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  • Filme

    Sony adquire direitos de Tarzan para novos projetos

    1 de outubro de 2022 /

    A Sony Pictures adquiriu os direitos de Tarzan para novas produções. De acordo com a revista The Hollywood Reporter, os planos para o personagem de Edgar Rice Burroughs são uma “reinvenção total” para o século 21. Tarzan já passou por inúmeras reinvenções desde que foi concebido por Burroughs em 1912 como uma publicação serializada de pulp e ganhou seu primeiro filme em 1918. Mas a premissa nunca mudou: um menino órfão criado na selva por grandes símios se apaixona por uma jovem chamada Jane e acaba deixando a selva por ela, mudando-se para a Inglaterra, onde descobre que a civilização é muito mais bárbara do que a dita vida selvagem e decide voltar para a África. Em meio a tudo isso, as telas se encheram de aventuras, incluindo lutas contra animais, caçadores, nazistas e até amazonas de cidades perdidas. O auge de sua popularidade aconteceu nos anos 1930, quando o nadador olímpico Johnny Weissmuller passou a interpretá-lo no cinema, mas o personagem também teve uma fase de sucesso nos 1960, devido a uma série estrelada por Ron Ely, e na virada do século, quando a Disney lançou sua versão animada. A última versão do Homem Macaco foi um filme da Warner, com Alexander Skarsgard e Margot Robbie, em 2016, que não atingiu o sucesso esperado. Um dos motivos foi o subtexto que acompanha o personagem. Os livros de Burroughs refletem o colonialismo do início dos anos 1910 e o mito do salvador branco, além de estereótipos raciais e de gênero que envelheceram mal depois de um século e não condizem com a cultura atual. Por isso, os planos de reinvenção. O dado mais interessante da negociação da Sony é que Tarzan já se encontra em domínio público. As primeiras histórias de Burroughs podem ser levadas ao cinema sem ônus. Mas o escritor seguiu criando aventuras de Tarzan até sua morte em 1950 e a fase final ainda está sob proteção autoral.

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  • Filme

    A Lenda de Tarzan acerta mais que erra na renovação do personagem clássico

    15 de agosto de 2016 /

    Criado em 1912 por Edgar Rice Burroughs, Tarzan é um personagem representante de uma mentalidade da virada do século 19 para o 20, que opunha selvageria e civilização a partir dos conceitos europeus em voga na época. Assim, o personagem atraía fascínio pela mistura destas oposições: o “selvagem” Tarzan e a “civilizada” Jane, seu grande amor e possibilidade de fazê-lo reencontrar a nobreza de sua família. Mais do que isso, Tarzan reinava sobre os animais e africanos enquanto nobre inglês branco. Mesmo criado por macacos e desconhecendo sua origem, o personagem parecia ter uma genética superior, algo que o faria naturalmente especial no ambiente da selva fabular que Burroughs imaginou sem nunca ter ido à África. Ao tentar atualizar o personagem, “A Lenda de Tarzan” toma certos cuidados para não cair nos estereótipos do início do século passado, mas não consegue fugir daquilo que é o cerne do personagem: é o homem branco que vai liderar e salvar os africanos de um destino cruel. Se por esse lado não há novidades, por outro o filme insere um personagem negro – e americano (Samuel L. Jackson, de “Os Vingadores”) – para ser o braço direito do protagonista e tenta fazer de Jane (Margot Robbie, de “Esquadrão Suicida”) uma mocinha que não esteja em perigo. São propostas importantes para deixar um personagem anacrônico em consonância com os novos tempos, mas o resultado é desequilibrado: o personagem de Jackson nunca está à altura dos feitos do protagonista e Jane, apesar de se mostrar forte e decidida, acaba sendo sempre o par romântico que precisa ser salvo pelo herói. Mas apesar das ressalvas o filme diverte e funciona bem em se propor como uma espécie de continuação para a história que todas já conhecem. Quando encontramos Tarzan pela primeira vez, ele não é o senhor das selvas, mas o lorde John Clayton, já “civilizado”, de volta ao castelo de sua família. Uma armadilha arquitetada pelo explorador de diamantes Leon Rom (Christoph Waltz, de “Django Livre”, fazendo o mesmo vilão divertido de sempre) leva o personagem-título de volta à África e ao seu reencontro com sua verdadeira natureza. David Yates usa paletas sombrias para contar a história, mas não se decide entre o realismo e o fantasioso. Parece haver dois filmes em “A Lenda de Tarzan”, um primeiro e mais interessante que se propõe a ser um épico sóbrio (dentro do possível, claro) sobre as dualidades de um homem criado em meio aos animais; e um segundo que mais lembra um filme de super-herói da Marvel. Algumas piadinhas e frases de efeito também não funcionam e parecem deslocadas neste filme, que pende para lados diferentes de acordo com o que roteiro precisa. Trazendo um clímax que abusa de efeitos digitais sem empolgar muito, “A Lenda de Tarzan” dá um novo sopro de vida ao personagem e consegue torná-lo interessante para as novas gerações, sem fazê-lo perder suas características essenciais. Mas enquanto fóssil perdido do tempo, representante de uma era passada e ultrapassada, Tarzan, o personagem, é mais interessante do que seu próprio filme. E a interpretação acima da média de Alexander Skarsgard (da série “True Blood”) ajuda muito neste sentido, trazendo imponência e complexidade para que acreditemos nesta figura deslocada no tempo e espaço. “A Lenda de Tarzan” está longe de ser perfeito, mas consegue em grande medida cumprir sua promessa de aventura como as matinês de antigamente.

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