Agnès Varda rouba a cena como boneco de papelão na foto anual do Oscar
A tradicional foto oficial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que reúne os indicados ao Oscar e normalmente passa despercebida, virou sensação neste ano. Tudo graças à veterana cineasta belga Agnès Varda. Ausente na cerimônia, a documentarista de 89 anos foi representada por uma reprodução sua em tamanho real e impressa num papelão. Varda se tornou este ano a pessoa mais velha indicada à premiação da Academia em todos os tempos. Ela disputa o Oscar 2018 na categoria de Melhor Documentário, por “Visages, Villages”, que codirigiu e coestrelou com o fotógrafo JR. O filme está em cartaz no Brasil. A foto em tamanho real foi feita justamente por seu parceiro no filme, JR, que levou para o evento da Academia diversas poses diferentes. E isto inspirou uma série de brincadeiras. Veja abaixo.
Cineasta sírio indicado ao Oscar 2018 afirma ser alvo de campanha de difamação da Rússia
O cineasta sírio Feras Fayyad, que concorre ao Oscar 2018 de Melhor Documentário por seu filme “Últimos Homens de Aleppo”, afirma estar sendo alvo de uma campanha de difamação. Ele acusa uma rede de notícias falsas da Rússia de espalhar que ele seria simpatizante do terrorismo. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, ele afirmou que produtores de notícias falsas, adeptos de teorias da conspiração e ativistas “anti-imperialismo”, apoiados pelo governo russo, vem divulgando uma série de artigos com objetivo de depreciar seu trabalho para tirar sua chance de vencer o Oscar. “É como se a Rússia quisesse hackear o Oscar assim como hackearam a eleição americana”, disse o diretor ao jornal, fazendo referência às acusações de que o governo do Kremlin teria influenciado a eleição de Donald Trump em 2016. Em “Últimos Homens em Aleppo”, o diretor acompanha o trabalho dos “Capacetes Brancos” — organização civil e voluntária de defesa e salvamento — que atua em Aleppo, uma das cidades mais atingidas pela guerra civil na Síria. O próprio grupo humanista é alvo de uma campanha russa que os acusa de ter ligações com a Al-Qaeda, de acordo com o Guardian. Grande parte dos artigos vem da agência de notícias Sputnik News, mantida pelo governo russo, que fornece apoio militar ao regime da Síria. Neles, o documentário de Fayyad é descrito como uma “peça de propaganda financiada por governos do ocidente” e um “filme de apologia a Al-Qaeda”. A documentarista Chris Hegedus, que disputou o Oscar de Melhor Documentário em 1994, avalia que a campanha negativa pode realmente afetar as chances do cineasta sírio. “Reportagens falsas e rumores, onde a integridade de um filme é questionada, podem certamente influenciar os membros da Academia e fazê-los questionar a legitimidade da obra”, ela disse ao Guardian. Hegedus descreveu os artigos como “ultrajantes” e disse que eles “nos fazem ver como a Rússia e outros estão se intrometendo em tudo, para além das mídias sociais e das eleições políticas”.
In Search Of: Zachary Quinto fará remake de série documental de mistérios de Leonard Nimoy
O ator Zachary Quinto, que interpreta o Sr. Spock na franquia “Star Trek”, vai assumir outro papel que costumava pertencer ao falecido Leonard Nimoy. Ele será o apresentador e narrador da nova versão da série documental “In Search Of…”. A série do canal History é um remake da produção homônima dos anos 1970, que examinava fenômenos reais não explicados, com ligação à temas de ficção científica. Cada episódio seguirá Quinto na investigação de diferentes mistérios e a busca pela verdade por trás deles – como encontros alienígenas, criaturas misteriosas, discos voadores, viagens no tempo, etc. Além de estrelar, Quinto também participará do programa como produtor. A versão original de “In Search Of…” foi criada após o sucesso de três telefilmes inspirados nos livros de Erich von Däniken (“Eram os Deuses Astronautas?”), que examinavam a presença de alienígenas na Terra. Lançados entre 1973 e 1975, os telefilmes tinham apresentação de Rod Serling (criador e apresentador de outra série sci-fi lendária, “Além da Imaginação”). A premissa só virou série após a morte de Serling, e Nimoy apresentou todos os 127 episódios do programa, de 1977 a 1982. “Estou tão animado para reimaginar ‘In Search Of…’ e explorar novas questões e fenômenos, com todos os avanços da ciência e tecnologia, dos quais nos beneficiamos nos últimos 40 anos desde que a série original foi exibida”, disse Quinto em comunicado. “No espírito do meu querido amigo Leonard Nimoy, pretendemos honrar e perpetuar sua infinita curiosidade sobre o mundo – e o universo – no qual vivemos”, completou. O remake terá 10 episódios, mas ainda não há data prevista para sua estreia.
Todd Haynes começa a trabalhar em documentário sobre a banda Velvet Underground
O projeto do documentário do cineasta Todd Haynes (“Carol”) sobre a banda Velvet Underground foi oficializado, com a divulgação de comunicado dos produtores e o início da produção. Haynes vai escrever, dirigir e produzir o filme, em parceria com a Polygram Entertainment e as gravadoras Verve e Universal, e pretende cobrir diversos tópicos, desde a formação da banda até seu impacto na música e na cultura global. “Eu não poderia estar mais entusiasmado em embarcar no meu primeiro documentário, tendo como tema uma das bandas de rock mais radicais e influentes do mundo da música: The Velvet Underground”, ele afirmou em comunicado. Danny Bennett, presidente e CEO da Verve Label Group, deu perspectiva histórica para a produção, ao lembrar: “A Verve Records contratou o Velvet Underground nos anos 1960 para expandir sua icônica trajetória no jazz e avançar os rumos da evolução musical, e sem dúvida eles se tornaram um das bandas mais influentes de todos os tempos. Suas gravações não só desafiaram o status quo, eles criaram uma nova geração musical, que continua a ter relevância até hoje. Sempre foi meu sonho produzir o documentário definitivo do Velvet Underground e me sinto orgulhoso de fazer parte desta produção. Esta história ambiciosa, significativa e envolvente só poderia ser contada por Todd Haynes e estou entusiasmado como os fãs para experimentar a história de The Velvet Underground no contexto de sua época”. O filme tem o apoio de um dos últimos membros fundadores sobreviventes do Velvet Underground, o músico John Cale, e de Laurie Anderson, a artista que foi parceira de vida do cantor Lou Reed. Formada em 1966 por Reed, Cale, o guitarrista Sterling Morrison e a baterista Maureen “Moe” Tucker, Velvet Underground foi a antítese das bandas hippies da época. Enquanto os psicodélicos da Califórnia pregavam paz, amor e lisergia, com músicas ensolaradas, a banda nova-iorquina investia em roupas pretas, óculos escuros e microfonia para exaltar o sadomasoquismo e as drogas mais pesadas, como heroína. Eram apadrinhados pelo artista plástico Andy Warhol, que fez a capa de seu primeiro disco, mas que também lhes impôs a cantora-modelo Nico, com quem só gravaram um disco. Após cantar algumas das melhores músicas da banda, ela teve ajuda de Cale e Reed para se lançar em carreira solo. Eventualmente, os próprios Cale e Reed largaram o Velvet Underground, que acabou implodindo. A banda nunca fez sucesso em sua época. Mas sua repercussão a tornou lendária, como fomentadora das décadas seguintes do rock. Ela é citada como influência por David Bowie – que fez questão de produzir Lou Reed em sua tentativa de emplacar como artista solo – The Jesus and Mary Chain, Sonic York e Nirvana, para citar alguns dos roqueiros que impactou. Haynes falou pela primeira vez do projeto em agosto do ano passado, durante participação no Festival de Locarno, onde foi homenageado pelas realizações de sua carreira. Na época, o diretor revelou as dificuldades previstas em sua empreitada, descrevendo o documentário como “desafiador”, diante da escassez de registros visuais sobre o grupo. Ele confirmou que irá usar os filmes experimentais de Andy Warhol, que registrou performances da banda, e se disse ansioso pela “emoção da pesquisa e montagem visual”. Vale lembrar que, duas décadas atrás, o diretor chamou atenção ao lançar “Velvet Goldmine” (1998), filme sobre artistas fictícios do rock glam, gênero influenciado pelo Velvet Underground, que incluía um personagem inspirado em Lou Reed. Ele também dirigiu “Não Estou Lá” (2007), baseado na vida de Bob Dylan, e um curta animado com bonecas sobre a cantora Karen Carpenter, “Superstar: The Karen Carpenter Story” (1988). Atualmente, Haynes está em cartaz nos cinemas com o filme infantil “Sem Fôlego”.
Mostra de Tirandentes 2018 premia filme sobre a noite de BH e atriz transexual
O filme “Baixo Centro”, dirigido por Ewerton Belico e Samuel Marotta, venceu a Mostra de Tiradentes 2018, festival de filmes independentes brasileiros. Foi o segundo ano consecutivo em que o evento registrou vitória de um filme mineiro. O anterior, “Baronesa”, permanece inédito até hoje em circuito comercial. Exibido na seção Aurora, “Baixo Centro” acompanha personagens jovens pelas noitadas do centro de Belo Horizonte, entre encontros e desencontros, e muitos lamentos por possibilidades que não se cumpriram, em meio ao saudosismo de uma época melhor. Durante seus agradecimentos, os diretores fizeram algo até então nunca visto no evento – ou em qualquer outro festival de cinema brasileiro: uma manifestação contra o PT. Eles leram um manifesto contra a Secretaria de Cultura do governo Fernando Pimentel, que exinguiu o Filme em Minas, principal meio de incentivo ao audiovisual no estado. Se a edição do ano passado premiou filmes dirigidos por mulheres – a começar do mencionado “Baronesa”, de Juliana Antunes – , o destaque deste ano foi a premiação de uma atriz transexual, Julia Katharine, como vencedora do troféu Helena Ignez, destinado à maior personalidade feminina entre os filmes exibidos. Protagonista do documentário “Lembro Mais dos Corvos”, em que recita um monólogo sobre sua vida, ela foi aplaudida de pé pelo público. O documentário “Escolas em Luta”, de Eduardo Consonni e Tiago Tambelli, sobre a crise na educação do Rio, recebeu o Prêmio do Público. E outro documentário, “Inaudito”, de Gregorio Gananian, sobre o lendário guitarrista Lanny Gordon, venceu a Mostra Olhos Livres.
Festival de Berlim inclui documentário sobre Impeachment de Dilma e novo drama dos diretores de Beira-Mar
Mais dois filmes brasileiros foram selecionados para a mostra Panorama da 68ª edição do Festival de Berlim: “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, e “Tinta Bruta”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher. “O Processo” é o primeiro documentário sobre o Impeachment da presidente Dilma Rousseff a vir à tona. Na ocasião, foram rodados cinco filmes com aval do PT, que ofereceu acesso a reuniões fechadas e aos corredores do Congresso durante o enfrentamento contra o chamado “golpe”. Este material compõe a maioria das horas de filmagem da diretora brasiliense. Mas (supostamente) haveria registros também de desabafos e críticas à atuação da própria Dilma e do partido, e situações não reveladas nos noticiários. Com a obra, a diretora dá sequência à sua temática de investigação do sistema legal brasileiro, que inclui os documentários “Justiça” (Grand Prix no Festival Visions du Réel, Suiça 2004) e “Juízo” (Festival de Locarno, Prêmio da Crítica no Dok- Leipzig, 2008). Ela também filmou os corredores da burocracia em “Morro dos Prazeres” (Melhor Direção, Fotografia e Som no Festival de Brasília, 2013). Por sua vez, “Tinta Bruta” é o único trabalho de ficção da seleção brasileira em Berlim. O filme conta a história de Pedro (Shico Menegat), um jovem que tenta sobreviver em meio a um processo criminal, à partida de irmã e única amiga e aos olhares que recebe sempre que sai na rua. Sob o codinome GarotoNeon, Pedro se apresenta no escuro do seu quarto para milhares de anônimos ao redor do mundo, pela internet. Com o corpo coberto de tinta, ele realiza performances eróticas na frente da webcam. Ao descobrir que outro rapaz (Bruno Fernandes) de sua cidade está copiando sua técnica, Pedro decide confrontá-lo. O trabalho anterior de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, “Beira-Mar” (2015), também teve première mundial na Berlinale – na mostra Forum. Os dois filmes se juntam a “Aeroporto Central”, de Karim Aïnouz, “Ex Pajé”, de Luiz Bolognesi, e “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, anteriormente selecionados. O festival acontece de 15 a 25 de fevereiro, na Alemanha.
Filmes do Festival de Sundance dominam indicações ao Oscar 2018
Num reflexo da importância do Festival de Sundance para o lançamento de filmes de qualidade, o Oscar 2018 distribuiu 16 indicações para filmes que tiveram pré-estreia mundial há exatamente um ano atrás, na edição 2017 do festival indie “As histórias corajosas e independentes sempre encontrarão sucesso em seus próprios termos, mas é encorajador ver o trabalho reconhecido entre os indicados deste ano – incluindo, sim, vários alunos de Sundance em todas as categorias”, disse o diretor do festival, John Cooper, que celebrou a notícia em plena edição 2018 do festival – que já exibe os indicados ao Oscar 2019 Entre os egressos de Sundance 2017 que disputam o Oscar estão “Me Chame pelo Seu Nome”, “Corra!”, “Mudbound”, “Doentes de Amor” e três documentários, “Icarus”, “Strong Island” e “Last Men in Aleppo”. As 16 indicações representam um crescimento em relação ao ano passado, quando os filmes de Sundance receberam 11 nomeações. Mas não superam o recorde de 2010, quando ocorreram 19 indicações. Por outro lado, a seleção da Academia também aponta o grande problema do festival indie: o descompasso de um júri que nem sempre premia os melhores de sua programação. Afinal, o vencedor de Sundance em 2017 foi a comédia “Já Não Me Sinto Em Casa Nesse Mundo”, adquirida e disponibilizada pela Netflix sem a menor consequência.
Peter Jackson vai dirigir documentário 3D sobre a 1ª Guerra Mundial
O diretor Peter Jackson, responsável pelas fantasias de “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, anunciou seu próximo filme: um documentário em 3D sobre a 1ª Guerra Mundial. O cineasta neozelandês se associou à BBC para ter acesso aos arquivos da rede pública britânica de TV e rádio, e o filme contará com cenas raras do conflito, além de material inédito cedido pelo Museu Imperial de Guerra de Londres. Todas as imagens serão colorizadas e tratadas com tecnologia atual para exibição em 3D. O documentário irá marcar os 100 anos do final da guerra, que durou de 28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918. Ainda sem título, a produção será lançada no Festival de Londres, em outubro de 2018, seguida por exibição na TV britânica pela BBC. Não há previsão para um lançamento mundial.
Favorito ao Oscar 2018 é a melhor estreia da semana
O quarto e pior filme da franquia de terror “Sobrenatural” tem a distribuição mais ampla desta quinta (18/1), chegando em quase 500 salas. Como opções aos sustos fáceis, os cinemas sugerem rir amarelo nas filas dos shoppings, já que duas comédias bobas completam o circuíto comercial. Uma delas segue a linha da comédia-televisiva-infantil-brasileira, um subgênero em ascensão, que já rendeu dois filmes de “Carrossel” e um “Detetives do Prédio Azul – O Filme”. Quem preferir pagar para ver filmes de qualidade precisará enfrentar o preconceito do mercado, que restringe a distribuição dos melhores títulos ao circuito limitado. Um deles é um romance gay, tema que ainda encontra resistência, mesmo que o filme em questão seja favorito ao Oscar 2018. Chega, claro, no chamado “circuito de arte”, assim como outro candidato potencial ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira e um bom drama brasileiro. Saiba mais sobre os lançamentos abaixo e clique nos títulos para ver os trailers de todas as estreias. “Sobrenatural – A Última Chave” conta nova origem da franquia, apesar de o filme anterior ter se chamado “Supernatural: A Origem” (2015). Na trama, a médium Elise Rainier (Lin Shaye) volta à casa de sua família, onde testemunhou na infância sua primeira atividade paranormal e onde agora enfrentará uma nova assombração. Elise era apenas coadjuvante no primeiro “Sobrenatural” de 2010, mas se tornou o elemento central nos lançamentos seguintes, junto com seus dois assistentes, vividos por Angus Sampson e Leigh Whannell (que é o roteirista de todos os filmes). Com 31% de aprovação no Rotten Tomatoes, este é o longa pior avaliado de toda a franquia. Sempre é possível se apavorar mais, já que os lançamentos incluem “Correndo Atrás de um Pai”, um besteirol americano pavoroso, com apenas 26% de aprovação e que implodiu nas bilheterias dos EUA – abriu em 9º lugar no mês passado. A idiotice traz Ed Helms (“Férias Frustradas”) e Owen Wilson (“Os Estagiários”) como irmãos gêmeos (!), que descobrem que são bastardos, após sua mãe (Glenn Close, de “Guardiões da Galáxia”), confessar ter inventado um pai morto de câncer para não traumatizá-los, pois nunca soube quem a engravidou. A história, que começa “Debi e Lóide”, vira “Mamma Mia” e eles decidem ir atrás dos ex-namorados de sua mãe, querendo descobrir quem é seu pai. Por sua vez, “Gaby Estrella” é uma “Hannah Montana” brasileira, menina do interior que vira sucesso musical. Sua série/novelinha teve três temporadas, entre 2013 e 2015 no canal pago infantil Gloob, e o filme encontra a personagem vivida por Maitê Padilha com problemas para manter a carreira de “estrella”. Outro fenômeno pop descartável surgiu e, para continuar seus 15 minutos de fama, ela é mandada de volta ao interior, com o objetivo de estrelar um reality show que possa voltar a lhe deixar em evidência. Mas os planos são sabotados por sua prima invejosa. A moral da história é que a verdadeira amizade é importante, mas, até chegar neste final feliz, é preciso suportar muita música ruim e muita superficialidade – fama e inveja, aparentemente, são tudo na vida. O grande filme da semana, “Me Chame pelo Seu Nome”, se passa numa idílica mansão rural italiana dos anos 1980 e acompanha como o filho adolescente de um professor americano se encanta com o novo pupilo convidado a passar o verão com a família. História de despertar de uma paixão, a produção trata o romance gay com uma ternura que até então era reservada para casais heterossexuais. O elenco destaca Timothée Chalamet (“Interestelar”) e Armie Hammer (“Cavaleiro Solitário”), e o primeiro tem vencido diversos prêmios como ator do ano, apesar da pouca idade – tem 22 anos. Também chama atenção a beleza da fotografia, a cargo do mestre tailandês Sayombhu Mukdeeprom (do assombroso “Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”). A direção, por sua vez, é do italiano Luca Guadagnino (“Um Mergulho No Passado”). As qualidades do longa tem rendido muitos prêmios. Entre outros, venceu o Gotham Awards, cujos resultados, nos últimos três anos, coincidiram com a premiação do Oscar de Melhor Filme. Além disso, lidera as indicações ao Spirit Awards, considerado o “Oscar indie”, e venceu o Critics Choice de Melhor Roteiro (escrito pelo veteraníssimo James Ivory, de “Uma Janela para o Amor” e “Retorno a Howards End”). Por coincidência, outra estreia da semana, “Os Iniciados”, também lida com amor homossexual, mas desta vez num contexto de repressão, entre jovens africanos que passam por um ritual tribal de iniciação para a maioridade. Produção sul-africana premiada no Festival de Londres, o filme do estreante John Trengove está entre os nove pré-selecionados para disputar o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. O drama brasileiro “Pela Janela” marca a estreia da editora Caroline Leone (“Vemelho Russo”) como diretora e roteirista de longa-metragens. Com sensibilidade dramática e olhar semi-documental, o filme acompanha a tristeza de uma senhora de 65 anos (Magali Biff, de “Chiquititas”), que é demitida da fábrica paulista em que sempre trabalhou e encontra conforto numa viagem até Buenos Aires. A obra é discreta como sua personagem, mas tão profunda quanto. Dois documentários completam a programação: o metafísico “Saudade”, de Paulo Caldas (“Baile Perfumado”) e o narcisista “Como Você Me Vê?”, de Felipe Bond (“Vampiro Carioca”). Ambos trazem artistas para falar dos temas de seus títulos.
Fox cancela filme de James Mangold sobre Patty Hearst após protestos contra “romantização de estupro”
A Fox anunciou o cancelamento de um filme sobre o famoso sequestro da herdeira milionária Patricia Cambell Hearst, mais conhecida como Patty Hearst, após ela protestar publicamente contra a produção. “A 20th Century Fox e seus parceiros de produção decidiram cancelar o projeto do estúdio com base no livro ‘American Heiress'”, resumiu um comunicado oficial. O filme, que seria dirigido por James Mangold (“Logan”) e estrelado por Elle Fanning (“Demônio de Neon”), foi denunciado por Hearst por usar uma fonte que ela condenava, o livro de Jeffrey Toobin, “American Heiress”, que também alimenta uma série de documentários da CNN, prevista para fevereiro. Em uma longa declaração, Hearst acusou o escritor de romantizar sua “tortura e estupro”. Ela disse ter sido inspirada pelo movimento #MeToo e os discursos empoderados do Globo de Ouro 2018 para denunciar a exploração de sua tragédia por quem não viveu a experiência na própria pele e tem uma visão misógina sobre o que é se submeter à violência sexual. “Estou triste e consternada por a Fox ter concordado em financiar e produzir um filme baseado no livro de Toobin (com um roteiro similarmente problemático, também escrito por homens) e que a CNN concordou em continuar perpetuando um diálogo unilateral, romantizando minha tortura e estupro através da lente distorcida de Toobin”, ela afirmou. A saga de Hearst causou grande fascinação durante os anos 1970. Isto porque, meses após seu sequestro em 1974, aos 19 anos de idade, ela reapareceu diante de câmeras de um banco, trajada com roupas pseudo-militares e de metralhadora em punho, para praticar um assalto como integrante de um grupo de terroristas marxistas. A radicalização da herdeira milionária – neta de William Randolph Hearst, o rei da imprensa americana e inspiração do filme “Cidadão Kane” – , foi um dos temas mais comentados da década, e durante muito tempo dividiu opiniões. A justiça entendeu que ela tinha se juntado voluntariamente com os criminosos, condenando-a a sete anos de prisão pelo assalto. Mas muitos questionavam se ela sofrera lavagem cerebral, e sua história completa só veio à tona anos depois, quando Patty revelou ter passado meses trancada num quarto escuro, onde era espancada e estuprada repetidamente, para ceder completamente às vontades de seus raptores. O presidente Jimmy Carter mandou soltá-la após 22 meses de prisão. O sequestro já rendeu um filme, “Patty Hearst”, dirigido por Paul Schrader em 1988, que adaptou o livro de memórias da própria Hearst. Desta vez, a trama contaria uma história mais controvertida, detalhando a tortura sexual sofrida por Patty para se juntar ao Exército Simbionês de Libertação. “O livro de Jeffery Toobin, que cita um dos meus sequestradores como sua principal fonte, romantiza meu estupro e tortura e chama meu sequestretro de ‘uma aventura divertida’. Este projeto está tentando reescrever a história e vai diretamente contra o movimento #MeToo, após tantos progressos em relação ao espaço conseguido para dar voz àqueles que sofreram abusos”. Apesar do cancelamento do filme, a CNN mantém sua programação baseada no livro. Em descrição oficial, o canal de notícias afirma que a série de documentários, intitulada “The Radical Story of Patty Hearst”, teve acesso sem precedentes a figuras-chave na história, incluindo Bill Harris, o homem que sequestrou Hearst de seu apartamento em 1974 e Steven Weed, o noivo que testemunhou tudo. “A série mostra sua educação, o sequestro, transformação em terrorista, prisão e julgamento subseqüentes, e sua transição para a realeza americana”. Além da série, a CNN está planejando um podcast semanal, “Patty Has a Gun: The Life and Crimes of Patricia Hearst”, apresentado por Toobin e Brian Stelter da CNN, que será disponibilizado a partir de 26 de janeiro no iTunes.
Ronan Farrow vai produzir e apresentar série de documentários investigativos na HBO
O jornalista Ronan Farrow, filho de Mia Farrow e Woody Allen, assinou um contrato de três anos com a HBO para produzir uma nova série de documentários investigativos. Ele ganhou notoriedade há dois anos, após publicar uma denúncia contra o próprio pai, Woody Allen, acusando-o por abusar de sua irmã quando ela era criança. Mais recentemente, tornou-se o principal porta-voz das vítimas do produtor Harvey Weistein, publicando uma série de reportagens na revista The New Yorker, com depoimentos contundentes de atrizes famosas e as primeiras acusações de estupro contra o produtor. O contrato foi fechado após Farrow aparecer na capa da revista Hollywood Reporter, onde foi tratado como o “príncipe de Hollywood que derrubou o castelo” dos poderosos. “Ao longo das minhas investigações na TV e na mídia impressa nos últimos anos, ficou claro para mim que há uma nova geração de telespectadores em busca de reportagens sérias, relevantes que ataquem interesses poderosos e injustiças sistêmicas que muitas vezes são jogadas para debaixo do tapete”, disse Farrow no comunicado do negócio. “A reportagem extraordinária de Ronan na New Yorker ajudou a propagar outras investigações, revelações e debates importantes sobre esses casos. Seu trabalho contribuiu para esse momento de limpeza em nossa cultura e estamos entusiasmados em fornecer uma plataforma para esse repórter perseguir projetos que continuem a revelar a verdade sobre o poder”, disse o presidente de programação da HBO, Casey Bloys, sem especificar os temas dos documentários. Ainda sem título, os programas devem ir ao ar no final do ano.
O Touro Ferdinando é a principal estreia da semana, com lançamento em quase mil salas
Símbolo do pacifismo, “O Touro Ferdinando” desembarca em 958 salas nesta quinta (11/1), que também oferece violência e guerra a quem for aos cinemas, além de inaugurar a temporada dos “filmes de Oscar” com um candidato a estatuetas e manter a dieta semanal de lançamentos limitados e documentários. Clique nos títulos de cada produção para ver os trailers de toda a programação. O lançamento amplo de “O Touro Ferdinando” no Brasil é um curioso contraponto à estratégia original da Fox, que despejou o filme na pior data de 2017 nos Estados Unidos – junto da estreia de “Star Wars: Os Últimos Jedi”. A animação acabou registrando a estreia mais fraca da carreira do brasileiro Carlos Saldanha na América do Norte. Mas aqui chega em situação oposta, aproveitando o boicote a “Viva – A Vida É uma Festa” para se impor com maior visibilidade no circuito. Como “Rio” e “A Era do Gelo”, dirigidos por Saldanha, a nova produção também é um desenho de bichos falantes. A diferença é que Ferdinando não é uma criação original. A história é inspirada no personagem homônimo criado em 1936 pelo escritor americano Munro Leaf e ilustrado por Robert Lawson, que já rendeu até produção da Disney: um curta clássico que venceu o Oscar de sua categoria em 1939. Graças ao sucesso da versão da Disney, reprisada várias vezes na TV, o touro sensível, que gosta de ficar no campo cheirando flores e não leva jeito para touradas, acabou virando ícone pacifista. Mas nunca tinha ganhado um longa-metragem antes. Para esticar a história original, a animação incluiu diversos bichos coadjuvantes. Mas a premissa permanece. Depois de ser confundido com uma perigosa criatura, Ferdinando, que é um touro grande de tamanho e de coração, é capturado para competir nas touradas. Só que ele não quer tourear e, determinado a voltar para a menininha que é sua dona, lidera uma equipe de bichos desajustados em uma grande fuga. A animação tem sido indicada aos prêmios da temporada, como o Globo de Ouro 2018, Annie Awards e o PGA Awards, e tem 70% de aprovação no Rotten Tomatoes. Para quem prefere pancadaria, “O Estrangeiro” traz Jackie Chan num dos papéis mais sombrios de sua carreira. Longe do tom cômico que marca suas produções faladas em inglês, o filme mostra o ator mais famoso da China com o semblante fechado e desejo de matar, após uma explosão terrorista custar a vida de sua filha. Em busca dos responsáveis pelo atentado, ele pressiona um funcionário do governo britânico, vivido pelo ex-007 Pierce Brosnan, a revelar a identidade dos criminosos. Recusando-se a aceitar sua palavra de que não tem conhecimento da tragédia, Chan o transforma no alvo de sua vingança. Coprodução entre a China e o Reino Unido, o filme tem roteiro de David Marconi (“Duro de Matar 4.0”) e direção de Martin Campbell (“007 – Cassino Royale”), que opta por uma linha de ação mais realista e violenta que os fãs de Chan estão acostumados. Apesar disso, não foge muito da fórmula do gênero, com 62% no Rotten Tomatoes. “O Destino de uma Nação” rendeu o Globo de Ouro 2018 para Gary Oldman. Mas o favoritismo do ator ao Oscar começou a ser questionado após a reação pública à sua vitória – as redes sociais se encheram de protestos pelo passado de agressor do britânico. Vale considerar que, em seu agradecimento pelo prêmio de domingo (7/1), Oldman fez questão de elogiar o trabalho de seus maquiadores. E, de fato, metade da interpretação se deve à transformação física do ator em Winston Churchill, o político que liderou o Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial. O filme acompanha Churchill em 1940, no início de seu mandato como Primeiro Ministro britânico. Diante do avanço do nazismo pela Europa, com Hitler expandindo territórios e colecionando vitórias, ele se vê diante de um dilema: aceitar a pressão de seus colegas por um vergonhoso acordo de paz com a Alemanha ou se jogar numa guerra com a perspectiva de uma derrota iminente. O roteiro foi escrito por Anthony McCarten, responsável por “A Teoria de Tudo” (2014), indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA, e a direção é de Joe Wright, em seu trabalho mais sóbrio após os espetáculos visuais de “Orgulho e Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “Peter Pan” (2015). Entre os lançamentos limitados, os destaques são outros dois dramas baseados em histórias reais. “Lou” também é uma cinebiografia, de Lou Andreas-Salomé, uma das mulheres mais interessantes do século 19, filósofa, poeta, feminista e pioneira da psicanálise. Sua trajetória reforça que a inteligência pode ser um poderoso afrodisíaco, pois ela apaixonou homens como Sigmundo Freud, Friedrich Nietzsche e Rainer Maria Rilke, entre outros. A personagem é interessantíssima, mas o mesmo não pode ser dito do primeiro filme de ficção da alemã Cordula Kablitz-Post, produzido há dois anos e sem repercussão internacional. Em contraste gritante, “O Motorista de Táxi” foi aclamado pela crítica mundial. Tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma coleção impressionante de prêmios no circuito asiático. Apesar de ser o primeiro filme do sul-coreano Jang Hoon a chegar ao Brasil, o ainda jovem cineasta acumula sucessos de bilheteria doméstica, usando elementos de filmes de ação para contar a história política do seu país. Assim como seu longa anterior, “The Frontline” (2011), “O Motorista de Táxi” foi escolhido para representar a Coreia do Sul no Oscar, mas não conseguiu a qualificação. O filme se passa em 1980 e acompanha um taxista comum (Song Kang-ho, de “Expresso do Amanhã”), que ao pegar um passeiro estrangeiro interessado em viajar até outra cidade, acredita ter conseguido a melhor corrida do mês. Entretanto, a viagem se torna a corrida da sua vida, pois o jornalista alemão (Thomas Kretschmann, de “Os Vingadores: A Era de Ultron”) o conduz para o meio de uma guerra civil, na qual estudantes que protestavam contra a ditadura são massacrados pelos militares. As imagens do conflito real, com centenas de mortes, chocaram o mundo, e só foram conseguidas graças ao taxista anônimo. A repercussão do filme acabou revelando a identidade de Kim Sa-bok, transformando-o em herói nacional. Infelizmente, ele morreu de câncer quatro anos após conduzir o jornalista Jürgen Hinzpeter (1937–2016) para o epicentro da crise, mas “O Motorista de Táxi” resgatou sua importância para a divulgação do massacre de Gwangju, cuja denúncia desestabilizou a ditadura e ajudou a transformar a Coreia do Sul numa democracia. Dois documentários completam a programação. O chileno “O Pacto de Adriana” investiga uma tia querida de sua jovem diretora, que trabalhou para a ditadura de Pinochet, e o brasileiro “Sailing Band” era para ser um documentário sobre banda velejadora no Caribe, que implode, mas rende uma viagem. Como curiosidade, o diretor estreante em longas Denis Nielsen é roteirista da série “3%”.
Game of Thrones domina indicações ao prêmio do Sindicato dos Diretores
O Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos divulgou uma parte dos indicados a seu prêmio anual, o DGA Awards. Foram revelados os concorrentes das categorias televisivas e de documentário, um dia antes da revelação dos nomeados por filmes de ficção. Todos os vencedores serão conhecidos no dia 3 de fevereiro. A lista tem algumas peculiaridades. Uma delas é desconsiderar que “Big Little Lies” foi renovada e deixou de ser série limitada. Outra é que “Wormwood”, indicado como documentário, foi exibido como série de seis episódios. Mas o que chama mais atenção é a importância de “Game of Thrones” para a categoria. A série de dragões da HBO emplacou três episódios, de diretores diferentes, na seleção televisiva. Mesmo assim, a favorita é Reed Morano, que já venceu o Emmy 2017 pela direção do piloto de “The Handmaid’s Tale”. Outros destaques são Niki Caro concorrendo na categoria de Produções Infantis por “Anne” e Amy Schumer disputando a categoria de Especiais por “Amy Schumer: The Leather Special”. Confira a lista completa abaixo. INDICADOS AO DG AWARDS 2018: TV E DOCUMENTÁRIO MELHOR DIREÇÃO DE DOCUMENTÁRIO Ken Burns e Lynn Novick – “The Vietnam War” Bryan Fogel – “Icarus” Matthew Heineman – “City of Ghosts” Steve James – “Abacus: Small Enough to Jail” Errol Morris – “Wormwood” MELHOR DIREÇÃO DE SÉRIE DRAMÁTICA The Duffer Brothers – “Stranger Things: Chapter Nine: The Gate” Reed Morano – “The Handmaid’s Tale: Offred” Jeremy Podeswa – “Game of Thrones: The Dragon and the Wolf” Matt Shakman – “Game of Thrones: The Spoils of War” Alan Taylor – “Game of Thrones: Beyond the Wall” MELHOR DIREÇÃO DE SÉRIE CÔMICA Aziz Ansari – “Master of None: The Thief” Mike Judge – “Silicon Valley: Server Error” Melina Matsoukas – “Master of None: Thanksgiving” Beth McCarthy-Miller – “Veep: Chicklet” Amy Sherman-Palladino – “The Marvelous Mrs. Maisel: The Marvelous Mrs. Maisel” MELHOR DIREÇÃO DE TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA Scott Frank – “Godless” Barry Levinson – “O Mago das Mentiras” Kyra Sedgwick – “Story of a Girl” Jean‑Marc Vallee – “Big Little Lies” George C. Wolfe – “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” MELHOR DIREÇÃO DE PROGRAMA INFANTIL Niki Caro – “Anne: Your Will Shall Decide Your Destiny” Benjamin Lehmann – “The Magical Wand Chase: A Sesame Street Special” Lily Mariye – “Just Add Magic: Just Add Meddling” Alison McDonald – “An American Girl Story: Summer Camp, Friends for Life” Matthew O’Neil e Thalia Sodi – “15: A Quinceañera Story: Zoey” MELHOR DIREÇÃO DE PROGRAMA DE VARIEDADES Andre Allen – “Full Frontal with Samantha Bee” Paul G. Casey – “Real Time with Bill Maher” Jim Hoskinson – “The Late Show with Stephen Colbert” Don Roy King – “Saturday Night Live” Paul Pennolino – “Last Week Tonight with John Oliver” MELHOR DIREÇÃO DE ESPECIAL DE VARIEDADES Stan Lathan – “Dave Chappelle: The Age of Spin” Linda Mendoza – “Kennedy Center Mark Twain Prize Honoring David Letterman” Paul Pennolino – “Full Frontal with Samantha Bee Presents Not the White House Correspondents’ Dinner” Amy Schumer – “Amy Schumer: The Leather Special” Glenn Weiss – “The 89th Annual Academy Awards” MELHOR DIREÇÃO DE REALITY SHOW Hisham Abed – “Encore!” John Gonzalez – “Live PD” Brian Smith – “MasterChef” Adam Vetri – “Dare to Live” Kent Weed – “Spartan: The Ultimate Team Challenge”












