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  • Filme

    O Destino de uma Nação destaca atuação de Gary Oldman e fascínio por Churchill

    11 de fevereiro de 2018 /

    “O Destino de uma Nação” foi o segundo filme proveniente do Reino Unido, no ano de 2017, a colocar Winston Churchill (1874-1965) em evidência. O outro foi “Churchill”, de Jonathan Teplitzky, que focaliza o estadista se questionando e sendo questionado no período decisivo da vitória, na 2ª Guerra Mundial, quando da invasão da Normandia, no famoso Dia D. O ator Bryan Cox compôs Churchill muito bem. Aqui, a proeza de compor Churchill coube a Gary Oldman, que está ótimo, irreconhecível ao viver o papel. É o favorito para o Oscar de Melhor Ator, por sinal. A situação é outra, é o período anterior, em que a Inglaterra cogitava negociar com Hitler e Mussolini, entregando parcialmente os pontos, tentando salvar o que pudesse. O que virou o jogo foi justamente a liderança e o arrojo do primeiro ministro Winston Churchill, que, sendo capaz de ouvir seu povo, passou a contar com ele, o que acabou possibilitando a salvação milagrosa do exército britânico, encurralado em Dunquerque. Um líder político capaz de decidir com firmeza, ainda que tivesse suas próprias dúvidas e medo de errar, é fundamental numa hora dessas. A história tem suas próprias determinantes e seu próprio ritmo, mas as pessoas fazem muita diferença e imprimem sua marca nos acontecimentos. Não surpreende a fixação na figura de Churchill ser tão forte até os dias de hoje. Não só para louvar seu papel e liderança decisivos, mas para mostrar o lado questionável e polêmico do político. Isso fica claro, tanto em “O Destino de uma Nação” quanto em “Churchill”. Neste último, até surpreende pela figura vulnerável que apresenta. Mas “O Destino de uma Nação” parece muito mais convincente, ao valorizar, numa medida que parece justa, a figura decisiva do Primeiro Ministro, que passou para a História, com honras e glórias. Porém, tanto o personagem era polêmico que, depois da vitória na guerra, perdeu as eleições na Inglaterra. A batalha de Dunquerque, que consistia em resgatar os soldados britânicos da morte certa, foi, em 2017, também objeto do filme “Dunkirk”, de Christopher Nolan, que acaba sendo um complemento perfeito para “O Destino de uma Nação”, ambos na disputa do Oscar 2018. A presença do personagem de Churchill em dois filmes diferentes produz um exercício interessante, para entender a complexa figura sob diferentes ângulos, além do papel importante de sua mulher, Clementine, aqui no desempenho de Kristin Scott Thomas, e de sua secretária pessoal (Lily James), em momentos marcantes de suas decisões. Joe Wright faz um filme convencional na forma, mas bastante interessante de se ver, pela história que conta e pelo envolvimento emocional com o personagem e seus dilemas políticos. A questão política está bem trabalhada no filme, suas tensões e seu suspense funcionam como elementos que fisgam o espectador.

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  • Filme

    Churchill reduz momento-chave do século 20 à crise pessoal

    14 de outubro de 2017 /

    A produção inglesa “Churchill” não é, apesar do título, uma cinebiografia que trata da vida desse líder britânico, cujo nome está indelevelmente marcado na história do século 20 e em suas duas grandes guerras. É o retrato de um momento específico e decisivo de sua vida política, em que ele balança entre a decadência e a glória. Esse período é o que se situa nos seis dias que antecederam a famosa operação da 2ª Guerra Mundial conhecida como o Dia D, em junho de 1944, em que as forças aliadas organizaram uma enorme ofensiva para recuperar o território europeu ocupado pelos nazistas e que seria um passo, arriscado mas definitivo, para a vitória final no conflito mundial. Winston Churchill, que o filme de Jonathan Teplitzky (“Uma Longa Viagem”) retrata de forma francamente desfavorável ao personagem, aparece velho, alquebrado, resistente e obcecado pelo massacre de Galípoli, na 1ª Guerra Mundial, em 1915, sem querer repetir o erro que levou centenas de milhares de soldados à morte. Preocupado com a humilhação política e o fracasso militar que já havia experimentado, surge como entrave inicial à invasão da Normandia, tendo de ser convencido pelo presidente americano Eisenhower (John Slattery, da série “Mad Men”) e outros, de que esse passo decisivo tinha de ser feito. E, ainda, tendo que se submeter à autoridade do rei. Não há dúvida de que Brian Cox (“A Autópsia”) compõe o personagem Churchill, nessas circunstâncias, com raro talento. A esposa, Clemmie, vivida por Miranda Richardson (“Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1”), está igualmente muito bem interpretada, como pessoa forte, equilibrada, com raciocínio claro e papel determinante na situação. Já o grande líder britânico está consumido por seus medos e obsessões, num momento deprimente da vida, quando mais se precisaria do seu claro discernimento. Soa um pouco estranha a fixação na batalha de Galípoli da 1ª Guerra, quando a campanha da 2ª já se desenhava como amplamente vitoriosa. Claro que a preocupação com a repetição de um possível massacre se justificava, mas a obsessão pelo passado, não. Afinal, para chegar a esse momento da guerra, muitos anos se passaram, desde 1939, e o impacto dos embates do presente era grande demais para ficar em segundo plano. Ao trabalhar um momento marcante da história por meio da realidade psíquica de um de seus personagens principais, “Churchill”, talvez busque uma verdade, no plano interpessoal, que não tem muito cabimento. Para uma questão política dessa dimensão, esse enfoque pouco ou nada acrescenta. Um drama individual se sobrepõe ao drama da guerra, que estava definindo os destinos da humanidade. E, ainda que o personagem não pudesse saber que a guerra estrava em sua reta final, não é muito crível que Churchill desconhecesse o sentido coletivo das decisões, numa hora dessas. Assim, uma boa produção cinematográfica, embora convencional na forma, que poderia alcançar voos muito maiores, perde sua força.

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  • Filme

    Blade Runner 2049 é a estreia obrigatória da semana nos cinemas brasileiros

    5 de outubro de 2017 /

    Um dos filmes mais esperados do ano estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (5/10). Mas a distribuição não faz justiça à produção, que está sendo chamada de “obra-prima” pela crítica norte-americana. Tudo porque os cinemas estão priorizando um lançamento de DVD. “Blade Runner 2049” chega em 744 cinemas, a maioria com projeção em 3D, enquanto o filme com atores do “Pica-Pau” estreia em 753 salas. Com 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes, “Blade Runner 2049” está sendo considerado melhor que o original de 1982. A direção de Denis Villeneuve (“A Chegada”), os efeitos visuais, a cenografia e a atuação de Harrison Ford são os pontos mais elogiados. A ficção científica gira em torno da investigação de um novo caçador de androides (blade runner), o oficial K (Ryan Gosling, de “La La Land”), que descobre um segredo há muito tempo enterrado com o potencial de mergulhar o que resta da sociedade no caos. A descoberta o leva a uma busca por Rick Deckard (Harrison Ford), o ex-blade runner que está desaparecido há 30 anos. Por sua vez, “Pica-Pau – O Filme” tem como destaque a participação de uma atriz brasileira, Thaila Ayala (da novela “Ti-Ti-Ti”). Mesclando o passarinho animado com atores reais, o longa se concentra numa briga de território entre o Pica-Pau e o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson, da série “Galavant”) e sua namorada Vanessa (Ayala). Para conseguir construir a casa dos sonhos, os dois planejam derrubar a floresta do Pica-Pau, que promete não deixar barato. Ou seja, é a velha história dos desenhos do personagem – e também do Pato Donald contra Tico e Teco, do Lorax, etc. A equipe responsável é especializada em continuações de baixo orçamento para o mercado de home video (lançamentos direto em DVD). O diretor Alex Zamm e o roteirista William Robertson trabalharam juntos em três vídeos do gênero: “Inspetor Bugiganga 2” (2003), “Um Herói de Brinquedo 2” (2014) e “Os Batutinhas: Uma Nova Aventura” (2014). “Pica-Pau” também deve ser lançado em DVD – ou streaming – no mercado norte-americano, onde ainda não tem previsão de estreia. Mas chega com distribuição de blockbuster no Brasil. A programação dos shoppings ainda destaca mais três lançamentos amplos. Um deles é outro “O Filme” para crianças. O título de “My Little Pony – O Filme” soa estranho aos ouvidos, porém ajuda a diferenciar de “Meu Pequeno Pônei – O Filme” (1986). A franquia já tinha rendido um longa animado há 30 anos, mas o novo lançamento é bem diferente da versão retrô do “Xou da Xuxa”. O design segue de perto o reboot de 2015, a série “My Little Pony: A Amizade é Mágica”. Até a roteirista é a mesma. O que faz deste “O Filme” uma espécie de episódio especial do desenho, projetado no cinema. A trama mostra como o mundo cor-de-rosa da princesa de Equestria vira do avesso com a chegada da vilã Tempest (“Tem peste”, na dublagem nacional). E para vencer as forças invasoras, as seis pôneis protagonistas precisarão virar as… Pequenas Sereias Pôneis! Há até um versão “Pony” da cantora Sia, de franjinha, que canta a música-tema da produção. Mas o detalhe que mais preocupa é que o filme foi escondido da crítica. Besteirol brasileiro da semana, “Chocante” conta a história de ex-integrantes de uma boy band que, quarentões e decadentes, revolvem voltar a fazer shows. A boy band da meia-idade é formada por Bruno Mazzeo (“E Aí… Comeu?”), Lucio Mauro Filho (“Vai que Dá Certo”), Marcus Majella (“Um Tio Quase Perfeito”) e Bruno Garcia (“De Pernas pro Ar 3”), e o elenco também destaca Tony Ramos (série “Vade Retro”). A direção é de Johnny Araújo (“O Magnata”). Já “Churchill” integra uma overdose de produções sobre o mais famoso Primeiro Ministro britânico. Além da série “The Crown”, que rendeu um Emmy ao ator John Lithgow pelo papel, vem aí “O Destino de uma Nação”, com o qual Gary Oldman almeja uma indicação ao Oscar. A estreia atual é uma produção britânica intimista e anticlimática, que traz Brian Cox (“A Autópsia”) como protagonista e foi considerada medíocre pela crítica norte-americana (46% de aprovação). O circuito limitado completa a programação com dois filmes franceses e um drama sul-coreano. O mais divertido é a comédia “Rock’n roll – Por Trás da Fama”, escrito, dirigido e estrelado por Guillaume Canet (“Na Próxima, Acerto o Coração”) no papel de si mesmo. O filme expõe com bom humor a crise de meia-idade do astro e desglamouriza seu cotidiano com sua esposa famosa, Marion Cotillard (“Um Instante de Amor”), também vivendo a si mesma. O mais previsível é “O Melhor Professor da Minha Vida”, que requenta a velha história do professor bem-intencionado que vai dar aula na periferia e muda a vida de alunos carentes. E o mais “artístico” é “Na Praia à Noite Sozinha”, que rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Kim Min-hee (“A Criada”) no Festival de Berlim. Trata-se de mais um filme típico de Hong Sang-soo, um diretor hermético que caiu nas graças dos distribuidores brasileiros, tendo suas obras sistematicamente lançadas no país. Todas são sobre situações banais, filmadas com câmera estática e geralmente incluem consumo de álcool, que serve de ponto de partida para “revelações”, enquanto o diretor experimenta com a narrativa cinematográfica. Esta banalidade disfarçada em estilo tem sido consagrada em inúmeros festivais e convertido cinéfilos ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, entedia os não iniciados. Clique nos títulos destacados de cada filme para ver os trailers de todas as estreias da semana.

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