Filme brasileiro vai disputar o Festival de Roterdã
O filme “A Cidade onde Envelheço”, da brasileira Marília Rocha (“A Falta que Me Faz”), foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Roterdã, um dos mais importantes eventos cinematográficos da Europa, centrado na revelação de novos talentos e valorização do cinema autoral. Primeiro longa-metragem de ficção de Marília, que já assinou três documentários, “A Cidade onde Envelheço” gira em torno da amizade entre duas mulheres portuguesas que migram para o Brasil. O filme já havia sido selecionado pelo programa de apoios financeiros do Festival de San Sebastian em sua fase de pós-produção. Ele vai disputar o prêmio Tiger com sete produções de seis países na 45ª edição do festival, que acontece de 27 de janeiro a 7 de fevereiro na Holanda. O vencedor recebe 40 mil euros, distribuídos entre o diretor e o produtor. Os outros títulos selecionados foram “History’s Future”, de Fiona Tan (Holanda), “Motel Mist”, de Prabda Yoon (Tailândia), “Oscuro Animal”, de Felipe Guerrero (Colômbia), “The Land of the Enlightened”, de Pieter-Jan de Pue (Bélgica), “La Ultima Tierra”, de Pablo Lamar (Paraguai), “Radio Dreams”, de Babak Jalai, e “A Eoman, A Part”, de Elisabeth Subrin (ambos dos Estados Unidos). O Brasil já venceu a mostra competitiva de Roterdã com “Baixio das Bestas”, de Claudio Assis, em 2007.
Filme promete a maior orgia já vista no cinema brasileiro
O filme “A Filosofia na Alcova”, adaptação do clássico literário homônimo, dirigido por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, vai incluir uma cena em que 60 pessoas participam de uma orgia. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o número de envolvidos na cena de sexo é recorde nacional, até mesmo diante da voracidade das produções da era da pornochanchada. A cena traz diversos figurantes nus e entretidos com apetrechos sadomasoquistas. “A gente anunciou nas redes sociais e aí foi aparecendo gente”, disse Ivan Cabral, em entrevista à Folha. “A ideia não era fazer um filme explícito, mas os atores se entregaram, uns treparam para valer”, completou. “Filosofia na Alcova” é baseado no romance publicado clandestinamente pelo Marquês de Sade sobre dois libertinos, que se propõem a ensinar educação sexual a uma garota virgem. Tendo como pano de fundo a França revolucionária, a obra popularizou o vocabulário sadomasoquista com conceitos derivados da aristocracia da época, como “posição” e “submissão”. A adaptação brasileira, porém, é passada em São Paulo e irá contrastar os trajes e costumes do século 18 com o mundo contemporâneo, em que limusines trafegam cheias de jovens nus, mas charretes ainda resistem, puxadas por escravos gêmeos. Segundo Vasquez, a ideia foi “fugir do realismo que marca o cinema brasileiro”, valorizando a linguagem teatral. Este é o segundo longa de Cabral e Vázquez, fundadores da companhia de teatro experimental Os Satyros, após a estreia com “Hipóteses Para o Amor e a Verdade”, lançado em agosto de 2015. Eles planejam filmar seu terceiro filme ainda em 2016: “Pessoas Perfeitas”, baseado num texto original do grupo teatral. “Filosofia na Alcova” não tem previsão de estreia comercial, mas deve participar de festivais antes de encarar o circuito.
As 10 maiores bilheterias do cinema brasileiro em 2015 foram comédias
De acordo com dados compilados pela Rentrak Brasil, o cinema brasileiro se resumiu à comédias em 2015. Pelo menos, do ponto de vista do público, que lotou os lançamentos do gênero. De forma impressionante, todo o Top 10 das maiores bilheterias do ano foi tomado por comédias. O fenômeno é reflexo do “gosto” do circuito, que abriu suas portas para os humorísticos da Globo Filmes. A maioria das comédias listadas tiveram lançamentos em mais de 500 salas de cinema. A mais modesta, “S.O.S. Mulheres ao Mar 2”, abriu em 430 telas, enquanto a mais ambiciosa, “Até que a Sorte nos Separe 3”, saiu derrubando recordes com estreia em 810 salas. Conforme esperado, o filme estrelado por Leandro Hassum precisou só de uma semana para entrar no Top 10 anual. Entre as comédias mais cotadas, quatro são continuações, demonstrando a vocação para blockbuster tropical que o mercado lhes delegou. Quatro também são derivadas de séries ou programas humorísticos, ressaltando a tendência televisiva deste tipo de cinema. Para completar, muitas foram criadas “em série” pela mesma equipe, o que explica porque resultam parecidas, como produtos de uma linha de montagem industrial. Operário padrão, o diretor Roberto Santucci assina três filmes no Top 10 – um fenômeno! – , seguido pela cineasta Chris D’Amato, com dois títulos. É isto mesmo: duas pessoas dirigiram a metade do Top 10 de 2015. O lado B desta concentração é um grande vazio na produção nacional de outros gêneros. Mas isso não é culpa dos cineastas, que rodaram vários filmes, inclusive premiados no exterior. A culpa é, sim, do mercado exibidor, que não programa lançamentos sem rostos sorridentes de atores da TV Globo. Os números não deixam dúvidas. O drama mais bem qualificado no ranking foi “Que Horas Ela Volta?”, produção premiada nos festivais de Sundance e Berlim, e candidato frustrado a uma vaga no Oscar, que teve cobertura intensa na mídia, inclusive com matérias no “Fantástico”. Mesmo assim, foi lançado em ridículas 91 salas. Com o buxixo na imprensa, manteve-se em cartaz por mais tempo que a maioria dos dramas nacionais – cujo destino em 2015 foi entrar e sair dos cinemas em poucos dias – , o que resultou em 496 mil espectadores e a 11ª maior bilheteria nacional do ano. O maior filme de ação, por sua vez, foi “Operações Especiais”, assistido por 358 mil espectadores em 14º lugar no ranking geral. Já o primeiro suspense da relação é “O Vendedor de Passados”, visto por 82 mil pessoas em 20º lugar. Mas a maior curiosidade está na inclusão de dois documentários entre os 20 filmes mais vistos do ano: “O Sal da Terra” (17º lugar) e “Chico – Artista Brasileiro” (19º lugar). É significativo que ambos tenham ficado vários dias em cartaz em salas dedicadas. Ou seja, o público aparece quando encontra os filmes em cartaz. O resto do Top 20 é só comédia. O que não é razão para rir. [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 1. Loucas pra Casar Lançamento em 560 salas 3,7 milhões espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 2. Vai que Cola Lançamento em 612 salas 3,2 milhões espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 3. Meu Passado Me Condena 2 Lançamento em 602 salas 2,6 milhões espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 4. Carrossel Lançamento em 510 salas 2,5 milhões espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 5. S.O.S. Mulheres ao Mar 2 Lançamento em 430 salas 1,5 milhões espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 6. Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel Lançamento em 550 salas 1,3 milhão espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 7. Linda de Morrer Lançamento em 522 salas 948 mil espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 8. Qualquer Gato Vira-Lata 2 Lançamento em 513 salas 804 mil espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 9. Bem Casados Lançamento em 450 salas 514 mil espectadores [/symple_column] [symple_column size=”one-third” position=”first” fade_in=”false”] [/symple_column] [symple_column size=”two-third” position=”last” fade_in=”false”] 10. Até que a Sorte nos Separe 3 Lançamento em 810 salas 500 mil espectadores [/symple_column]
Acabou a farra: Ancine vai auditar bilheterias e distribuição de filmes no Brasil
As bilheterias de cinema passarão a ser auditadas pelo governo federal a partir de 2016. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou nesta quinta (24/12) uma nova Instrução Normativa, que regulamenta o Sistema de Controle de Bilheteria (SCB), obrigando os exibidores a fornecer periodicamente dados oficiais sobre distribuição de filmes e bilheteria dos cinemas brasileiros. O objetivo da Ancine é fiscalizar e regular o mercado com mais precisão. Entre outras informações, os relatórios enviados à agência terão de informar sobre a sessão de exibição com data, hora, tecnologia, assentos disponibilizados, legendagem, alternativas de linguagem e acessibilidade. A Ancine também recolherá dados sobre os bilhetes vendidos e a receita bruta de bilheteria da sessão, discriminados por tipo de assento, categoria de ingresso e forma de pagamento. Com a implantação do sistema, a agência publicará os números em seu portal periodicamente. A resolução foi tomada na mesma semana em que os dados voluntariamente fornecidos pelas distribuidoras nacionais beiraram o surreal, informando o lançamento de mais cópias de filmes que o total de salas existentes no país. No artigo publicado pela Pipoca Moderna, a questão da auditagem foi levantada. A nova regra entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2016 e as redes com mais de 20 salas terão até 120 dias para se adaptar à legislação. Já as redes menores terão um prazo maior, de 180 dias.
Filme baseado na novela Os Dez Mandamentos ganha primeiro trailer
A Paris Filmes divulgou o primeiro trailer de “Os Dez Mandamentos — o Filme”, versão condensada da novela bíblica da rede Record. A prévia destaca cenas dos episódios sobre as sete pragas do Egito, que renderam as maiores audiências da novela, além de mostrar closes de Guilherme Winter ao vento. Os efeitos visuais passam longe de Hollywood e aparentemente não ganharam retoques para a exibição no cinema. Em compensação, o vídeo assume que se trata de um fenômeno televisivo (144 milhões de telespectadores) e destaca que a história terá cenas inéditas e um final diferente, exclusivos da versão cinematográfica. A estreia está marcada para 28 de janeiro nos cinemas, antecipando a “2ª temporada” da novela, que voltará às telinhas em março de 2016.
Críticos brasileiros elegem Que Horas Ela Volta? o melhor filme do ano
A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (“abreviada” como ABRACCINE) divulgou os vencedores de sua eleição de melhores filmes do ano. “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, foi o favorito dos críticos brasileiros, enquanto o francês “Adeus à Linguagem”, de Jean-Luc Godard, venceu como Melhor Filme Estrangeiro. Foram considerados elegíveis os 419 filmes, brasileiros ou estrangeiros, lançados no circuito comercial do país entre 18 de dezembro de 2014 e 10 de dezembro de 2015. Com base em festivais, também foi eleito o Melhor Curta: “Quintal”, de André Novais. O site da associação afirma que “o Prêmio Abraccine não é apenas uma enquete entre os críticos”, apontando que os vencedores foram resultados de “um processo rigoroso e seletivo, a partir de uma intensa discussão entre os seus associados”. Apesar da tentativa de engrandecimento, porém, o “Prêmio” se resumiu à simples notificação dos vencedores, sem maiores reflexões a respeito de suas qualidades e sem a acompanhia das listas de votação de cada crítico. A associação tampouco revelou outros filmes bem votados pelos críticos, ficando apenas na divulgação dos títulos de três lançamentos de 2015, considerados os melhores por não se sabe quantos eleitores no universo da crítica nacional. As informações que faltaram poderiam dar mais peso à listinha tríplice, assim como alimentar discussões. Afinal, Paulo Henrique Silva, presidente da Associação, afirmou em comunicado, que, “pelo fato de a entidade reunir os críticos de diversos veículos e estados”, considera o resultado “o grande prêmio da crítica brasileira, uma importante síntese do pensamento crítico sobre o ano que passou”.
Pesquisa revela: só 10% das cidades do Brasil têm cinema
Só 10,4% das cidades do Brasil tem cinema. A descoberta aterradora foi resultado de uma pesquisa realizada em 5.570 municípios brasileiros pelo IBGE, entre julho de 2014 e março deste ano. O panorama se torna ainda mais sombrio quando se leva em conta que a maioria desses cinemas estão concentrados em cidades com mais de 500 mil habitantes, localizadas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O levantamento revela também que 23,4% das cidades possuem teatro ou sala de espetáculos, 27,2% museu, e 37% um centro cultural. E também comprovou o declínio das videolocadoras (menos 34,5% em relação a 2006), lojas de CDs (menos 32,4%) e livrarias (menos 8,7%). Segundo os analistas do IBGE, trata-se de um retrato das transformações causadas pela popularização dos DVDs e dos formatos digitais, além da concentração do mercado em grandes redes, com o fechamento de lojas menores. Vale observar ainda que a oferta de provedores de internet subiu 43,6%. A apuração mais curiosa, porém, revelou a quantidade de pontos de cultura (projetos apoiados pelo Ministério da Cultura para estimular o acesso à cultura e a fortalecer identidades culturais) no país: 3.422, em 1.258 municípios, com maior concentração no Rio e Ceará. Este número diverge bastante do dado oficial do ministério: 4.502. O governo federal diz que tem mil pontos a mais do que foi verificado. Apesar do baixo número de cinemas no Brasil, o IBGE levantou que 24 estados investem na produção cinematográfica, com destaque para o Rio Grande do Sul (60), Pernambuco (54) e São Paulo (42). Em 2014, 1.849 filmes receberam apoios estaduais. Dos municípios, apenas 6% apoiam financeiramente a produção de filmes. O objetivo das pesquisas municipal e estadual foi investigar a infraestrutura dos governos para o setor cultural, os recursos humanos, a legislação específica e os projetos desenvolvidos, entre outras características, concluindo que, apesar desses números catastróficos, 94,5% dos municípios contam com algum órgão para tratar da cultura. No entanto, só 54,6% tem política para o setor.
Gabriel Mascaro é o Melhor Diretor do Festival de Marrakesh
O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro venceu o prêmio de Melhor Diretor, com o filme “Boi Neon”, no Festival de Cinema de Marrakesh, que terminou neste sábado (12/12) no Marrocos. O brasileiro foi eleito por um júri presidido pelo lendário Francis Ford Coppola (“O Poderoso Chefão”), e que também contou com os cineastas Anton Corbijin (“O Homem Mais Procurado”), Jean Pierre Jeunet (“Uma Viagem Extraordinária”), Naomi Kawase (“O Segredo das Águas”) e a atriz Olga Kurylenko (“Oblivion”). O troféu de Melhor Filme, por sua vez, ficou com “Very Big Shot”, do diretor libanês Mir-Jean Bou Chaaya. Os prêmios de interpretação foram para o islandês Gunnar Jonsson, por “Virgin Mountain”, e a jovem francesa Galatea Bellugi, por “Keeper”. E, excepcionalmente, o Prêmio do Júri foi compartilhado entre os 15 concorrentes, numa decisão que Coppola confessou não ter sido unânime, mas que premiava o amor ao cinema de cada candidato. Consagrado também nos festivais do Rio, Veneza (Itália), Toronto (Canadá), Adelaide (Austrália), Nantes (França) e Hamburgo (Alemanha), “Boi Neon” se passa no Nordeste do Brasil, acompanhando o drama particular da família de um vaqueiro (Juliano Cazarré, de “Serra Pelada”), que viaja acompanhando vaquejadas, mas cujo sonho é trabalhar com moda, confeccionando vestidos. O longa é o segundo trabalho de ficção do pernambucano Gabriel Mascaro – o primeiro, “Ventos de Agosto”, ganhou menção especial no Festival de Locarno do ano passado -, e tem estreia comercial marcada para o dia 14 de janeiro no Brasil. [symple_toggle title=”Clique aqui para conferir o trailer de Boi Neon” state=”closed”] Clique no link para conferir o trailer de “Boi Neon” [/symple_toggle]
Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola revela pôster e teaser, prometendo um elenco sem ninguém de Malhação
A Clube Filmes divulgou o primeiro pôster e um teaser da comédia brasileira “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”, baseado no livro de mesmo nome do humorista Danilo Gentili (“Mato sem Cachorro”). O material politicamente incorreto usa o subterfúgio dos alunos que esqueceram a lição de casa para não apresentar trailer algum, além de convidar os estudantes a matarem aula para ver o filme – ao menos, é um convite melhor que matar a família e ir ao cinema. O longa tem direção de Fabrício Bittar, do MTV Sports, e pouquíssima informação a respeito de seu desenvolvimento. Segundo a produção, “está tudo atrasado porque os roteiristas são péssimo alunos e disseram que o cachorro comeu o roteiro que eles tinham escrito. O produtor é o cara que ninguém gosta, mas tem que engolir, porque paga as contas. O elenco, fique tranquilo que não será ninguém de Malhação (hahahahaha).” O filme ainda não tem data de estreia definida.
Boi Neon: Filme brasileiro mais premiado do ano ganha primeiro trailer
Filme brasileiro mais premiado de 2015, “Boi Neon” ganhou seu primeiro trailer e pôster. A prévia lista a coleção de troféus e participações em festivais internacionais, além de elogios da imprensa americana, mas convence mesmo pelas qualidades que permite vislumbrar, como as belas imagens e a sensibilidade que Juliano Cazarré (“Serra Pelada”) demonstra no papel principal. Consagrado nos festivais do Rio, Veneza (Itália), Toronto (Canadá), Adelaide (Austrália), Nantes (França) e Hamburgo (Alemanha), “Boi Neon” se passa no Nordeste do Brasil, acompanhando o drama particular da família de um vaqueiro, que viaja acompanhando vaquejadas, mas cujo sonho é trabalhar com moda, confeccionando vestidos. Segundo longa de ficção do pernambucano Gabriel Mascaro – o primeiro, “Ventos de Agosto”, ganhou menção especial no Festival de Locarno do ano passado -, também destaca Maeve Jinkins (“O Som ao Redor”) no elenco central. A estreia comercial está marcada para o dia 14 de janeiro.
Ausência acerta ao tratar de carências fundamentais com sutileza
Todo mundo precisa de afeto, ao longo de toda a vida, para poder viver bem consigo mesmo e com os outros. Os bebês, as crianças e os jovens se nutrem do afeto que recebem dos adultos para desenvolver autoconfiança e explorar suas capacidades e possibilidades. Uma família acolhedora é importante para o desenvolvimento do caráter e da personalidade, em moldes saudáveis e criativos. Na ausência dela, compensações são possíveis, claro. Mas o processo se dá de modo mais complicado. A ausência do pai, a incapacidade de acolhimento da mãe, condições sociais adversas, dificuldades econômicas, podem ser ingredientes alimentadores de dramas, quando não de tragédias. É de uma realidade assim, de carências fundamentais, que trata o filme “Ausência”, de Chico Teixeira. O protagonista é o garoto Serginho (Matheus Fagundes), de 15 anos, que, além de não encontrar o afeto básico de que precisa, tem de se virar precocemente, para sustentar a família, o que inclui cuidar de um irmão menor. O pai sumiu. A mãe vive à margem da vida, envolvida pelas drogas, eventualmente pela prostituição e pela incapacidade de assumir a condição materna ou o papel de provedor que toda família requer. Na vida de Serginho, a mãe Luzia (Gilda Nomacce) é um zero à esquerda. Pior, alguém que ele tem que suportar e escorar. Os personagens jovens com quem Serginho convive, enquanto trabalha na feira com um tio, são Mudinho (Thiago de Matos) e Silvinha (Andréia Mayumi). Não há muito que ele possa extrair deles. As carências são mais ou menos as mesmas. As limitações, até maiores. Mudinho não tem esse nome por acaso. O tão necessário afeto que o menino busca pode estar na figura de um professor aberto e acolhedor, Ney (Irandhir Santos), mas que não quer assumir o papel paternal que Serginho espera dele. O atrativo do circo poderá ser uma tábua de salvação diante da dramática constatação de que o garoto está só no mundo? Essa bela temática é trabalhada no filme com delicadeza, sutileza e respeito pelos sentimentos dos personagens. De modo mais evidente, nos trazendo a figura sofrida e solitária do adolescente Serginho, condenado a uma aridez de vida terrível e despertando para a sexualidade e o direito ao prazer. Desencontrado, mas responsável como poucos o são nessa idade. O jovem ator Matheus Fagundes encontrou o tom certo para nos transmitir a realidade do personagem. E tem no elenco coadjuvantes de grande talento, como o ator Irandhir Santos (de “O Som ao Redor” e muitos grandes papéis no cinema brasileiro), a atriz Gilda Nomacce (“Califórnia”) e a chilena Francisca Gavilán (“Violeta Foi Para o Céu”).
Cacá Diegues vai produzir filme sobre o Plano Real
O veterano cineasta Cacá Diegues (“Deus É Brasileiro”) vai enfrentar a inflação e a crise econômica em seu próximo projeto. Ele está produzindo um filme a respeito da maior realização econômica da história do Brasil. Trata-se de “3.000 Dias no Bunker”, sobre a criação do Plano Real. O filme vai adaptar o romance homônimo escrito por Guilherme Fiúza (também autor do livro que virou o filme “Meu Nome Não é Johnny”), a respeito dos bastidores da criação do bem-sucedido plano do então ministro Fernando Henrique Cardoso, que foi muito além de criar uma nova moeda, ao derrotar a inflação, colocar o país entre as economias mais sólidas do planeta e restaurar a autoestima nacional. Diegues não pretende filmar o longa, pois ainda está envolvido com a pós-produção de seu novo filme, o musical “O Grande Circo Místico”. O mais cotado para a direção é Heitor Dhalia (“Serra Pelada”), segundo o site de crowdfunding Startando. A produção já foi autorizada a captar recursos incentivados pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e pela Secretaria Estadual de Cultura do Estado de São Paulo, e está sendo realizada pelos estúdios LightHouse Produções Cinematográficas, Maristela Filmes e Globo Filmes.
Marília Pêra (1943 – 2015)
Morreu a atriz Marília Pêra, que marcou a história do teatro, TV e cinema brasileiros, estrelando obras-primas como “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981) e “Central do Brasil” (1998), além de coreografar e dirigir diversos espetáculos. Ela sofria de câncer nos ossos e no pulmão, doença que vinha combatendo havia dois anos, vindo a falecer no sábado (5/12), aos 72 anos. Marília Marzullo Pêra nasceu no Rio de Janeiro em 22 de janeiro de 1943, com o teatro no DNA. Ela faz sua estreia como atriz aos 19 dias de vida, numa peça que precisava de um bebê. Seu pai, o português Manoel Pêra, era ator e tinha uma companhia teatral no Rio. A mãe, Dinorah Marzullo, também era atriz. A avó, Antonia Marzullo, fez vários papéis no cinema. E até sua irmã mais nova, Sandra Pêra, seguiu o rumo dos palcos. Aos 4 anos, Marília já fazia parte da companhia teatral de Henriette Morineau, atuando, entre outras, na peça “Medeia”, em que interpretou umas das filhas do personagem principal. Ela se profissionalizou ainda na adolescência, estudando música e dança para participar de espetáculos de revista a partir dos 14 anos. Ao entrar na peça “De Cabral a JK”, de Max Nunes, conheceu o ator Paulo Graça Mello, com quem se casou aos 16 anos. Aos 18, teve o primeiro filho, aos 26 tornou-se viúva – posteriormente, casou-se mais três vezes, com o ator Paulo Villaça, o jornalista Nelson Motta, com quem teve duas filhas, e o economista Bruno Faria. E nada impediu o crescimento de sua carreira. Dois anos depois de dar a luz ao futuro ator Ricardo Graça Mello, atuou em “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), biografia de Lamartine Babo, interpretando pela primeira vez Carmen Miranda, papel que a acompanharia por diferentes espetáculos – o mais recente, de 2005. E ela ainda pôde se gabar de ter vencido uma disputa com Elis Regina pelo papel principal no musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”, em 1964. O teatro acabou ficando em segundo plano quando a TV a descobriu. Marília foi contratada como bailarina na inauguração da TV Globo, em 1965, mas em poucos meses se viu estrelando telenovelas. Sua estreia aconteceu na primeira novela das 19h da emissora, “Rosinha do Sobrado”, em agosto de 1965, já como protagonista, seguida imediatamente pelo papel-título de “A Moreninha” (1965). Bastaram estes dois papeis para ela atingir o estrelato, vendo-se disputada e aceitando participar de duas novelas simultâneas, “Padre Tião”, no horário das 19h, e “Um Rosto de Mulher”, às 22h, ambas exibidas a partir de dezembro de 1965. A maratona se provou exaustiva e ela só foi reaparecer três anos depois na principal novela da década, “Beto Rockfeller” (1968), na TV Tupi. Na trama, viveu uma das coadjuvantes das trapalhadas de Luís Gustavo, intérprete do playboy farsante do título, ajudando o humor corrosivo do escritor Bráulio Pedroso a revolucionar o gênero. Marília permaneceu na Tupi para protagonizar a novela seguinte, “Super Plá” (1969), como uma ex-vedete de teatro que se tornava dona de uma fábrica de refrigerantes. Paralelamente, estreou no cinema, com a comédia “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, seguida pelo musical “É Simonal” (1970), de Domingos de Oliveira. Mas a ênfase permaneceu em sua carreira teatral, que a levou a encenar “Se Correr o Bicho Pega”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, “A Megera Domada”, de William Shakespeare, e “Roda Viva”, de Chico Buarque, pela qual passou a ser perseguida pela ditadura. Foi presa durante a apresentação da peça e, em seguida, teve a casa invadida pela polícia, em busca de provas de sua subversão comunista. Ironicamente, em 1989, ao declarar voto em Fernando Collor para a presidência da república, foi vítima dos tais comunistas com quem tinha sido confundida, que apedrejaram a porta do teatro onde ela se apresentava. Suas manifestações artísticas, em contraste, logo se tornaram unanimidades. O primeiro de seus três prêmios Molière veio em 1969, por seu desempenho como uma virgem solteirona em “Fala Baixo Senão Eu Grito”, de Leilah Assumpção – os outros foram vencidos pelo monólogo “Apareceu a Margarida” (1973), de Roberto Athayde, e “Brincando em Cima Daquilo” (1984), de Dario Fo e Franca Rame. Ela voltou à Globo em 1971, a convite do diretor Daniel Filho, para viver um de seus papeis mais divertidos, a loiraça Shirley Sexy em “O Cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, interpretou a taxista Noeli em “Bandeira 2” (1971), romântica atrapalhada Serafina de “Uma Rosa com Amor” (1972) e a “Supermanoela” (1974), até decidir priorizar o cinema. Sua filmografia ganhou impulso a partir de meados dos anos 1970. Após a comédia “O Donzelo” (1974) e o drama “Ana, a Libertina” (1975), Marília irrompeu em seu primeiro grande papel cinematográfico, a cantora de cabaré de “O Rei da Noite” (1975), de Hector Babenco, com quem voltaria a trabalhar no longa mais famoso de sua carreira, “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981). No filme sobre menores infratores, ela vivia uma prostituta que servia de figura materna para o jovem Pixote. A cena em que amamenta o adolescente tornou-se uma das mais emblemáticas do cinema brasileiro e lhe rendeu projeção internacional. Pelo papel, Marília foi eleita Melhor Atriz do ano pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos EUA. “Isso me abriu as portas do mundo, mas não fui trabalhar nos EUA porque não dominava o inglês”, contava. Porém, ela fez sim um filme americano, “Mixed Blood” (1984), dirigida pelo cineasta underground Paul Morrissey (“Trash”). A língua acabou não sendo uma dificuldade, pois a trama girava em torno de traficantes brasileiros em Manhattan. Anos mais tarde ainda voltaria aos EUA para rodar o trash “Living the Dream” (2006), estrelado por Danny Trejo (“Machete”). O maior reconhecimento, porém, veio mesmo do Brasil, com novos papeis importantes. Marília foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Gramado por seus dois longas seguintes, “Bar Esperança” (1983), homenagem de Hugo Carvana à boemia, e “Anjos da Noite” (1987), de Wilson Barros. Ao mesmo tempo, acumulou ainda mais reverências no teatro, vencendo seu terceiro Molière e se transformando numa diretora bem-sucedida com a montagem de “O Mistério de Irma Vap” (1987), que ficou 11 anos em cartaz. Tudo isso a manteve afastada das novelas por mais de uma década, só voltando ao gênero em 1987, como a Rafaela de “Brega & Chique”. Ela também viveu a vilã Juliana, na minissérie “O Primo Basílio” (1988), e Genu na novela “Lua Cheia de Amor” (1990), antes de reorganizar sua agenda com outras prioridades. Marília voltou a ter projeção internacional ao ser dirigida por Cacá Diegues. Primeiro, em “Dias Melhores Virão” (1990), pelo qual venceu o troféu de Melhor Atriz no Festival de Cartagena, na Espanha. E, depois, com “Tieta do Agreste” (1996), que lhe trouxe o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Havana, em Cuba. A década ainda incluiu mais dois filmes marcantes: “Central do Brasil” (1998), grande clássico de Walter Salles, e “O Viajante” (1999), de Paulo César Saraceni, que lhe rendeu indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (o Oscar nacional). Ocupada com cinema e teatro, Marília diminuiu sua presença na TV, preferindo fazer minisséries, como “Incidente em Antares” (1994), “Os Maias” (2001) e “JK” (2006), embora tenha encaixado a novela “Meu Bem Querer” na Globo em 1998. A esta altura, porém, estava tão famosa que podia se dar ao luxo de fazer participação especial como si mesma nas novelas – em “Celebridade” (2003) e “Insensato Coração” (2011). Sua filmografia continuou interessante no século 21. Ela viveu o papel-título de “Amélia”, a camareira de Sarah Bernhardt, durante a visita da célebre atriz francesa ao Brasil em 1905, com direção de Ana Carolina. Também participou de “Seja o Que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles, viveu a cantora Wanderléa na cinebiografia “Garrincha – Estrela Solitária” (2003), de Milton Alencar, a madame de um bordel em “Vestido de Noiva” (2006), adaptação de Nelson Rodrigues dirigida por seu filho Joffre, e voltou a encontrar seu primeiro diretor, Eduardo Coutinho, no premiado documentário “Jogo de Cena” (2007). Ao retornar às novelas, encaixou uma sequência de papeis divertidos, inciada pela hilária hippie Janis Doidona em “Começar de Novo” (2004), retomando a cumplicidade cômica com Luis Gustavo. Foi ainda a perua falida Milu de “Cobras & Lagartos” (2006) e a dama Gioconda de “Duas Caras” (2008). A facilidade para o humor acabou explorada também em filmes como “Acredite, um Espírito Baixou em Mim” (2006), “Polaróides Urbanas” (2008) e “Embarque Imediato” (2009), além de lhe render uma nova carreira como comediante televisiva. As séries cômicas lhe permitiram aprofundar sua parceria com o ator, escritor e diretor Miguel Falabella, que a filmou em “Polaróides Urbanas”. Na Globo, os dois trabalharam juntos em “A Vida Alheia” (2010), na novela “Aquele Beijo” (2011) e em “Pé na Cova” (2013), seu último papel na TV, no qual viveu a mulher de Falabella. Marília continuou interpretando papeis importantes no teatro, vencendo o prêmio Shell por sua atuação em “Mademoiselle Chanel” em 2006. Em 2013, ainda estrelou “Alô, Dolly!”, ao lado do parceiro Falabella. Mas, apesar dos muitos prêmios conquistados, sua homenagem mais singela aconteceu no Carnaval de 2014, quando foi tema do desfile da escola de samba Mocidade Alegre, em São Paulo, com o samba-enredo “Nos Palcos da Vida… Uma Vida no Palco: Marília”. Mesmo com a saúde debilitada, ela dedicou seus últimos esforços ao trabalho, narrando o documentário “Chico – Artista Brasileiro” (2015), sobre Chico Buarque, e dirigindo a peça “Depois do Amor”, cuja estreia estava marcada justamente para o dia de sua morte, em Manaus. Ela também deixou gravado um disco com canções de amor de Tom Jobim, Dolores Duran e outros mestres da MPB, e continuará presente ao longo em 2016 em outros trabalhos finalizados, que incluem uma participação na nova série comédia “Tô Ryca”, que estreia em janeiro, no filme “Dona do Paraíso”, de José João Silva, ainda sem previsão de lançamento, e numa temporada inteira de “Pé na Cova”. “Certas pessoas são escolas, ela era uma escola de vida, uma profissional que deu um padrão para a nossa maneira de representar e colocou o país em outro departamento. Uma profissional genial”, definiu, emocionado, o ator Ney Latorraca, que Marília dirigiu por mais de uma década na peça “O Mistério de Irma Vap”. “Uma mestra”, ecoou o cineasta Cacá Diegues.











