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  • Filme

    David Lynch, diretor de “Twin Peaks” e “Cidade dos Sonhos”, morre aos 78 anos

    16 de janeiro de 2025 /

    O cineasta e roteirista, reconhecido por transformar o cinema e a TV com uma visão surrealista e perturbadora, lutava contra um enfisema desde 2024

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  • Filme

    Documentário sobre David Lynch revela a Vida de um Artista

    4 de setembro de 2017 /

    Um timing perfeito o da chegada do documentário “David Lynch – A Vida de um Artista” aos cinemas. O cineasta voltou a ser incensado como um dos maiores gênios do cinema, ironicamente pela nova revolução que vem mostrando com “Twin Peaks – The Return”, que é, entre outras coisas, uma síntese de toda sua carreira, inclusive de seu período pré-cinema, como pintor, quando resolve experimentar pinturas que se movem. Um dos grandes acertos dos diretores Jon Nguyen, Rick Barnes e Olivia Neergaard-Holm foi ter conseguido fazer um documentário que é a cara de seu objeto de estudo. Ou seja, embora possa parecer às vezes um documentário tradicional, com muitas falas de David Lynch sobre sua infância, juventude, fatos inusitados de sua vida e arte, isso é contado com por meio de músicas (muitas delas compostas pelo próprio Lynch), sons e pinturas que funcionam como objetos lynchianos perfeitos para o documentário. Há também um interesse especial por situações surreais na vida de Lynch, como algumas lembranças que ele tem da infância, como a de uma mulher andando completamente nua na rua com sangue saindo pela boca. No geral, porém, não parece haver muitos motivos em sua vida para que o artista tenha preferido adotar esse gosto pelo bizarro e pela violência com humor, que caracterizaria boa parte de sua obra. Inclusive, sua infância parece ser tão perfeita quanto são as cidades que ele aborda, quando vistas de maneira superficial. É assim em “Twin Peaks” (1990), é assim em “Veludo Azul” (1986) etc. A emulação do jeito Lynch de ser está presente em outras situações e momentos do documentário, como quando há uma exploração do humor retirado da vida real: a primeira experiência com a maconha, ou a visita do pai à sua oficina artística (o conselho do pai: “Não tenha filhos”, ao acreditar que o filho é mentalmente doente, é hilário). Destaca-se também, nos monólogos, os silêncios, que são tão caros ao cineasta, com sua fala característica. O filme ainda dá bastante espaço para suas pinturas belamente sinistras, que são uma espécie de sublimação de seu lado mais sombrio através da arte. Sem falar no quanto esses quadros são familiares a quem acompanha a obra cinematográfica e televisiva de Lynch. Paradoxalmente, há poucos bastidores de seus filmes. Mas é possível ver a gênese de “Eraserhead” (1977), primeiro longa-metragem do cineasta, visto por ele como uma das melhores e mais belas coisas que já fez. Aqueles que procurarem em “David Lynch – A Vida de um Artista” uma espécie de compêndio de suas obras cinematográficas, ao estilo de “De Palma”, “Ozualdo Candeias e o Cinema” e “Jia Zhang-Ke, Um Homem de Fenyang”, para citar três exemplos recentes, pode sair um tanto decepcionado do cinema. Mesmo assim, fãs de Lynch ficarão bastante satisfeitos com o que é exibido.

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