Diretor vencedor do Oscar será julgado por estupro em Nova York
O diretor Paul Haggis, vencedor de dois Oscar por seu filme “Crash – No Limite”, vai enfrentar um julgamento público em tribunal por uma acusação de estupro feita pela relações públicas Haleigh Breest. O Juiz Robert Reed, da Suprema Corte de Nova York, recusou na quinta-feira (26/7) o pedido dos advogados de Haggis para anular o processo. Breest afirma que Haggis a estuprou no apartamento dele em janeiro de 2013, após a estréia do filme “Terapia de Risco”. Ela diz que ele insistiu para que ela subisse para tomar uma bebida, e ela aceitou apesar de não querer ir. Breest afirma que os avanços sexuais indesejados começaram quase que imediatamente, e ela o descreve violentamente removendo as calças e depois forçando o sexo. Ela diz que contou a dois amigos íntimos sobre o incidente e ainda procurou médicos para verificar se não tinha pego alguma doença sexualmente transmissível. Ela diz que o incidente a deixou emocionalmente marcada, levando-a a buscar tratamento de saúde mental em junho de 2017, durante o qual seu psicólogo a diagnosticou com estresse pós-traumático. Ela afirma que as declarações públicas de Haggis em resposta ao escândalo de agressão sexual de Harvey Weinstein a ultrajaram e que isso a motivou a processá-lo, com base na lei de violência contra mulheres. A advogada de Haggis, Christine Lepera, tentou fazer o processo ser anulado ao revelar que a acusadora procurou a defesa para tentar fazer um acordo por seu silêncio no valor de US$ 9 milhões, e seu objetivo teria sido causar transtorno emocional para obter o valor. “O que aconteceu não foi uma discussão normal de um acordo financeiro, foi extorsão”, disse a advogada, de acordo com reportagem do site The Hollywood Reporter. “Quando você ameaça processar alguém a partir de uma acusação falsa, é revoltante. Todos nós sabemos que o estupro é algo revoltante, mas isso também é”. A advogada de Haggis ainda acusou Breest de levar às acusações à público, na imprensa, para que aumentar a pressão. Mas o juiz não se convenceu, dizendo que uma decisão a favor de Haggis abriria precedente para qualquer pessoa processada alegar ser vítima de “extorsão” e “transtorno emocional”. Além disso, o juiz reparou que a defesa também levou o caso à imprensa e abriu um processo contra a acusadora. “Você fez a mesma coisa, vendendo a sua história para a imprensa. Esse caso se tornou público porque vocês processaram”, afirmou. De fato, Lepera abriu um processo contra a acusadora por extorsão. Esta ação afirma que o diretor recebeu uma carta com uma ameaça em 16 de novembro, assinada por um advogado que representa a mulher, na qual incluía uma queixa pronta e ainda não protocolada. Durante uma ligação de 11 de dezembro, o advogado da Breest teria exigido um pagamento de US$ 9 milhões para o processo não ser aberto. “A ré achava que poderia capitalizar as manchetes atuais, acreditando que não teria que provar nada, bastando só ameaçar destruir sua vítima”, diz a advogada nos autos. Assim, o o caso de Haggis deve seguir para julgamento diante de um júri popular. O detalhe é que não incluirá apenas a acusação de Haleigh Breest. O juiz permitiu que a promotoria incluísse três outras mulheres, que preferem se manter anônimas, numa denúncia coletiva contra o diretor por estupro. As três mulheres se apresentaram após Haggis decidir processar a acusadora original. De acordo com a agência Associated Press, uma delas trabalhou com o diretor em um programa de televisão em 1996. Ela afirma que Haggis a forçou a fazer sexo oral com ele antes de estuprá-la. Na época, não foi à polícia porque ninguém acreditaria nela e o diretor acabaria com sua carreira. “O poder, a raiva, os recursos financeiros, você sente que não dá para enfrentar isso”, disse ela à reportagem da AP. Outra mulher alegou ter encontrado Haggis ao oferecer-lhe uma idéia de programa de TV em seu escritório. Ela afirma que Haggis disse que tinha um acordo em seu casamento que lhe permitia dormir com outras mulheres antes de tentar beijá-la. “Eu senti como se minha vida tivesse acabado”, disse a acusadora, que conseguiu escapar, mas foi seguida. A última mulher também afirmou que o diretor a beijou à força em 2015, antes de segui-la até um táxi. Cientologista que depois se voltou contra a seita, Paul Haggis foi alçado à fama com “Crash” e depois assinou roteiros de filmes de sucesso como “Menina de Ouro” (2004), “007 – Cassino Royale” (2006) e “007 – Quantum of solace” (2008). As acusações trazem à tona uma ironia histórica. “Crash” é considerado o mais fraco vencedor do Oscar deste século. O favorito era “O Segredo de Brokeback Montain”. Mas este filme, que rendeu o Oscar de Melhor Direção para Ang Lee, enfrentou grande preconceito da velha guarda de Hollywood. O já falecido ator Tony Curtis deu uma entrevista famosa falando que não tinha visto e não tinha intenção de vê-lo para votar no Oscar. E que outros membros da Academia também pensavam assim. O fato de ser um romance gay incomodou. Assim, o filme do homem agora acusado de ser estuprador acabou vencendo o Oscar, com apoio dos defensores da moral e dos bons costumes. Uma data para o julgamento deve ser definida em breve. Haggis será o segundo homem poderoso de Hollywood a enfrentar julgamento por consequência das denúncias de abuso sexual na indústria de cinema e TV que vieram à tona no final do ano passado. Antes dele, deverá ser julgado o caso do produtor que precipitou o movimento acusatório, Harvey Weinstein.
Venda da produtora The Weinstein Company é finalizada e empresa vai mudar de nome
A venda da produtora The Weinstein Company foi finalizada nesta segunda-feira (16/7). A empresa de investimentos Lantern Capital, sediada no Texas, assumiu o estúdio falido dos irmãos Bob e Harvey Weintein por US$ 289 milhões, o equivalente R$ 1,1 bilhão. A negociação já tinha sido previamente aprovada pelo governo americano, e Andy Mitchell e Milos Brajovic, proprietários da Lantern, agora são oficialmente os substitutos de Bob e Harvey Weinstein no comando da companhia. A TWC, como era conhecida, foi à falência após as denúncias de assédio sexual e estupro contra Harvey Weinstein, reveladas por reportagens do jornal The New York Times e da revista The New Yorker em outubro do ano passado. No momento, o ex-magnata de Hollywood aguarda julgamento criminal em liberdade. A Lantern Capital vai mudar o nome enlameado da produtora para Lantern Entertainment e inicialmente cuidar da biblioteca de 277 filmes da empresa e dos processos que o escândalo de Weinstein deve desencadear. Após essa transição tumultuada, a nova Lantern Entertainment deverá contratar uma nova diretoria para passar a desenvolver novos projetos no cinema e na TV, além de retomar produções interrompidas da TWC.
Harvey Weinstein admite que trocava sexo por papéis de cinema, mas advogado insiste que não foi bem isso
Poucas semanas após o início de seu processo criminal por assédio sexual, estupro e conduta inapropriada, o produtor Harvey Weinstein deu uma entrevista polêmica para a revista britânica “The Spectator”, em que admite que abusou de seu poder e que oferecia papéis em filmes em troca de sexo, mas garantiu não ser um estuprador. “Você nasceu rico e privilegiado e você era bonito”, disse Weinstein, ao entrevistador, o colunista Taki Theodoracopulos. “Eu nasci pobre, feio, judeu e tive de lutar minha vida inteira para chegar a algum lugar. Você tinha muitas garotas, nenhuma garota olhava para mim até eu virar grande em Hollywood.” “Sim, eu ofereci a elas papéis em filmes em troca de sexo, mas era assim que era e ainda é com todo mundo”, afirmou o produtor. “Mas eu nunca me forcei para cima de uma única mulher.” Apesar das falas tentarem diminuir o peso das acusações contra Weinstein, ao sugerir uma troca consensual de sexo por favor profissional, a entrevista não teve a repercussão desejada e foi rapidamente contestada pelo advogado do produtor, que emitiu um comunicado para a imprensa. No comunicado, Ben Brafman negou que o seu cliente tenha admitido a prática conhecida como “teste do sofá”, afirmando que a frase foi citada de forma equivocada. “Eu estava presente na conversa; não foi uma entrevista, foi um encontro social entre dois amigos. Harvey e Taki não discutiram o caso, e eu não permitiria que o fizessem. Falamos da velha Hollywood e o contraste com a cultura europeia. O sr. Weinstein nunca disse nada sobre trocar papéis por sexo.” De forma curiosa, o próprio Taki Theodoracopulos emitiu um comunicado, admitindo o erro. “Depois de 41 anos sem uma só retratação na ‘Spectator’, eu acredito que representei mal a conversa que tive com Harvey Weinstein. Foi um erro. Espero não ter prejudicado seu caso”. O pedido de desculpas do jornalista, entretanto, fornece um detalhe sórdido sobre o encontro, afirmando que se reuniu com Weinstein porque ele prometeu informações exclusivas e desfavoráveis sobre a atriz Asia Argento, a primeira a denunciar o produtor por estupro, e que virou alvo de uma campanha de cyberbullying nas redes sociais após o suicídio de seu namorado, o chef-celebridade Anthony Bourdain, há pouco mais de um mês. Ao saber dessa motivação, Argento desabafou no Twitter: “Eu entendo agora quem está por trás do horrível bullying dirigido contra mim e Rose McGowan. Weinstein, seu maldito monstro estuprador, ainda tentando nos prejudicar e atingir. Não por muito tempo. Você vai para a cadeia”.
Mais mulheres acusam Luc Besson de agressões sexuais
O famoso diretor e produtor francês Luc Besson, de “O Quinto Elemento”, “Lucy” e “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, foi alvo de novas acusações de agressões sexuais. Depois de uma denúncia de estupro apresentada por uma atriz em maio, várias mulheres denunciaram ao site de notícias francês Mediapart atitudes impróprias e abusos que ele teria cometido. De acordo com a Mediapart, uma ex-funcionária de Besson, encarregada das seleções de elenco para seus filmes, escreveu no início de julho para o procurador da República de Paris para denunciar fatos que ela descreve como “agressões sexuais”. Ela menciona um ambiente de trabalho “muito sexualizado”, assim como “gestos e comportamentos inadequados, que ela considera serem agressões sexuais”. A investigação do veículo online revela que várias mulheres entraram em contato com a atriz italiana Asia Argento, uma das principais figuras do movimento #MeToo e acusadora do produtor Harvey Weinstein, após seu discurso na cerimônia de encerramento do Festival de Cannes em maio. Uma delas, também atriz, falou com a Mediapart sobre reuniões profissionais com Luc Besson em quartos de hotel no início dos anos 2000 e atos de violência da parte do diretor de 59 anos, que teria se “jogado” sobre ela. As novas acusações se somam à acusação de uma atriz e modelo de 27 anos, que não se identificou. Ela afirmou ter sido drogada e estuprada pelo diretor num hotel em paris. Mas os testes toxicológicos deram negativos e os advogados de Besson afirmaram que o casal estava num relacionamento estável há vários anos. De acordo com o noticiário francês sobre a investigação, ela acabou confirmando que mantinha um relacionamento íntimo com o cineasta há cerca de dois anos, sentido-se obrigada a isso por causa das conexões profissionais de Besson. Mas que isso não mudava o fato de ter sido estuprada. Na França, houve poucos relatos de casos de assédio na indústria cinematográfica. As raras atrizes francesas que se pronunciaram, como Léa Seydoux e Emma De Caunes, apresentaram-se para denunciar Harvey Weinstein. Por outro lado, estrelas veteranas se manifestaram para calar denúncias, atacando o equivalente francês ao #MeToo por considerá-lo um movimento moralista e um retrocesso para as conquistas sexuais.
Animação “sem diretor” O Parque dos Sonhos ganha primeiro trailer dublado
A Paramount divulgou o primeiro trailer da animação “O Parque dos Sonhos” (Wonder Park), que conta a história de um parque de diversões onde a imaginação de June, uma menina de 12 anos, ganha vida. Escrito pela dupla Josh Appelbaum e André Nemec (de “As Tartarugas Ninja”), o longa curiosamente não teve o nome do diretor divulgado. Isto porque Dylan Brown, animador de “Os Incríveis” e diretor do curta “Festa-Sauro Rex” (da franquia “Toy Story”), foi dispensado da função após surgirem denúncias de comportamento inapropriado. David Feiss (das séries animadas “A Vaca e o Frango” e “Eu Sou o Máximo”) teria assumido a direção, mas o estúdio não fez anúncio oficial. E este não foi o único contratempo da produção, que trocou um dos dubladores, Jeffrey Tambor, após ele ser demitido da série “Transparent” sob acusações de assédio. As vozes remanescentes são dubladas em inglês por Jennifer Garner (“Clube de Compra Dallas”), Matthew Broderick (o eterno Ferris Bueller de “Curtindo a Vida Adoidado”), Mila Kunis (“Perfeita É a Mãe”), Kenan Thompson (da série “Kenan & Kel”), Ken Jeong (“Se Beber, Não Case”), Norbert Leo Butz (série “Bloodline”), Ken Hudson Campbell (“Cruzeiro das Loucas”), o apresentador John Oliver e a menina Brianna Denski (“Desejo e Esperança”) como June. Mas a prévia é dublada em português. Mais que dublada, é “lida”, já que uma narração insistente repete exatamente as palavras escritas em português na tela. Vale comparar abaixo com a versão original, em inglês, onde o reforço redundante é dispensado – aparentemente, as crianças americanas sabem ler. A estreia está marcada para março de 2019 no Brasil, e logo em seguida o filme vai virar uma série no canal pago Nickelodeon.
Diretor de Aftershock será investigado pela justiça chilena por abuso sexual
A Promotoria chilena confirmou nesta terça (3/7) que abriu uma investigação de abuso sexual contra o diretor de cinema Nicolás López, após as denúncias de oito mulheres divulgadas em uma revista local. Manuel Guerra, promotor da região Metropolitana, disse ao jornal La Tercera que “pelo que aparece na revista, existem dois casos que podem virar crime de abuso sexual, mas isso será determinado pela diligências que forem realizadas”. Guerra explicou que a Promotoria irá assessorar as vítimas, cujo depoimento “será muito relevante no momento de determinar a configuração ou não do que for indagado”. Em declarações à publicação, a atriz e cantora chilena Daniela Ginestar disse que, após um jantar, López mostrou-lhe um vídeo dele fazendo sexo com uma atriz famosa, deixando implícito de que ela deveria fazer o mesmo para conseguir trabalho. Depois, López masturbou-se na frente dela. Outro caso foi relatado pela modelo Bernardita Cruz, que afirmou ter sido apalpada por López em 2012 após o cineasta ter feito comentários sobre os seus seios. A atriz María Vidaurre denunciou o fato mais grave, ao afirmar que em 2015 foi chamada por López para um teste na casa do diretor e que ele a jogou na cama e tentou estuprá-la. López fez sucesso no cinema chileno e chegou a Hollywood por meio do cineasta Eli Roth. Roth dirigiu “O Albergue” (2005) e estrelou “Bastardos Inglórios” (2009). Ele também aceitou estrelar “Aftershock”, trabalho mais famoso de López, que teve até participação de Selena Gomez. A boa repercussão desse filme fez Roth retribuir ao chileno com um convite para escrever “Bata Antes de Entrar”, um remake do cult “Death Game” (1977), que ele dirigiu. Depois disso, o chileno também fechou um acordo de produção com a Netflix, que o serviço de streaming anunciou que será revisto. Diante da repercussão, López pediu desculpas em um vídeo e negou ser um abusador, o que irritou ainda mais a denunciantes e os movimentos dos direitos da mulher. Nos últimos meses, o Chile tem sido cenário de uma versão nacional do #MeToo, que tomou força com maciços protestos contra a violência e as desigualdades. Como resultado desse movimento, em abril a Justiça chilena abriu uma investigação por abuso sexual contra o diretor Herval Abreu, conhecido como o “czar” das novelas chilenas.
Guy Pearce revela ter sofrido assédio de Kevin Spacey em Los Angeles: Cidade Proibida
O ator australiano Guy Pearce se juntou à lista de homens que denunciaram Kevin Spacey por assédio sexual. Falando a um programa da TV australiana, Pearce revelou que sua experiência com Spacey, durante as filmagens do cultuado “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997) foi “um pouco complicada”. Ele contou que Spacey era “cheio de mãos-bobas”. “Felizmente, eu tinha 29 anos quando atuamos juntos, e não 14”, comentou, referindo-se a suposta preferência do ator por garotos mais jovens. “Kevin Spacey é um ótimo ator. Um tremendo ator, na verdade. É difícil falar sobre isso no momento”, completou Pearce. Em “Los Angeles: Cidade Proibida”, Pearce e Spacey interpretavam dois policiais que perseguiam um serial killer. Pearce era o novato Ed Exley, visto como o “menino de ouro” do departamento de polícia, enquanto Spacey era o corrupto Jack Vincennes. Spacey se viu envolto com denúncias de assédio no final de 2017, quando o ator Anthony Rapp (“Star Trek: Discovery”) afirmou ter sido molestado pelo colega quando ainda era menor de idade. Desde então, diversas denúncias semelhantes surgiram contra Spacey, inclusive no set da série “House of Cards”. Como consequência, ele foi demitido da série, que estrelava para a Netflix, e foi apagado e substituído no filme “Todo o Dinheiro do Mundo”. A nova denúncia vem à tona quando o último filme estrelado por Spacey está prestes a chegar ao cinema. “Billionaire Boys Club” foi filmado em 2016 e traz Spacey como trapaceiro que se aproveita de jovens ingênuos com sonhos de fortuna. A estreia está marcada para 3 de agosto nos Estados Unidos.
Novas acusações de agressão sexual podem render prisão perpétua a Harvey Weinstein
O procurador-geral do distrito de Manhattan anunciou nesta segunda-feira (2/7) novas acusações criminais contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, que se somam a seu processo por estupro e atos sexuais, iniciado em maio. As denúncias incluem abuso sexual predatório e envolvem uma terceira mulher, além das duas mencionadas em processos anteriores, que o acusa de forçá-la a realizar sexo oral. Caso seja condenado, Weinstein, que está em liberdade por pagamento de fiança de US$ 1 milhão, pode pegar de 10 anos até prisão perpétua. “Esses indiciamentos são resultado da coragem extraordinária exibida pelas sobreviventes que decidiriam ir adiante”, disse o procurador distrital Cyrus Vance Jr. em comunicado. “A nossa investigação continua.” Embora o caso penal envolva apenas duas mulheres, mais de cem já afirmaram terem sido assediadas sexualmente por Weinstein ao largo de várias décadas. As acusações foram iniciadas por reportagens do jornal New York Times e da revista The New Yorker em outubro do ano passado, que converteram o antes todo-poderoso produtor cinema no catalisador do movimento #MeToo e num dos maiores predadores sexuais da história recente dos Estados Unidos. Mas Weinstein se diz inocente e seu advogado, Ben Brafman, já definiu sua estratégia, ao afirmar que todas as relações foram consentidas. Os promotores de Nova York não divulgaram o nome de nenhuma das mulheres que acusam Weinstein de assédio sexual nos documentos judiciais. Além do processo criminal, o produtor também enfrenta um processo civil por agressão sexual, movido por outras mulheres, que cobram indenizações milionárias.
Diretor chileno de Aftershock é acusado de assédio e abuso sexual por oito mulheres
O cineasta chileno Nicolás López, que dirigiu o filme de terremoto “Aftershock” (2012) e escreveu o suspense extremo “Bata Antes de Entrar” (2015), foi acusado de assédio e abuso sexual por oito mulheres. Os casos foram revelados pela revista chilena El Mercúrio. As acusadoras são mulheres bem conhecidas no Chile e duas delas trabalharam com ele no cinema. Segundo a publicação, a atriz e cantora chilena Daniela Ginestar disse que, após um jantar, López mostrou-lhe um vídeo dele fazendo sexo com uma atriz famosa, deixando implícito de que ela deveria fazer o mesmo para conseguir trabalho. Depois, López masturbou-se na frente dela. Outro caso foi relatado pela modelo Bernardita Cruz, que afirmou ter sido apalpada por López em 2012 após o cineasta ter feito comentários sobre os seus seios. A atriz María Vidaurre denunciou o fato mais grave, ao afirmar que em 2015 foi chamada por López para um teste na casa do diretor e que ele a jogou na cama e tentou estuprá-la. López fez sucesso no cinema chileno e chegou a Hollywood por meio do cineasta Eli Roth. Roth dirigiu “O Albergue” (2005) e estrelou “Bastardos Inglórios” (2009). Ele também aceitou estrelar “Aftershock”, trabalho mais famoso do diretor, que teve até participação de Selena Gomez. A boa repercussão desse filme fez Roth retribuir ao chileno com um convite para escrever “Bata Antes de Entrar”, um remake do cult “Death Game” (1977), que ele dirigiu.
Terry Crews revela que foi cortado de Os Mercenários 4 por ter feito denúncia de assédio sexual
O ator Terry Crews afirmou que foi cortado do projeto de “Os Mercenários 4” devido à sua denúncia de assédio sexual contra seu ex-agente. A revelação foi feita ao Senado americano nesta terça-feira (26/6), onde Crews prestou testemunho para um comitê encarregado de investigar os escândalos de abuso sexual em Hollywood. No ano passado, Terry Crews revelou que o agente Adam Venit agarrou seus genitais durante uma festa em 2016. Ele chegou a denunciar o caso, mas as autoridades não deram prosseguimento porque o crime teria prescrito. Então, decidiu abrir um processo civil contra Venit e sua agência, a WME. Crews contou ao Comitê Judiciário do Senado que Avi Lerner, produtor de “Os Mercenários”, ligou para seu empresário e pediu para que ele desistisse da ação contra o ex-agente Adam Venit para aparecer no novo longa. “Simplesmente porque esse mesmo produtor está sob sua própria investigação. Abusadores protegem abusadores, e essa foi uma coisa que eu tinha que decidir, se eu ia traçar esse limite. Vou ser uma parte disso ou vou me posicionar?”, ele comentou, ressaltando que preferiu manter o processo. No ano passado, Lerner foi processado por assédio sexual, ambiente hostil de trabalho e discriminação de gênero por uma mulher. Na época, ele classificou as acusações como “mentiras”. O ator foi chamado para testemunhar em uma audiência que visa produzir novas medidas de proteções às vítimas nas leis federais americanas. Ele relatou que os crimes sexuais sempre foram um problema na indústria cinematográfica. “Hollywood definitivamente tem sido um local problemático, simplesmente porque muitas pessoas veem isso como um sonho. E o que acontece é que alguém tem poder sobre esses sonhos”, explicou Crews. “E você é levado a acreditar que esse tipo de comportamento é esperado, que faz parte do trabalho, que assédio, abuso e até estupro fazem parte do seu trabalho”. Ele ainda afirmou que não tinha planos de denunciar o incidente, pois duvidava que a polícia fosse levá-lo a sério. “Eu provavelmente iria virar piada na delegacia. Um ano depois, quando o movimento #MeToo engrenou, senti que era seguro denunciar. Quando sofre uma violência, você fica atrás das linhas inimigas, tentando encontrar uma saída. Você está tentando encontrar uma forma de se manter seguro. Ninguém vai te ajudar. Ninguém vai acreditar em você”. Desde que falou publicamente sobre o caso, Crews disse ter sido contatado por vários outros homens que tiveram experiências semelhantes e não se sentiram à vontade para denunciar. “O que acontece é que você vai para uma lista negra, sua carreira fica em perigo. Depois disso, ninguém quer trabalhar com você”. O astro da série “Brooklyn Nine-Nine” revelou o caso de assédio no Twitter, dentro da campanha #MeToo, após as primeiras denúncias de atrizes contra Harvey Weinstein. “Tudo isso que está acontecendo com Harvey Weinstein está me dando DEPT (desordem de estresse pós-traumático). Por quê? Porque esse tipo de coisa aconteceu comigo”, ele tuitou. Mais tarde, ele disse no programa “Good Morning America” que “nunca se sentiu mais emasculado, mais objetivado” do que quando o agente agarrou seus genitais.
Diretores de Frozen e Divertida Mente são os novos chefes das animações da Disney e Pixar
Os cineastas Pete Docter e Jennifer Lee, diretores dos filmes “Divertida Mente” (2015) e “Frozen” (2013), respectivamente, foram anunciados nesta nesta terça-feira (19/6) como os substitutos de John Lasseter na Pixar e na Disney. Diretor do departamento de animações da Disney e responsável pelo primeiro “Toy Story”, Lasseter se afastou de suas funções após ser acusado de assédio e conduta imprópria no ambiente de trabalho, trazidas à tona no bojo do movimento #MeToo. Ele deixará definitivamente o cargo no fim de 2018. Com a mudança, Docter e Lee passam a liderar a área criativa. Anteriormente concentrada em Lasseter, as áreas de animação da Disney e da Pixar voltarão a ter direção independente. A cineasta de “Frozen” foi nomeada chefe de criação dos estúdios Disney, enquanto o diretor de “Divertida Mente” foi escolhido como chefe de criação da Pixar. Jennifer Lee entrou na Disney em 2011 como co-roteirista de “Detona Ralph”. Com seu trabalho como uma das diretoras da animação “Frozen” (função dividida com Chris Buck) levou o Oscar de Melhor Animação. Ela também foi roteirista de “Zootopia” (2016), outra animação premiada com Oscar, e do recente filme “Uma Dobra no Tempo” (2018). Um detalhe interessante é que sua contratação acontece logo após a atriz e roteirista Rashida Jones abandonar seu trabalho no desenvolvimento de “Toy Story 4” acusando a Disney de ser uma empresa sexista. Em seu comunicado sobre as razões que a levaram a desistir do filme, ela descreveu a empresa como um lugar “em que mulheres e pessoas de cor não têm a mesma voz criativa que outros”. Já Pete Docter é um dos mais antigos funcionários da Pixar, que dirigiu “Monstros S.A.” (2001), “Up: Altas Aventuras” (2009) e o mencionado “Divertida Mente”, além de ter escrito “Wall-E” (2008), todos premiados pela Academia. Ele foi um dos primeiros funcionários da Pixar e é um dos membros originais do “brain trust”, como foi batizado o comitê de contadores de histórias que ajudam a moldar os filmes da empresa através de um exaustivo processo de produção. Lee trabalhava atualmente na continuação “Frozen 2”, enquanto Docter assumiu o roteiro de “Toy Story 4” – duas produções com lançamentos marcados para 2019. Os novos chefes das animações da Disney e da Pixar se reportarão a Alan Horn, o presidente do estúdio.
Produtora defende decisão polêmica de lançar filme estrelado por Kevin Spacey
A produtora Vertical Entertainment emitiu um comunicado para defender sua decisão de lançar nos cinemas o filme “Billionaire Boys Club”, último trabalho estrelado pelo ator Kevin Spacey. A participação do ator, vencedor de dois Oscars, tornou-se um fardo para a produção, após ele ser acusado por diversas pessoas de assédio e abuso sexual. As denúncias acabaram com sua carreira, levando-o a ser demitido da série “House of Cards” e ter sua atuação apagada em “Todo o Dinheiro do Mundo”, sendo substituído em refilmagens por outro ator. Ao abordar a polêmica, a produtora chamou atenção para o fato de o filme ter envolvido o trabalho de dezenas de outras pessoas, que deram duro para finalizar o produto, e que não mereciam ser penalizadas por conta do mal comportamento de uma pessoa. “Esperamos que essas alegações angustiantes relativas ao comportamento de uma pessoa – que não eram conhecidas publicamente quando o filme foi feito há quase três anos – não manchem o lançamento”, explicou a empresa em nota à imprensa. “Não toleramos o assédio sexual em qualquer nível e apoiamos totalmente as vítimas. Ao mesmo tempo, lançar este filme nos cinemas não é uma decisão fácil nem insensível, mas acreditamos em dar ao elenco, assim como centenas de membros da equipe que trabalharam duro no filme, a chance de ver seu produto final chegar ao público”, completa o curto texto. O filme foi produzido em meados de 2016, quando seus dois outros protagonistas, os jovens Ansel Elgort (“Em Ritmo de Fuga”) e Taron Egerton (“Kingsman: O Círculo Dourado”), estavam começando a chamar atenção, mas sua estratégia de aproveitar o sucesso da dupla para conseguir maior visibilidade saiu pela culatra com o excesso de visibilidade do caso de Spacey. Sem a mesma verba de Ridley Scott para refilmar “Todo o Dinheiro do Mundo”, os produtores se viram sem alternativas para recuperar o investimento. Na verdade, viram-se numa armadilha não muito diferente da experimentada pelos personagens da trama. Escrito e dirigido por James Cox (“Tudo em Família”), o longa é, ainda por cima, inspirado por um escândalo real, ao narrar como um grupo de estudantes ricos de Los Angeles se deixam engabelar por um golpista nos anos 1980, ao arquitetarem um esquema para ganhar dinheiro de forma fácil, convencendo diversos amigos a investirem em seu negócio. Até que o pilantra que os incentivou some com todo o dinheiro, deixando-os endividados e incriminados. A história virou um caso criminal famoso e não terminou nada bem para nenhum dos personagens reais. Foi tão midiático que chegou a ganhar um telefilme em 1987, estrelado por Judd Nelson, logo após estrelar “O Clube dos Cinco” – no papel agora vivido por Ansel Elgort. O próprio Judd Nelson também integra o elenco da nova versão, numa homenagem, ao lado ainda de Emma Roberts (série “Scream Queens”), Suki Waterhouse (“Orgulho e Preconceito e Zumbis”), Cary Elwes (“Jogos Mortais”), Billie Lourd (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), Jeremy Irvine (“Cavalo de Guerra”), Bokeem Woodbine (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”) e Rosanna Arquette (série “Ray Donovan”). É um ótimo elenco. Mas a decisão de ir adiante com um filme que mostra Kevin Spacey abusando de imberbes autodenominados “boys” pode ser considerada indigesta demais, diante das acusações de pedofilia que pesam contra o ator – que, para se defender, resolveu se assumir homossexual, ultrajando também a comunidade LGBT+. Ficou curioso? Veja o trailer aqui. A estreia está marcada para o dia 3 de agosto.
Jamie Foxx é acusado de agredir mulher com o pênis
O ator Jamie Foxx está sendo acusado de ter agredido uma mulher com seu pênis, em um caso que teria ocorrido 16 anos atrás. De acordo com o site TMZ, uma mulher não identificada alega que o astro de “Django Livre” bateu nela com o pênis, após tentar forçá-la a fazer sexo oral. Como recusou, ele teria batido no rosto dela com seu membro sexual ereto. A agressão teria acontecido em Las Vegas, em 2002, quando a suposta vítima e uma amiga foram numa festa do ator. Além da agressão, ela teria sido expulsa da casa por um amigo de Foxx e acabou sendo hospitalizada no dia seguinte, com uma severa crise de pânico. Doze anos depois, ela decidiu ir à polícia, registrando queixa contra o ator. A acusadora diz que o movimento #MeToo a inspirou a contar o caso e espera que revelá-lo publicamente possa encorajar outras vítimas a irem a público. A polícia de Las Vegas confirmou ao TMZ ter aberto um boletim de ocorrência sobre o caso. No entanto, o possível crime pode ter prescrito, devido à demora da acusação. Entretanto, a acusação pode ter consequências legais e financeiras para a mulher. A advogada do ator, Allison Hart, afirmou em comunicado que “Jamie nega enfaticamente que este incidente aconteceu, e vai processar esta mulher por falsa acusação contra ele”. “A primeira vez que ouvimos falar desta acusação absurda foi quando fomos contatados pelo ‘TMZ’ sobre a história. O caso nunca foi reportado em 2002 ou nos últimos 16 anos, porque não aconteceu”, completou a representante de Foxx.












