Festival Varilux antecipa estreias comerciais do cinema francês
O Festival Varilux chega a sua 8ª edição como marco da consolidação do cinema francês no Brasil, trazendo os trabalhos mais recentes de estrelas como Catherine Deneuve (“O Reencontro”), Gérard Depardieu (“Tour de France”), Juliette Binoche (“Tal Mãe, Tal Filha”) e Marion Cotillard (“Um Instante de Amor” e “Rock’n’Roll”), além do último filme da atriz Emmanuelle Riva (“Perdidos em Paris”). Não é por acaso que os longas possuem títulos nacionais. Há meia dúzia de distribuidoras diferentes especializadas em lançamentos franceses no país, o que faz com o que o festival tenha papel de vitrine para a degustação de suas próximas estreias. Como esses filmes já tem lançamento garantido em circuito comercial, o destaque do evento acaba sendo seu alcance, ao chegar a 56 cidades brasileiras. Serão exibidos 19 longas, que curiosamente compartilham um tema em comum: o amor. Não apenas o amor romântico, mas também o amor paterno, filial, de amigos. Segundo Christian Boudier, diretor do Varilux, trata-se de escapismo mesmo. “Acho que a realidade é tão pesada e tóxica na França, com atentados, eleições, imigração, refugiados e corrupção, que as pessoas estão cheias disso e talvez os cineastas queiram sair um pouco disso porque acham difícil convencer as pessoas a ir ao cinema ver as mesmas histórias e imagens que invadem a casa deles pelos telejornais”, declarou. Seja como for, com uma (“Frantz”) ou outra exceção (“Perdidos em Paris”), a seleção resulta bem convencional e até fraquinha, chegando a incluir aquele que foi considerado o pior filme do recente Festival de Cannes, “Rodin”. Mas não o melhor – “120 Battements par Minute”. Em contraste com a falta de títulos marcantes, a programação inclui um clássico do cinema francês, a comédia musical “Duas Garotas Românticas” (1967), de Jacques Demy, que influenciou “La La Land” e está completando 50 anos. Além disso, o festival terá uma mostra inédita de filmes franceses em realidade virtual. Estão previstas oito obras em 360º, que serão apresentadas gratuitamente, em cadeiras giratórias e com óculos de realidade virtual. Confira abaixo os trailers de seis dicas (três dramas e três comédias), que a Pipoca Moderna considera as melhores opções do evento, e acesse a programação completa, com todos os filmes, locais e horários, no site oficial do festival.
Novo trailer legendado de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma overdose de efeitos visuais
A Diamond Films divulgou um novo trailer legendado de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, sci-fi do francês Luc Besson (“Lucy”, “O Quinto Elemento”). A prévia se concentra no visual alucinante da produção, que exibe uma profusão de criaturas, tecnologias e ambientes alienígenas, criados por computação gráfica. Uma overdose de efeitos. Baseado nos quadrinhos criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967, o filme acompanha os exploradores espaciais (Dane DeHaan, de “O Espetacular Homem-Aranha 2”) e Laureline (Cara Delevingne, de “Esquadrão Suicida”) em uma missão no planeta Sirte. O elenco também inclui Clive Owen (série “The Knick”), Ethan Hawke (“Boyhood”), Rutger Hauer (“Blade Runner”), o jazzista Herbie Hancock (“Por Volta da Meia-Noite”) e a cantora Rihanna (série “Bates Motel”). A volta do cineasta francês à ficção científica espacial vai chegar aos cinemas duas décadas após “O Quinto Elemento”, com estreia marcada para 10 de agosto no Brasil – três semanas após o lançamento nos EUA.
Filme sueco vence Festival de Cannes, que também premiou Sofia Coppola e Joaquin Phoenix
O filme sueco “The Square”, de Ruben Östlund, foi o vencedor da Palma de Ouro do 70º Festival de Cannes. A obra não era das mais badaladas da competição, mas o diretor já tinha causado boa impressão em Cannes com seu filme anterior, “Força Maior” (2014), exibido e premiado na seção Um Certo Olhar há três anos. Em tom que varia entre o drama e a comédia, a trama acompanha o curador de um importante museu de arte contemporânea de Estocolmo, vítima de um pequeno incidente que desencadeia uma série de situações vexaminosas. Em seu intertexto, “The Square” ainda faz um contraponto entre o ambiente elitista das galerias de arte e a realidade das ruas europeias, cheias de imigrantes e desempregados. Apesar da vitória de um longa europeu, a maior parte das premiações do juri presidido pelo espanhol Pedro Almodóvar foi para produções americanas. Um número, por sinal, mais elevado que o costume entre as edições anteriores do festival. O prêmio de direção ficou com Sofia Coppola por “O Estranho que Nós Amamos”, remake do filme homônimo de 1971, que transforma uma trama de western em suspense gótico. A diretora não estava em Cannes para a cerimônia, realizada no domingo (28/5), mas enviou uma longa mensagem de agradecimento, na qual menciona a neozelandesa Jane Campion, única mulher a vencer a Palma de Ouro, com “O Piano”, em 1993, como uma de suas “inspirações” na carreira. A estrela de “O Estranho que Nós Amamos”, Nicole Kidman, também foi homenageada com um prêmio especial do festival. Neste ano, ela participou de quatro produções exibidas na programação de Cannes. Duas delas estavam na mostra competitiva. E a segunda também foi premiada: o suspense “The Killing of a Sacred Deer”, do grego Yorgos Lanthimos, que venceu o troféu de Melhor Roteiro, empatado com “You Were Really Never Here”, outra produção americana, dirigida pela escocesa Lynne Ramsay. Para completar a lista americana, Joaquin Phoenix, estrela de “You Were Really Never Here”, venceu o troféu de Melhor Ator. A alemã Diane Krueger foi premiada como Melhor Atriz por “In the Fade”, e dois filmes europeus levaram o Grande Prêmio e o Prêmio do Juri, equivalentes ao 2º e 3º lugares do festival: o francês “120 Battements par Minute”, de Robin Campillo, e o russo “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev. Por fim, o prêmio Câmera de Ouro, para longa-metragem de diretor estreante, foi para “Jeune Femme”, da francesa Léonor Serraille, exibido na mostra paralela Um Certo Olhar. Nenhum filme da Netflix foi premiado. O júri da competição oficial foi composto pelos diretores Pedro Almodóvar, Park Chan-wook, Paolo Sorrentino, e Maren Ade, as atrizes Jessica Chastain, Fan Bingbing, Agnès Jaoui, o ator Will Smith e o compositor Gabriel Yard. Vencedores do Festival de Cannes 2017 Palme de Ouro de Melhor Filme “The Square”, de Ruben Öslund (Suécia) Melhor Direção Sofia Coppola, por “O Estranho que Nós Amamos” (EUA) Melhor Roteiro “The Killing of a Sacred Dear”, de Yorgos Lanthimos (Reino Unido) “You Were Really Never Here”, de Lynne Ramsay (EUA) Melhor Ator Joaquin Phoenix, por “Your Were Never Really Here” (EUA) Melhor Atriz Diane Krueger, por “In the Fade” (Alemanha) Grande Prêmio do Júri “120 Battements par Minute”, de Robin Campillo (França) Prêmio do Júri “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev (Rússia) Prêmio Especial do 70º aniversário de Cannes Nicole Kidman (EUA) Câmera de Ouro (melhor filme de estreia) “Jeune Femme”, de Léonor Serraille (França)
Roman Polanski leva paranoia ao Festival de Cannes
Aos 83 anos, Roman Polanski ainda comanda atenção da comunidade cinematográfica. Exibido fora da competição do Festival de Cannes, seu novo filme, “D’après une Histoire Vraie”, não se compara a seus clássicos de suspense, mas tem bons momentos e rendeu muitos comentários. Adaptação do premiado romance “Baseado em Fatos Reais”, de Delphine de Vigan, gira em torno de duas escritoras que desenvolvem uma amizade doentia e perigosa. A esposa do diretor, Emmanuelle Seigner, vive o alter-ego de Delphine de Vigan, que passa por um bloqueio criativo após o lançamento de seu último e bem-sucedido livro. O momento difícil é superado com a ajuda de uma nova e maravilhosa amiga, Elle, papel de Eva Green. O problema é que a amiga, que trabalha como ghost writer, revela-se uma admiradora obsessiva que, em pouco tempo, tenta se intrometer no texto e até na vida íntima da escritora. A trama também permite ao diretor questionar o que é fato e ficção, no momento em que luta para que informações escondidas venham à tona em seu processo por estupro de menor, cometido há quatro décadas nos Estados Unidos. Detalhe: a imprensa recebeu orientação de não fazer perguntas sobre o crime sexual cometido contra Samantha Geimer, em 1977. “Existe todo esse bombardeamento de informações, fotos das vidas dos outros ao redor, notícias falsas. E nos perguntamos: O que é uma história verdadeira hoje?”, indagou o cineasta na entrevista coletiva. Questionado se alguma experiência pessoal teria lhe inspirado, Polanski afirmou: “Sim, claro, já conheci gente que não deveria ter tido qualquer importância na minha vida mas que, de alguma forma, conseguia se aproximar cada vez mais e até se transformar no que ingleses chamam de “hanger-on”, parasitas. Mas sempre consegui perceber isso rápido, e procurava manter uma certa distância delas”. Mas o cineasto foi ligeiro para se desvencilhar de quem buscasse maiores paralelos com sua vida privada. “Não penso na minha história pessoal quando desenvolvo um filme, apenas no que tenho para filmar.” No caso, um roteiro do cineasta francês Olivier Assayas, vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes passado por “Personal Shopper” (2016), que Polanski faz questão de elogiar. “Já adaptei vários livros em minha vida. O segredo é não se distanciar muito do original. Quando jovem, assisti a muitas adaptações em que personagens e tramas desapareciam nos filmes, o que me deixava muito decepcionado. Oliver me ajudou a me manter no rumo certo. Nada do livro de Delphine se perdeu na versão dele”. A história chama atenção por ser a primeira de Polanski sem embate entre personagens de sexos opostos, e também uma história em os personagens masculinos são totalmente secundários. “Nunca havia feito um filme antes com duas protagonistas, e que ambas estivessem em lados opostos. Achei a ideia fascinante”, comentou o cineasta. Entretanto, Polanski enxergou ligação deste longa com seus primeiros filmes. “É particularmente interessante porque todo o clima de paranoia da trama me fez lembrar dos primeiros filmes que fiz. Então, senti como se estivesse no meu território.” Vivendo novamente uma mulher transtornada, papel em que tem se especializado, Eva Green gostou da principal diferença desta produção em relação às demais que estrelou nos últimos dez anos. Pela primeira vez, desde que virou Bond girl em “007: Cassino Royale” (2006), ela pôde interpretar em francês, lembrando que é parisiense. “Estou sempre me esforçando para melhorar meu sotaque em inglês. Como o francês é minha língua-mãe, esse trabalho foi libertador”, disse a atriz.
Michael Haneke filma burguesia para falar de crise humanitária em Cannes
Apresentado como um drama sobre a crise da imigração na Europa, o novo filme de Michael Heneke (“Amor”), que compete no Festival de Cannes, foca o tema apenas de forma ambígua, como um elemento secundário. Na verdade, “Happy End” é um drama sobre uma família burguesa de Calais, no Norte da França, onde existiu um dos maiores campos de refugiados europeus. Mas, segundo o diretor, o que não se vê destacado na tela é que é importante. E ele explicou porquê, durante a entrevista coletiva do festival. Em “Happy End”, a atriz Isabelle Huppert (“Elle”), que realiza seu quarto filme com o diretor, vive a chefe da família Laurent, administrando a empresa construtora do pai (Jean-Louis Trintignant, de “Amor”), um viúvo octogenário que não quer mais viver. Uma curiosidade da trama é que os personagens de ambos parecem ser os mesmos de “Amor”. Mas o tom, entretanto, é de ódio. As tensões entre os membros da família se tornam cada vez mais evidentes, envolvidos com negócios, divórcios, filhos negligenciados, ao mesmo tempo em que o filme ressalta seus privilégios de classe. Já a crise humanitária é sugerida apenas levemente, pela presença dos serviçais da família e os imigrantes que perambulam pelas ruas da cidade. Segundo o diretor, isso é proposital e reflete a forma como os personagens veem o mundo. “Essa história poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, não é sobre a situação em Calais, especificamente. O que o ambiente do filme pode fornecer é a ideia do quanto nos tornamos alheios à realidade à nossa volta”, apontou Haneke, na entrevista coletiva do festival. “Não é tão óbvio quanto parece, porque na realidade não há grandes surpresas nem artifícios em ‘Happy End’. Mas, sim, queria que ficassem claras as linhas que sobrevoam o argumento. Minha aposta é mostrar o menos possível para que seja a imaginação do espectador que complete o filme”. Mesmo assim, ele não reforça nenhum ponto com esclarecimentos necessários. “Não quero responder sobre os imigrantes, porque é você quem tem que responder a essa pergunta. Eu coloco pistas para o espectador e ele tem que encontrar suas respostas”, disparou, diante da tentativa de se criar um esboço mais claro de suas intenções. Mas Haneke não quer deixar nada claro. Ele busca provocar a imaginação desde as primeiras cenas de “Happy End”, que são perturbadoras, criadas pelo diretor de 75 anos com imagens de aplicativos de telefone. A opção também visou ressaltar que o excesso de informação da vida moderna não ensina nada sobre como se deve viver. “Há uma certa amargura no tipo de vida que levamos”, ele observou. “Somos constantemente inundados por informações, mas continuamos sem aprender nada com elas. A única coisa que conhecemos vem das nossas experiências pessoais.” Diante disso, torna-se inevitável questionar o título. Afinal, qual é o final feliz da história? Assim como todo o filme, Jean-Louis Trintignant explicou que o desfecho é propositalmente ambíguo. “Michael decidiu que seria assim, e, por isso, eu também estou contente”.
Cineastas europeus famosos assinam manifesto para enquadrar a Netflix
Importantes cineastas europeus, incluindo Michael Haneke (Áustria), Wim Wenders (Alemanha), Paolo Sorrentino (Itália), os irmãos Dardenne (Bélgica), Stephen Frears (Reino Unido), Michel Hazanavicius (França), Cristian Mungiu (Romênia), Fernando Trueba e Alejandro Amenábar (ambos da Espanha), assinaram nesta segunda-feira (22/5) um manifesto em defesa de maior regulamentação sobre os serviços de streaming na Europa. Divulgado no Festival de Cannes, onde a seleção de dois filmes da Netflix despertou polêmica, o abaixo-assinado defende a “territorialização” dos serviços, pede cotas para filmes europeus nos serviços de streaming em atividade na Europa, diferenciando a produção cinematográfica de cada país, além da implementação da mesma taxação existente para a TV e pagamentos vinculados à lucratividade de um filme. Enfim, regras fiscais e de proteção de mercado, num apelo dirigido ao Parlamento Europeu. Segundo o texto, “a integração dos gigantes da Internet na economia criativa europeia é determinante para o futuro do cinema”. E, para que isso aconteça, os cineastas consideram que “a Europa deve definir uma meta e assegurar as condições de um jogo competitivo mais justo e sustentável entre todos aqueles que difundem nossas obras”. “Todos os autores esperam que suas obras sejam acessíveis para o maior número de pessoas possível. Suas obras devem estar amplamente disponíveis em telas de cinema, TV e suas variantes digitais, e em todos os serviços on-demand”, diz o manifesto, que conclui com um chamamento. “Há muita coisa em jogo, mas o desafio é formidável: nos unirmos – atores políticos, criadores e cidadãos – para redesenhar e reconstruir uma política cultural exigente e ambiciosa, adaptada ao ambiente digital, a sua economia e as suas aplicações, que valorizem as obras e situem os criadores no epicentro da ação”, concluem. O texto até inclui um chavão: “A Europa não é o Velho Oeste selvagem e sem lei”. A frase visa reforçar o pedido de regulamentação, igualando streaming à exibição televisa. Ou, nas palavras do texto, “a aplicação das mesmas regras a todos os radiodifusores, plataformas, sites de compartilhamento e redes sociais”. Mas enquanto os cineastas buscam enquadrar a Netflix, não oferecem nenhuma palavra para incentivar o investimento, preferindo ignorar completamente a polêmica do festival francês, originada pela janela de lançamentos. Na França, o parque exibidor tem exclusividade de três anos sobre um filme, antes dele poder ser distribuído em outro formato, como streaming e vídeo. É um monopólio em descompasso com o resto do mundo e na contramão do interesse dos estúdios. O manifesto pode ser lido na íntegra, em inglês, no site da FERA, Federação dos Diretores de Cinema Europeus.
Festival de Cannes completa 70 anos de relevância cinematográfica
O Festival de Cannes começa nesta quarta-feira (17/5) sua 70ª edição, repleto de estrelas e provocações, mas também em clima de medo por ataques terroristas e em meio a uma polêmica de mercado. Em seu aniversário de 70 anos, o evento promete uma disputa acirrada pela Palma de Ouro, já que privilegiou cineastas veteranos. São todos nomes de peso. Mesmo assim, entre os diretores da mostra competitiva, apenas o austríaco Michael Haneke já foi premiado. E ele venceu duas vezes: por “A Fita Branca” (2009) e “Amor” (2012). Seu novo filme é “Happy End”, sobre a crise dos refugiados na Europa, em que volta a trabalhar com Isabelle Huppert após “Amor”. A abertura do evento está a cargo de “Les Fantômes d’Ismael”, do francês Arnaud Desplechin (“Três Lembranças da Minha Juventude”), com Marion Cotillard. “Talvez eu não devesse dizer isto, mas não é fácil ser um diretor francês em Cannes”, afirmou o cineasta na entrevista coletiva de seu filme. “Há uma tensão, uma pressão com a imprensa, os espectadores… Há menos indulgência com os cineastas do país”. Apesar dessa declaração, há mais franceses que nunca no festival deste ano. A seleção reúne alguns dos cineastas mais famosos da nova geração do país. A lista inclui “L’Amant Double”, do sempre excelente François Ozon (“Dentro da Casa”), “Le Redoutable”, filme sobre Godard de Michel Hazanavicius (“O Artista”), “Rodin”, a cinebiografia do mestre da escultura com direção de Jacques Doillon (“O Casamento a Três”), e “120 Battements par Minute”, de Robin Campillo, responsável por “Eles Voltaram” (2004), que deu origem à série “Les Revenants”. Por sua vez, os americanos se destacam com “Wonderstruck”, novo filme feminino de Todd Haynes (“Carol”), estrelado por Julianne Moore e Michelle Williams, “Good Time”, dos irmãos Ben e Joshua Safdie (“Amor, Drogas e Nova York”), com Jennifer Jason Leigh e Robert Pattinson, “The Meyerowitz Stories”, do cineasta indie Noah Baumbach (“Frances Ha”), que junta Adam Sandler e Ben Stiller, e o western feminista “The Beguiled”, de Sofia Coppola (“Bling Ring”), remake de “O Estranho que Nós Amamos” (1971), com Nicole Kidman, Colin Farrell, Kirsten Dunst e Elle Fanning. Outros destaques incluem “You Were Never Really Here”, da escocesa Lynne Ramsay (“Precisamos Falar Sobre o Kevin”), em que Joaquin Phoenix luta contra o tráfico sexual, “The Killing of a Sacred Deer”, segundo filme do grego Yorgos Lanthimos estrelado por Colin Farrell, após o sucesso de “O Lagosta” (2015), e o retorno de cineastas sempre apreciados no circuito dos festivais, como Sergei Loznitsa (“Na Neblina”), Hong Sangsoo (“A Visitante Francesa”), Bong Joon-Ho (“Expresso do Amanhã”), Naomi Kawase (“Sabor da Vida”), Fatih Akin (“Soul Kitchen”), Andrey Zvyagintsev (“Leviatã”) e Kornél Mandruczó (“White Dog”). Apenas três filmes são dirigidos por mulheres (Coppola, Kawase e Ramsay), mesmo número da seleção do ano passado. Mas o que tem mais se discutido na véspera do festival é a representação da Netflix na competição. Os exibidores franceses fizeram pressão contra os organizadores por terem selecionado dois filmes que não serão exibidos nos cinemas: “The Meyerowitz Stories”, de Noah Baumbach, e “Okja”, de Bong Joon-Ho. Ambos serão disponibilizados apenas via streaming na França, pois os exibidores não abrem mão de uma janela de 36 meses de exclusividade, antes que um filme possa ser disponibilizado por via digital no país. Por conta da controvérsia, o festival acabou se comprometendo a não selecionar mais filmes com distribuição exclusiva em streaming. Mas a questão é bem mais complexa que simplesmente barrar longas produzidos pela Netflix. No ano passado, o filme vencedor da Câmera de Ouro, o francês “Divines”, foi adquirido pela Netflix após passar no festival e não respeitou a janela de 36 meses para entrar no catálogo da plataforma de streaming. O presidente do júri deste ano, o espanhol Pedro Almodóvar, já se posicionou a respeito da polêmica, afirmando que seria um paradoxo que um filme premiado em Cannes não pudesse ser visto nos cinemas. “Seria um enorme paradoxo que uma Palma de Ouro (…) ou qualquer outro filme premiado não pudesse ser visto em salas” de cinema, disse Almodóvar, convocando as plataformas de streaming a “aceitar as regras do jogo”. A discussão ainda vai longe, conforme o mercado evolui com as novas tecnologias, como a digitalização que as próprias salas de cinema atualmente usufruem. E vale lembrar que até cartaz do festival (foto acima) foi acusado de retocar digitalmente as curvas clássicas de Claudia Cardinale. Maladies du 21ème siècle. Mas o simples fato de Cannes estar no centro da polêmica comprova a relevância duradoura do evento, 70 anos após seu primeiro tapete vermelho.
Louis Garrel vive Jean-Luc Godard em novo teaser de cinebiografia
O filme francês “Le Redoutable”, em que o ator Louis Garrel (“Dois Amigos”) vive o cineasta Jean-Luc Godard, ganhou cinco fotos e um novo teaser. Com legendas em inglês, a prévia registra Godard em meio a uma passeata, possivelmente durante a primavera de Paris. O diálogo desdenha do Festival de Cannes, que em 1968, pela única vez em sua história, foi interrompido em função dos protestos sociais que agitaram a França no período. Além de Garrel, que está irreconhecível com as entradas de calvice de Godard, o elenco também destaca Stacy Martin, revelação de “Ninfomaníaca” (2013), como a atriz alemã Anne Wiazemsky. O filme vai contar o romance entre Godard e Wiazemsky, iniciado nos bastidores de “A Chinesa”, em 1967. Ela tinha apenas 19 anos na época, mas os dois se casaram e ficaram juntos por mais de uma década. A trama é baseada no livro autobiográfico “Un An Après”, de Wiazemsky, e tem direção de Michel Hazanavicius, que retorna ao tema dos bastidores cinematográficos de “O Artista”, seu filme mais conhecido – e que lhe rendeu do Oscar de Melhor Direção em 2012. “Le Redoutable” terá sua première no Festival de Cannes 2017 e fará sua estreia comercial em setembro na França. Ainda não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Dane DeHaan, Cara Delevingne e Rihanna ilustram coleção de pôsteres de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas
A STX Entertainment divulgou oito pôsteres de personagens de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, sci-fi do francês Luc Besson (“Lucy”, “O Quinto Elemento”). Além dos protagonistas Valérian (Dane DeHaan, de “O Espetacular Homem-Aranha 2”) e Laureline (Cara Delevingne, de “Esquadrão Suicida”), as artes destacam Bubble, a personagem da cantora Rihanna (série “Bates Motel”), e robôs e alienígenas da trama, baseada nos cultuados quadrinhos criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967. O filme acompanha os exploradores espaciais Valérian e Laureline em uma missão no planeta Sirte, para descobrir se seus habitantes representam um risco para a Terra. O elenco também inclui Clive Owen (série “The Knick”), Ethan Hawke (“Boyhood”), Rutger Hauer (“Blade Runner”) e o jazzista Herbie Hancock (“Por Volta da Meia-Noite”). A volta do cineasta francês à ficção científica espacial vai chegar aos cinemas duas décadas após “O Quinto Elemento”, com estreia marcada para 10 de agosto no Brasil – três semanas após o lançamento nos EUA.
Quadrinhos clássicos de Valerian serão relançados no Brasil antes da estreia do filme
Antecipando a estreia de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” nos cinemas, os quadrinhos clássicos que inspiraram o filme vão ganhar relançamento no Brasil. Criação do escritor Pierre Christin e do artista Jean-Claude Mézières, as aventuras de “Valerian” acompanham o personagem-título, um viajante espacial do século 28, que atravessa o tempo e o espaço ao lado da sua companheira Laureline, uma camponesa francesa do século 11, que ele salvou em sua primeira missão no passado. Considerado um dos maiores clássicos sci-fi dos quadrinhos europeus e contemporâneo de “Barbarella”, o herói espacial estreou nas páginas da revista Pilote em 1967 e, desde então, rendeu 21 álbuns (graphic novels), sendo o último publicado em 2010. Ao todo, o personagem já vendeu mais de 10 milhões de exemplares e foi traduzido para 21 línguas, tornando-se um marco nas histórias em quadrinhos europeias e da cultura pop. Sua influência, tanto de enredos quanto de design, pode ser sentida em diversos filmes de ficção científica, de “Guerra nas Estrelas” (1977), de George Lucas, a “Avatar” (2009), de James Cameron, passando por “O Quinto Elemento” (1997), de Luc Besson, responsável pela atual adaptação cinematográfica dos quadrinhos. “Eu escrevi duas vezes para o George Lucas em 40 anos. E nunca obtive uma resposta. Ninguém tampouco o ouviu mencionar a influência de ‘Valerian’ uma única vez”, reclamou Mézières, em entrevista ao jornal O Globo. “Se hoje se comenta sobre a influência dos meus desenhos em ‘Star Wars’, é porque eu e alguns amigos jornalistas falamos sobre isso. Mas não passo a vida assistindo a filmes e me perguntando ‘o que roubaram do meu trabalho?’. Sei que foi usado muitas vezes. Mas… Vamos em frente”. Entre as inspirações de “Valerian” em “Star Wars” podem ser citados desde o vilão Darth Vader até a neve Millennium Falcon, sem esquecer o aprisionamento em carbonita de Han Solo. Mas “Valerian” também foi inovador pela forma como abordava certos temas. Dois anos antes da Apolo 11 pousar na Lua, os quadrinhos do herói espacial já incluíam uma preocupação grande com o meio ambiente, antecipando a temática do desenvolvimento sustentável. Sem esquecer a importância de Laureline para o empoderamento feminino. A heroína que não baixava a cabeça e respondia desaforos com arma em punho inspirou milhares de pais a batizarem suas filhas com o nome da personagem, que foi inventado pelos quadrinhos e não existia antes na língua francesa. As histórias clássicas serão disponibilizadas no Brasil em sete volumes, que trarão todas as 21 graphic novels publicadas. O primeiro volume chega às livrarias agora em maio e a a expectativa é que mais dois volumes estejam disponíveis ainda em 2017, em lançamento da editora Sesi-SP. Nos cinemas, Valerian e Laureline serão vividos, respectivamente, por Dane DeHaan (“O Espetacular Homem-Aranha 2”) e Cara Delevingne (“Esquadrão Suicida”). A estreia de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” está marcada para 10 de agosto no Brasil. Clique aqui para ver o trailer legendado.
Comercial de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas apresenta o paraíso em outro mundo
A STX Entertainment divulgou o novo pôster e o primeiro comercial americano de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, sci-fi do cineasta francês Luc Besson (“Lucy”, “O Quinto Elemento”). A prévia destaca a localidade do título, descrita como paraíso para os heróis da trama, até começar a ser atacada. Como todo o material divulgado, o destaque são efeitos, que consumiram o maior orçamento da história da produtora francesa EuropaCorp para materializar os cultuados quadrinhos criados por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967. O filme acompanha os exploradores espaciais Valérian (Dane DeHaan, de “O Espetacular Homem-Aranha 2”) e Laureline (Cara Delevingne, de “Esquadrão Suicida”) em uma missão no planeta Sirte, para descobrir se seus habitantes representam um risco para a Terra. O elenco também inclui Clive Owen (série “The Knick”), Ethan Hawke (“Boyhood”), Rutger Hauer (“Blade Runner”), o jazzista Herbie Hancock (“Por Volta da Meia-Noite”) e a cantora Rihanna (série “Bates Motel”), vista brevemente no vídeo. A volta do cineasta francês à ficção científica espacial vai chegar aos cinemas duas décadas após “O Quinto Elemento”, com estreia marcada para 10 de agosto no Brasil – três semanas após o lançamento nos EUA.
Festival de Cannes exibirá filme de Roman Polanski estrelado por Eva Green
O novo filme de Roman Polanski, “D’après une Histoire Vraie”, estrelado por Eva Green, foi adicionado ao Festival de Cannes 2017, que acontece entre 17 e 28 de maio. A produção terá sua première mundial no evento, exibida fora de competição. A adaptação do premiado romance “Baseado em Fatos Reais”, de Delphine de Vigan, também destaca em seu elenco a esposa do diretor, Emmanuelle Seigner, que é figura constante nos filmes de Polanski desde “Busca Frenética” (1988). Na trama, Seigner vive o alter-ego de Delphine de Vigan, uma escritora que passa por um bloqueio criativo após o lançamento de seu último e bem-sucedido livro. O momento difícil é superado com a ajuda de uma nova e maravilhosa amiga, Elle, papel de Eva Green. O problema é que a amiga, que trabalha como ghost writer, revela-se uma admiradora obsessiva que, em pouco tempo, tenta se intrometer no texto e até na vida íntima da escritora. Lançado no Brasil pela Intrínseca, o livro venceu diversos prêmios literários em 2015. O roteiro foi escrito por Polanski em parceria com outro cineasta, Olivier Assayas, que no ano passado recebeu o prêmio de Melhor Diretor do Festival de Cannes por seu filme “Personal Shopper”, uma história de fantasmas com Kristen Stewart. Por isso, havia a expectativa de o filme integrar a mostra competitiva, mas o nome de Polanski tem se tornado cada vez mais controvertido, uma vez em que sua luta contra a justiça americana para encerrar um caso de estupro de menor, ocorrido nos anos 1970, continua a chamar atenção de entidades feministas. No começo do ano, o convite ao diretor para presidir a entrega do troféu César (o Oscar francês) foi recebido por protestos contundentes, que fizeram Polanski desistir da homenagem. Na última terça (25/4), Samantha Geimer, estuprada por Polanski em 1977, contatou as autoridades americanas para expressar seu apoio ao cineasta polonês. Ela considera que Polanski já foi punido suficientemente por seu crime ao ficar longe dos EUA e de sua indústria cinematográfica, e que ele deveria voltar ao país sem enfrentar mais tempo de prisão.
O Novato é uma bela história de amizade e superação na adolescência
A ótima safra de filmes da edição passada do Festival Varilux de Cinema Francês continua gerando bons frutos no circuito comercial brasileiro. Agora é a vez de “O Novato”, longa-metragem de estreia de Rudi Rosemberg, que conta, de maneira sensível, a história de um garoto tímido que tem dificuldade em conseguir amizade na nova escola e acaba por se apaixonar por uma linda garota sueca, que também encontra dificuldade em se socializar, até por não falar direito o francês. “O Novato” não tem nada de tão diferente entre as tantas comédias que lidam com amores da juventude. Até lembra um pouco o ótimo e mais romântico “ABC do Amor”, de Mark Levin. Mas aqui não há uma intenção de focar tanto assim no amor do garoto pela menina. As amizades que ele faz até ganham mais importância, assim como as questões do bullying e da rejeição, tão comuns no perverso universo estudantil. Na trama, Benoît (Réphaël Ghrenassia) acaba de entrar em uma nova escola e os pais o incentivam a fazer amizade com os colegas da turma. Acontece que pra ele a coisa não é tão simples. A timidez e a total falta de sensibilidade da maioria dos meninos e meninas acabam prejudicando a sua socialização. Quem primeiro quer sua amizade são justamente garotos que também já têm fama de serem rejeitados por não se enquadrarem nos padrões, como o jovem nerd Constantin (Guillaume Cloud-Roussel) e o gordinho Joshua (Joshua Raccah). Mas quem traz alegria e palpitação para o coração de Benoît é a também recém-chegada sueca Johanna (Johanna Lindsteadt). Junte-se a beleza da garota com a carência afetiva de Benoît e temos aí um caso de fácil identificação e solidariedade do espectador com o personagem. Afinal, quem nunca passou por algo parecido? Vale destacar a excelente direção de atores do elenco jovem, quase todo composta por estreantes. A única “veterana” do grupo principal é a garota que interpreta a deficiente física Aglaée (Géraldine Martineau, e “Atirador de Elite”), que já conta com uma carreira sólida para a idade. Sua personagem, aliás, traz algo de muito interessante por nunca se fazer de vítima devido a sua deficiência. Ao contrário, tem uma autoestima incrível e que ajuda a compor sua fortaleza. A presença de Aglaée também acentua o caráter marginal do grupo. Há vários momentos de riso ao longo do filme, o que faz com que “O Novato” seja uma dessas obras que encantam o espectador também pela leveza da condução narrativa. No final, o que temos é uma bela história de amizade e superação em um momento bastante difícil da vida, que é a adolescência.











