Edson Celulari revela ter câncer
O ator Edson Celulari foi diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema de defesa do organismo. Ele confirmou a informação em sua conta do Instagram e até publicou a imagem acima, já sem cabelo. “Reuni minhas forças, meus santos, um punhado de coragem… coloquei tudo numa sacola e estou indo cuidar de um linfoma não-Hodgkin. Foi um susto, mas estou bem e ao lado de pessoas amadas”, afirmou o ator, que está com 58 anos. “A equipe médica é competente e experiente. Estou confiante e pensando positivo. Com determinação e fé, sairei deste tratamento ainda mais forte. Todo carinho será bem-vindo.” Há mais de 20 tipos de diferentes de linfomas não-Hodgkin, doença que já atingiu, por exemplo, personalidades com a presidente Dilma Rousseff, o ator Reynaldo Gianecchini e o governador licenciado do Rio, Luiz Fernando Pezão. Na maioria dos casos, o tratamento é feito com quimioterapia, radioterapia ou ambos. Visto mais recentemente na novela “Alto Astral”, exibida no ano passado, Celulari estará em breve nos cinemas, no filme “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos”, de Paulo Nascimento (“A Oeste do Fim do Mundo”), ainda sem previsão de estreia.
Lutando contra o câncer, Abbas Kiarostami teria entrado em coma
O cineasta Abbas Kiarostami, grande mestre do cinema iraniano, está enfrentando uma luta contra um câncer no intestino. Segundo o site iraniano da Radio Zamaneh, especializado em notícias do país, o diretor teria entrado em coma durante seu tratamento, que acontece em um hospital do Irã. Segundo o site, Kiarostami passou por cirurgia bem-sucedida, mas sofreu uma hemorragia que levou ao coma. A notícia foi corroborada pelo cineasta Fereydoon Jeyrani (“Parkway”). Há, porém, informações desencontradas. A agência de notícias iraniana, Mehr News, afirma que, ao contrário, Kiarostami passa bem e receberia alta para continuar o tratamento em sua casa. Estranhamente, sua família ainda não se pronunciou sobre o assunto. Conhecido por trabalhos fundamentais do cinema iraniano como “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?” (1987), “Close-Up” (1990), “Atrás das Oliveiras” (1994) e “O Vento nos Levará” (1999), Abbas Kiarostami venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1997 com o filme “Gosto de Cereja” e também escreveu o roteiro de “O Balão Branco” (1995), de Jafar Panahi, diretor condenado como subversivo pelo governo iraniano. Desde que Panahi foi proibido de filmar, Kiarostami vinha optando por trabalhar no exterior, o que resultou em “Cópia Fiel” (2010), rodado na Europa, e “Um Alguém Apaixonado” (2012), no Japão.
Meu Amigo Hindu traz doença ao cinema de Hector Babenco
Ver “Meu Amigo Hindu” leva a questionar o que aconteceu com Hector Babenco, aquele cineasta fantástico que fez tantas obras inspiradas e de conteúdo relevante e rico. Afinal, sua obra dita mais pessoal, em que lida com sua experiência de quase morte, na luta contra a leucemia, é um filme cheio de falhas, ainda que denote resquícios do talento de seu diretor. O atrativo de “Meu Amigo Hindu” reside na curiosidade mórbida. Não porque se trata de um filme sobre doença – nem chega a ser um bom filme sobre doença, na verdade -, mas porque possui tantas sequências constrangedoras que vira uma espécie de registro do declínio do cineasta. Por mais que as filmagens tenham sido conturbadas e o projeto tivesse que ser encenado em inglês, devido à escalação de Willem Dafoe (“Anticristo”) como protagonista, o filme atesta o quanto trabalhar numa língua estranha contribui para gerar incômodo numa produção. No começo, é até interessante ver aquele monte de rostos conhecidos da televisão brasileira (Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Bárbara Paz, Dan Stulbach, etc) falando em inglês, mas, logo após a estranheza inicial, verifica-se que isso trava as interpretações e contribui para os problemas de ritmo do longa. Como se Babenco, que não filma desde “O Passado” (2007), tivesse perdido o gosto pela condução narrativa caprichada. Mas isto logo se revela o menor dos problemas, que são amplificados pelas “citações” do roteiro, escrito pelo próprio Babenco. Entre os equívocos, há uma cena da personagem de Bárbara Paz, ex-mulher do cineasta, que remete a “Cantando na Chuva” (1952), com um detalhe: ela dança nua. Em outra, Selton Mello, encarnando a Morte, emula “O Sétimo Selo” (1957), mas em vez de um debate metafísico trata de elogiar o diretor. Para completar, o título mal se justifica dentro do conteúdo geral da obra, já que o personagem aludido, além de pouco aparecer na história, não faz nenhuma contribuição afetiva, nem quando o cineasta procura resgatá-lo para concluir sua história semiautobiográfica. Por outro lado, Maria Fernanda Cândido consegue passar dignidade a sua personagem, o que chega a ser admirável diante de tantos momentos embaraçosos. Suas cenas íntimas com Dafoe são os pontos altos do filme. Claro que, aqui e ali, surgem belas sequências e Dafoe, particularmente, também está bem no papel, mas isso é pouco para o diretor de “Pixote – A Lei do Mais Fraco” (1981), “Brincando nos Campos do Senhor” (1991) e “Coração Iluminado” (1998). Aliás, este último já lidava com a sombra da morte, depois de o cineasta enfrentar sua luta contra o câncer linfático. Ao final, ficam mesmo as curiosidades sobre o que é biográfico e o que é fictício. Mas talvez isso não seja importante, já que o próprio cineasta tratou de afirmar que muito do filme é invenção. Talvez para resguardar a própria privacidade.


