Robert Redford se diverte assaltando bancos no trailer do último filme de sua carreira
A Fox Searchlight divulgou o segundo trailer de “The Old Man and the Gun”, último filme estrelado por Robert Redford, que anunciou sua aposentadoria após este papel. O ator de 81 anos considerou a produção perfeita para encerrar sua filmografia, mas continuará ativo no desenvolvimento de projetos do Sundance Institute e do Festival de Sundance, que ele criou nos anos 1970. Com direção e roteiro de David Lowery, que dirigiu Redford recentemente em “Meu Amigo, o Dragão” (2016), o longa-metragem conta a história real de Forrest Tucker, famoso assaltante de bancos americanos que fugiu da prisão aos 70 anos de idade e cometeu uma série de assaltos que desafiaram a polícia. O elenco ainda conta com Sissy Spacek (série “Bloodline”), Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar”), Danny Glover (“2012”), Tika Sumpter (“Policial em Apuros”), Elizabeth Moss (série “The Handmaid’s Tale”) e o músico Tom Waits (“Sete Psicopatas e um Shih Tzu”). “The Old Man and the Gun” terá première mundial no Festival de Toronto 2018, chega aos cinemas americanos em 28 de setembro e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Teaser dramático traz Lucas Hedges como filho drogado de Julia Roberts
O estúdio indie Roadside Attractions divulgou o primeiro teaser de “Ben Is Back”, que mostra Julia Roberts (“Extraordinário”) na pele de uma mãe que tem que lidar com o inesperado retorno do filho (Lucas Hedges, de “Manchester à Beira-Mar”) em uma manhã de Natal. A curta prévia mostra que a reunião de família preocupa a irmã do rapaz, vivida por Kathryn Newton (de “Supernatural”). Isto porque Ben, de apenas 19 anos, tem um passado difícil como usuário de drogas. Segundo a sinopse, o drama se desenrola durante 24 horas e testa “o amor incondicional de uma mãe, que faz de tudo para proteger seu filho”. “Ben is Back” tem roteiro e direção de Peter Hedges, pai de Lucas Hedges, que assina seu primeiro filme dramático, após dirigir as comédias agridoces “Do Jeito que Ela é” (2003), “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” (2007) e “A Estranha Vida de Timothy Green” (2012). O elenco também conta com Courtney B. Vance (“American Crime Story”), Tim Guinee (“Elementary”) e a modelo Candace Smith (“America’s Next Top Model”). A première vai acontecer no Festival de Toronto, em 8 de setembro, antes do lançamento em circuito comercial em 7 de dezembro, a tempo de concorrer ao Oscar 2019. Ainda não há previsão de estreia no Brasil.
Ethan Hawke vive roqueiro aposentado em trailer legendado de comédia romântica
A Diamond Filmes divulgou o trailer oficial legendado de “Juliet, Nua e Crua” (Juliet, Naked), disponibilizado há um mês nos Estados Unidos. Trata-se de uma nova comédia romântica adaptada de romance do escritor Nick Hornby. Como na adaptação de “Alta Fidelidade” (2000), a história também envolve um fã obcecado de rock. Mas há uma reviravolta. A idolatria de um homem de meia-idade por um cantor americano obscuro chamado Tucker Crowe, há muito aposentado, leva sua mulher jornalista a escrever uma crítica corrosiva do disco em que o roqueiro tenta voltar à ativa. Para surpresa dela, o próprio Crowe lhe contata por email para parabenizá-la pelo texto. Os dois ficam amigos, mais que amigos, e logo a mulher troca o marido pelo antigo ídolo de quem ele não parava de falar. Este é o provável The end, a se deduzir pelo trailer que, sim, é destes que conta toda a história. O triângulo é vivido por Chris O’Dowd (“O Paradoxo Cloverfield”) como o marido, Rose Byrne (“Vizinhos”) como a mulher e Ethan Hawke (“Boyhood”) como o roqueiro. Escrita e dirigida por Jesse Peretz (“O Ex-Namorado da Minha Mulher”), a comédia estreia já nesta sexta (17/8) nos Estados Unidos. O lançamento no Brasil está marcado para daqui a um mês, em 13 de setembro.
Diretor do novo filme de Jessica Chastain se demite sob pressão dos fãs da atriz
O cineasta australiano Matthew Newton (“From Nowhere”) anunciou que não está mais trabalhando no filme “Eve”, a ser estrelado por Jessica Chastain (“Mama”). O diretor, que também escreveu o roteiro da produção, demitiu-se após pressão dos fãs da atriz nas redes sociais, que verberaram as várias acusações de abuso e violência doméstica que pesam contra ele. Newton se declarou culpado de ter agredido a namorada Brooke Satchwell em 2007. Na época, um psiquiatra testemunhou que o cineasta sofria de depressão e dificilmente voltaria a ser violento, o que ajudou a mantê-lo em liberdade. Desde então, porém, Newton foi acusado de assédio sexual e abuso por várias mulheres, incluindo outra namorada, Rachael Taylor. Em comunicado à imprensa, Newton reconheceu o “poder e importância” dos protestos contra ele. “Eu nunca poderei desfazer o mal que fiz para as pessoas que amei, e carrego essa vergonha comigo todos os dias”, escreveu. “Nos últimos oito anos, eu tenho trabalhado extensivamente com profissionais de saúde mental para me ajudar a superar o vício, a depressão e outros problemas”, continuou. “Nos últimos seis anos, tenho vivido uma vida quieta e sóbria. Tudo o que posso fazer agora é tentar compensar e, espero, contribuir para a mudança positiva que ocorre em nossa indústria.” Chastain foi anunciada como a estrela de “Eve”, descrito como um drama de ação, na semana passada. Ela também entrou como produtora do filme e, na ocasião, assinou um comunicado com sua parceira na Freckle Films, Kelly Carmichael, dizendo: “Matthew é maravilhosamente hábil em criar personagens complexos e relacionáveis. Somos fãs do trabalho dele e estamos muito felizes de ter uma parceria com ele em ‘Eve'”. O projeto pegou muito mal por Chastain ser uma das porta-vozes da iniciativa Time’s Up, que apoia vítimas de abuso sexual. Diversas pessoas também questionaram a conivência da atriz. O estúdio Voltage, que financiaria e distribuiria “Eve”, não se manifestou. A sinopse do filme não chegou a ser divulgada.
Filme de Arlequina pode ter definido seu vilão
O próximo longa da Arlequina, que não será exatamente um filme solo, ganhou seu vilão. Supostamente, porque a informação vem de fontes de Umberto Gonzales, repórter que se especializou em “furos geeks” e seus desmentidos, e arma sua barraquinha atual no site The Wrap. O escolhido teria sido Máscara Negra, um dos adversários que se destacou nos mais recentes quadrinhos do Batman. Criado por Doug Moench e Tom Mandrake em 1985, o Máscara Negra já foi amigo de Bruce Wayne. Antes de se tornar vilão, Roman Sionis era herdeiro de uma empresa de cosméticos de Gotham. Mas teve o rosto desfigurado por uma nova linha de produtos que pretendia lançar e quase foi à falência após a morte de seus pais. Wayne resgatou o amigo comprando sua empresa, mas ele se tornou amargurado e, usando uma máscara construída da madeira do mausoléu dos pais, assumiu a identidade vilanesca. Sua melhor história foi “Jogos de Guerra”, em que roubou planos do próprio Batman para destruir sua concorrência e se tornar o poderoso chefão do crime de Gotham, buscando matar, no processo, os integrantes da família de vigilantes do herói de Gotham. Pesada, a história de 2004 o mostrou torturando a jovem heroína Spoiler, que chegou a ser considerada morta após este encontro. Até recentemente, a produção da Warner era chamada de “Untitled Harley Quinn Girl Gang Movie” (“filme sem título da gangue feminina da Arlequina”, em tradução livre). E, segundo fontes do site The Hollywood Reporter, o projeto seria uma espécie de versão feminina do “Esquadrão Suicida”. Mas novos detalhes surgiram, como o título “Aves de Rapina”(Birds of Prey, em inglês), grupo originalmente formado por Barbara Gordon (como Oráculo e Batgirl), Caçadora e Canário Negro, mas que também já incluiu Katana (presente em “Esquadrão Suicida”), além de algumas vilãs. Segundo rumores, o time principal de “Aves de Rapina” seria formado por Canário Negro, Caçadora, Renee Montoya, Cassandra Cain e Arlequina. O detalhe é que Cassandra Cain se tornou a segunda Batgirl, após Barbara ficar paraplégica num ataque do Coringa – em “A Piada Mortal”. Já Renee Montoya é uma criação da série animada de Batman, assim como Arlequina. Ao fazer sua transição para os quadrinhos, Montoya chegou a adotar a identidade do super-herói Questão, mas no último reboot voltou a ser a parceira do detetive Harvey Bullock na GCPD (polícia de Gotham). Recentemente, o estúdio confirmou Christina Hodson (“Paixão Obsessiva”) como roteirista e a cineasta indie chinesa Cathy Yan (“Dead Pigs”) como diretora. As filmagens devem iniciar no começo de 2019, mas a data de estreia ainda não foi definida.
Atriz de Lady Macbeth vai estrelar o próximo terror do diretor de Hereditário
O diretor Ari Aster, responsável pelo impactante terror “Hereditário”, já começou a preparar seu segundo longa-metragem. E será mais um horror estrelado por uma ótima atriz. Revelação de “Lady Macbeth” (2016), a inglesa Florence Pugh confirmou o projeto durante sua participação no evento da TCA (Associação de Críticos de TV dos Estados Unidos), onde foi divulgar a minissérie “Littler Drummer Girl”. Depois, repercutiu no Twitter sua escalação como protagonista. “Esse papel vai ser incrível… Estou animada, nervosa e mal posso acreditar”, ela escreveu em sua conta da rede social. Veja abaixo. Segundo a revista Variety, o novo filme, ainda sem título oficial, será inspirado pelo clássico “O Homem de Palha” (1973), e mostrará um jovem casal em viagem pelo leste da Europa, onde encontra um bizarro culto pagão que mudará suas vidas para sempre. Além de Florence Pugh, o elenco trará Jack Reynor e Will Poulter (ambos de “Detroit em Rebelião”), William Jackson Harper (série “Good Place”), Ellora Torchia (“Os Cowboys”) e Archie Madekwe (série “Fresh Meat”). O elogiado “Hereditário”, estrelado por Toni Collette, se tornou um hit inesperado para a produtora A24. Feito por pouquíssimo dinheiro, já arrecadou US$ 79 milhões de bilheteria ao redor do mundo e virou o maior sucesso dos seis anos de existência do pequeno estúdio nova-iorquino, que vem se especializando no chamado “novo terror” – também lançou outro marco do gênero, “A Bruxa”, em 2015 – e dramas de prestígio, possuindo até um Oscar de Melhor Filme no currículo – “Moonlight”. And what a role this will be… god am I pumped/nervous/can’t believe this is happening. #smugpug https://t.co/1vJYmwNxXz — Florence Pugh (@Florence_Pugh) July 31, 2018
Ilha dos Cachorros é uma fábula riquíssima e original que só a ousadia de Wes Anderson podia criar
Wes Anderson comprova com “Ilha dos Cachorros” que é uma das vozes mais autônomas do cinema norte-americano na atualidade. Como construtor de um mundo próprio, com uma lógica própria, também não há muitos outros que possamos pôr ao lado dele. David Lynch? Tim Burton? Reconhece-se instantaneamente uma cena de um filme desse texano de Houston. Há uma simetria quase obsessiva nos enquadramentos, setas com marcações entrando e saindo da tela como se tivéssemos dentro do diário de um estudante de artes plásticas, colagens criativas se desdobrando, frases soltas de filosofia pop e literatura. Bastou sete filmes para ele consolidar essa marca e arregimentar um bando de admiradores, mas foi a partir de seu oitavo longa, “O Grande Hotel Budapeste”, que realmente o estilo de Anderson alcançou a plenitude. “Ilha dos Cachorros” é o filme imediatamente posterior. Se em “O Grande Hotel Budapeste” a reverência era ao escritor Stefan Zweig, agora é claramente o George Orwell de “A Revolução dos Bichos”. A diferença é que, em vez de uma fazenda, temos um Japão imaginário feito em stop-motion, e no lugar de galinhas, cavalos e porcos, os protagonistas são cães e gatos. Dá pra levar as crianças? Não. O filme é uma fábula política arrepiante. Uma alegoria sobre corrupção, autoritarismo, num mundo de políticos perversos, que depois de um surto de gripe canina e doenças variadas decidem jogar todos os cães numa ilha. Lá, eles são deixados ao Deus dará, praticam canibalismo, comem lixo e morrem por negligência. Enfim, é a materialização de um pesadelo. Para dar o exemplo, o prefeito de Nomura (uma Tóquio retrô-futurista) nobremente faz o cão de guarda, que deu de presente para seu enteado, Atari, de 12 anos, ser o primeiro cachorro a ser exilado na “Ilha dos Cães”. Desesperado, o menino (dublado por Koyu Rankin) ruma num pequeno aeroplano pra ilha, procurando por “Spots”, seu amado animal de estimação. Atari mal pousa o avião e é recebido por um quinteto de vira-latas assustadores. Os cães vivem um dilema, estão confusos entre a liderança do razoável Rex (Edward Norton) e o implacável Chef (Bryan Cranston, perfeito). “Vamos comer o menino, ou vamos ajuda-lo no ‘resgate’?”, Boss (Bill Murray) quer saber. Trabalhando a partir de uma história que Anderson inventou com Roman Coppola, Jason Schwartzman e o ator/DJ japonês Kunichi Nomura, o filme evoca os sacrifícios do bando de animais desgastados, feridos e famintos em uma peregrinação atrás do menino. Os cinco vira-latas apoiam a empreitada, mas isso não os impedem de se questionar a todo instante, o porquê de apoiar uma criança pertencente à raça que os abandonou. Bela indagação. Ela se instala na cabeça do espectador, agarra-os com força, obriga a paisagem a se abrir em planos inesperados, dotados de ordem e carregados de ameaça. Claro, já tínhamos visto do que o diretor é capaz de realizar com a animação em stop-motion com “O Fantástico Senhor Raposo”, sua divertida adaptação do conto de Roald Dahl em 2009. A técnica e a escola se encaixam perfeitamente ao estilo de Anderson. As minúcias do quadro a quadro se adaptam às suas tendências de controle, a tentativa de afinar todos os aspectos da mise-en-scène, para a arte da própria realidade em um fac-símile simétrico. Por que tentar dobrar um mundo de ação ao vivo para se adequar ao seu plano mestre quando você pode simplesmente criar um inteiramente da sua cabeça? Reunindo-se com o diretor de fotografia do “Senhor Raposo”, Tristan Oliver, bem como com alguns integrantes dos departamentos de animação daquele antigo deleite, “Ilha dos Cachorros” encontra sua graça inesperada, novamente, na colisão entre o adulto e o juvenil: Seus personagens podem ser governados por leis da física dos desenhos animados, desaparecendo nas nuvens de Tex Avery quando se desfazem, mas eles falam, agem e são impassíveis, autoconscientes e neuróticos. Enquanto Atari continua sua jornada na ilha, no continente, uma corajosa e sardenta estudante de intercâmbio americana (Greta Gerwig) descobre uma vasta conspiração corporativa. Ela é a única personagem humana que será claramente compreendida pelos não falantes do japonês; num mundo míope, regido pela malícia frívola dos pronunciamentos, a confusão linguística de Ilha dos Cachorros torna o filme mais engraçado. Grande parte do diálogo japonês não tem legendas, o que, para o público ocidental, gera um estranhamento, e apenas os cães tem os latidos dos cachorros “traduzidos para o inglês”. Tirando o menino e a estudante engajada, não há personagens ricamente desenvolvidos entre os bípedes. Mas entre os quadrúpedes a escala de emoções é maravilhosa. Até mesmo o mais assustador deles, Chef, projeta suas inquietações de forma tocante. Ele avisa: “Eu mordo”, mas há uma ponta de fragilidade no seu cinismo ácido. Quando o menino joga um graveto para Chef buscar, ele adverte: “Eu não vou fazer o que você quer!”. Mas logo em seguida, Chef corre atrás do graveto e o entrega para o garoto. “Ilha dos Cachorros” pode vir da mesma família biológica de “O Fantástico Senhor Raposo”, mas é de uma raça diferente: mais estranha e ambiciosa, mais escura no tom e seguindo uma paleta de cores mais requintada. Esqueça a alegria fofa dos filmes da Disney. Anderson prefere abraçar a qualidade crua da alegria, usando chumaços de algodão como fumaça e o enrugamento do plástico como água. Ele manda pro espaço a busca pelo fotorrealismo, e cria uma ode aos desesperançados. Sim, a direção de arte é limpa, simétrica, mas os bonecos são sujos, frágeis. Estão ali pra acabar com a arrumação. A invenção cosmética se estende ao seu vocabulário visual fluido, Anderson emprega quadros de estilo mangá durante o prólogo expositivo, flerta com animações 2D em estilo anime sempre que seus personagens aparecem em uma tela de televisão e impõe o estilo dos afrescos medievais em pergaminho quando retrocede para os primórdios do folclore nipônico. Pode-se argumentar que o Japão criado aqui é puro kitsch, não muito diferente da visão exótica da Índia que ele ofereceu em “Viagem a Darjeeling” (2007). Mas “Ilha dos Cachorros” não economiza nos acenos culturais, é um inventário completo de saque estético-poético da cultura japonesa em ritmo pulsante. Kurosawa amaria esse filme, principalmente nos trechos heroicos de proezas dos vagabundos (Anderson usa o tema de “Os Sete Samurais”, cada vez que os vira-latas superam uma dificuldade). A encantadora trilha de Alexandre Desplat, aliás, é magnífica. Desplast pontua a ação com tambores das festas de cerejeiras, os taikôs. De fato, há muita coisa para ver em “Ilha dos Cachorros”. Temos um tributo carinhoso e denso, a um Japão antigo e novo, real e irreal, mergulhado em pastiche e inventado a partir do zero. Um filme de esplendor humanista gostoso de ver. Apesar das crueldades que aponta, há um enorme gosto pela vida, uma entrega total aos chamados das ideias e às demandas do conflito humano. E, enfim, um brinquedos de corda meticulosamente trabalhado para golpear o queixo dos líderes corporativos. Anderson nunca tinha atacado o corporativismo capitalista com um petardo tão direto. Aqui, ele indica os cães com sua lealdade, amizade e decência como antidoto contra a natureza perversa do capital. Em “Ilha dos Cachorros”, a camaradagem canina parece se tornar mais íntima e mais terna com a percepção de que somos todos exilados numa margem inóspita da sociedade.
Selena Gomez e Bill Murray surgem ensanguentados nas primeiras fotos de filme de zumbis
Depois de filmar vampiros em “Amantes Eternos” (2013), Jim Jarmusch decidiu dirigir seu primeiro filme de zumbis. Paparazzi flagraram as primeiras movimentações no set da produção, que começou a ser filmada neste fim de semana em Nova York. E não falta sangue na roupa do elenco. Veja abaixo. Intitulado “The Dead Don’t Die” (os mortos não morrem, em tradução literal), o longa voltará a reunir Jarmusch com dois de seus antigos protagonistas: Bill Murray, estrela de um dos melhores trabalhos do diretor, “Flores Partidas” (2005), e Adam Driver, astro de seu filme mais recente, “Paterson” (2016). O elenco ainda inclui Chloe Sevigny (que também apareceu em “Flores Partidas”), Austin Butler (série “The Shannara Chronicles”) e a popstar Selena Gomez (“Spring Breakers”). Por curiosidade, Butler já tinha contracenado com Selena na série “Os Feiticeiros de Waverly Place”. Todos os cinco atores aparecem nas primeiras fotos obtidas das filmagens. O próprio Jarmusch assina o roteiro, que ainda não teve sua sinopse revelada, mas que Murray chamou de “hilário” numa entrevista ao site Philly.com. “Jim Jarmusch escreveu esse roteiro hilário e temos um elenco incrível… Eu preciso te dizer: é um filme de zumbis, mas eu não interpreto um”, contou Murray, que, por sinal, já tinha feito uma comédia de zumbis antes: “Zumbilândia”, no qual interpretou a si mesmo. “The Dead Don’t Die” deve chegar aos cinemas em 2019.
Ethan Hawke vive roqueiro aposentado em trailer de comédia romântica
A Roadside Attractions divulgou o pôster e o trailer de “Juliet, Naked”, comédia romântica que adapta o livro homônimo de Nick Hornby. Como na adaptação de “Alta Fidelidade” (2000), a história também envolve um fã obcecado de rock. Mas há uma reviravolta. A idolatria de um homem de meia-idade por um cantor americano obscuro chamado Tucker Crowe, há muito aposentado, leva sua mulher jornalista a escrever uma crítica corrosiva do disco em que o roqueiro tenta voltar à ativa. Para surpresa dela, o próprio Crowe lhe contata por email para parabenizá-la pelo texto. Os dois ficam amigos, mais que amigos, e logo a mulher troca o marido pelo antigo ídolo de quem ele não parava de falar. The end, e tudo está no trailer. Que, sim, é destes que conta toda a história. O triângulo é vivido por Chris O’Dowd (“O Paradoxo Cloverfield”) como o marido, Rose Byrne (“Vizinhos”) como a mulher e Ethan Hawke (“Boyhood”) como o roqueiro. Escrita e dirigida por Jesse Peretz (“O Ex-Namorado da Minha Mulher”), a comédia estreia em 17 de agosto nos Estados Unidos e não tem previsão de lançamento no Brasil.
Hereditário é um dos grandes filmes de terror deste século
O cineasta estreante Ari Aster inicia “Hereditário” como um filme sobre luto, sobre como qualquer família jamais será a mesma após a morte de um ente querido. Com esse clima de dor no ar, ele adiciona mais um tema na trama: como herdamos os demônios de nossos pais e não conseguimos fugir disso. Mas o que parece um drama, aos poucos revela suas entranhas de filme de terror. Toda a primeira metade de “Hereditário” trata esse horror de forma metafórica, abordando cada ponto que despedaça uma família após o falecimento de sua matriarca (fato explicado no primeiro frame na forma de obituário), incluindo uma tragédia, que é a melhor cena do filme, e que você jamais esquecerá. A linha tênue entre os gêneros faz com que ambos se complementem e é muito bem conduzida pelo jovem diretor, de apenas 31 anos. Ele aposta 100% no talento de Toni Collette como Annie, que entrega provavelmente sua melhor performance desde “O Sexto Sentido”. Aliás, pode-se até fazer um paralelo entre os dois filmes, imaginando Collette como a mesma mãe quase duas décadas após o longa que tirou da obscuridade o cineasta M. Night Shyamalan. Há uma cena especialmente dramática durante um jantar, em que a protagonista desabafa contra o filho adolescente, Peter (Alex Wolff), que é mais assustadora que qualquer cena de horror do filme e serve muito bem para ilustrar qualquer indicação de Collette a prêmios de Melhor Atriz. Ela só é menos assustadora que a cena trágica já mencionada, mas a atriz se converte num terror em forma de mulher nesse momento. Vale esmiuçar a tal cena trágica, ainda que sem revelar muito, para destacar sua construção. Há uma morte inesperada. Ari Aster corta o violento fragmento de segundo e foca imediatamente no rosto de Alex Wolff, que reage com espanto ao mesmo tempo em que a ficha insiste em não cair. A câmera não sai de seu rosto nem mesmo quando a personagem vivida por Collette encontra o corpo e grita com todo o horror do mundo nas costas. Tudo isso ocorre num ambiente escuro e, de repente, Aster corta sem dó para a luz do dia com a câmera grudada numa parte do corpo que jamais imaginamos que seria mostrada. É horrível (no bom sentido) e um exemplo perfeito de como o explícito pode tomar conta do filme após uma antecipação muito bem construída pelo implícito. Sinal de surgimento de um novo grande diretor. Aster ainda reafirma que veio para ficar com outras transições impecáveis. Há uma cena elegante em que o rosto da filha mais nova, Charlie (a incrível Milly Shapiro, com seu tique clássico desde já), é substituído pela face da mãe quando uma luz estoura na tela. Também há outra parte em que Peter está sentado na cama e, num piscar de olhos, Aster corta a situação para o rapaz sentado na cadeira da sala de aula. Perspectiva é mais uma parte do show. Por exemplo, o detalhe da maquete da casa onde se passa 90% do filme, que faz alusão a uma força externa que manipula quem está lá dentro. Enquadramentos geniais também, como a cena em que Peter acorda no meio da madrugada e fica sentado em sua cama. Do lado de cá da tela, nossos olhos se esforçam para identificar um vulto ao fundo e, quando confirmamos que realmente algo está ali, a reação é de gelar a alma. Não se pode esquecer que nada disso seria ressaltado se Aster não dominasse a habilidade de contar bem uma história. Sucesso que passa pelo espectador disposto a embarcar numa viagem sem volta rumo ao inferno, pois uma vez que o diretor admite o sobrenatural na trama, ele pede para que a lógica seja desligada na hora em que tentamos ligar os pontos da trama. Claro que podemos entender o sobrenatural como o clímax sem esperança para a inevitável desestruturação de uma família traumatizada. Mas não ignore o que seus olhos finalmente estão vendo: as pistas estão todas em seus devidos lugares e ajuda muito fazer uma segunda sessão de “Hereditário”, um terror que se inspira mais no medo do desconhecido do que nos sustos fáceis. Por isso mesmo, jamais será um filme popular, mas tem tudo para figurar entre os grandes do gênero neste século, como um sucessor direto de clássicos como “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista”, “A Profecia” e “O Iluminado”.
O Quebra-Cabeça: Dona de casa encontra diversão no trailer legendado de drama indie
A Sony divulgou o pôster e o trailer legendado de “O Quebra-Cabeças”, remake do drama argentino “Rompecabezas” (2009), que rendeu à diretora Natalia Smirnoff o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cartagena. A versão americana conta a mesma história: uma dona de casa sobrecarregada encontra momentos de prazer ao resolver quebra-cabeças e resolve atender ao anúncio de um homem que procura uma parceira para uma competição de quebra-cabeças, apesar dos protestos do marido, que a acusa de negligenciar seus afazeres domésticos por uma brincadeira. O elenco internacional destaca a escocesa Kelly Macdonald (“T2 Trainspotting”) como a protagonista, o indiano Irrfan Khan (“Jurassic World”) como seu parceiro, o americano David Denman (“13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”) como o marido, além da australiana Liv Hewson (série “Santa Clarita Diet”) e Austin Abrams (“Cidades de Papel”) como os filhos. A trama foi adaptada pelo roteirista Oren Moverman (“The Beach Boys: Uma História de Sucesso”) e é dirigida por Marc Turtletaub, mais conhecido por produzir dramas indies (entre eles, “Pequena Miss Sunshine”) e a série “Vida”. A estreia está marcada para 1 de novembro no Brasil, três meses após o lançamento nos Estados Unidos.
Animação Ilha de Cachorros finalmente ganha primeiro trailer legendado em português
A Fox finalmente divulgou o trailer legendado em português de “Ilha de Cachorros” (Isle of Dogs), a nova animação do cineasta Wes Anderson (“O Grande Hotel Budapeste”), que abriu o Festival de Berlim em fevereiro e foi lançada há dois meses nos cinemas norte-americanos. Elogiadíssima, tem 89% de aprovação no Rotten Tomatoes e deve disputar o Oscar na categoria de Animação, mas está sendo tratada com tanto descaso pelo estúdio no Brasil, que só chegará aqui após seu lançamento em Blu-ray nos Estados Unidos. “Ilha de Cachorros” é a segunda animação da carreira de Anderson, após “O Fantástico Sr. Raposo” (2009). Bastante detalhista, a trama apresentada em stop-motion se passa num futuro distópico após uma epidemia de gripe canina levar um político corrupto a isolar todos os cachorros numa ilha do Japão, onde eles precisam lutar por restos de comida no lixo. Isto não impede um garotinho de ir até a ilha para tentar resgatar seu animalzinho de estimação. Sensibilizados, os demais cachorros resolvem ajudá-lo na busca. O problema é que, como eles falam inglês, não entendem o que diz o menino japonês. O elenco de vozes é repleto de estrelas, como de costume nos filmes de Anderson, incluindo alguns parceiros habituais do diretor, como Bill Murray, Edward Norton, Tilda Swinton, Jeff Goldlum, Frances McDormand e Bob Balaban, mas também novidades, como Bryan Cranston (da série “Breaking Bad”), Scarlett Johansson (“Os Vingadores”), Greta Gerwig (“Frances Ha”), Liev Schreiber (série “Ray Donovan”) e diversos astros japoneses, como Ken Watanabe (“A Origem”), Kunichi Nomura (“Encontros e Desencontros”), Akira Ito (“Birdman”), Akira Takayama (“Neve Sobre os Cedros”) e até a cantora Yoko Ono. Como a Fox disponibilizou o trailer legendado, o público provavelmente poderá ouvir as vozes originais nos cinemas nacionais. A estreia está marcada no país para 19 de julho.
Cristiana Oliveira vive romance lésbico em clipe de Dani Vellocet
A cantora Dani Vellocet, uma das melhores vozes do novo pop brasileiro, lançou o clipe de “A Rainha e o Leão”, que chama atenção pela presença de Cristiana Oliveira. A atriz que estourou nos anos 1990, durante a febre da novela “Pantanal”, vive um romance lésbico numa pista de patinação, numa encenação de visual glitter e retrô. Mas a historinha de amor tem uma guinada de thriller, quando um homem assedia sua namoradinha, interpretada pela bela Julia Konrad (atualmente em cartaz nos cinemas em “Paraíso Perdido”). Curiosamente, Cristiana já tinha interpretado lésbicas em dois trabalhos televisivos, sendo um deles a novela “Insensato Coração”, mas, como a TV brasileira é ultraconservadora, nunca havia trocado carinhos com outra atriz em cena como no clipe. O vídeo tem direção e edição de J. Brivilati, destaque do meio publicitário brasileiro, que conta com quatro leões de Cannes no currículo. Terceiro single de Dani Vellocet, “A Rainha e o Leão” inspirou o tema dos anos 1980 do clipe com uma melodia que evoca a época, com direito até a solo de saxofone. Segundo a cantora santista, a letra é autobiográfica e remete à sua chegada em São Paulo. Multitalentosa, ela também assina o roteiro.











