“A Mulher Rei” e “Não se Preocupe, Querida” chegam aos cinemas
A programação de cinema desta quinta (22/9) registra estreias fortes, com destaque para “A Mulher Rei”, protagonizado por Viola Davis, que tem o lançamento mais amplo em 900 salas, e “Não se Preocupe, Querida”, estrelado por Florence Pugh e o cantor Harry Styles. Davis veio ao Brasil promover seu filme, chamando atenção até no “Fantástico”, enquanto o outro longa tem o chamariz de Styles e de muitas fofocas de bastidores – o cantor começou a namorar a diretora Olivia Wilde durante as filmagens, supostamente criando um climão. O circuito também recebe o filme “Eike – Tudo ou Nada”, sobre o ex-bilionário brasileiro Eike Batista, e o relançamento de “Avatar”, além de sete estreias limitadas – incluindo a adaptação de “O Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector. Confira abaixo todos os 11 títulos que chegam às telas. | A MULHER REI | O épico de ação traz Viola Davis (“O Esquadrão Suicida”) como líder de um exército de guerreiras africanas do século 19 – que foram a inspiração real das guerreiras Dora Milaje dos quadrinhos e filmes do “Pantera Negra”. Durante dois séculos, as Agojie defenderam o Reino de Daomé, uma das nações africanas mais poderosas da era moderna, contra os colonizadores franceses e as tribos vizinhas que tentavam invadir o país, escravizar seu povo e destruir tudo o que representavam. O filme tem direção de Gina Prince-Bythewood (“The Old Guard”) e se concentra na relação da general Nanisca (Davis) e uma guerreira ambiciosa, Nawi (Thuso Mbedu, de “The Underground Railroad”), enquanto lutam lado a lado contra as forças coloniais. O elenco ainda destaca Lashana Lynch (“007 – Sem Tempo Para Morrer”), a cantora Angélique Kidjo (“Arranjo de Natal”), Hero Fiennes Tiffin (“After”) e John Boyega (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) como o rei de Daomé. Elogiadíssimo, atingiu 95% de aprovação entre a crítica do Rotten Tomatoes e um raro A+ entre o público americano no CinemaScore, além de ter liderado as bilheterias em sua estreia nos EUA no fim de semana passado. | NÃO SE PREOCUPE QUERIDA | O segundo longa dirigido por Olivia Wilde (após “Fora de Série”) tem uma ambientação similar a do clássico “As Esposas de Stepford” (1975), com esposas levando vidas domésticas confortáveis num subúrbio isolado do deserto da Califórnia. Entretanto, a aparente vida perfeita dos casais e seus vizinhos tem uma condição: o segredo absoluto do trabalho dos maridos. Ninguém fala sobre o misterioso Projeto Vitória, que estaria “mudando o mundo”. Mas sinais de que algo está errado são cada vez mais evidentes, com pesadelos, apagões e coincidências marcando a vida das mulheres. E quando a personagem de Florence Pugh (“Viúva Negra”) começa a questionar tudo, não é apenas seu casamento com Harry Styles (“Dunkirk”) que fica em risco. O elenco ainda destaca Chris Pine (“Mulher-Maravilha”), Gemma Chan (“Eternos”), Nick Kroll (“Nossa Bandeira é a Morte”), Kiki Layne (“Um Príncipe em Nova York 2”) e a própria Olivia Wilde. Apesar do talento envolvido, a produção tem dado mais o que falar por seus bastidores, de supostas brigas e intrigas, que pelo resultado apresentado na tela. A crítica americana torceu o nariz, fazendo o longa atingir apenas 35% de aprovação no Rotten Tomatoes. | EIKE – TUDO OU NADA | A dramatização da ascensão e queda do empresário Eike Batista, ex-bilionário que já foi o homem mais rico do Brasil e o sétimo mais rico do mundo, percorre os altos e baixos de sua trajetória, incluindo a criação da petroleira OGX e os escândalos que o fizeram perder a fortuna. Conhecido principalmente por papéis em humorísticos, Nelson Freitas (“Socorro, Virei uma Garota!”) surpreende no papel principal. Ele é o grande achado do filme, ao aparecer transformado em cena — quase uma encarnação de Eike. Carol Castro (“Maldivas”) como Luma de Oliveira é outro ponto alto. Entretanto, o roteiro entrega uma produção ingênua, sem o cinismo e a crítica contundente que o personagem merecia. Baseado no livro homônimo da jornalista Malu Gaspar, o filme é assinado em dupla por Andradina Azevedo e Dida Andrade (“30 Anos Blues”). | AVATAR | A superprodução de maior bilheteria de todos os tempos volta aos cinemas com cenas inéditas. A já bem conhecida trama acompanha a colonização de Pandora, lua habitado pelos Na’vi, uma raça humanoide de cultura totalmente desconhecida, que intriga cientistas, mas atrapalha planos de militares. O relançamento é parte da campanha de recordação da franquia, preparando o lançamento de sua continuação, “Avatar: O Caminho da Água”, que é esperada para dezembro. No exterior, a projeção teve direito, inclusive, à cena inédita do segundo filme. | O SEGREDO DE MADELEINE COLLINS | O suspense hichcockiano de Antoine Barraud (“Le Dos Rouge”) traz Virginie Efira (“Benedetta”) como uma mulher com duas identidades. Ela tem dois filhos na França, uma filha na Suíça e um amante em cada um desses lugares. Quando esses dois mundos se conectam por acaso, seus segredos começam a desmoronar. Elogiadíssimo pela crítica internacional, tem 92% de aprovação no Rotten Tomatoes. | O PERDÃO | A vida de uma mãe viúva vira de cabeça para baixo quando descobre que seu marido era inocente do crime pelo qual foi executado pela Justiça intransigente de seu país. Empobrecida e tendo que sustentar sozinha sua casa, ela inicia uma batalha contra autoridades cínicas, sofrendo recriminações de vizinhos conservadores por aceitar a visita de um estranho, que diz querer ajudá-la como amigo do marido morto – escondendo seu remorso por ter sido quem causou a morte dele. O excelente drama de Maryam Moghadam e Behtash Sanaeha faz um forte denúncia contra o regime iraniano, tem 89% de aprovação no Rotten Tomatoes e foi premiado nos festivais de Zurique (Suiça) e Valladolid (Espanha). | DESTERRO | Documentarista e roteirista premiada, Maria Clara Escobar (“Os Dias com Ele”) estreia na direção de ficção com este longa, que teve sua première internacional no Festival de Roterdã, na Holanda. A trama gira em torno da angústia existencial de Laura (Carla Kinzo, de “Quanto Eu Era Vivo”), que se sente presa num casamento sem afetividade. Desconfortável, decide largar marido e filho e seguir uma jornada pessoal sem rumo. Na estrada, ela se depara com situações imprevisíveis e outras histórias de vida que vão reconfigurar suas próprias ideias. | O LIVRO DOS PRAZERES | A adaptação da obra de Clarice Lispector acompanha uma professora livre e melancólica, que vive um rotina solitária e monótona, com relacionamentos casuais. Até que se apaixona e começa a enfrentar sua solidão. O livro original é um clássico de 1969. Estrelada por Simone Spoladore, a adaptação é marcada por diálogos poéticos, mas é preciso reconhecer o esforço realizado pela diretora Marcela Lordy (“Turma da Mônica: A Série”) para transformar reflexões existenciais numa trama cinematográfica. | CORDIALMENTE TEUS | O longa de Aimar Labaki (“O Jogo das Decapitações”) é uma antologia que reúne 10 histórias diferentes, de décadas e até séculos distintos, em torno da violência que marca as relações no Brasil. Uma revolta de escravos numa fazenda de café, a tortura de um índio, o sequestro de um embaixador, judeus se escondendo da Inquisição, uma torturada que revê seu torturador na plateia para a qual conta o crime cometido por ele, pai e filho conversando durante a 2ª Guerra, uma viúva que perdeu tudo na Encilhada e é forçada a se casar e perder a liberdade, etc. | OS OSSOS DA SAUDADE | O documentário de bela fotografia traz paisagens marcantes, que ilustram narrações de pessoas de diferentes nacionalidades. Elas compartilham a língua portuguesa e sentimentos de ausência e distância, espalhadas por Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde. É descrito como uma “viagem pelos territórios da memória, da representação e do pertencimento”. | ACAMPAMENTO INTERGALÁCTICO | O filme infantil traz Ronaldo Souza (um pouco velho para esse tipo de papel) e sua irmã num acampamento para crianças, onde descobrem um alienígena malvado com planos malignos. Assim, decidem cantar, dançar e sobreviver a piadas de flatulência para salvar o mundo. A direção é de Fabrício Bittar, do infame “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola” (2017).
Cinemas lotam e lucram com ingressos a R$ 10
A promoção de ingressos a R$ 10 resultou no terceiro maior público de cinema do ano. Mais de 2 milhões de espectadores compraram ingressos no fim de semana, rendendo mais de R$ 20,5 milhões para os filmes mais assistidos, segundo levantamento da Comscore. O aumento de frequência chegou a 244%, além de 85% na arrecadação, em comparação ao final de semana anterior, quando foi reportado o público mais baixo do ano – inferior a 500 mil pessoas. Criada justamente para atrair o público de volta, a “Semana do Cinema”, com ingressos baratos e descontos em combos, mostrou o óbvio: o preço do cinema está alto na comparação com o streaming e afasta espectadores. Com ingressos mais acessíveis, foi possível lotar salas e arrecadar uma das maiores bilheterias do ano, com a diferença crucial disto acontecer num fim de semana sem blockbusters – detalhe: o próximo arrasa quarteirões está programado só para o final de outubro! Quem se beneficiou com a iniciativa foi a estreia de “Órfã 2: A Origem”, que atraiu cerca de 863 mil espectadores e arrecadou R$ 9,4 milhões. O filme “Ingresso para o Paraíso”, que liderava o ranking da semana passada, ficou em 2º lugar, mas com mais público que no levantamento anterior – 229 mil pessoas, um salto de 87%! Para fechar o Top 10, o terror “Não! Não Olhe!” teve 171 mil espectadores e renda de R$ 1,9 milhões. Os preços promocionais da “Semana do Cinema” continuam apenas até quarta-feira (21/9). #SemanaDoCinema já levou + 2 milhões de espectadores ao #cinema neste final de semana. A promoção continua até dia 21 de setembro em diversas salas de #cinema em todo território nacional. Os #ingressos para qualquer #filme custam R$10,00. #partiucinema pic.twitter.com/tqX82KLPjL — Comscore Movies BRA (@cSMoviesBrazil) September 19, 2022
Estreias: 10 filmes novos pra ver em casa
A programação de estreias da semana marca a chegada da animação blockbuster “DC Liga dos Superpets” às locadoras digitais e duas ótimas comédias adolescentes exclusivas ao streaming. A lista de destaques inclui ainda diversos dramas europeus para cinéfilos e, para quem quiser arriscar, um remake horroroso de terror. Confira abaixo 10 filmes novos para ver em casa. | DC LIGA DOS SUPERPETS | VOD* A animação focada em Krypto, o supercão dos quadrinhos da DC, acompanha um grupo de pets que ganham superpoderes e se juntam para salvar o mundo, enquanto Superman está em apuros. A história conta uma origem bem diferente para a maioria dos personagens, mas pouco importa, porque o tom é de comédia escrachada, que faz graça até com a seriedade de Batman – dublado por Keanu Reeves (“Matrix”) em inglês. A vantagem do lançamento em streaming é o opção de assistir no idioma original, já que o elenco de vozes é espetacular, com destaque para Dwayne “The Rock” Johnson (da franquia “Jumanji”) como a voz de Krypto, John Krasinski (“Um Lugar Silencioso”) como Superman, Marc Maron (“GLOW”) como o vilão Lex Luthor, Olivia Wilde (“Tron: O Legado”) como Lois Lane e Kevin Hart (também de “Jumanji”) como a voz de Ace, o cachorro que nos quadrinhos dos anos 1950 foi o bat-cão de Batman. Roteiro e direção são de Jared Stern (roteirista de “Lego Batman: O Filme”) e Sam Levine (da série animada “Penn Zero: Quase Herói”). Detalhe: já disponível nas locadoras digitais, o filme teve o lançamento atrasado na HBO Max, onde só vai chegar em 26 de setembro. | JUSTICEIRAS | NETFLIX Maya Hawke (“Stranger Things”) e Camila Mendes (“Riverdale”) se juntam numa vingança nesta comédia, que é basicamente o que aconteceria se John Hughes (“Clube dos Cinco”) refilmasse o clássico “Pacto Sinistro”, adaptação de romance de Patricia Highsmith dirigida por Alfred Hitchcock em 1951. Isto é um baita elogio. O filme acompanha a união inesperada entre a ex-garota mais popular (Mendes) de uma escola particular e uma aluna lésbica (Hawke) para enfrentar quem as humilhou. A estratégia consiste em juntar forças para acabar com os inimigos de cada uma. Para isso, elas trocam os alvos entre si, visando pegá-los desprevenidos. Roteiro e direção são de Jennifer Kaytin Robinson, uma das roteiristas de “Thor: Amor e Trovão”, que estreou como diretora com outra comédia adolescente, “Alguém Especial” (2019), também distribuída pela Netflix. E vale destacar que os coadjuvantes são bem conhecidos de outras séries – Jonathan Daviss (“Outer Banks”), Alisha Boe (“13 Reasons Why”), Rish Shah (“Ms. Marvel”), Maia Refico (“Pretty Little Liars: Um Novo Pecado”), Austin Abrams (“Euphoria”) e Sophie Turner (“Game of Thrones”). | HONOR SOCIETY | PARAMOUNT+ Mais uma divertida comédia teen com boas influências. A referência aqui é “Eleição” (1999), com Angourie Rice (“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”) evocando Tracy Flick, a personagem icônica de Reese Witherspoon. Na trama, a atriz australiana vive uma jovem obcecada em entrar na Universidade de Harvard, uma das melhores dos EUA. Disposta a fazer o que for preciso para conseguir uma carta de recomendação do conselheiro da escola (Christopher Mintz-Plasse, de “Kick Ass”) e superar a concorrência, ela elabora um plano para derrubar seus três principais rivais. Tudo começa a dar errado quando ela se apaixona pelo favorito à vaga, ainda que ele não seja exatamente o Príncipe Encantado, mas o Dustin de “Stranger Things” – ou melhor, o ator Gaten Matarazzo. | DRIFTING HOME | NETFLIX O belo anime de Hiroyasu Ishida (“Estrada do Pinguim”) conta uma história dramática com elementos de fantasia. Quando um grupo de adolescentes invade um prédio aparentemente abandonado, uma tempestade inunda a região e faz o edifício flutuar, ficando à deriva entre outros prédios-embarcações. Relacionamentos são postos à prova na luta pela sobrevivência. | OS AMORES DELA | VOD* O primeiro filme de Charline Bourgeois-Tacquet teve première em Cannes, foi premiado em Melbourne e atingiu 91% de aprovação no Rotten Tomatoes com um triângulo amoroso típico do cinema francês, mas apresentado de forma atípica. A atriz Anaïs Demoustier (“Alice e o Prefeito”) interpreta uma mulher de 30 anos falida e em crise amorosa, que um dia conhece um homem casado que imediatamente se apaixona por ela. O detalhe é que a esposa do novo amante é uma escritora famosa (Valeria Bruni Tedeschi, de “Loucas de Alegria”), de quem Anaïs é fã declarada e por quem se sente totalmente atraída, criando uma confusão conjugal. | GAROTA INFLAMÁVEL | VOD* O drama alemão gira em torno de uma garota mimada (Natalia Belitski, da série “Perfume”) que segue duas regras: sempre usar luvas e nunca fazer nada. Não trabalha, não estuda, não tem amigos. Nem se importa. E esse niilismo faz com que também não se importe com os outros, cometendo atos perigosos, que a levam a ser detida e ter acompanhamento médico. Durante seu tratamento, uma enfermeira da sua idade, mãe de uma criança, resolve confrontá-la. Mas, ao mesmo tempo, sofre sua influência, num contato que leva as duas ao limite dos seus respectivos mundos. | UM PEQUENO GRANDE PLANO | VOD* O astro Louis Garrel (“O Formidável”) dirige e estrela essa comédia francesa sobre pais de uma criança sensível, que decide vender vários objetos de valor da família para salvar o planeta. Vendo que a determinação do garoto é séria, sua mãe (Laetitia Casta, de “O Que as Mulheres Querem”) resolve acompanhá-lo em sua missão na África. | PARIS, 13º DISTRITO | MUBI Filmado em preto e branco pelo premiado cineasta Jacques Audiard (Palma de Ouro em Cannes por “Dheepan: O Refúgio”), a trama se passa no bairro parisiense de Les Olympiades (a maior “Chinatown” da Europa) e é um drama de encontros românticos. Emilie (Lucie Zhang) encontra Camille (Makita Samba), que se sente atraído por Nora (Noémie Merlant, de “Retrato de uma Jovem em Chamas”), que acaba cruzando com Amber (Jehnny Beth, de “Um Amor Impossível”). Três garotas e um garoto do novo milênio, que são amigos e às vezes amantes, e frequentemente as duas coisas. Os dois atores iniciantes do elenco, Zhang e Samba, foram indicados ao César (o Oscar francês) como Revelações do ano, e a trilha sonora do músico eletrônico Rone foi premiada no Festival de Cannes. | EUROPA | FILMICCA O filme de Haider Rashid (“Tangled Up in Blue”) é uma correria intensa, que segue Kamal, um imigrante que fugiu do Iraque para tentar entrar na “Fortaleza Europa”, mas se depara com mercenários na fronteira turco-búlgara, que estão caçando implacavelmente famílias de refugiados. Sozinho na floresta, Kamal mal tem chance de respirar. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, o filme foi a indicação do Iraque para representar o país na busca de uma vaga no Oscar 2022. | GOODNIGHT MOMMY | AMAZON PRIME VIDEO O remake americano de “Boa Noite Mamãe”, terror austríaco lançado em 2014, traz os gêmeos Cameron e Nicholas Crovetti (que enlouqueceram Nicole Kidman em “Big Little Lies”) aterrorizando Naomi Watts (“A Série Divergente: Convergente”). O filme gira em torno da reação dos irmãos à volta de sua mãe para casa – uma propriedade rural afastada – , após passar por uma cirurgia estética. O rosto coberto por curativos faz os meninos desconfiarem de que aquela não é realmente sua mãe. Há 20 anos, Naomi Watts estrelou um bom remake de terror, “O Chamado”. Não é o caso dessa refilmagem, bem menos perturbadora que o original – que por coincidência sumiu das locadoras digitais. Trata-se do filme mais fraco da lista. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Claro TV+, Google Play, Loja Prime, Microsoft Store, Vivo Play e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
“Orfã 2” tem estreia mais ampla da semana nos cinemas
Lançamento mais amplo da semana, “Orfã 2 – A Origem” chega em cerca de 800 telas nesta quinta (25/9). Apesar do título, a produção não continua a história do longa original. Em vez disso, conta o que aconteceu com a psicopata mirim Esther antes do primeiro filme. A distribuição ainda favorece “Uma Pitada de Sorte”, nova comédia nacional com Fabiana Karla, e “Moonage Daydream”, um documentário musical com imagens inéditas de shows de David Bowie. Ao todo, a programação apresenta cinco estreias. Confira os trailers e mais informações abaixo. | ÓRFÃ 2 – A ORIGEM | Isabelle Fuhrman está de volta ao papel da psicopata mirim Esther. Ela tinha 12 anos quando o filme original foi lançado, agora está com 25 anos, mas na trama se passa por uma criança ainda mais nova que no longa que a projetou em 2009, já que a história é um prólogo. Dirigido por William Brent Bell (“Boneco do Mal”), o filme mostra como Leena Klammer (Fuhrman), que escapou de um manicômio na Rússia, conseguiu se passar pela filha desaparecida de uma família rica, virando Esther. O elenco também destaca Julia Stiles (“Jason Bourne”) e Rossif Sutherland (“Catastrophe”) como os pais de Esther. Politicamente incorreto, o primeiro “A Órfã” fez grande sucesso ao explorar o temor de que crianças adotadas possam representar perigo em potencial para suas novas famílias. Mas o novo, enquanto induz o público a esperar uma reprodução da situação original, oferece uma reviravolta. | MOONAGE DAYDREAM | Um dos documentários musicais de maior aprovação no Rotten Tomatoes (96%) em todos os tempos, o filme apresenta imagens inéditas da carreira de David Bowie e uma proposta imersiva, com imagens nada menos que espetaculares. Para sua realização, o diretor Brett Morgen passou cinco anos selecionando cenas do acervo pessoal do cantor. Batizado com o título de uma música do disco “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” (1972), “Moonage Daydream” é o terceiro trabalho musical de Morgan, que antes fez “Crossfire Hurricane” (2012) sobre a turnê de 50 anos dos Rolling Stones e “Cobain: Montage of Heck” (2015) sobre o líder do Nirvana – além de ter sido indicado ao Oscar pelo documentário de boxe “On the Ropes” (1999). | AMANTES | A cineasta francesa Nicole Garcia (“Um Instante de Amor”) apresenta uma história típica de film noir, em que uma mulher encontra um ex-namorado durante uma viagem de férias com o marido. O reencontro inesperado mexe com os dois, mas também cria um triângulo que, como todo noir, tende a resultar em assassinato. O elenco destaca Stacy Martin (“Ninfomaníaca”), Pierre Niney (“Yves Saint-Laurent”) e Benoît Magimel (“A Prima Sofia”). | UMA PITADA DE SORTE | Fabiana Karla (“Rensga Hits!”) vive uma animadora atrapalhada de festas infantis que sonha em virar uma grande chef. Tudo começa a mudar em sua vida quando ela é aprovada num teste para ser auxiliar de um renomado chef em um programa de televisão. A comédia tem direção de Pedro Antônio Paes, de “Tô Ryca!”, “Um Tio Quase Perfeito” e “Os Salafrários”. | CURTAS JORNADAS NOITE ADENTRO | O filme de Thiago B. Mendonça (“Vozes da Floresta”) tem estética documental, mas é um drama sobre sambistas paulistanos sonhando em ser descobertos na cena musical. Alternando dias entre um cotidiano alienante e madrugadas libertadoras, trilham seus caminhos para não deixar o samba e o sonho morrer.
Comédia de George Clooney e Julia Roberts lidera bilheterias no Brasil
A comédia romântica “Ingresso para o Paraíso”, estrelada por George Clooney e Julia Roberts, foi o filme mais visto nos cinemas brasileiros neste fim de semana. O filme, que estreou na quinta-feira (8/9) teve 121 mil espectadores e uma bilheteria de R$ 2,85 milhões, segundo dados da Comscore. De volta às telas num relançamento estendido, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” ficou em 2º lugar. Com 92 mil pagantes para ver alguns minutos de cenas extras, a produção da Sony/Marvel acrescentou R$ 1,76 milhão em sua contabilidade. O terror “Não! Não Olhe” fechou o Top 3 dos mais vistos. Ao todo, quase 488 mil espectadores pagaram ingressos neste fim de semana, superando o recorde negativa da semana passada, de 491 mil pessoas. Isto “consagrou” o fim de semana passado com o pior público de cinema de 2022 no Brasil. Não por acaso, as grandes redes vão promover a “Semana do Cinema” a partir de quinta-feira (14/9), oferecendo descontos em ingressos para tentar atrair o público. Veja o ranking dos títulos mais assistidos nos cinemas brasileiros. 1. “Ingresso para o Paraíso” 2. “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” 3. “Não! Não Olhe!” 4. “Minions 2: A Origem de Gru” 5. “Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz” 6. “O Lendário Cão Guerreiro” 7. “O Telefone Preto” 8. “Um Lugar Bem Longe Daqui” 9. “Thor: Amor e Trovão” 10. “Pinocchio – O Menino de Madeira”
Estreias: “Thor”, “Pinóquio” e “O Telefone Preto” em streaming
A sessão do sofá destaca lançamentos da Disney+ e opções de VOD. Na semana do Disney+ Day, a plataforma liberou o blockbuster “Thor: Amor e Trovão” e sua produção exclusiva de “Pinóquio”. Os títulos das locadoras digitais também incluem filmes que estiveram recentemente nos cinemas, como o terror “O Telefone Preto”, e produções inéditas e premiadas. Confira abaixo as 10 estreias do streaming que mais se destacam na programação semanal. | THOR: AMOR E TROVÃO | DISNEY+ O novo filme do diretor Taika Waititi é uma comédia mais descarada que “Thor: Ragnarok”, combinando ação e humor para contar uma história de amadurecimento com muitas reviravoltas, lutas e piadas. Muitas piadas. Nem todas engraçadas, como atesta a recepção da crítica dos EUA – 70% de aprovação com blogueiros geeks, mas apenas 56% entre os críticos top do Rotten Tomatoes. E, apesar das gracinhas, o final é triste. Em seu quarto filme individual, Thor encontra-se na jornada iniciada em “Vingadores: Ultimato”, compartilhando aventuras com os Guardiões da Galáxia e buscando paz interior. Mas esses dias de irresponsabilidade são encurtados pelo surgimento de um assassino espacial conhecido como Gorr, o Carniceiro dos Deuses, que tem como missão matar todos os deuses. Para impedir um novo massacre de asgardianos, Thor se alia ao Rei Valquíria, seu novo melhor amigo Korg e à ex-namorada Jane Foster – que ressurge loira, poderosa e com o antigo martelo mágico do Deus do Trovão, incorporando a Poderosa Thor – numa luta desesperada contra o Carniceiro dos Deuses. Mas, paralelamente, Jane ainda trava sua própria luta silenciosa. O elenco destaca Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane), Tessa Thompson (Valquíria), Russell Crowe (Zeus) e Christian Bale (Gorr), sem esquecer da participação dos Guardiões da Galáxia e do diretor Taika Waititi como Korg. Além disso, as cenas pós-créditos incluem a introdução de um novo personagem (com gancho para “Thor 5”) e a volta de um velho conhecido, participações que foram guardadas em “segredo”. | O TELEFONE PRETO | VOD* A volta do diretor Scott Derrickson ao terror, após comandar “Doutor Estranho” (2016), é um dos melhores filmes recentes do gênero, com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes. A trama é baseada no conto de mesmo nome de Joe Hill, filho de Stephen King e autor da obra que inspirou a série “Locke & Key”. A história faz parte do best-seller “Fantasmas do Século XX” e foi adaptada pelo próprio Derrickson em parceria com o roteirista Robert Cargill, com quem o diretor desenvolveu a franquia “A Entidade”. Por sinal, o papel principal é de Ethan Hawke, que estrelou o primeiro “A Entidade” (2012). Ele vive um serial killer sequestrador de crianças que, numa referência distorcida a “It”, usa balões negros e disfarce de palhaço para cometer seus crimes. Só que seus planos são atrapalhados quando seu alvo mais recente recebe uma ajuda inesperada para escapar. Fantasmas de vítimas passadas ligam para o menino recém-sequestrado no telefone preto do título, que não tem fio e não deveria funcionar, ensinando-o a sobreviver, enquanto sua melhor amiga da escola começa a ter visões de seu cativeiro. Os jovens Mason Thames (“For All Mankind”) e Madeleine McGraw (a jovem Hope de “Homem-Formiga e a Vespa”) encabeçam o elenco mirim. | RED ROCKET | VOD* Em seu novo filme, o diretor Sean Baker volta a explorar as margens da sociedade com humor sombrio. Depois de acompanhar prostitutas transexuais em “Tangerine” (2015) e o cotidiano da filha pequena de uma prostituta adolescente em “Projeto Flórida” (2017), ele conta a história de fracasso de um ator de filmes adultos, que retorna à sua cidade natal após se tornar veterano no ramo e deixar de ser convidado para novos trabalhos. Enquanto tenta se reaproximar de sua família disfuncional, ele conhece uma jovem chamada Strawberry, trabalhando como caixa em uma loja de donuts local, e acaba retomando antigos hábitos. O papel principal é desempenhado por Simon Rex, que foi modelo nos anos 1990, VJ da MTV e até rapper, além de atuar na franquia de comédias “Todo Mundo em Pânico”, enquanto o resto do elenco é composto por atores iniciantes ou pouco conhecidos, como a estreante Brenda Deiss, que vive Strawberry. “Red Rocket” teve première no Festival de Cannes retrasado, venceu o Prêmio do Júri e da Crítica no Festival de Deauville, o troféu de Melhor Ator do Spirit Awards (o Oscar indie) e mais 10 prêmios internacionais, além de ter atingido 94% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Ou seja, é mais uma obra de Sean Baker que rende aplausos mundiais. | MAR EM CHAMAS | VOD* O diretor norueguês John Andreas Andersen está se especializando em filmes de grandes desastres. Depois do sucesso de “Terremoto” (2018), ele assina essa catástrofe marítima de enormes proporções. A trama envolve o colapso de uma plataforma de petróleo no Mar do Norte, que dá início a uma série de tragédias capazes de transformar o oceano num inferno de fogo. Uma piloto de submarino e pesquisadora (Kristine Kujath Thorp, de “Traídos pela Guerra”) assume a missão de tentar salvar a região de uma hecatombe ambiental. Mas a trama é tão tensa que todos os pequenos salvamentos conduzem a situações de maior perigo e dramaticidade. Venceu o Amanda (o Oscar norueguês) de efeitos visuais e foi aplaudido pela crítica americana, com 73% de aprovação no Rotten Tomatoes. | VEJA POR MIM | VOD* O suspense canadense acompanha uma esquiadora cega que decide se mudar para uma casa de inverno isolada. Quando a casa é invadida por três assaltantes, sua única ajuda é um aplicativo que conecta cegos a pessoas encarregadas de descrever o ambiente em que se encontram. A produção é barata, mas eficiente, mostrando que o diretor Randall Okita aprendeu os truques do gênero ao ser assistente de Stephen King na série de terror “Kingdom Hospital”. Com 80% no Rotten Tomatoes, o filme também destaca a estreia da atriz Skyler Davenport, uma conhecida dubladora de animes e videogames, em seu primeiro filme live-action. | BLISS | VOD* O novo terror visceral de Joe Begos (“Quase Humano”) acompanha uma artista plástica (Dora Madison, de “Chicago Fire”) em crise de criatividade e à beira da falência, que se entrega à drogas pesadas e passa suas noites festejando. Até que uma nova droga a tira de si e a leva a pintar alucinadamente, em tons sangrentos, como se estivesse possuída. A jornada psicótica talvez seja muito intensa para certos gostos, a abordagem artística pode ser muito pretenciosa para outros, mas fãs de terror indie bem hardcore não devem se incomodar com a bad trip e as cenas abundantes de nudez… artística. Mesmo dividindo opiniões – e houve quem odiasse do fundo da alma – atingiu 87% no Rotten Tomatoes. | TANTAS ALMAS | VOD* O diretor colombiano Nicolás Rincón Gille usou sua experiência como documentarista nesta estreia na ficção, filmada com atores não profissionais e em locações reais, numa intersecção com seus documentários. Na trama, o pescador José atravessa o rio Magdalena, o maior da Colômbia, em busca dos corpos de seus dois filhos, assassinados por paramilitares. Apesar de sua dor, José está determinado a encontrá-los para dar-lhes o enterro que merecem e, assim, impedir que permaneçam como almas errantes. Em sua jornada, ele encontra a magia de um país despedaçado. Gille já tinha filmado a violência rural, o rio e as superstições colombianas em três longas documentais. Ao reunir essas referências numa única narrativa, atingiu uma síntese tão imersiva quanto realista: um retrato da Colômbia profunda não visto em postais, que impressionou a crítica internacional e venceu o Festival de Marrakech. | O DESTINO DE HAFFMANN | VOD* O drama francês se passa em Paris durante a invasão nazista. Quando um joalheiro judeu se vê forçado a fugir, faz um falso acordo de venda de sua loja com um funcionário para salvar seu negócio. Mas não consegue escapar do cerco, vendo-se forçado a esconder-se num porão e a trabalhar para o antigo funcionário, que passa a conduzir negócios com os nazistas para produzir novas peças a partir de joias de vítimas de campos de extermínio. A fábula de moral sombria tem direção de Fred Cavayé, indicado ao César (o Oscar francês) por “Tudo por Ela” (2008). | PINÓQUIO | DISNEY+ O remake live-action de “Pinóquio” é uma recriação visualmente fiel da animação clássica, vencedora de dois Oscars, mas toma ainda mais liberdades que Walt Disney em relação ao livro infantil de Carlo Collodi, publicado em 1883. O menino de madeira agora é ainda mais bobo e bonzinho – o contrário do personagem de Collodi. Depois que o marceneiro Gepeto cria um boneco de madeira e é atendido em seu desejo de vê-lo se transformar num menino, Pinóquio se revela ingênuo e é prontamente enganado por trapaceiros que o vendem como atração de circo. Apesar da familiaridade, a refilmagem não tem a mesma mágica do desenho. Se não falta a música “When You Wish upon a Star”, tema do desenho animado clássico de 1940, há várias outras canções inéditas (e desnecessárias), além de pequenas alterações na história que não acrescentam nada que mude o resultado final. Longe de empolgar a crítica, atingiu apenas 31% no Rotten Tomatoes. A direção é de Robert Zemeckis (de “Forrest Gump”), que combina atores de carne e osso com personagens digitais num híbrido que parece o reverso de “Paddington”, com Tom Hanks (“Elvis”) no papel de Gepeto, perdido num desenho animado feito por computador. O elenco também conta com Joseph Gordon-Levitt (“Os 7 de Chicago”) dando voz ao Grilo Falante, Cynthia Erivo (“Genius: Aretha”) como a Fada Azul, Luke Evans (“A Bela e a Fera”) como Barker, o cocheiro responsável por levar o protagonista à Ilha dos Prazeres, Keegan-Michael Key (“O Predador”) como o pilantra João Honesto e Lorraine Bracco (“Rizzoli & Isles”) como uma gaivota chamada Sofia, que foi criada especialmente para o filme. Para completar, o menino Benjamin Evan Ainsworth (“A Maldição da Mansão Bly”) é a voz original de Pinóquio na dublagem original. | ALÉM DA LENDA – FILME | VOD* A série animada pernambucana transmitida pela TV Brasil virou longa-metragem. Criada por Erickson Marinho, Marcos França e Ulisses Brandão, a atração é voltada para crianças de seis a nove anos e tem como premissa reapresentar as principais lendas do folclore nacional, como o Saci, a Cuca, o Curupira e o Boitatá, com uma nova roupagem – e como crianças. A trama do filme explica que um livro sagrado reúne todas essas lendas e é mantido em segredo e escondido na Montanha Coração do Brasil, que só é revelada uma vez por ano, no dia 31 de outubro, dia do Saci. Mas a data está esquecida por muitos brasileiros, que preferem comemorar o Halloween. Aproveitando-se disso, um trio de monstros americanos do Dias das Bruxas resolve vir ao país com a ideia de capturar o livro secreto e assim “dominar” as lendas brasileiras. Só que por descuido o livro acaba caindo nas mãos do garoto Lucas, um fã de super-heróis, quadrinhos e games, que sem saber vira responsável por proteger parte do folclore nacional. Com direção de Marília Mafé e Marcos França, “Além da Lenda” é o primeiro longa de animação pernambucano e conta com dublagens de Gabriel Leone (Lucas) e Hugo Bonemer (Curupira). * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Claro TV+, Google Play, Loja Prime, Microsoft Store, Vivo Play e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Conheça 10 filmes e séries sobre a rainha Elizabeth II
De vencedores do Oscar e do Emmy à comédias de humor besteirol e até animações, várias produções audiovisuais retrataram a Rainha Elizabeth II ao longo de sua vida. O filme “A Rainha” (2006), que rendeu o Oscar a Helen Mirren, e a série “The Crown”, que coroou duas intérpretes da monarca, Claire Foy e Oliva Colman com o Emmy, são as atrações mais conhecidas. Mas há outras produções que também retrataram Elizabeth II em diferentes fases de sua vida, além de situações completamente inventadas para diversão do público. Confira abaixo 10 obras que representaram a rainha britânica, da infância à vida que ela nunca viveu. | O DISCURSO DO REI | HBO MAX, VOD* A história segue os eventos após a abdicação do trono pelo Rei Eduardo VIII, que permitiu a ascensão de seu irmão, Rei George VI (Colin Firth), e abriu caminho para a ainda menina Elizabeth (Freya Wilson) se tornar a primeira na linha da sucessão monárquica. | A ROYAL NIGHT OUT | AMAZON PRIME VIDEO A comédia conta uma história da juventude da futura rainha. Durante a comemoração da derrota da Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial, as princesas irmãs Margaret (Bel Powley) e Elizabeth (Sarah Gadon) recebem permissão de deixar o palácio de Buckhingham durante a noite para festejar, e se misturam anonimamente ao povo. | UM SONHO DE MENINA | NÃO DISPONÍVEL EM STREAMING Uma menina chamada Elizabeth é escolhida para representar os estudantes na primeira visita de Elizabeth II à Nova Zelândia, mas seu fervor monarquista é abalado quando ela aprende sobre a história do povo maori e passa a ser ameaçada de substituição no encontro. Só que a essa altura a própria monarca está interessada em conhecê-la, após receber suas cartas sobre os problemas do país. | THE CROWN | NETFLIX A série é um retrato bastante exaustivo, que segue as rivalidades políticas e bastidores do reinado da rainha Elizabeth II, refletindo eventos que moldaram a segunda metade do século 20. O sucesso das primeiras temporadas catapultou Claire Foy ao estrelato. Ela foi substituída no papel da rainha por Olivia Colman na 3ª temporada e por Imelda Staunton na 5ª, conforme a trama avançou as décadas. | SPENCER | AMAZON PRIME VIDEO, VOD* Embora a Princesa Diana (Kristen Stewart) seja o foco principal do filme, a rainha Elizabeth II (Stella Gonet) também tem papel de destaque na reunião natalina que encerrou o matrimônio de Diana e do Príncipe Charles. | A RAINHA | STARZPLAY, VOD* Helen Mirren vive a rainha na época da morte da ex-princesa Diana, demonstrando sua dificuldade em lidar com a mídia e a situação. Com a popularidade da monarquia em jogo, ela precisa mostrar ao povo que é capaz de se adaptar, apesar das desavenças com a falecida nora. | CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ! | VOD* A tentativa calamitosa de Leslie Nielsen de salvar a rainha do que ele pensa ser uma tentativa de assassinato é uma das cenas mais memoráveis da franquia cômica e a mais famosa interpretada por Jeanette Charles, a atriz que mais vezes viveu Elizabeth II – sempre em pequenas aparições. | MINIONS | TELECINE, VOD* A rainha teve muitas participações especiais em filmes incomuns ao longo dos anos, mas lutar contra um Minion que tenta roubar sua coroa pode ser incluída entre as mais inusitadas. | CORGI: TOP DOG | TELECINE, LOOKE, VOD* O cão favorito da monarca britânica se perde no palácio real e começa uma longa jornada para encontrar o caminho de volta para a rainha. | CHURCHILL: DETONANDO A HISTÓRIA | NÃO DISPONÍVEL EM STREAMING A versão trash da monarca traz Neve Campbell (ela mesmo, de “Pânico”) como a ainda Princesa Elizabeth, combatendo nazistas de rifle em punho, ao lado de um Churchill americano. A explicação é que se trata de uma produção de Hollywood sobre a 2º Guerra. No primeiro dia de filmagem, um ambicioso executivo do estúdio decide que um homem velho com um charuto não ia vender ingressos e muda a história, colocando em seu lugar um herói de ação para vencer a guerra.
Veja o que chega aos cinemas nesta semana
Sabe aquela história de que os cinemas estão cada vez mais vazios porque não têm lançamentos? Só nesta semana são 11 estreias. Há muitos lançamentos, mas eles estão sendo muito mal distribuídos. A maioria dos cinemas exibem o mesmo punhado de títulos há semanas, sobrecarregando o circuito alternativo, que é obrigado a alterar semanalmente a programação em cartaz pelo excesso de produções recebidas. Esta semana, por exemplo, é dominada por estreias limitadas, fora dos shopping centers. As exceções são o terror “Men – Faces do Medo” e as comédia românticas “Ingresso para o Paraíso”, com Julia Roberts e George Clooney, e “Minha Família Perfeita”, com Rafael Infante e Isabelle Drummond. Veja abaixo tudo o que chega aos cinemas nesta quinta (8/9). | MEN – FACES DO MEDO | A atriz Jessie Buckley, indicada ao Oscar 2022 por “A Filha Perdida”, é perseguida por vários homens diferentes interpretados pelo mesmo ator, Rory Kinnear (“007: Sem Tempo para Morrer”), no terceiro longa dirigido por Alex Garland, cineasta de “Ex Machina” (2014) e “Aniquilação” (2018). No filme, ela sai de férias sozinha após a morte do ex-marido e é atormentada por visões e homens que buscam despertar seu sentimento de culpa. Para sua perplexidade, todos parecem ter o mesmo rosto. Embora seja o primeiro terror dirigido por Garland, ele tem experiência no gênero, tendo conquistado projeção como roteirista de “Extermínio” (2002), filme de zumbis dirigido por Danny Boyle. | INGRESSO PARA O PARAÍSO | A comédia romântica é a quinta parceria da carreira dos atores Julia Roberts e George Clooney e a primeira em que vivem um casal em 18 anos – desde “Doze Homens e Outro Segredo” (2004). Nesse reencontro nas telas, eles são divorciados que se odeiam, mas fazem uma trégua em nome de um objetivo comum: sabotar o casamento da filha, que decidiu se casar impulsivamente em Bali com um rapaz que recém conheceu. Foi o que aconteceu com eles próprios, 25 anos atrás, e a experiência faz com que decidam impedir que o pior se repita. O filme tem roteiro e direção de Ol Parker (“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”) e o elenco também inclui Kaitlyn Dever (“Fora de Série”) como a filha, além de Billie Lourd (“American Horror Story”), Lucas Bravo (“Emily em Paris”) e Maxime Bouttier (“Unknown”). | MINHA FAMÍLIA PERFEITA | A comédia farsesca gira em torno de um publicitário com um dilema. Com vergonha da própria família, ele namora a mulher dos seus sonhos, que só aceita virar noiva depois de conhecer os parentes dele. Mas quando ela vai visitá-lo no trabalho, acaba confundindo atores de um comercial de margarina com a família real do namorado, o que lhe dá uma ideia: contratá-los para fingirem ser seus pais. Ele só não podia esperar que a família de propaganda de margarina podia ser pior que seus parentes de verdade. Dirigido por Felipe Joffily (“Muita Calma Nessa Hora”), traz Rafael Infante (“Vai que Cola”) e Isabelle Drummond (“Turma da Mônica: Lições”) como o casal central. | A LUTA DE UMA VIDA | História real de um sobrevivente do Holocausto, o drama do veterano diretor Barry Levinson (“Raiman”) acompanha Harry Haft, que foi poupado das câmeras de gás por divertir nazistas vencendo lutas contra outros judeus. Ao fim da guerra, ele inicia uma carreira como pugilista nos EUA. Assombrado pelas memórias e a culpa por ter sobrevivido, ele se esforça para poder enfrentar a lenda do boxe Rocky Marciano, na esperança de chamar a atenção pública para sua história e reencontrar o seu primeiro e grande amor, de quem se separou na guerra. O elenco destaca Ben Foster (“A Qualquer Custo”) como protagonista, além de Billy Magnussen (“A Noite do Jogo”) e Vicky Krieps (“Trama Fantasma”). | AMIRA | A Amira do título é uma adolescente de 17 anos, que foi concebida com o esperma contrabandeado de seu pai Nawar, preso por ser um herói da causa palestina. Embora seu relacionamento com o pai tenha se restringido a visitas à prisão, ela o admira e sua ausência na vida dela é compensada com amor e carinho daqueles que a cercam. Mas quando outra tentativa de conceber um filho revela a infertilidade de Nawar, o mundo de Amira vira de cabeça para baixo. Quem é ela, senão a filha do herói? Mas e se não for? O drama é o terceiro longa dirigido por Mohamed Diab, cineasta egípcio premiado, que se tornou mais conhecido do grande público como diretor da série “Cavaleiro da Lua”, da Marvel. | O PRÓXIMO PASSO | O diretor francês Cédric Klapisch, de “O Albergue Espanhol” (2005) e suas continuações, filma o drama de uma promissora bailarina clássica, que se machuca em uma apresentação após flagrar a traição do namorado. Apesar dos especialistas dizerem que ela nunca mais conseguirá dançar, a jovem luta para se recuperar, buscando se reinventar como artista, no mundo da dança contemporânea. | TROMBA TREM – O FILME | A animação brasileira, baseada na série homônima do Cartoon Network, acompanha Gajah, um elefante sem memória que, ao ficar célebre, acaba se afastando de seus velhos companheiros de viagem no Tromba Trem. O estrelato dura pouco, pois ele logo se torna o principal suspeito de misteriosos raptos. Desvendar o mistério só será possível com a ajuda dos amigos pré-fama: um grupo de cupins obstinados e Duda, uma empolgada e inocente tamanduá vegetariana. A direção é de Zé Brandão, criador dos personagens e produtor de “O Irmão do Jorel”. | O TERRITÓRIO | O documentário que venceu o Prêmio do Público e um Prêmio Especial do Júri na competição internacional do Festival de Sundance deste ano é uma coprodução brasileira e americana (do cineasta Darren Aronofsky, de “Noé”), dirigida pelo americano Alex Pritz, que retrata a luta do povo Uru-Eu-Wau-Wau contra agricultores e mineradores invasores de sua terra, uma área protegida na floresta amazônica, incentivados pela retórica de Jair Bolsonaro. Elogiadíssimo pela crítica estrangeira, o filme tem 97% de aprovação no site Rotten Tomatoes e está sendo considerado um dos melhores documentários da década. Adquirido pela National Geographic, é forte candidato às premiações de 2023. | 5 CASAS | Vencedor do Cine Ceará, o filme de Bruno Gularte Barreto conta a história de 5 casas em uma cidadezinha no extremo sul do Brasil. Cada uma delas tem seus próprios personagens, que entretanto se cruzam: uma velha professora lutando para manter seu lar e seus 36 gatos, um jovem que sofre agressões por ser gay, uma freira sendo transferida da escola que regeu com punho de ferro por décadas, um velho capataz numa fazenda mal-assombrada e um menino cujos pais morreram quando ainda era criança e que é hoje o diretor que volta para buscar as suas memórias de infância e reencontrar essas pessoas. | AQUILO QUE EU NUNCA PERDI | O documentário celebra a carreira da cantora sul-matogrossense Alzira Espíndola, a Alzira E, que começou a compor com seus irmãos, Geraldo e Tetê Espíndola. Nos anos 1980, emigrou para São Paulo onde construiu uma sólida carreira como instrumentista e compositora com parceiros como Itamar Assumpção e Ney Matogrosso. Ainda ativa aos 65 anos, Alzira E lidera atualmente uma banda de rock. | O GRANDE IRMÃO – O DIA QUE DUROU 21 ANOS 2 | Continuação de “O Dia que Durou 21 anos”, o documentário faz um registro histórico da participação do governo militar do Brasil, junto com a CIA e o Departamento de Estado dos EUA, no golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende no Chile. Com documentação confidencial inédita e vários depoimentos, o filme mostra os bastidores do dia 11 setembro de 1973, que iniciaram os 17 anos da ditadura sangrenta do general Pinochet.
“Elvis” chega ao streaming. Confira 10 filmes novos pra ver em casa
A programação de filmes que chegam ao VOD (locação digital) e ao streaming por assinatura destaca a chegada de “Elvis”, espetáculo roqueiro que pode ser visto das duas formas. Além disso, há um verdadeiro festival de cinema internacional para cinéfilos e apreciadores dos melhores filmes, com a disponibilização de vários títulos premiados, do vencedor do Festival de Veneza passado ao vencedor do César (o Oscar francês) deste ano. Nem todos são dramas. Há até terror premiado. Fãs de humor mais popular também podem conferir a nova comédia de Leandro Hassum na Netflix. Mas quem tem tantas opções pode escolher melhor – “Vizinhos” teve péssima recepção no exterior. Confira abaixo os 10 destaques digitais da semana. | ELVIS | HBO MAX e VOD* A cinebiografia do Rei do Rock dirigida por Baz Luhrmann (“O Grande Gatsby”) tem tudo que os fãs poderiam desejar, cobrindo todas as fases do cantor com uma recriação primorosa, atenta aos detalhes. Mais que isso, Luhrmann conecta os extremos, encontrando no despertar do interesse do menino Elvis Presley pela performance musical e fervorosa dos cultos de pastores negros a inspiração para seu transe sexual nos primeiros shows e o repertório gospel do final da carreira. Muitas das cenas refletem a histeria despertada por suas apresentações, acompanhada de perto pela reação conservadora que tentou censurá-lo. Para incorporar o furor, Austin Butler (“Era uma Vez em… Hollywood”) se transforma, apresentando o gingado e o sotaque caipira do cantor com perfeição. Mais que isso: como o arco da história é ambicioso, ele precisa evoluir rapidamente na tela, de um jovem roqueiro da metade dos anos 1950 a um homem maduro em sua volta triunfal de 1968 até entrar na fase final da carreira, nos megashows dos anos 1970. Para arrematar, sua performance é tão completa que, em vez de dublar, o ator canta mesmo as músicas que apresenta no filme. “Elvis” ainda destaca o ator Tom Hanks (“Finch”) bastante transformado como o coronel Tom Parker, empresário do Rei do Rock, que é quem narra a história, tentando parecer menos vilão do que a trama demonstra, além de Olivia DeJonge (a Ellie da série “The Society”) no papel de Priscilla, a esposa do cantor, e Maggie Gyllenhaal (a Candy de “The Deuce”) como Gladys, a mãe de Elvis. | O ACONTECIMENTO | HBO MAX O vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2021 trata de um tema que tem dominado os noticiários atuais: o direito ao aborto. Adaptação do romance homônimo de Annie Ernaux, conta a história de uma brilhante estudante universitária do início dos anos 1960, que vê sua emancipação ameaçada ao engravidar. Determinada a terminar seus estudos e escapar das restrições sociais de sua família operária, ela se vê sem opções legais disponíveis e tenta encontrar uma maneira de abortar ilegalmente. Além do Leão de Ouro, o segundo longa dirigido por Audrey Diwan (roteirista de “A Conexão Francesa”) conquistou 13 prêmios internacionais, incluindo o César de Atriz Mais Promissora, entregue à jovem estrela do drama, Anamaria Vartolomei (“Troca de Rainhas”). Também recebeu o Prêmio da Crítica em Veneza e atingiu uma das maiores aprovação dos críticos americanos neste ano: 99% no Rotten Tomatoes, com um total de 154 resenhas positivas e apenas uma negativa. | ILUSÕES PERDIDAS | VOD* Grande vencedor do César (o Oscar francês) de 2022, o filme de Xavier Giannoli (“Marguerite”) é uma adaptação do famoso romance homônimo de Honoré de Balzac. O personagem central é Lucien, um jovem na França do século 19 que sonha virar poeta, mas acaba como jornalista, perdendo as ilusões do título ao se ver num mundo condenado à lei do lucro e das falsidades, onde tudo se compra e se vende, da literatura à imprensa, da política aos sentimentos, das reputações às almas. Além do troféu de Melhor Filme, conquistou mais cinco categorias no César 2022, incluindo Roteiro e Ator mais Promissor para Benjamin Voisin (“Verão 85”), intérprete de Lucien. O elenco ainda inclui Cécile de France (“A Crônica Francesa”), Vincent Lacoste (“Amanda”), Xavier Dolan (“It – Capítulo 2”), Jeanne Balibar (“Guerra Fria”), André Marcon (“O Oficial e o Espião”) e o veterano Gérard Depardieu (“Bem-Vindo a Nova York”). | LITTLE JOE | VOD* Emily Beecham (“Into the Badlands”) foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes de 2019 por seu papel de cientista neste terror biológico. Na trama, flores geneticamente modificadas para dar a sensação de felicidade acabam se revelando um perigo, passando a espalhar paranoia e influenciar comportamentos inesperados. Escrito e dirigido pela austríaca Jessica Hausner (“Lourdes”), o filme também é estrelado por Ben Whishaw (“007 – Sem Tempo para Morrer”), Kerry Fox (“A Vingança Está na Moda”) e Kit Connor (“Rocketman”). | ENCURRALADOS EM VENEZA | VOD* O novo terror do provocador Alex de La Iglesia (“Balada do Amor e do Ódio”) explora a xenofobia como justificativa para assassinatos em série. Quando um grupo de jovens turistas espanhóis chega a Veneza para uma despedida de solteiro, eles acabam irritando moradores locais que se cansaram de ver estrangeiros invadirem sua cidade, e precisam lutar para sobreviver a um banho de sangue. A história foi escrita pelo premiado roteirista Jorge Guerricaechevarría, vencedor de dois troféus Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Roteiro Adaptado, por “Cela 211” (2009) e “As Leis da Fronteira” (2021). Esta é sua 14ª parceria com Iglesia, após estrearem juntos no cultuado “Ação Mutante”, de 1993. | SEM IDENTIDADE | STARZPLAY Cary Joji Fukunaga, o diretor do blockbuster “007: Sem Tempo Para Morrer”, já demonstrava enorme talento em sua juventude, como demonstra a chegada ao streaming de seu primeiro longa. Drama de imigração com ingredientes criminais, “Sem Identidade” acompanha uma jovem hondurenha e um gângster mexicano, que se unem em uma jornada pela fronteira americana. Com realismo elogiadíssimo pela crítica, a produção de 2009 venceu 14 prêmios internacionais, inclusive o troféu de Melhor Direção no Festival de Sundance. | FÁTIMA – A HISTÓRIA DE UM MILAGRE | VOD* O drama católico narra a história das três crianças que teriam visto Nossa Senhora nos arredores do pequeno vilarejo português de Fátima em 1917. Muitos duvidavam da veracidade de seus testemunhos, mas outros partiram em peregrinação ao local na esperança de presenciar o milagre de Fátima, num mundo que era assombrado pela 1ª Guerra Mundial e ansiava pela paz. Coprodução entre Portugal e os EUA, o filme tem como maior chamariz as participações do americano Harvey Keitel (“O Irlandês”) e da brasileira Sônia Braga (“Bacurau”) – ela vive a versão mais velha de uma das crianças, Lúcia, que se tornou uma freira famosa. Mas há outra curiosidade nesse projeto: o fato de a direção ser assinada pelo italiano Marco Pontecorvo, diretor de fotografia de “Game of Thrones” e filho do famoso cineasta Gillo Pontecorvo (1919–2006), que chegou a ser taxado como um perigoso ateu comunista pela ditadura militar brasileira – graças a filmes como “A Batalha de Argel” (1966), “Queimada” (1969) e “Ogro” (1979). | A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS | MUBI O drama do célebre cineasta turco Nuri Bilge Ceylan (“Era uma Vez na Anatólia”, “Winter Sleep”) tem ritmo lento, mas compensa com uma fotografia e conteúdo primorosos, ao usar a experiência de um jovem, que retorna para sua pequena comunidade após a faculdade, como reflexão sobre a vida na Turquia moderna – e no mundo. Venceu 10 prêmios internacionais e atingiu 94% de aprovação no site Rotten Tomatoes. | CASA DE ANTIGUIDADES | VOD* Exibido nos festivais de Cannes e Toronto, e premiado em Estocolmo e Chicago, o longa de estreia do diretor João Paulo Miranda Maria retrata a vida de um trabalhador negro em uma cidade fictícia de colonização germânica no sul do Brasil. Natural do sertão brasileiro, o homem se sente solitário, condenado ao ostracismo pelas diferenças culturais e étnicas, e invisível para os patrões. Um dia, descobre uma casa abandonada repleta de objetos que o lembram de suas origens. Ele se instala lentamente nesta casa e cada vez mais objetos começam a aparecer. Estrelado pelo veterano Antônio Pitanga (“Ganga Zumba”, “Rio Babilônia”, “Irmãos Freitas”), o drama trata de racismo estrutural e foi rodado em Treze Tílias, cidade catarinense que deu forte apoio ao presidente eleito em 2018. | VIZINHOS | NETFLIX Em sua terceira comédia na Netflix, Leandro Hassum (“Amor Sem Medida”) vive um homem estressado que descobre, após um colapso nervoso, que corre risco de morte caso escute barulhos muito altos. Por orientação médica, ele abandona o Rio de Janeiro e busca o sossego em uma cidade pequena, cercada de paz e natureza. Porém, os planos de relaxamento vão por água abaixo por causa de seu novo vizinho (Maurício Manfrini, de “No Gogó do Paulinho”), que é mestre de bateria de uma escola de samba. A crítica internacional achou realmente tudo muito estridente. Além da dupla de humoristas, o elenco da produção inclui Júlia Rabello, Marlei Cevada, Julia Foti, Lucas Leto, Vilma Melo, Nando Cunha, Dja Marthins, Hélio de la Peña, Sophia Guedes e Yves Miguel. Direção e roteiro são de Roberto Santucci e Paulo Cursino, parceiros de longa data de Hassum, que assinaram as franquias de sucesso “Até Que a Sorte nos Separe” e “O Candidato Honesto”.
Filmes sobre Dom Pedro I e Zé Arigó chegam aos cinemas
Os cinemas recebem 12 lançamentos nesta quinta (1/9), a maioria em circuito limitado. Em contraste com as últimas semanas, a maior estreia é nacional. “Predestinado”, sobre a vida do médium Zé Arigó, chega em mais de 650 salas, apostando no apelo religioso da trama. No passado, a cinebiografia de “Chico Xavier” e “Nosso Lar” provaram a força comercial do cinema espírita no país. Outro grande título brasileiro, “A Viagem de Pedro” aproveita a data do bicentenário da independência para se destacar na programação. Mas é uma obra contemporânea e revisionista, que questiona a figura heroica de D. Pedro I, apresentando-o como um homem tóxico, que queria ser ditador, apesar de se apresentar como libertador. Entre os títulos internacionais, os destaques são a fantasia extravagante “Era uma vez um Gênio”, de George Miller (o diretor de “Mad Max”), o romance “Um Lugar Bem Longe Daqui”, o drama culinário britânico “O Chef” e o relançamento de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” com cenas inéditas. Confira abaixo todas as estreias com seus respectivos trailers. | A VIAGEM DE PEDRO | Cauã Reymond (“Alemão”) vive Dom Pedro I no drama histórico, que chega aos cinemas na véspera dos 200 anos da proclamação da Independência. Entretanto, o longa de Laís Bodanzky, diretora dos premiados “Bicho de Sete Cabeças” (2000) e “Como Nossos Pais” (2017), não é um filme para exaltar a data, como foi o marco dos 150 anos, “Independência ou Morte”. O drama de época acompanha o imperador brasileiro em sua viagem de exílio, após ser expulso do país que ele fundou. Destronado, depressivo e doente, ele busca encontrar forças durante a travessia do Atlântico para enfrentar seu irmão, que usurpou seu trono em Portugal, enquanto recorda seu período no Brasil, desde a chegada na colônia à proclamação da independência. O retrato não é heroico, muito pelo contrário, e serve de contraponto à celebração acrítica do bicentenário. O elenco ainda destaca a alemã Luise Heyer (da série “Dark”) como a imperatriz Leopoldina, a artista plástica Rita Wainer, que estreia como atriz no papel de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, o irlandês Francis Magee (“Into the Badlands”), o guineense Welket Bungué (“Berlin Alexanderplatz”) e vários atores portugueses, com destaque para Luísa Cruz (“As Mil e uma Noites”), João Lagarto (“O Filme do Bruno Aleixo”) e Victória Guerra (“Variações”). | PREDESTINADO | O drama espírita conta a história de Zé Arigó, um homem comum que recebe o espírito de Dr. Fritz, médico alemão falecido durante a 1ª Guerra Mundial, e se torna um milagreiro. Criticado por céticos, ele teria salvo inúmeras vidas por intermédio da cirurgia espiritual. O primeiro filme dirigido por Gustavo Fernández (da novela “Pantanal”) traz Danton Mello (“Vai que dá Certo”) no papel principal, Juliana Paes (também de “Pantanal”) como sua esposa e o inglês James Falkner (“Da Vinci’s Demons”) como o espírito do Dr. Fritz. E chega aos cinemas com uma missão: recuperar a fé no espiritismo depois que o Brasil parou para acompanhar o escândalo do médium João de Deus, condenado por crimes sexuais contra mulheres que acreditavam em seu poder de cura. O biografado é exemplar neste sentido, já que sempre foi humilde. Perseguido, chegou a ser preso por curandeirismo, mas teve o trabalho documentado em filme por pesquisadores americanos, que não conseguiram contestá-lo. Como diz o filme, se tivesse nascido em outro país, Arigó seria motivo de estudo, não de rechaço. | ERA UMA VEZ UM GÊNIO | O filme que marca a volta do cineasta George Miller ao cinema, sete anos após deixar público e crítica impressionados com “Mad Max: Estrada da Fúria”, é inspirado pelas fábulas das Mil e uma Noites. A fantasia de visual arrebatador traz Idris Elba (“Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”) como um gênio encantado – na verdade, um Djinn – , cuja “lâmpada” mágica vai parar nas mãos de uma viúva solitária (vivida por Tilda Swinton, de “Doutor Estranho”) após passar séculos perdida. Enquanto pondera seus três desejos, a mulher conhece a história do gênio e reflete sobre a velha moral da história: “cuidado com o que desejar”. O visual, especialmente durante as cenas de recriação do Oriente exuberante, é de encher os olhos, com muitos efeitos visuais, além de uma fotografia, cenografia e figurinos refinadíssimos. Mas a expectativa para a produção era maior que seus 72% de aprovação da crítica na medição do site Rotten Tomatoes. | UM LUGAR BEM LONGE DAQUI | Baseado no livro de mesmo nome de Delia Owens, o filme gira em torno de Kya, uma jovem que cresceu sozinha no brejo de uma cidadezinha e passou a ser tratada como se fosse um bicho. Só que é uma menina doce, que acaba atraindo o interesse de dois rapazes. Quando um deles aparece morto, ela passa a ser caçada pela polícia e precisa provar sua inocência diante de uma população que a odeia. O filme foi escrito por Lucy Alibar (indicada ao Oscar por “Indomável Sonhadora”), dirigido por Olivia Newman (“Minha Primeira Luta”), estrelado por Daisy Edgar-Jones (“Normal People”) e conta ainda com uma música exclusiva de Taylor Swift (“Carolina”) em sua trilha sonora. | HOMEM-ARANHA – SEM VOLTA PARA CASA: A VERSÃO AINDA MAIS DIVERTIDA | O blockbuster de maior bilheteria da pandemia (US$ 1,9 bilhão mundial) volta aos cinemas com 11 minutos de cenas inéditas, incluindo mais cenas de Tobey Maguire e Andrew Garfield. A trama abre o multiverso e infinitas possibilidades no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), além de transformar “fan service” em arte, representando o ápice do modelo cinematográfico da Marvel. Há muitas participações especiais – todas que os fãs pediram – e citações envolvendo 20 anos de cronologia do herói, desde o primeiríssimo “Homem-Aranha” de 2002. Há cenas de muita ação, comédia de rir à toa e tragédia para soluçar de choro. Não é à toa que foi considerado o melhor filme do Homem-Aranha já feito – há quem diga que seja o melhor filme do MCU. E de quebra ainda oferece uma conclusão para a primeira trilogia estrelada por Tom Holland e Zendaya, com direção de Jon Watts. Com tanto sucesso, nem precisavam anunciar, mas já está oficializado que este não é realmente o fim da história. | O CHEF | Elogiadíssima e realmente eletrizante, a produção britânica traz Stephen Graham (“Venom: Tempo de Carnificina”) como um chef que lida com as pressões da crítica e de funcionários, falta de ingredientes e visitas inesperadas numa noite caótica, tentando manter o controle de seu restaurante. Toda filmada em plano sequência pelo diretor Philip Barantini (“Villain”), ao estilo do filme de guerra “1917”, a obra foi indicada a quatro BAFTAs (o Oscar britânico) e tem 99% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. | ENCONTROS | Se o filme é do diretor sul-coreano Hong Sang-Soo (“Certo Agora, Errado Antes”), ele tem uma viagem, conversas em torno de uma mesa, brindes de saquê, passeios na praia e prêmio de festival internacional. Esse arranjo minimalista está mais uma vez presente nas três histórias interconectadas por encontros e desencontros, que começam com a visita de Young-ho a seu pai, um médico. Este não o recebe, pois está atendendo a um ator famoso. Enquanto isso, a namorada do protagonista se muda para Berlim, onde se hospeda na casa de uma pintora. Por fim, o rapaz encontra sua mãe almoçando com o ator, paciente de seu pai. Levou o troféu de Melhor Roteiro no Festival de Berlim. | ENTRE ROSAS | A comédia dramática francesa acompanha uma criadora de rosas à beira da falência, que é salva por uma solução de sua fiel secretária: contratar três presidiários sem nenhum conhecimento de jardinagem, mas que trabalham por salários baixos. Completamente diferentes, eles se unem na missão de salvar a pequena fazenda. A veterana Catherine Frot (“Margueritte”) tem o papel principal. | A ÚLTIMA CHAMADA | O terror B acompanha a vingança de uma velhinha que teve seus últimos momentos de vida importunados pela brincadeira de mau gosto de três adolescentes. Após sua morte, o viúvo procura os jovens para informá-los que eles estão no testamento dela e podem ganhar US$ 100 mil cada apenas para fazer uma ligação – de dentro de sua casa para um telefone no caixão da morta. Mas ao ligarem para o número indicado, coisas estranhas e sanguinárias começam a acontecer. O elenco destaca Linn Shaye (a médium Elise da franquia “Sobrenatural”) como a falecida e Tobin Bell (o serial killer Jigsaw de “Jogos Mortais”) como seu marido. Medíocre, atingiu 44% de aprovação no Rotten Tomatoes. | PINOCCHIO – O MENINO DE MADEIRA | Esta versão irreconhecível da história de Carlo Colodi é uma animação russa de baixo orçamento e péssimo acabamento, que substitui o Grilo Falante por um cavalo falante. A história acompanha Pinóquio cavalgando para conhecer o mundo e fazer truques equestres num circo, onde se apaixona por uma trapezista. | SEGREDOS DE PUTUMAYO | O documentário de Aurélio Michiles (“O Cineasta da Selva”) resgata as investigações do ativista irlandês Roger Casement de mais de 100 anos atrás, quando o então Cônsul Britânico no Brasil denunciou a escravidão e assassinato de milhares de indígenas que eram forçados a trabalhar na coleta de borracha. O seu relatório sobre este assunto foi publicado pelo parlamento britânico e deu-lhe o reconhecimento internacional como humanista e o título de Cavaleiro (Sir) – que ele perdeu junto com a vida, ao ser condenado por se aliar aos alemães num complô pela independência da Irlanda na véspera da 1ª Guerra Mundial. | MARIA – NINGUÉM SABE QUEM SOU EU | O documentário de Maria Bethânia tem como base um depoimento exclusivo para o diretor e roteirista Carlos Jardim, entremeado por imagens raras de ensaios e shows da cantora ao longo de seus 57 anos de carreira. Completando a narrativa, a atriz Fernanda Montenegro recita textos de autores como Ferreira Gullar e Caio Fernando Abreu sobre a importância de Bethânia no cenário cultural brasileiro.
“Top Gun: Maverick” chega em casa. Confira as estreias digitais da semana
A estreia de “Top Gun: Maverick” nas locadoras digitais é o maior atrativo para ficar em casa no fim de semana. Só que o streaming não está colaborando. A Netflix, que tem lançado filmes cada vez piores como se fossem blockbusters, chegou ao pior de seus piores na semana em que a Amazon resolveu disputar a ruindade. Os dois desastres dos serviços de assinatura fecham a lista abaixo mais como aviso do que recomendação, já que são estrelados por astros conhecidos. Há outras opções para se divertir no sofá, incluindo clones de Karen Gillian e carnificina baseada em mangá, sem esquecer dramas e comédias premiadas. Confira os destaques abaixo. | TOP GUN: MAVERICK | VOD* Um dos últimos grandes astros de Hollywood, Tom Cruise chega aos 60 anos no auge. É impressionante que, a esta altura da carreira, seus filme mais recente seja considerado o melhor de toda a sua trajetória. Aplaudidíssimo no Festival de Cannes, “Top Gun: Maverick” voou alto com 97% de aprovação da crítica contabilizada no Rotten Tomatoes, tornando-se o filme mais bem avaliado da filmografia do ator. E atingiu um feito ainda mais impressionante nas bilheterias, com US$ 1,4 bilhão de arrecadação, recorde da carreira de Tom Cruise e maior faturamento de 2022. O mais interessante é que “Top Gun: Maverick” é um filme-fetiche de Tom Cruise, idolatrando-o sem pudor. Toda a trama gira em torno dele, ao retomar o papel que o projetou no cinema de ação. O longa chega a repetir vários elementos do lançamento original – recriações de cenas e até de música-tema – , mas se prova muito melhor que a velha propaganda de recrutamento militar, lançada em 1986 com trilha pop da MTV. Principalmente porque os tempos mudaram. Pilotos de caça viraram uma espécie em extinção nos conflitos modernos de drones. Não há glamour nos jogos de guerra à distância, e nesse sentido o patriotismo da antiga produção virou um espetáculo anacrônico. Este contexto é explorado na continuação, que reencontra o personagem Maverick mais humilde e tendo uma última chance, após um percurso sem promoções, como instrutor da escola de pilotos em que se graduou. Nesta nova situação, ele vai precisar lidar com alunos que o acham ultrapassado, entre eles o filho amargurado de Goose (Anthony Edwards), falecido no filme de 1986. O desafio se torna ainda maior quando tem que liderar os pilotos numa situação de batalha real. O filho de Goose é vivido por Miles Teller (“Whiplash”) e os demais intérpretes de pilotos são Monica Barbaro (“Chicago Justice”), Glen Powell (“Estrelas Além do Tempo”), Danny Ramirez (“Falcão e o Soldado Invernal”), Jay Ellis (“Insecure”) e Lewis Pullman (filho de Bill Pullman, visto em “A Guerra dos Sexos”). Além deles, o elenco ainda inclui Jennifer Connelly (“Expresso do Amanhã”), Ed Harris (“Westworld”), Jon Hamm (“Mad Men”) e Val Kilmer, que também reprisa seu papel do primeiro “Top Gun” como Iceman. A direção é de Joseph Kosinski, que já tinha dirigido Cruise na sci-fi “Oblivion” (2013) e se consagra de vez no comando das cenas aéreas. Quem decidir ver nas maiores Smart TVs deve se preparar para a vertigem. | DUAL | VOD* A comédia sci-fi de humor sombrio traz Karen Gillan (de “Guardiões da Galáxia”) contra Karen Gillan (também de “Jumanji”) num mortal kombat. Na trama escrita e dirigida por Riley Stearns (“A Arte da Autodefesa”), a atriz vive uma mulher com doença terminal que opta por passar pelo processo de clonagem para diminuir a dor da perda nos seus amigos e família. Só que ela acaba milagrosamente curada e, com isso, descobre que precisa se livrar da sua clone, que se instalou em sua casa e assumiu sua vida, num duelo até a morte. O elenco também conta com Aaron Paul (das séries “Breaking Bad” e “Westworld”), Beulah Koale (“Hawaii Five-0”) e Theo James (“A Mulher do Viajante do Tempo”). | ESTÁ TUDO BEM | VOD* O cineasta francês François Ozon (“Verão de 85”) volta a filmar um tema polêmico: a eutanásia. Após sofrer um derrame e ficar paralisado, o pai de Emmanuèle pede à sua filha para ajudá-lo a morrer. Isto dá início a um dilema ético e uma jornada para a Suíça, país onde a morte assistida é legal. Lançado no Festival de Cannes do ano passado, o drama é baseada no livro da romancista Emmanuèle Bernheim, que ajudou Ozon a escrever quatro filmes. Eles eram grandes amigos, mas este projeto só começou a ser produzido após a morte dela, em 2017. Elogiadíssimo, tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes. O elenco destaca Sophie Marceau (“007 – O Mundo Não é o Bastante”) como a filha e o veterano André Dussollier (“Três Lembranças da Minha Juventude”) como o pai, além da alemã Hanna Schygulla (“Lili Marlene”), a inglesa Charlotte Rampling (“45 Anos”) e Géraldine Pailhas (“Jovem e Bela”). | A ESPADA DO IMORTAL | MUBI O filme de número 100 da prolífica filmografia de Takashi Miike destaca a ultraviolência que marca as produções mais conhecidas do cineasta japonês. Apesar de ser a adaptação de um mangá, lançado no Brasil como “A Lâmina do Imortal”, que inclusive rendeu série animada, a produção não é para crianças. Nisso, lembra o cultuado “Azumi” (2003). A versão de Miike exibe cada corte, jorro de sangue, amputação, decapitação e aleijamento resultante das lutas de espada da trama. É quase um filme de terror, que não abre mão do humor negro desconcertante que os fãs do diretor aprenderam a apreciar. Na trama baseada no mangá de Hiroaki Samura, Takuya Kimura (de “Patrulha Estelar”) vive Manji, um ás da espada amaldiçoado com a vida eterna, que por isso se torna imbatível em combate. Visando cumprir uma cota de mil mortes, ele atende ao apelo de uma jovem (Hanna Sugisaki, de “Bathroom Pieta”) para ajudá-la a se vingar do assassinato de sua família, iniciando com ela uma jornada sanguinária. | A CHIARA | MUBI O cineasta Jonas Carpignano conta a história de uma família que desmorona depois que seu pai os abandona na Calábria. A jovem Chiara, de 15 anos, começa a investigar para entender por que seu pai desapareceu e à medida que se aproxima da verdade, ela é forçada a decidir qual futuro quer para si mesma. A trama evoluiu do drama para o thriller, conforme segredos de família destroem a inocência infantil. “A Chiara” fecha a trilogia calabresa do diretor nova-iorquino (iniciada com “Mediterrânea” e “Ciganos da Ciambra”) com 11 prêmios internacionais, a maioria em festivais europeus como Cannes, Zurique, Sevilha e Estocolmo. Além disso, a intérprete de Chiara, Swamy Rotolo, conquistou o David di Donatello (o Oscar italiano) como Melhor Atriz de 2022. | EASY – UMA VIAGEM FÁCIL FÁCIL | FILMICCA Andrea Magnani, o roteirista de “Paradise – Uma Nova Vida” (2019), estreia na direção com um comédia maluca sobre um ex-piloto de kart adolescente que, aos 40 anos, ainda vive em seu antigo quarto de infância e mora com sua mãe. Fora de forma, deprimido e sem perspectivas, Isidoro “Easy” acaba recebendo uma oferta de trabalho de seu irmão, um empresário de construção bem-sucedido: transportar um operário ucraniano morto de volta à sua terra natal nos Cárpatos. E é assim que, equipado com um sistema de navegação e um aplicativo tradutor, “Easy” parte num carro funerário para a Europa Oriental, vivendo incidente atrás de incidente num percurso tortuoso. Tanto o diretor quanto o ator Nicola Nocella (“O Que Será”), que vive o personagem-título, foram indicados ao David di Donatello. | TODOS OS DEUSES DO CÉU | VOD* O terror francês bizarro e premiado acompanha um operário que cuida da irmã, gravemente incapacitada após os dois brincarem de roleta russa na infância. Com surtos psicóticos, ele passa os dias esperando discos voadores aparecerem para levá-lo embora com sua irmã para um mundo melhor. Repleto de imagens perturbadoras, o longa do cineasta Quarxx (“Marginal Tango”) impressiona visualmente como os primeiros filmes de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (pense num “Delicatessen” mais radical), enquanto conta uma história terrível sobre trauma e as cicatrizes duradouras de culpa, recriminação e loucura. | O RIO DE JANEIRO DE HO CHI MINH | VOD* O neto de um marinheiro sobrevivente da Rebelião Chibata tenta transformar em documentário a história que ouviu de seu avô quando criança. Na década de 1910, o velho era amigo de Ho Chi Minh, trouxe o futuro líder vietnamita para o Rio de Janeiro e o apresentou ao socialismo. Essa amizade mudou a história do século 20. Parece muito maluco pra ser verdade. Mas o unificador do Vietnã teve, sim, uma estadia forçada no Brasil durante alguns meses e se impressionou com a história do negro nordestino José Leandro da Silva, o Pernambuco, líder sindical ativo durante a Greve dos Marítimos. Tanto que a escreveu um texto chamado “Solidariedade de Classes”, inspirado pela revolta brasileira, em que discorreu sobre o racismo e a fraternidade proletária. A lembrança dessa passagem histórica pouco conhecida marca a estreia da roteirista-produtora Cláudia Mattos (“180 Graus”) na direção. | DE FÉRIAS DA FAMÍLIA | NETFLIX O comediante Kevin Hart (“Jumanji: Próxima Fase”) fechou um contrato milionário para estrelar quatro filmes da Netflix. O primeiro foi “O Homem de Toronto”, um desastre com apenas 24% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mas o segundo conseguiu ser pior. “De Férias da Família” atingiu 14% de ruindade. A pior comédia do ano da Netflix junta pela primeira vez o comediante com o ator Mark Wahlberg (“Pai em Dose Dupla”). Na trama, Hart é um pai de família que pela primeira vez em anos ganha um tempo livre para fazer o que quiser, enquanto sua esposa e filhos viajam. E decide se reconectar com seu antigo melhor amigo (Wahlberg) para passar um fim de semana selvagem, mas a experiência acaba sendo mais radical do que esperava. Ele sofre todo o tipo de violência imaginável e inacreditavelmente sobrevive a tudo, quase como uma versão live-action do Coiote dos desenhos do “Papa-Léguas”. O filme tem direção de John Hamburg (“Eu Te Amo, Cara”), que já tinha trabalhado com Hart como roteirista de “Operação Supletivo: Agora Vai!” (Night School). Só que agora não foi. | SAMARITANO | AMAZON PRIME VIDEO A disputa de pior filme da semana tem um peso pesado nessa produção B superestimada em que Sylverster Stallone (“Rocky”) vive um super-herói resmungão. O longa não é uma adaptação de quadrinhos. Trata-se de um roteiro original escrito por Bragi F. Schut (“Escape Room”) e acompanha um garoto (Javon “Wanna” Walton de “Euphoria”) que, após ser salvo de um surra, acredita que seu vizinho lixeiro é um super-herói desaparecido e dado como morto há 25 anos. Ele insiste com o lixeiro até convencê-lo a voltar à ativa, no momento em que a cidade vive uma escalada de violência sem precedentes. A direção está a cargo de Julius Avery, que se destacou com o terror “Operação Overlord”, mas que aqui só recicla clichês básicos de série genérica de herói dos anos 1990. Não é, definitivamente, uma produção da Marvel. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Claro TV+, Google Play, Loja Prime, Microsoft Store, Vivo Play e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
“Minions 2” e as principais estreias de filmes pra ver em casa
O maior sucesso atual dos cinemas no Brasil já pode ser visto em casa. Ainda em cartaz e no topo das bilheterias nacionais, “Minions 2: A Origem de Gru” é o principal lançamento nas locadoras digitais do pais nesta sexta (19/8). Com opções para todos os gostos, os destaques das plataformas de streaming e VOD incluem também títulos proibidos para crianças. Confira abaixo 10 estreias para aproveitar a queda das temperaturas debaixo das cobertas. | MINIONS 2: A ORIGEM DE GRU | VOD* Grande blockbuster animado do ano, a continuação de “Minions” conta o início da saga de Gru, que desde criança sonhava entrar num time de supervilões. Ao ser ridicularizado, ele decide provar que é criminoso ao roubar os próprios bandidos, o que dá início a uma perseguição e introduz a ajuda atrapalhada dos minions. A direção é Kyle Balda, que assinou os dois últimos filmes da franquia (“Minions” e “Meu Malvado Favorito 3”), e Brad Ableson (animador de “Os Simpsons”), que estreia no estúdio Illumination. Mas mesmo cedendo seu lugar atrás das câmeras, o diretor Pierre Coffin segue fazendo as vozes macarrônicas dos Minions. A propósito, o dublador nacional de Gru é ninguém menos que Leandro Hassum – enquanto Steve Carell (“The Office”) continua como a voz da versão original. | SEM NORTE | VOD* O anime adulto e sombrio segue um menino de nove anos, que é transferido à força com sua família para um campo de prisioneiros políticos na Coreia do Norte. Sua inocência é gradualmente corroída pela dura brutalidade do acampamento, enquanto o resto de sua família tenta manter a decência ao lutar para sobreviver nas piores condições de vida imagináveis. A história reflete o interesse do diretor Eiji Han Shimizu pelo destino de sua família, que estava morando no Japão após a guerra, mas foi atraída por promessas do regime norte-coreano nos anos 1960 e 1970 para voltarem ao país. Na ocasião, mais de 93 mil coreanos atenderam ao chamamento e muitos deles acabaram em campos de prisioneiros políticos, segundo o cineasta. O desenho ganhou uma Menção Especial no Festival de Varsóvia e o prêmio de Melhor Animação no Festival de Nashville. | O HOMEM IDEAL | AMAZON PRIME VIDEO A sci-fi dramática alemã acompanha uma cientista que, para obter fundos de pesquisa, aceita participar de uma experiência e viver durante três semanas com um androide (Dan Stevens, de “Legion”) programado para fazê-la feliz. Só que ela faz isso contrariada, recusando-se a encarar o robô como algo mais que um eletrodoméstico, mesmo que todos os seus amigos se encantem com seu charme. Com 96% de aprovação e mais de 100 críticas positivas no Rotten Tomatoes, o longa de Maria Schrader (“Nada Ortodoxa”) rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Maren Eggert (“Eu Estava em Casa, Mas…”) no Festival de Berlim, venceu o Lola (o Oscar alemão) de Melhor Filme e foi o candidato da Alemanha ao Oscar deste ano. | AS VERDADES | VOD* O novo suspense criminal estrelado por Lázaro Ramos (“O Silêncio da Chuva”) explora o chamado “efeito Rashômon” (de conflitos de versões). Ramos interpreta um policial que investiga o assassinato de um político (ZéCarlos Machado), candidato a prefeito de uma cidadezinha do sertão, que é encontrado atropelado numa região isolada. Mas cada suspeito tem uma versão diferente sobre quem matou, porque morreu e como aconteceu o assassinato. O elenco destaca Bianca Bin (“O Outro Lado do Paraíso”), Drica Moraes (“Sob Pressão”) e Thomás Aquino (“Curral”) como os suspeitos, além de Edvana Carvalho (“Irmãos Freitas”). O roteiro é de Pedro Furtado (“Boa Sorte”) e a direção é assinada por José Eduardo Belmonte (“Alemão 2”), um dos maiores especialistas brasileiros em filmes criminais. | ALINE – A VOZ DO AMOR | VOD* O drama musical francês é inspirado na vida de Céline Dion. Escrito, dirigido e estrelado pela francesa Valerie Lemercier (“50 São os Novos 30”), acompanha “Aline Dieu”, uma cantora fictícia que tem uma vida bastante parecida com a da intérprete da música-tema de “Titanic”. A trama narra a trajetória da artista desde a infância no Canadá, na região do Quebec durante a década de 1960, passa por sua transformação em cantora nos anos 1980 e segue até atingir seu estrelato mundial, enfatizando seu romance e seu casamento com o empresário idoso que a descobriu. Na vida real, Céline se casou com o homem que a descobriu e apostou tudo no seu sucesso, René Angélil, falecido em 2016. Lemercier venceu o César (o Oscar francês) de Melhor Atriz por sua interpretação. | COMO MATAR A BESTA | VOD* O horror gótico da América do Sul, com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, passa-se na fronteira entre Argentina e Brasil, e acompanha a busca de uma jovem (a estreante Tamara Rocca) pelo irmão desaparecido. Ela se hospeda na casa de sua estranha Tia Inés (Ana Brun, de “As Herdeiras”), próxima da floresta onde, de acordo com rumores, uma perigosa besta surgiu uma semana antes – que dizem ser o espírito de um homem mau capaz de tomar a forma de diferentes animais. Longa de estreia da argentina Agustina San Martín, o filme foi bastante elogiado pela narrativa atmosférica e o simbolismo presente em sua história, repleta de ideias abstratas de medo e empoderamento feminino. | IMPETIGORE: HERANÇA MALDITA | VOD* O diretor Joko Anwar (“Gundala: A Ascensão de um Herói”) traz um reforço indonésio à atual onda de terrores asiáticos arrepiantes e viscerais – veja-se “A Médium” e “Marcas da Maldição”. Ele se inspirou em pesadelos e no “Massacre da Serra Elétrica” original para conjurar esta trama sinistra sobre duas amigas com problemas financeiros, que acreditam ter mudado a sorte quando uma delas herda uma propriedade rural. Mas ao viajarem à aldeia distante, logo percebem o perigo que as espera, evidenciado pelo comportamento estranho dos moradores e nos vestígios de rituais na região. Apesar de muito brutal, o filme foi a submissão da Indonésia na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2021. | ARMADILHA EXPLOSIVA | VOD* O thriller francês de confinamento gira em torno de um carro estacionado no interior de um estacionamento coberto. Sentada no assento do motorista, a protagonista, vivida por Nora Arnezeder (“Zoo”), percebe a contagem regressiva de uma bomba no painel do veículo. Ela é uma especialista em descarte de bombas, que trabalha para uma ONG com o namorado, mas desta vez qualquer erro pode custar não apenas sua vida, mas de seu filho e a filha do namorado, sentados no banco traseiro. Com apenas 30 minutos para impedir a explosão, ela convoca a equipe com quem trabalha para desativar a armadilha. Roteiro e direção são de Vanya Peirani-Vignes, que assina seu primeiro longa após trabalhar como assistente do mestre Claude Lelouch em cinco filmes. | BABYSITTER | MUBI Uma análise irônica da misoginia casual, o segundo longa de Monia Chokri (“A Mulher do Meu Irmão”) acompanha Cédric, que é suspenso do trabalho depois de viralizar por beijar bêbado uma repórter. Preso em casa com sua esposa exausta e seu bebê, Cédric embarca em uma viagem terapêutica para se libertar da misoginia. Mas aí Amy entra em cena: uma babá misteriosa que virará suas vidas de cabeça para baixo. A comédia também critica o culto da maternidade moderna com uma proposta atrevida, propositalmente filmada em tons pastéis, que lhe dar um ar retrô. Para quem não conhece a diretora de Quebec, Chokri também é estrela de “Amores Imaginários” (2010) e “Lawrence Anyways” (2012), filmes de Xavier Dolan. | 365 DIAS FINAIS | NETFLIX O final da trilogia trash era esperado por muitos fãs, o que diz mais sobre a falta de opções eróticas nas plataformas de streaming do que a respeito das qualidades inexistentes da obra. Baseada nos best-sellers de Blanka Lipińska, a franquia acompanha um romance bastante problemático, com premissa de terror disfarçada por cenas quentes entre o casal Laura (Anna-Maria Sieklucka) e Massimo (Michele Morrone). Originalmente sequestrada pelo mafioso Massimo, ela só é solta após se apaixonar por seu carcereiro no período de um ano. O romance, entretanto, é abalado pela chegada de Nacho, vivido por Simone Susinna no segundo filme. Mas assim como aconteceu com “Cinquenta Tons de Cinza”, a trama erótica perde o ímpeto conforme avança, até virar um melodrama de novela no capítulo final, com Massimo tentando reconquistar a amada – curiosamente sem apelar para a violência que caracterizou o primeiro “encontro” – , enquanto ela fica dividida sobre qual dos dois vai escolher. Nos livros, a decisão da protagonista decepcionou os fãs. “365 Dias Finais” chega menos de quatro meses após o lançamento da segunda parte, “365 Dias: Hoje”. E seu lançamento pode realizar uma façanha histórica, transformando “365 Dias” na primeira trilogia a somar 0% (zero por cento mesmo) de aprovação crítica em todos os capítulos no Rotten Tomatoes. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Claro TV+, Google Play, Loja Prime, Microsoft Store, Vivo Play e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Crise do cinema brasileiro tem semana emblemática com quatro estreias sufocadas
Na ausência de blockbusters, a programação de cinema da semana coloca o novo desenho da franquia televisiva “Dragon Ball” em quase mil salas. Trata-se da maior distribuição de um anime no Brasil em todos os tempos. Enquanto isso, quatro estreias nacionais precisam brigar por espaço na concorrida programação. Com maior distribuição, “45 do Segundo Tempo” chega a 230 cinemas. Mas todos enfrentam a falta de proteção ao cinema brasileiro no mercado. A falta de regulamentação e critério é tanta que permite até um desenho japonês sufocar a produção nacional. O Brasil sempre teve problemas para distribuir, mas com o governo Bolsonaro acabaram-se os mecanismos de proteção e os lançamentos acontecem em circuito cada vez mais limitado, impedindo a possibilidade de sucessos comerciais. A crise está escancarada, fruto de uma política anticultural fomentada por ódio político e ideológico, que culminou em veto do presidente à lei que incentiva a abertura de novos cinemas e na cumplicidade da Câmara, que trava a lei das cotas de telas aprovada desde setembro passado na Comissão de Cultura. Pois o resultado está aí, claro como o dia, para todo mundo não ver, exatamente na falta de destaques nacionais em cartaz. Confira abaixo as 10 estreias desta quinta (18/8), que incluem ainda o novo filme do mestre Zhang Yimou e outros títulos, que disputam os cinemas de arte com as produções brasileiras que mereciam maior destaque. | MEU ÁLBUM DE AMORES | O diretor Rafael Gomes (“Música para Morrer de Amor”) completa uma trilogia sentimental com esta comédia sobre um jovem que descobre ser filho de um famoso cantor popular dos anos 1970 no mesmo dia em que é dispensado pela namorada. A notícia é dada por um meio-irmão que não conhecia e com quem vai compartilhar uma missão: deixar as cinzas do ídolo brega com o grande amor de sua vida. Só que, mulherengo, o cantor deixou muitos amores e não será fácil achar o maior deles. O filme destaca Gabriel Leone (“Dom”) em papel duplo, encarnando o cantor e seu filho, além de uma trilha sonora original de Odair José e Arnaldo Antunes, que acrescentam muito à trama. O elenco também inclui Felipe Frazão (“Todxs Nós”), Carla Salle (“Onisciente”), Maria Luísa Mendonça (“Verdades Secretas”), Lorena Comparato (“Rensga Hits!”) e Clarisse Abujamra (“Como Nossos Pais”), entre muitos outros. | 45 DO SEGUNDO TEMPO | Três amigos de colégio se reencontram após 40 anos para recriar uma foto tirada no dia da inauguração do metrô de São Paulo. A reunião é, na realidade, o pretexto de um deles, dono de um restaurante com problemas financeiros, para avisar aos demais que pretende se matar. Mas não antes de ver o Palmeiras ser campeão. A comédia sombria de Luiz Villaça (“O Contador de Histórias”) é estrelada por Tony Ramos (“Se Eu Fosse Você”), Cassio Gabus Mendes (“Justiça”) e Ary França (“Samantha!”) e usa o expediente do reencontro para confrontar a nostalgia de um passado irreal, embelezado por lembranças distantes, e um presente de desencanto com os rumos das vidas. Os três viraram pessoas completamente diferentes de quem eram. E embora um deles tenha tomado a decisão de encerrar sua história assim, os outros dois passam a ponderar a opção da ressignificação. O resultado é um belo filme que, como o título indica, reforça a fé na esperança até o apito final. | MAIOR QUE O MUNDO | A adaptação do livro homônimo de Reinaldo Moraes traz Eriberto Leão (“Ilha de Ferro”) como um escritor que assinou apenas uma obra e sofre com bloqueio criativo. Ao encontrar um diário perdido, ele fica entusiasmado com a história do anão Altair e decide transcrevê-la como se fosse sua criação. Vira o maior sucesso, mas também desperta a fúria do autor original, um criminoso perigoso, criando consequências inesperadas. A comédia besteirol chama mais atenção por incluir a primeira cena de nudez de Luana Piovani (“A Mulher Invisível”) no cinema. Com visual diferente e moderno, ela vive uma bissexual amiga do protagonista e tem uma cena de sexo a três. O elenco do longa de Roberto Marquez também destaca Maria Flor (“Pequeno Segredo”), Gabi Lopes (“A Menina que Matou os Pais”) e Giovanni Venturini (“Veneza”) como Altair, além de Fernanda Young (criadora de “Os Normais”) em seu último trabalho, filmado em 2018, meses antes de morrer – sim, o filme levou quatro anos para chegar às telas. | PAIXÕES RECORRENTES | A cineasta Ana Carolina retorna ao cinema após oito anos – estava ausente desde “A Primeira Missa” (2014) – com uma premissa de piada. Um comunista brasileiro, um capitalista português, um fascista argentino e uma trotskista francesa se encontram num bar… A alegoria se passa numa praia remota onde, de forma teatralizada, todos defendem suas ideologias no dia em que estoura a 2ª Guerra Mundial. | A TEORIA DOS VIDROS QUEBRADOS | A comédia uruguaia acompanha um empregado de uma companhia de seguros designado a trabalhar em uma longínqua e pequena cidade. Após sua chegada, vários carros começam a aparecer incendiados durante a noite sem motivo aparente, e ele deverá resolver o mistério para impedir que a escalada de cobertura de seguros impeça sua progressão dentro da empresa. Tudo isso, enquanto administra uma crise em seu casamento. Escrito e dirigido por Diego Fernández (“Rincón de Darwin”), foi o candidato do Uruguai a uma vaga na categoria de Filme Internacional do Oscar 2022. | LUTA PELA LIBERDADE | O primeiro filme de espionagem do mestre Zhang Yimou (“Herói”) se passa na década de 1930 e segue quatro agentes especiais do Partido Comunista que retornam à China depois de receber treinamento na União Soviética. Mas ao embarcarem em sua primeira missão, são traídos e se veem cercados por perigos de todos os lados. A fotografia é deslumbrante – praxe nos filmes de Yimou – e foi reconhecida com alguns dos 19 troféus conquistados pelo filme em festivais e premiações da indústria cinematográfica chinesa. | UM PEQUENO GRANDE PLANO | O astro Louis Garrel (“O Formidável”) dirige e estrela essa comédia francesa sobre pais de uma criança sensível, que decide vender vários objetos de valor da família para salvar o planeta. Vendo que a determinação do garoto é séria, sua mãe (Laetitia Casta, de “O Que as Mulheres Querem”) resolve acompanhá-lo em sua missão na África. | DE VOLTA À BORGONHA | O novo filme do francês Cédric Klapisch (de “Albergue Espanhol”) acompanha o reencontro de três irmãos na fazenda da família, após o pai adoecer de forma terminal. Um deles não voltava há 10 anos e tudo o que quer da herança é vender sua parte e desaparecer. Mas os outros querem convencê-lo a dar continuidade à vinícola da família. | LOS CONDUCTOS | O drama do colombiano Camilo Restrepo foi premiado como Melhor Filme de Estreia no Festival de 2020. A trama acompanha um homem com a vida despedaçada e assombrado por um único desejo: assassinar o líder da seita da qual fez parte por muitos anos. | DRAGON BALL SUPER – SUPER HERO | O novo filme da franquia animada coloca os Saiyajins contra androides poderosos num enredo que pode ser resumido como uma batalha de super-heróis. Mesmo com o exército Red Ribbon destruído por Son Goku, seus remanescentes decidem levar adiante sua missão e criaram os androides supremos Gamma 1 e Gamma 2. Estes dois androides – que se intitulam “super-heróis” – decidem atacar Piccolo e Gohan, dando início ao conflito da produção.











