Desempenho dos blockbusters de 2017 deixa uma lição: filme ruim não faz mais verão
A estreia de “Annabelle 2: A Criação do Mal” marcou o último lançamento sobre o qual havia perspectiva positiva no verão norte-americano de 2017. E mesmo abrindo em 1º lugar, o filme teve o pior desempenho da franquia, desde o primeiro “Invocação do Mal” há quatro anos. Detalhe: a Warner comemorou o resultado. O verdadeiro terror das bilheterias da América do Norte acontece à luz do dia. O desempenho dos blockbusters neste verão sombrio tem sido abaixo da crítica – literalmente – , empurrando as arrecadações para baixo. Como resultado, a receita bruta de Hollywood ficou 11% menor que o faturamento do ano passado. E não há mais nenhuma grande estreia até o fim de semana do Dia do Trabalho americano, em 4 de setembro, indicando que o verão de 2017 pode se encerrar com uma queda ainda maior, de até 15% nas vendas. A empresa de dados financeiros Bloomberg comparou estes números ao avançado do consumo por streaming. Em sua análise, um em cada seis frequentadores de cinema da América do Norte preferiu ficar em casa assistindo “Game of Thrones” por streaming do que sair para ver um filme aos domingos. O que mais impressiona é que, de acordo com o site Rotten Tomatoes, poucas vezes houve tantos filmes bons para o público consumir nos cinemas durante o verão. A lista das maiores bilheterias, encabeçada por “Mulher-Maravilha”, é repleta de queridinhos da crítica, como “Dunkirk” e “Em Ritmo de Fuga”, e registra uma pontuação média de 72% de aprovação. O problema para os grandes estúdios é que alguns desses filmes não deveriam aparecer no topo desta lista. O fato de produções com potencial cult darem dinheiro representa um resultado inversamente proporcional ao desempenho dos lançamentos caros, que deveriam ter liderado o faturamento. Mas novos capítulos de “Transformers” e “Piratas do Caribe” fracassaram, assim como as tentativas de inaugurar franquias com “A Múmia”, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas“, “Baywatch” e “A Torre Negra”. A conclusão é que filmes barulhentos, que geralmente só incomodavam a crítica, este ano não foram aceitos pelo público. O motivo parece evidente. O Fandango, maior site de vendas de ingressos online da América do Norte, comprou o Rotten Tomatoes no ano passado e passou a incluir a nota da crítica entre as informações disponíveis para o público interessado em adquirir entradas. Isto inspirou outros pontos de venda a incluírem as cotações dos filmes, impactando a decisão de compra de ingressos. Não por acaso, filmes com notas ruins fracassaram clamorosamente. E filmes elogiados tiveram um desempenho acima do esperado. É uma mudança radical de paradigma para a indústria. E isto está deixando Hollywood atordoada, pois indica que os executivos precisarão abandonar a preguiça das reciclagens e continuações e fazer o que nunca fizeram questão de produzir: filmes bons, filmes melhores, filmes com qualidade crítica.
Cinema brasileiro bateu recorde de ingressos vendidos em 2016
A Ancine (Agência Nacional de Cinema) divulgou seu relatório anual com os números do cinema brasileiro em 2016. A apuração revela que houve crescimento no público dos filmes nacionais. A fatia do mercado ocupada por filmes feitos no país atingiu 16,5% do total contra 13% do ano anterior. Isto equivale a 30,4 milhões de ingressos vendidos. O número é recorde. Segundo a Ancine, trata-se do melhor resultado deste século. Na verdade, é o melhor desempenho do cinema nacional desde 1984. O resultado foi impulsionado por “Os Dez Mandamentos – O Filme”, que vendeu 11,3 milhão de ingressos e acabou na 1ª posição entre os mais assistidos do ano, superando inclusive todos os lançamentos internacionais. Em 2º lugar, ficou o fenômeno “Minha Mãe É uma Peça 2”. Ao todo, o filme já vendeu 8,1 milhões de ingressos e somou R$ 109 milhões de arrecadação. Mas as contas da Ancine se encerram em 31 de dezembro, contabilizando apenas os primeiros 10 dias em que o longa foi exibido, após estrear em 22 de dezembro. Neste período, a comédia estrelada por Paulo Gustavo foi vista por 4 milhões de espectadores, o que já foi mais que suficiente para deixar bem para trás o 3º lugar, “Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina”, com 2,5 milhões de espectadores. As comédias de estilo besteirol dominaram as bilheterias. Mas o cinema brasileiro também bateu recorde de filmes lançados comercialmente. Foram 134 estreias. Desde total, 29 foram dirigidos por mulheres, num aumento de 5,6% em relação a 2015. Duas diretoras, inclusive, comandaram blockbusters, como Cris D’Amato e Julia Rezende, responsáveis pelos besteiróis “É Fada!” e “Um Namorado Para Minha Mulher”, respectivamente. Ainda segundo o relatório, o Brasil chegou ao fim do ano com 3.168 salas de exibição. Ainda não é recorde. Em 1975, o país tinha 3.276 salas. Mas o jeitinho brasileiro dá um jeito de dobrar o tamanho do circuito, projetando mais de um filme por sala simultaneamente, em sessões intercaladas. Se, por um lado, a iniciativa poderia ter impacto positivo, ao permitir que mais filmes entrem em cartaz simultaneamente, por outro lado inclui o imponderável nas análises do mercado. Afinal, um circuito elástico, em que sempre cabe mais um filme na mesma sala, não tem tamanho determinado. Portanto, é inviável contabilizá-lo com base no número de salas, como se faz nos mercados mais desenvolvidos.
Rede de cinema baixa preço dos ingressos dos filmes em 3D no Brasil
A rede de cinemas Lumière anunciou que vai igualar os preços de seus ingressos em 3D e 2D. Segundo o anúncio da rede, presente em oito cidades do Brasil, os filmes não devem ser mais caros só porque são exibidos em 3D. Isto já não é novidade nem agrega tanto valor quanto se dizia. “O 3D não é mais uma novidade e não precisa ser tão caro. Podemos oferecer um serviço de qualidade a um preço acessível. E isso só ajuda também a melhorar a qualidade da exibição em 2D, que, em muitos filmes, não deixa nada a desejar”, diz a rede, em comunicado. A partir desta quinta (1/12), os ingressos de cinema da Lumière custarão entre R$ 20,00 e R$ 28,00 dependendo da unidade. Em alguns lugares do país, o preço cobrado para sessões 3D podem chegar até a R$ 35 em outras redes. Já o ingresso 2D costuma variar de R$ 15 a R$ 28 aos fins de semana, nas principais redes do Rio e São Paulo.


