palavras golpistas e antidemocráticos para se referir aos protestos que deram origem ao atentado contra a democracia na Praça dos Três Poderes de Brasília. Segundo apurou o Notícias da TV, até a definição “bolsonaristas” teria sido vetada pelos editores da Jovem Pan News. A situação mudou após os atos de domingo, que levaram à liberação dos termos. Mesmo assim, não se ouve no canal a expressão “terroristas”, adotada pela Globo, o presidente Lula e a presidente do STF Rosa Weber. A pressão contra a Jovem Pan não é apenas política e judicial. A campanha do perfil Sleeping Giants Brasil já fez a empresa perder 22 anunciantes. A emissora também teve a monetização de seu canal suspensa pelo YouTube – assim como a revista Oeste, que reunia ex-funcionários da Jovem Pan. Por enquanto, os comentaristas afastados foram suspensos por tempo indeterminado, mas não desligados da empresa. A Jovem Pan já demonstrou anteriormente que não leva punições a sério, tendo demitido o próprio Constantino, envolvido em outra polêmica, para recontratá-lo logo depois. E não foi um caso isolado. A suspensão desta terça (10/1) se segue à renúncia do presidente do Grupo Jovem Pan do comando da empresa. O empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, conhecido como Tutinha, será substituído por Roberto Araújo, antes CEO, que agora terá que responder ao MPF-SP. Apesar de abrir mão do comando da empresa, Tutinha segue sendo o acionista majoritário da Jovem Pan.
Ministério Público abre investigação contra Jovem Pan
O Ministério Público Federal de São Paulo abriu uma investigação sobre a conduta do grupo Jovem Pan na cobertura dos atos terroristas de domingo (8/1) em Brasília. Em nota, a Procuradoria afirma que a empresa “tem veiculado sistematicamente fake news e discursos que atentam contra a ordem institucional” e cita especificamente a transmissão feita durante a invasão e depredação aos prédios do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. “O foco da investigação será a veiculação de notícias falsas e comentários abusivos pela emissora, sobretudo contra os Poderes constituídos e a organização dos processos democráticos do país”, disse o MPF-SP em comunicado. A Jovem Pan News escalou o extremista Paulo Figueiredo para sua cobertura dos atos terroristas. É o mesmo comentarista que defendeu, recentemente, uma guerra civil no país. Em sua primeira manifestação ao entrar no ar, Figueiredo disse que era “compreensível a revolta popular”, e mesmo criticando a destruição causada pelos bolsonaristas, buscou retratar os agressores como supostas vítimas do sistema. “A revolta é legítima”, ele afirmou sobre a barbárie terrorista. Além de Figueiredo, o MPF-SP cita nominalmente Alexandre Garcia e Fernando Capez em sua ação. O MPF cita falas proferidas durante a cobertura dos atos para embasar a tese de que a Jovem Pan veiculou falas que “minimizaram o teor de ruptura institucional dos atos e tentaram justificar as motivações dos criminosos que invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes”. O órgão acusa, por exemplo, Alexandre Garcia de fazer uma “leitura distorcida” da Constituição para atribuir legitimidade às ações dos manifestantes. Ele teria dito que tratava-se do “poder do povo” e que as pessoas ficaram “paradas esperando por tutela da Forças Armadas. A tutela não veio. Então resolveram tomar a iniciativa”. Segundo a procuradoria, as ilegalidades viriam desde o ano passado. Para embasar a tese, cita três episódios. Em 14 de novembro, o comentarista Rodrigo Constantino desacreditou o resultado das eleições, atribuindo a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva a um “malabarismo do Supremo”. Em 21 de dezembro, Zoe Martinez defendeu “que as Forças Armadas destituíssem os ministros do STF”. E no dia seguinte, Paulo Figueiredo defendeu “então que tenha uma guerra civil”. Vale lembrar ainda que Tiago Pavinato debochou e fez gestos obscenos durante a transmissão de um discurso do ministro Alexandre de Moraes, do STF e do STE, na diplomação de Lula. Nesta segunda (9/1), o presidente do Grupo Jovem Pan renunciou ao comando da empresa. O empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, conhecido como Tutinha, será substituído por Roberto Araújo, antes CEO, que agora terá que responder ao MPF-SP. Apesar de abrir mão do comando da empresa, Tutinha segue sendo o acionista majoritário da Jovem Pan.
Tutinha renuncia presidência do grupo Jovem Pan
O empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, conhecido como “Tutinha”, renunciou ao cargo de presidente da Jovem Pan nesta segunda-feira (9/1). Ele estava à frente da emissora há 10 anos. A direção de Jornalismo do grupo afirmou que o novo presidente será Roberto Araújo, que é CEO do grupo e atual presidente da Rádio Jovem Pan. Apesar disso, a empresa não confirmou institucionalmente a saída de Tutinha, que segue no conselho executivo como o maior acionista da empresa. Diante da guinada radical à direita no jornalismo do grupo, o ex-presidente tenta salvar a empresa do colapso. Nos últimos meses, a JP perdeu as principais fontes de renda, que eram o apoio financeiro de Bolsonaro e a monetização dos canais no YouTube. Vale considerar também que a emissora está perdendo patrocinadores graças a movimentação intensa do Sleeping Giants Brasil. Ao todo, mais de 16 empresas e marcas já abriram mão de seus anúncios na Jovem Pan desde 2022. Tutinha abandonou seu posto após a Jovem Pan News ser acusada de fomentar e minimizar a gravidade dos atos terroristas, que aconteceram no domingo (8/1) nos prédios dos Três Poderes, em Brasília. Durante a cobertura do atentado, o canal escalou um de seus comentaristas mais radicais, Paulo Figueiredo, para comentar as ações terroristas. E ele chegou a declarar de que as invasões eram resultado de um descontentamento com o sistema eleitoral brasileiro e com ações do ministro Alexandre de Moraes. Na sequência, milhares de pessoas enviaram denúncias contra a Jovem Pan ao Ministério da Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Comentarista da Jovem Pan defende vândalos por horas no ar: “A revolta é legítima”
A Jovem Pan News chamou atenção em sua cobertura dos ataques de vândalos em Brasília, que a Globo está chamando de atentado terrorista e tentativa de golpe. A emissora escalou o extremista Paulo Figueiredo para comentar os atos. É o mesmo comentarista que defendeu, recentemente, uma guerra civil no país. Em sua primeira manifestação ao entrar no ar, Figueiredo disse que era “compreensível a revolta popular”, porque “as pessoas estão protestando pacificamente a meses e meses, e as autoridades estão surdas ao clamor popular”. Isto é, o exército não deu um golpe de estado que os vândalos pediram. Apesar disso, ele considerou que “a ideia de invadir o Congresso” seria “estúpida” e pediu para as pessoas voltarem para suas casas, embora compartilhe da dor dos radicais, “que estão vendo o país ir pro vinagre”. Então, ele afirmou que a consequência imediata desses atos de destruição seria “uma perseguição implacável e ampla de um grupo político”, e buscou retratar os agressores como supostas vítimas. Afirmando que a imprensa trataria injustamente os bolsonaristas como “um bando de selvagens que odeia a democracia”, alertou para uma possível “restrição de liberdade e suspensão de garantias constituições” contra manifestações antidemocráticas. Segundo sua visão, tudo o que o país está vendo estarrecido faz parte de uma “narrativa” construída pela imprensa para falar mal de “pessoas [que] estão legitimamente revoltadas”. Ele enfatizou sua defesa dos golpistas. “E há que [se] reconhecer, a revolta é legítima. Não tem a ver com o Lula ter ganhado a eleição. Tem a ver com o Lula ter ganhado a eleição sem que nós tenhamos o código-fonte [das urnas]; com condução do processo, onde quem questionava na Justiça tomava um processo de litigância de má fé e uma multa de R$ 22 milhões… Quando autoridades do Supremo Tribunal Federal eram confrontadas pelo povo brasileiro, nos EUA, elas respondia com risinho, com ‘perdeu, Mané’. É por isso que essas pessoas estão revoltadas.” Figueiredo continuou falando por horas, com ataques a urnas eletrônicas, ministros do STF, do TSE e representantes do Congresso Nacional, além de lideranças da direita “que se omitiram” e deveriam ter agido dentro das garantias constitucionais. Bolsonaristas acreditam que a Constituição dá direito a golpe militar no Brasil. O STE disponibilizou o código-fonte das urnas durante um ano inteiro para todos os partidos e instituições que estivessem interessados em analisá-lo. A cobertura da emissora está sendo denunciada pelo perfil Sleeping Giants Brasil, que reafirmou nas redes sociais ter avisado que os ataques a Brasília aconteceriam com o incentivo da emissora. De fato, o perfil lançou uma campanha de desmonetização contra a Jovem Pan, avisando que os comentaristas do canal estavam buscando materializar no Brasil algo similar à invasão do Capitólio (o Congresso dos EUA) levada adiante por trumpistas radicais com o mesmo perfil político de extrema direita. O perfil do Twitter do grupo Judeus pela Democracia também denunciou suposto antissemitismo de Figueiredo em seus comentários. A certo ponto, ele disse: “O que os senhores esperam?… Que o Barroso se converta e vire cristão?”. O ministro do STF Luis Roberto Barroso é judeu. Além da cobertura televisiva, profissionais da Jovem Pan também estão atacando o governo e defendendo os vândalos nas redes sociais. Rodrigo Constantino, que deveria estar com o perfil bloqueado por ordem judicial, escreveu numa conta alternativa: “Lutaram (60 dias) pacificamente e ninguém ouviu, ninguém fez nada e agora querem ter direito de criticar, chamar de Terroristas. (Exército) só sabia pintar calçada, nunca ouviu o povo e agora por ordem de Governador e Ministros quer bater na população ao invés de defender!” Nas redes sociais, há pessoas pedindo o fechamento da Jovem Pan News. 🚨 GRAVE: Jovem Pan escala Paulo Figueiredo para cobrir crimes contra o Estado de Direito. Figueiredo afirmou, recentemente, que uma guerra civil poderia ser justificável. Cobertura da emissora está, neste momento, atacando urnas eletrônicas, STF, TSE e Congresso Nacional. — Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) January 8, 2023 Em resposta aos comentaristas da Jovem Pan, aqui tem um fio com todas as vezes que a emissora apoiou atos antidemocráticos e golpistas (inclusive falas de Paulo Figueiredo que, novamente, mente ao vivo). Contra fatos e vídeos não há argumentos:#DesmonetizaJovemPan pic.twitter.com/gIHm4gXWQg — Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) January 8, 2023 "O que os senhores esperam?… Que o Barroso se converta e vire cristão?" Essa é a fala de Paulo Figueiredo na Jovem Pan. Barroso é judeu. Por que uma suposta necessidade de conversão vem à cabeça do comentarista golpista? O bolsonarismo nunca foi amigo dos judeus. pic.twitter.com/ut3bhNQGnM — Judeus pela Democracia – Oficial (@jpdoficial1) January 8, 2023
Guilherme Fiuza tem as redes sociais bloqueadas
Mais um egresso da Jovem Pan teve perfis bloqueados, desta vez de forma mais abrangente, em todas as redes sociais. De acordo com informação do Twitter, “a conta de Guilherme Fiuza foi suspensa no Brasil em resposta a uma demanda judicial”. Nos últimos dias, Guilherme Fiuza tinha radicalizado a narrativa negacionista contra a eleição de Lula e vinha defendendo um levante civil contra o governo eleito. Em sua última live, intitulada “Contagem Regressiva”, ele exclamou: “Eu posso afirmar que há um desenho de roubo colocado”, sobre a vitória de Lula nas eleições passadas. No Twitter, ele escreveu: “Quatro linhas no Brasil virou piada de mau gosto. Ou você reage agora ou vão te tomar tudo na mão grande – rindo da sua cara, te chamando de Mané e te mandando calar a boca, como já estão fazendo desde que usaram um meliante para roubar a democracia. Ou você luta ou você já era”. Conclamando patriotas para a irem às ruas para enfrentar “o golpe”, acrescentou: “Os brasileiros esperam para ver se os homens da lei vão deter o golpe dos pilantras ou se a população vai ter que retomar seus direitos sozinha”. E que “Brasília vai gritar que o LUGAR DO LADRÃO É NA PRISÃO. E o Brasil não vai descansar enquanto ele não voltar para lá, junto com os cúmplices que o levaram de volta à cena do crime”. Além do Twitter, o ex-comentarista da Jovem Pan também teve as contas suspensas no Instagram, Facebook, Telegram e YouTube. Segundo apuração da TV Globo, o bloqueio das contas foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O bloqueio de Fiuza se soma aos de Paulo Figueiredo, Fernando Conrado e Rodrigo Constantino, estes ainda empregados pela Jovem Pan News, que também sofreram enquadramento judicial.
Comentaristas da Jovem Pan News têm perfis bloqueados no Twitter
Os comentaristas Paulo Figueiredo e Fernando Conrado, da Jovem Pan News, se juntaram a Rodrigo Constantino no enquadramento judicial. Os três tiveram seus perfis bloqueados no Twitter nesta sexta (30/12) por ordem da Justiça. Além de trabalharem para o mesmo canal, Figueiredo e Costantino ainda tem em comum o fato de morarem nos EUA, mas o neto de João Figueiredo, último ditador do país, consegue muitas vezes ser ainda mais radical que Constantino. Vídeos em que estimula golpe de estado e guerra civil alimentam a campanha do Sleeping Giants Brasil pela desmonetização da Jovem Pan, que já conseguiu tirar oito anunciantes da emissora ao assustá-los com sua narrativa golpista. Outra coincidência com Constantino é que Figueiredo também teve seu canal do YouTube desmonetizado, por iniciativa da própria plataforma. De acordo com Paulo Figueiredo Filho, suas contas nas redes sociais foram bloqueadas a pedido do ministro do STF Alexandre de Moraes. Para ele, o “bloqueio é ideológico” e resultado de uma “ditadura de esquerda”. Apesar do bloqueio no Brasil, como moram nos EUA eles continuam fazendo postagens que podem ser vistas fora do país. Constantino, inclusive, aproveitou para apontar aos seguidores uma conta alternativa na rede social, onde escreveu que “tirano algum vai me calar”, em referência a Alexandre de Moraes. Veja abaixo a mensagem recebida pelo trio e a campanha do Sleeping Giants Brasil que destaca os comentaristas bloqueados. "Alemanha ficou rica porque matou um monte de judeu e se apropriou do poder econômico deles" "Que tenha uma guerra civil" "Quem toma duas vacina morre" "Cpx é a sigla de cupincha" "Infelizmente ele está correto" Quer ainda mais motivos para #DesmonetizaJovemPan?! ✊🏽🇧🇷 pic.twitter.com/pUbinBQbtO — Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt) December 29, 2022








