Turquia proíbe filmes e mostras LGBT+ na capital do país
A capital turca, Ancara, proibiu a exibição pública de filmes, mostras e exposições que expressem homossexualidade ou sejam relacionados a direitos da comunidade LGBT+, disse o gabinete do governador no domingo (19/11), citando riscos para a segurança pública. “A partir de 18 de novembro de 2017, no que diz respeito à sensibilidade pública da nossa comunidade, eventos como cinema, teatro, painéis, entrevistas e exposições LGBT estão proibidos até a segunda ordem em nossa província para proporcionar paz e segurança”, disse o gabinete do governador em um comunicado. O órgão disse que tais exposições poderiam fazer com que diferentes grupos na sociedade “nutram o ódio e a hostilidade em público” uns contra os outros e, portanto, representam um risco para a segurança pública. Autoridades em Ancara já haviam proibido um festival de cinema gay alemão na quarta-feira, um dia antes da abertura, citando riscos de segurança pública e ataques terroristas. Além disso, paradas de orgulho gay foram banidas em Istambul nos últimos dois anos. Considerado um dos países islâmicos mais liberais da Ásia, a Turquia deu uma guinada à direita após o Partido de raízes islamistas AK eleger o presidente Tayyip Erdogan e enfrentar uma tentativa de golpe. Por enquanto, ao contrário de muitos países muçulmanos, a homossexualidade ainda não é um crime na Turquia, mas a censura é explícita e a criminalização já começa a ser exercida por meio de exceções, como penas para quem descumprir a proibição de manifestações LGBT. O governo turco também fechou jornais, prendeu mais de 150 mil pessoas e tenta censurar o acesso da população do país à internet. A Turquia pode parecer distante, mas o Brasil não está longe de viver o mesmo, dependendo do resultado da próxima eleição presidencial.
Pressionada, Disney volta atrás e libera jornalistas do LA Times em seus filmes
A Disney sentiu o peso e a força da imprensa norte-americana. Após entidades de críticos de cinema e os principais jornais dos Estados Unidos anunciarem boicote contra seus filmes, o estúdio voltou atrás em sua decisão de impedir que jornalistas do Los Angeles Times participassem das sessões de imprensa de seus lançamentos. Sem mencionar a repercussão da união de jornalistas do país contra o estúdio, um porta-voz da Disney divulgou uma nota, em que menciona “discussões produtivas” com o Los Angeles Times para permitir que os críticos do jornal voltem a ter acesso a seus filmes. “Tivemos discussões produtivas com a nova liderança recém-instalada no Los Angeles Times sobre nossas preocupações específicas”, diz o comunicado. “E, como resultado, concordamos em restaurar o acesso às sessões de imprensa para seus críticos de cinema”. O estúdio quis boicotar o jornal por não ter gostado de uma reportagem feita sobre o parque da Disneylândia na Califórnia. O jornal entrevistou uma série de autoridades do governo municipal e cidadãos da cidade de Anaheim, onde fica o parque, que se mostraram indignados com a forma como a Disney vem “sugando” incentivos e subsídios oferecidos pela cidade, a ponto de drenar a economia local muito mais do que a incentiva. Furiosa com a reportagem, a Disney vetou jornalistas do Times em qualquer atividade, ao afirmar, em nota, que a reportagem “mostrou um desprezo total por padrões jornalísticos básicos”. “Apesar de compartilhar inúmeros fatos indiscutíveis com o repórter, vários editores e a editoria ao longo de vários meses, o Times avançou com uma reportagem tendenciosa e imprecisa, inteiramente motivada por uma agenda política”, disse a empresa em comunicado, para justificar seu boicote. Entretanto, o estúdio não gostou de provar seu próprio remédio. A decisão de boicotar o Times levou quatro associações de críticos dos Estados Unidos e jornais como o New York Times e Washington Post a fazerem seu próprio boicote contra a Disney, ameaçando deixar de escrever críticas de seus filmes e produtos até o acesso dos jornalistas do LA Times ser restabelecido. A queda de braços não durou 24 horas, até o estúdio perceber a dimensão que tinha tomado sua decisão punitiva. O New York Times deu o tom ao divulgar sua decisão de forma editoral. “Uma empresa poderosa punir uma empresa de notícias por causa de uma reportagem que eles não gostaram gera um efeito arrepiante”, diz o texto. “Este é um precedente perigoso, que não é de interesse público”. Além dos jornais, o conselho executivo da Associação de Críticos de Televisão emitiu um comunicado em que critica a “ação punitiva” da Disney contra os jornalistas do Times. “Condenamos qualquer circunstância em que uma empresa tome medidas punitivas contra os jornalistas por fazer seu trabalho”, afirma a nota. As associações de críticos de Los Angeles, Nova York e Boston, além de uma entidade nacional (National Society of Film Critics), também emitiram um comunicado conjunto, em que taxaram a iniciativa da Disney de “antitética, diante dos princípios de uma imprensa livre”, além de estabelecer “um precedente perigoso em um momento de hostilidade já exacerbada em relação aos jornalistas”. Para os jornalistas americanos, a discussão deveria ter sido tratada publicamente e não com retaliações contra o trabalho da imprensa. “A resposta da Disney deve preocupar gravemente todos os que acreditam na importância de uma imprensa livre, artistas incluídos”, conclui o texto das associações.
Principais jornais dos EUA boicotam Disney após estúdio impedir críticos do LA Times em seus filmes
A decisão da Disney de proibir que jornalistas do Los Angeles Times tenham acesso às sessões de imprensa de seus filmes uniu os críticos de cinema e a imprensa americana contra o estúdio. Após quatro associações de críticos anunciarem boicote ao estúdio, críticos dos jornais New York Times e Washington Post, dois dos mais importantes veículos de comunicação dos Estados Unidos, anunciaram que não irão mais escrever sobre filmes da Disney, até o estúdio reverter sua posição. O New York Times assumiu a decisão de forma editoral, divulgando um comunicado. “Uma empresa poderosa punir uma empresa de notícias por causa de uma reportagem que eles não gostaram gera um efeito arrepiante”, diz o texto. “Este é um precedente perigoso, que não é de interesse público”. Além dos jornais, o conselho executivo da Associação de Críticos de Televisão emitiu um comunicado em que critica a “ação punitiva” da Disney contra os jornalistas do Times. “Condenamos qualquer circunstância em que uma empresa tome medidas punitivas contra os jornalistas por fazer seu trabalho”, afirma a nota. A polêmica começou quando após o Los Angeles Times publicar denúncias contra o parque da Disneylândia na Califórnia. O jornal entrevistou uma série de autoridades do governo municipal e cidadãos da cidade de Anaheim, onde fica o parque, que se mostraram indignados com a forma como a Disney vem “sugando” incentivos e subsídios oferecidos pela cidade, a ponto de drenar a economia local muito mais do que a incentiva. A Disney justificou seu veto a jornalistas do Times ao afirmar, em nota, que a reportagem “mostrou um desprezo total por padrões jornalísticos básicos”. “Apesar de compartilhar inúmeros fatos indiscutíveis com o repórter, vários editores e a editoria ao longo de vários meses, o Times avançou com uma reportagem tendenciosa e imprecisa, inteiramente motivada por uma agenda política”, disse a Disney em comunicado. Para os jornalistas americanos, a discussão deveria ter sido tratada publicamente e não com retaliações contra o trabalho da imprensa.
Associações de críticos dos EUA decidem boicotar a Disney após estúdio impedir jornalistas de verem seus filmes
Quatro importantes associações de críticos americanos anunciaram nesta terça (7/11), que os filmes da Disney estão barrados de suas premiações de 2018, consideradas importantes termômetros para o Oscar. As associações de críticos de Los Angeles, Nova York e Boston, além de uma entidade nacional (National Society of Film Critics), resolveram barrar a Disney em resposta à decisão do estúdio de impedir que jornalistas do Los Angeles Times vejam seus filmes. O boicote contra o jornal aconteceu após o Times publicar denúncias contra o parque da Disneylândia na Califórnia. O Los Angeles Times entrevistou uma série de autoridades do governo municipal e cidadãos da cidade de Anaheim, onde fica o parque, que se mostraram indignados com a forma como a Disney vem “sugando” incentivos e subsídios oferecidos pela cidade, a ponto de drenar a economia local muito mais do que a incentiva. Por sua vez, a Disney afirma que a reportagem “mostrou um desprezo total por padrões jornalísticos básicos”. “Apesar de compartilhar inúmeros fatos indiscutíveis com o repórter, vários editores e a editoria ao longo de vários meses, o Times avançou com uma reportagem tendenciosa e imprecisa, inteiramente motivada por uma agenda política”, disse a Disney em comunicado. Mas a decisão de impedir que críticos do jornal vejam seus filmes foi considerada uma afronta pelas associações da categoria, que, em seu comunicado conjunto, taxaram a iniciativa de “antitética, diante dos princípios de uma imprensa livre”, além de estabelecer “um precedente perigoso em um momento de hostilidade já exacerbada em relação aos jornalistas”. “É reconhecidamente extraordinário que um grupo de críticos, ainda mais quatro grupos de críticos, tomem uma decisão que possa penalizar artistas de cinema por decisões além de seu controle. Mas a Disney precipitou essa ação quando escolheu punir os jornalistas do Times, em vez de expressar seu desacordo com uma história sobre negócios através de uma discussão pública. A resposta da Disney deve preocupar gravemente todos os que acreditam na importância de uma imprensa livre, artistas incluídos”, conclui o texto das associações.
Jorge Furtado vai filmar a peça censurada Rasga Coração, de Vianinha
O diretor Jorge Furtado (“Real Beleza”) vai filmar o texto da peça “Rasga Coração”, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha (criador de “A Grande Família”), centrada em política e no conflito de gerações. A peça foi proibida de ser encenada em 1974 e ficou cinco anos censurada pela ditadura militar. “Rasga Coração” foi o último texto teatral de Vianinha, integrante do Teatro de Arena de São Paulo, que logo após terminar o texto morreu de câncer pulmonar, aos 38 anos de idade. O texto chegou a circular clandestinamente em cópias mimeografadas, mas o grande público só foi conhecer seu conteúdo durante o processo de abertura democrática, com a primeira encenação no Rio de Janeiro em 1979, trazendo Raul Cortez no papel principal e Lucélia Santos, Ary Fontoura e Vera Holtz no elenco. A versão de cinema deve manter os temas, mas provavelmente atualizará a história para os dias atuais, uma vez que o recorte da história propicia a mudança – e a luta contra o Estado Novo pode confundir a cabeça de uma esquerda que “mudou de ideia” sobre Getúlio Vargas. Além disso, é impossível ignorar que Furtado gravou vídeos para o PT em defesa contra a perseguição “política” de Lula. Na trama, um militante político, depois de 40 anos de lutas, vê o filho acusá-lo de conservadorismo. Sem dinheiro para pagar as contas, sofrendo com as dores de uma artrite crônica e num crescente conflito com o filho, ele reflete sobre seu passado e se vê repetindo as mesmas atitudes de seu pai. Intercalando fragmentos de vários momentos da vida do protagonista, a história atravessa 40 anos da vida política brasileira. O roteiro é assinado pelo diretor ao lado de Ana Luiza Azevedo (criadora da série “Doce de Mãe”) e Vicente Moreno (“A Última Estrada da Praia”). O elenco destaca Marco Ricca (“Chatô: O Rei do Brasil”) e Chay Suede (“A Frente Fria que a Chuva Traz”) como o pai e o filho do conflito central, além de Luisa Arraes, Drica Moraes, George Sauma, João Pedro Zappa, Duda Meneghetti, Kiko Mascarenhas, Fabio Enriquez, Nelson Diniz, Anderson Vieira e Cinândrea Guterres. A Casa de Cinema de Porto Alegre é responsável pela produção do longa, que será filmado até o começo de dezembro na capital gaúcha, com previsão de lançamento para setembro de 2018.
Jogos Mortais: Jigsaw é proibido para menores de 18 anos no Brasil
O filme “Jogos Mortais: Jigsaw” recebeu classificação indicativa de 18 anos no Brasil. A decisão foi devido à violência gráfica e cenas impactantes da produção. Conhecida pelos jogos de tortura com diferentes tipos de mortes, a franquia geralmente recebe a restrição etária mais elevada no país. Mas é interessante reparar que, embora tenha classificação “R” nos Estados Unidos, inúmeras produções com esta mesma distinção chegam com indicação para maiores de 16 e até 14 anos no Brasil, como “Logan”, “Deadpool”, “Cinquenta Tons Mais Escuros”, “It – A Coisa” e “Perfeita É a Mãe”. Na Argentina, “Jogos Mortais: Jigsaw” foi proibido para menores de 16 anos. O filme estreou em 1º lugar no fim de semana na América do Norte, mas também registrou a menor abertura de toda a franquia, iniciada há 13 anos. O lançamento no Brasil acontece na quinta, 2 de novembro, dia de Finados.
Projeto de Lei quer proibir profanação de símbolos sagrados em filmes, games e eventos artísticos
Um projeto de lei apresentado pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP) no fim de setembro quer proibir a “profanação de símbolos sagrados” em manifestações artísticas — incluindo filmes, games e eventos artístico — , além de reforçar a obrigação de apresentações ao vivo a contarem com classificação indicativa adequada para crianças e adolescentes. Segundo o texto do PL 8615/2017, “esta Lei modifica o artigo 74 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, para obrigar as exibições ou apresentações ao vivo, abertas ao público, tais como as circenses, teatrais e shows musicais, a indicarem classificação indicativa adequada às crianças e aos adolescentes e proibir que a programação de TV, cinema, DVD, jogos eletrônicos e de interpretação –RPG, exibições ou apresentações ao vivo abertas ao público profanem símbolos sagrados”. Segundo Feliciano, que é pastor da Catedral do Avivamento, ligada à Assembleia de Deus, o projeto incluiria símbolos sagrados de todas as religiões. “O que for sagrado para uma pessoa, será contemplado. Já existe uma lei que proíbe a profanação de imagens sagradas. Por isso, não seria censura. O problema é que a lei não é observada. Não dá para dizer que é arte quando alguém pega um crucifixo e coloca no ânus. Em uma exposição, outro dia, um indivíduo pegou a imagem de Nossa Senhora, que é adorada por 80% da população brasileira, a colocou sobre seu órgão genital e depois a triturou. Isso é um absurdo. Por muito menos um pastor teve que sair do país porque chutou uma imagem de Nossa Senhora”, ele disse, em entrevista ao jornal O Globo. Vale lembrar que algo parecido com a descrição do uso de crucifixo em lugar impróprio acontece com destaque numa obra-prima do cinema, “O Exorcista” (1973), que talvez não pudesse ser exibido no Brasil sem cortes se esta lei estivesse em vigor no Brasil, lembrando a atividade dos censores durante a ditadura militar. Questionado se um jogo histórico que retratasse Maomé, por exemplo, seria proibido, o deputado lembrou o ataque ao jornal satírico francês “Charlie Hebdo”, em janeiro de 2015, quando doze pessoas foram mortas. “Meu projeto visa que se coloque limite em tudo. No caso do ‘Charlie Hebdo’, fizeram uma brincadeira como uma imagem sagrada, de Maomé, e resultou na morte de muitas pessoas. Existem super-heróis, jogos de ação… Por que tocar naquilo que é sagrado para as pessoas? Claro, o projeto é muito abrangente. Quando você cria um projeto, você lança a ideia para abrir um debate. Os jogos de RPG, por exemplo, eu incluí mais pela questão da faixa etária”. A iniciativa acontece no momento em que a performance “La Bête”, parte do 35ª Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), destaca a nudez do artista Wagner Schwartz. “Eu não quero censurar a arte, quero censurar o abuso infantil”, disse o deputado, diante da polêmica despertada por crianças que brincaram com o homem nu. Na entrevista para O Globo, ele chega a comparar a nudez do herói bíblico Davi, na famosa escultura de Michelangelo, com a performante de Schwartz. “Michelangelo pegou uma pedra bruta séculos atrás e transformou em uma imagem perfeita. É diferente de um cidadão aparecer nu, apoiado pela Lei Rouanet, em um museu. Isso é um ato criminoso. O corpo é feito de matéria, então o cidadão poderia ter uma ereção, certo? Não se pode comparar arte com lixo. Arte é uma coisa bonita, que precisa de fato de habilidades diferentes. Que habilidade existe em alguém que deita nu? Isso não é arte, é depravação. Mas tem umas pessoas que acham que são mais inteligentes que eu, botam um cidadão vomitando em uma tela e chamam de arte. Isso é coisa de débil mental”.
HBO é multada pelo Procon-SP por causa de Festa da Salsicha
O canal pago HBO foi multado pelo Procon-SP em R$ 2 milhões pela exibição do filme “Festa da Salsicha” em horário diurno. Segundo o órgão, a emissora fechada falhou ao não deixar explícita a advertência de que o longa se tratava de uma “animação pornográfica”, inapropriada para crianças. Na descrição do longa, contudo, a classificação indicativa apontava a censura de 16 anos, que foi a estabelecida pelos órgãos federais. A iniciativa do Procon-SP reflete uma iniciativa de um colunista do UOL e políticos conservadores, que usaram a mídia e as redes sociais para protestar contra a exibição matinal da animação, porque contém piadas explícitas sobre drogas e sexo. Segundo o Procon, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a vinculação horária à idade, deixando as emissoras livres para escolher a grade em que os programas serão exibidos, a falta de alerta aos pais sobre o conteúdo do filme feriu o Princípio da Proteção Integral ao menor de idade, parte do Código do Consumidor, que atinge consumidores hipervulneráveis. A HBO emitiu um comunicado em que afirma que isto não ocorreu. “A HBO informa que segue as práticas padrão estabelecidas pela indústria de TV paga. Antes do início de cada programa, a rede exibe de forma clara a classificação do programa e alerta os espectadores sobre os tópicos abordados. De acordo com a legislação brasileira, ‘Festa da Salsicha’ é avaliado como apropriado para pessoas com idade igual ou maior de 16 anos. Além disso, as operadoras de cabo e satélite oferecem funcionalidades de bloqueio de acordo com as classificações de um programa, possibilitando aos pais o controle total sobre o que seus filhos assistem.” O canal pode recorrer da multa.
Exibição de Festa da Salsicha na HBO Brasil vira “causa” de gente desinformada
A estreia da animação adulta “Festa da Salsicha” no canal pago HBO causou uma confusão enorme na cabeça dos pais brasileiros que ainda não dominam as teclas do controle remoto de seus serviços de TV por assinatura. E por causa dessa dificuldade, até a assessoria da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul decidiu se manifestar sobre o assunto. Por incrível que pareça, a inabilidade dos pais com o remoto foi discutida por membros do Nudeca (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente), que resolveu avaliar o conteúdo e a legislação respectiva. “O assunto foi proposto em uma reunião de membros da rede e as coordenadoras do Núcleo vão analisar o que pode ser feito”, informou a assessoria. Melhor tratar “o assunto” com o deboche que ele merece do que levar a sério a repercussão das redes sociais, em que pais sem noção confundiram a HBO com o Cartoon Network. Afinal, não é porque seu programa mais popular tem dragões que a HBO é um canal infantil. Aliás, senhores pais, o programa que tem dragões também tem cenas de nudez e sexo. E reprisa à tarde, caso não tenham reparado. Mas a brincadeira é divertida. Especialmente graças à humorista involuntária e candidata a vereadora joseense Letícia Aguiar, que se descreve como “de direita, conservadora, pró vida, família e amiga da polícia” e ilustra seu perfil do Facebook com fotos de Jair Bolsonaro. Ela levou o caso ao limite da caricatura, ao gravar um vídeo onde critica a HBO com o seguinte argumento: “Se não é destinado à crianças, porque então é uma animação infantil?”. Por que, hein? Por que Letícia Aguiar acredita que “Festa da Salsicha” é uma animação infantil? Todos os materiais de marketing do longa-metragem, incluindo cartazes e o trailer, ressaltam que o conteúdo da produção é adulto. A dublagem, inclusive, foi feita pelo coletivo da internet Porta dos Fundos, cujo nome já é uma indicação de suas piadas de duplo sentido. A exibição também foi precedida por aviso de classificação etária. E como a HBO não é o Cartoon Network, oferece opções de senha para os pais. Sim, os serviços fornecidos pelas operadoras de TV paga incluem opções de controle etário para os pais, que podem bloquear por meio de senhas os canais para maiores. Algumas operadoras inclusive bloqueiam automaticamente determinados programas, até que os responsáveis insiram as senhas. Tudo isso é feito com o controle remoto. E não com “política”. Afinal, adultos também tem direito de ver desenhos animados. E desenhos adultos são produzidos há mais de – olha como é novidade – 100 anos. Mas isso é cultura. Enfim, trata-se de mais um caso de quem não lê instruções, não busca se informar e termina votando em quem vota. Ou pedindo voto, com a garantia de ser perfeitamente incapaz de usar um controle remoto sem dar um escândalo e reclamar do baixo “nível intelectual”. Sério, mas muito muito engraçado. Veja abaixo. A propósito, tudo isso parece ter começado com um texto de colunista de TV do UOL, ao reclamar que o “desenho pornográfico” estava passando à tarde, mesmo argumento da bolsonarista. As pessoas mais velhas parecem ter mesmo maiores dificuldades de lidar com tecnologia – mesmo sendo uma tecnologia com botões… De todo modo, a incompetência com o remoto foi tanta que a própria HBO tomou a iniciativa de restringir o desenho para o horário noturno, após às 22 horas. Afinal, o bom senso ensina que é preferível manter à distância a turba que brande forcados e tochas contra tudo o que não quer nem consegue entender. Leia aqui a crítica do filme para saber do que realmente se trata.
Diretora do premiado CitizenFour denuncia esforço do WikiLeaks para censurar filme sobre Julian Assange
Vencedora do Oscar pelo documentário “CitizenFour”, sobre Edward Snowden, a cineasta Laura Poitras encontrou problemas ao realizar “Risk”, seu novo filme sobre personagem de perfil aparentemente similar: Julian Assange, criador do WikiLeaks. Após o lançamento, ocorrido há uma mês nos EUA, a documentarista e mais dois produtores executivos estariam sofrendo assédio do WikiLeaks. Em artigo publicado na revista Newsweek, Poitras, Brenda Coughlin e Yoni Golijov alegam que Assange e o WikiLeaks enviaram diversas mensagens para a distribuidora do filme, a Neon, com o intuito de retirar o documentário de cartaz. “Nos esforços do WikiLeaks para evitar a distribuição de ‘Risk’, eles estão usando as táticas que, muitas vezes, são usadas contra eles – ameaças legais, falsas afirmações de segurança, ataques pessoais, desinformação. Tudo com as mesmas intenções: suprimir informações e silenciar a fala”, denuncia o trio. Segundo eles, todos os participantes do documentário toparam fazer o filme. “Não temos obrigações com o WikiLeaks ou com a autorização de Assange para divulgar o filme. Estamos protegidos pela Primeira Emenda da Constituição americano por fazermos um jornalismo independente”, afirmam. “Risk” não tem previsão de estreia no Brasil. Veja o trailer do filme abaixo.
Campeão de reprises na Sessão da Tarde, A Lagoa Azul deixa de ser censura livre
Um dos filmes mais reprisados na Sessão da Tarde em todos os tempos, “A Lagoa Azul” (1980) não deveria ser exibido para crianças. Em despacho publicado no Diário Oficial da União de quinta (20/4), o Ministério da Justiça reclassificou o longa como “não recomendado para menores de 12 anos”, por conter violência e teor sexual. Até então, o filme tinha a classificação indicativa “livre”. Por conta disso, foi exibido mais de 30 vezes pela Globo e o SBT no horário vespertino só neste século. Foi justamente uma exibição na Sessão da Tarde, em 9 de março deste ano, que gerou a reclassificação. No despacho publicado no Diário Oficial, o Ministério da Justiça relata que recebeu “denúncia” de um “cidadão” sobre “uma suposta incompatibilidade entre o conteúdo apresentado” e a classificação livre do longa. O ministério, então, instaurou um inquérito administrativo, que constatou que a versão editada para TV de “A Lagoa Azul” possui “ato violento” e “apelo sexual” reiteradamente, o que a torna incompatível para menores de 12 anos. “A Lagoa Azul” foi exibido como “censura livre” porque a classificação era mais liberal em 1995, quando o filme recebeu sua certificação para a TV. As regras se tornaram mais rígidas recentemente, com a criação de um manual com o que pode e não pode para cada faixa etária, após excessos cometidos pela TV aberta. Ironicamente, na época em que o filme foi considerado adequado, havia mais rigidez em relação aos horários de exibição. Até recentemente, filmes impróprios para menores de 12 anos só poderiam ser exibidos às 20h. Foi, por sinal, por causa disso que as “novelas das oito” começaram a ser exibidas após as 21h. Entretanto, desde agosto do ano passado o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a imposição de vinculação de horário à classificação etária. As emissoras têm apenas que informar que a programação é imprópria para determinadas idades. Na prática, a reclassificação de “A Lagoa Azul” aconteceu tardiamente e tem efeito meramente informativo. Na época em que foi feito, o filme também foi acompanhado de polêmica etária. Ele conta a história de duas crianças, Emmeline (Brooke Shields) e Richard (Christopher Atkins), que sobrevivem a um naufrágio. Juntamente com um velho marinheiro, vão parar em uma ilha tropical, um paraíso com uma lagoa azul. O marinheiro morre, e as crianças crescem, se apaixonam e descobrem o sexo – e têm um filho. Brooke Shields tinha apenas 15 anos, o que gerou protestos pelo conteúdo sexual e cenas de topless da produção. Atualmente, a atriz está com 50 anos. O longa foi exibido com censura 16 anos nos cinemas brasileiros. Mas a versão televisiva tem cortes. Os produtores realizaram uma sequência em 1991, “De Volta à Lagoa Azul”, basicamente contando a mesma história com outra beldade adolescente, Milla Jovovich, também com 15 anos na época das filmagens. E lançaram uma versão televisiva em 2012, “Lagoa Azul: O Despertar”, que ainda não estreou na TV aberta e recebeu indicação etária para maiores de 14 anos na TV americana.
Cidade de Israel censura cartaz dos Smurfs porque Smurfette é capaz de “incitar sentimentos”
Uma cidade ultra-ortodoxa de Israel censurou um cartaz da animação “Os Smurfs e a Vila Perdida”, por medo que ele pudesse ofender os moradores. O motivo? A suposta sensualidade de Smurfette. Segundo o jornal britânico The Independent, a pequena Smurf foi apagada do cartaz porque as autoridades da cidade de Bnei Brak, uma localidade com 180 mil habitantes, consideraram seu desenho muito sexy. O município tem um legislação que impede que cartazes promocionais com mulheres que “possam incitar os sentimentos dos moradores da cidade”. Esta não é a primeira vez que uma personagem feminina é retirada de material promocional de um filme infantinho. Tinker Bell, também conhecida como a fada Sininho de Peter Pan, também foi apagada. E Katniss, a personagem de Jennifer Lawrence em “Jogos Vorazes”, numa apareceu nos pôsteres do filme na cidade.
Malásia volta atrás e decide não censurar A Bela e a Fera, que agora será censurado no Kwait
Após a Disney adiar indefinidamente o lançamento de “A Bela e a Fera” na Malásia devido à ameaça de censura, que retiraria as cenas “gays” do filme, o governo do país decidiu voltar atrás. Segundo a revista Variety, o filme será exibido na íntegra, a partir de 30 de março. No entanto, os censores decidiram mudar a classificação do filme, que agora será para maiores de 13 anos. Na Rússia, o longa passou pela mesma situação e foi classificado para maiores de 16 anos. Mas após a Disney anunciar que preferia impedir a estreia na Malásia a permitir cortes na produção, o Kwait também decidiu censurar a produção. O comitê de censura do país anunciou que lançará uma versão editada do filme nesta semana. Sobre isto, a Disney ainda não se pronunciou. Em vários países muçulmanos, a homossexualidade é tratada como ofensa e pode levar gays para a prisão, como também já aconteceu no Ocidente em tempos não tão distantes assim – os mais novos podem ver o filme “O Jogo da Imitação” (2014) para comprovar. Desde que o diretor de “A Bela e a Fera”, Bill Condon, revelou que a nova versão do clássico teria uma subtrama gay, o filme virou alvo de reações conservadoras, que acusam a Disney de fazer “propaganda gay”. Entretanto, a pequena insinuação gay da produção mal tira o pé de dentro do armário.












