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  • Filme

    A Travessia mostra porque Robert Zemeckis é um dos grandes cineastas de sua geração

    13 de novembro de 2015 /

    “A Travessia” anuncia em seu cartaz que se trata de um filme do mesmo diretor de “Náufrago” (2000) e “O Voo” (2012). A diferença de 12 anos entre os dois filmes se refere ao tempo em que Robert Zemeckis se dedicou à animação em experiências de captura de movimento. Em suma, “Náufrago” e “O Voo” foram seus últimos trabalhos com atores reais. Mas, por coincidência, têm uma forte relação com a premissa de “A Travessia”. Nesses três longas, Zemeckis se mostra obcecado pela queda, que nos filmes anteriores é elemento central da trama, mostrada como um espetáculo. Em “A Travessia”, a queda é uma possibilidade constante. Mas o espetáculo da trama está no fato dela não acontecer. Ao final, a “trilogia” se resume ao esforço de um homem em sobreviver à queda, deixando sua marca – seu legado – ao escapar da morte. A incrível história do equilibrista Philippe Petit já foi contada no documentário vencedor do Oscar “O Equilibrista” (2008), de James Marsh. Mas o filme estrelado por Joseph Gordon-Levitt (“Como Não Perder Essa Mulher”) também faz justiça ao feito, com auxílio de efeitos realistas, que projetam a vertigem em 3D e celebram as Torres Gêmeas de Nova York em sua glória anterior a 11 de setembro de 2001. rnrnO ano é 1974, quando Petit decide realizar a maior proeza já feita por um equilibrista, andar sobre um cabo de aço estendido entre os prédios mais altos do mundo. O próprio protagonista conta sua história – na tela, por meio de narração do ator, e nos bastidores, como consultor da trama. Em vários momentos, Petit reforça que não é um artista de circo, ele é um artista e ponto final. Sua arte é performática. Acontece uma vez na vida. Mas impacta a posteridade. Não é muito diferente do grafite, como ato de desobediência civil e transgressão. Toda a preparação para a realização da obra, por sinal, é feita como se ladrões planejassem um grande golpe. Com auxílio de seu grupo, ele pretende cometer um crime que só tem uma vítima em potencial: ele próprio. A capacidade de projetar tanto o suspense quanto a tensão do ato proibido e suicida de Petit, ao mesmo tempo em que transmite as emoções contraditórias do personagem, entre a possibilidade da morte, a realização de uma vida e a profunda paz de espírito, é, por sua vez, o grande feito de Zemeckis. E isto é atingido com precisão pelas imagens fabulosas que, aliadas à tecnologia IMAX 3D, reproduzem a sensação de caminhar sobre um fio acima de um grande vazio. Para quem tem medo de altura, o filme é um convite a desafiar esse medo. A um passo da eternidade, Petit se aproxima da solidão dos demais sobreviventes de Zemeckis. Mesmo que tenha contado com parceiros importantes para realizar seu grande ato, o feito se dá com ele sozinho, quando encontra sua força e seu nirvana. A cena em que um pássaro se aproxima para vê-lo de perto, por exemplo, tem uma carga espiritual poucas vezes vista no cinema. “A Travessia” também demonstra que os 12 anos em que Zemeckis privilegiou a tecnologia e as inovações de computação gráfica não foram desperdiçados. O filme é uma aula de como efeitos visuais grandiosos e o uso da tecnologia 3D podem ser utilizados de forma artística, em prol da apreciação fílmica. O resultado vai muito além do passeio de parque de diversões projetado rotineiramente nas telas dos multiplexes, demonstrando que Zemeckis é um dos grandes pioneiros do uso de tecnologias de ponta no cinema, mas, mais que isso, é também um dos grandes cineastas de sua geração.

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  • Etc,  Filme

    Documentário explora implosão criativa de Amy Winehouse

    13 de novembro de 2015 /

    “Amy”, o documentário assinado pelo mesmo Asif Kapadia que dirigiu “Senna” (2010), aborda de maneira ao mesmo tempo dura e delicada a trajetória de Amy Winehouse, que se tornou mundialmente conhecida a partir do estouro do álbum “Back to Black”, o seu segundo, nascido da dor de ter sido abandonada pelo namorado Blake Fielder-Civil. Seria o equivalente ao “Jagged-Little Pill”, da Alanis Morissette, que também nasceu da dor do abandono, mas a cantora canadense soube canalizar isso tudo e ainda veio com um álbum seguinte em completo restabelecimento emocional e com uma bonita espiritualidade. Infelizmente, Amy preferiu se afundar nas drogas. Ou não teve forças para resistir por causa do vício. E as apresentações dela em shows começaram a ficar cada vez mais aquém do que o que o mundo conheceu. Assim, o filme traz tanto a evolução da cantora e compositora a partir de imagens de arquivo da adolescência quanto sua decadência física até a morte, em 2011. O documentário pinta como vilões (ou quase isso) pelo menos duas pessoas: o namorado/marido e o pai de Amy, que é visto como um sujeito que não apenas não soube tratar da filha como deveria, como também a explorou. Tanto que há uma ação jurídica dos familiares contra os responsáveis pelo filme. Uma cena é particularmente digna de nota e causa arrepios, mesmo em quem não acompanhou de perto tudo isso na época em que estava se desenrolando, que é o nascimento no estúdio de “Back to Black”, a faixa-título do segundo álbum, uma das melhores canções a expressar o sentimento de ser abandonado pela pessoa amada já feitas. E não é apenas pelo significado, pela letra, pela situação, mas como isso é traduzido em música e pela voz de Amy. Dessa mesma lavra, veio também “Love Is a Losing Game”, outro lindo exemplar do amor como objeto cortante. Já outras cenas são tão dolorosas de ver que a gente fica até pensando se é ético da parte do diretor mostrar aquilo, o quanto uma pessoa é capaz de ir ao fundo do poço, como quando ela é flagrada na rua com o namorado, depois de terem usado drogas e de terem se cortado com uma garrafa. Ou nas vezes em que ela estava completamente fora de si para dar uma entrevista. Até que ponto esse tipo de coisa é aceitável? Neste sentido, Amy até lembra um pouco Kurt Cobain, que recentemente também foi motivo de documentário. Ambos surgiram como um meteoro, ou como uma bomba-relógio, com data iminente para explodir, devido tanto à dificuldade de lidar com a fama quanto ao consumo desmedido de álcool e drogas aliado à saúde física e mental frágeis.

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