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  • Música

    Shane MacGowan, vocalista da banda folk punk The Pogues, morre aos 65 anos

    30 de novembro de 2023 /

    Shane MacGowan, vocalista e fundador da banda folk punk The Pogues, morreu nesta quinta-feira (30/11) aos 65 anos. A informação foi divulgada pela esposa do artista nas redes sociais. Ele havia sido hospitalizado em dezembro de 2022 com encefalite viral e, neste ano, precisou ficar meses em terapia intensiva. Com problemas crônicos de saúde, Shane chegou a ser internado novamente em julho, mas foi liberado neste mês, possivelmente para morrer em casa ao lado dos entes queridos, o que acabou acontecendo. Punk original Filho de irlandês criado na Inglaterra, ele foi um punk autêntico, ao ponto de ter tido um pedaço da orelha arrancada durante um dos primeiros shows do The Clash em 1976. A cena foi fotografada e publicada pela revista NME, dando fama ao jovem Shane MacGowan, que aproveitou a notoriedade para formar sua primeira banda punk, Nipple Erectors (mais tarde Nips). Paralelamente, ele também começou um trio de folk anárquico com os irlandeses Peter “Spider” Stacy e Jem Finer, chamado New Republicans. Quando os Nips se separaram em 1981, o cantor voltou suas atenções para o grupo irlandês, adicionando gradualmente James Fearnley, Andrew Ranken e a baixista e vocalista Cait O’Riordan. Em 1982, a banda assumiu o nome de Pogue Mahone (gíria irlandesa que significava “beije minha bunda”). Mas após ameaça de boicote, mudaram para The Pogues. A fase de ouro Em 1984, eles fizeram uma turnê com The Clash e assinaram um contrato com a pioneira gravadora independente Stiff Records, por onde lançaram o LP de estreia “Red Roses for Me”. Ganhando reputação por fazer shows histéricos, o grupo atraiu a atenção de Elvis Costello, que produziu seu segundo álbum, “Rum, Sodomy and the Lash”, em 1985. Reforçado por um cover melancólico de “Dirty Old Town” de Ewan MacColl, o disco alcançou a 13ª posição nas paradas de álbuns do Reino Unido. Mas também representou a despedida de uma integrante original. O’Riordan se casou com Costello e deixou a banda em 1986, quando o grupo lançou “Poguetry in Motion”, um EP de quatro músicas que incluía algumas das melhores letras de MacGowan. No ano seguinte, eles fizeram uma colaboração com os veteranos do folk irlandês, Dubliners, que lhes rendeu seu primeiro hit no Top 10 das paradas britânicas – “The Irish Rover”. Em seguida veio o pico comercial do grupo, o álbum “If I Should Fall From Grace With God”, de 1988. Produzido por Steve Lillywhite, produtor dos primeiros álbuns do U2, o lançamento limpou o som da banda e explorou uma variedade maior de estilos, levando os Pogues ao 3º lugar dos discos mais vendidos do Reino Unido. A faixa natalina “Fairytale of New York”, em que MacGowan cantava em dueto com Kristy MacColl, acabou se tornou o maior sucesso do grupo. A influência e a decadência Com a visibilidade conseguida à frente dos Pogues, MacGowan foi responsável por aproximar a música folk da Irlanda do punk rock britânico. A postura anárquica e os vocais gritados com dentes podres, contrastando com violões, banjo, acordeom e flauta, aliados à letras politizadas e engajamento contra a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, influenciaram diversos artistas que se seguiram, inventando o folk punk. Entretanto, o problema do cantor com a bebida acabou se provando maior que sua capacidade artística – ele teria começado a beber aos cinco anos de idade. Em 1991, MacGown foi afastado da banda que criou, sendo substituído no disco seguinte por seu ídolo Joe Strummer, ex-líder do The Clash, e no último disco de 1994 por Spider Stacy. Carreira solo MacGowan seguiu em carreira solo, apresentando-se com uma banda parecida com os Pogues, os Popes. Entre suas músicas mais famosas da época estão o dueto com Sinead O’Connor “Haunted” (1995), além de colaborações com Nick Cave e Jesus & Mary Chain, mas os novos trabalhos não repetiram o sucesso dos anos 1980. No final dos anos 1990, ele perdeu a maioria dos dentes e passou a falar com um tom de rosnado quase incompreensível. Em 2001, Sinead O’Connor denunciou MacGowan à polícia por porte de drogas como uma última tentativa de salvá-lo de uma morte por overdose. Após o susto, ele se reergueu e, durante a última metade da década de 2000, voltou a reformar os Pogues para uma série de shows, muitas vezes tocando em locais maiores do que o grupo costumava se apresentar em seu apogeu. A banda, entretanto, não voltou ao estúdio. Últimos anos A última gravação de MacGowan foi a balada de amor “For the Dancing and Dreaming”, feita para a trilha sonora da animação “Como Treinar Seu Dragão 2” (2014). Mas, antes de morrer, ele estava trabalhando em músicas novas com a banda indie Cronin. Em seus últimos shows, ele se apresentava numa cadeira de rodas. Foi assim que cantou na celebração de seu aniversário de 60 anos em 2018, acompanhando pelos Pogues e outras lendas do rock como Nick Cave, Sinead O’Connor, Bono (do U2), Bobby Gillespie (Primal Scream), Glen Matlock (Sex Pistols), Clem Burke (Blondie), Carl Barat (The Libertines) e o ator Johnny Depp. MacGowan manteve um relacionamento tumultuado de várias décadas com a jornalista Victoria Clarke de Dublin, começando no final dos anos 1980. Os dois colaboraram no quase livro de memórias de MacGowan, “A Drink with Shane MacGowan”, em 2001. Oito anos depois, estrelaram seu próprio reality show, “Victoria and Shane Grow Their Own”, que narrava as tentativas do casal de manter uma horta. Eles finalmente se casaram em 2018.

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  • Filme,  Música

    Charles Aznavour (1924–2018)

    1 de outubro de 2018 /

    Morreu Charles Aznavour, o último dos grandes nomes da canção francesa do século 20. O cantor e compositor faleceu na madrugada desta segunda-feira (1/10), aos 94 anos em sua casa em Apilles, no sul da França. Filho de imigrantes armênios, seu verdadeiro nome era Shahnour Varinag Aznavourian. Mas também era chamado de o Frank Sinatra da França. A carreira deslanchou após a 2ª Guerra Mundial, quando Edith Piaf foi conferir seus shows de cabaré. Encantada, ela o consagrou ao convidá-lo para abrir o seu show no famoso Moulin Rouge e o levou em uma turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Assim, Aznavour passou a compor alguns dos sucessos mais populares da cantora, tornando-se também conhecido por conta de seu talento. A carreira durou oito décadas, vendeu mais de 100 milhões de discos e rendeu canções mundialmente conhecidas como “La Bohème”, “La Mamma” e “Emmenez-moi”. Além de sucessos próprios, ele também compôs para artistas como Maurice Chevalier e Charles Trenet. Aznavour também teve uma carreira paralela muito bem-sucedida como ator, que a maioria dos talentos de Hollywood não consegue igualar. Foram cerca de 80 filmes, a princípio em pequenas participações vivendo a si mesmo, como em “Até Logo, Querida!” (1946). Mas a atuação se tornou uma atividade séria a partir de “Os Libertinos” (1959), de Jean-Pierre Mocky. O cantor logo virou protagonista de clássicos franceses, como “A Passagem do Reno (1960), do mestre André Cayatte, e o famoso nouvelle-noir “Atirem no Pianista” (1960), dirigido simplesmente por François Truffaut. Estes filmes o lançaram de vez como astro de cinema, levando-o a multiplicar sua presença nas telas, a ponto de fazer três filmes por ano na década de 1960. A safra incluiu “As Virgens” (1963), de Mocky, “Breve Encontro em Paris” (1966), de Pierre Granier-Deferre, e seu primeiro filme falado em inglês, o psicodélico “Candy” (1968), de Christian Marquand. A estreia em Hollywood propriamente dita veio logo em seguida, como par romântico de Candice Bergen em “O Mundo dos Aventureiros” (1970), de Lewis Gilbert. Ele também se aventurou pelo cinema inglês, com “Os Jogos” (1970), de Michael Winner, pelo cinema policial italiano, estrelando “Tempo de Lobos” (1970) e “O Belo Monstro” (1971), ambos dirigidos por Sergio Gobbi, e até pelo suspense alemão em “O Último dos Dez” (1974), uma adaptação de “E Não Sobrou Nenhum” (mais conhecido como “O Caso dos Dez Negrinhos”), de Agatha Chistie. Tornou-se um astro de cinema internacional. E embora fizesse filmes dispensáveis em Hollywood, como o thriller “Fortaleza Proibida” (1976), acabou aparecendo em clássicos que marcaram época, como “O Tambor” (1979), do alemão Volker Schlöndorff, “Os Fantasmas do Chapeleiro” (1982), do conterrâneo Claude Chabrol, e “Viva la Vie (1984), do também francês Claude Lelouch. A partir dos anos 1990, passou a fazer mais séries e telefilmes, diminuindo sua presença no cinema. Mesmo assim, estrelou algumas produções recentes, como “Ararat” (2002), do egípcio Atom Egoyan, sobre um tema que lhe interessava em particular, o genocídio armênio. Também contracenou com Henry Cavill (o Superman) em “Laguna” (2001). E estava finalizando um último longa, “Une Revanche à Prendre”, do francês Kader Ayd, com quem tinha trabalhado em 2005 em “Ennemis Publics”. Mesmo quando não era visto, Aznavour também era lembrado pelo cinema em suas trilhas sonoras. Ele é o compositor, por exemplo, de “She”, a canção tema do filme “Um Lugar Chamado Notting Hill”, estrelado por Julia Roberts. Lançada em 1974, a música liderou as paradas britânicas por 14 semanas e ficou entre as mais tocadas em diversos países. E voltou a demonstrar sua atualidade como parte da trilha do filme de 1999, na voz de Elvis Costello. Nos últimos 40 anos, ele ainda teve suas composições gravadas por cantores tão diferentes quanto Elton John, Sting, Bob Dylan, Placido Domingo, Céline Dion, Julio Iglesias, Liza Minnelli e Ray Charles.

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  • Música

    Elvis Costelo canta música-tema do filme sobre a estrela noir Gloria Grahame

    25 de novembro de 2017 /

    Elvis Costello divulgou o clipe de “You Shouldn’t Look at Me That Way”, música-tema do drama britânico “Film Stars Don’t Die in Liverpool” sobre o romance dos últimos dias da vida da estrela do cinema noir Gloria Grahame. A prévia traz o artista cantando ao piano, sobre o palco de uma antiga sala de cinema vazia, que é um cenário utilizado no filme. A edição, inclusive, utiliza cenas do longa em que a atriz Annette Bening e o ator Jamie Bell aparecem no mesmo local. O envolvimento de Costello na trilha sonora tem uma história intrigante. A ideia surgiu quando o diretor Paul McGuigan e a produtora Barbara Broccolli assistiam a um show do cantor e uma imagem de Gloria Grahame foi projetada no palco, durante uma canção (“Church Underground”). Mais que uma coincidência, McGuigan acreditou que se tratava de destino. Os bastidores do clipe também despertam curiosidade. Ele marca a estreia na direção de uma fotógrafa de família famosa, que, apesar de herdeira da Kodak, tem sobrenome ligado à história do rock: Mary McCartney, filha de Linda e Paul McCartney. Como a mãe, ela seguiu carreira fotográfica, mas já trabalhou com o pai, operando câmeras no documentário “Paul McCartney: In the World Tonight” (1997). Costello a conhece desde que ela era adolescente. Ele inclusive já gravou um disco em parceira com Paul McCartney, o clássico “Flowers in the Dirt”, de 1989. “You Shouldn’t Look at Me That Way” vai disputar uma vaga entre os indicados ao Oscar 2018 de Melhor Canção Original.

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