Sindicato dos Roteiristas ameaça nova greve uma década após parar Hollywood
Dez anos após paralisarem Hollywood, os roteiristas americanos estão ameaçando entrar em nova greve. Em 2007, eles cruzaram os braços por 100 dias, comprometendo a produção de séries e filmes. E este ano as negociações não estão avançando. A Aliança de Produções Televisivas e Cinematográficas (AMPTP), representante dos estúdios e produtoras, e o Sindicato dos Roteiristas da América (WGA) estão disputando inúmeras questões, desde o aumento de salário até benefícios trabalhistas. Se não entrarem em acordo até 1º de maio, uma nova greve será inevitável. Os roteiristas querem, basicamente, ganhar mais. Segundo alegam, a indústria de entretenimento lucrou US$ 51 bilhões no ano passado e não precisa ser tão gananciosa. As produtoras rebatem, mostrando que a ganância é do sindicato. A quantidade de séries no ar atualmente é absurda, portanto não faltam empregos, e a disputa pelos melhores roteiristas tem levado a aumentos salariais. De acordo com relatório divulgado pelo canal FX, foram exibidas 455 séries em 2016, a maior quantidade em todos os tempos. O sindicato retruca que se aumentaram as séries, diminuíram os episódios. Atualmente, o salário mínimo dos roteiristas tem como base o trabalho em séries de 22 episódios por temporada, que estão cada vez mais escassas. Canais pagos e serviços de streaming estão estimulando até as redes a optarem por séries mais curtas, entre 10 e 13 episódios, que rendem aos roteiristas metade do salário-base. Ao contrário do que alegam as produtoras, a proliferação de séries também rendeu queda nas receitas por aumentar a concorrência. Há sempre alguém disposto a fazer o mesmo serviço por pagamento menor. De acordo com o WGA, a renda de um roteirista de nível médio caiu 23% de 2015 para cá (o salário anual médio é de cerca de US$ 195 mil). Outro ponto em discussão é a ascensão da Netflix e da Amazon, que não entraram na pauta em 2007. Com um volume grande de produções, ambas tem lançado uma grande quantidade de séries. Mas seu modelo de trabalho é diferente dos concorrentes, e a longo prazo rende menos. Isso acontece porque as plataformas de streaming não licenciam suas produções. Ao contrário das grandes redes, que após a exibição das séries vendem os episódios para canais de TV paga dos próprios Estados Unidos, de outras partes do mundo e para plataformas de streaming, as séries da Netflix e da Amazon são distribuídas no mundo inteiro pelas próprias companhias, sem render percentual extra algum para os roteiristas, como acontece nas negociações das redes. A WGA alega que os roteiristas recebem uma parte ínfima do caminhão de dinheiro despejado pela Netflix e Amazon nas produtoras e estúdios. Por isso, uma das prioridades da nova rodada de negociações sindicais é fazer com que os estúdios mudem e aumentem a taxa de repasse. Os estúdios, desta vez, podem se mostrar menos intransigentes, uma vez que a paralisação de dez anos atrás provocou um prejuízo de US$ 2,1 bilhões para o Estado da Califórnia, onde se concentra boa parte da indústria de entretenimento. Cerca de 37 mil pessoas perderam emprego, segundo relatório do instituto de pesquisa Milken. Na época, os estúdios não resistiram à pressão e acabaram cedendo, inclusive tendo que enfrentar o engajamento de atores conhecidos, que se juntaram aos piquetes. Por conta daquela greve, a maioria das séries de 2007 teve temporadas abreviadas ou estreia adiada, rendendo grandes prejuízos, mas também fazendo proliferar os reality shows. A principal consequência foi o nascimento de “Keeping up with the Kardashians”, que popularizou a família mais famosa da era dos reality shows.
Sindicato dos Atores de Hollywood entra em greve contra a indústria dos games
O Sindicato dos Atores dos Estados Unidos e a Associação Americana de Artistas de Rádio e TV, mais conhecidos pela sigla SAG-Aftra, decretaram greve na sexta-feira (21/10), paralisando todos os trabalhos em andamento para a indústria dos videogames. A decisão ocorreu depois de 19 meses de negociação, sem avançar na discussão de melhores salários, condições de trabalho e sindicalização dos artistas contratados para participar de games. O impasse ocorre no momento em que as empresas desenvolvedoras de games têm, cada vez mais, contratado atores profissionais para captar movimentos e expressões, fazer dublagens ou até mesmo ceder seus direitos de imagem para criar personagens a partir de astros populares. Segundo o site Deadline, embora o mercado tem crescido com participações de artistas como Kiefer Sutherland, Kevin Spacey, Neil Patrick Harris, Mila Kunis, Ellen Page, Christopher Walken, Liam Neeson, John Goodman e Martin Sheen, entre outros, apenas 25% dos jogos contratam artistas sindicalizados. Entre as reivindicações feitas pelo SAG-Aftra, estão a participação no lucro dos jogos de sucesso comercial, melhores condições de dublagem, com redução das sessões de gravação sem perda de remuneração. Segundo os atores, as dublagens têm demandado cada vez mais esforços e há relatos de desmaios durante as sessões, profissionais vomitando e perdendo a voz por um dia até várias semanas. O relato apocalíptico, entretanto, fica hollywoodiano quando se repara que atualmente a carga de trabalho é de 4 horas por dia e o sindicato quer que ela se torne apenas 2 horas – “sem perda de remuneração”. A transparência nos contratos é outra reivindicação. O sindicato afirma que os atores são mal informados sobre o projeto que irão trabalhar e que há relatos de profissionais que, durante a sessão de trabalho, são solicitados a gravarem cenas de sexo simulado e insultos raciais, sem um consentimento prévio. Com a greve, grandes empresas são atingidas, como a Disney, Warner Bros., Blizzard, EA (Electronic Arts), Activision e Take Two. As companhias de games tentaram negociar outros termos, mas o SAG-Aftra não aceitou. A paralisação afeta grandes produções da indústria. Afinal, os jogos mais sofisticados levam anos para serem feitos e chegar ao mercado, e empregam um grande número de atores durante o processo de desenvolvimento. “É uma questão de justiça e da capacidade dos artistas para sobreviver nesta indústria”, diz um documento escrito pelas duas associações. A greve iniciada no fim de semana será a maior paralisação de Hollywood desde a greve do WGA, o Sindicato dos Roteiristas dos EUA, que durou cerca de 100 dias, entre 2007 e 2008, afetando várias séries, que tiveram temporadas encurtadas e até mudanças nas tramas, além de adiamentos na produção de filmes. Na época, o jornal The New York Times estimou que aquela greve gerou prejuízos de US$ 2 bilhões à economia de Los Angeles.

