João Acaiabe (1944 – 2021)
O ator João Acaiabe, que viveu o Tio Barnabé do “Sítio do Picapau Amarelo” e o Chefe Chico em “Chiquititas”, morreu na noite de quarta-feira (31/3) em São Paulo, aos 76 anos, vítima da covid-19. A família informou que o artista testou positivo no dia 15 de março. Na data, a capital paulista começava a vacinar os idosos da sua faixa etária, e, na véspera o ator chegou a comemorar a iminência da imunização nas redes sociais. O quadro de saúde piorou e ele foi internado no Hospital Sancta Maggiore, na Mooca, no dia 21. No ano passado, o ator informou em entrevista que havia sido diagnosticado com insuficiência renal e estava na fila por um transplante de rim. De acordo com parentes, ele foi intubado na manhã desta quarta-feira (31) e faleceu após sofrer duas paradas cardíacas. Uma das filhas do Acaiabe, Thays, homenageou o pai nas redes sociais: “Guardarei no coração tudo o que vivemos e a referência que você é para a nossa família! Gratidão, meu pai. Que os espíritos de luz te recebam em Aruanda até que a gente se encontre novamente, porque almas gêmeas nunca se separam!”, escreveu. A atriz Giovanna Grigio, que contracenou com João Acaiabe na novela “Chiquititas”, destacou sua generosidade. “A gente passou texto várias vezes juntos e foi amor à primeira cena. Ter você como professor e amigo, escutar suas histórias e aprender com você com certeza foram dos maiores privilégios da minha vida! Eu já te amava antes e vou te amar pra sempre. Obrigada por tudo!”, compartilhou nas redes sociais. João Acaiabe iniciou sua carreira artística trabalhando como locutor de rádio ainda na adolescência. Estudou teatro na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD) e, a partir dos anos 1970, trabalhou com o dramaturgo Plínio Marcos em peças como “Barrela” e “Jesus Homem”. Sua estreia nas telas foi com a novela pop “Cinderela 77”, protagonizada pelos cantores Ronnie Von e Vanusa, na rede Tupi em 1977. Ele emendou no mesmo ano uma participação em “O Profeta”, um dos maiores sucessos do canal, e duas pornochanchadas: “A Tenda dos Prazeres” (também conhecido como “Ouro Sangrento”) e “Elas São do Baralho”. A carreira deu uma reviravolta quando foi para a TV Cultura, entre 1978 e 1983, conquistando destaque no programa infantil “Bambalalão”, onde contava histórias para as crianças da plateia. Foi o começo de sua trajetória com o público infantil. Sua filmografia se ampliou com produções de grande qualidade a partir de “Eles Não Usam Black-tie” (1981), de Leon Hirszman, que venceu o Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza. A partir daí vieram “A Próxima Vítima” (1983), de João Batista de Andrade, “Chico Rei” (1985), de Walter Lima Jr., “A Viagem” (1992), de Fernando E. Solanas, “Boleiros: Era Uma Vez o Futebol…” (1998), de Ugo Giorgetti, “Cronicamente Inviável” (2000), de Sergio Bianchi, “Casa de Areia” (2005), de Andrucha Waddington, etc. Ele atuou em mais de 20 longas. Mas foi um curta-metragem que lhe trouxe maior reconhecimento. “O Dia em que Dorival Encarou a Guarda” (1986), dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart, lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Gramado. Paralelamente, Acaibe chegou à Rede Globo, atuando na minissérie “Tenda dos Milagres”, de Aguinaldo Silva, em 1985. Seu papel mais duradouro foi na emissora. Entre 2001 e 2006, ele deu vida ao Tio Barnabé, no “Sítio do Picapau Amarelo”. A experiência foi seguido por outro personagem infantil muito lembrado. Entre 2013 e 2015, atuou como Chefe Chico, no remake de “Chiquititas”, no SBT. Seus últimos trabalhos foram na novela da Globo “Segundo Sol” (2018), como o pai de santo Didico, e no filme “M-8: Quando a Morte Socorre a Vida” (2019), de Jeferson De, recém-disponibilizado na Netflix.
Filmes online: Única estreia dos cinemas também é destaque da locação digital
Com duas indicações ao Oscar 2021, o drama dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada” chega simultaneamente aos cinemas e às plataformas online do Brasil neste fim de semana. Na verdade, a obra de Thomas Vinterberg é o único filme com distribuição física nesta quinta (25/5) no circuito cinematográfico, que não conta com as principais capitais sob o impacto dos fechamentos causados pela pandemia de coronavírus. “Druk” concorre ao Oscar de Melhor Direção (com Vinterberg) e é favoritíssimo como Melhor Filme Internacional, após vencer o Festival de Londres, o César (o Oscar francês) da categoria e o prêmio de Melhor Filme Europeu, conferido pela Academia Europeia de Cinema. A trama gira em torno de Martin, interpretado por Madds Mikkelsen, professor, marido e pai que já foi brilhante, mas se torna apenas uma sombra de si mesmo após embarcar numa jornada alcoólica com colegas acadêmicos para testar uma teoria. Esta é segunda parceria entre Vinterberg e Mikkelsen, após o êxito do também premiado “A Caça” (2012). Em contraste com a falta de salas abertas durante o agravamento do contágio, “Druk” chega junto de outros bons lançamentos nas muitas plataformas digitais que oferecem locação digital e streaming no país – entre eles o muito falado documentário de Britney Spears. Conheça abaixo as dicas e os trailers dos 10 melhores lançamentos de “cinema em casa” desta semana. Druk – Mais uma Rodada | Dinamarca | 2020 (Apple TV, Google Play, NOW, YouTube Filmes) Fale com as Abelhas | EUA | 2019 (Apple TV, Looke, NOW, Sky Play e Vivo Play) A Madeline de Madeline | EUA | 2019 (Apple TV, NOW, Vivo Play) Filhos da Tempestade | África do Sul | 2019 (Apple TV, Looke, NOW, Vivo Play) Oleg | Letônia, Lituânia | 2019 (MUBI) Bad Trip | EUA | 2019 (Netflix) As Fantasias de Lucas | México | 2019 (Disney+) A Semana da Minha Vida | EUA | 2021 (Netflix) Framing Britney Spears | EUA | 2021 (Globoplay) Projeto Mercury: Os Sete Escolhidos | EUA | 2020 (Disney Plus)
A Menina que Matou os Pais: Carla Diaz vira Suzanne Von Richthofen em novo trailer
A Galeria Distribuidora divulgou um novo trailer da sessão dupla de “A Menina que Matou os Pais” e “O Menino Que Matou Meus Pais”. Com imagens inéditas, os vídeos destacam o desempenho de Carla Diaz, recém-saída do “BBB 21”, em sua estreia no cinema. Nos filmes, ela vive ninguém menos que Suzanne Von Richthofen, uma das criminosas mais célebres do Brasil. Previstos para abril de 2020, os longas foram adiados devido à pandemia e vão completar um ano guardados. O lado positivo desse adiamento é que Carla Diaz se tornou ainda mais popular nesse meio tempo, após passar pelo reality show da Globo sem se tornar uma “vilã” – como os demais que saíram antes dela da produção. Em seu plano original, a distribuidora pretendia lançar os dois filmes no mesmo dia, com sessões consecutivas nas mesmas salas. Eles contam narrativas paralelas que exploram a polêmica em torno do assassinato dos pais de Suzanne, comparando as versões dadas pela jovem e por seu namorado, Daniel Cravinhos. Os dois (mais o irmão de Daniel) foram condenados pelo crime. Além da ex-Chiquitita e ex-Rebelde como Suzane, o elenco destaca Leonardo Bittencourt (da novelinha “Malhação”) no papel de Daniel, Allan Souza Lima (“A Cabeça de Gumercindo Saraiva”) como Christian, o irmão e cúmplice de Daniel, enquanto a família de Suzane é representada por Vera Zimmermann (“Os Dez Mandamentos: O Filme”), Leonardo Medeiros (“O Mecanismo”) e o menino Kauan Ceglio (“Santos Dumont”). Os longas têm direção de Mauricio Eça (“Carrossel: O Filme”) e roteiros escritos por Raphael Montes (“Praça Paris”) em parceria com Ilana Casoy (“Bom Dia, Verônica”). Ainda não há previsão para a estreia.
Edson Montenegro (1957 – 2021)
O ator Edson Montenegro morreu neste domingo (21/3), aos 63 anos, por complicações da covid-19. A informação foi confirmada por sua filha, Juliana Tavares, em publicação nos Stories do Instagram. “Meu pai descansou. Em nome de toda família, obrigada por toda corrente do bem em oração e toda energia positiva que emanaram”, ela escreveu. Montenegro foi diagnosticado com covid-19 no último dia 12. Ele estava internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital Paulistano, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Ele é conhecido por trabalhos como as novelas “Xica da Silva”, da Manchete, “Cúmplices de um Resgate”, do SBT, e “Apocalipse”, da Record, a minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, da Globo, e filmes como “Boleiros: Era Uma Vez o Futebol…” (1998), “Cidade de Deus” (2002) e “Mundo Deserto de Almas Negras” (2016). Também foi cantor, com disco gravado e muitos trabalhos em anúncios publicitários. A cantora Karin Hils, amiga de Edson, foi uma das primeiras a lamentar a perda nas redes sociais. “Parece que eu levei uma pancada na alma. Tá muito difícil de escrever. Vai com Deus, meu pai de mentirinha. Você vai fazer muita falta”, disse.
Presidente da Fundação Palmares usa fake news para pedir boicote a filme de Lázaro Ramos
O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, pediu boicote ao filme “Medida Provisória”, que ele não viu, em postagens nas redes sociais. A atitude foi tomada após elogios rasgados da crítica americana e prêmios em festivais internacionais ao longa-metragem brasileiro, que marca a estreia na direção de Lázaro Ramos. Camargo diz que o filme que ele não viu “acusa o governo Bolsonaro de crime de racismo”. “O filme, bancado com recursos públicos, acusa o governo Bolsonaro de crime de racismo — deportar todos os cidadãos negros para a África por Medida Provisória. Temos o dever moral de boicotá-lo nos cinemas. É pura lacração vitimista e ataque difamatório contra o nosso presidente”, protestou Camargo, em seu perfil, nas redes sociais. Além de dar o registro, é preciso desmentir mais esta “fake news”, ferramenta seguidamente utilizada por integrantes do governo Bolsonaro contra a Cultura, liberdade de expressão e, durante a pandemia, as vidas dos brasileiros. “Medida Provisória” é uma adaptação da tragicomédia “Namíbia, Não!”, peça que Lázaro Ramos já tinha dirigido no teatro em 2011 – quando a presidente era Dilma Rousseff. Escrito por Aldri Anunciação, o texto foi publicado em livro pela Editora Edufba em 2012 e no ano seguinte venceu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria ficção juvenil. Os “recursos públicos” citados por Sérgio Camargo são os incentivos que o governo Bolsonaro travou na Ancine. O filme foi inteiramente rodado antes da eleição de Bolsonaro. O ator principal, o inglês descendentes de brasileiros Alfred Enoch, viajou ao Brasil para se aclimatar ao país para as filmagens no início de 2019, meses antes das eleições à presidência da República. Na época, nem os piores pesadelos apontavam uma possível vitória de Bolsonaro. A trama de “Medida Provisória” se passa num Brasil do futuro em que uma iniciativa de reparação pelo passado escravocrata provoca uma reação no governo federal, que promulga uma nova lei para deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. A reação de Sérgio Camargo só comprova como o cenário distópico da produção reflete o país criado após a eleição de Bolsonaro. Se o filme foi feito como ficção futurista, o tempo acabou por transformá-lo numa importante advertência sobre o tempo presente. Lázaro Ramos também se manifestou, após se deparar com as fake news de Camargo nas redes sociais, lembrando a cronologia da produção de “Medida Provisória” – em desenvolvimento há quase uma década – e colocando sua trama distópica no mesmo nicho de “Handmaid’s Tale” (que também poderia ser atacado por Camargo ao descrever um país similar a este que virou pária mundial) e “Black Mirror”. “Qualquer comentário sobre o filme é feito em cima de suposições ou desejo de polêmica, pois ninguém assistiu a obra a não ser quem esteve nos festivais onde o filme foi exibido com extremo sucesso, vide as mais de 24 críticas positivas da obra”, completou o ator e diretor. Em julho do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito e pediu esclarecimentos a Sérgio Camargo sobre o fato de que ele “teria negado a existência do racismo, a importância da luta do povo negro pela sua liberdade e a importância do Movimento Negro em nosso país”. A investigação foi precipitada por um áudio em que Camargo chamou o movimento negro de “escória maldita” e criticou o Dia da Consciência Negra. Para os promotores, a apuração dos fatos foi necessária porque os “fatos noticiados são graves” e violam, em tese, a Constituição Federal.
Medida Provisória: Filme de Lázaro Ramos é elogiadíssimo por críticos dos EUA
Primeiro longa dirigido por Lázaro Ramos, “Medida Provisória” encantou os críticos dos EUA ao integrar a programação do Festival SXSW. Exibido na mostra de cinema independente nesta semana, o filme conquistou críticas elogiosíssimas e atingiu, com as resenhas positivas iniciais, 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. “Polêmico e provocativo, ‘Medida Provisória’ parece um filho de ‘Corra!’ com ‘The Handmaid’s Tale’, uma interseção de distopia fascista e preconceitos antigos trazidos fervendo para a superfície”, publicou o site Silver Screen Riot. “O diretor da ‘Medida Provisória’, Lázaro Ramos, pegou elementos de filmes como ‘Uma Noite de Crime’ e deu a eles um toque racial oportuno. E mesmo com um conceito tão perturbador, o filme consegue ser uma viagem emocionante”, descreveu o Monsters and Critics. “O que torna ‘Medida Provisória’ tão eficaz é sua plausibilidade assustadora… [que] acaba atingindo o alvo com uma descrição visceral de uma sociedade intolerante, que parece muito familiar”, acrescentou o Awards Radar. “Há o suficiente aqui para preencher uma minissérie ou série semanal, e vale a pena imaginar como isso poderia acontecer. Mas o que isso significa é que ‘Medida Provisória’ traz muito para a mesa”, ponderou o jornal Austin Chronicle, da cidade-sede do SXSW. “A direção é excelente, o elenco está dando tudo de si e os temas são relevantes e precisam ser discutidos”, elogiou o Film Threat. “Medida Provisória” é uma adaptação da tragicomédia “Namíbia, Não!”, que Lázaro Ramos já tinha dirigido no teatro. A trama distópica se passa num futuro não muito distante, em que uma nova lei do governo federal manda deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. Alfred Enoch, que ficou conhecido como Dean Thomas na franquia “Harry Potter” e o Wes das primeiras temporadas de “How to Get Away with Murder” (ou “Lições de um Crime” na Globo), é o protagonista da história. O ator nasceu em Londres, na Inglaterra, mas sua mãe é brasileira e ele fala português fluentemente. No filme, ele contracena com Taís Araújo (“Mister Brau”), Seu Jorge (“Paraíso Perdido”), Mariana Xavier (“Minha Mãe É uma Peça”), Adriana Esteves (“Benzinho”), Luís Miranda (“Crô em Família”), Renata Sorrah (“Árido Movie”), Jéssica Ellen (“Três Verões”) e o rapper Emicida. Vale observar que, a esta altura, “Medida Provisória” já passou outros festivais internacionais, inclusive nos EUA, onde se destacou com prêmios e ainda mais elogios. O filme de Lázaro Ramos venceu o troféu de Melhor Roteiro no Indie Memphis Film Fest e foi considerado o “melhor filme brasileiro desde a ‘Cidade de Deus’” no festival Pan African Film. Em uma live recente, a atriz Jéssica Ellen afirmou que “Medida Provisória” deve marcar a história do cinema nacional. “Será o nosso ‘Pantera Negra’, com os pretos no posto de heróis”, disse.
Filmes online: Destaque da semana, Liga da Justiça renasce nas plataformas digitais
A edição de 4 horas de “Liga da Justiça”, que restaura a versão do filme feita pelo diretor Zack Snyder, é o grande destaque da semana, presente em todas as plataformas de locação digital no Brasil. O filme apresenta cenas, personagens e desfecho diferentes da “Liga da Justiça” exibida nos cinemas, submetida a refilmagens e edição de Joss Whedon em 2017. E para poder realizá-lo, Snyder aceitou trabalhar de graça, num acordo com a WarnerMedia para recuperar o controle sobre a obra e conseguir o orçamento que precisava para finalizar efeitos visuais e filmar duas cenas extras, que não estavam nos planos originais do longa. A maior parte do filme, porém, foi filmada há cerca de quatro anos. Snyder chegou perto de terminar “Liga da Justiça” em 2017, mas precisou se afastar da produção após uma tragédia abalar sua família. Ele acabou sendo substituído na pós-produção por Whedon, que realizou uma refilmagem extensiva de tudo o que estava pronto. Mas o resultado dessa intervenção foi desaprovado de forma unânime, com um fracasso nas bilheterias e críticas muito negativas (40% no Rotten Tomatoes). Além disso, as refilmagens foram tumultuadas e geraram acusações de abusos que, num efeito dominó, fulminaram a reputação de Whedon e fizeram balançar produtores e executivos da própria Warner. Em meio às controvérsias, a versão de Snyder, batizada pelos fãs de SnyderCut, ganhou status de lenda. Após uma campanha exaustiva nas redes sociais, que chamou atenção dos executivos do conglomerado, os fãs finalmente terão acesso ao que pediram, podendo comprovar aquilo que acreditavam ou se confrontar com nova frustração diante da edição alternativa de “Liga da Justiça”. Por um lado, o trabalho do diretor é melhor que o lançamento de 2017, com mais desenvolvimento de personagens, senso dramático e escala épica. Mas também é arrastado, repetitivo com excesso de cenas desconectadas (que parecem bônus de DVD) e o que é pior: termina com gancho para uma continuação que nunca será produzida. Mesmo com as atenções voltadas para este lançamento, que faz justiça ao termo longa-metragem, há várias outras opções excelentes para programar o fim de semana, incluindo um filme com os intérpretes dos pais de Superman: “Deixe-Me Partir”, um híbrido de western urbano e filme de vingança com Kevin Costner e Diane Lane, que atingiu 83% de aprovação no Rotten Tomatoes – mais que os 75% da nova “Liga da Justiça”. Entre as atrações não faladas em inglês, os destaques incluem a impactante distopia mexicana “Nuovo Orden”, de Michel Franco (“Depois de Lucia”), premiada no Festival de Veneza, e o drama adolescente canadense “A Colony”, da estreante em longas de ficção Geneviève Dulude-De Celles, que venceu a mostra Generation do Festival de Berlim. Confira abaixo a relação completa e os trailers dos 10 melhores filmes para ver em streaming e VOD neste fim de semana. Liga da Justiça de Zack Snyder | EUA | 2021 (Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store, NOW, Sky Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Deixe-o Partir | EUA | 2021 (Apple TV, Vivo Play) The Banker | EUA | 2021 (Apple TV+) Nuovo Orden | México | 2020 (Apple TV, Vivo Play) A Colony | Canadá | 2018 (MUBI) Valan – Vale dos Anjos | Hungria | 2019 (Apple TV, Looke, Now, Vivo Play) Target Number One | Canadá | 2020 (Apple TV, Vivo Play) Casamento Australiano | Austrália | 2019 (Apple TV, Now, Vivo Play) O Jardim Secreto | Reino Unido | 2020 (Apple TV, Looke, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Cabras da Peste | Brasil | 2021 (Netflix)
Léo Rosa (1984 – 2021)
O ator gaúcho Léo Rosa, intérprete do repórter César na novela “Amor de Mãe”, morreu nesta terça-feira (9/3) após uma longa batalha contra o câncer. Depois de fazer algumas peças de teatro, ele se tornou nacionalmente conhecido em 2006 ao estrelar “Vidas Opostas”, uma das novelas mais bem-sucedidas da rede Record, onde fez par romântico com Maytê Piragibe. A boa audiência impulsionou sua carreira e o tornou um dos principais astros da emissora. Ele atuou em seguida em “Amor e Intrigas” (2007), “Promessas de Amor” (2009), “Rei Davi” (2012), “Balacobaco” (2012), “Milagres de Jesus” (2015) e “Escrava Mãe” (2016), que vem sendo reprisada atualmente todas as tardes. Além dos trabalhos na Record, ele participou de três filmes, “Podecrer!” (2007), “Faroeste Caboclo” (2013), “Por Trás do Céu” (2016), e da série “O Mecanismo” (2018-2019), da Netflix. O último papel foi a estreia na Globo, na primeira fase de “Amor de Mãe”, exibida em 2019. Léo Rosa também se destacou atrás das câmeras, dirigindo um videoclipe da cantora Maria Gadú, “Axé Accapella”, e feito assistência de direção em longas-metragens do cineasta Caio Sóh a partir de “Teus Olhos Meus” (2011). O convite para fazer a última novela veio logo após ele descobrir o câncer. O ator vinha lutando contra a doença desde 2018. Depois de passar por sessões de quimioterapia, ele adotou um estilo de vida mais saudável, vivendo longe da metrópole, em contato com a natureza, e chegou a afirmar que estava em processo de cura. Em entrevista do ano passado à Patricia Kogut, do jornal O Globo, ele contou como foi parar na Globo. “Estava em casa no Natal e a Manuela (Dias, a autora) me ligou perguntando se eu teria condições de fazer este trabalho. Nem pensei, aceitei na mesma hora. A minha preparação foi basicamente conseguir chegar de pé e disposto ao estúdio. Quando a gente passa por algo tão forte como essa doença, meio que fica preparado para encarar qualquer outro desafio de peito aberto. Em meio a tanto sofrimento, sou muito grato por todo o aprendizado de vida que o câncer me deu. Hoje, por exemplo, eu não faço planos para o futuro. Eu vivo o hoje, o agora”, contou.
Globoplay vai produzir filmes de ficção exclusivos
Para concorrer com a Netflix, a Globoplay vai passar a produzir, além de séries, filmes de ficção originais. A novidade foi revelada pela coluna de Patricia Kogut no jornal O Globo, que adiantou um dos projetos na fila Trata-se de “Core”, de José Junior, do AfroReggae, criador da série policial “A Divisão”. O filme vai tratar da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio.
Festival de Berlim começa sua primeira edição sem público
O tradicional Festival de Berlim começa sua primeira edição virtual nesta segunda-feira (1/3) com uma programação concentrada em apenas cinco dias, metade da duração habitual, prevendo otimistamente realizar uma segunda parte presencial em junho. Diferente de outras edições virtuais de festivais internacionais, o Festival de Berlim não disponibilizará seus filmes online para apreciação do público. Por mais paradoxal que pareça, os organizadores decidiram fazer o festival sem exibir nenhum filme para o público. A ideia é apresentar os longas ao público durante sua segunda parte, chamada de Festival de Verão e prevista para acontecer de 9 a 20 de junho, quando serão entregues os troféus aos vencedores dos Ursos de Prata e de Ouro. O longa libanês “Memory Box”, da dupla de diretores Joana Hadjithomas e Jalil Joreige, foi o escolhido para abrir a versão fechada do festival, que está sendo chamado de Evento da Indústria (Industry Event). A denominação se deve ao fato de as sessões acontecerem de forma reservada com acesso apenas para profissionais da indústria cinematográfica e imprensa. “Memory Box” é também o primeiro filme libanês selecionado para a competição em 40 anos, e gira em torno da filha de uma família de imigrantes turcos em Montreal, que descobre segredos da juventude de sua mãe na guerra civil libanesa. A produção quase foi perdida, porque as filmagens terminaram pouco antes da explosão em 4 de agosto de 2020 no porto de Beirute, que deixou mais de 200 mortos e 6,5 mil feridos e destruiu bairros inteiros da capital libanesa. A sede da produtora, incluindo boa parte de suas obras, foram destruídas no caos. Outros filmes previstos na programação deste “Evento da Indústria” incluem “Una Película de Policías”, do mexicano Alonso Ruizpalacios (“Museu”), “Petite Maman”, da francesa Céline Sciamma (“Retrato de uma Jovem em Chamas”), “Bad Luck Banging or Looney Porn”, do romeno Radu Jude (“Aferim!”), “Albatros”, do francês Xavier Beauvois (“Dos Homens e dos Deuses”), “I’m Your Man”, da alemã Maria Schrader (da série “Nada Ortodoxa”), e “Next Door”, estreia na direção do ator alemão-espanhol Daniel Brühl (“Capitão América: Guerra Civil”). O Brasil é representada por “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi (“Ex-Pajé”), que foi selecionado para participar da mostra paralela Panorama. A 71ª edição do festival também marcará a primeira vez que a Berlinale concederá um prêmio de interpretação “sem gênero”, em vez dos prêmios de melhor ator e atriz. Trata-se de uma inovação inédita entre as principais competições internacionais, mas que já vinha sendo adotada há alguns anos em eventos mais populares, como o MTV Movie & TV Awards.
História do brasileiro que viajou de cavalo do Canadá até Barretos vai virar filme
A história de Filipe Masetti Leite, o brasileiro que viajou a cavalo do Canadá até Barretos (SP) vai virar filme. Leite saiu de Calgary em 2012, aos 25 anos, com três cavalos e chegou ao destino final depois de 2 anos, 10 países e 16 mil quilômetros percorridos. Quatro anos depois, ele resolveu completar a viagem de Norte a Sul, saindo de Barretos para completar 7,5 mil quilômetros até o Ushuaia, na Argentina, extremo sul do continente americano. Segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, o longa será uma adaptação do livro de memórias de Leite, “Cavaleiro das Américas”, e começará a ser rodado em 2022 com filmagens em mais de 10 países. Ainda sem o protagonista escalado, o filme será dirigido por Anita Barbosa (“Cinderela Pop”) e pelo canadense Sean Cisterna (“A Vinícola dos Sonhos”), que também assina o roteiro. O projeto é uma coprodução da Total Filmes com o Canadá e mais um país da América Latina que ainda será negociado.
Berta Zemel (1934 – 2021)
A atriz e professora de teatro Berta Zemel morreu na noite de quinta-feira (25/2) em São Paulo, aos 86 anos, em decorrência de broncopneumonia. Filha de imigrantes poloneses, Berta Zemelmacher nasceu na capital paulista em 1934, um ano após a chegada de seus pais ao Brasil. Ao virar atriz, mudou seu nome para facilitar a pronúncia em português, por sugestão do colega Sérgio Cardoso. Com uma carreira que remonta aos anos 1950, ela desenvolveu muitos trabalhos no teatro como atriz e, posteriormente, professora, tendo formado uma geração de atores na escola Teatro Móvel, de São Paulo, ao lado do marido, o ator Wolney de Assis (1937-2015). Sua ligação com as telas também é antiga, vindo desde 1956, como uma das intérpretes principais do “Grande Teatro Tupi”, um dos primeiros programas de ficção da TV brasileira. Sua ascensão, porém, esbarrou na política. Após interpretar um de seus papéis mais populares, a personagem-título da novela “Vitória Bonelli” (1972), na Tupi, optou por ficar em menor evidência, porque seu marido se engajou na militância clandestina contra o regime. Ela abandonou o teatro, virando professora, e fez poucos trabalhos nos anos seguintes. Apesar disso, ainda protagonizou “Os Apóstolos de Judas” (1976) e apareceu em “As Gaivotas” (1979), um dos últimos sucessos da Tupi. Fez ainda “Renúncia” (1982), adaptação da obra de Emmanuel/Chico Xavier na Band, e “Jogo de Amor” (1985), já no SBT. Apesar da longa carreira, Berta Zemel só surgiu na tela da Globo em 1997, numa breve participação como professora na 3ª temporada de “Malhação”, antes de encerrar a trajetória televisiva com a novela “Água na Boca” (2008), na Band. No cinema, ela participou de “O Quarto” (1968), de Rubem Biafora. Mas foi Geraldo Vietri, diretor da novela “Vitória Bonelli”, quem lhe o primeiro destaque cinematográfico, como protagonista do filme “Que Estranha Forma de Amar” (1977), baseado no romance “Iaiá Garcia”, de Machado de Assis. Após três décadas afastada, ela retornou em “Desmundo” (2002), de Alain Fresnot, que lhe rendeu um troféu de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília, e a motivou a estender as atuações cinematográficas com papéis em “O Casamento de Romeu e Julieta” (2004), de Bruno Barreto, “A Casa de Alice” (2007), de Chico Teixeira, “Fronteira” (2008), de Rafael Conde, e ainda três curtas em 2010. Sua história inspirou o livro biográfico “A Alma das Pedras”, escrito por Rodrigo Antunes Corrêa e publicado na Coleção Aplauso.
Filmes online: Documentário de Billie Eilish no Top 10 das estreias da semana
Surpresa da semana, “Billie Eilish: The World’s a Little Blurry” é um dos raros documentários sobre estrelas da música pop que rompe o retrato clichê do artista incompreendido e sofredor, sob pressão para ser sempre glamouroso ao vivo, mas no fundo gente como a gente. Cobrindo a carreira precoce da cantora desde antes da fama, dos 15 aos 18 anos de idade, quando se tornou a artista mais jovem a vencer o Emmy, o filme não se interessa pela imagem midiática ou holofotes, mas sim pela iluminação caseira do quarto da casa da família Eilish, onde Billie construiu toda a sua carreira. Sem o menor resquício de ostentação ou glamour, o trabalho do diretor R.J. Cutler (que no ano passado fez outro ótimo documentário sobre o ator John Belushi) traça a trajetória de uma garota deprimida, que transformou a música gravada em seu quarto, com a ajuda do irmão, na casa dos pais, numa das histórias de sucesso mais improváveis deste começo de século. Não é necessário o menor esforço de edição para humanizar a garotinha apaixonada por Justin Bieber, que realizou seu maior sonho ao encontrá-lo no palco do Festival Coachella, ou demonstrar como ela sabota a si mesmo para não atender aos pedidos de hits da gravadora e até mesmo ao torcer contra si mesma no Emmy. O que ela sente está nas músicas. É a mesma autodestruição descrita em suas letras sombrias, que faz sua mãe suspirar ao comentar que, pelo menos, é extravasada na arte, em vez da vida real. A programação digital da semana também tem um documentário britânico sobre Pelé e alguns filmes premiados, como os dramas indies “Rainha do Mundo”, “O Refúgio” e as comédias internacionais “Amigos de Escola” e “Os Camarões Brilhantes”, sem esquecer “M8: Quando a Morte Socorre a Vida”, um retrato lívido do racismo brasileiro, dirigido por Jeferson De. Confira abaixo a relação completa e os trailers dos 10 melhores filmes para ver em streaming e VOD neste fim de semana. Billie Eilish: The World’s a Little Blurry | EUA | 2021 (Apple TV+) Pelé | Reino Unido | 2021 (Netflix) O Último Vermeer | EUA | 2019 (Apple TV, Google Play, NOW, Sky Play, YouTube Filmes) O Refúgio | Canadá | 2020 (Apple TV, Google Play e YouTube Filmes) Rainha do Mundo | EUA | 2015 (MUBI) Becky | EUA | 2019 (Telecine, Youtube Filmes) Rastros na Escuridão | EUA | 2019 (Vivo Play) M8: Quando a Morte Socorre a Vida | Brasil | 2019 (Netflix) Amigos de Escola | Taiwan | 2020 (Netflix) Os Camarões Brilhantes | França | 2020 (Looke, Google Play, YouTube Filmes)












