Harvey Weinstein é expulso do Sindicato dos Produtores
O sindicato dos produtores de cinema e TV dos Estados Unidos (PGA) expulsou Harvey Weinstein, afirmando que o assédio sexual não será mais tolerado na organização. A decisão foi anunciada quatro semanas após o jornal New York Times trazer à tona as primeiras denúncias de assédio sexual contra o produtor, que teriam acontecido ao longo de quatro décadas. A princípio, o PGA daria oportunidade para Weinstein se defender. “O senhor Weinstein terá a oportunidade de responder (às acusações) antes que o sindicato tome uma decisão em 6 de novembro”, chegou a informar a entidade em comunicado. Mas o aumento significativo de mulheres que abandonaram o silêncio para denunciar o produtor fez com a decisão fosse antecipada e sem direito a controvérsia. “Diante da conduta amplamente informada do senhor Weinstien – alimentada por novas informações – a junta nacional do sindicato dos produtores aprovou, por unanimidade, impor a proibição vitalícia ao senhor Weinstein, expulsando-o de manera definitiva”. “Este passo sem precedentes é um reflexo da seriedade com a qual o sindicato recebe as numerosas denúncias de décadas de má conduta do senhor Weinstein. O assédio sexual não pode mais ser tolerado em nossa indústria ou dentro do sindicato”. Mais de 50 mulheres já acusam publicamente Harvey Weinstein de assédio, agressão ou estupro, desde que a atriz Ashley Judd tomou coragem para ser a primeira a falar com a imprensa sobre o comportamento do magnata, na reportagem do jornal The New York Times publicada em 5 de outubro. Em pouco mais de uma semana, diversas estrelas famosas compartilharam suas experiências de terror com Weinstein, entre elas Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Rose McGowan, Léa Seydoux e Cara Delevingne. Uma reportagem ainda mais polêmica, da revista New Yorker, apresentou as primeiras denúncias de estupro, inclusive da atriz Asia Argento. E há duas semanas o jornal Los Angeles Times desnudou a conexão de Weinstein com o mundo da moda, com denúncias de modelos. Após o escândalo ser revelado, Weinstein foi demitido da própria produtora, The Weinsten Company, teve os créditos de produtor retirado de todos os projetos em andamento de que participa e foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar, e também pelo BAFTA, a Academia britânica. Sua esposa, Georgina Chapman, estilista da grife Marchesa, pediu divórcio e ele ainda deve enfrentar um processo criminal. Desde então, outros casos foram denunciados, abrindo as portas para inúmeras acusações de assédio na indústria do entretenimento. Apenas contra o diretor James Toback, já passam de 300 denúncias.
Netflix teria cancelado House of Cards após denúncia de assédio contra Kevin Spacey
A Netflix teria decidido cancelar “House of Cards”, após a denúncia de assédio sexual contra Kevin Spacey, feita pelo ator Anthony Rapp (série “Star Trek: Discovery”). Além de estrelar, Spacey também tem créditos de produtor da série dramática da plataforma de streaming. A atração já tinha começado a gravar os episódios de sua 6ª temporada, que agora servirão como final da trama. A produtora Media Rights Capital e a Netflix emitiram um comunicado conjunto em menos de 12 horas após a publicação da denúncia no site Buzzfeed, dizendo-se estão profundamente “preocupadas com as notícias sobre Kevin Spacey”. “Em resposta às revelações de ontem de noite, executivos de ambas as empresas chegaram em Baltimore nesta tarde para se encontrar com nosso elenco e equipe, e garantir que eles se sintam seguros e apoiados. Conforme programado anteriormente, Kevin Spacey não se encontra trabalhando no set neste momento”, diz o texto suscinto. O comunicado não aborda o cancelamento, mas os principais sites de entretenimento dos Estados Unidos ouviram fontes que afirmam que a informação foi compartilhada com todos os envolvidos na produção. A princípio, os executivos tranquilizaram os profissionais sobre o trabalho em andamento, informando que a 6ª temporada será completada e os últimos 13 episódios exibidos em 2018. “House of Cards” foi especialmente importante para a Netflix, ao estrear em 2013 e render os primeiros prêmios do serviço de streaming, o que abriu caminho para uma transformação na indústria de entretenimento. Ao todo, a série já teve 46 indicações ao Emmy e venceu seis troféus, além de ter recebido um Peabody e dois Globos de Ouro.
Série animada Uma Família da Pesada já tinha aludido a suposta pedofilia de Kevin Spacey
Após a denúncia de assédio contra Kevin Spacey (série “House of Cards”), que teria tentado abusar sexualmente do ator Anthony Rapp (série “Star Trek: Discovery”) quando este tinha 14 anos, um trecho controverso de um episódio de 2005 da série “Uma Família da Pesada” (Family Guy) ressurgiu nas redes sociais. Na cena, Stewie, o bebê da família, aparece pelado e correndo por um shopping, enquanto grita “Eu escapei do porão de Kevin Spacey”. Veja abaixo. A insinuação de pedofilia da animação de Seth MacFarlane é parecida com outra alusão feita pelo próprio criador da série, na qual denunciou Harvey Weinstein. Em 2013, quando apresentou o Oscar, McFarlane também fez um comentário, em forma de piada, sobre os assédios de Weinstein, dizendo que as atrizes indicadas já não precisavam mais “fingir que gostavam dele”. Poucos dias após o escândalo sexual de Weinstein vir à tona, MacFarlane confirmou no Twitter que seu comentário foi motivado pela história de sua amiga Jessica Barth (atriz de “Ted”, dirigido por McFarlane), que lhe contou ter sido vítima do produtor. Seth MacFarlane ainda não tuitou sobre Kevin Spacey.
Criador de House of Cards se pronuncia sobre acusação de assédio contra Kevin Spacey
O criador de “House of Cards”, Beau Willimon, pronunciou-se sobre a acusação de assédio sexual contra Kevin Spacey, o astro da série da Netflix. Ele tuitou seu apoio ao ator Anthony Rapp (série “Star Trek: Discovery”), que afirmou ter sido assediado por Spacey aos 14 anos. “A história de Anthony Rapp é altamente preocupante”, escreveu o produtor e roteirista. “Durante o período em que trabalhei com Kevin Spacey em ‘House of Cards’, eu não testemunhei e nem fiquei sabendo de nenhum comportamento inapropriado no set de gravações ou fora dele. Dito isso, eu levo a sério denúncias desse tipo de comportamento e esta não será exceção. Sinto muito pelo senhor Rapp e apoio sua coragem”. Rapp disse ao site BuzzFeed News que os dois se conheceram em 1986, quando estavam em peças da Broadway. Uma noite, Spacey convidou Rapp para o seu apartamento para uma festa. Mais tarde, segundo Rapp, ele se viu entediado e assistindo TV no quarto de Spacey, quando percebeu que ele era o único que ainda estava no apartamento com o ator, que tinha 26 anos na época. “Ele estava tentando ficar comigo sexualmente”, disse Rapp, antes de contar que conseguiu se esquivar de Spacey e ir embora. Em resposta à denúncia, Spacey tuitou suas “mais sinceras desculpas”, dizendo não se lembrar do corrido por possivelmente estar bêbado na ocasião, mas aproveitou para se assumir gay. A mistura de temas causou controvérsias e agora o ator está sendo acusado de tentar transformar a acusação de assédio numa notícia sobre o fato dele sair do armário. Willimon não trabalha mais em “House of Cards”, tendo abandona a produção ao final da 4ª temporada, no ano passado. Atualmente, ele desenvolve “The First”, uma série sci-fi sobre a colonização de Marte, na plataforma Hulu.
Kevin Spacey é criticado por usar acusação de assédio para se assumir gay
Pegou mal o fato de Kevin Spacey (série “House of Cards”) ter se assumido gay na esteira de uma acusação de assédio sexual, feita pelo ator Anthony Rapp (“Star Trek: Discovery”) ao BuzzFeed News, em que ele relatou um incidente ocorrido quando tinha 14 anos de idade. Várias pessoas reagiram de forma furiosa no Twitter, diante da impressão de que Spacey estaria tentando desviar o foco da alegação de abuso com uma notícia sobre sua sexualidade. O roteirista Travon Free, dos programas “The Daily Show” e “Full Frontal with Samantha Bee”, fez comédia com a situação, transformando a polêmica num meme: “Anthony Rapp: ‘Kevin Spacey tentou me estuprar’. Mídia: “Kevin, como você responde a isso?’ Spacey: ‘uuh…uuhh… Ei, gente, eu sou gay!'” Anthony Rapp: "Kevin Spacey tried to rape me." Media: "Kevin how do you respond?" Spacey: "uuh…uuhh… Hey everyone I'm gay!" pic.twitter.com/6LAEfsyRtF — Travon Free (@Travon) October 30, 2017 “Kevin Spacey acaba de inventar algo que nunca existiu antes: uma má hora para se assumir”, reclamou o roteirista e ator Billy Eichner, da série “American Horror Story”. Kevin Spacey has just invented something that has never existed before: a bad time to come out. — billy eichner (@billyeichner) October 30, 2017 “Tchau tchau, Spacey, adeus, é sua hora de chorar, é por isso que devemos nos despedir”, disse a atriz Rose McGowan, uma das primeiras a vir a público acusar Harvey Weinstein de assédio sexual. Bye bye, Spacey goodbye, it’s your turn to cry, that’s why we’ve gotta say goodbye. #ROSEARMY — rose mcgowan (@rosemcgowan) October 30, 2017 “O comentário de Kevin Spacey foi errado em muitos níveis”, apontou o ator e roteirista Larry Wilmore, criador da série “Insecure”. Kevin Spacey's comment was wrong on so many levels. https://t.co/5pFhiqMK5W — Larry Wilmore (@larrywilmore) October 30, 2017 “Sair do armário não é o mesmo que se revelar como alguém que atacou um garoto de 14 anos. Misturar essas duas coisas é nojento. Isso expõe a comunidade gay a um milhão de críticas e conspirações velhas e cansativas. A distância que tivemos que caminhar para ficarmos longe da noção de que todos somos pedófilos é significativa. Uma pessoa famosa desviar dessas acusações com uma saída do armário é tão cruel com sua suposta nova comunidade que dói. Como você ousa nos envolver nisso?”, escreveu Richard Lawson, crítico da revista Vanity Fair. Coming out as a gay man is not the same thing as coming out as someone who preyed on a 14-year-old. Conflating those things is disgusting — Richard Lawson (@rilaws) October 30, 2017 “Não para o comunicado de Kevin Spacey. Não. Não há quantidade de embriaguez ou armário que desculpe ou explique o assédio a um criança de 14 anos. ‘Desculpe, senhor Spacey, mas sua ficha para entrar para a comunidade gay neste momento foi negada'”, ironizou o produtor e roteirista Dan Savage, da série “The Real O’Neals”. Nope to Kevin Spacey's statement. Nope. There's no amount of drunk or closeted that excuses or explains away assaulting a 14-year-old child. — Dan Savage (@fakedansavage) 30 de outubro de 2017 "I'm sorry, Mr. Spacey, but your application to join the gay community at this time has been denied." — Dan Savage (@fakedansavage) October 30, 2017 “Em outras notícias, Kevin Spacey não negou de abusar sexualmente de Anthony Rapp quando ele era um garoto de 14 anos. Também culpou a embriaguez. Indesculpável”, escreveu o produtor Wajahat Ali, da série “The Secret Life of Muslims”. In other news, Kevin Spacey didn't deny sexually assaulting Anthony Rapp when he was a 14-year-old boy. Also blamed drunkenness. Inexcusable — Wajahat Ali (@WajahatAli) 30 de outubro de 2017 “‘Claro, talvez eu tenha tentado estuprar um menino de 14 anos quando eu tinha 26, mas eu sou gay!’ é uma defesa horrível”, criticou o escritor Ben Shapiro, de “The Ben Shapiro Show”. "Sure, I may have tried to rape a 14-year-old boy when I was 26, but I'm gay!" is a pretty horrible defense. #Spacey — Ben Shapiro (@benshapiro) October 30, 2017 “Eu não me importo se Kevin Spacey é gay. Nós devíamos estar falando sobre as acusações de que ele assediou sexualmente uma criança”, reclamou a jornalista Sarah Harris, do programa “Studio 10”. I couldn't give two stuffs that Kevin Spacey is gay. Allegations he sexually harassed a child is what we SHOULD be talking about. — Sarah Harris ? (@SarahHarris) October 30, 2017 “Isto não diz respeito a você ser gay, Sr. Spacey, mas sobre você ser um alegado pedófilo”, escreveu o jornalista Piers Morgan, apresentador do programa “Good Morning Britain”. This is not about you being gay, Mr Spacey, it's about you being an alleged paedophile. https://t.co/L92PwDsAB0 — Piers Morgan (@piersmorgan) October 30, 2017 “Eu continuou lendo esta declaração e ficando cada vez mais furioso. Se assumir é uma parte linda de ser gay. Juntar isso com uma vilania é completamente errado”, resumiu o jornalista Mark Harris, do site Vulture. I keep rereading this statement and getting angrier. Coming out is a beautiful part of being gay. Attaching it to this vileness is so wrong. — realMarkHarris (@MarkHarrisNYC) October 30, 2017
Ator de Star Trek: Discovery denuncia assédio sexual de Kevin Spacey quando tinha 14 anos
O ator Anthony Rapp, que estrela “Star Trek: Discovery”, acusou Kevin Spacey, o astro de “House of Cards”, de lhe assediar ele quando ele tinha apenas 14 anos. Em resposta, Spacey tuitou suas “mais sinceras desculpas” na noite de domingo (29/10) e se assumiu gay. Rapp disse ao BuzzFeed News que os dois se conheceram em 1986, quando ambos apareceram em peças da Broadway. Uma noite, Spacey convidou Rapp para o seu apartamento para uma festa. Mas ele diz que ficou entediado e preferiu assistir TV no quarto de Spacey, até que percebeu que era o único que ainda estava no apartamento com o ator, que tinha 26 anos na época. Spacey então apareceu e “estava parado na porta, meio que balançava. Minha impressão quando ele entrou na sala era que ele estava bêbado”. O ator da nova série “Star Trek” afirmou que Spacey então o “pegou como um noivo pega a noiva. Mas eu não me debati inicialmente porque minha reação foi de espanto, ‘O que está acontecendo?’ E então ele ficou em cima de mim”. “Ele estava tentando me seduzir”, disse Rapp. “Eu não sei se eu teria usado essa linguagem. Mas eu estava ciente de que ele estava tentando ficar comigo sexualmente “. Rapp então escapou, entrou no banheiro e trancou a porta. “Eu estava tipo, ‘O que está acontecendo?’. Eu vi no balcão ao lado da pia uma foto dele com o braço em torno de um homem. Então, eu acho que em algum nível percebi ‘Oh Ele é gay’. Então, eu abri a porta e disse ‘OK, eu vou para casa agora’. Ele me seguiu até a porta da frente do apartamento e, ao abrir a porta para sair, ele perguntou: ‘Você tem certeza de que quer ir?’ Eu disse: “Sim, boa noite”, e depois fui embora”. Agora com 46 anos, Rapp disse que se sente com sorte por não ter acontecido nada mais, mas ainda está incrédulo por ter tido essa experiência aos 14 anos. Ele completou se dizendo motivado a compartilhar sua história após as numerosas acusações de assédio sexual e abuso que surgiram nos últimos dias, contra Harvey Weinstein, James Toback, Mark Halperin e outros na indústria do entretenimento, para que isso não aconteça mais. Após a publicação do relato, a entidade LGBT+ GLAAD parabenizou Rapp, que interpreta o primeiro tripulante gay numa série de “Star Trek” e é abertamente gay na vida real, pela coragem de ter compartilhado sua história, tuitando: “Obrigado, Anthony e todos os outros que arriscam tudo para falar contra agressões sexuais”. Kevin Spacey, que hoje tem 58 anos, também foi ao Twitter, onde publicou um pedido de desculpas por “o que teria sido um comportamento embriagado profundamente inapropriado”. Ele disse que não se lembra do encontro, mas ficou “mais que horrorizado” ao ouvir o relato de Rapp. O astro de “House of Cards” também observou que teve relações amorosas com homens e mulheres, mas agora escolheu “viver como homem gay”. “Quero lidar com isto honestamente e abertamente, e isto inclui examinar meu próprio comportamento”, ele escreveu. Veja a íntegra do tuíte de Kevin Spacey abaixo. pic.twitter.com/X6ybi5atr5 — Kevin Spacey (@KevinSpacey) October 30, 2017
Annabella Sciorra diz ter sido estuprada por Harvey Weinstein em sua própria casa
A atriz americana Annabella Sciorra, indicada ao Emmy pela série “Família Soprano” (The Sopranos), somou-se às mulheres que afirmam ter sido estupradas pelo produtor Harvey Weinstein. Em entrevista à revista The New Yorker, que anteriormente tinha publicado as primeiras acusações de estupro contra Weinstein, ela contou que a violência aconteceu no início da década de 1990, depois de um evento em Nova York. Desde que ela filmou “A Noite que Nunca Nos Encontramos” (1993) para a Miramax, era sempre convidada para jantares e festas do estúdio, e algumas vezes ia de carona para casa. Na noite fatídica, Weinstein se ofereceu para conduzi-la. Minutos depois de tê-la deixado em casa, ela bateu em sua porta, entrou “como se fosse dono do lugar e começou a desabotoar a camisa”, a atriz relatou. Sciorra disse ter pedido reiteradas vezes que ele fosse embora. “Mas ele me jogou na cama e subiu em cima de mim”, contou. Apesar de resistir ao avanço, a atriz afirma que o magnata cinematográfico usou seu peso para forçá-la e a estuprou. “Tentei me defender, mas não tinha forças”, explicou. “Nas noites seguintes, não conseguia dormir. Coloquei móveis contra a porta, como nos filmes (…) Estava muito envergonhada”, admitiu. Sciorra caiu em depressão, mas decidiu não tornar o estupro público por ter medo de represálias. Após dar um tempo sua carreira, ele resolveu retomar o trabalho. E Weinstein voltou a assediá-la. Isso durou vários anos e, traumatizada, ela passou a dormir com um bastão de beisebol perto da cama. Além dela, a atriz Daryl Hannah também contou ao New Yorker ter sido assediada pelo empresário no início dos anos 2000. O magnata se meteu em seu quarto de hotel como “um touro furioso” e depois perguntou se podia tocar em seus seios. A atriz afirma que, depois de negar-se, sua carreira sofreu “repercussões imediatas”. Os dois testemunhos se somam aos de mais de 50 mulheres que acusam publicamente Harvey Weinstein de assédio, agressão ou estupro, desde que a atriz Ashley Judd tomou coragem para ser a primeira a falar com a imprensa sobre o comportamento do magnata, numa reportagem do jornal The New York Times publicada em 5 de outubro. Em pouco mais de uma semana, diversas estrelas famosas compartilharam suas experiências de terror com Weinstein, entre elas Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Rose McGowan, Léa Seydoux e Cara Delevingne. Uma reportagem ainda mais polêmica, da revista New Yorker, apresentou as primeiras denúncias de estupro, inclusive da atriz Asia Argento. E na semana passada o jornal Los Angeles Times desnudou a conexão de Weinstein com o mundo da moda, com denúncias de modelos. Após o escândalo ser revelado, Weinstein foi demitido da própria produtora, The Weinsten Company, teve os créditos de produtor retirado de todos os projetos em andamento de que participa e foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar, e também pelo BAFTA, a Academia britânica, e o Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos (PGA). Sua esposa, Georgina Chapman, estilista da grife Marchesa, pediu divórcio e ele ainda deve enfrentar um processo criminal. Desde então, outros casos foram denunciados, abrindo as comportas para inúmeras acusações de assédio na indústria do entretenimento. Apenas contra o diretor James Toback, já passam de 300 denúncias.
Gal Gadot evita homenagear produtor de Batman vs Superman, acusado de abuso sexual
A atriz Gal Gadot cancelou sua participação num evento em ela entregaria um prêmio ao diretor e produtor Brett Ratner (“A Hora do Rush”) pelo conjunto de sua obra. O evento era iniciativa de uma organização judaica (Jewish National Fund), que após o cancelamento procurou evitar polêmica afirmando que tinha acontecido conflito de agenda. Gadot estava na China na sexta-feira (27/10) participando da divulgação internacional do filme da “Liga da Justiça”, e era esperada em Los Angeles no domingo para a premiação. Mas a revista Variety e a coluna Page Six, do New York Post, lembraram uma polêmica bastante conhecida de assédio sexual do diretor. Em 2010, a atriz Olivia Munn (“X-Men: Apocalipse”) publicou um livro sobre sua tentativa de começar uma carreira em Hollywood. Batizado de “Suck It, Wonder Woman!: The Misadventures of a Hollywood Geek”, o livro mencionava um diretor que se masturbou na sua frente. Brett Ratner vestiu a carapuça e disse na época que “tinha trepado com ela algumas vezes, mas esquecido”, e que a história era falsa. Um ano depois, ele admitiu que mentiu sobre o relacionamento. Agora, graças à repercussão do caso de Harvey Weinstein, as acusações voltaram à mídia. Além de diretor, Ratner é produtor como Weinstein. Em 2012, ele fundou a produtora RatPac com o milionário James Packer, ex-noivo de Mariah Carey. Após se fundir com a Dune Entertainment, a empresa foi rebatizada de RatPack-Dune Entertaiment, começando seus negócios com os sucessos de “Gravidade” (2013), “Uma Aventura Lego” (2014), “Sniper Americano” (2014), “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015), “O Regresso” (2015) e até… “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2016), em que Gadot debutou como Mulher-Maravilha!
Robert Rodriguez declara ter escalado Rose McGowan em Grindhouse para confrontar Weinstein
O diretor Robert Rodriguez trouxe à tona mais uma história de bastidores sobre o produtor Harvey Weinstein, envolvido num escândalo sexual de assédio em série. Em depoimento à revista Variety, ele afirmou ter escalado a atriz Rose McGowan em “Grindhouse” (2007) para confrontar Weinstein, após descobrir que o produtor tinha abusado dela. Idealizado como um programa duplo, composto pelos filmes “À Prova de Morte”, de Quentin Tarantino, e “Planeta Terror”, de Rodriguez, “Grindhouse” era uma homenagem ao cinema trash americano dos anos 1960 e 1970. Rose interpreta protagonistas nos dois filmes. A atriz acusou Weinstein de estuprá-la em 1997, enquanto ela atuava no filme “Pânico”, produzido pela Miramax. Assim como ela, várias outras atrizes vieram a público contar histórias de investidas não correspondidas e assédio sexual violento, como Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Mira Sorvino e Cara Delevingne. Rodriguez trabalhou com os irmãos Weinstein por muitos anos, lançando seus filmes principalmente pela Dimension, selo administrado por Bob Weinstein, irmão de Harvey. Leia abaixo, trechos do longo depoimento do diretor. “Eu não discuti previamente o que eu sabia sobre o incidente de 1997 sofrido por Rose em um quarto de hotel durante o Festival de Sundance, porque nunca quis fazer nada que prejudicasse um acordo legal que ela estabeleceu com Harvey Weinstein. Agora que ela é capaz de contar sua história, eu quero compartilhar o que eu sabia, quando eu soube, e o que eu fiz sobre isso. Conheci Rose em Cannes em 19 de maio de 2005, em uma festa da amfAR. ‘Sin City’ acabara de ser exibido no Festival e ela me disse que ela era uma fã de cinema noir e que desejaria ter participado de ‘Sin City’. Perguntei-lhe ‘Por que você não fez um teste? Você teria sido fantástica’. Ela disse que não podia, porque tinha sido colocada numa lista negra que a proibia de trabalhar em qualquer filme de Weinstein. Quando eu perguntei o que ela quis dizer com isso, e como ela poderia ser na lista negra, ela me contou a horrível história do que Harvey fez com ela sete anos antes. Minha primeira reação foi de choque. Lembro claramente o que eu disse em seguida: ‘Meu Deus, por que você não disse nada? Pessoas teriam defendido você! E o que fez seu noivo durante tudo isso? Eu teria pelo menos socado Harvey se eu tivesse ouvido isso’. Rose disse que eles não sabiam o que fazer. Ela confiou numa advogada, que havia lhe dito que, como ela tinha cenas de nudez nos filmes, nenhum júri acreditaria nela e que isso se transformaria na sua palavra contra a dele. Rose me disse que tudo o que podia fazer na época era conseguir que Harvey Weinstein doasse dinheiro para um abrigo de mulheres abusadas e, em troca, ela assinaria um acordo de não divulgação (NDA) que a proibia de falar sobre a terrível violação sem ser processada, e que ela nem deveria estar me contando. Para adicionar insulto ao prejuízo, ela me disse que estava na lista negra, proibida de participar de qualquer filme de Weinstein. Incensado pelo que ouvi, eu disse a Rose que ela não estava na lista negra dos meus filmes e que Harvey não podia me dizer quem eu podia escalar. O motivo era que Harvey não trabalhava em meus filmes. Eu filmei todos esses anos para a Dimension de Bob Weinstein. Então, eu expliquei que, se eu a incluísse no meu próximo filme, Harvey não poderia me impedir, porque minha primeira pergunta seria ‘Ah, realmente? Por que não posso escalá-la?’ E eu tinha certeza de que ele não gostaria de me dizer o motivo. Então, revelei a Rose que estava prestes a começar a escrever um filme com Quentin Tarantino, um homenagem às sessões duplas dos filmes apelativos dos anos 1970, e que, se ela estivesse interessada, eu escreveria uma personagem ‘bad ass’ e lhe daria um papel principal. Eu queria que ela tivesse um papel principal em um grande filme para tirá-la da lista negra, e a melhor parte disso é que teríamos a nova The Weinstein Company da Harvey para pagar por toda a maldita coisa. Assim que eu terminei de contar a Rose, eu vi Harvey andando pela festa! Liguei para Harvey para vir a nossa mesa, e assim que chegou perto o suficiente para ver que eu estava sentada com Rose, seu rosto caiu e ele ficou branco como um fantasma. Eu disse: ‘Ei Harvey, esta é Rose McGowan. Eu acho que ela é incrível e realmente talentosa e eu vou lançá-la no meu próximo filme’. Harvey então virou o maior canastrão que eu já vi, elogiando: ‘Ah, ela é maravilhosa, ah ela é incrível, ah, ela é fantástica, ah ela é tão talentosa … Vocês dois definitivamente deveriam trabalhar juntos’. E então ele desapareceu. Eu pude saber então que cada palavra que Rose me disse era verdade, você podia ver tudo em seu rosto. Olhei para Rose. Sua boca estava aberta e seus olhos estavam arregalados. ‘UAU. Nunca vi isso antes’, disse ela. Eu então disse a ela que se ela quisesse que eu escrevesse um papel para ela, a empresa de Harvey teria que financiá-la. Rose concordou, e o acordo foi concluído. Eu achei incrível que ela tivesse deixado o incidente para trás e continuado com sua carreira. Eu queria ajudar. Nós tínhamos um plano e, mais importante, nós tínhamos uma missão. Uma vez que o estúdio de Weinstein tinha prioridade sobre qualquer projeto meu ou de Quentin, eu sabia que nunca deixariam esse projeto ir para outro estúdio. Escalar Rose como protagonista pareceu o movimento certo para se fazer na época – para literalmente fazê-lo pagar. Mas por causa da NDA e a pedido de Rose, eu tive que ficar em silêncio até agora sobre o motivo pelo qual fizemos esse filme juntos, especialmente para Harvey. Nós sabíamos que, estrategicamente, não conseguíamos esfregar em seu rosto porque estávamos REALMENTE fazendo esse filme, pois ele simplesmente enterraria o filme, não o venderia bem e todos perderiam. Mas, para o nosso horror, Harvey enterrou nosso filme de qualquer maneira, e porque não queríamos nos arriscar a ser processados, nunca falamos publicamente sobre o assunto. Teria sido muito mais fácil para nós dois se pudéssemos ter revelado porque fizemos isso. Mesmo depois de 12 anos, nunca esquecerei de me sentar com Rose naquela festa e, instantaneamente, me inspirado a criar uma heroína de ação feminina que se transforma em um super-heroína que mata estupradores e sobrevive a uma apocalipse. Eu admito que realmente pareceu bom na hora o fato de usar arte para enfrentar o que Harvey estava fazendo com uma atriz maravilhosa, proibindo-a de trabalhar. Na época, era a única coisa que podíamos fazer. E mesmo que ‘Grindhouse’ tenha recebido críticas excelentes, que Rose tenha recebido elogios fantásticos, e o filme ainda seja até hoje favorito dos fãs, foi doloroso ver Harvey simplesmente enterrá-lo na distribuição… só porque Rose era a atriz principal. Essas últimas semanas me deram uma nova clareza e esperança ao ver a maré finalmente virar, ao ver Harvey finalmente fugir e ver todas as mulheres corajosas que compartilharam suas próprias histórias chocantes e angustiantes de abuso. Mas senti uma clara falta de histórias de homens que poderiam ter tentado fazer o que é certo, sem se importar com as conseqüências. Todo mundo tem que tomar uma posição e agir…”
James Toback baixa o nível em entrevista sobre assédio sexual na revista Rolling Stone
O diretor, produtor e roteirista James Toback deu uma entrevista à revista Rolling Stone dias antes de virar alvo do escândalo sexual mais volumoso de Hollywood. Publicada apenas agora, a entrevista foi feita cinco dias antes do jornal Los Angeles Times trazer as denúncias de quase 40 mulheres à tona, e registra um vocabulário de baixíssimo nível. A reportagem da Rolling Stone antecipou o assunto, citando mulheres que tinham se identificado como vítimas do diretor nas redes sociais, mas na época ainda não havia a profusão de denúncias atuais. De acordo com o jornalista Glenn Whipp, autor da reportagem do Times, em uma semana o número de mulheres que o procurou para afirmar ter sido assediada pelo cineasta já passou de 300. A resposta do cineasta ao questionamento dos então “rumores” revelou um baixo nível chocante. “Todas essas acusadoras são chupadoras de p*u mentirosas ou de buc*tas mentirosas”, ele afirmou para a Rolling Stone. “Posso ser mais claro do que isso?” “Qualquer pessoa que diga isso sobre mim, eu só quero cuspir na cara dela”, acrescentou. “Ninguém que já trabalhou comigo ou me conhece diria algo assim de mim. Ninguém”. Entretanto, após a reportagem do Times, Julianne Moore confirmou que ele a assediou como as mulheres descreveram no artigo. E Selma Blair e Rachel McAdams deram detalhes sórdidos, descrevendo até masturbação durante um suposto teste de elenco, em entrevista à revista Vanity Fair.
HBO cancela produção de minissérie sobre a eleição de Trump após novo escândalo sexual
A onda de denúncias de assédio que sacode Hollywood atingiu o jornalista Mark Halperin (foto acima, ao lado do presidente americano), autor de um livro ainda inédito sobre a eleição de Donald Trump, que ia virar minissérie da HBO. Além de o jornalista ter sido demitido da NBC News, onde atuava como analista político, o lançamento do livro e a produção da série foram cancelados. “A HBO não está mais vinculada ao projeto do livro sem título, co-escrito por Mark Halperin e John Heilemann, sobre a eleição presidencial de 2016”, disse a rede em um comunicado. “A HBO não tolera assédio sexual dentro da empresa ou em suas produções”. As denúncias foram relatadas pela primeira vez na quarta-feira (26/10) pela CNN e abordam o período em que Halperin era editor de política na ABC News. As alegações incluem propostas sexuais a funcionárias e abuso de várias mulheres, que ele pressionava sem consentimento para ter uma ereção. Anunciada em março, a minissérie seria produzida pelo astro Tom Hanks e dirigida por Jay Roach. Os dois já tinham feito na HBO o bem-sucedido telefilme “Virada no Jogo”, sobre a corrida presidencial de 2012.
Academia do Oscar terá código de conduta após escândalo sexual de Harvey Weinstein
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas decidiu tomar algumas providências para impedir novos escândalos sexuais, como os casos de abuso e até estupro denunciados por atrizes contra o produtor Harvey Weinstein. A CEO do Oscar, Dawn Hudson, revelou que serão criados novos códigos de conduta para os membros da organização, em comunicado divulgado nesta sexta-feira (27/10). “Assim como você, o Conselho dos Governadores [os diretores da Academia] está preocupado sobre o assédio sexual e o comportamento predatório no local de trabalho, especialmente na nossa indústria. Acreditamos que a nossa Academia tem a obrigação de trazer uma atmosfera respeitosa e segura para os profissionais que fazem filmes”, Hudson disse na nota divulgada para a imprensa. “Para este fim, estamos avançando para estabelecer um código de conduta aos nossos membros, o que irá incluir política para avaliar as alegadas violações e determinar ações de desfiliação da Academia”, completou. No dia 14 de outubro, os 54 membros do conselho decidiram expulsar Weinstein, após o jornal The New York Times revelar alegações de assédio sexual contra o produtor. A reportagem inspirou dezenas de atrizes a romperem o silêncio para se juntarem às denúncias, alegando até estupro. Mais de 50 mulheres já declararam terem sido abusadas pelo produtor desde que a atriz Ashley Judd tomou coragem para ser a primeira a denunciar publicamente o comportamento do magnata, numa reportagem do jornal The New York Times, publicada em 5 de outubro. Em pouco mais de uma semana, diversas estrelas famosas compartilharam suas experiências de terror com Weinstein, entre elas Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Rose McGowan, Léa Seydoux e Cara Delevingne. Uma reportagem ainda mais polêmica, da revista New Yorker, apresentou as primeiras denúncias de estupro, inclusive da atriz Asia Argento. E nesta semana o jornal Los Angeles Times desnudou a conexão de Weinstein com o mundo da moda, com denúncias de modelos. Após o escândalo ser revelado, Weinstein foi demitido da própria produtora, The Weinsten Company, teve os créditos de produtor retirado de todos os projetos em andamento de que participa e foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar, e também pelo BAFTA, a Academia britânica, e o Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos (PGA). Sua esposa, Georgina Chapman, estilista da grife Marchesa, pediu divórcio e ele ainda deve enfrentar um processo criminal. A repercussão do caso fez com que várias outras estrelas relatassem suas experiências de abuso em Hollywood. E o diretor James Toback foi acusado por quase 40 atrizes em uma reportagem do jornal Los Angeles Times. Em menos de uma semana, o número saltou para mais de 200, entre elas algumas famosas, como Selma Blair e Rachel McAdams. “Estamos consultando especialistas em leis e ética para ter um melhor entendimento do que mais podemos e deveríamos fazer. Apesar de não termos a intenção de funcionar como um corpo investigativo, temos o direito e obrigação como uma associação voluntária de manter padrões limpos de conduta em ambiente de trabalho para aqueles que aceitamos como membros”, acrescentou Dawn Hudson.
Corey Feldman anuncia documentário sobre pedofilia em Hollywood e revela sofrer ameaças de morte
Conhecido por seus papéis como ator-mirim em filmes dos anos 1980, como “Os Goonies”, “Conta Comigo” e “Garotos Perdidos”, Corey Feldman anunciou que está preparando um documentário sobre os abusos que sofreu o início de sua carreira em Hollywood. Mas que está com muito medo, pois desde que iniciou a campanha para arrecadar fundos para o projeto, vem sofrendo ameaças de morte. Ele explica, em um vídeo do projeto, que ao revela detalhes de sua vida irá expor um esquema de pedofilia que acontece na indústria do cinema americano e promete denunciar nomes de grande peso em Hollywood. Mas que vai precisar de dinheiro, não só para produzir o filme, mas para se proteger legalmente de processos, já que envolverá o nome de um grande estúdio e de alguém que ainda é muito poderoso. Em sua chamada “Campanha da Verdade”, o ator disse que precisa arrecadar US$ 10 milhões em dois meses para realizar o filme e sua defesa jurídica, e confessa estar com medo do que possa acontecer. A campanha, que está no ar no site Indiegogo, oferece diversas recompensas para quem colaborar. Essa não é a primeira vez que Feldman aborda a pedofilia nos bastidores do cinema americano. Mas, até então, suas declarações eram indiretas. O anúncio do documentário acontece após diversas atrizes superarem o medo de dar nomes a assediadores em série de Hollywood, revelando os escândalos sexuais recentes de Harvey Weinstein e James Toback. O vídeo abaixo foi disponibilizado na página do projeto no Indiegogo.












