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  • Música

    Mary Weiss, líder do grupo Shangri-Las, morre aos 75 anos

    20 de janeiro de 2024 /

    Mary Weiss, vocalista principal do grupo Shangri-Las, famoso nos anos 1960 por sucessos como “Leader of the Pack” e “Give Him a Great Big Kiss”, faleceu aos 75 anos. Sua morte foi confirmada por Miriam Linna da Norton Records, que lançou o único álbum solo de Weiss em 2007. A causa da morte não foi divulgada. “Mary era um ícone, uma heroína, para homens e mulheres jovens da minha geração e de todas as gerações”, disse Linna.   Inovação Junto com as Ronettes, as Shangri-Las simbolizam mais do que qualquer outro grupo feminino a era dos girl groups. Weiss estava no centro do som e da imagem do grupo, com uma voz jovem e ansiada que ecoava no rádio, e longos cabelos loiros que a tornaram objeto de inúmeros admiradores na época. Com uma série de músicas pop marcantes escritas por George “Shadow” Morton, Ellie Greenwich e Jeff Barry e produzidas por Morton, o auge do grupo foi breve — apenas 1964 e 1965 — mas seu impacto foi atemporal. As Shangri-Las inovaram com a música “Leader of the Pack”, que gerou inúmeras imitações e foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame. Suas músicas frequentemente abordavam relacionamentos problemáticos com “bad boys”, incorporando uma sexualidade revolucionária para as garotas da época. Além das letras modernas, o quarteto feminino tinha um visual que foi muito copiado e marcou os anos 1960 antes da era hippie. Musicalmente, representaram ainda o “wall of sound”, um estilo de produção que incorporava ecos, efeitos sonoros e fazia tudo soar épico.   Trajetória Weiss, criada no Queens, Nova York, e sua irmã Betty frequentaram a mesma escola que as futuras colegas de banda, as gêmeas Margie e Mary-Ann Ganser. O grupo começou a se apresentar em clubes noturnos em 1963, chamando a atenção do produtor Artie Ripp, que orquestrou o primeiro contrato de gravação do grupo. Ele ajudou a arranjar o primeiro contrato de gravação do grupo com a Kama Sutra, levando à primeira gravação em dezembro de 1963, “Simon Says”. O sucesso veio com “Shadow” Morton, associado de Phil Spector (produtor das Ronettes), que escolheu as garotas para gravar “Remember (Walking in the Sand)”. A música alcançou o número 5 no Billboard Hot 100 no verão de 1964 e estabeleceu o grupo no cenário musical. Ainda naquele ano, “Leader of the Pack” chegou ao número 1, uma miniópera adolescente com uma dramática introdução falada e efeitos sonoros de motocicleta. Com o lançamento e apresentações na TV, Morton destacou a habilidade de Weiss como atriz, não apenas como cantora. O grupo se apresentou com os Beatles, fez turnês com os Rolling Stones e apareceu em vários programas de TV da época, continuando a fazer sucesso com hits como “Give Him a Great Big Kiss” e “Out in the Streets”. A imagem de adolescentes duronas, mas vulneráveis de Nova York era genuína. “No começo, não nos dávamos bem”, lembrou Weiss, falando sobre as gêmeas Ganser. “Elas eram meio rudes, com gestos e linguagem e mascando chiclete e meias rasgadas. Nós dizíamos, ‘Não é legal, vocês devem ser damas’, e elas respondiam, ‘Não queremos ser damas'”. Weiss observou que o grupo era apenas adolescente — ela tinha apenas 15 anos quando “Remember” foi lançada — e enfrentou instabilidade na formação; todos os membros, exceto Weiss, deixaram o grupo em algum momento. A onda dos girl groups foi ofuscada pela Invasão Britânica – de Beatles, Stones, The Who, etc – e pela psicodelia, e as Shangri-Las se separaram em 1968 em meio a uma série de processos judiciais. Weiss tinha 19 anos na época e as batalhas legais a mantiveram afastada do mundo da música por uma década. “Minha mãe meio que assinou minha vida quando eu tinha 14 anos”, disse Weiss.   Legado Apesar da carreira curta, as Shangri-Las deixaram um grande legado. Primeiro foram os Beach Boys e os grupos vocais contemporâneos da surf music, que se inspiraram no wall of sound para criar harmonizações em hits da mesma era. Depois, chegou a vez de artistas da geração glam como Suzi Quatro e os New York Dolls, grande influência no punk rock – a banda nova-iorquina até incorporou “Give Him a Great Big Kiss” em seu repertório. Em seguida, a banda Blondie baseou seu som no estilo dos girl groups, com Deborah Harry adotando até o visual de vestidos curtos. Os Ramones, B-52s e as Go-Go’s também assumiram influência do grupo, assim como, em tempos mais recentes, Lana del Rey, Duffy e a falecida Amy Winehouse. Além disso, o repertório do musical “Grease” foi praticamente baseado no estilo vocal e nas apresentações teatralizadas das Shangri-Las. O quarteto ainda voltou a se juntar em 1976, contratado pela Sire Records, mas ficou insatisfeito com as músicas gravadas, que até hoje permanecem inéditas. Depois disso, se reuniram ocasionalmente para turnês. Weiss, porém, só lançou um único álbum solo, “Dangerous Game”, em 2007. Ela falou dos desafios que enfrentou na indústria musical sexista dos anos 1960, como adolescente, no livro “But Will You Love Me Tomorrow?”, lançado no ano passado.

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    Harry Dean Stanton (1926 – 2017)

    15 de setembro de 2017 /

    Morreu o ator Harry Dean Stanton, estrela de “Alien” (1979), “Paris, Texas” (1984), “Twin Peaks” e inúmeros outras produções clássicas e cultuadas. Ele tinha 91 anos e faleceu de casas naturais em um hospital em Los Angeles. Harry Dean Stanton nasceu em 14 de julho de 1926, em West Irvine, uma pequena comunidade do Kentucky. Seu pai era fazendeiro e barbeiro, sua mãe era uma cabeleireira, e o jovem Harry virou cozinheiro, quando serviu na Marinha durante a 2ª Guerra Mundial. Após a Guerra, ele chegou a se matricular na Universidade de Kentucky para estudar jornalismo, mas acabou tomando outro rumo. Mais especificamente, um ônibus Greyhound para Los Angeles, onde desembarcou em 1949 disposto a fazer sucesso. Chegou a se apresentar como cantor e até como pregador batista, antes de tentar o que a maioria dos recém-chegados tentava naquela cidade: virar ator. Sua estreia aconteceu na série “Inner Sanctum”, em 1954, seguida por uma figuração num clássico de Alfred Hitchcock, “O Homem Errado” (1956). Em pouco tempo, estabeleceu-se como vilão do episódio da semana das séries de western, vestindo chapéu preto em produções como “As Aventuras de Rin Tin Tin”, “Bat Masterson”, “O Homem do Rifle”, “Johnny Ringo”, “Paladino do Oeste”, “Gunsmoke” e “Couro Cru”, entre outras. Isto lhe abriu as portas para seu primeiro papel coadjuvante, como filho do vilão fazendeiro do western “O Rebelde Orgulhoso” (1958), de Michael Curtis. Ele também apareceu no clássico “A Conquista do Oeste” (1962), de John Ford, mas sua carreira só foi deslanchar na década de 1970, quando trabalhou com alguns dos maiores diretores da chamada Nova Hollywood. Tudo por conta de dois pequenos papéis, chamando atenção de forma memorável em “Rebeldia Indomável” (1967), de Stuart Rosenberg, e “Corrida Sem Fim” (1971), de Monte Hellman. A explicação de Stanton para roubar as cenas foi seguir um conselho de Jack Nicholson nas filmagens de “A Vingança de um Pistoleiro” (1966): não fazer nada e deixar o figurino trabalhar. Este seria o segredo de seu método de “interpretação natural”. E, de fato, deu tão certo que ele e Nicholson se tornaram melhores amigos – e vizinhos. Ao todo, a dupla rodou seis filmes juntos – os demais foram “Rebeldia Violenta” (1970), “Duelo de Gigantes” (1976), “O Cão de Guarda” (1992), “A Promessa” (2001) e “Tratamento de Choque” (2003). Sua fama de “não fazer nada” tornou-se ainda mais lendária quando Stanton passou a trabalhar com alguns dos maiores mestres do cinema americano. A lista invejável inclui Sam Peckimpah (em “Pat Garrett e Billy the Kid”, 1973), Francis Ford Coppola (“O Poderoso Chefão 2”, 1974), Arthur Penn (“Duelo de Gigantes”, 1976), John Huston (“Sangue Selvagem”, 1979), John Carpenter (“Fuga de Nova York”, 1981), Garry Marshall (“Médicos Loucos e Apaixonados”, 1982), Robert Altman (“Louco de Amor”, 1985), Martin Scorsese (“A Última Tentação de Cristo”, 1988), David Lynch (“Coração Selvagem”, 1990), John Frankenheimer (“A Quarta Guerra”, 1990) e Frank Darabont (“À Espera de um Milagre”, 1999). Por menor que fosse o papel, ele sempre dava um jeito de chamar atenção, o que, muitas vezes, fazia com que seus diretores famosos lhe convidassem para um bis, repetindo as parcerias, como Coppola em “O Fundo do Coração” (1981) e Lynch com “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1994) e “Império dos Sonhos” (2006). Houve, inclusive, um período de oito anos, entre 1978 e 1986, em que ele parecia estar em todos os filmes que importavam. Nesta fase, era praticamente impossível ir na videolocadora e não alugar um VHS com Staton no elenco, fosse sci-fi, comédia, drama, terror, suspense, filme de adolescente e até musical. Seu nome estava simplesmente em “Alien” (1978), “A Rosa” (1979), “A Recruta Benjamin” (1980), “Fuga de Nova York” (1981), “Christine, O Carro Assassino” (1983), “Amanhecer Violento” (1984), “Repo Man – A Onda Punk” (1984) e “A Garota de Rosa-Shocking” (1986) – como o pai desempregado de Molly Ringwald – , entre outros sucessos da época. Tornou-se tão ubíquo que até Deborah Harry, a cantora da banda Blondie, lhe dedicou uma música, “I Want That Man” (1989). A letra começava assim: “I want to dance with Harry Dean/ Drive through Texas in a black limousine”… Os dois namoraram. Apesar disso, Stanton raramente viveu um protagonista. Mas na primeira oportunidade, o filme que ele estrelou venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. “Paris, Texas” tornou-se um dos maiores lançamentos dos anos 1980, colocando seu diretor, o alemão Wim Wenders, no patamar dos grandes mestres. Na trama, Staton vivia Travis, um homem e um pai quebrado pelo amor não correspondido, que vagou por quatro anos sem destino pelas estradas empoeiradas do sul americano, e ao ser encontrado no deserto tenta juntar os cacos de sua vida para entender o que aconteceu. Seu rosto triste marcou gerações. Stanton chegou a dizer, na ocasião: “Depois de todos esses anos, finalmente consegui o papel que queria interpretar. Se nunca mais fizesse outro filme depois de ‘Paris, Texas’, ficaria feliz”. Além de estrelar “Paris, Texas”, ele ainda cantou na trilha sonora, composta por Ry Cooder. E esta era outra faceta de seus múltiplos talentos. O ator tinha uma voz angelical, que foi explorada em outros filmes, como “Rebeldia Indomável”, no qual viveu um presidiário que trabalhava duro em rodovias, e em “Cisco Pike” (1972), em que foi uma estrela de rock decadente, melhor amigo do roqueiro traficante vivido por Kris Kristofferson. Por curiosidade, ele também fez dois filmes com Bob Dylan – “Pat Garrett e Billy the Kid” e o mítico “Renaldo and Clara” (1978), dirigido pelo próprio Dylan. E, fora das telas, tinha sua própria banda, Harry Dean Stanton and the Repo Men, que dava shows nas casas noturnas de Los Angeles. Os cineastas mais jovens também o veneravam, como demonstram suas aparições em “Alpha Dog” (2006), de Nick Cassavetes, “Aqui é o Meu Lugar” (2011), do italiano Paolo Sorrentino, “Rango” (2011), de Gore Verbinski, “Os Vingadores” (2012), de Joss Whedon, e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu” (2012), do inglês Martin McDonagh. Mas, nos últimos anos, o ator vinha se destacando mais na TV, graças ao papel assustador do vilão polígamo e autoproclamado profeta Roman Grant, na série “Big Love” (Amor Imenso, 2006–2011) da HBO. Além disso, sua pequena aparição no filme “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” lhe rendeu uma longa participação recorrente no revival da série “Twin Peaks” deste ano, em que reprisou o papel de Carl Rodd, o dono de um parque de trailers – e também cantou. Seu último lançamento previsto é o drama indie “Lucky”, de John Carroll Lynch, que teve première no Festival SXSW e chega aos cinemas norte-americanos em 29 de setembro. O filme é um despedida magistral, em que Stanton, no papel-título, canta, anda pelo deserto texano, contracena com velhos amigos (David Lynch e Tom Skerritt, seu comandante em “Alien”) e pondera o que existe depois da morte. Com exceção de um breve casamento, Stanton viveu a maior parte da vida sozinho. Assim como Travis, de “Paris, Texas”, isto se devia a um coração partido. No documentário sobre sua carreira, “Harry Dean Stanton: Partly Fiction” (2012), ele confessa ter ficado amargurado após perder seu grande amor, a atriz Rebecca De Mornay (atualmente na série “Jessica Jones”). “Ela me deixou por Tom Cruise”, diz ele no filme.

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