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  • Filme

    Dor e Glória reflete criatividade e desejo de Pedro Almodóvar

    14 de junho de 2019 /

    “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, centra-se no personagem Salvador Mallo, um cineasta que já traz no nome a convivência dos contrários. Seu momento atual e suas lembranças são marcados pela dor e pela glória. A dor porque já está envelhecido e sentindo-se sem condições de filmar, a razão de ser de sua vida, com as doenças tomando conta de seu corpo. Desde as dores de coluna, as dores de cabeça, os engasgos frequentes, até a depressão pela perda de amores e de vitalidade. Uma animação, muito bem realizada, nos mostra o que são essas dores que acometem o corpo, cheia de cores, com didatismo e humor. Com Almodóvar, a dor também fica divertida. Como sempre foi nos seus filmes. A cabeça continua produzindo, escrevendo histórias a partir de experiências vividas, desejadas ou imaginadas, que agora não se destinarão ao cinema. Mas também não são contos literários. Um momento de declínio que produz uma crise existencial. Esses belos escritos, que acabarão sendo representados ou filmados, são a revelação de uma vida de criatividade, de sucesso e admiração internacionais, que é evidente. O relançamento de um filme chamado “Sabor”, realizado há 30 anos e que produziu uma inimizade com o ator principal, faz com que se reate seu contato e, por meio dele, um velho amor reaparece. A glória também vem das lembranças infantis, da vida na casa caverna, da mãe pobre, forte, batalhadora, do canto que abriu caminho ao estudo patrocinado junto aos padres, do primeiro desejo que se manifesta numa febre. O talento de escritor e a inclinação precoce na direção do cinema já dominam a cena. Desde sempre. Embora hoje doloroso, há um caminho a seguir e não será pela via da heroína que combate a dor, mas escraviza. Será novamente pelo desejo que novos ânimos poderão surgir. Não por acaso, a produtora de Pedro e seu irmão Agustín Almodóvar chama-se El Deseo. Ele é visto como o motor da existência. O protagonista Salvador Mallo, brilhantemente interpretado por Antonio Banderas, remete, é claro, à própria figura de Pedro Almodóvar, mas não pode se considerar uma autobiografia. Aí estão lembranças, recordações, mas também acontecimentos que poderiam ter existido ou ser fictícios, expectativas, decepções, hipóteses, exageros. Sentimentos e impressões que passam, se transformam. Elementos de uma vida que abrem perspectivas para um novo personagem, que dialoga com seu inspirador. Este, por sua vez, realiza sua autoanálise, encarando a morte como algo já mais próximo e palpável. Em alguns momentos, até desejável. O filme é lindo, profundo, e traz um time de atores e atrizes magnífico, além de Banderas. O argentino Leonardo Sbaraglia, como Federico, um ator já muito tarimbado e conhecido do cinema dos hermanos. Penélope Cruz, sempre luminosa, faz Jacinta, a mãe. Ambos vivem papéis de coadjuvantes, mas brilham. Asier Etxeandia, como Alberto Crespo, tem um trabalho competente num papel importante. E outras grandes mulheres estão lá: Nora Navas, como Mercedes, Julieta Serrano, como a mãe já idosa, Susi Sánchez e a participação de Cecília Roth, que já atuou em tantos filmes do diretor, compõem um elenco à altura para esse novo grande trabalho almodovariano. Há poucos anos, escrevi um livro destacando a sexualidade e a transgressão no cinema de Almodóvar. O diretor continua fiel a esses temas norteadores, assim como à utilização da metalinguagem. Em seus filmes, outros filmes e peças são feitos – aqui, “Vício” e “O Primeiro Desejo” são as realizações. O construir artístico, a escrita, a filmagem, a distribuição e exibição dos filmes, o trabalho dos atores e atrizes, além do próprio diretor, evidentemente, enriquecem a experiência cinematográfica do espectador. Recentemente exibido no Festival de Cannes, “Dor e Glória” teve excelente acolhida. Levou o prêmio de Melhor Ator para Antonio Banderas. Mas merecia mais.

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  • Filme

    Novo Homens de Preto é a maior e a pior estreia de cinema da semana

    13 de junho de 2019 /

    Saturado de blockbusters, o circuito cinematográfico recebe apenas seis estreias nesta quinta (13/6). “MIB: Homens de Preto – Internacional” é a maior delas – chega em quase 600 cinemas. Mas todas as outras são melhores. O lançamento do novo “Homens de Preto” é simultâneo com os Estados Unidos, onde foi destruído pela crítica – apenas 31% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Enquanto os três primeiros longas se estabeleceram como comédias com elementos de ficção científica, o novo é um filme típico de ação com alienígenas genéricos e piadinhas pontuais. Sobram explosões. E falta Will Smith. Se aquele aparelhinho de apagar memórias funcionasse, até a dupla de “Thor: Ragnarok” (Chris Hemsworth e Tessa Thompson) ia querer apagar esse deslize de suas filmografias, que já se espera fracassar nas bilheterias. O suspense “Obsessão” (Greta, no original) saiu-se com 60% no RT, ao evocar os clones de Hitchcock dos anos 1980. Traz Chloë Grace Moretz como uma jovem ingênua que, ao cometer um ato altruísta, cai na armadilha de uma viúva solitária, interpretada pela francesa Isabelle Huppert (indicada ao Oscar por “Elle”). A direção é do irlandês Neil Jordan, com um Oscar por “Traídos pelo Desejo” (1992) – mas nos últimos dez anos só fez televisão. A metade americana da programação inclui ainda “Fora de Série” (Booksmart), uma comédia indie adolescente com 97% de aprovação e um bom desempenho nas bilheterias. Estreia da atriz Olivia Wilde (“Tron: O Legado”) na direção, surpreendeu a ponto de ser considerado uma espécie de “Superbad: É Hoje” (2007) feminino. A trama acompanha duas nerds que resolvem jogar tudo pra cima no último dia da escola, após passarem todo o Ensino Médio concentradas apenas nos estudos para entrar em boas faculdades. Com os mesmos 97%, “Eu Não Sou uma Bruxa” rendeu uma rara inscrição do Reino Unido na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar. Isto porque é falado em idioma nativo de Zâmbia, onde a trama se passa. A história dramática, contada com toques de humor desconcertante, acompanha uma menina de 8 anos acusada de ser bruxa e tirada da sua aldeia, sem nunca ter feito nada para merecer esse tratamento. Venceu vários festivais, foi premiado no BAFTA e no BIFA (equivalentes ao Oscar e ao Spirit britânicos) e consagrou a diretora estreante Rungano Nyoni. Mas o grande destaque do circuito limitado é o espanhol “Dor e Glória”, novo filme de Pedro Almodóvar, que rendeu o prêmio de Melhor Ator para Antonio Banderas no recente Festival Cannes. Ele vive um alter-ego do diretor, lidando com os sentimentos do título, evocados em lembranças, conquistas e ressentimentos. A obra atingiu 90% no Rotten Tomatoes – que preferiu a comédia teen e a tragédia da menina de Zâmbia. Para completar, até o terror da semana é muito bem cotado. “A Lenda de Golem” tem os mesmos 90% de aprovação de “Dor e Glória” no Rotten Tomatoes, algo raro para o gênero. A produção isralense é caprichada, com belíssima fotografia e clima arrepiante, sem se valer de sustos fáceis, mas das entranhas da cultura cabalística para arrepiar. Confira abaixo os trailers e as sinopses dos seis filmes que entram em cartaz. MIB: Homens de Preto – Internacional | EUA | Fantasia Quando criança, Molly (Tessa Thompson) presenciou a abordagem de dois agentes do MIB em seus pais, apagando a memória deles sobre a súbita aparição de um extraterrestre. Como estava escondida, a garota não foi atingida. Obcecada pelos mistérios do universo, ela cresceu com o sonho de ingressar no MIB. Após muita pesquisa, ela consegue descobrir a sede da agência e lá se candidata a uma vaga, sendo aceita por O (Emma Thompson). Ainda em experiência e renomeada como agente M, ela é enviada a Londres para investigar algo estranho que tem ocorrido na agência local. É quando conhece o agente H (Chris Hemsworth), de grande renome pelos seus feitos no passado, mas com uma certa arrogância e displicência na execução do trabalho. Obsessão | EUA | Suspense Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem cuja mãe acaba de falecer. Recém-chegada em Manhattan e cheia de problemas com o pai, ela divide apartamento com a amiga Erica (Maika Monroe) e trabalha como garçonete de um luxuoso restaurante. Um dia, voltando para casa, Frances encontra uma bolsa abandonada em um dos assentos do metrô e, ao devolvê-la, acaba iniciando uma amizade improvável com a dona do acessório, uma senhora viúva chamada Greta (Isabelle Huppert). Os problemas começam a surgir quando Frances percebe que a necessidade de atenção de Greta é muito mais perigosa do que ela imaginava. Fora de Série | EUA | Comédia Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passar por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem compensar os últimos quatro anos perdidos em apenas uma noite. Dor e Glória | Espanha | Drama Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema. Eu Não Sou uma Bruxa | Reino Unido, Zâmbia | Drama Devido a um incidente banal em sua vila, a menina de 8 anos Shula (Maggie Mulubwa) é acusada de bruxaria. Depois de um rápido julgamento, a garota se torna culpada e é levada em custódia pelo Estado, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto. No local, ela passa por uma cerimônia de iniciação em que aprende as regras da sua nova vida como bruxa. Como as outras residentes, ela é amarrada em uma grande árvore, sendo ameaçada de ser amaldiçoada e de se transformar em uma cabra caso corte a fita. A Lenda de Golem | Israel | Terror Desde que perderam um bebê, o que Hanna (Hani Furstenberg) e seu marido Benjamin (Ishai Golan) mais querem é tentar ter outro filho. Para tal, ela conta com a fé que tem em Deus, e por isso estuda diariamente a Torá, mesmo que na comunidade aonde viva essa prática seja restrita aos homens. Quando uma epidemia assola a região e a culpa recai imediatamente sobre os judeus, Hanna tenta usar de seu misticismo para convocar um golem, sem saber que a criatura é muito mais perigosa do que pensa.

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  • Filme

    Dor e Glória: Novo filme de Pedro Almodóvar ganha segundo trailer legendado

    18 de maio de 2019 /

    A Universal divulgou o segundo trailer legendado de “Dor e Gloria” (Dolor y Gloria), novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que reúne dois atores que marcaram a carreira do diretor: Antonio Banderas e Penélope Cruz. O filme também ganhou um pôster francês para acompanhar sua première no Festival de Cannes 2019. O projeto tem tom autobiográfico. A trama segue um famoso cineasta em crise, com o coração partido e saudade de sua querida mãe. Antonio Banderas vive o diretor, em sua oitava parceria com Almodóvar, começada em 1982, quando filmaram “Labirinto das Paixões” (1982). Já Penélope Cruz chega ao sexto longa do cineasta, numa filmografia iniciada em “Carne Trêmula” (1997). Ela vive a mãe do personagem de Banderas. Além dos dois, a produção também marcará um reencontro de Almodóvar com outra colaboradora histórica: Julieta Serrano, que começou a filmar com o cineasta em “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão” (1980) e interrompeu a parceria após “Ata-me” (1989). O elenco ainda inclui Raúl Arévalo (“Os Amantes Passageiros”), Asier Etxeandía (“A Porta Aberta”) e o argentino Leonardo Sbaraglia (“Relatos Selvagens”). O filme já estreou na Espanha, teve première neste sábado (18/5) no Festival de Cannes e chega em 13 de junho ao Brasil.

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    Novo filme de Pedro Almodóvar ganha trailer legendado

    28 de abril de 2019 /

    A Universal divulgou o trailer legendado de “Dor e Gloria” (Dolor y Gloria), novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que reúne dois atores que marcaram a carreira do diretor: Antonio Banderas e Penélope Cruz. À exceção de “Os Amantes Passageiros” (2013), em que fizeram figurações, os dois ainda não tinham contracenado nos filmes do diretor. E parece que vão continuar assim, já que eles vivem fases diferentes da história. A descrição oficial do projeto tem tom autobiográfico. O filme segue um famoso cineasta numa “série de encontros”, até seu declínio. Alguns dos temas abordados serão “primeiros amores, segundos amores, mortalidade, os anos 1960, os anos 1980 e o presente”. Antonio Banderas vive o diretor, em sua oitava parceria com Almodóvar, começada em 1982, quando filmaram “Labirinto das Paixões” (1982). Já Penélope Cruz chega ao sexto longa do cineasta, numa filmografia iniciada em “Carne Trêmula” (1997). Aparentemente, ela vive a mãe do personagem de Banderas. Além dos dois, a produção também marcará um reencontro de Almodóvar com outra colaboradora histórica: Julieta Serrano, que começou a filmar com o cineasta em “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão” (1980) e interrompeu a parceria após “Ata-me” (1989). O elenco ainda inclui Raúl Arévalo (“Os Amantes Passageiros”), Asier Etxeandía (“A Porta Aberta”) e o argentino Leonardo Sbaraglia (“Relatos Selvagens”). O filme já estreou na Espanha, terá première internacional em maio no Festival de Cannes e chega em 13 de junho no Brasil.

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