Léo Lins ameaça quem o criticou por debochar de minorias: “Se eu for preso, você vai junto”
O humorista Léo Lins ameaçou quem o criticou após ter debochado de minorias e ter um vídeo de stand-up removido da internet por decisão judicial. Acusado de propagar discurso de ódio, o ex-contratado do SBT afirmou possuir um documento que expõe piadas preconceituosas feitas por essas pessoas e que pode fazê-los “ir para a cadeia”. Em suas redes sociais, Lins alega ter preparado o dossiê em sua defesa, para o caso de ser preso. O comediante disse ainda que reuniu principalmente piadas feitas por outros humoristas que, para ele, foram “a favor da censura”. No vídeo, ele se dirige aos seus críticos em tom ameaçador. “Pra essas pessoas que tão à favor da censura, principalmente humoristas e comediantes, eu sugiro torcer muito pra eu continuar solto”, começou Léo Lins na publicação. “Porque, na minha defesa, tem diversas piadas do pessoal à favor da censura, onde eu peguei a lista de temas que é proibido fazer piada [como minorias, orientação sexual, religião e raça], identifiquei diversas piadas com esses temas e transcrevi pra minha defesa”, ressaltou Léo Lins. Léo Lins afirma que esse não é seu desejo, mas que as informações podem fazer com que outros humoristas sejam presos também. “Eu não quero que ninguém vá preso. Mas veja bem: se esse critério vai ser usado pra me colocar na cadeia, serve para outras pessoas também”, argumenta. “Então, você que foi à favor da censura, torça pra eu continuar solto. Porque se eu for preso, você vai junto e pode acabar na cela comigo, e aí vai ter que ouvir as minhas piadas”, acrescentou. Entre as pessoas que falaram sobre o caso de Lins está o humorista Fábio Porchat, que voltou atrás após defendê-lo . “Eu escrevi dois tweets sobre um assunto super complexo. Eu falei de forma rasa, precipitada, confusa. Então eu errei. E é por isso que eu decidi, também, apagar os tweets”, explicou-se no sábado (27/5). “Eu queria deixar muito claro aqui que a minha posição nunca foi defender o humor racista. Eu sempre tentei promover o humor que não causasse dor, que não machucasse. Sempre disse, e eu continuo dizendo, que a comédia que agride, que humilha, que bate em grupos minorizados é péssima, é velha, é desnecessária. Ela atrasa o avanço social”, completou.
“Todas as Flores” ignora censuras e lança beijo sáfico no streaming
Na contramão da censura, “Todas as Flores” antecipou o final feliz de Gabriela (Camila Alves) e Laura (Amanda Mittz). Na série do Globoplay, as personagens escancaram o amor e trocam um beijo sáfico de tirar o fôlego. Recentemente, a TV Globo optou por vetar as cenas homoafetivas que seriam vistas em “Vai na Fé” e na série “Aruanas”. A emissora alegou ter medo de rejeição por parte dos telespectadores mais conservadores, porém não há indícios de desaprovação por parte majoritária do público. A cena sáfica de “Todas as Flores” deixou evidente que a censura da emissora está presente apenas na TV aberta, que deveria acompanhar o comportamento da sociedade brasileira e aproximar ainda mais sua audiência. Apesar do ponto positivo, a sequência sáfica de “Todas as Flores” não constava no texto apresentado no capítulo 79, mas não quer dizer que o romance teria sido escondido da produção. Acontece que há um trabalho minucioso nos bastidores com os deficientes visuais do elenco, como é o caso de Camila Alves. No diálogo final, as coadjuvantes vão ressaltar a inclusão na saga escrita por João Emanuel Carneiro. A cena digna de filme mostrará as dificuldades vividas por Gabriela, que terá que mudar sua maneira de se relacionar mesmo já apaixonada por Laura. O romance deve atingir um novo patamar assim que a funcionária da Rhodes, que é defensora do amor livre, se abrir para um relacionamento monogâmico. O casal será alvo do “cupido” Márcio (Cleber Tolini) para aceitar a reconciliação. Com um encontro marcado, Márcio não comparecerá no restaurante com o intuito de reaproximar o casal. O encontro acontece no local onde a dupla trocou os primeiros afetos, e a oportunidade será aproveitada por Gabriela, que vai se declarar à Laura. “Queria aproveitar que a gente está aqui para dizer que eu fiquei pensando muito na gente nos últimos dias. Eu me sinto disposta e aberta a me relacionar de uma forma diferente do que a que eu vinha me relacionando nos últimos tempos. Eu fico falando para todo mundo dessa coisa de liberdade. Mas eu não quero que a liberdade seja uma prisão que me impeça de ficar com quem eu amo”, dirá a personagem de Camila Alves.
“Vai na Fé” grava novo beijo sáfico que pode não ser exibido
A TV Globo gravou uma nova cena romântica de Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman) na novela “Vai na Fé”. No entanto, a emissora pode não exibir o beijo sáfico, pois ainda tem dúvidas sobre a reação do público conservador. A nova cena homoafetiva pode ser o estopim para que as duas iniciem um namoro. Vale lembrar que, a essa altura, Clara já terá quase certeza de que seu marido Theo (Emilio Dantas) mantém um caso com Luminar (Carolina Dieckman). O beijo de “Clarena” está previsto para quarta-feira (24/5). Contudo, a decisão da exibição deve ser adiada até os últimos instantes, enquanto a Globo monitora as reações nas redes sociais. Desta forma, a direção de dramaturgia vai realizar algumas reuniões e pode bater o martelo apenas na terça-feira (23/5). A emissora parece ter receio de chamar a atenção do público conservador, que espera um “tom familiar” na novela escrita por Rosane Svartman. Apesar disso, pesquisas recentes mostram que não há qualquer rejeição à trama das sete.
Tainá Müller diz que Globo cronometrava beijo lésbico em “Em Família”: “Preconceito”
A atriz Tainá Müller (“Bom dia, Verônica”) desabafou, em sua conta no Twitter, a respeito da censura da Globo a um beijo lésbico na novela “Vai na Fé”. No texto, ela relembrou dos bastidores da novela “Em Família” (2014), de Manoel Carlos, quando contracenou com Giovana Antonelli (“Travessia”). Müller revela que o beijo entre as personagens era cronometrado pela produção. “Na nossa época o beijo era cronometrado. Tinha que contar ‘1, 2, 3’ e não abrir a boca”, revelou a atriz. Em outros tuítes, ela criticou a censura a beijos entre pessoas do mesmo sexo na televisão. “Fico muito triste em saber que em 2023 ainda há censura de um beijo de duas mulheres”, afirma a atriz. “E parece que não é só aqui: na França, onde está passando ‘Em Família’, também cortaram o beijo de Clara e Marina. Depois tem gente que questiona o ‘dia da visibilidade lésbica'”, continua. Müller afirma que teve bastante dificuldade para lidar com a questão durante as filmagens. “Sofri muito com essa história na época de #Clarina. Achava um absurdo, na real”, comenta. “Entendo que o Brasil é um país conservador, mas não normalizar o afeto entre duas pessoas do mesmo sexo só faz a manutenção do preconceito”, completou. Nesta semana, os telespectadores de “Vai na Fé” ficaram revoltados após a Globo cortar uma das cenas mais esperadas da novela, o beijo lésbico entre Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman). Após a repercussão negativa, a assessoria da emissora amenizou a censura. “Toda novela está sujeita a edição. Uma rotina que atende às estratégias de programação ou artísticas. Isso, inclusive, é sinalizado nos resumos de capítulos divulgados pela Globo”, diz o conteúdo da nota oficial. Segundo fontes, a produção teria considerado que o beijo poderia ser demais para o público de uma trama evangélica. Mas a reação nas redes sociais está fazendo a emissora reconsiderar a ideia, diante do apoio a #Clarena. Fiquei muito triste de saber que em 2023 ainda há censura de um beijo de duas mulheres. E parece que não é só aqui: na França, onde está passando “Em Família” também cortaram o beijo de Clara e Marina. Depois tem gente q questiona o “dia da visibilidade lésbica”. — Tainá Müller (@tainamuller) May 12, 2023 Sofri muito com essa história na época de #Clarina. Achava um absurdo, na real. Entendo que o Brasil é um país conservador, mas não normalizar o afeto entre duas pessoas do mesmo sexo só faz a manutenção do preconceito. — Tainá Müller (@tainamuller) May 12, 2023 Na nossa época o beijo era cronometrado. Tinha que contar “1, 2, 3” e não abrir a boca. — Tainá Müller (@tainamuller) May 12, 2023
Livros de James Bond serão reeditados com cortes de conteúdo racista
Os livros da franquia “James Bond”, escritos por Ian Fleming, serão reeditados com o intuito de remover conteúdos racistas contidos nas obras originais. Segundo o jornal britânico The Telegraph, os livros serão relançados a partir de abril, para comemorar os 70 anos de “Cassino Royale”, a estreia literária de Bond, e trarão avisos aos leitores sobre a versão. Cada livro vai iniciar com um aviso de que a obra foi escrita “em uma época em que termos e atitudes que poderiam ser considerados ofensivos pelos leitores modernos eram comuns”. Em seguida, será informado que “nesta edição, foram feitas várias atualizações, mantendo-se o mais próximo possível do texto original e do período em que ele se passa”, informou o jornal. Uma das principais mudanças feitas nos livros refere-se a um termo pejorativo comumente usado por Fleming para se referir a pessoas negras. O termo em questão foi completamente removido e substituído por “pessoa negra” ou “homem negro”. Mas essa não foi a única mudança. Em “Viva e Deixe Morrer” (1954), por exemplo, James Bond originalmente se referia aos africanos do comércio de ouro e diamantes como “caras bastante respeitáveis, eu deveria pensar, exceto quando bebem demais”. Isso foi alterado para apenas “caras bastante respeitáveis, eu deveria pensar”. Em outra cena do livro, o protagonista está em uma boate de strip tease do Harlem e o livro dizia que “Bond podia ouvir a plateia ofegando e grunhindo como porcos no cocho. Ele sentiu suas próprias mãos agarrando a toalha de mesa. Sua boca estava seca”. Essa descrição foi trocada por: “Bond podia sentir a tensão elétrica na sala”. Outros conteúdos, como referências feitas ao sotaque de personagens negros, foram removidos por completo, assim como a referência a etnias de alguns personagens que aparecem em “007 contra a Chantagem Atômica” (1961), “007 Contra a Chantagem Atômica” (1960) e “007 Contra Goldfinger” (1959). Vale lembrar que essas mudanças foram propostas pela Ian Fleming Publications, e não iam contra a vontade do autor. Na verdade, o próprio Ian Fleming já tinha autorizado que fossem feitas mudanças na edição americana de “Viva e Deixe Morrer” antes da sua morte, em 1964. “Nós, na Ian Fleming Publications, revisamos o texto dos livros originais de Bond e decidimos que nossa melhor opção era seguir o exemplo de Ian. Fizemos mudanças em ‘Viva e Deixe Morrer’ que ele mesmo autorizou”, afirmou a editora ao The Telegraph. “Seguindo a abordagem de Ian, analisamos as ocorrências de vários termos raciais em todos os livros e removemos várias palavras individuais ou as substituímos por termos que são mais aceitos hoje, mas em sintonia com o período em que os livros foram escritos”. “Encorajamos as pessoas a lerem os livros por si próprias quando os novos livros forem publicados em abril”, concluiu a Ian Fleming Publications. Essa é a segunda iniciativa do gênero neste ano que mal começou. Há duas semanas, os livros infantis de Roald Dahl (autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”) passaram por um processo similar, para remover conteúdos considerados ofensivos como “gordo” e “louco”.
Ancine acaba com censura de Bolsonaro a conteúdos LGBTQIAP+
A Ancine acabou com a censura ideológica do governo Bolsonaro. Na semana passada, numa reunião em que participaram o presidente da Ancine, Alex Braga, a secretária de Audiovisual, Joelma Gonçalves, e a diretora de conteúdo da EBC, Antonia Pellegrino, foram destravadas amarras que impediam a agência de emitir certificados de conclusão de 76 projetos audiovisuais, uma parte de temática LGBTQIAP+, no valor de R$ 67,4 milhões. São documentários, obras de ficção e animações produzidos em todas as regiões do Brasil. Bolsonaro tentou impedir a produção dos projetos numa das lives mais problemáticas de todo seu governo. Ele anunciou antecipadamente sua interferência no concurso público, afirmando que “abortaria” aquelas produções. “Fomos garimpar na Ancine filmes que estavam prontos para captar recurso no mercado”, disse Bolsonaro no primeiro ano de seu governo, passando a citar títulos e temas que considerava absurdos. “Um aqui se chama ‘Transversais”, disse, demonstrando horror ao citar que seu tema era transexualidade. “Conseguimos abortar essa missão aqui”, acrescentou. “Outro filme aqui, ‘Sexo Reverso'”, seguiu, dizendo que o filme abordava sexo grupal e oral com índios, concluindo é “um dinheiro jogado fora”. “Não tem cabimento fazer um filme com esse enredo, né?” Outro nome que ele achou ofensivo foi o de “Afronte”, de Marcus Azevedo e Bruno Victor, um docudrama sobre a realidade vivida por negros e homossexuais do Distrito Federal. “Mais um filme aí que foi para o saco”, decretou. Ele também atacou o projeto de “Religare Queer”, sobre uma “ex-freira lésbica”, que descreveu como um filme com “dez episódios”. “Confesso que não entendi por que gastar dinheiro público com um filme desses”, insistiu, sobre a série. “O que vai agregar?”, afirmou, considerando produções com temática LGBTQIAP+ “impróprias”. “Não estou perseguindo ninguém, cada um faça o que bem entender do seu corpo para ser feliz, agora, gastar dinheiro público para fazer esse tipo de filme [na verdade, série]…” E arrematou: “Se a Ancine não tivesse, na sua cabeça toda, mandato, já tinha degolado todo mundo”. A ameaça foi completada por um gesto que representa o assassinato por meio de degola. Só que a tentativa de censura por “filtros” na liberação de incentivos é que acabou “abortada”. Com a aprovação da Lei Aldir Blanc pelo Congresso, passando por cima da “missão” de Bolsonaro, “Transversais” conseguiu verba para virar um filme — o primeiro longa-metragem do diretor Émerson Maranhão — e pôde ser rodado no início de 2021. A obra foi lançado em grandes festivais de cinema, como a Mostra de São Paulo, Mix Brasil e Cine Ceará. A live deu início a uma crise política. O então ministro da Cidadania, Osmar Terra, publicou uma portaria suspendendo os editais, o que resultou no pedido de demissão do primeiro secretário de Cultura do antigo governo, Henrique Pires, declarando que não compactuaria com censura. Os projetos estavam entre os finalistas da linha de “diversidade de gênero” da EBC, que visava selecionar séries para a programação da TV pública em canais como a TV Brasil. Os vencedores seriam financiados diretamente por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e não por autorização para captar incentivos. O FSA é formado pela taxa conhecida como Condecine, que incide sobre empresas de cinema, vídeo e telefonia. O edital foi lançado durante o governo Temer com regras claras, que foram cumpridas pelas produções inscritas. Com a suspensão do edital por motivação ideológica, os projetos citados pelo presidente na live não foram os únicos prejudicados. Isso porque o edital ainda previa o financiamento de cerca de outras 70 iniciativas divididas em 12 categorias. Além do tema da “diversidade de gênero”, o edital também contemplou séries nas categorias de “sociedade e meio ambiente”, “profissão”, “animação infantil” e “qualidade de vida”, entre outras. A partir de agora, a EBC poderá exibir esses conteúdos.
Atores de “A Lagoa Azul” lembram bastidores polêmicos com nudez e pressão amorosa
Os atores Brooke Shields e Christopher Atkins voltaram a se encontrar para lembrar a época em que trabalharam juntos em “A Lagoa Azul” (1980). Convidados a comentar os bastidores do filme para o podcast “Now What?”, eles compartilharam memórias curiosas, como a pressão da equipe de produção para que se apaixonassem. No podcast, Atkins revelou que “foi difícil ficar vestido” após gravar as diversas cenas de nudez, que renderam controvérsia ao filme. “Havia cenas em que eu ficava nu com você [Brooke], não sei se você se lembra — indo naquele escorregador e coisas assim”, começou Atkins. “E isso era um pouco estranho, mas também foi meio engraçado para mim, porque naqueles momentos eu simplesmente fazia essas coisas. Mas sua reação foi [de irritação].” Brooke, que tinha 14 anos quando as cenas foram gravadas com dublês de corpo, contou que achava estranho estar em um set adulto. “[Eu pensava] ‘por que tenho que olhar para isso?’ Eu nunca tinha visto um [órgão genital masculino] antes. Não vou começar agora”, lembrou a atriz. “[Nós] vestíamos pequenas tiras de roupa e meu cabelo estava preso no meu corpo para cobrir os seios, que eram mínimos.” Em seguida, Brooke questionou se o colega lembrava o processo de censura da produção. “Eu não sei o que eu estava tentando cobrir. Lembra das almofadas?”, disse. “Eles colocavam umas coisinhas cor de carne nos meus mamilos porque o mamilo evidentemente era onde colocaram um limite neste filme.” Além das cenas de nudez, a atriz comentou ter reprovado as tentativas desesperadas da equipe para fazer com que ela e Atkins se apaixonassem durante as filmagens. A proposta do diretor Randal Kleiser era que as cenas românticas fossem realistas e convincentes. Para isso, ele planejou que o jovem de 18 anos colocasse uma fotografia de Brooke sobre a cama. Embora Brooke ainda não tivesse dado seu primeiro beijo na vida real, o “plano mirabolante” de Kleiser funcionou e a dupla viveu um curto romance atrás das câmeras. “Isso provavelmente foi ótimo para o filme, porque é disso que se trata. Você tem que admitir que a química entre nós foi simplesmente incrível. Houve muitos grandes momentos que aconteceram lá, e eu acho que foi muito dessa inocência que apareceu no filme e o que o fez funcionar ainda mais”, avaliou Atkins. Por fim, o artista acrescentou que os anos seguintes ao filme foram “pura insanidade” devido ao alcoolismo que desenvolveu. Ele chegou a ser internado numa clinica de reabilitação em 1986 e, atualmente, frequenta reuniões semanais do Alcoólicos Anônimos, entre trabalhos esporádicos de atuação em produções de baixo orçamento. Brooke, por sua vez, continuou sua carreira de sucesso. Ela teve até uma série própria, “Suddenly Susan”, entre 1996 e 2000, e continua bastante requisitada. Mais recentemente, estrelou a comédia natalina “Natal em Harmonia”, lançada no mês passado pela HBO Max. Já “A Lagoa Azul”, o filme mais reprisado da “Sessão da Tarde”, foi reclassificado em 2017 por conter violência e teor sexual, o que a lei brasileira entende como incompatível para menores de 12 anos. Até então, a versão editada (sem as cenas mais polêmicas) era exibida como “censura livre” para as crianças, porque a classificação televisiva era mais liberal no final do século passado.
Após enquete com seguidores, Elon Musk anuncia que deixará cargo de CEO do Twitter
O bilionário Elon Musk, dono do Twitter, anunciou na noite de terça (20/12) que deixará o cargo de CEO da rede social assim que encontrar alguém para substituí-lo. “Vou renunciar ao cargo de CEO assim que encontrar alguém tolo o suficiente para aceitar o cargo! Depois disso, apenas executarei as equipes de software e servidores”, escreveu Musk no próprio Twitter. O anúncio foi feito após Musk publicar uma enquete questionando ao seguidores se ele devia deixar a chefia do Twitter. Foram computados mais de 17 milhões de votos, e 57,5% responderam “sim” à pergunta. No mês passado, Musk disse a um tribunal de Delaware que reduziria seu tempo no Twitter e eventualmente encontraria um novo líder para administrar a empresa de mídia social. A pesquisa ocorreu após Musk suspender perfis de jornalistas que o criticavam e proibir a promoção de outras empresas de mídia social e conteúdos que contenham links para concorrentes no Twitter. As duas decisões causaram muitas reclamações, e para completar o Twitter ainda corre o risco de receber sanções na Europa por atentar contra a liberdade de imprensa. A vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourova, classificou as decisões do magnata como “preocupantes”, e lembrou em um tuite que há “linhas vermelhas” que não podem ser ultrapassadas. Foi além: ameaçou Musk “com sanções, em breve”. Sanções na União Europeia podem gerar enorme prejuízo para Musk e se estender a outros negócios do magnata, que negocia acordos comerciais com diversos países para seu programa espacial Space X. I will resign as CEO as soon as I find someone foolish enough to take the job! After that, I will just run the software & servers teams. — Elon Musk (@elonmusk) December 21, 2022
Público responde “Sim” para Musk deixar chefia do Twitter
Uma pesquisa feita por Elon Musk em seu perfil no Twitter sobre se deveria deixar o posto de presidente-executivo da plataforma indicou que os usuários da rede social mal podem esperar para ele ir se despedir. “Devo deixar o cargo de chefe do Twitter? Vou respeitar os resultados desta enquete”, escreveu ele na noite de dominto (18/12) ao abrir a enquete na rede social. Após mais de 17 milhões de votos, o resposta foi “Sim”. 57,5% dos votos indicaram que Musk deveria deixar o Twitter em paz, com 42,5% apoiando seus desmandos. Nos últimos dias, Musk vinha censurando jornalistas do New York Times, Washington Post e CNN, entre muitas outras publicações, suspendendo seus perfis do Twitter com a alegação de que praticaram doxxing (divulgação de dados privados), via compartilhamento de um bot sobre a localização de seu avião. Muitos dos jornalistas suspensos tinham apenas noticiado que Musk suspendeu a conta do bot, mesmo tendo prometido que, devido à sua posição de defesa da liberdade de expressão, nunca faria isso. No domingo, ainda acrescentou mais uma jornalista do Washington Post à lista dos suspensos, porque ela o procurou para que comentasse uma reportagem que estava escrevendo. Para completar seu domingo, Musk também proibiu a divulgação de links de outras redes sociais no Twitter. Mas poucas horas depois se viu obrigado a reverter a decisão pela repercussão negativa, com vários usuários ameaçando largar de vez a rede que o bilionário comprou há dois meses por US$ 44 bilhões. Por conta de tanta inconsistência, os usuários querem que Musk abandone a chefia do Twitter, deixando o cargo para alguém que saiba o que está fazendo. Desde o resultado da pesquisa, Musk não postou mais nada no Twitter. Enquanto os números estavam crescendo, ele fez duas publicações. Numa delas, soltou uma indireta em tom de reclamação. “Como diz o ditado: cuidado com o deseja, pois pode conseguir”. Os investidores da Tesla, empresa de carros elétricos que projetou o bilionário, têm se preocupado que Musk pode estar dispersando demais sua energia após a compra do Twitter. A Tesla já perdeu quase 60% de seu valor este ano, fazendo Musk perder o título de homem mais rico do mundo. No mês passado, Musk disse a um tribunal de Delaware que reduziria seu tempo no Twitter e eventualmente encontraria um novo líder para administrar a empresa de mídia social. Mas, ao responder o comentário de um usuário do Twitter sobre uma possível mudança no comando da empresa, Musk disse no domingo “Não há sucessor”. Vale lembrar que, mesmo que decida abandonar a chefia do Twitter, Musk vai continuar dono da rede social – e por possuir a maioria das ações da empresa pode demitir qualquer chefe que não fizer o que ele quiser.
Elon Musk pergunta a seguidores se deve largar chefia do Twitter. “Sim” está vencendo
Elon Musk teve outro domingo surtado no Twitter. O bilionário, que passou o dia no Catar para acompanhar a final da Copa do Mundo, começou de manhã suspendendo mais um jornalista do Washington Post. Motivo: Taylor Lorenz pediu para Musk comentar uma reportagem que estava escrevendo sobre ele. A ação reforçou críticas contra a censura exercida por Musk no Twitter contra jornalistas, em contraste com o vale-tudo que ele defende para extremistas de direita. Após calar mais um repórter, o defensor autodeclarado da “liberdade de expressão” também decidiu demonstrar que é um capitalista liberal que acredita no “livre mercado” e anunciou uma nova política no Twitter: qualquer pessoa que postar links para plataformas rivais, como Instagram, Facebook, TikTok e outras, terá o perfil suspenso na rede social. “Reconhecemos que muitos de nossos usuários são ativos em outras plataformas de mídia social”, disse o tuite oficial da empresa. “No entanto, não permitiremos mais a promoção gratuita de certas plataformas de mídia social no Twitter.” O cofundador e ex-CEO do Twitter Jack Dorsey disse que a nova política da empresa “não faz sentido” em um reação no próprio Twitter. Vendo a montanha de protestos contra sua administração do Twitter crescer, antes de ir dormir Musk resolveu testar sua popularidade e perguntar se deveria continuar comandando o Twitter. “Devo deixar o cargo de chefe do Twitter? Vou respeitar os resultados desta enquete”, escreveu ele. Após passar dos 10 milhões de votos, o “Sim” (deve deixar o cargo) disparou com mais com 56% dos votos. Vale lembrar que, mesmo que decida abandonar a chefia do Twitter, Musk vai continuar dono da rede social – e por possuir a maioria das ações da empresa pode demitir qualquer chefe que não fizer o que ele quiser. Should I step down as head of Twitter? I will abide by the results of this poll. — Elon Musk (@elonmusk) December 18, 2022
Elon Musk censura jornalistas e Twitter pode sofrer sanções
Elon Musk deixou mais claro seu plano para devolver a “liberdade de expressão” ao Twitter ao suspender nas últimas horas as contas de jornalistas renomados que o criticaram. A lista inclui jornalistas do New York Times, Washington Post e da rede CNN. O fator que motivou a suspensão destas contas não foi imediatamente divulgado, mas todos os repórteres suspensos escreveram nos últimos meses sobre o dono do Twitter e as mudanças negativas vistas na plataforma desde que ele a comprou. Diante da repercussão, Musk posteriormente justificou as suspensões citando novas regras de doxxing (revelação de dados) do Twitter. Ele alegou que os jornalistas compartilharam um bot que apontava o paradeiro de seu avião. Na quinta-feira (15/12), o Twitter suspendeu a conta que rastreava o jato particular de Musk em tempo real, um mês depois que o bilionário disse que seu compromisso com a liberdade de expressão se estendia a não banir essa conta. As novas punições acontecem logo após o Twitter suspender, no domingo passado (18/12), a conta de um usuário que divulgou um vídeo com vaias à Musk durante sua aparição surpresa num show de comédia. Por outro lado, Musk tem usado o discurso da defesa intransigente da liberdade de expressão para restaurar contas de extremistas que foram excluídas por ameaças à ordem pública e incitação ao ódio, como o ex-presidente dos EUA Donald Trump e o cantor Kanye West, que comemorou sua segunda chance postando uma suástica nazista no Twitter. O bilionário também proibiu que posts com desinformações fossem marcados, incluindo os que possam causar mal às pessoas, como os que divulgam mentiras sobre a covid-19. Essa linha que sugere comportamento fascista foi condenada pela maior parte da imprensa dos EUA nesta sexta (16/12), com a CNN ameaçando boicotar a rede social. Mas as críticas não partiram apenas de jornalistas. A vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourova, classificou as decisões do magnata como “preocupantes”, e lembrou em um tuite que há “linhas vermelhas” que não podem ser ultrapassadas. Foi além: ameaçou Musk “com sanções, em breve”. Ela foi ecoada pelo ministério das Relações Exteriores da Alemanha, que tuitou: “A liberdade de imprensa não deve ser ligada e desligada à vontade. É por isso que temos um problema com o Twitter”. O ministro francês da Transição Digital, Jean-Noël Barrot, acrescentou que estava “angustiado com a guinada a que Elon Musk está precipitando o Twitter”. “A liberdade de imprensa está na mesma base da democracia, é um ataque contra o outro”, defendeu. Sanções na União Europeia podem gerar enorme prejuízo para Musk e se estender a outros negócios do magnata, que negocia acordos comerciais com diversos países para seu programa espacial Space X.
Defensor da “liberdade de expressão”, Elon Musk censura críticos no Twitter
O bilionário Elon Musk não reagiu bem às vaias que recebeu durante uma aparição no show de stand-up do comediante Dave Chappelle, que aconteceu em São Francisco, EUA, no domingo (11/12). A usuária CleoPat4893885, que postou o vídeo da reação do público, teve sua conta de Twitter suspensa ou removida nesta segunda (12/12). “Este tuite é de uma conta que não existe mais”, informa a plataforma. A censura causou uma reação instantânea. “Elon Musk está excluindo contas que postam este vídeo dele sendo vaiado por 10 minutos ontem à noite em um show de Dave Chapelle. Ele não pode deletar todos nós. Retuite enquanto ainda pode”, disse um usuário, em resposta à repressão na plataforma. Não é a primeira vez que o defensor da “liberdade de expressão” é acusado de censurar críticas no Twitter, mostrando-se mais tolerante com fake news que com registros de fatos, especialmente se estes fatos não o mostram de forma positiva. O vídeo censurado mostra que Chappelle introduziu o CEO do Twitter no fim de sua apresentação de domingo como um convidado especial e o público não gostou nem um pouco da surpresa, vaiando Musk sem dó. “Você não estava esperando por isso, estava?”, o bilionário perguntou ao humorista. Em resposta, Chappelle brincou: “Parece que algumas das pessoas que você demitiu estão na plateia”. A piada foi uma referência às massivas demissões que aconteceram depois que Musk comprou Twitter. O comediante ainda criticou as vaias, dizendo que “há maneiras melhores de expressar seus protestos contra o homem”. E, no fim, pediu a Musk que gritasse a frase de encerramento do seu show, ao que Musk respondeu: “Sou rico, vadia”, recebendo mais vaias. Depois disso, Musk começou o dia atacando o politicamente correto, que nos EUA é chamado de “woke”, por identificar as vaias como críticas à sua defesa intransigente do politicamente incorreto. “O vírus da mente woke será derrotado ou nada mais importa”, ele tuitou, em tom de raiva. Na mesma medida em que restabeleceu contas de extrema direita que violaram as regras do Twitter no passado, estimulando um aumento sensível de conteúdo neonazista na plataforma, uma reportagem do site americano The Intercept revelou que Musk suspendeu várias contas notáveis de esquerda. Entre seus alvos, estão pesquisadores e organizadores antifascistas que se concentravam em documentar e denunciar atividades de extremistas violentos. Segundo o Intercept, Musk teria convidado o escritor de extrema-direita Andy Ngo, com quem frequentemente interage no Twitter, “para denunciar ‘contas Antifa’ [antifascistas] que deveriam ser suspensas”. Mas também há outros exemplos intrigantes de suspensão de contas – algumas, inclusive, são misteriosamente restabelecidas mais tarde – sem nenhuma razão que possa ser explicada pelos termos de serviço do Twitter. Na semana passada, duas dessas contas tinham em comum o mesmo “problema” da vítima desta segunda: zombaram de Musk.
Centro Dom Bosco perde mais um processo contra Porta dos Fundos
Colecionando derrotas em processos contra o grupo Porta dos Fundos, o Centro Dom Bosco de Fé e Cultura perdeu mais um nessa semana. A 30ª Vara Cível do Rio extinguiu a ação que pedia a retirada do ar do vídeo “Corpo de Cristo”, produzido pelo Porta Fundos em 2018. A Justiça concluiu que a entidade de tendência ultraconservadora, que acusava a produção de “achincalhar com a fé católica”, não era parte legítima para propor ação individual em nome de seus associados. A sentença destaca que “a liberdade de culto e de religião, a fé, a crença e o sentimento religioso são direitos e atributos vinculados exclusivamente às pessoas naturais, que são o público-alvo das religiões”. E que cumpria à entidade ter distribuído ação coletiva, indicando, através de lista, os associados representados, o que não foi feito. Exibido originalmente no feriado religioso de Corpus Christi de 2018, o vídeo na verdade usa o contexto da data para fazer uma crítica jocosa à “cultura fitness”, que leva as pessoas a restrições alimentares desmedidas como forma de emagrecimento. O esquete traz Evelyn Castro questionando um padre se a hóstia tem glúten. Veja abaixo. O Centro Dom Bosco possui um longo histórico de processos perdidos para o Porta dos Fundos. Todo o especial de Natal do grupo rende uma ação da associação religiosa na justiça comum. Mas como os casos tratam de liberdade artística e de expressão, nas raras vezes em que a associação vence, as sentenças são sempre revertidas no STF. Em uma decisão de 2019, o ministro relator Gilmar Mendes sugeriu aos religiosos ofendidos simplesmente não assistirem ao conteúdo. A repetição de ações já chamou atenção na Justiça e levou a 11ª Vara Cível de São Paulo a multar o grupo religioso no mês passado. O Dom Bosco foi condenado a pagar R$ 10 mil por conduta de má-fé ao abrir processo contra a animação “Te Prego Lá Fora”, especial de Natal do Porta dos Fundos levado ao ar no final de 2021 pela plataforma de streaming Paramount+. A ação, que pedia a censura da produção por supostamente “atacar a fé católica”, foi julgada improcedente. Além de considerar falta de motivo para pedir censura, a Justiça considerou que a associação agiu de má-fé ao processar as empresas responsáveis pela divulgação do especial, após ter acionado judicialmente o Porta dos Fundos por diversas vezes em função de produções anteriores. “O conteúdo do especial, repisa-se, não se trata de discurso de ódio, mas, de uma sátira, por mais questionável que seja a qualidade da produção”, citou a decisão. Confira o esquete que ocasionou a derrota mais recente dos ultraconservadores.











