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    Ativistas de Hong Kong realizam boicote bem-sucedido ao filme chinês Ip Man 4

    24 de dezembro de 2019 /

    Ativistas pró-democracia em Hong Kong organizaram um boicote ao filme de artes marciais “Ip Man 4: The Finale”, que encerra a franquia “O Grande Mestre” (Ip Man), para protestar contra postura pró-Pequim do produtor Raymond Wong e das estrelas Donnie Yen e Danny Chan. A quarta parte da bem-sucedida franquia quebrou recordes de bilheteria na China, Taiwan e Cingapura. Mas, em Hong Kong, faturou apenas US$ 660 mil em sua estreia no fim de semana passado, atrás de “Star Wars: A Ascensão Skywalker” (que fracassou na China). Para desencorajar o público a assistir ao filme, os ativista encontraram uma forma criativa de manifestação, que troca piquetes por publicações de spoilers do filme nas redes sociais e cartazes em pontos estratégicos com a hashtag #BoycottIpMan4. O boicote foi organizado por usuários do fórum LIHKG, o similar local do Reddit, que tem sido um dos centros estratégicos do movimento pró-democracia de Hong Kong, iniciado em junho e enfrentado de forma dura pelas forças policiais. A ação faz parte da iniciativa popular “círculo econômico amarelo”, que começou a ganhar força nos últimos meses, com o objetivo de valorizar restaurantes, lojas e marcas que apoiam o movimento e prejudicar estabelecimentos “azuis” ou pró-China. Mapas e guias de “restaurantes/lojas amarelos” foram elaborados para incentivar o apoio de cidadãos de Hong Kong aos empreendedores democráticos. Raymond Wong tem notória posição pró-China, tendo organizado um fundo para uma organização contrária a movimentos por democracia em 2014 e criticado publicamente a vitória do drama politizado “Ten Years” no Hong Kong Film Awards em 2015, chamando a consagração do filme na cerimônia de “um grande erro” e “uma piada”. Donnie Yen, que interpreta o personagem-título da franquia, mostrou sua posição política ao subir ao palco e cantar com o líder chinês Xi Jinping em uma festa de gala comemorativa do 20º aniversário da reincorporação de Hong Kong à China continental, em 2017, além de ter feito uma declaração no início deste ano reafirmando a importância da “determinação da pátria”. E Danny Chan, que interpreta Bruce Lee no final da saga (Ip Man foi o mestre de Bruce Lee na vida real), tem apoiado abertamente a polícia de Hong Kong, postando nas mídias sociais que a polícia não deve “pegar leve com nenhum [manifestante]” nem “deixar ninguém escapar”. O produtor veterano Wong inaugurou a franquia “Ip Man” em 2008, fazendo de Yen uma estrela e abrindo caminho para seu envolvimento em superproduções de Hollywood, incluindo o spin-off de “Star Wars”, “Rogue One”, e o vindouro remake live-action de “Mulan”. “Mulan”, por sinal, deve se tornar o próximo alvo de boicote na região. Além de contar com Yen em papel importante, a intérprete da personagem-título, Liu Yifei, expressou apoio à repressão do movimento democrático. A atriz, que também é conhecida como Crystal Liu, usou a plataforma Weibo para dizer que “apoia os policiais” que estão reprimindo brutalmente as manifestações e que as críticas à repressão são “uma vergonha para Hong Kong”. Entretanto, a questão não é assim tão simples. A China é um país totalitário. Muitos confundem a liberdade econômica que tornou o gigante asiático numa potência comercial com a chegada de uma suposta democracia à região, mas a ditadura comunista continua no poder. E sua capacidade de retaliação lembra pesadelos stalinistas, com artistas sendo presos na calada da noite apenas por criticarem o governo ou por agirem de forma a contrariar os princípios do partido. Vale lembrar do sumiço forçado da atriz Fan Bingbing, que foi levada a lugar desconhecido e “pressionada” por cerca de quatro meses para confessar supostos crimes de sonegação de impostos, sendo liberada apenas após “pedir perdão” ao povo chinês pela mesma Weibo e assumir a culpa pelo que o governo a acusava. Neste ano, também veio à tona a notícia de que a China estava obrigando todos seus estúdios e artistas a boicotar a mais tradicional premiação do cinema da região, porque ela é realizada em Taiwan, que, como Hong Kong, rebela-se contra o poder central. Se algum artista chinês participasse ou simplesmente fosse premiado no Golden Horse Awards 2019, que aconteceu em novembro, ficaria proibido de trabalhar no país. Ninguém se rebelou e apenas participantes de Taiwan, Malásia e Singapura concorreram ao chamado “Oscar chinês” deste ano.

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    Fan Bingbing teria sido libertada após passar quatro meses sem contato com família e advogados

    6 de outubro de 2018 /

    A atriz chinesa Fan Bingbing já teria sido libertada pela polícia chinesa, depois de ficar “desaparecida” por quase quatro meses, de acordo com a revista americana The Hollywood Reporter. Ela voltou a usar as redes sociais na quarta-feira (3/10) para fazer um pedido de desculpas ao governo de seu país e elogiar o Partido Comunista, após ser divulgado que ela devia cerca de US$ 129 milhões em impostos e multas. “Ela recuperou a sua liberdade e está, relativamente, de bom humor”, declarou um executivo próximo a Bingbing para a revista. Pela primeira vez, um jornal chinês, o South China Morning Post, assumiu que atriz tinha sido presa durante o período em que era tratada apenas como “desaparecida” pelos fãs e mau exemplo pelo governo. Presa, não. Ficou sob “vigilância residencial em um local designado”. A nomenclatura oficial usa eufemismo para não falar em prisão, mas a prática é bem pior que a prisão convencional, e similar à política de sequestro de Estado levada adiante pelos Estados Unidos durante a guerra ao terror do governo de George W. Bush. Estar em “vigilância residencial em um local designado” significa ser levado a um lugar desconhecido, isolado, sem direito a advogado nem contato com qualquer pessoa que não sejam autoridades designadas pelo governo. O sistema chinês permite que a polícia detenha suspeitos que são investigados por colocar a segurança do Estado em risco, como em casos de terrorismo ou corrupção expressiva, em locais desconhecidos, sem acesso a advogados ou contato com a família. Bingbing teria sido levada para um hotel usado por oficiais para investigar suspeitos de corrupção no subúrbio da cidade de Wuxi, na província de Jiangsu. A atriz de 36 anos é uma das maiores celebridades chinesas, conhecida internacionalmente graças à participações em blockbusters como “Homem de Ferro 3” (2013) e “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014), além de ter integrado o júri do Festival de Cannes em 2017. Muito ativa nas redes sociais, ela estava sem postar no Weibo, o Twitter chinês, desde julho, após sofrer acusações de fraude fiscal. Na ocasião, a produtora de Fan Bingbing a defendeu e denunciou “calúnias”. Os problemas de Fan Bingbing começaram em maio, quando um ex-apresentador da TV pública compartilhou documentos na internet, que segundo ele eram contratos da atriz. De acordo com os documentos, Fan teria sido paga oficialmente com 10 milhões de yuans (US$ 1,4 milhão) por quatro dias de trabalho, mas na realidade teria recebido outros 50 milhões de yuans. O escândalo deixou em evidência um sistema suspeito de “contratos duplos”, conhecidos com “yin e yang”, em que atores supostamente assinam documentos com salários diferentes, mas só apresentam o de valor mais baixo para o governo. Trata-se de uma tática para reduzir os impostos recolhidos. Pouco após esta denúncia, no fim de junho, o governo chinês anunciou uma ofensiva contra os “salários exagerados” da indústria cinematográfica do país, para impedir evasões fiscais e o “culto ao dinheiro”. Segundo reportou a agência oficial Xinhua, o governo estaria defendendo o “desenvolvimento saudável da indústria cinematográfica” da China. Ao anunciar a investigação de “casos de evasões fiscais de certos filmes e profissionais de TV, alegados em discussões on-line”, a Xinhua afirmou: “Esses problemas não só empurram os custos de programas de televisão e produções de filmes para cima, como afetam a qualidade da criação, destroem a saúde da indústria cinematográfica e criam uma tendência de adoração ao dinheiro”. No mês passado, o nome de Fan Bingbing apareceu em último lugar numa lista oficial do governo sobre responsabilidade social dos 100 artistas mais famosos da TV e do cinema da China. Sua percentagem de responsabilidade social seria de 0%. O governo afirma que as produções chinesas de cinema devem render mais benefícios à sociedade que bilheterias. De forma significativa, a primeira mensagem que ela postou no Weibo, ao ser libertada, lembra o teor dos vídeos de prisioneiros de terroristas, torturados para denunciar os equívocos de seu modo de vida, influenciado pela decadência ocidental, e elogiar seus captores benevolentes. “Peço perdão aos fãs e à sociedade, a meus amigos que se preocupam, ao público e à administração fiscal nacional”, ela escreveu, acrescentando: “Sem as boas políticas do Partido e do país, sem a atenção repleta de amor das massas, não existiria Fan Bingbing”. Como se tornou “inimiga” do Estado, não se sabe se, mesmo solta, a atriz poderá continuar sua carreira internacional. Seu próximo trabalho seria o thriller “355”, em que apareceria ao lado da francesa Marion Cotillard e da espanhola Penélope Cruz.

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    Ainda desaparecida, Fan Bingbing usa rede social para pedir perdão e elogiar Partido Comunista Chinês

    3 de outubro de 2018 /

    A estrela de cinema chinesa Fan Bingbing teria “reaparecido” nas redes sociais, três meses após sumir misteriosamente, para pedir desculpas aos fãs, logo após o governo anunciar que ela deve mais de US$ 129 milhões em impostos e multas por sonegação fiscal. Num texto de tom artificial, a atriz ou alguém com acesso à sua conta na Weibo, o equivalente chinês do Twitter, pediu perdão “aos fãs e à sociedade, a meus amigos que se preocupam, ao público e à administração fiscal nacional”, acrescentando: “Sem as boas políticas do Partido e do país, sem a atenção repleta de amor das massas, não existiria Fan Bingbing”. A atriz de 36 anos é uma das maiores celebridades chinesas, conhecida internacionalmente graças à participações em blockbusters como “Homem de Ferro 3” (2013) e “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014), além de ter integrado o júri do Festival de Cannes em 2017. Muito ativa nas redes sociais, ela estava desaparecida do Weibo desde julho, depois que sofreu acusações de fraude fiscal. Na ocasião, a produtora de Fan Bingbing a defendeu e denunciou “calúnias”. Desde então, ninguém mais a viu. E, apesar dos pedidos de desculpas e elogios que soam forçados ao Partido Comunista, a atriz continua fisicamente desaparecida, gerando boatos de que estaria presa pelo governo, num momento que a China aperta o cerco contra personalidades do mundo do entretenimento que teriam enriquecido. De acordo com a agência oficial Xinhua, Fan Bingbing e as empresas da atriz teriam deixado de pagar dezenas de milhões de dólares em impostos, e pelo menos uma pessoa foi detida por ter escondido e “deliberadamente destruído” documentos contábeis, indicou o anúncio do governo, sem revelar a identidade dessa pessoa. Essa informação se soma ao anúncio anterior, que veio a público em setembro, de que a atriz tinha sido colocada “sob controle e aceitará a decisão legal” das autoridades. A publicação estatal Securities Daily também informou na ocasião que a alegada evasão fiscal de Bingbing era “apenas a ponta do iceberg”. “Ela também é suspeita de participar de empréstimos ilegais e outras formas de corrupção. No pior dos casos, ela enfrenta punição legal”. A história foi removida algumas horas após a publicação, aumentando o clima sombrio que acompanha o desaparecimento da estrela. Os problemas de Fan Bingbing começaram em maio, quando um ex-apresentador da TV pública compartilhou documentos na internet, que segundo ele eram contratos da atriz. De acordo com os documentos, Fan teria sido paga oficialmente com 10 milhões de yuans (US$ 1,4 milhão) por quatro dias de trabalho, mas na realidade teria recebido outros 50 milhões de yuans. O escândalo deixou em evidência um sistema suspeito de “contratos duplos”, conhecidos com “yin e yang”, em que atores supostamente assinam documentos com salários diferentes, mas só apresentam o de valor mais baixo para o governo. Trata-se de uma tática para reduzir os impostos recolhidos. Pouco após esta denúncia, no fim de junho, o governo chinês anunciou uma ofensiva contra os “salários exagerados” da indústria cinematográfica do país, para impedir evasões fiscais e o “culto ao dinheiro”. Segundo reportou a agência oficial Xinhua, o governo estaria defendendo o “desenvolvimento saudável da indústria cinematográfica” da China. Ao anunciar a investigação de “casos de evasões fiscais de certos filmes e profissionais de TV, alegados em discussões on-line”, a Xinhua afirmou: “Esses problemas não só empurram os custos de programas de televisão e produções de filmes para cima, como afetam a qualidade da criação, destroem a saúde da indústria cinematográfica e criam uma tendência de adoração ao dinheiro”. No mês passado, o nome de Fan Bingbing apareceu em último lugar numa lista oficial do governo sobre responsabilidade social dos 100 artistas mais famosos da TV e do cinema da China. Sua percentagem de responsabilidade social seria de 0%. O governo afirma que as produções chinesas de cinema devem render mais benefícios à sociedade que bilheterias.

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    Christopher Robin é proibido na China porque presidente do país não gosta de ser comparado ao Ursinho Pooh

    3 de agosto de 2018 /

    Parece piada, e realmente começou com uma piada, porém é sério e de verdade. A nova fábula com atores da Disney, “Christopher Robin”, foi proibido na China por conta das comparações, feitas por opositores políticos, entre o Ursinho Pooh e o atual presidente do país, Xi Jinping. Oficialmente, as autoridades chinesas não deram motivo para impedir a estreia do filme. No entanto, imagens do Ursinho Pooh tem sido censuradas até mesmo nas redes sociais, visto que o personagem virou uma espécie de símbolo provocativo da resistência contra o Partido Comunista, ainda no poder no país. Até a HBO sofreu as consequências quando o talk show “Last Week Tonight”, do comediante John Oliver, resolveu tocar na piada feita contra Xi Jinping. A emissora foi simplesmente tirada do ar no país na hora prevista para o programa. Veja abaixo o vídeo polêmico. Aparentemente, o presidente não acha graça da piada. Apesar do comunismo chinês não ser sério, tendo em vista como depende do capitalismo mundial para prosperar, ninguém do país tem autorização para ver o rei nu – por sinal, outra fábula da Disney que deve gerar repulsa nos governantes. A situação deixa realmente de ter graça quando inspira a repressão. Para dar a dimensão aleatória do caso, o filme se passa na Inglaterra em meados do século 20 e nem sequer cita a China. “Christopher Robin” mostra o reencontro do personagem do título com seus amiguinhos de infância, bichinhos falantes de pelúcia que incluem o Ursinho Pooh. Para quem não lembra, Christopher Robin era o único personagem humano de Milne, inspirado no próprio filho do escritor. Nos livros originais e nos desenhos da Disney, ele é um menino curioso e de imaginação fértil. Mas, no filme, surge como um homem de negócios atormentado por ter que priorizar o trabalho à sua esposa e filha. Sofrendo pela obrigação de demitir diversos funcionários, a última coisa que precisa é voltar a ver Pooh. Mas é exatamente o que acontece. O ursinho ressurge em sua vida, pedindo sua ajuda para encontrar seus amigos novamente. Ewan McGregor (série “Fargo”) interpreta o Robin adulto e Hayley Atwell (a “Agent Carter”) vive sua esposa. Conhecido em todo o mundo pelo título de “Christopher Robin”, o filme de Marc Forster (“Guerra Mundial Z”) vai se chamar aqui “Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível”. Trata-se de um penduricalho para justificar salário dos tradutores de título, a atividade menos qualificada do mercado cinematográfico local. Ou alguém realmente chamou o filme “Os Vingadores” de “Os Vingadores – The Avengers”? A estreia está marcada para 16 de agosto nos cinemas brasileiros.

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